sexta-feira, 17 de março de 2017

Solitário



Augusto dos Anjos

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta…
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
-Velho caixão a carregar destroços-

Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Li algo hj sobre relacionamentos q me lembrou da foto acima: "Mas entendi que querer desbravar o mundo com alguém às vezes não é o suficiente se o outro não está no mesmo barco que você, muito menos disposto a entrar na tua viagem." Acho q o pensamento d Augusto dos Anjos fala sobre negar em dar a mao ao outro. Enfim...fala sobre desprezo, insensibilidade, frieza... e ele vale tanto para relacoes amorosas qto para relacoes de amizades de discursos vazios.

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