terça-feira, 31 de dezembro de 2013

VIRADAS DE ANO


VIRADAS DE ANO

Nas viradas de ano, sempre me punha de pé.
Com a cabeça erguida, escancarava os olhos tentando contemplar os
fogos que se beijavam no céu. Tudo era branco. Abraçava-me a multidão.
Infantilmente, pulava ondas e enchia os bolsos das mais variadas sementes...
E fazia pedidos – muitos pedidos.

Hoje, nas viradas de ano, ponho meu rosto no chão.
Aprendi que é fechando os olhos que alcançamos a mais bela luz.
E que é de joelhos que vencemos nossas mais renhidas batalhas.
Agora, tudo é vermelho. Abraço os meus.
Sou mais racional: encho-me de fé.
Gemidos de gratidão – muitos gemidos: pela semente divina que germinou
e mudou-me a direção.

O que antes era uma simples data no calendário, hoje flui como um
ritual diário.
Pois cada singelo dia é uma nova oportunidade para desfrutar dessa
verdadeira alegria:
viver cada instante, de forma abundante e com Jesus no coração!

Que seja assim, para todos nós, no ano de 2014!

Ney Maranhão e família

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Asno de Buridan


Asno de Buridan

Rodolfo Pamplona Filho
Se insistir nesta postura
de Asno de Buridan,
você não morrerá
de sede ou de fome,
mas de dor...

Salvador, 22 de novembro de 2012.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Finalmente...


Finalmente...

Rodolfo Pamplona Filho
Finalmente
não é necessariamente
o final da lição,
mas o inicio da ação...
Sair da contemplação
para partir para a missão...
Mudando na medida
em que as folhas
vão sendo mudadas...
Fazendo tudo aquilo
para que as coisas
foram forjadas...
Guerrear
sem ilusão de que não irá tombar
Trabalhar
com convicção de que deve amar
Viver
uma generosa espiritualidade
Crer
em uma fé que vira realidade...
Finalmente descobrir
que, se céu nao começa aqui,
ele não existirá
em qualquer outro lugar...
Finalmente...

Salvador, 31 de dezembro de 2012.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Pablo Neruda: Plena Mujer





Plena Mujer: Soneto XII
Pablo Neruda
de Cien SOnetos de Amor



A Matilde Urrutia

Plena mujer, manzana carnal, luna caliente, 

espeso aroma de algas, lodo y luz machacados, 
qué oscura claridad se abre entre tus columnas?
Qué antigua noche el hombre toca con sus sentidos?

Ay, amar es un viaje con agua y con estrellas,
con aire ahogado y bruscas tempestades de harina:
amar es un combate de relámpagos
y dos cuerpos por una sola miel derrotados.

Beso a beso recorro tu pequeño infinito,
tus márgenes, tus ríos, tus pueblos diminutos,
y el fuego genital transformado en delicia

corre por los delgados caminos de la sangre
hasta precipitarse como un clavel nocturno,
hasta ser y no ser sino un rayo en la sombra.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Reconhecendo-se Sobrevivente


Reconhecendo-se Sobrevivente

Rodolfo Pamplona Filho
O causador da opressão foi embora,
mas persiste o medo asfixiante
e imobilizante de outrora e de agora,
como se continuasse como dante...

É preciso lidar com muita calma
para, pouco a pouco, tratar
a ferida que machuca a alma
e retira o ânimo, a força e o ar...

Cuide bem de cada cicatriz,
para se sentir plena e feliz,
superando o trauma presente

pois, enquanto viva é a memória,
enfrenta-se a própria história,
reconhecendo-se sobrevivente.

Salvador, 01 de janeiro de 2013.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

NAVIDAD

NAVIDAD

Cuando este nodo
En la garganta de la gente,
Volcar un lazo de cinta
Te mando de presente.

NATAL
Quando este nó
Na garganta da gente
Virar um laço de fita
Te mando de presente.

( poema de Pepe Chaves www. facebook.com/pepe.chaves.1 )

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O que é o amor? Dialogando com Lacan


O que é o amor?
Dialogando com Lacan

Rodolfo Pamplona Filho
Amar é dar
o que não se tem
a quem não é...
Apaixonar-se é dar
o que se tem
a quem se é...

