terça-feira, 17 de outubro de 2017

Reforma Trabalhista


Cyntia Possídio

Deram-me vinte minutos para falar do meu tema,
Mas a verdade é que nele enxergo outro problema
De amplitude maior do que ousei supor,
E a partir destes versos tentarei lhes expor.
Se nos dedicamos a analisar pormenorizadamente a questão,
Veremos que a disputa dá-se entre os poderes da Nação.
Judiciário e Legislativo, como se isso fosse possível,
Travam uma batalha em torno do Direito, invocando seus super poderes para prevalecer o que pensam de qualquer jeito.
Aos que têm jurisdição opõem-se aqueloutros com a legislação,
Trocando em miúdos o que querem dizer talvez façam os homens de toga a lei obedecer.
À provocação que lhes é feita, de modo reativo,
Respondem os homens de preto com ativismo,
E nesse cabo de guerra flagrantemente instituído,
Destina-se à sociedade o maior prejuízo.
Haveríamos, em pleno século XXI, de estarmos discutindo o feixe de poderes que lhes é atribuído?
Ou deveríamos estar aprimorando os direitos que já foram concebidos?
No assunto em questão não há novidade: a matéria foi posta sem discussão dar margem.
O papel dos sindicatos foi constitucionalmente reconhecido e Convenções da OIT isso reverberaram no mesmo sentido.
Mas no vazio normativo ou inação dos atores sociais investidos da função,
Não foram poucas as vezes que a jurisdição deu lugar à inovação.
A proliferação de normas apartadas do processo legislativo
Resultou num sistema de segurança jurídica desprovido,
Deixando sem rumo, no caso do Direito do Trabalho, sindicato, empregador e empregado.
E para corrigir essa distorção que se revela mais ampla, é preciso dizer o que já está dito,
Chegando ao extremo de se criar até princípio,
Como forma de criar uma barreira de contenção, limitando o Judiciário em sua atuação.
E nessa incessante peleja, há quem na reforma nada de bom veja!
Blocos antagônicos se formam, dos que não gostam e dos que com ela concordam,
Turvando, asim, a nossa visão, tirando-nos o foco do que está em questão:
Não é a prevalência do negociado sobre o legislado em matéria trabalhista,
Mas aonde chegaremos com essa postura beligerante e maniqueísta!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Ele sabe que nunca serei ela


Rodolfo Pamplona Filho 
Eu o perdoo
por ter medo
Eu não perdoo
por ser covarde
Eu não resisto
a me entregar ao prazer
do seu corpo
só para me divertir
e me perco
na armadilha do amor

Se eu fosse ele,
eu nunca me deixaria ir...
Mas não sou...
Eu deveria parar
de lembrar que
nunca serei ela

Odeio amar você
Não consigo colocar
mais ninguém
acima de você...
Completamente sozinha,
As vezes você me mata lentamente...
Talvez o erro seja meu
Eu só queria ser feliz...

Salvador, 17 de abril de 2017.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A Minha Felicidade



Friedrich Nietzsche

Depois de estar cansado de procurar
Aprendi a encontrar.
Depois de um vento me ter feito frente
Navego com todos os ventos.

domingo, 1 de outubro de 2017

sábado, 30 de setembro de 2017

Minha vida



Mario Quintana

Minha vida não foi um romance.
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa,
De encanto,
De medo...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Bom dia, flores do dia! (Soneto)


Rodolfo Pamplona Filho

Como é bom celebrar
a chegada de um novo dia,
sem esconder a alegria
de os amigos reencontrar!

É maravilhoso ter o prazer
de, a cada manhã, saudar
aqueles que saem para trabalhar,
estudar ou simplesmente viver

Se houve tristeza no dia anterior,
pense apenas que já passou,
pois todo mal se esvazia

quando um sorriso ilumina a face
e a frase mais linda nasce:
"Bom dia, flores do dia!"


Guayaquil, 01 de outubro de 2013.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O Que Você Faria


Lenine
 
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Meu amor
O que você faria
Se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Meu amor
O que você faria
Se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Corria pr'um shooping center
Ou para uma academia?
Prá se esquecer que não dá tempo
O tempo que já se perdia

Meu amor
O que você faria
Se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?
Abria a porta do hospício?
Trancava da delegacia?
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria?

terça-feira, 26 de setembro de 2017

CÂNTICO



VINICIUS DE MORAES

Não, tu não és um sonho, és a existência
Tens carne, tens fadiga e tens pudor
No calmo peito teu. Tu és a estrela
Sem nome, és a morada, és a cantiga
Do amor, és luz, és lírio, namorada!
Tu és todo o esplendor, o último claustro
Da elegia sem fim, anjo! mendiga
Do triste verso meu. Ah, fosses nunca
Minha, fosses a idéia, o sentimento
Em mim, fosses a aurora, o céu da aurora
Ausente, amiga, eu não te perderia!
Amada! onde te deixas, onde vagas
Entre as vagas flores? e por que dormes
Entre os vagos rumores do mar? Tu
Primeira, última, trágica, esquecida
De mim! És linda, és alta! és sorridente
És como o verde do trigal maduro
Teus olhos têm a cor do firmamento
Céu castanho da tarde - são teus olhos!
Teu passo arrasta a doce poesia
Do amor! prende o poema em forma e cor
No espaço; para o astro do poente
És o levante, és o Sol! eu sou o gira
O gira, o girassol. És a soberba
Também, a jovem rosa purpurina
És rápida também, como a andorinha!
Doçura! lisa e murmurante... a água
Que corre no chão morno da montanha
És tu; tens muitas emoções; o pássaro
Do trópico inventou teu meigo nome
Duas vezes, de súbito encantado!
Dona do meu amor! sede constante
Do meu corpo de homem! melodia
Da minha poesia extraordinária!
Por que me arrastas? Por que me fascinas?
Por que me ensinas a morrer? teu sonho
Me leva o verso à sombra e à claridade.
Sou teu irmão, és minha irmã; padeço
De ti, sou teu cantor humilde e terno
Teu silêncio, teu trêmulo sossego
Triste, onde se arrastam nostalgias
Melancólicas, ah, tão melancólicas...
Amiga, entra de súbito, pergunta
Por mim, se eu continuo a amar-te; ri
Esse riso que é tosse de ternura
Carrega-me em teu seio, louca! sinto
A infância em teu amor! cresçamos juntos
Como se fora agora, e sempre; demos
Nomes graves às coisas impossíveis
Recriemos a mágica do sonho
Lânguida! ah, que o destino nada pode
Contra esse teu langor; és o penúltimo
Lirismo! encosta a tua face fresca
Sobre o meu peito nu, ouves? é cedo
Quanto mais tarde for, mais cedo! a calma
É o último suspiro da poesia
O mar é nosso, a rosa tem seu nome
E recende mais pura ao seu chamado.
Julieta! Carlota! Beatriz!
Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto
Que se não brinco, choro, e desse pranto
Desse pranto sem dor, que é o único amigo
Das horas más em que não estás comigo.

