domingo, 31 de dezembro de 2017

Esperança


Rodolfo Pamplona Filho

O futuro há de ser melhor do que o presente
e infinitamente superior ao passado recente,
pois guarda em sim um querer
que se renova a cada alvorecer

Não é o amor que difere o homem dos outros animais...
Não é a falta de guerra que garante a paz...
Não é a pesquisa lógica que impulsiona à solução...
Não é o remédio que traz calma ao coração...

É a força que move o doente à cura...
É o que faz a alma se manter pura...
É o que se sente no sorriso da criança...
É a mais clara forma de fé: a esperança!

Viver é o exercício da persistência
em um mundo que mina sua resistência
com armadilhas dolorosas nos pontos mais sensíveis,
criando obstáculos cada dia mais terríveis...

Mas nada disso realmente importa
quando a sensação que bate à nossa porta
é uma confiança inexplicável no amanhã
com um renascer da vontade a cada manhã...

Salvador, 23 de maio de 2010
Para Micael...

sábado, 30 de dezembro de 2017

Solitário



Augusto dos Anjos

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta…
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
-Velho caixão a carregar destroços-

Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Gratidão

Gratidão
Rodolfo Pamplona Filho

Gratidão não se exige,
não se pede, nem se espera...
É presente de um coração puro,
que não vê outra forma de agir,
na memória da marca do passado
e do alívio do auxílio no desespero...

Por isso, a ingratidão machuca
como punhaladas nas costas,
como um tapa no rosto,
como uma dor fatal no peito...

O ingrato merece mais do que repúdio:
é pena de morte no coração,
que se fecha em uma ferida purulenta,
cujos bálsamos somente são
o ostracismo ou a ressurreição do perdão...

Reconhecer-se grato é o exercício da verdadeira humildade,
que é saber que, sozinho, não se consegue nada,
pois conquistas isoladas são vitórias de Pirro,
em que obter o resultado não significa necessariamente desfrutá-lo...

Gratidão é a resposta sincera
que o afeto exige por coerência!
É a marca que renova a esperança,
que não é a última que morre, posto imortal,
mas, sim, a certeza de que
ainda se pode ter fé na humanidade

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A Duas Flores



Castro Alves

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Para um amor secreto



Rodolfo Pamplona Filho

Querido
Você nem imagina como estou ligada em você...
Você nem imagina como estou ligada a você
Eu me emociono só de pensar
em como seria maravilhoso
ouvir nossas musicas com você...

Descobrir sua essência, além da casca,
fez despertar o amor e a ansiedade de estar perto.
Quero ficar com você em meu colo, vendo o por do sol até a lua iluminar sua face...
Quero fazer um cafuné, deslizando minha mão sobre seus cabelos, ate sentir sua pele...
Quero beijar seu rosto delicadamente, ate fazer você acreditar que não está sonhando...
Quero até mesmo brigar com você, só para ter o prazer da reconciliação...

Você tem um efeito perturbador em mim...
É um sentimento forte, que toma todo meu pensamento...
que me anestesia em alguns momentos
quando imagino nossas vontades reunidas...
E a única coisa que me faz melhorar é chorar...
mas é um choro de alívio e de esperança
de que, algum dia, poderemos
rir juntos e felizes...
...apenas por estar pertos um do outro.
...e você tentar me calar...
...e eu continuar falando que nem uma matraca...
...e você rir porque se diverte comigo...
...e porque não consigo disfarçar
meu nervosismo
de ter transformado
essa fantasia em realidade...

Você é parte de mim,
não como um agente externo,
mas como um complemento de mim mesmo.
Nosso amor não tem amarras, nem barreiras...
e é como um primeiro namoro...
no qual ficamos ávidos por um contato...
na palavra e no carinho...
Não consigo mais pensar na minha vida sem ter você.

Você está fora de todo tipo de definição.
Não posso dizer que é meu amigo,
nem amante, nem ficante,
nem pretendente, nem confidente...
não há rótulos....
Não somos nada disso e, dificilmente, alguém compreenderia esta relação.
Ela está fadada a permanecer apenas na publicidade de nossas almas e corações.

É como se você fosse eu...
como se meu pensamento estivesse em você.....
Por isso que me completa....
e ninguém me entende...
então ninguém entenderia você, dessa forma, na minha vida...

