sexta-feira, 18 de agosto de 2017

CONFLITOS SANGRENTOS




Jorge da Rosa

Brilha a aurora
Refletida pelo mar
Visão do agora
No futuro a pensar

Azul do infinito
Amarelo do amanhecer
Amor bonito
Para jamais esquecer

Diversos pensamentos
Razão e coração
Conflitos sangrentos
Pobre da nação

Sol nascente
Aqueça o trabalhador
Vítima de delinquentes
E de um terrível ditador.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Perdão




Rodolfo Pamplona Filho

Desculpe por não ter imaginado sua dor
Desculpe por ter te causado horror
Desculpe por ter sido tão insensível
Desculpe por ter sido tão horrível
Desculpe por pensar que atos somem


Desculpe por ter sido tão homem

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

ATMOSFERA




Jorge da Rosa
⁠⁠⁠⁠

Encontro dos pássaros
Crepúsculo adiante
O rio e seus traços
Flora dignificante

Uma atmosfera
Com várias belezas
Longe das feras
E das incertezas

Feras estas
Que devoram o país
Déspotas
O povo clama por luz

Répteis rastejantes
Engolem uns aos outros
O trabalhador é insignificante
Para estes monstros.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Apenas um dia ruim




Rodolfo Pamplona Filho

Cuidado com
os dias ruins...
Não tome decisões
em dias ruins...

Por vezes, só o que
é necessário é
apenas um dia ruim

Há momentos em que
tudo é despertado por
apenas um dia ruim

Todo o amor
Toda uma vida
Tudo que se acredita
desvanece por
apenas um dia ruim

Se tudo que é sólido
desmancha no ar,
não há efetiva diferença
entre loucura e sanidade,
se você se apega à realidade
acreditando em
uma só verdade.

O que faz ser
o que você é?
O que dá sentido
ao que você faz
ou diz
ou quer fazer
ou diz que quer fazer?



apenas um dia ruim...

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Grazia



Lea Oliveira

Alguns não a conheciam
Isso eu tenho a lamentar
Pois você é exemplo
Alguém para se espelhar

Com seu jeito reservado,
vi devagarinho, a nossa amizade brotar
E assim reunimos
Muito carinho num só lugar

Vocacionada
Comprometida
Você dedicou sua vida
A árdua tarefa de julgar

Incansável e minuciosa
Você foi preciosa
Diligente e cuidadosa
Com cada causa a apreciar

No descanso da aposentadoria
Você estava radiante
Esbanjava alegria
Com o mundo novo que se abria

Agora, amiga querida,
Que partiu precocemente
Fica a lembrança florida
De quem terá você sempre em mente

domingo, 13 de agosto de 2017

O Canto do Cisne





Rodolfo Pamplona Filho

A proximidade da despedida
faz com que a melodia
mais encantadora
seja continuamente entoada,
como a forçosamente lembrar
os momentos de fascinação
que ficaram no passado
e que nunca voltarão...
Assim, sai de cena o Cisne,
dando lugar, no palco da vida,
a quem viverá o futuro...

Madrid, 06 de outubro de 2012.


sábado, 12 de agosto de 2017

O Som do Silêncio



Danielle Santos Gaspar Dórea

Atente-se para o silêncio a sua volta.
Costuma falar mais que imagina.
Descreve, na ausência ,sua revolta.
Cala a dor que dentro desatina.
Já as palavras, frágeis , nada são.
E olhe a importância que recebem!
Tentam conter o incabível , em vão.
Omitem tudo o que não descrevem.
Emudeça-se como o sábio poeta
Cujo texto ao leitor se faz bonito.
Mais que escritor, tem como meta
Fazer ouvir também o não-dito.
Pois no silêncio tudo e nada cabem,
É uma lacuna a ser preenchida.
É aquilo que as palavras não sabem,

E que pelo silêncio, cria vida.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Conquista em Ciudad Real





Rodolfo Pamplona Filho


Vini, vidi et vici.
O sabor da conquista
é maravilhoso e inesquecível.
Realizar em tempo recorde
aquilo que outros
não conseguem fazer
em toda uma vida
é uma satisfação
que não se quer abrir mão...
Sentir-me como meu amado
Esquadrão de Aço,
buscando mais um...
mais um título de glória
é uma felicidade comparável
a escrever um livro,
plantar uma árvore
ou ter um filho:
é preciso viver para sentir!
E tudo que fica
é a sensação
e a vontade de dizer:
Para o alto e avante!


Ciudad Real, 04 de outubro de 2012

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ser/Estar Amor



Danielle Santos Gaspar Dórea

O amor virou o meu estado.
Hoje, mais tua que minha.
Sou transbordante, ao seu lado.
Sou incompleta, sozinha.