Salvador, 23de outubro de 2012.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Fragmentos de Natal


"– Eu gosto desses pontinhos também... Na verdade, gosto de todos os pontinhos de luz do Natal, desses que as pessoas espalham pelas casas e pelas ruas, desses que brilham no rosto delas e que brilham delas mesmas... sei lá... todos esses pontinhos de luz me fazem ver estrelas em mim, mesmo quando fecho os olhos e mesmo quando tudo o mais é escuro... e então tudo parece tão... bom... – e sorriu o seu melhor sorriso para ele" (In: GRANT, Carolina. Fragmentos de Natal).


domingo, 22 de dezembro de 2013

Planejamento Sucessório

Planejamento Sucessório

Rodolfo Pamplona Filho
Quando, um dia, terminar
a minha jornada terrena,
quero apenas encontrar
a paz em minha pequena

estrada de férteis encontros,
alguns triunfos e acertos,
mas também de desencontros,
reencontros, derrotas e apertos...

Não quero que os que deixo
disputem os poucos bens
que, com muita luta, conquistei,

mas, sim, que encontrem o eixo
da concórdia e harmonia,
não chorando de barriga vazia,

nem tendo a amarga sensação
de desamparo e solidão,
sabendo que eu tive o cuidado
de deixar tudo organizado,

na consciência de minha finitude,
fazendo tudo que eu pude
para, seguindo minha verdade,
distribuir segundo a necessidade

e justiça de uma partilha em vida
de um patrimônio que perece e rui
pois o que é realmente importante

é herdar o orgulho e a saudade doída
somente de quem, em essência, fui,
não do que eu tive na estante.


Salvador, 08 de dezembro de 2013, tendo dobrar um soneto...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Ardência


Ardência

04
NOV
2012


Ventanias em um peito
Desejo que arde em silêncio
Melodias que se refaz
Pensamento (in)contido

São Paulo, 02 de novembro de 2012

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Mulher



Mulher

Rodolfo Pamplona Filho
A Mulher é mais fiel
à sua maquiagem
do que a seus sentimentos;
à sua vaidade
do que a sua saúde;
à sua imagem
do que a seu íntimo;
à possibilidade do futuro
do que à marca do passado;
à sua esperança
do que à realidade...

Salvador, 02 de novembro de 2012.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O JUIZ DE MINHA INFÃNCIA

O JUIZ DE MINHA
INFÃNCIA
Eu que não queria ser
o juiz de minha
infância!...
O juiz de minha
infância
era um sujeito
moralista e autoritário,
amortalhado detrás de
uma toga preta,
e que gostava de dar
pito nos outros...
Eu que não queria ser
o juiz de minha
infância!...
O juiz de minha
infância
era um homem por demais
sério,
de cara carrancuda,
empunhando,
firme, o martelo do
tribunal...
Eu que não queria ser
o juiz de minha
infância!...
O juiz de minha
infância
era um homem esguio e
alto,
portando chapéu de
massa
e rodeado de livros
carcomidos de traça...
Eu que não queria ser
o juiz de minha
infância!...
O juiz de minha infância
era como que um
super-homem
ou um semi-deus, postado
no pedestal de sua
excelência...
Eu que não queria ser
o juiz de minha
infância!...
Dizem que alguns juízes
pensam que são Deus;
outros, têm certeza
que são o próprio...
Eu que não queria ser
o juiz de minha
infância...

Salvador, 13 de junho de 2009.
MARIVALDO PEREIRA DA SILVA

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Comparando


Comparando

Rodolfo Pamplona Filho
Há uma diferença abissal
entre a projeção e a concreção,
entre o utópico e o concreto;
entre o desejo e a ação;
entre o sonho e a realidade.
Se há sonhos que
não correspondem à realidade,
Você é o sonho que virou realidade
Sonhar é bom, mas viver é melhor!