San Francisco, 25 de setembro de 2010.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Espelho


Luciana Pimenta

Eu não tinha estes olhos artesianos
Este aeroporto de palavras
E este mapa de esperanças vestidas
Que supostamente me conduz

Eu não tinha estas ágoras oitivas
Esta boca assim tão noturna
E esta trama caudalosa de meadas
Do rio que me banha e me desagua

Eu não tinha este rosto quase calmo
Este semblante quase límpido
E esta quase lucidez do retrato
Tão certo, tão simples, hoje anunciado.


segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Desbravando o mar




Rodolfo Pamplona Filho

As ondas quebram,
espalhando-se abundantes
por todos os lados.
O barco balança
como um brinquedo
nas mãos de uma criança.
Em nada ajuda
saber que o mar é sepultura
de infindáveis criaturas.
Parece inevitável
sentir o gosto
da água salgada.
O enjôo vem
e se busca o controle
para não desabar.
O medo se mistura
com a maresia
em um sentimento único.
O tempo passa
e a esperança de pisar terra firme
é a bússola a orientar.
Até que vem a calmaria
e a paz volta a reinar
depois do desbravar do mar.



Gansbaai, 14 de setembro de 2015 (complementada em Joanesburgo, 17 de setembro de 2015, e finalizada em pleno vôo para São Paulo, 18 de setembro de 2015).

domingo, 24 de dezembro de 2017

NAVIDAD

NAVIDAD

Cuando este nodo
En la garganta de la gente,
Volcar un lazo de cinta
Te mando de presente.

NATAL
Quando este nó
Na garganta da gente
Virar um laço de fita
Te mando de presente.

( poema de Pepe Chaves www. facebook.com/pepe.chaves.1 )

sábado, 23 de dezembro de 2017

O Dia

Rodolfo Pamplona Filho

É hoje o dia!
E o sangue dá nova pulsada
como um atleta de corrida...
Será que, antes da chegada,
já será despedida?

É hoje o dia!
E a ansiedade
toma todo o corpo,
como se a vontade
aproximasse o porto...

É hoje o dia!
Mas que desespero!
A cada minuto de espera,
tenho um pesadelo
de que serei esquecido na terra...

É hoje o dia!
Tenho a esperança
de que tudo vai dar certo
toda vez que vem a lembrança
de que o momento está perto!

É hoje o dia!
Recebi a confirmação
de que não houve desistência,
o que faz meu coração
renovar sua resistência!

É hoje o dia!
É agora a hora!
Por isso, sem demora,
farei o que sempre quis:
apenas ser feliz.

Salvador, 26 de agosto de 2011.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

No corpo



Ferreira Gullar

De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o verão levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares

O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Sobre a Dor de Amar



Rodolfo Pamplona Filho

Não devia ser amor,
para sentir tanta dor...
Mas, se não fosse,
talvez nem sequer doesse....
A dor em amar
quem não estar
completo no caminhar
é algo a frustar
Muita coisa doi,
mas deve valer a pena
não querer sair de cena.
Muita coisa doi,
mas existe algo maior
que faz tudo superar!


Salvador, 20 de agosto de 2017

sábado, 16 de dezembro de 2017

Soneto a quatro mãos




Vinícius de Moraes e Paulo Mendes Campos


Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado. 

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado. 

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse. 

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Sobre a imagem no espelho



Rodolfo Pamplona Filho

Na imagem no espelho,
vejo as roupas combinando
Na imagem no espelho,
percebo os corpos se encaixando
Na imagem no espelho,
há um momento que se eterniza
Na imagem no espelho,
a tormenta vira brisa
Na imagem no espelho,
aprendo sobre a beleza
Na imagem no espelho,
percebo a sutileza
Na imagem no espelho,
descubro com atenção
que, na imagem no espelho,
encontro a perfeição.

Salvador, 20 de agosto de 2017.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Terra e Mar ou Mar e Terra?



Paulo Basílio

Um oceano a lhes separar.

O mesmo sol, o mesmo mar.

A mesma terra. O mesmo luar,

Só não o mesmo lugar.



Tão perto,

No pensamento,

Mas tão distante,

No firmamento



Como naufrago numa ilha,

Com um mar à frente,

Vê-se como indigente.



A distância é de milhas,

Apesar de chamar Terra,

É o Mar que tudo encerra?



quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Minha Marina


Rodolfo Pamplona Filho

Minha Marina
não é morena,
nem sequer se pintou...

