domingo, 21 de julho de 2019

Complacente



Rodolfo Pamplona Filho

Nem tudo que parece é
Nem toda afirmação
é uma resposta
a uma pergunta.
O mundo é muito mais complexo
do que se busca o nexo
de posturas que se espera.
Por vezes, tudo não passa
de uma estranha pirraça
de nossos próprios corpos.
Afinal, o que se busca
não é o renovar de cada dia?
Então, solução melhor não haveria
do que o prazer recorrente
de um hímen complacente.

Salvador, 27 de julho de 2018.

sábado, 20 de julho de 2019

Sentimento de Belo Horizonte




Bruno Terra Dias


Belo Horizonte não é só cidade,
é verso que falseia o tempo
de que não esqueço.

A distância se mede por ventos de saudade
que flagelam sua lembrança de mim
e me tornam cada vez mais dolorido.

Imortal poente
de numinosas palavras
é Belo Horizonte.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Clareza



Rodolfo Pamplona Filho

Clareza é sempre um “posterius”:
nunca um “prius” na interpretação
Todos carregamos pré-compreensões,
algumas controláveis; outras não.

Salvador, 20 de outubro de 2018.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

IMPARCIAL


Jorge da Rosa

Amor verdadeiro
verdade jurídica
doar-se por inteiro
não importando-se com a crítica

Verdade dói
às vezes custa
também constrói
decisão mais justa

Justiça feita
linda verdade
o juiz que interpreta
julga com imparcialidade

A mais bela sentença
é acompanhada pela verdade
para o réu a esperança
é viver em liberdade

A verdade deve acompanhar
nós seres humanos
não podemos é acabar
com uma vida cheia de planos.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Nem tudo tem preço



Rodolfo Pamplona Filho

Nem tudo tem preço
Dignidade não tem
Amor não tem
Felicidade de verdade
também não

Nem tudo tem preço
e o que você me pede
não tem como ser aceito
sem tirar um pedaço de mim.

Nem tudo tem preço
e, se você fizer
o que me violenta
vai finalmente aprender:
Nem tudo tem preço,
mas tudo tem troco

Salvador, 08 de dezembro de 2018.

terça-feira, 16 de julho de 2019

A estrada II



Negra Luz

Eu não sei dessa estrada
Se ela passa, se ela fica, se ela para.
Eu não sei a quem pertence
Se do Brasil, se de Salvador, se da gente

Eu não sei dessa via
Se estou nela, se sigo ela ou se ela é minha
Eu não sei como seria
Sem a estrada, sem a minha via, sem o meu guia

Penso que por ter a minha estrada
Sigo segura na caminhada
Ao compreender a minha jornada
Minha missão cumpriria

Posso até dar umas paradas
Acostar-me na estrada
Atrapalhar-me com a georreferência indicada
Mas ao ser ajustada, minha estrada brilharia

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Complacente




Rodolfo Pamplona Filho

Nem tudo que parece é
Nem toda afirmação
é uma resposta
a uma pergunta.
O mundo é muito mais complexo
do que se busca o nexo
de posturas que se espera.
Por vezes, tudo não passa
de uma estranha pirraça
de nossos próprios corpos.
Afinal, o que se busca
não é o renovar de cada dia?
Então, solução melhor não haveria
do que o prazer recorrente
de um hímen complacente.

Salvador, 27 de julho de 2018.

domingo, 14 de julho de 2019

Amor junino



Negra Luz

Foi diante da fogueira
Que entreguei meu coração
Crepitou, em labaredas,
O amor que pela vida inteira
Estará em tuas mãos

Foi diante da fogueira
Que aguardei teu sim,  nunca um não
Sabia não ser paixão passageira
Ao sentir tua alma catingueira
Afagar meu coração

Foi diante da figueira
Que selamos nossos destinos, quase uma oração
Afirmamos pela vinda inteira:
Amor que cruzaria fronteiras
Indo além do infinito
Encontro em qualquer dimensão.

sábado, 13 de julho de 2019

Companhia ou Companheiro



Rodolfo Pamplona Filho

Companhia
é estar do lado,
preenchendo
um espaço
Companheiro
é viver ao lado,
mesmo quando
não se está presente

Companhia
é ir ao cinema,
ao bar ou
às compras
Companheiro
é não importar o lugar,
pois, em todos,
se deve estar.

Companhia
é presenciar momentos
especiais ou do dia-a-dia.
Companheiro
é dividir o prato,
o choro ou a alegria.

Companhia
é estar junto
Companheiro
é estar junto
para o que der e vier

Salvador, 04 de julho de 2018.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

THOMAS HOBBES



Jorge da Rosa

Os homens todos juntos
Sem o Estado presente
Geram tumultos
Caos e estado de guerra, certamente

O homem transferindo
Sua legitimidade ao Estado
Do estado de guerra estará saindo
Ficando o Estado legitimado

Desde que o Estado
Garanta a paz
Hobbes, ao ser estudado
Este entendimento nos traz

Sem legitimidade
O Estado é maior
Este terá a responsabilidade
De não causar o pior.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Desilusão



Rodolfo Pamplona Filho

Eu já devia estar acostumado
com as pancadas da vida...
mas ainda dói.

