quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Stressadamente




Ante minha emoção,
Nada parece concreto.
Certo ou incerto.

Tudo em tudo é um só turbilhão.
Qual descontrolado carrilhão
Minha emoção me ensurdece,
Me endoidece e, se amortece,
Me prende em seus grilhões.

Minha emoção de tudo me oferta,
Não me traz decisão ou indecisão,
Se mostra apenas, porção de mim em deflação,
Que grita em alerta. Salvador, Bahia Brasil

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Imagem de Caleidoscópio

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Um dia se quebrou,
Sobre os meus pés descalços,
Espelhos em pedaços,
Do seu interior saltou.
No dia em que se quebrou,
Do seu interior, já sem coesão,
Um universo de imagens de ilusão,
Em cacos e um tubo distorcido, se tornou.
No dia em que se quebrou,
espalhando-se e perdendo-se do todo,
Voaram contas translúcidas, porções brilhantes,
de Outrora, fantasmagóricas formas de diamantes,
Agora, apenas parte de desconfiável lembranças.
Do meu caleidoscópio, no dia em que se quebrou,
Suas belas imagens,
Fugazes e enternecedoras miragens,
Mostraram ser apenas destruíveis jogos de espelhos.
Caleidoscópica, a minha ilusão de amor,
Também um dia, se quebrou,
Do nada que restou,
Ficou apenas frágeis imagens de sonhos que apenas sonhei.

Vera Di Bomfim

terça-feira, 19 de novembro de 2019

O mais bonito canto

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Qual será o mais bonito canto?
Do passarinho ou das cordas do violão a tocar?

Qual será o mais bonito canto?
Do beija-flor ou do eterno pássaro a chegar?

Qual será  o mais bonito canto?
Da inteligência ou do conhecimento?

Qual será o mais bonito canto?
Do sorriso ou do amor a cada momento?

Qual será a alegria de todos os poetas?
A sabedoria ou apenas o entendimento?

Patrícia Ferreira dos Santos

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O tema é poeta





Hoje vou me poetizar.
Sou poeta:
Uma aprendiz do rimar.
Minha metáfora
Termina em AR

É verbo forte:
Amar a sintonia que há
Entre o poema e o que estou a desejar.
Versos estou a tramar.

Rimar o côncavo e o convexo.
Tentar escrever amor,
Mas só querendo pensar em sexo.
Ferir e deixar tudo pretérito.

Aplaudir a Deus, perpetuar mistérios,
Sem sair das linhas do meu hemisfério.
E depois voltar-me ao papel
Sem sair do sério

O tempo que passou, passou.
Seguir é destino certo.
A poesia me libertou
E eu, alada, viajo pelos meus versos.

Aqui não há temor
Rimou. Somou. Eu verso
Se sílabas formou?
Não sei contar, confesso.

Poesia vem no peito
Eu no papel expresso
Há tempo para amor
E para o que desprezo

Sincronizada, a antena
Revela o que de mim quero
Singrar pela poesia
Vibrar em ondas pelos versos.

Quem sabe!
Talvez!
Um dia!
Lembrança no Universo!

Negra Luz

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

A cartinha de Noel






Na cartinha desse ano,
Havia uma preocupação no ar:
Quantos anos já teria
O bom velhinho do Natal?

Hoje tenho 10 aninhos,
Mas lembrei que minha mãe,
Também lembra de presentes
Que em Natais de Noel recebeu

Hoje, mamãe já é velhinha
Imagina o Noel
E assim eu tenho medo:
O que será do Natal
Quando Noel resolver
Visitar Papai do Céu?

Pensei muito
E nesta carta
Resolvi me candidatar
No futuro... Quem sabe um dia
À Noel poder ajudar

E, assim, na sua partida
Possa o seu papel ocupar
Garantir para outras gerações
Que as cartinhas alguém lerá

Com Noel nos corações,
Esperança e amor no ar,
O Natal mexe com os corações
Estimula a humanizar.

Negra Luz

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

A listinha de presentes

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Esse ano, a minha lista
Eu resolvi diminuir.
Ela será bem curtinha.
Em pouco espaço,
Será início, meio e fim

Papai, mamãe, vovó, o titia
Facilitei a vida para ti
O presentinho desejado
Nesse Mundo desanimado:
Tudo que me faça sorrir!

Ao sorrir posso contagiar
E ser contagiado
Recebendo o presente solicitado
No Mundo espalharemos o sorrir!

Negra Luz

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Ser Dor Mar




Cosmonave de um coração costeiro
que navega na preamar da dor
na maré do amor
no mar do ser
meu alterego
a dor-mar
a domar
os sargaços
de um sal salgado
de um sol solstício
de uma lua lunática
que passa na alma
de enseada

Meu coração aberto
nas praias do sonho
litoral de aberturas
ao mundo


SOUSA, Diego Mendes.