Rio de Janeiro , 1946

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

domingo, 24 de setembro de 2017

Das utopias.



Mário Quintana


Se os sonhos são inatingíveis,

Não é motivo para não quere-los

Tristes dos caminhos se não fora

A presença distante das estrelas...

sábado, 23 de setembro de 2017

Musicando a Tristeza


Rodolfo Pamplona Filho

Musiquemos a sensação...
A tristeza é inspiração...
O que machuca também ensina
e o sofrimento não precisa
ser uma eterna sina...
Somos movidos  a amor
e - porque não dizer? - a dor...
Somos o Som e a Dor...

Brasília, 14 de março de 2013

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Se Todos Fossem Iguais A Você



Tom Jobim

Vai tua vida

Teu caminho é de paz e amor

A tua vida

É uma linda canção de amor

Abre os teus braços e canta

A última esperança

A esperança divina

De amar em paz


Se todos fossem

Iguais a você

Que maravilha viver

Uma canção pelo ar

Uma mulher a cantar

Uma cidade a cantar, a sorrir, a cantar, a pedir

A beleza de amar

Como o sol, como a flor, como a luz

Amar sem mentir, nem sofrer


Existiria a verdade

Verdade que ninguém vê

Se todos fossem no mundo iguais a você

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Diálogo em Baianês


Rodolfo Pamplona Filho

Ó o auê aí ó!
Digaí!
Você está por cima da carne seca, véi!
Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...
Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...
Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...
Valeu, véi! Vou chegando...

Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.

Musicando a Tristeza


Rodolfo Pamplona Filho

Musiquemos a sensação...
A tristeza é inspiração...
O que machuca também ensina
e o sofrimento não precisa
ser uma eterna sina...
Somos movidos  a amor
e - porque não dizer? - a dor...
Somos o Som e a Dor...

Brasília, 14 de março de 2013

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Canção da Estrada Aberta



WALT WHITMAN

A pé e com o coração iluminado me entrego à estrada aberta,
Saudável, livre, o mundo à minha frente,
A longa trilha de terra levando aonde eu escolher.

Daqui em diante não peço mais boa-sorte, boa-sorte sou eu mesmo.
Daqui em diante eu não lamento mais, eu não adio mais, não careço de nada;

Forte e contente percorro a estrada aberta.
A terra, isso é o bastante,
Não quero as constelações mais próximas,
Sei que estão muito bem onde estão,
Sei que elas bastam àqueles que lhes pertencem.

(Ainda aqui carrego meus velhos fardos deliciosos,
Os carrego, homens e mulheres, os carrego comigo aonde quer que vá,
Juro que é impossível me livrar deles,
Sou preenchido por eles e os preencherei em troca.)

A terra a se expandir à direita e à esquerda,
pintura viva, cada ponto com sua luz melhor,
a música descendo onde faz falta
e em silêncio onde sua falta não se sente,
a alegre e fresca sensação da estrada.

A partir de agora me ordeno liberado de limites e linhas imaginárias,
Indo aonde eu queira, meu próprio mestre total e absoluto,
Ouvindo outros, considerando bem o que dizem,
Parando, buscando, recebendo, contemplando,
Gentilmente, mas com vontade inegável, me despindo das amarras que me reteriam.

Inalo grandes porções de espaço,
O leste e o oeste são meus, e o norte e o sul são meus.
Tudo parece belo para mim

Posso repetir a homens e mulheres
Fizestes tal bem a mim que eu faria o mesmo a vós,
Quem me negar não me perturbará,
Quem me aceitar ele ou ela será abençoado e me abençoará.

Agora vejo o segredo de fabricação das melhores pessoas,
É crescer ao ar livre e comer e dormir com a terra.
Eis o teste de sabedoria,
Sabedoria não é finalmente testada em escolas,
Sabedoria é da alma, não é suscetível de prova, é sua própria prova,
É a certeza da realidade e imortalidade das coisas, e a excelência das coisas;

Agora reexamino filosofias e religiões,
Elas podem se revelar bem em salas de conferência, contudo não revelar nada sob as amplas nuvens e junto a paisagem e fluidas correntes.

Eis realização, eis um homem apurado —ele realiza aqui o que ele tem nele,
O passado, o futuro, majestade, amor—se estiverem vazios de ti, estás vazio deles.

A emanação da alma vem de dentro por portões copados, sempre questões provocantes,
Por que há esses anseios? Por que há esses pensamentos na escuridão?
Por que há homens e mulheres que enquanto estão junto a mim a luz do sol expande meu sangue?
Por que quando me deixam minhas flâmulas de júbilo afundam chatas e frouxas?
Por que há árvores sob as quais nunca ando e, contudo, fazem com que grandes e melodiosos pensamentos desçam sobre mim?

Aqui se eleva o fluido e aderente caráter,
O fluido e aderente caráter é o frescor e doçura de homem e mulher,
(As ervas matinais brotam não mais frescas e mais doces todo dia de suas raízes, do que ele brota fresco e doce continuamente de si mesmo.)

Vamos! quem quer que sejais, vinde viajar comigo!
Em viagem comigo encontrarei o que não cansa nunca.
A terra não cansa nunca,
a Natureza é rude e a princípio incompreensível,
não percais a coragem, continuai, existem coisas divinas bem escondidas,
eu vos juro que existem coisas divinas mais belas
do que possam as palavras dizer.

Não devemos parar aqui,
por mais doces que sejam estas coisas arrumadas,
por mais conveniente que a habitação pareça,
não podemos permanecer aqui;
por mais abrigado que seja o porto e por mais calmas as águas,
aqui nós não devemos ancorar;
por mais acolhedora que seja a hospitalidade à nossa volta,
não nos é permitido desfrutá-la
senão por bem pouco tempo.

Vamos! com poder, liberdade, a terra, os elementos,
Saúde, desafio, júbilo, auto-estima, curiosidade;

(Eu e os meus não convencemos por argumentos, símiles, rimas,
Convencemos por nossa presença.)