Eu já devia estar preparado
para nunca ser satisfeito...
mas ainda sinto falta.

Eu já devia estar calejado
pela frustração de não ser feliz...
mas ainda cultivo a esperança.

A desilusão me derruba
principalmente quando acho
que tudo poderia mudar.

Salvador, 28 de fevereiro de 2018.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

O que me faz voar



Negra Luz

Sorrisos... de crianças em especial
A onda do mar  quebrando no litoral
Respingos surpreendem sobre mim
Não há outro caminho: sorrir.

Aplausos... de um só, antes da hora
Quando todos esperavam o sinal
E agora? O eco ouvido quase "infernal"
Expulsava  em mim riso com astral

Olhares... Revelando por mim desejos
Mas a Lua não é de queijo
E eu viajando no meu mental
Correspondo com riso normal: Monalisa pareço igual

Abraços... Que não prendem, nem são correntes
Revelam paixão por mim: "caliente",
Não me queimam,
Mas sei: estão ali

E se junto todos esses atos
É que não sou de ignorar os fatos
E planando um sorriso na versão exposta
Reverencio tudo que de ti senti
Negra Luz
No meu tempo

Ensina-me, Tempo
Porque "Tempo é tempo"
Há tempo de plantar e de colher

E pode parar?
Não. "Não para não, não para."
Pois "Quem não deixa passar, não passa!"

Ficar nessa passagem parada?
No tempo da minha avó?
O passado já é Pretérito
Tempo Presente é o viver junto ou só

Modernos são os novos tempos
Bicudos para mim e você
O tempo é menos que fumaça:
Líquido: Bauman filosifou

Não perder-se no tempo ou o tempo
É gramática ou sintática
Que só no devido tempo
Em mim equacionou.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Desejo morrer



Desejo morrer
por não poder
fazer mais do que
fiz para você,
na ilusão de que controlaria
onde o Sol um dia se poria.

Desejo morrer
por não conseguir
fazer você afinal sorrir
depois de uma vida
de luta, dor e lamento
como se sua sina fosse o sofrimento.

Desejo morrer
por não consumar o
tudo que sonhei realizar,
sentindo-me preso
a uma vida sem sabor
onde nunca terei o fogo do amor.

Salvador, 16 de junho de 2018.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

JOHN LOCKE



Jorge da Rosa

Direito de legalidade
Liberdade de expressão
Direito de propriedade
E sua regulação

Com limitação
O pacto social
É uma forma de regulação
Da sociedade em geral

A sociedade e sua organização
Das leis depende
É forma de manifestação
Locke assim entende

Por nossos representantes
As leis são criadas
No legislativo atuantes
Deputados e deputadas.

domingo, 7 de julho de 2019

Amor é (quase) tudo



Rodolfo Pamplona Filho

Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser impactante?
Talvez um pouco de cuidado
Talvez um carinho inesperado
Talvez uma torcida explícita
Talvez uma entrega sem retorno

Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser incessante?
Talvez uma dose de mistério
Talvez um suspiro no espelho
Talvez um choro em desabafo
Talvez um frio na barriga no encontro

Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser acachapante?
Talvez um bilhete inesperado
Talvez uma surpresa no acordar
Talvez dormir agarrado
Talvez nunca parar de sonhar

Salvador, 27 de outubro de 2018.

sábado, 6 de julho de 2019

Imparcial




Jorge da Rosa 
Amor verdadeiro
verdade jurídica
doar-se por inteiro
não importando-se com a crítica

Verdade dói
às vezes custa
também constrói
decisão mais justa

Justiça feita
linda verdade
o juiz que interpreta
julga com imparcialidade

A mais bela sentença
é acompanhada pela verdade
para o réu a esperança
é viver em liberdade

A verdade deve acompanhar
nós seres humanos
não podemos é acabar
com uma vida cheia de planos.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Concurso



Rodolfo Pamplona Filho


Chance, oportunidade,
um sonho concreto...
Mistura de vontade,
luta diária e projeto.
Submeter-se a uma prova
é fazer uma aposta de vida:
esperança que se renova,
na busca de nova guarida...

Depósito do futuro
e das apreensões,
expectativas geradas
em novas canções...
A incerteza do sucesso
gera, em verdade, um novo curso
da construção do seu próprio universo:
tudo por causa de um concurso...

Salvador, 21 de maio de 2011.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

O Cão Sem Plumas



João Cabral de Melo Neto

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Viagem no Tempo




Rodolfo Pamplona Filho

O sol já foi embora,
mas ainda dá para ver...
Olhamos para o horizonte,
vendo o passado,
em um instante levado
além dos seus limites

Viajar no tempo
não é ir ao futuro
ou voltar ao passado,
mas, sim, ter mais tempo
para estar no presente
e apreciar a beleza
que fatalmente desaparecerá.

 Salvador, 14 de outubro de 2018.

terça-feira, 2 de julho de 2019

A Flor e a Náusea



Carlos Drummond de Andrade

Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.