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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Saudade de casa

 


Rodolfo Pamplona Filho


Por vezes, tenho vontade de chorar...


Sei o motivo, mas não consigo controlar


Há um vácuo que preenche o que era completo


Uma carência de beijo, dengo e afeto




Não sei o que é pior: a distância ou a despedida;


O romper do contato no momento da partida


Um olhar para trás, um abraço apertado,


um aceno tristonho, um olhar desolado...




Como uma dor machuca tanto sem ferir?


Como dominar o que posso apenas sentir?


A paz é arrancada desde a raiz


Uma marca viva que não vira cicatriz...




Pense duas vezes antes de reclamar


Dos problemas da vida, da rotina do lar...


Há tristeza que ninguém sabe como se mede


Só se valoriza o que se tem quando se perde




A lágrima vem solta e quente


Quem negar isso apenas mente


mas faz bem, porque, como um rio


leva o fel para um outro lado vazio....




A cada alvorecer, há uma nova esperança...


que surge inocente, como sorriso de criança,


mudando planos e rumos, batendo asa,


tudo por causa da saudade de casa...




Ciudad Real, 09 de setembro de 2008

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Natureza



Rodolfo Pamplona Filho



Quando as cores da aquarela


Se tornarem uma só


Quando a vida, então bela,


Virar fogo, virar pó




Quando o verde virar cinza


E o céu não for anil


Vida não era mais vida,


Homem-bicho será vil




Quando o sangue derramado


Escorrer por minha mão


Lembrarei que, algum dia,


Já vivi em comunhão




E era belo, e era lindo


E era tudo o meu viver:


Homem-planta, homem-flor,


Homem-homem, Homem-ser




Não sabia que havia


Vida pura e sem dor


Bicho e homem, seres iguais,


Já viveram com amor




(1990)


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Saudade de casa

 








Por vezes, tenho vontade de chorar...


Sei o motivo, mas não consigo controlar


Há um vácuo que preenche o que era completo


Uma carência de beijo, dengo e afeto




Não sei o que é pior: a distância ou a despedida;


O romper do contato no momento da partida


Um olhar para trás, um abraço apertado,


um aceno tristonho, um olhar desolado...




Como uma dor machuca tanto sem ferir?


Como dominar o que posso apenas sentir?


A paz é arrancada desde a raiz


Uma marca viva que não vira cicatriz...




Pense duas vezes antes de reclamar


Dos problemas da vida, da rotina do lar...


Há tristeza que ninguém sabe como se mede


Só se valoriza o que se tem quando se perde




A lágrima vem solta e quente


Quem negar isso apenas mente


mas faz bem, porque, como um rio


leva o fel para um outro lado vazio....




A cada alvorecer, há uma nova esperança...


que surge inocente, como sorriso de criança,


mudando planos e rumos, batendo asa,


tudo por causa da saudade de casa...




Ciudad Real, 09 de setembro de 2008

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Natureza

 

 







Quando as cores da aquarela


Se tornarem uma só


Quando a vida, então bela,


Virar fogo, virar pó




Quando o verde virar cinza


E o céu não for anil


Vida não era mais vida,


Homem-bicho será vil




Quando o sangue derramado


Escorrer por minha mão


Lembrarei que, algum dia,


Já vivi em comunhão




E era belo, e era lindo


E era tudo o meu viver:


Homem-planta, homem-flor,


Homem-homem, Homem-ser




Não sabia que havia


Vida pura e sem dor


Bicho e homem, seres iguais,


Já viveram com amor




(1990)


sábado, 9 de janeiro de 2021

Quem ama tem que entender



Quem ama tem que entender
Que por vezes na dá pra acontecer
Mas, isso não quer dizer que nunca dará
Só não dá agora, mas ainda pode dar
Quem ama tem que entender
que muitas vezes vai doer
Mas, isso não quer dizer que não passará
Apenas a dor do agora é difícil de aguentar
Quem ama tem que entender
Que quase sempre amar é sofrer
Mas, isso não quer dizer que não vale a pena lutar
O poeta disse que tudo vale a pena
Se a alma não é pequena


Interpretação: Zé Correia
Autoria: Rodolfo Pamplona

 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

O Cachorro da Minha Infância







O cachorro da minha infância
me ensinou muito mais do que eu poderia ensiná-lo.
Aprendi, com ele, que lealdade e amor não têm preço;
que é possível estar só no meio de um mundo de gente;
e que nunca se é só se há um amigo do lado...

Aprendi que não é loucura conversar sozinho,
pois haverá quem sempre entenda com um olhar
o sentimento de quem não consegue expressar
em palavras o que se carrega dentro do peito
como um segredo que se tem medo de compartilhar...

Aprendi que não é preciso morar junto
para ter a sensação que o outro faz parte da sua vida;
que conviver é a arte do respeito à diferença
e que a alegria do reencontro é a retomada
de uma estrada que nunca foi interrompida...

Aprendi que uma boa caminhada ajuda
a colocar muitas idéias no seu devido lugar...
que hora de carinho é hora somente de carinho,
sem me preocupar com quem está em volta...
e hora de brigar é hora de rosnar e colocar os dentes para fora...

Aprendi que companheirismo significou muito mais
do que comer o mesmo pão junto...
Foi brincar de dois amigos contra o mundo,
dois heróis contra o universo,
dois corações irmanados sem filtros da razão.

Tudo isso eu poderia aprender sozinho
ou com qualquer outro ser humano,
lendo, amando ou simplesmente vivendo...
mas, na verdade, foi mesmo convivendo
com quem, para mim, era muito mais do que gente:
O cachorro da minha infância...

Para Linho (1980-983) e Trois (1985-1990), os cachorros da minha infância
Campina Grande, 08 de maio de 2010

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O Cachorro da Minha Infância


Resultado de imagem para cachorro e criança




Rodolfo Pamplona Filho

O Cachorro da Minha Infância
me ensinou muito mais do que eu poderia ensiná-lo.
Aprendi, com ele, que lealdade e amor não têm preço;
que é possível estar só no meio de um mundo de gente;
e que nunca se é só se há um amigo do lado...

Aprendi que não é loucura conversar sozinho,
pois haverá quem sempre entenda com um olhar
o sentimento de quem não consegue expressar
em palavras o que se carrega dentro do peito
como um segredo que se tem medo de compartilhar...

Aprendi que não é preciso morar junto
para ter a sensação que o outro faz parte da sua vida;
que conviver é a arte do respeito à diferença
e que a alegria do reencontro é a retomada
de uma estrada que nunca foi interrompida...

Aprendi que uma boa caminhada ajuda
a colocar muitas idéias no seu devido lugar...
que hora de carinho é hora somente de carinho,
sem me preocupar com quem está em volta...
e hora de brigar é hora de rosnar e colocar os dentes para fora...

Aprendi que companheirismo significou muito mais
do que comer o mesmo pão junto...
Foi brincar de dois amigos contra o mundo,
dois heróis contra o universo,
dois corações irmanados sem filtros da razão.

Tudo isso eu poderia aprender sozinho
ou com qualquer outro ser humano,
lendo, amando ou simplesmente vivendo...
mas, na verdade, foi mesmo convivendo
com quem, para mim, era muito mais do que gente:
O cachorro da minha infância...

Para Linho (1980-983) e Trois (1985-1990), os cachorros da minha infância
Campina Grande, 08 de maio de 2010