sábado, 10 de agosto de 2019

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Você precisa me conhecer


Negra Luz

De fato.
Você precisa me conhecer!
Entender as linhas na minha face
As entrelinhas no meu íntimo do ser

De fato.
Não é fácil prestar-se a ser
A companhia de um estranho ser:
Eu

De fato.
É pagar pra ver
Eu tenho meu tempo
Não você?

De fato.
Só há escolher:
Ficar nas bordas e não me ter
Mergulhar fundo
Um dia talvez...
Ouvir: Te amo.


quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Mudando para você



Rodolfo Pamplona Filho

Vou mudar
minha cara,
minha casa,
minha fala

Vou mudar
meu endereço,
meu adereço
minha composição

Vou mudar
a minha postura.
a minha estrutura,
o meu caminhar

Vou mudar
tudo em mim
para poder
ser o mesmo para você.

Salvador, 14 de outubro de 2018.


quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O dia em que o recife fui eu


Negra Luz

Eu que pensava ser Mirante.
Farol no mar.
Viajante.
Navio, meu delírio punjante...

Splash!

 E eu lá...

Surpreendida por estar
Embevecida pelo mar:
Metamorfose,
Pelo oceano em coluio com o ar.

Um recife em novo lugar.
Ondas em meu peito a arrebentar.
E eu sem poder me dominar
Fragmentam me as estruturas sem sangrar

A barra protegida pelo mar
Nova. A cada maré vivida
Meus contornos recontam, dão guarida
Aos corais: as flores pelos protagonistas consentidas
Beleza sobre a mesa da Vida.

Há quem olhe e diga:
Rocha perdida.
Eu, forte.
Plantada sobre o mar:
Força sorerguida.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

A Única Certeza é a Esperança



Rodolfo Pamplona Filho

Não dá para saber
o que o futuro me reserva
Não adianta sofrer
pelo que não se enxerga
Só há sentido em viver
o dia em que se levanta
Há muito o que fazer
até chegar a sua dança.
Apenas não quero que
desvaneça minha esperança
enquanto espero pela certeza.

Salvador, 07 de setembro de 2018.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Poema em linha reta



Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa )

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
(…)
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

domingo, 4 de agosto de 2019

Living on the edge


Rodolfo Pamplona Filho

Por vezes,
ando triste,
com mágoas e
sem esperanças.

Sofrendo por um amor,
quando amor
não deveria
causar sofrimento.

Uma simples reflexão
pode gerar nova conclusão:
Não é o amor
que faz sofrer!

É a sensação de impotência,
a angústia da imobilidade,
a covardia da letargia
e a tentação da acomodação.

Não viva no limite:
permita-se ultrapassá-lo,
pois o cabresto da falta de tentativa
é a prisão da alma de quem ousa sonhar.

São Paulo, 28 de setembro de 2017, no show do Aerosmith.