Salvador, 06 de novembro de 2012.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Acróstico de Luiz Augusto Pamplona


Assunto: Acróstico de Luiz Augusto Pamplona - 01/11/2012
Enviada: 04/11/2012 09:39
ESPERAR......, PARA CONHECER O DESCONHECIDO
MIL PENSAMENTOS INVADEM NOSSAS MENTES 
IMAGINAR O INIMAGINÁVEL, O PROVÁVEL
LER ENTRE PENSAMENTOS COMO É O OUTRO
INTELIGÊNCIA NESSE MOMENTO DESAPARECE
A ESPERA..., O TEMPO RECLAMA A DEMORA

ESPERAR..., SIMPLESMENTE MOSTRAR O CORAÇÃO

REALIZAR UM SONHO ATÉ ENTÃO IMPOSSÍVEL
O COMEÇO DE UM NOVO TEMPO E REENCONTROS
DISTÂNCIA NÃO MAIS EXISTE, À PRESENÇA UNE
O QUE ERA DÚVIDA, INSEGURANÇA, SE DESFAZ
 LIVRE DESSAS ANGÚSTIAS E ANSIEDADES, O AMOR
FOGO, CALOR INTENSO DE SENTIMENTOS FRATERNAIS
O QUE ERA DÚVIDA, INSEGURANÇA, NÃO MAIS EXISTE.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Soneto da Torcida em qualquer lugar do mundo


Soneto da Torcida em qualquer lugar do mundo

Rodolfo Pamplona Filho
Não importa a distância ou crença,
nem o tempo ou a falta de plano!
Não interessa a física ausência,
nem a saudade do calor humano!

Onde eu estiver, minha paixão,
estarei sintonizado em sua vibração,
sentindo toda a imensa energia,
que só tem o meu glorioso Bahia!

Por isso, bem alto, vou gritar
que vou torcer em qualquer lugar,
soltando todo o ar do meu pulmão

em qualquer canto do universo,
vou te cantar em prosa e verso,
com você sempre em meu coração!

Madrid, 30 de setembro de 2012.

domingo, 15 de dezembro de 2013

O FIM DO MUNDO

O FIM DO MUNDO (revisado em 03/11/12)

Fausto Couto Sobrinho - outubro de 2012

Ele era conhecido como o Zé do Fim do Mundo, porque era onde realmente vivia, ou sobrevivia, naqueles confins do sertão bruto, nas fronteiras de lugar nenhum, uma região sem nome e esquecida por Deus, como ele próprio resmoneava entre dentes e às vezes clamava aos céus em altos brados. Suportou a seca, o sol, a poeira e o apelido até que, num momento de epifania, uma voz lhe soprou aos ouvidos que a alcunha era justa, porque fora escolhido pela Divindade para alertar ao mundo que o Dia do Juízo se aproximava; que desta vez vinha mesmo, embora em outras ocasiões o Divino tenha coçado o cocoruto, pensado melhor e desistido de extinguir a sua criação, observando com Sua suprema bondade uma qualidadezinha aqui e outra ali. José atendeu ao chamado e mudou-se para a capital, assumindo com toda diligência e fervor a missão de pregar a chegada iminente do Apocalipse. Acordava cedinho, vestia um manto encardido e ia para as praças, onde brandia com severidade a palavra e o báculo contra os impenitentes que, passando a conhecê-lo, mantinham-se a distância prudente do pesado varapau. Um dia, resolveu lançar as suas imprecações contra um bando de punks que por ali passava, cujo cabelo colorido, roupas de couro e atitude debochada não lhe deixaram dúvidas quanto à qualidade de enviados de Satanás para desviar os crentes do caminho da verdade e sabotar o trabalho dele, José. Os ditos cujos, à vista das pessoas que ali estavam e que, embora condoídas, não se atreveram a interferir, passaram a voejar como corvos em torno do pregador e, enquanto riam com fúria demoníaca, desfechavam-lhe murros e sopapos, tentando o pobre inutilmente afastá-los com o seu bordão. Tomaram-lhe por fim o cajado e, com ele, moeram-no a pauladas, deixando-o estendido na praça como morto, os braços abertos como um Cristo descido da cruz. Após longo tempo nas Clínicas, entre a vida e a morte, as autoridades chegaram à conclusão de que José, solto por aí, representava um perigo para si e para a comunidade. Por mais que ele assegurasse a todos que era realmente um profeta, um enviado do Senhor, com a missão de preparar os escolhidos para o advento do Apocalipse, cujos Quatro Cavaleiros já se podiam divisar em horizonte próximo, o palavreado só serviu para convencer as pessoas da sua falta de senso e a decisão de interná-lo como insano não sofreu contestação a não ser a dele próprio, que sentia não ter ali o seu bordão, para pôr a cacetadas um pouco de fé na cabeça daqueles incréus. Nada adiantou e o Fim do Mundo pegou-o alguns dias depois no quarto 36 do Sanatório Municipal.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Astherion