Fotografia de Chico Rasta, praia do Coqueiro, litoral do Piauí.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Todo Mundo é um Leitor.





Todo mundo é um leitor:
apenas alguns ainda
não encontraram
seu livro predileto.

Todo mundo é um leitor:
apenas não sabem
se sua vida é
um romance ou uma tragédia.

Todo mundo é um leitor:
apenas não viajaram
profundamente em sua alma
para saber a diferença
entre ficção e realidade.



Rodolfo Pamplona Filho
Miami, 30 de dezembro de 2017

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Meus sentimentos







Mãe,
Eu queria pegar essa lama
Esse betume que vazaram em ti
Com um filtro de café ...um melitta
Tirar de ti toda essa partícula ruim.
Mudar com meu amor o rumo das correntezas
Que em ti espalham essa eco- dor
Nadar por suas ondas com pano de enxugar gelo
Secar essa fonte de óleo sem temor
Elas as causas dessa agonia tem ti
E ainda para suas areias
Com baldinho de criança,
Peneirar os seu grãos e afastar de ti todo o mal.
Pois sei , mãe, mar, fonte da minha vida
Você faria, por mim, o impossível normal!

Negra Luz

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Respeito






Ao começar o labor do silêncio
Escuto a força do meu tambor
Ouço o vento sussurrar
Sinto as asas dos pardais
Eles ao longe cantam
Ignoram que o silêncio está no ar
Entendo ao fundo
O eco eles deixam
Não é deles o silêncio
Se eu o quero,
Que em mim vá buscar
Se às horas vagas do som
À elas tenho apreço
São meu momento
E os passarinhos?
Que continuem a cantar!
O meu som descansa
No silêncio me refugio
Voo profundo
Para ao longe me encontrar.

Negra Luz

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O mar em súplica





Minha mãe, me protege!
Tô perdendo nessa briga, não sei filtrar.
O óleo entrou em minhas ondas,
Só a você, mãe, posso reclamar.

Eu que fiz parte de belas fotografias,
Nas festas estava que fizeram pra ti saudar,
Dei alimento, fui tema de filme, novela e poesia,
30 dias eu sangro esse betume e ninguém a me cuidar

Eu que pensava ser das leis um protegido,
Sou um desvalido, contagiado, a contaminar.
Restando apenas rogar a ti a beira desse abismo:
- Vem das profundezas, minha rainha, me abraçar!

Tenho certeza de que sua força contagia.
E com você, essa ferida vai passar.
Interceda! Muda as correntes! Seja meu guia! Onda marinha serei fiel no meu caminhar!

Negra Luz

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Diálogo franciscano

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Nem todas as palavras entendo
Fui seguindo como compreendi
Dei amor, até de mim havia esquecido
Uni elos que faiscavam, fi-los unir

Ao não curado alimentei,
Sem ao medo sucumbir.
As doenças manifestas a outros afasta,
A mim não logram intimidar.
Cuido, está em mim

As enfermidades ocultas na alma
É que em mim tem poder de me amedrontar
Estas me fazem sucumbir
Exercício tão difícil exercitar o pleno amar

As suas faces pintadas descobri
Amar ao que dita destinos?
Perdoar o que zomba de mim?
Entender aquela que pra me proteger
Nem percebe o que fez: me ignorar?

Em sua oração é tão simples
Mas não alcanço a dimensão
Busco a luz do entendimento
Ampliar minha visão.

Ter um pouco de alento, mereço?
Um dia entender de ti, Francisco
O teor íntimo da sua oração.
E poder orar com verdade
Ser fiel a sua intenção.

Por ora, desolada
Distribuo o silêncio
Não importa ouvir nada
Entrego me a Deus em oração.

Negra Luz

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Entre quatro paredes







Vale tudo, logo cedo aprendi
Enquadrada nas minhas escolhas
Tudo vale ali

Em Lençóis listrados
Margens dos dois lados
30 linhas: início e fim

Liberto-me de todos os pecados
Permito-me em todo invadir
Me desnudo não só para mim

Passiva ou ativa
Direta ou indireta
Auxiliar como o haver no existir

Cubro as vergonhas com metáforas
Flor beijando o colibri
Cálice do orvalho de ti

E conectando os sentidos
Coerente com o sentido
Deixo me inteira fluir

A seguir, abro as portas
A realidade estampada
A mulher ocultada revelou-se bem alí

Negra Luz

sábado, 19 de outubro de 2019

Além da certeza





Assim vou seguindo...
Na incerteza
O que quero de mais certo:
Na consciência, não ter dor.

O além é detalhe.
Eu, imperfeita,
Desapego dos amores
Fincados no meu coração.