Ouve! Serei honesto convosco:
não ofereço os macios prêmios de sempre,
mas ofereço ásperos prêmios novos.

deveis habituar-vos aos sorrisos irônicos e às zombarias
daqueles que deixardes para trás,
aos acenos de amor que receberdes apenas respondereis
com apaixonados beijos de despedida,
não permitirás a retenção dos que esticam suas mãos estendidas em tua direção.

Vamos! em busca dos grandes companheiros, e pertencer a eles!
Eles também estão na estrada - eles são homens ágeis e majestosos - elas são grandes mulheres,
Apreciadores das calmarias dos mares e das tempestades dos mares,
Marinheiros de muitos navios, caminhantes de muitas milhas de terra,

Ponderadores e contempladores de tufos, flores, conchas da costa,
Dançarinos em danças de casamento, suaves ajudantes de crianças, portadores de crianças,
Viajantes em estações consecutivas, durante anos, os anos curiosos cada um emergindo do que o precedeu,
Viajantes com companheiros, a saber suas próprias distintas fases,
Ultrapassadores dos latentes dias irrealizados da infância,

Viajantes joviais com sua própria juventude,
Viajantes com sua virilidade barbuda e bem cristalizada,
Viajantes com sua feminidade, ampla, incomparável, contente,
Viajantes com sua própria sublime velhice de virilidade e feminidade,
Velhice, calma, expandida, ampla com a amplitude altiva do universo,
Velhice, fluindo livre com a deliciosa liberdade próxima da morte.

Vamos! ao que é sem fim como foi sem início,
Passar muita coisa, pisadas de dias, restos de noites,
Fundir tudo na viagem a que eles tendem,
e aos dias e noites a que eles tendem,
De novo os fundir no começo de viagens superiores,

Ver nada em lugar nenhum que tu não possas alcançar e ultrapassar,
Conceber nenhum tempo, mesmo distante, que tu não possas alcançar e ultrapassar,
Examinar nenhuma estrada que não se espicha e espera por ti, por longa que seja porém espicha e espera por ti,
Não ver nenhum ser, nem o de Deus nem outro qualquer, que também não vás lá,
Não ver nenhuma posse que tu não possas possuí-la, desfrutando tudo sem trabalho ou compra,

Pegar o melhor da fazenda do fazendeiro e da elegante quinta do rico e das castas bênçãos do casal bem-casado e das frutas de pomares e flores de jardins,
Levar para teu uso fora das compactas cidades quando as atravessas,
Carregar prédios e ruas contigo depois aonde fores,
Colher as mentes dos homens de seus cérebros conforme os encontras, colher o amor de seus corações,
Levar teus amantes na estrada contigo, por tudo que os deixas para trás,
Conhecer o universo em si como uma estrada, como muitas estradas, como estradas para almas viajantes.


Toda religião, todas as coisas sólidas, artes, governos — tudo que foi ou é aparente neste globo ou qualquer globo, descende em nichos e cantos ante a procissão de almas pelas grandes estradas do universo.
Do progresso das almas de homens e mulheres pelas grandes estradas do universo, todo outro progresso é o emblema e sustento necessário.

Para sempre vivos, sempre adiante,
Imponentes, solenes, tristes, retirados, confusos, furiosos, turbulentos, frágeis, insatisfeitos,
Desesperados, orgulhosos, afetuosos, doentes, aceitos por homens, rejeitados por homens,
Eles vão! eles vão! eu sei que eles vão, mas não sei aonde vão,
Mas sei que vão em busca do melhor—de algo ótimo.
Quem sejas, vem! ou homem ou mulher vem!

Não deves ficar dormindo e se distraindo aí na casa, embora a tenhas construído, ou embora tenha sido construída para ti.
Sai desse confinamento obscuro! Sai de trás da tela!
É inútil protestar, sei de tudo e o exponho.
Vê através de ti tão ruim quanto os demais,
Pelo riso, dança, refeição, cear, das pessoas,
Dentro de trajes e ornamentos, dentro desses rostos lavados e aparados,
Vê um secreto e silencioso asco e desespero.

Meu apelo é o apelo de batalha, nutro rebelião ativa,
Quem for comigo deve ir bem armado,
Quem for comigo vai com freqüência com alimento escasso, pobreza, inimigos zangados, deserções.

Vamos! a estrada está à nossa frente!
É segura — a experimentei — meus próprios pés a experimentaram bem — não te deténs!
Que o papel permaneça no atril não escrito, e o livro na estante não aberto!
Que as ferramentas permaneçam na oficina! que o dinheiro permaneça não ganho!
Deixa a escola em seu lugar! desconsidere o rogo do professor!
Que o pastor pregue em seu púlpito! que o advogado pleiteie no tribunal, e o juiz interprete a lei.

Camarada, te dou minha mão!
Te dou meu amor que vale mais que dinheiro,
Eu me dou a ti sem sermão ou lei;
Tu te darás a mim? virás viajar comigo?
Poderemos contar um com o outro enquanto vivermos?

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Imagine a cena...





Rodolfo Pamplona Filho

Imagine a cena...
Eu, sozinha,
banho tomado,
camisola de seda
e uma taça de vinho...

Estou feliz por estar só
pois, neste momento,
poderei dormir tranqüila,
imaginando você ao meu lado
e me fazendo acreditar
que o que sinto
é o amor mais puro
e perfeito que já tive...

Sinto sua falta
e queria muito mesmo
estar aí com você....
Na verdade,
essa vontade
nunca vai passar
pois descobri em você
minha extensão...
minha essência
e meu maior prazer..

Pensa em mim, amor!
Eu, de minha parte,
não tiro você da cabeça,
nem do coração...

Salvador, 30 de outubro de 2010.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O livro sobre nada


Manoel de Barros

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.

domingo, 17 de setembro de 2017

Para um amor secreto






Rodolfo Pamplona Filho

Querido
Você nem imagina como estou ligada em você...
Você nem imagina como estou ligada a você
Eu me emociono só de pensar
em como seria maravilhoso
ouvir nossas musicas com você...

Descobrir sua essência, além da casca,
fez despertar o amor e a ansiedade de estar perto.
Quero ficar com você em meu colo, vendo o por do sol até a lua iluminar sua face...
Quero fazer um cafuné, deslizando minha mão sobre seus cabelos, ate sentir sua pele...
Quero beijar seu rosto delicadamente, ate fazer você acreditar que não está sonhando...
Quero até mesmo brigar com você, só para ter o prazer da reconciliação...