Astherion

Rodolfo Pamplona Filho
Ele é o Descendente
espúrio de Minoas,
Filho de Parsifal
com o lindo touro
dado por Netuno,
pelo engenho de Dédalo,
é tido como monstro,
até ser morto por Teseu,
com a ajuda de
sua irmã Ariadna,
que acabou abandonada,
mas casou com Baco...
Na roda viva grega,
não há espaço
para julgamentos:
o bem e o mal
são igualmente reservados
para quem faz um ou outro...

Creta, 27 de setembro de 2012.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Soneto Do Amor Total (Vinicius de Moraes)


Soneto Do Amor Total

Vinicius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Qual a sua definição de poesia? (ousando complementar Leminsky...)


Qual a sua definição de poesia?
(ousando complementar Leminsky...)

POESIA:
“words set to music”(Dante via Pound),
“uma viagem ao desconhecido” (Maiakóvski),
“cernes e medulas” (Ezra Pound),
“a fala do infalável” (Goethe),
“linguagem voltada para a sua própria materialidade” (Jakobson),
“permanente hesitação entre som e sentido” (Paul Valery),
“fundação do ser mediante a palavra” (Heidegger),
“a religião original da humanidade” (Novalis),
“as melhores palavras na melhor ordem” (Coleridge),
“emoção relembrada na tranqüilidade” (Wordsworth),
“ciência e paixão” (Alfred de Vigny),
“se faz com palavras, não com idéias” (Mallarmé),
“música que se faz com idéias” (Ricardo Reis/Fernando Pessoa),
“um fingimento deveras” (Fernando Pessoa),
“criticismo of life” (Mathew Arnold),
“palavra-coisa” (Sartre),
“linguagem em estado de pureza selvagem” (Octavio Paz),
“poetry is to inspire” (Bob Dylan),
“design de linguagem” (Décio Pignatari),
“lo impossible hecho possible” (Garcia Lorca),
“aquilo que se perde na tradução (Robert Frost),
“a liberdade da minha linguagem” (Paulo Leminski)...
"Meu coração fora do peito" (Fernanda Carvalho Leão Barretto)
"Porque tu sabes que é de poesia minha vida secreta" (Hilda Hilst)
"minha vida predileta, como um baile (espetáculo de música [melodia] somado à dança [marcações]) das palavras, em linhas, a encenar os mais íntimos sentimentos do poeta ou dos que ele capta da sua infinita platéia!" (Amanda de Almeida Santos)
"A essência da alma em palavras" (Rodolfo Pamplona Filho)
"Verdade indo a um baile de carnaval..." (Yumi Kanzaki)
"A chave-mestra que abre caminho para o despertar dos mais diversos sentimentos e sensações... " (Leiliane Aguiar)
"A poesia nos liberta, através dela podemos expressar nosso sentimento mais profundo, sem ferir ninguém e tocando a quem se permitir!" (Rosangela Pamplona)
"Poesia é verdade dita de forma elegante,  e não apenas mera embalagem" (Lúcio Silva)

Fique à vontade para mandar a sua...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Misterio do Planeta (Novos Baianos)

Misterio do Planeta
(Novos Baianos)

Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do "stop"
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Taurómaquia


Taurómaquia

Rodolfo Pamplona Filho
Movimento
O Momento
Taurhomakya
Tauro et Makya
A hora da verdade
O Rito de Passagem