Minha Marina
faz de tudo,
inclusive um favor...

Pode pintar o rosto
e o sete, com gosto,
como tudo que é seu..

Marina, você já é linda
e será sempre linda
com o que Deus deu...

Com você, nunca me aborreci,
nem me zanguei...
Isso, eu posso falar...

pois quando eu chamo Marina,
só sei me alegrar...

Eu já passei por tanta coisa...
Você nem sabe o que é chorar...
Desculpe, Marina minha,
mas nunca deixarei de amar...

Praia do Forte, 04 de julho de 2011.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Marina, morena



Dorival Caymmi

Marina, você se pintou
Marina, você faça tudo
Mas faça um favor
Não pinte esse rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina, você já é bonita
Com o que deus lhe deu
Me aborreci, me zanguei
Já não posso falar
E quando eu me zango, marina
Não sei perdoar
Eu já desculpei muita coisa
Você não arranjava outra igual
Desculpe, marina, morena
Mas eu tô de mal

Marina, morena
Marina, você se pintou
Marina, você faça tudo
Mas faça um favor
Não pinte esse rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina, você já é bonita
Com o que deus lhe deu
Me aborreci, me zanguei
Já não posso falar
E quando eu me zango, marina
Não sei perdoar
Eu já desculpei muita coisa
Você não arranjava outra igual
Desculpe, marina, morena
Mas eu tô de mal
De mal com você
De mal com você

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Momentos de Solidão



Rodolfo Pamplona Filho

Preciso de momentos
de pura solidão,
em que todo sentimento
escapa do coração
para virar poema, lamento
ou mesmo uma canção.

Preciso de instantes
para a respiração
e saber que não é o bastante
para recuperar a inspiração,
quando seguir adiante
é a única solução

Preciso de um tempo
para organização
de todos os pensamentos
que turvam a visão
de quem não perde a esperança
de acalmar seu coração.


São Paulo, 23 de setembro de 2017.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Quadrilha



Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


sábado, 9 de dezembro de 2017

Sinais do Corpo


Rodolfo Pamplona Filho

Meu coração mandou dizer
que pulsa por você
Minha mente me avisou
para ir com calma
Minha pele sempre sente
falta do seu calor
Meus olhos procuram
cada detalhe de seu corpo
Meus lábios encontram
finalmente o toque dos seus
e, nesse exato segundo,
descubro a felicidade.


Salvador, 20 de agosto de 2017.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O teu riso



 Pablo Neruda

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.


Sobre relações e submissões


Rodolfo Pamplona Filho

Não é senhora
Não é patroa
Não é dona

Não é senhor
Não é amor
Não é autor

Ser o bem
de alguém
está além
do que se tem
ou do que se quer...


Salvador, 23 de outubro de 2017.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Não se mate



Carlos Drummond de Andrade

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A Loirinha do Show



Rodolfo Pamplona Filho

Lábios vermelhos de batom
Cabelos longos como um cometa
Corpo balançando com o som
Olhos azuis como bola de gude

Roupa preta para combinar
com a pele Branca a ostentar
uma tatuagem de uma rosa
como a pedir um cheiro

Rebola como uma deusa
Grita como uma louca
Chora como se sofresse
Canta como se a ouvissem no palco

Um corpo torneado na academia
Um sorriso que derruba um exército
Pernas que parecem dois colossos
E uma boca que causa alvoroço

Eu nunca vou saber seu nome
Eu nunca vou segurar sua mão
Mas vou lembrar em cada sonho:
a loirinha do show...

São Paulo, 24 de setembro de 2017.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Eu te amo calado



Luiz Santos / Nelson Motta

Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim
Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração
Silenciosamente eu te falo com paixão
Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer
Silenciosamente eu te falo com paixão
Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer e digo

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Álbum de Figurinhas



Rodolfo Pamplona Filho

Como se diz a alguém
que ela não é mais o seu bem?
Como se faz para falar
que é o momento de separar?

A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
A cola une
para ser eterno,
mas, com força,
dá para retirar...
mas sempre fica um pouco
do álbum na figurinha
e da figurinha no álbum...

Como se comunica
não se querer mais dividir a vida?
Como se rompe
o que era para sempre?