Você tem um efeito perturbador em mim...
É um sentimento forte, que toma todo meu pensamento...
que me anestesia em alguns momentos
quando imagino nossas vontades reunidas...
E a única coisa que me faz melhorar é chorar...
mas é um choro de alívio e de esperança
de que, algum dia, poderemos
rir juntos e felizes...
...apenas por estar pertos um do outro.
...e você tentar me calar...
...e eu continuar falando que nem uma matraca...
...e você rir porque se diverte comigo...
...e porque não consigo disfarçar
meu nervosismo
de ter transformado
essa fantasia em realidade...

Você é parte de mim,
não como um agente externo,
mas como um complemento de mim mesmo.
Nosso amor não tem amarras, nem barreiras...
e é como um primeiro namoro...
no qual ficamos ávidos por um contato...
na palavra e no carinho...
Não consigo mais pensar na minha vida sem ter você.

Você está fora de todo tipo de definição.
Não posso dizer que é meu amigo,
nem amante, nem ficante,
nem pretendente, nem confidente...
não há rótulos....
Não somos nada disso e, dificilmente, alguém compreenderia esta relação.
Ela está fadada a permanecer apenas na publicidade de nossas almas e corações.

É como se você fosse eu...
como se meu pensamento estivesse em você.....
Por isso que me completa....
e ninguém me entende...
então ninguém entenderia você, dessa forma, na minha vida...

San Francisco, 25 de setembro de 2010.

sábado, 16 de setembro de 2017

Tratado geral das grandezas do ínfimo



Manoel de Barros

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Tem, mas acabou


Ter, tem, mas acabou
Ter, tem, mas ainda não chegou
Ter, tem, mas ainda está com o fornecedor
Ter, tem, mas está em falta
Ter, tem,



São Paulo, 18 de setembro de 2015.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sem Promessas


Rodolfo Pamplona Filho

Se a gente não tivesse planejado tanto...
Se envolvido tanto...
Se identificado tanto...
Talvez conseguisse uma vida sem promessas.

Se a gente não tivesse sonhado tanto...
Sorrido tanto...
Chorado tanto...
Talvez fizesse uma viagem sem turbulências.

Se a gente não tivesse desejado tanto...
Pensado tanto...
Adorado tanto...
Talvez não conhecesse o amor de verdade.

Salvador, 29 de maio de 2017.

domingo, 10 de setembro de 2017

Uma voz ganha corpo



Luciana Pimenta
Eu, mulher, uma voz aguda
silencio para ouvir
Eu mulher, escrevendo o silêncio
a história muda
o passado porvir
Eu, mulher, uma voz ganha corpo
para incorporar as vozes
caladas da noite.
Eu, mulher, violenta língua
violenta história
via lenta à míngua
Eu, mulher, soprano grave
Um sopro de dignidade.



sábado, 9 de setembro de 2017

Por um tempo...


Rodolfo Pamplona Filho

Por um tempo, hesitei em escrever.
Por um tempo, só pensarei em você.
Por um tempo, chorarei solitário pelos cantos.
Por um tempo, não verei os seus encantos.
Por um tempo, não farei vídeos de bom dia.
Por um tempo, sentirei a casa vazia.
Por um tempo, não haverá memes com Mateus.
Por um tempo, não terei os olhos seus.
Por um tempo, estarei somente à distância.
Por um tempo, lembrarei da sua infância.
Por um tempo, vou me olhar sozinho.
Por um tempo, ficarei sem seus gritinhos.
Por um tempo, estarei somente aqui
na torcida por você ser sempre feliz.


Salvador, 02 de setembro de 2017, dia do embarque de Marina para o intercâmbio no Canadá.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A AUSENTE



Vinicius de Moraes

Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranqüilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A Trilha da Vida



Rodolfo Pamplona Filho

Ter o privilégio
de ver os ipês amarelos
e a linha de sedimentação
na beleza do paredão.
Renovar a energia
no banho de água fria
na imersão da natureza
na busca da certeza
de que há mais a se viver...
Ter a alma aventureira
no banho de cachoeira
permite encontrar
um sentido para lutar...
O apoio do cajado
ou a firmeza do braço dado
ajudam a enfrentar
cada passo a tomar...
Nem sempre dá
para andar e falar,
mas é preciso aproveitar
a passagem
e a paisagem,
sob pena de perder
o mirante
e o mágico instante
de ver o por do sol...
É possível ir a todos os pontos,
mas nem todos têm fácil acesso!
É preciso saber o momento
de poder seguir adiante!
É vital tomar a decisão
do que se fazer no presente,
com olhos no futuro,
sem vergonha do passado.
Quem é bom em uma coisa
pode não ser em outra
e até o mais fraco
pode ter algo a colaborar.
Nem todos reagem da mesma forma
no correr da sua rota,
no receio das subidas
e no medo das descidas
na trilha de sua própria vida:
na empolgação dos animados,
na desilusão dos fracassados
e na inércia dos acovardados
de quem veio à vida
e não descobriu o que fazer.
Mas o rio segue seu curso
até encontrar o seu destino...

Chapada dos Guimarães, 19 de agosto de 2017.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Encontro



Joana Ferraz

Desde a primeira vez que ganhei aquele abraço, eu sabia. Sabia que iria precisar dele mais vezes, que sentiria de longe a lembrança do momento me encostando.  Foi na varanda, ao vento das árvores grandes que cercam o primeiro rio. O rio que por causa dele estou aqui, estávamos ali. E há muito imaginava o momento, pintando cenas no corpo do desejo. Quais cores fariam presença? Espiei o quarto, vi as telas, achei estranhas. Ou não entendi muito bem. Deve ser porque o sorriso doce também traz confusão. “Agora te conheço mais”.  Depois as mãos pesadas me seguraram as costas e o abraço tocou todas as partes do meu corpo. Era como se estivesse em uma torre cercada de lua e de nada, onde ao longe eu via a mesma cena comum das minhas janelas.  Minha cidade então se transformou num sítio gigante, vazio e afastado, porque o beijo era bom. Porque a língua brincou nas esquinas da minha boca e a vontade reencontrou as florestas que já existiram.

O vestido solto só podia ser de propósito, a roupa desses encontros são as peles.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Deserto


Rodolfo Pamplona Filho


Minha vida se torna um deserto,
se não consigo estar com você...
Por dentro, impera o tédio
e eu sofro por não poder...
... te amar
... te abraçar
... te lançar contra a parede
... e até chamar para brigar...

Agora, eu me valeria de tudo, amado,
para poder estar em seus braços,
sentir todo seu cuidado
e me deleitar nos seu afagos...
E a febre, com certeza, subiria,
mas, não, pela doença instalada,
e, sim, pelo ardor que se cultiva
dessas nossas vidas separadas....