Creta, 27 de setembro de 2012.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Quando o Galo Cantou (Caetano Veloso)




 

Quando o Galo Cantou

Caetano Veloso

Quando o galo cantou
Eu ainda estava agarrado ao seu pé e à sua mão
Uma unha na nuca, você já maluca
De tanta alegria do corpo, da alma
E do espírito são
Eu pensava que nós não nos desgrudaríamos mais
O que fiz pra mecerecer essa paz
Que o sexo traz?
O relógio parou,
Mas o sol penetrou entre os pelos brasis
Que definem sua perna e a nossa vida eterna,
Você se consterna e diz
"não, não se pode, ninguém, pode ser tão feliz"
Eu queria parar
Nesse instante de nunca parar
Nós instituímos esse lugar
Nada virá
Deixa esse ponto brilhar no atlântico sul,
Todo azul
Deixa essa cântico entrar no sol,
No céu nu
Deixa o pagode romântico soar
Deixa o tempo seguir,
Mas quedemos aqui, deixa o galo cantar
Quando o galo cantou
Eu ainda estava agarrado ao seu pé e à sua mão
Uma unha na nuca, você já maluca
De tanta alegria do corpo, da alma
E do espírito são
Eu pensava que nós não nos desgrudaríamos mais
O que fiz pra mecerecer essa paz
Que o sexo traz?
O relógio parou,
Mas o sol penetrou entre os pelos brasis
Que definem sua perna e a nossa vida eterna,
Você se consterna e diz
"não, não se pode, ninguém, pode ser tão feliz"
Eu queria parar
Nesse instante de nunca parar
Nós instituímos esse lugar
Nada virá
Deixa esse ponto brilhar no atlântico sul,
Todo azul
Deixa essa cântico entrar no sol,
No céu nu
Deixa o pagode romântico soar
Deixa o tempo seguir,
Mas quedemos aqui, deixa o galo cantar

domingo, 8 de dezembro de 2013

Sonhos Mudam


Sonhos Mudam

Rodolfo Pamplona Filho
Sonhos Mudam
de verdade
Sonhos Mudam
com a idade
Sonhos Mudam
na realidade
Sonhos Mudam
para a eternidade 

Rhodes, 26 de setembro de 2012.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Soneto para Frida


Soneto para Frida

Rodolfo Pamplona Filho
Uma pequena criatura, de olhar esbugalhado,
correndo desesperada, com um jeito alucinado,
e que, quando está parada, fica em pose de zagueira,
aguardando sua bolinha, pronta para a brincadeira.

É a companhia que, a todos, conquista,
pois jamais haverá tempo feio,
stress ou cansaço que resista
à alegria que ilumina qualquer meio,

já que, definitivamente, nos encantou,
com seu estilo meio bossa e rock 'n' roll,
que mostra o quanto se pode ser querida,

ensinando que sempre se pode correr atrás,
na busca de constantemente viver mais,
no exemplo lindo e definitivo de Frida.

Salvador, 30 de dezembro de 2012.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mal Acostumado


Mal Acostumado

Rodolfo Pamplona Filho
Fiquei mal acostumado
em ter um latifúndio,
em vez de módulo rural;
em ouvir uma risada larga,
em vez de um sorriso contido;
em receber um beijo apaixonado,
em vez de um frio bom-dia;
em se entregar ao amor,
como se sua vida dependesse disso,
em vez de cumprir o papel esperado;
mal acostumado com um
parâmetro de comparação,
que nunca será superado...

Creta/Grécia, 27 de setembro de 2012.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

POESIA



POESIA

Queria ser o veludo mais macio e delicado,
A sensação mais gostosa de se tocar...

Queria ser a fruta mais doce e saborosa,
Que à fome de todos pudesse saciar...

Queria ser o perfume com a essência mais
Inebriante que Suskind não pudesse nem imaginar...

Queria ser o som mais morno e bonito,
Para que todos quando o ouvisse, pudessem se acalmar...

Queria ser uma mistura que, além de toda esta
maciez, doçura, fragrância e melodia, irradiasse
do meu mais íntimo, uma luz celestial com a pureza de Deus.
Neste dia, eu seria uma poesia,
Para que você pudesse me ler... 