A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
O tempo esmaece
o que era vivo e viçoso
e o que já foi muito gostoso
pode continuar assim
ou mudar o tom
para um quadro sem cor
ou um filme sem som...

A vida a dois
é um álbum de figurinhas...


Praia do Forte, 8 de setembro de 2017.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A SERENATA



Adélia Prado
 
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?       
                                                                       

domingo, 26 de novembro de 2017

Do Ausente aos Presentes


(Discurso como Patrono dos Formandos em Direito da UniNassau 2017.1)
Rodolfo Pamplona Filho

Do Ausente aos Presentes,
transmito a saudação
de quem queria cantar a canção,
mas não pode esperar
ver a banda passar...

Do Ausente aos Presentes,
mando um forte abraço,
daqueles que parecem um amasso,
de quem sonhou o momento
de dividir todo o sentimento.

Do Ausente aos Presentes,
registro a minha alegria
de, em excelente companhia,
ter sido homenageado
para este momento encantado.

Do Ausente aos Presentes,
lembro que patrono é
quem se conta para o que der e vier,
sendo o exemplo e o defensor
daquele que o homenageou.

Do Ausente aos Presentes,
faço a solene promessa
de que tudo que interessa
no decorrer de sua trajetória
terá minha presença compulsória.

Do Ausente aos Presentes,
agradeço a honra imensa,
verdadeira recompensa
para um magistério não presencial
de livros, palestras e mundo virtual.

Do Ausente aos Presentes,
deixo a inabalável certeza
de que mesmo não estando na mesa,
estou aqui de outra forma,
sem burlar qualquer outra norma.

Do Ausente aos Presentes,
apresento meu compromisso
de que jamais serei omisso
na caminhada a seguir


por onde o destino nos unir.

Do Ausente aos Presentes,
trago a mensagem
de que o mundo pede passagem
e que não se pode perder
a razão da sede de viver.

Do Ausente aos Presentes,
canto que é preciso
estar de sobreaviso
para as surpresas e armadilhas
que nos esperam a cada trilha.

Do Ausente aos Presentes,
ensino a derradeira lição
de que a flor sobrevive ao canhão
e de que a poesia tem mais verdade
do que todas as leis da humanidade.

Do Ausente aos Presentes,
aconselho a cuidar mais da alma,
pois tudo mais vem com calma
e o mundo é por demais cruel
com aqueles que somente fazem seu papel

Do Ausente aos Presentes,
oriento que não se deve perder
a oportunidade de dizer
que só o amor nos diferencia
de quem apenas espera o fim do dia.

Do Ausente aos Presentes,
choro o meu lamento
da impossibilidade de comparecimento
para estar na retina e na fotografia
da recordação de sua biografia.

Do Ausente aos Presentes,
espero que este poema
seja, então, a minha recordação
para guardar no ecossistema
do fundo do seu coração.

Declamado em 21 de outubro de 2017, em Salvador/BA.

sábado, 25 de novembro de 2017

Retalhos de mim,


Rosana Bouleh

Retalhos de mim,
pedaços de seda, viscose, lã e algodão.
Tem também pecados de chita e poliéster pra completar o meu eterno Patchwork em formação.
Retalhos de mim,
não são pedaços de mim, são partes de um pedaço que há em mim, onde não mora a razão.
Onde as ideias se encontram, as paixões adentram, a loucura é ardente e me faz sentir emoção.
Retalhos de mim,
não são fatias do que sobrou, mas o lado saboroso da bolacha que restou, a parte mais engraçada da piada contada, o doce gostoso quando a vida insiste em amargar,
o arrepio sem frio de uma noite de amor.
Retalhos de mim,
guarda as verdades de um amor que ficou, do cheiro do perfume que impregnou, do toque que enfeitiçou, da alma que nunca mais se encontrou... no mosaico de paixão que dentro de mim você desenhou.
Rosana Bouleh... rabiscos...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Arquitetura de Impacto


Rodolfo Pamplona filho

Paralelas
Iluminações
Passarelas
Calçadões
Subterrâneas
Construções
Contemporâneas
Inovações

Toda mudança choca,
pois o apego à segurança
 do que se passou
(e não voltará jamais)
termina por travar
o avanço ou evolução
do que veio para ficar
e não apenas ser saudade.

Seja a pirâmide
para o Louvre
ou Chagall para o teto
da ópera de Paris,
o que é novo
gera repulsa
de quem vive a nostalgia
e não vê a realidade.