Salvador, 25 de outubro de 2010.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Poeminha do Contra



Mário Quintana 
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

domingo, 3 de setembro de 2017

Natureza


Rodolfo Pamplona Filho 

Quando as cores da aquarela
Se tornarem uma só
Quando a vida, então bela,
Virar fogo, virar pó

Quando o verde virar cinza
E o céu não for anil
Vida não era mais vida,
Homem-bicho será vil

Quando o sangue derramado
Escorrer por minha mão
Lembrarei que, algum dia,
Já vivi em comunhão

E era belo, e era lindo
E era tudo o meu viver:
Homem-planta, homem-flor,
Homem-homem, Homem-ser

Não sabia que havia
Vida pura e sem dor
Bicho e homem, seres iguais,
Já viveram com amor

(1990)

sábado, 2 de setembro de 2017

Pedaço de mim



Chico Buarque

Notas
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor


Adeus

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Rompendo


Rodolfo Pamplona Filho

E, de repente, o silêncio!!!
E o que era unidade
virou dois corpos abraçados
(mas não era a mesma coisa!)
E o silêncio persiste!!!
Palavras são emitidas,
mas parece não haver som
Confesso: estou com medo
(ela também!)
Medo de quê???
Medo de perdê-la
e nunca mais tê-la...
... de volta ... em meus braços
O rádio está ligado,
mas o silêncio continua... (insuportável!!!)
Fala-se sobre qualquer coisa,
mas o silêncio continua...
Será o fim?
Ou será apenas a explosão de outra neurose?
Enquanto escrevo,
meu corpo sua e treme!
Será febre?
Será medo?
Será que vou conseguir encontrar
alguém que eu goste de abraçar
alguém com quem eu possa conversar
alguém que eu possa amar,
sem ser você, amiga?
Acho difícil,
Acho impossível,
acho insuportável!
Mas, então, por que, meu Deus, por que?
Por que meu coração está confuso desse jeito?

Se eu a amo,
por que hesito?
Se não a amo,
por que existo?
Vejo seus olhos marejados
Sinto que ela vai chorar.
Se tenho vontade, por que não grito logo que a quero?
que a amo?
que a desejo?
Porque...
... sou imaturo
... sou um idiota
... sou influenciado por palavras que não vem da minha boca
nem da minha alma
nem do meu coração.
Mas, mesmo assim,
e por isso mesmo,
eu hesito quando
quando tudo seria bem mais fácil
e bem mais simples
se eu (mente, alma e coração)
apenas dissesse:

Meu amor, quero ficar contigo o resto de minha vida!

(11.10.92)

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O Velho E A Flor



Vinicius de Moraes

Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor.


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Cadáver Vivo



Rodolfo Pamplona Filho


Acordar, comer
Banhar-se, vestir
Trabalhar, beber
Deslocar-se, dormir
Não saber o que mais fazer?
Quem sabe, talvez, viver?
Ver que um dia passa
sem, de nada, achar graça
é finalmente perguntar:
será que morri e
me esqueceram de enterrar?


Salvador, 13 de junho de 2013, após uma sessão de analise junguiana.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

SINO DE CARRANCAS


Helena Maria De Oliveira Siqueira

Não te vejo ...
mas te escuto ...
te escuto na calada da noite ...
te escuto na aurora ...
no correr do dia ...
te escuto quando chove ...
quando desperta os pássaros e me desperta também ...
Te escuto quando você eleva sua voz aos céus e me presenteia com a Ave Maria ...
Te escuto até mesmo quando alongas minhas noites e diminuis os meus dias ...
quando aceleras ou retardas os meus passos ...
Te escuto quando és o mensageiro de boas e de más notícias ...
Não te vejo ...
mas o nosso diálogo é harmonioso ...
você fala ...
eu te escuto ...
e nossa relação é de vida eterna ...
Te escuto quando só você me vê ...
Te escuto ainda quando não me vês porque estas meu coração  ...

domingo, 27 de agosto de 2017

Triste Fim?


Rodolfo Pamplona Filho

Será o fim?
Triste fim...
Na verdade, tudo muda...
Só não muda a mudança...
Tudo muda...
As mudas voltarão a florescer...
e os mudos e os mundos também...
Por aí...
Os exemplos vão ficar
e os trilhos voltarão a se encaixar...
depois...

Salvador, 24 de agosto de 2013, batendo papo com Bernardo Lima no What's up..

sábado, 26 de agosto de 2017

NOIVA TRAÍDA, DÍVIDA VENCIDA



Lorena Miranda Santos Barreiros

 “Álvaro Cruz, você está certo do que irá fazer? Espero que não esteja se precipitando, 
meu filho!” 

 As palavras de Maria Helena, sua mãe, ressoavam firmemente na cabeça de Álvaro 
na manhã daquela segunda-feira, 28 de novembro de 2016.  Ainda tomava o seu café quando 
a campainha de sua casa tocou. Além da porta da entrada, fitava-o o rosto entediado de um 
oficial de justiça, que, após sussurrar um “bom dia”, procedeu à leitura do mandado de 
citação que trazia consigo, entregando a Álvaro a contrafé e colhendo dele o recibo na via 
do documento que permaneceu em poder do oficial. Mecanicamente, Álvaro a tudo 
assentiu, muito embora quase nada houvesse realmente ouvido, de fato.  

 Não havia necessidade. Desde o momento em que autorizara a subida do oficial de 
justiça cuja presença na portaria fora anunciada no interfone do seu apartamento, Álvaro já 
estava convicto do que lhe reservava aquela visita. “Tereza”, pensou. E estava certo.  
 Embora sequer houvesse a necessidade daquele contato com o oficial de justiça, já 
que o mandado de citação poderia ter sido validamente entregue ao funcionário da 
portaria do seu condomínio edilício responsável pelo recebimento da correspondência, 
Álvaro desejava receber o mandado diretamente. Talvez fosse um modo de encarar o 
problema de uma vez. 

 Portava agora em suas mãos um mandado de citação, penhora e avaliação referente a 
um procedimento executivo fundado em título extrajudicial contra ele proposto por Tereza 
Lacerda. Sem emoção, Álvaro percorreu com os olhos todo o conteúdo daquele documento, 
detendo-se no campo indicativo do valor devido:  

 - Duzentos e vinte e um mil reais??? 

 Álvaro empalideceu. A indiferença inicial converteu-se em um misto de 
incredulidade, surpresa, raiva e medo. Onde encontraria, afinal, uma soma tão vultosa de 
dinheiro para pagar aquela dívida que lhe era imputada? 