É estranho me perceber
Quando não mais me basto.
És pedacinho do meu ser
Da minha bandeira, o mastro.

Desejo um reciproco amor
Duas partes de uma mesma estrada.
Quero , no frio, seu calor.
Quero meu coração sua morada.

Que queira Deus,
Que queira você
Eu quis.

Ser meu e seu,
Tornar meu o seu,
E ser um só, feliz.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Aprisionado



Rodolfo Pamplona Filho


A vida além das grades
não passa de uma lembrança
de um sonho longínquo
e a esperança da liberdade
é um sussuro em meio
a um violento tornado...
E, neste fio quase invisível,
busca-se um poder sobrenatural
de adentrar o coração das trevas
sem medo e sem ser incomodado,
para salvar sua vida
das ignonímias infernais
sofridas neste purgatório...
O que será esta força?
A certeza de que é melhor
morrer em pé do que de joelhos...

No trem de Pamplona para Madrid, 03 de outubro de 2012.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

SANGRANDO


António Lafayette

Intensidade morta
Mortificação da sobrevivência
A voz que não nos revela
Mas que sangra o olhar
A moral que reprime (des)amparados
Lança-nos no viver ausente
Encontramo-nos na origem imaginária
O utópico real, o lugar do desejo não permitido
Pertence-se ao inexistente
Inexistência do viver, do desejo
Os olhos sangram, a voz mente
Manifestação inautêntica
Tempo e representação
Intensidade sangrando

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Voltar a Viver




Rodolfo Pamplona Filho


Meu Deus...
Quanto tempo desperdiçado...
podendo estar ao seu lado...
meus olhos se perdem
e se confundem
com o verde do mar...
e trazem a lembrança
que me faz sonhar...
que você é real
e que quero te abraçar...

Mas este mesmo Deus
permitiu-nos o reencontro...
para o qual finalmente
estávamos prontos...
o que talvez, na verdade,
não fosse possível no passado...
pela intensidade e maturidade
do puro amor revelado...

E a cada momento vivido,
que, para muitos, seria incompreensível
é cada dia mais bonito...
é cada dia mais incrível...
e me concede a certeza
de ser um presente da natureza
com uma indescritível beleza...

E não tenha dúvida de que algo nasceu
com animus de definitividade,
o que prova que serei sempre seu
e que voltar a viver não tem idade...

Salvador, 05 de outubro de 2010.

domingo, 6 de agosto de 2017

Sabedoria, Idade e Vida







Israel Correia






Precoce cansaço do assédio dos fracos

E dos agudos latidos em torno da caravana

Cometo crime sensato buscando o nirvana

Abandonando de vez a loucura dos palcos



Nada a ser provado.  Pois na solidão existo.

Sabedoria chega quando o calvário ferra

Necessária é a dor da coroa de espinhos

Ao judeu despercebido do que ela revela



Assim, idade perfeita estes trinta e três

Tenho anos nesta vida pela última vez

Nunca fui o fruto duma só semente



Nunca a mesma terra, nunca a mesma gente

Povo que doravante não vê, não ouve, não fala

Massa inanimada, só consente e cala!

sábado, 5 de agosto de 2017

Olhando os Campos da Espanha




Rodolfo Pamplona Filho

Olhando os Campos da Espanha,
pensei em toda minha existência,
a caminho de Pamplona,
origem e destino fundidos,
sem saber o que o futuro reserva
para cada momento a viver,
cada desafio a enfrentar
e cada decisão a tomar...

Sentado horas no trem,
entretido com imagens na janela
e ouvindo meu amigo Daniel a cantar
no music player do celular,
satisfeito com o passado construído,
revi cada instante vivido,
cada batalha vencida
e cada resolução assumida...

Esperando o tempo passar,
vi-me menino carente e homem feito,
com desejos ainda a saciar
e a nutrir esperanças de voltar
a acreditar em algo a encantar
cada segundo que resta da lida,
cada tarefa a ser perseguida
e cada mudança nos rumos da vida...

Olhando os Campos da Espanha...

No trem de Madrid para Pamplona, 02 de outubro de 2012.


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Meu poema de chuva




Ildásio Tavares



Meu poema não visita a antologia
Dos momentos que a chuva salpicou
Nem se curva ao tip-top na janela
Onde sem mais querer
A chuva semissente se instalou, —
Ele se esgueira, calmo e contemplado,
Até a intimidade sem recursos da gota mais minúscula,
E em uniliquescência permanece;
E assim, as palavras feitas chuva
Se escorrem lá pra baixo da ladeira e
São sorvidas sem serem pressentidas
Pela terra,
Pelo lago,
Ou pelas tradicionais bocas de lobo.