Seja no Porto
ou em Salvador,
novas tecnologias
sempre terão um opositor,
pois a essência
da resposta natural
a qualquer mudança
é a negativa total.

Mais difícil
do que transformar
é conseguir superar
a resistência,
pois nem todos percebem
que simplesmente mudar
pode ser a única forma
de sobrevivência.


Salvador, 20 de agosto de 2017.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Do pretérito



João Victor Braga

O que é o passado?
Aquilo que se passou?
O momento que se concretizou?
O período nostálgico?
O instante de embate?
O minuto mal vivido?
Ou segundo exaurido?
Qual é a finalidade do passado?
É esquecer?
É lembrar e estremecer?
É se queixar daquilo que não foi acabado?
É se arrepende por não ter esforçado?
É se alegrar por ter amado?
Ou se entristecer por ter odiado?
No que consiste o passado?
É esconder aquilo que foi vivenciado?
É expressar as virtudes que foram alcançadas?
É se confessar por ter errado?
É recorda daquilo não se fez?
Ou se alegrar por ter enfrentado?
Na verdade, a definição do passado
Se materializa de acordo a vontade
Em cultivar o presente
Almejando o futuramente
Valorizando cada instante
Como se fosse o ultimo pertencente tempo em se conquistar!

09/11/2017, Teixeira de Freitas

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Declaração de Paternidade


Rodolfo Pamplona  Filho

Reconhecer
a paternidade
é mostrar ao mundo
a verdade
de que todo homem
pode se projetar
além do fim
da sua própria vida.

Aceitar
a paternidade
não é capitular
de uma luta,
mas sim vivenciar
o doce sentimento
que faz superar
qualquer sofrimento.

Assumir
a paternidade
é mais que garantir
o papel passado:
é viver
o papel presente
e saber
seu papel no futuro.

Salvador, 19 de setembro de 2017.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Poeminha do Contra



Mario Quintana

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Eu só quero que você me ame...



Rodolfo Pamplona filho

Eu só quero que você me ame...
E que não fique me batendo...
E não fique desconfiando de mim...
E não interprete cada ato meu
como se fosse algo contra você...

Eu só quero que você me ame...
Eu só quero amor somente...
E que não desconte em mim
por coisas que eu não fiz
ou nem sei o que é...

Eu só quero que você me ame...
E que não me maltrate...
E nao ache que todo comentário meu
seja uma crítica ou acusação
que exija defesa ou ser rebatida...

Eu só quero que você me ame...
Amor para sempre...
Amor pungente...
Amor fervente...
Amor decente...

Eu só quero que você me ame...
Amor urgente
Amor bem quente...
Amor somente...
Somente amor.

São Paulo, 23 de setembro de 2017.

domingo, 19 de novembro de 2017

Lua adversa



Cecília Meireles

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…

sábado, 18 de novembro de 2017

Histeria



Rodolfo Pamplona Filho

Uma multidão reunida
esperando a chegada
do amado protagonista

Olhares fascinados,
apenas vidrados
para não perder nada.

Como se algo pudesse
realmente ser perdido
em uma fração de segundo.

E chega a hora!
gritos na expectativa
e na efetiva entrada

O Culto começa:
Palavras de ordem
expressas em Canções

Palmas e Coros
Brados e Braços
levantados na Catarse

Luzes e som
em todos os lados
e em cada canto...

Na Adoração,
pouca diferença há
entre Sacerdotes, cantores
ou líderes políticos:
Tudo coopera para
a manifestação da histeria.

São Paulo, 23 de setembro de 2017, assistindo um show...

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O Girassol



Vinicius de Moraes
 

Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel

Roda, roda, roda
Carrossel
Roda, roda, roda
Rodador
Vai rodando, dando mel
Vai rodando, dando flor

Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel

Roda, roda, roda
Carrossel
Gira, gira, gira
Girassol
Redondinho como o céu
Marelinho como o sol

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Mulher Brasileira



Rodolfo Pamplona Filho

A mulher brasileira batalha
e enfrenta a luta diária.
Ela não tem medo da vida.
Ela não tem medo de nada.
Ela não quer pena
ou condescendência:
ela só quer respeito
e consciência
para construir seu caminho
e conquistar seu espaço
Marias, Helenas,
Fernandas, Marinas,
Moanas, Cecílias,
Marianas, Luizas,
Julianas, Emilias,
Marcellas, Patrícias,
Cristianes, Renatas,
Alines, Cristinas
Todas elas guerreiras
Todas elas meninas
Todas elas mulheres
Todas elas humanas.