Tereza Lacerda não era uma credora qualquer. Era sua ex-noiva, com quem poderia 
ter se casado há apenas dois dias, se o tórrido romance por ambos vivido ao longo de um ano 
e meio não tivesse se acabado de modo constrangedor há pouco mais de um mês. “Ironia do 
destino” – pensou Álvaro. “Estivesse eu casado com Tereza, não estaria sendo executado 
judicialmente. Aliás, sequer poderia ser citado em processo cível algum nos três dias 
seguintes ao meu casamento, salvo para evitar perecimento do direito!”. 

Seu pensamento o fez rir. Bacharel em Direito por formação, Álvaro abdicara de sua 
natural vocação para dedicar-se aos negócios da família. Com o falecimento de Armando, 
seu pai, ocorrido logo após a sua formatura, assumiu a administração da fábrica de velas que 
aquele possuía desde antes de se casar com Maria Helena e que ambos – Maria Helena e 
Álvaro – herdaram. Além desse bem, Álvaro apenas possuía seu imóvel residencial, que com 
muito esforço e trabalho conquistara há cerca de dois anos e no qual morava com sua mãe. 

Sempre que podia, Álvaro permitia-se contato com a área jurídica. Estudar o Direito 
tornara-se um de seus passatempos prediletos. Conhecera Tereza em maio/2015, durante 
uma viagem ao Rio de Janeiro, para participar de um congresso jurídico realizado naquela 
cidade. Ao término do evento, Álvaro e Tereza já estavam namorando e nem a distância que 
os separava (ela morava no Rio de Janeiro e ele, em Belo Horizonte) impediu que dessem 
prosseguimento ao romance. 

 Aos seis meses de namoro, decidiram ficar noivos e marcaram a data do casamento 
para dali a um ano, precisamente para o dia 26 de novembro de 2016. No início de dezembro 
de 2015, passando por graves dificuldades financeiras, Álvaro foi convencido por Tereza a 
aceitar dela um empréstimo no valor de cento e setenta mil reais, montante suficiente ao 
pagamento de suas dívidas. 

 Embora noivos estivessem, a prudência recomendava – e assim foi feito – que 
assinassem um contrato de mútuo, estabelecendo-se como prazo de pagamento o dia 20 de 
outubro de 2016. Orgulhoso, Álvaro não pretendia iniciar a vida conjugal na condição de 
devedor de sua futura esposa. Mas não poderia recusar a ajuda que lhe garantiria a 
reestruturação de suas finanças. 

O relacionamento, no entanto, não durou até a data de vencimento da dívida. No 
caminho estaria o fatídico sábado, 15 de outubro de 2016, quando Álvaro, ao decidir 
presentear-se com uma despedida de solteiro, fora flagrado por Tereza, que, sentindo-se 
traída, pôs fim sumariamente ao romance, sem respeito ao princípio do contraditório.  
 A passagem dos minutos daquela manhã interminável de segunda-feira, 28 de 
novembro de 2016, conduzia Álvaro a uma situação de progressiva consciência da situação 
em que se envolvera. Mal rompera-se o vínculo entre o casal, Tereza apenas aguardou o 
vencimento da dívida para cobrá-la. A execução fora proposta no dia 21 de outubro de 2016, 
sexta-feira. “Ainda sob o efeito da raiva”, pensou Álvaro.  

 Novamente a advertência de sua mãe lhe veio à cabeça. Fora precipitado aceitar o 
empréstimo de alguém que conhecera há pouco mais de seis meses. Fora precipitado pensar 
em casamento. Mas, agora, só lhe restaria enfrentar o processo de execução. 

 Não havia dúvidas de que o contrato de mútuo celebrado com Tereza era um título 
executivo extrajudicial. Tratava-se de documento particular assinado por ele, devedor, e 
por duas testemunhas – por sinal, seus quase padrinhos de casamento – e consignava 
obrigação certa, líquida e exigível. Ao se lembrar de que todos os seus bens presentes e 
futuros responderiam pelo cumprimento da obrigação, Álvaro estremeceu. “Pelo menos, 
meu apartamento está resguardado, bendita regra de impenhorabilidade do bem de 
família!”. No momento, dentre os bens seus não sujeitos à penhora, aquele era o que mais 
importava. 

 O montante de duzentos e vinte e um mil reais abrangia, além do valor devido 
atualizado e acrescido de juros, os honorários advocatícios de dez por cento fixados de 
plano pelo juiz ao despachar a petição inicial da execução. O mandado noticiava a Álvaro – 
como se notícia boa fosse, verdadeira sanção premial – que o pagamento integral da dívida, 
no prazo de 03 (três) dias, conduziria à redução do valor dos honorários pela metade. “Ora, 
como se fosse fácil obter duzentos e vinte e um mil reais em três dias!” 

O impulso jurídico de vasculhar uma saída para o problema o conduziu a examinar a 
petição inicial da execução. Bem elaborada, fora devidamente instruída com o título 
executivo extrajudicial e o demonstrativo do débito atualizado até a data da propositura da 
demanda e indicava, em seu teor, tratar-se de execução por quantia certa contra devedor 
solvente (será?), fazendo menção aos nomes completos da exequente e do executado e seus 
números de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas. O demonstrativo do débito era 
detalhado e indicava o índice de correção monetária adotado, a taxa de juros aplicada e os 
termos inicial e final de incidência da correção e dos juros. 

Ao final, uma singela indicação de bem suscetível de penhora... 

 - NÃO! 

 Álvaro não conseguiu conter o desespero. A exequente – por instantes esquecera-se 
de que um dia fora ela sua noiva – indicara à penhora as quotas que Álvaro possuía na 
fábrica de velas que herdara de seu pai! Sentiu uma dor verdadeiramente física, como se um 
golpe houvesse sido desferido em seu rosto. E, à revelação, veio a raiva. 

 A petição inicial era subscrita por Gastão Antunes, um antigo namorado de Tereza 
que Álvaro tivera o desprazer de conhecer. Embora Tereza jamais houvesse manifestado 
interesse remanescente pelo ex–affair, era nítido que ele não a havia esquecido. O processo 
seria ainda mais difícil do que Álvaro imaginava. 