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Sabedoria em Efésios 5, 15-21




Rodolfo Pamplona Filho


Sabedoria é mais do que
algo de tudo conhecer...
é saber lidar com o tempo,
a vontade e os desejos...
pois não saber dominar o tempo
é se tornar escravo dele...
pois não admnistrar a vontade
é ser dominado por ela...
pois não depurar seus desejos
é se entregar a eles...

O controle do tempo não significa
conseguir fazer tudo na vida,
mas, sim, saber o que se prioriza
e o que nem entra na lista...
A vontade não pode se resumir
ao que dá certo,
mas sim a intenção
que se leva no coração...
Saber qual é o seu desejo
não é negar a própria satisfação,
mas ter plena e efetiva consciência
do que é vital para a sobrevivência.

Salvador, 21 de outubro de 2012, refletindo sobre a palavra do Pastor Afa Neto...

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Pedreira




Francisco Inácio Peixoto





Dependurados no espaço
Eles ficam ali o dia inteiro
Arrancando faíscas
Furando buracos na pedreira enorme
que reflete como um espelho
As suas sombras primitivas.
À tarde ouve-se um estrondo
E o eco repete a gargalhada das pedras
Que vieram rolando da montanha.


Os homens de pele tostada
Descem então dos seus esconderijos
E caminham pras suas casas
Vagarosamente decepcionados
Segurando nas mãos cheias de calos
As ferramentas com que procuram
Há uma porção de anos
O segredo que lhes dê
Uma nova revelação da vida...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A Mulher que mais amo na vida




Rodolfo Pamplona Filho

Há uma mulher que eu amo:
não há sensação melhor
do que colocá-la para dormir
e esperar seu despertar...

Há uma mulher que eu amo muito:
não houve dia mais feliz
do que o dia em que ela surgiu em minha vida,
dando sabor ao que era insípido,
dando cor ao que era apagado,
dando luz ao que era trevas...

Há uma mulher que eu amo demais:
cada ato por ela praticado,
cada palavra por ela dita,
cada ar que ela respira
aumenta a minha alegria infinita

Há uma mulher que eu amo bastante:
se o amor é inesgotável,
para ela, é o suficiente,
pois tudo que sou somente fez sentido
por, um dia, tê-la, nos meus braços, recebido.

Há uma mulher que eu amo loucamente:
por ela, mato e morro;
luto e não desisto; choro e rio;
no sol, chuva, calor ou frio.

Há uma mulher que eu amo...
É a mulher que eu amo mais na vida!
A mulher que eu amo mais na vida
é você, minha filha!

Praia do Forte, 10 de outubro de 2010.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Recado




Fagundes de Oliveira



Demonstra com doçura o teu amor,
Num gesto apenas, sem falar, só pensa
O quanto o sentimento é uma presença
Que adorna a vida e a encanta em seu valor.


O orvalho da manhã tem um sabor
De vida nova e uma esperança imensa.
O tempo vai passando e a recompensa\
É igual a um beijo dado com calor.


Procura ser feliz - a vida é leve
Não pára e não dá tempo à indecisão;
É um vento que acalenta enquanto é breve.


O sonho vai passando e na verdade
É uma janela aberta à imensidão
Com gosto de esperança e de saudade.

domingo, 30 de julho de 2017

Mágoas




Rodolfo Pamplona Filho

Há quem prefira
vender uma amizade
por um cachê artístico;
desprezar um amor puro
por ouvir a opinião de uma prima;
desprestigiar o trabalho alheio
para tentar se auto-afirmar;
esquecer uma fraternidade solidária
para soar de vítima da situação;
humilhar com ar de superioridade
a efetivamente investigar o ocorrido;
tripudiar a imagem de colegas
para posar de voz da maioria;
blefar descaradamente e sem pudor
do que aceitar ajuda desinteressada;
ignorar a presença e o cumprimento
em vez de tentar um diálogo honesto;
fazer troça da desgraça alheia
para se sentir aceito no grupo;
perseguir incansavelmente
por não tolerar o diferente;
jogar fora a chance de fazer o Bem,
para se deleitar com seu veneno...

Isso só gera mágoa,
que vira raiva,
até se converter,
se houver o remédio
do esquecimento,
em profunda indiferença,
mesmo sendo cicatriz,
que não se apaga,
para ensinar
em quem vale confiar...

Pamplona, 03 de outubro de 2012, pensando sobre o passado...
Postado por Rodolfo Pamplona Filho às 05:30 Nenhum comentário:
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013