Salvador, 04 de agosto de 2017.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Nadador



Cecília Meireles

O que me encanta é a linha alada
das tuas espáduas, e a curva
que descreves, pássaro da água!

É a tua fina, ágil cintura,
e esse adeus da tua garganta
para cemitérios de espuma!

É a despedida, que me encanta,
quando te desprendes ao vento,
fiel à queda, rápida e branda

E apenas por estar prevendo,
longe, na eternidade da água,
sobreviver teu movimento…

terça-feira, 14 de novembro de 2017

O fim


Rodolfo Pamplona Filho

Não pense que algo termina,
seja uma vida, um emprego
ou mesmo um casamento,
porque outra opção surgiu.
Se for por isso,
sempre haverá
outro olhar a comparar.
Só se termina algo
porque não tem mais
como continuar.
Termina-se algo
porque as coisas mudaram,
sentimentos se transformaram,
o mundo efetivamente girou...


Salvador, 30 de setembro de 2017.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Cansou




Letra: Adelmo Schindler Jr. e Rodolfo Pamplona Filho
Música: Adelmo Schindler Jr.

Eu, sem saber,
inventei a verdade:
tentei viver
sem olhar pra cidade

Hoje nem sei
o que é coragem:
triste, sentei
na dura paisagem

Ela falou que
não tava tão tarde...
Pintou seu lábio
e saiu sem saudade.

O seu olhar
procura beleza...
É pena eu não virar
o que ela deseja...

Eu queria ser
o seu belo presente
e não perceber
o que ela sente.

Agora não dá!
A tampa fechou
O frio já tá
A vida cansou...
cansou de fazer
cansou de cansar
cansou de doer

cansou de amar.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O amor é confuso



Rodolfo Pamplona Filho

O amor é confuso.
Se não fosse confuso, não seria amor
Poderia ser paixão. Muito mais simples.
Paixão explode, é intensa.
Quando acalma, acaba.
Pronto, passou.

O amor é confuso.
O amor é tão confuso, que teima em viver
um tempo não vivido.
São as lembranças dos dias felizes,
um planejamento de futuro
e ainda tem o se,
aquele do futuro do pretérito.

O amor é confuso.
O amor não pensa, só sente.
Por não pensar, não tem razão.
Não é certo e nem errado.
Pode ser triste e,
no minuto seguinte,
te deixar em êxtase.

O amor é confuso.
Ficamos admirando
o objeto do nosso amor,
da nossa devoção,
embasbacados,
sem saber se partimos
ou se ficamos.

O amor é confuso.
É difícil viver com ele
É difícil viver sem ele
É impossível não querer vivê-lo.
É impossível passar por ele sem sofrer.

O amor é confuso.
Mas não vale a pena
ter vivido
se não tiver sido experimentado
pelo menos uma vez...

Salvador, 20 de agosto de 2017

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Você Não Me Ensinou a Te Esquecer


Caetano Veloso 

Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Do Ausente aos Presentes


(Discurso como Patrono dos Formandos em Direito da UniNassau 2017.1)
Rodolfo Pamplona Filho

Do Ausente aos Presentes,
transmito a saudação
de quem queria cantar a canção,
mas não pode esperar
ver a banda passar...

Do Ausente aos Presentes,
mando um forte abraço,
daqueles que parecem um amasso,
de quem sonhou o momento
de dividir todo o sentimento.

Do Ausente aos Presentes,
registro a minha alegria
de, em excelente companhia,
ter sido homenageado
para este momento encantado.

Do Ausente aos Presentes,
lembro que patrono é
quem se conta para o que der e vier,
sendo o exemplo e o defensor
daquele que o homenageou.

Do Ausente aos Presentes,
faço a solene promessa
de que tudo que interessa
no decorrer de sua trajetória
terá minha presença compulsória.

Do Ausente aos Presentes,
agradeço a honra imensa,
verdadeira recompensa
para um magistério não presencial
de livros, palestras e mundo virtual.

Do Ausente aos Presentes,
deixo a inabalável certeza
de que mesmo não estando na mesa,
estou aqui de outra forma,
sem burlar qualquer outra norma.

