quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Frustração

 



 

Rodolfo Pamplona Filho

 


Como lidar

com a frustração

quando mal se dá conta

de si próprio?



O desejo é ilimitado

e os recursos

da realidade

são finitos…


Assim, se percebe

a inevitabilidade

do sentimento;

a força

do constrangimento;

a imperatividade

do sofrimento.


 

Salvador, 02 de junho de 2023.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Minha matilha é a cara da diversidade - 2

 


 


Rodolfo Pamplona Filho


 


8 indivíduos

Tamanhos diferentes

Idades diferentes

Cada um com sua cor, em paleta de cores

Paridade (4 machos e 4 fêmeas)

4 duplas

2 de porte pequeno, 4 de porte médio e 2 de porte grande

2 mais velhos (Camille e Tchutchucão)

2 irmãos de sangue (Hans e Hannah) em uma família socioafetiva

2 grandões estabanados (Carlos e Joana)

2 baixinhos invocados (Buck e Simone)

1 feminista (Camille)

1 gordo (Tchuchucão)

1 troglodita convertido (Hans)

1 homo (Hannah)

1 hiperativo (Carlos)

1 periguete (Joana)

1 mauricinho (Buck)

1 com deficiência (Simone)


 

Mas todos amados sem qualquer restrição.


 

Salvador, 01 de agosto de 2023.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Rompendo





Rodolfo Pamplona Filho



E, de repente, o silêncio!!!

E o que era unidade

virou dois corpos abraçados

(mas não era a mesma coisa!)

E o silêncio persiste!!!

Palavras são emitidas,

mas parece não haver som

Confesso: estou com medo

(ela também!)

Medo de quê???

Medo de perdê-la

e nunca mais tê-la...

... de volta ... em meus braços

O rádio está ligado,

mas o silêncio continua... (insuportável!!!)

Fala-se sobre qualquer coisa,

mas o silêncio continua...

Será o fim?

Ou será apenas a explosão de outra neurose?

Enquanto escrevo,

meu corpo sua e treme!

Será febre?

Será medo?

Será que vou conseguir encontrar

alguém que eu goste de abraçar

alguém com quem eu possa conversar

alguém que eu possa amar,

sem ser você, amiga?

Acho difícil,


Acho impossível,

acho insuportável!

Mas, então, por que, meu Deus, por que?

Por que meu coração está confuso desse jeito?


Se eu a amo,

por que hesito?

Se não a amo,

por que existo?

Vejo seus olhos marejados

Sinto que ela vai chorar.

Se tenho vontade, por que não grito logo que a quero?

que a amo?

que a desejo?

Porque...

... sou imaturo

... sou um idiota

... sou influenciado por palavras que não vem da minha boca

nem da minha alma

nem do meu coração.

Mas, mesmo assim,

e por isso mesmo,

eu hesito quando

quando tudo seria bem mais fácil

e bem mais simples

se eu (mente, alma e coração)

apenas dissesse:


Meu amor, quero ficar contigo o resto de minha vida!


(11.10.92)

domingo, 2 de agosto de 2026

Amar, nunca me coube




(Mario Quintana)


Mas sempre transbordou

O rio de lembranças

Que um dia me afogou



E nesta correnteza

Fiquei a navegar

Embora, com certeza,

Não possa me salvar



Amar nunca me trouxe

Completo esquecimento

Mas antes me somou

Ao antigo tormento


E assim, cada vez mais,

Me prendo neste nó

E cada grito meu

Parece ser maior





sábado, 1 de agosto de 2026

Sorrisos





Rodolfo Pamplona Filho




Todo sorriso é um enigma

mais difícil que o da esfinge

pois não há saída: ele nos devora,

seja alegre ou seja triste!


Cada dente exposto,

cada expressão no rosto

contém uma mensagem

Cada olhar brilhante,

cada riso vibrante

transmite uma imagem


Ela sorri para mim?

Ou ela sorri de mim?

Compreender é tão difícil

quanto se espera um “sim”!

Não se sabe se um sorriso

é um beijo ou uma ironia!

Não se sabe se um sorriso

emana sarcasmo ou poesia!


Por isso mesmo,

repito sempre o lugar comum:

“Sorria sempre, mesmo

que seja um sorriso triste!

Pois antes um sorriso triste

do que a tristeza

de não saber sorrir!”


(1991)


Musicado por Iuri Lemos Vieira em 2006