 Buscando restabelecer seu equilíbrio emocional, Álvaro centrou suas atenções nos 
três dias que possuiria para efetuar o pagamento do débito. “Impossível”, pensou. Nos 
últimos meses, havia contraído diversas outras dívidas em decorrência do casamento que se  
aproximava e sua intenção, em verdade, era adimplir a sua dívida dando à Tereza, em 
pagamento, parte de seu imóvel, bem do qual se tornariam coproprietários. Mas, agora, com 
o término da relação, essa solução afigurava-se impossível. E não havia como pagar a dívida. 
 Álvaro sabia que a penhora seria inevitável. Em três dias, não conseguiria reunir o 
valor devido e, fatalmente, o oficial de justiça retornaria, de posse daquela via do mandado 
de citação, penhora e avaliação na qual ele firmara seu recibo, procedendo-se à penhora de 
suas quotas sociais. Restaria a Álvaro, obviamente, a indicação de outros bens passíveis de 
penhora, com a comprovação de que a sua opção ser-lhe-ia menos onerosa e não traria 
prejuízo a Tereza. Mas a verdade é que não possuía outros bens que pudesse indicar à 
penhora, especialmente em razão do valor executado. 

 Nos três dias que se seguiram, Álvaro mal se comunicou com sua mãe, Maria Helena, 
em casa. Não tinha coragem de lhe contar o que estaria prestes a ocorrer. A fábrica de velas 
de seu pai sairia das mãos da família Cruz, onde permanecia desde sua criação. Passo a 
passo, Álvaro tentou buscar uma das saídas que o ordenamento jurídico estabelecia, 
justamente com a preocupação de preservação da sociedade, constituída que fora intuitu 
personae. 

 Álvaro sabia que, uma vez penhoradas as suas quotas sociais, o juiz assinaria à 
sociedade prazo de até três meses para que fosse apresentado balanço especial, intervalo 
no qual essas quotas seriam oferecidas aos demais sócios (no caso, sua mãe, que ele sabia 
não teria dinheiro para adquiri-las) ou poderiam ser adquiridas pela própria sociedade, 
para manutenção em sua tesouraria, desde que não fosse reduzido seu capital social e 
fossem utilizadas reservas da sociedade. Esta opção também estaria descartada. 

Nem mesmo a liquidação de quotas sociais seria possível, uma vez que o pagamento 
delas pela sociedade ser-lhe-ia excessivamente oneroso. Restaria, apenas, o leilão judicial 
das quotas. A fábrica de velas Cruz deixaria de ser apenas dos Cruz. 

*** 

 O silêncio de Álvaro era eloquente para Maria Helena. Acontecera o que ela temia 
desde que se consumou o término do romance de seu filho com Tereza: ela cumprira a 
promessa de transformar a vida dele em um inferno e já atentara contra a sua parte mais 
sensível. Não, não se tratava do bolso. Cuidava-se do bem mais precioso que Álvaro possuía, 
o elo que o fazia sentir a presença firme de seu pai em sua vida. 
 Ao contrário de Álvaro, Maria Helena não possuía conhecimentos jurídicos. Mas, ao  
ver o comportamento estranho de seu filho, deduziu que algo inquietante acontecera e, no 
interior da gaveta da mesa de trabalho de Álvaro, obteve a resposta. A mensagem contida 
naquele documento dispensava tradução: pague ou perca seu bem mais precioso. “Como 
você perdeu o seu, Tereza”, pensou Maria Helena. 

Maria Helena respeitou o silêncio de Álvaro e fingiu não perceber a sua súbita 
mudança de comportamento. Mas, precavida, fez contato com Claudio Silva, advogado 
amigo de infância de Álvaro e que fora seu colega de faculdade, pedindo-lhe que entrasse 
em contato com seu filho e buscasse ajudá-lo, no que foi prontamente atendida. 

*** 

 Os três dias mais longos da vida de Álvaro transcorreram sem que a dívida fosse 
paga. Conjuntamente com Claudio Silva – que, por coincidência, entrara em contato consigo 
justamente na noite daquela fatídica segunda-feira, 28 de novembro de 2016 –, Álvaro 
decidiu não opor embargos à execução. Simplesmente não encontrara matéria passível de 
alegação em sede de embargos. Nem queria brigar com Tereza, havia decidido. 

 Efetuada a penhora de suas quotas, arrastou-se o prazo de dois meses que o juiz 
estabeleceu para que a fábrica de velas apresentasse seu balanço especial. “Poderiam ter sido 
três meses”, pensou Álvaro, lembrando-se do prazo máximo disposto na legislação 
processual. Mas afastou a ideia de sua mente. Era estranho, mas, apesar de tudo, aquele 
processo era o que o mantinha ligado a Tereza. E a cada dia essa ideia se tornava mais 
persistente em sua cabeça. 

 O valor apurado das quotas, de cento e oitenta mil reais, não era suficiente para o 
integral pagamento da dívida. Diante dessa circunstância, ao ser avisado por Claudio Silva 
da existência de uma petição protocolizada por Tereza nos autos da execução, Álvaro logo 
deduziu tratar-se de um pedido de ampliação da penhora. Só não entendeu a insistência do 
amigo em que o encontrasse pessoalmente para conversarem. 

 - Tereza requereu a adjudicação das quotas para ela, Álvaro. – Claudio Silva foi direto 
ao ponto assim que sentaram ambos no bar situado quase em frente à casa de Álvaro – E o 
mais estranho: embora o Código de Processo Civil assegure à exequente a possibilidade de 
adjudicação por preço não inferior ao da avaliação e apesar de Tereza saber que Maria 
Helena não exerceria o direito de preferência dela, Tereza ofereceu pelo bem valor que 
corresponde ao da dívida atualizada e acrescida das custas e de honorários advocatícios de 
vinte por cento, o que parece ter sido feito em razão da possibilidade de majoração do 
percentual, mesmo sem que você tenha embargado à execução, levando-se em conta o 
trabalho realizado por Gastão Antunes, advogado dela. 