Em frente,
Vias molhadas.
Graxa na estrada.
Barreira superada.
Página virada.
Início do fim

Clareira aberta
Relva orvalhada
Som da risada
Calmaria na revoada
Forte e cansada
Respiro aliviada
Sobrevivi.

Negra Luz

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

As rosas de outubro



É preciso tocar nas duas rosas.
Tu as tem diante de ti.
Permitir- se adentrar nos meandros.
Profundamente, tocar- se e sentir.

Estas rosas tocadas por ti
Ganham brilho e te tranquilizarão.
Tocar-se garante o benefício
Que de câncer não morrerão.

Não ocultes de ti as tuas rosas.
São só duas!
E tuas são!
Dê lhes amor.

Toque e retoque nas flores segura.
Se algo estranho, procure o doutor.
Suas flores não serão mais só tuas,
A Medicina e todos os istas delas, certo, cuidarão com amor.

Negra Luz

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Exemplo





Exemplo é ensinar com gestos,
conduta e comprometimento,
não somente com palavras
que se perdem com o vento...

O que adianta reclamar de ética
quando se frauda o ponto,
mete-se um atestado,
finge-se que não é consigo?

Como se exigir o cumprimento,
se faz tudo incompleto,
não capricha nas próprias tarefas,
orgulha-se das suas pendências?

Moral se compreende teoricamente,
mas não se aprende sem se viver,
não se internaliza sem sofrer
ou se testemunha sem saber.

A lição se aprende finalmente
quando o verbo se faz carne,
o ideal sai do armário
e a promessa vira ação.


São Paulo, 07 de junho de 2013, mas pensando em um péssimo exemplo
visto em Praia do Forte em 30 de maio de 2013.

Rodolfo Pamplona Filho

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Rosas para Yemanjá




As flores que te mandei
Lembram quantas vezes te abracei
Para na vida seguir

Brancas, lembram a Paz
Que ao meu coração enviou
E toda angústia cessou

Relembram do seu amor
Aos filhos que adotou
E na vida abençou

Yemanjá, eu ti reverencio
 E com um buquê eu envio
 Gratidão e amor!

Negra Luz

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Perdi a calcinha



Desesperada estava a procurar a calcinha
Prova irrefutável do que queria ocultar
Orvalhada e com lascivo odor da minha alma
Diria por mim em metáforas aquilo que ele viera me questionar.

Olhei para o teto…
Nada alí!
Em algum momento lembrei:
Ao longe, sem rumo, lancei!

Estiquei a colcha amassada
 E nela nada não há rastro da danada
Restava a gaveta vizinha…
Estaria lá, embolada, entre papéis e versos de amor?

Nenhuma pista me levava
Uma dúvida se aguçara....
Uma calcinha usei?
No meio daquele furor?

E nesse momento tremi,
Quando nos olhos dele
"Meninos eu vi!'
A renda que esqueci

Ao não ter por onde sair
Não mais adiei,
Gritei! Rospondi:
Quero mais!

Negra Luz

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Ao negro sem nome da foto





Só de ver as suas cicatrizes,
As tuas dores eu senti
A senzala e seus odores,
Os ferros esbojando a carne
E ela sangrando em mim

Não há cota que a ti pague
Pela a mácula fincada em tua liberdade
Eu a sinto hoje em mim
Os horrores contumazes perpetrados em sua  pele...
Em qualquer parte...
Assinalam a desumanidade
Que em sua imagem assentou

O que sinto vem de constelações
Que impregnam a minha mentalidade.
Chamamento para a responsabilidade
Por tudo passado por ti
Torturados caminhos porque trilhou

Esta é a força da ancestralidade
Os registros de tamanha crueldade
Não se apagam, ganham realidade
Na foto do negro sem identidade
Que um dia alguém registrou.

Negra Luz

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Morrer é Doce!





Rodolfo Pamplona Filho

Quando em meu peito, romper-se a corrente
Que a alma me prende à dor de viver
Não quero por mim, nem uma lágrima,
Nem um suspiro, nem um sofrer...
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu passamento.
Não quero que um sorriso
Se apague pelo fim do meu triste tormento!

Viver foi peregrinar no deserto,
Procurando achar o que não estava escondido,
viver foi submergir no tédio,
Tentando encontrar o que já estava perdido
Quando se esgotar o meu suspiro,
Não desfolhe por mim sequer uma flor!
Não tornai outro ente matéria inútil.
Sozinho, da morte, deixai-me o torpor!

No meu epitáfio, escrevas:
Foi homem e, pela vida, passou
Como nas horas de um pesadelo
Que só, com a bela senhora, acordou

Descansem meu leito solitário
À sombra de um triste cipreste,
Numa floresta há muito esquecida
Onde não usurpem o que ainda me reste.
Este parece ser meu desejo final
Neste esperado momento de verdade nua.
Eis-me pronto para beijar a bela senhora
E ver como a morte é doce e crua!
(1989)