 Campina Grande, Julho de 1999.
Ezilda Melo

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Temas Recorrentes


Temas Recorrentes

Rodolfo Pamplona Filho
Com freqüência, volto a recorrer
a temas que já me propus a escrever,
não por falta de criatividade,
mas por acreditar, de verdade,

que há muito ainda a refletir
sobre aquilo que vivi
seja a Perda da Inocência
ou os Traumas da Adolescência

A Pureza do Sorriso de Criança,
A Frustração quando não se é
o que, quem ou como se quer...

A ausência de esperança...
A solidão na multidão...
A tristeza sem explicação..

Patmos, 25 de setembro de 2012.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Teus seios




Teus seios
 
Não sei dizer o que são,
Nem dizer o que sinto ante a beleza neles contida,
São montanhas, as mais sublimes,
O encanto feito de sonho com maciez de algodão,
Sim, teus seios são sonhos, são nuvens, são ilusões;
Sonhos que levas no peito ao coração imenso(s)
De tão imorredouro, e intenso, teu coração neles se confunde.
E se fundem num emaranhado tão inebriantemente rico e singelo,
Que nos ajoelhamos ante tua presença sem saber onde começa o coração e terminam os seios?
Sei-os e não os sei.
Teu coração é acima, e rota de chegada é ponto de partida,
De todo Amor do mundo, do maior Amor do mundo que ultrapassam a própria beleza.
São seios tão belos que, são mais que serem belos, são elos entre o despertar e o anoitecer, são alvorada e crepúsculo, idéias, ideais, monumentos colossais,
Por teus seios países entrariam em guerras e fariam as pazes,
A cimeira da arquitetura humana !
São quereres, são moldes, são momentos mais que eternos, são acontecimentos, são sorte e virtú onipresentes...
Sei-os teus e de ninguém mais...
 
São sinceros, são leais;
Nada resta impassível ante eles, antes deles é como se nada mais houvesse...
É como se tudo fosse depois deles,
Relevos da generosidade,
São relevos da arquitetura de Deus,
Engenharia Divina !!! Divina !!!
Relevos que elevam...
Teus seios são teu coração,
Tua constelação de duas grandes estrelas,
Duas montanhas numa só cordilheira,
Alumiada pela mais linda luz que pode um coração iluminar,
Que da fenda entre eles, de ponta a ponta surge o mais lindo Arco-Íris...
Ponte entre o cume de teus montes...última e única promessa de felicidade !
A lembrança mais secreta,
De teu tesouro, as mais riquezas,
São sem palavras e são manifestas que dizem que teu coração são seios,
Coração altivo,
Inquebrantável, incorruptível, infinito...
Teu coração são asas,
São casas de se morar e se viver, de descansar de desejar, de namorar, de demorar, de merecer...
Teu coração são seios que são asas que voam por onde quer que passes.
E que querem quando ele quer,
E pulsam conjuntamente de tão plenos, de tão certos, são instantes eternos,
São verdades tão brilhantes que nos cegam.
 
São poesias de ouro,
São versos mais diversos,
Curvas perfeitas do universo,
Paralelas que se encontram no infinito,
Que diante de tudo
Teu coração PREVALECE !
             26/11/2012
 
 
"As coisas só têm a importância que vc lhas atribui."
Márlus Pinho

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Pacificadores


Pacificadores

Rodolfo Pamplona Filho
Há pacificadores
e
Há os que passam
e ficam as dores...

Salvador, 04 de novembro de 2012.

domingo, 1 de dezembro de 2013

banquete de tesão




banquete de tesão

Complexa, em etapas, em sucessivas camadas/ 
tortuosa, difícil, perene interrogação/
penso e falo sempre junto, na mesma hora exata/ 
ignoro caminhos planos, insisto na contramão/ 
mas se esse jeito torto lhe parece um charada/ 
um mistério irritante, eterna provocação/ 
lhe proponho o enigma que de novo não tem nada/ 
decifra-me ou te devoro/ 
meu banquete de tesão...