 - Não vou me opor – limitou-se a responder Álvaro. 
 - Está louco, amigo? – perguntou, incrédulo, Claudio Silva. Esta mulher permanecerá 
em sua vida para sempre desse jeito! Será sócia de sua mãe na fábrica que era de seu pai! 
 - Que assim seja, Claudio – Álvaro parecia irresolúvel – Nunca quis dever a Tereza. 
Teria dado minha casa a ela em pagamento, se tudo houvesse acontecido como havíamos 
pensado. Não o faço hoje porque minha mãe e eu não teríamos onde morar.  
 - Mas Álvaro... 
 - O maior valor que meu pai me ensinou foi a honestidade, Claudio. Meu erro foi ter 
aceitado aquela proposta de despedida de solteiro às vésperas do meu casamento. Disso é 
que mais me arrependo na vida: de ter perdido a Tereza. 
De súbito, a conversa foi interrompida por uma familiar voz feminina... 
 - Era esse meu maior pagamento, Álvaro. Ouvir de você uma confissão sincera de 
arrependimento. Não há prova de amor maior do que esta que acabo de receber. 
 Álvaro levantou-se de um salto: ali estava, diante de si, Tereza, olhos marejados com 
a confissão que acabara de escutar. Em choque, Álvaro mal conseguia falar. Nem sequer 
percebeu a presença de Maria Helena, um pouco mais distanciada, que a tudo assistia, 
avisada que tinha sido por Claudio de que o filho receberia uma notícia difícil de suportar. 
Álvaro e Tereza reconciliaram-se ali mesmo. Nem Claudio nem Maria Helena falaram nada. 
Não era o momento para qualquer intervenção de terceiro. 
  
*** 

Não houve adjudicação do bem penhorado; tampouco foi necessária a sua venda em 
leilão judicial. Álvaro pagou sua dívida do modo como sempre desejou: transferindo a 
Tereza parte de seu imóvel residencial. E ambos transferiram, um ao outro, parte de suas 
vidas. Casaram-se, como havia de ser. 

Os honorários advocatícios de Gastão Antunes foram pagos pela própria Tereza. O 
pagamento que ele efetivamente desejava, jamais recebeu: o amor de Tereza sempre fora, 
desde que conhecera Álvaro, bem fora do comércio. 

Maria Helena decidiu morar sozinha e aceitou vender a participação na sociedade 
para adquirir um imóvel próprio. A adquirente dessas quotas foi uma distinta senhora, de 
nome Tereza Lacerda Cruz. Desnecessário dizer que os instrumentos jurídicos conducentes à  
concretização desses negócios foram elaborados por Claudio Silva, agora advogado 
contratado da Fábrica, que está em plena expansão. 

Como Tereza chegou no bar, justamente a tempo de ouvir a confissão de Álvaro? Este 
é um daqueles mistérios que só a vida faz acontecer. 

E a Fábrica de Velas Cruz continua sendo dos Cruz. 


10 de janeiro de 2017 

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Vou morrer...


Rodolfo Pamplona Filho
Vou morrer...
De saudade...
De desejo...
De vontade...
De desespero...
Dor que só um remédio cura:
o amor mais puro
e lindo do universo


Salvador, 16 de setembro de 2013.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O sol...

       


       Birão Santana
   

       O sol,

       o céu

       a música,

       pássaros

       e o verde

       estavam presentes,

       palpáveis

       em mim.

       Você

       distante,

       mas presente,

       se interpondo

       ao sol,

       ao céu,

       à música,

       aos pássaros,

       ao verde,

       a mim,

       reinava.



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O Ocaso



Rodolfo Pamplona Filho

Dos dias
Do calor
Das vidas
Do amor
De nada
De tudo
Do nada
Do mundo




Bogotá, 05 de outubro de 2013, em conexão para o Brasil, olhando o entardecer...

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Poesias no Lençol




Letra e Música: Ricardo Guerra
Arranjo: Ricardo Guerra, Adelmo Schindler, Fabio Rocha e Cassio Brasil

Quero ser feliz
perto do meu bem querer!
É segredo, sim,
nosso jeito de viver!
Quero ser seu giz,
meio triste, meio sol,
e escrever em par
poesias no lençol!

Quero vê-la assim
numa nuvem de algodão:
engenheira, atriz,
dona do meu coração!
Quero ser seu giz,
meio triste, meio sol,
e escrever em par
poesias no lençol!

Eu quero ser o vento
que leva o tempo
que é arquiteto
a conduzir nosso balão:
Vamos pro norte,
pra marte,
vamos pra china,
vamos além dessa esquina,
que é feita de papelão!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

É melhor não irmos além disso



Rodolfo Pamplona Filho

É melhor não irmos além disso,
antes que não seja possível
manter nossa sanidade mental.

É melhor não irmos além disso,
antes que os que nos amam
machuquem-se mais do que o normal.

É melhor não irmos além disso,
antes que alguém reaja
com violência animal.

É melhor não irmos além disso,
antes que nosso sofrimento
seja maior que o habitual.

É melhor não irmos além disso,
antes que um lindo romance
vire atração fatal.

É melhor não irmos além disso,
antes que nosso amor casto
torne-se meramente carnal.

É melhor não irmos além disso,
antes que o gosto doce da sua boca
vire amargo fel e sal.

É melhor não irmos além disso,
antes que o que só nos faz bem,
de repente, nos faça só mal...

É melhor não irmos além disso,
pois continuarei te amando sempre,
independentemente de qualquer final.

É melhor não irmos além disso...
É melhor não irmos além disso...

Salvador, 04 de outubro de 2010.

domingo, 20 de agosto de 2017

Que amor é esse?




Lea Oliveira

Que amor é esse?
Que enche o peito
Que falta o ar
Que vira música no seu olhar

Que vira noite
Que vira dia
Que passam as horas
E é alegria

Que amor é esse que hipnotiza?
Que faz de mim poeta
É você, minha princesa, Luísa
Que é mais que brincar de boneca

E não bastasse esse sonho, meu Deus,
Você transbordou os meus dias e me deu meu pequeno Mateus!

sábado, 19 de agosto de 2017

Porto Seguro



Rodolfo Pamplona Filho

Naveguei por tantos mares,
conheci muitos lugares,
mas, em seu colo, achei
o local para aportar.

Andei por muitas terras,
vivi diversas eras,
mas, em seus olhos, vi
o farol para me guiar.

A vida inteira, eu procurei
e, agora que encontrei,
poderei sempre esperar
cada vez que se afastar
e não estarei mais triste
porque sei que existe
e tenho o meu porto seguro.

No voo para Salvador, 18 de junho de 2017.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

CONFLITOS SANGRENTOS




Jorge da Rosa

Brilha a aurora
Refletida pelo mar
Visão do agora
No futuro a pensar

Azul do infinito
Amarelo do amanhecer
Amor bonito
Para jamais esquecer

Diversos pensamentos
Razão e coração
Conflitos sangrentos
Pobre da nação

Sol nascente
Aqueça o trabalhador
Vítima de delinquentes
E de um terrível ditador.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Perdão




Rodolfo Pamplona Filho

Desculpe por não ter imaginado sua dor
Desculpe por ter te causado horror
Desculpe por ter sido tão insensível
Desculpe por ter sido tão horrível
Desculpe por pensar que atos somem


Desculpe por ter sido tão homem