Do Ausente aos Presentes,
apresento meu compromisso
de que jamais serei omisso
na caminhada a seguir


por onde o destino nos unir.

Do Ausente aos Presentes,
trago a mensagem
de que o mundo pede passagem
e que não se pode perder
a razão da sede de viver.

Do Ausente aos Presentes,
canto que é preciso
estar de sobreaviso
para as surpresas e armadilhas
que nos esperam a cada trilha.

Do Ausente aos Presentes,
ensino a derradeira lição
de que a flor sobrevive ao canhão
e de que a poesia tem mais verdade
do que todas as leis da humanidade.

Do Ausente aos Presentes,
aconselho a cuidar mais da alma,
pois tudo mais vem com calma
e o mundo é por demais cruel
com aqueles que somente fazem seu papel

Do Ausente aos Presentes,
oriento que não se deve perder
a oportunidade de dizer
que só o amor nos diferencia
de quem apenas espera o fim do dia.

Do Ausente aos Presentes,
choro o meu lamento
da impossibilidade de comparecimento
para estar na retina e na fotografia
da recordação de sua biografia.

Do Ausente aos Presentes,
espero que este poema
seja, então, a minha recordação
para guardar no ecossistema
do fundo do seu coração.

Declamado em 21 de outubro de 2017, em Salvador/BA.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Do prazer em esquecer



João Victor Braga

O que lembro que te
Esqueci!
Da sua astucia e bravura
Do dinamismo dissipado em
Mim!
Dos sermões robustos
Das palavras inexoráveis
Da sua forma de lastimar
Os desejos alheios que porventura
Es em admirar!
Da volitividade de te ter
Impugnando a compunção em
Te afligir..
O sabor da sua alma
Peculiarizado pela formidável
Fragrância do apolíneo anseio
Que vem a mim sugestionar
Arremata eu em dizer
Que todas as vezes que te esqueço
Meu pensamento preconiza a ti
Assim, a finalidade em olvidar
E lembrar você.

21/10/2017

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

domingo, 29 de outubro de 2017

O Poema que Aconteceu



Carlos Drummond de Andrade

Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

sábado, 28 de outubro de 2017

Momentos Felizes


Rodolfo Pamplona Filho

Não dá para ser
feliz o tempo todo,
nem acreditar que
é para sempre
a felicidade que contagia
aquele que está curtindo...
O importante é
saber viver
os momentos felizes
ou, ainda mais,
saber extrair,
tal qual Poliana,
a alegria de cada instante,
como a água de um cactos
ou um suco de uma fruta
que já passou o tempo
de ser comida...
É preciso aproveitar
os momentos felizes...

Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Na tua pele




Manuel Alegre

Na tua pele toda a terra treme
alguém fala com Deus, alguém flutua
há um corpo a navegar e um anjo ao leme.

Das tuas coxas pode ver-se a Lua
contigo o mar ondula e o vento geme
e há um espírito a nascer de seres tão nua...

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Amor e Dor

 

Rodolfo Pamplona 

Falar de amor
muitas vezes
invoca um bordão 
ou uma rima pobre...
como se não houvesse
outra parelha para amar 
que não seja sofrer...
A saudade faz parte 
da vida de quem ama,
como o sono para a cama,
o teto para a casa
e o vento para a asa...
Amar é muito bom, 
mas também dói
Antes de amar,
preferia viver 
sem sentir dor...
Hoje acho melhor 
sentir dor 
do que não 
conhecer o amor...
As vezes acho que 
poderia simplificar tudo...
Bastava não amar...
Por que precisar 
tanto de alguém?
Não sei porque,
mas sei que 
preciso e muito...
Achava que não precisava
de nada, mas descobri 
que não sei ficar sem você...
Amar não é voluntário...
Se fosse, seria mais fácil...
E nunca se tem 
por inteiro:
sempre uma parte!
Para qualquer outra coisa,
seria muito pouco,
mas, para o amor,
cada segundo é 
uma eternidade,
seja na distância,
seja na intensidade...
Como saber o que fazer?
Não precisa saber... 
Basta sentir, amar e viver...

Boston, 29 de junho de 2016.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Certos amores



Martha Medeiros

Aquele amor poderia ter me matado
Como mata centenas de mulheres por aí
Certos amores não passam
De uma bomba a ser desativada a tempo...