(Beatriz AM).

sábado, 30 de novembro de 2013

Herança Poética


Herança Poética

Rodolfo Pamplona Filho
O que normalmente se espera
é deixar para a posteridade
apenas o melhor de sua vida
ou de tudo aquilo que se produziu,
construiu, ganhou ou compôs!
Na prática, porém,
a vida não é assim...
Deixa-se o que se tem,
o que se é
e o que se fez...
E eu não quero esconder
aquilo que, um dia, resolvi escrever,
como se eu somente criasse
pérolas ou obras-primas,
e não, como de fato,
textos produzidos pelo impacto
de momentos de sofrimento,
alegria ou mera constatação.
Se, sobre tudo, eu poetizo,
por que restringir o acesso
ou o conhecimento
a quem demonstrou algum interesse
de conhecer um pouco
(ou boa parte do todo)
do que eu sou (ou imagino ser...).
Minha herança poética
não será lapidada,
como se fosse possível
controlar a imagem
que se faz de minha história,
mas, sim, será apenas transparente,
para que quem realmente
entenda o que eu quis dizer
possa efetivamente saber
tudo aquilo que, um dia,
eu pretendi simplesmente ser
(ou pensei poder ser...)

Rhodes/Grécia, 26 de setembro de 2012.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

NO POEMA



NO POEMA

No poema ficou o fogo mais secreto
O intenso fogo devorador das coisas
Que esteve sempre muito longe e muito perto.


Sophia de Mello Breyner Andresen (6/11/1919-2/7/2004)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A Arte Milenar do Circo


A Arte Milenar do Circo

Rodolfo Pamplona Filho
Mais do que contato ter
com uma milenar arte,
conhecer o circo é
Entusiasmar-se
Encantar-se
Deslumbrar-se
Viver uma magia
que não se vê todo dia
e cujo encantamento,
por mais tempo que passe,
não cairá no esquecimento...


Salvador, 23 de outubro de 2012,
na primeira vez de Rodolfinho no circo...

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Religião X Espiritualidade

"Não leia com o intuito de contradizer ou refutar, nem para acreditar ou concordar, tampouco para ter o que conversar, mas para refletir e avaliar".        
(Sir Francis Bacon) 
Texto é do Prof. Dr. Guido Nunes Lopes, Graduado em Licenciatura e Bacharelado em Física pela Universidade Federal do Amazonas (FUAM, 1986), Mestrado em Física Básica pelo Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IF São Carlos, 1988) e Doutorado em Ciências em Energia Nuclear na Agricultura pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA, 2001).

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A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro"..

A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência..

A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

"Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual... Somos seres espirituais passando por uma experiência humana... "

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Primeiro Contato


Primeiro Contato

Rodolfo Pamplona Filho
A primeira vez
O primeiro olhar
A primeira palavra
A primeira conversa
O primeiro encantamento
O primeiro dia
do resto de nossas vidas...

Gramado, 18 de outubro de 2012, descobrindo uma nova amizade.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Porque


Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

                      Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 24 de novembro de 2013

Necessidade de Reclamar


Necessidade de Reclamar

Rodolfo Pamplona Filho
Há indivíduos que
mal comem feijão com arroz
e querem questionar
a qualidade do champagne...
Pessoas que não sabem distinguir
um idioma de um dialeto,
um prato de um lanche
ou uma casa de um lar
e querem posar para a sociedade
como sacerdotes do culto,
vestais do templo
ou oráculos da verdade...
Pobres diabos,
eles não sabem
o que fazem, pois
sua vontade de viver
se confunde com
sua necessidade de reclamar...

Pamplona/Espanha, 03 de outubro de 2012.

sábado, 23 de novembro de 2013

As Sem - Razões do Amor


As Sem - Razões do Amor

Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.
Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Descoberta da Paternidade (Soneto)

Descoberta da Paternidade (Soneto)

Rodolfo Pamplona Filho
Um dia, tem-se a oportunidade
de finalmente aprender
qual é, na realidade,
a sensação de nada poder.

Sobre o tema, todo chavão
ou o mais conhecido bordão
sempre soará verdadeiro
diante da sensação de desespero

Tudo isso se dá
pelo imenso prazer
que a nova vida pode trazer,

só de imaginar
a mais pura felicidade,
que é a descoberta da paternidade.

Salvador, 07 de janeiro de 2012,
um sábado de noite,
no cinema com filhos e sobrinhos,
pensando no amigo-irmão Pablo Stolze Gagliano.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Saudade


Saudade

Rodolfo Pamplona Filho
Parece doença...
Parece tristeza...
Parece dor no peito...
Parece desespero...
Parece depressão,
mas é só saudade...

Gramado, 18 de outubro de 2012.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O rosto sem face


O rosto sem face


Aquele era sim o seu rosto, mas não sua face. Não saberia explicar o paradoxo não fosse o álibi inquestionável da ciência. Mas ela estava ali, prostrada e, diante do espelho, a busca pela identidade só encontrava sossego diante do conhecido e atordoado olhar. Não, não haveria perguntas. O silêncio seria a única possível manifestação humana diante de tão grandioso mistério. O chamado do outro tardaria, e o seu próprio chamado não iria se fazer mais cedo. Será possível que ninguém a reconheceria? Teria ela de contar e recontar sua história, de mergulhar mais uma vez em todas as dores, alegrias e amores para descobrir a si mesma uma vez mais em seu ser. Não, isso não era justo. Não era possível, crível... não era... nada!

Nada! Que estranho sentido esta palavra agora adquiria. Jamais pensara que nada pudesse significar tanto. Causar tanto pânico, transtorno... e conforto. Nada. O que seria? Quem seria? Nada sou eu? – perguntava-se a criatura desconsolada. Sem memória, sem história, sem espelho! Sem o olhar do outro que refletisse o seu próprio a lhe mostrar o que se reconhece – e é bem verdade, o que se desconhece, se recusa e se nega também.

De repente, uma forte batida na porta faz cessar todo o monólogo existencial-metafísico.
- São os fotógrafos da revista! Estão esperando lá embaixo, a empregada lhe grita do corredor. Ela então mais uma vez fecha os olhos, num rito quase-fúnebre de quem cerra os olhos para morrer. Sabia que a partir dali não haveria mais espelhos, apenas câmeras e flashs a registrar o belíssimo rosto cuja face consistia em ser nada.


--
 
 
 
Fernando Armando Ribeiro

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Escravas Sagradas de Korinthio


Escravas Sagradas de Korinthio

Rodolfo Pamplona Filho
No encontro entre o Egeu e o Jônico
e de dois portos importantes,
encontra-se a cidade
que não conhecia o amor

No culto à Afrodite,
entregam-se mais do que primícias,
pois é o próprio corpo o objeto
do contato, do negócio e do prazer,

proporcionando conforto e alento
a quem vem de muito longe
e não sente há muito mais

o contato com a pele aveludada
em que o sentimento é nada,
mas a entrega e satisfação totais.

Na estrada de Korinthio para Atenas, 29 de setembro de 2012.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O tempo - Mário Quintana


"O tempo - Mário Quintana

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará."

domingo, 17 de novembro de 2013

Pontualidade


Pontualidade

Rodolfo Pamplona Filho
Achar natural
que outros esperem,
ainda que alguns segundos,
fazer algo que
só interessa a você
é o cúmulo da cara-de-pau
com a falta de noção...
E o pior de tudo
é quando se pede
que tenham consciência
para respeitar
o que só lhe interessa,
seja o embarque
(ou desembarque)
de alguém
ou mesmo
que algo ocorra
como se fosse
a mais importante
de todo o universo.
Como não se irritar
com as desculpas
ou justificativas
para seu atraso?
Ver rostos contritos,
olhos de gato de botas
ou um ar indignado
de quem foi vítima,
e não a causa
do irritante atraso
que prejudica todo mundo,
até mesmo a si...
E quem ousa reclamar,
deixando o silêncio conveniente,
para ser descrito
como um sujeito paranóico,
estressado ou simplesmente chato,
que fica inventando caso
ou querendo aparecer...
Pontualidade é respeito
ao tempo alheio!
E ponto!

Atenas, 29 de setembro de 2012.