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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Sorrisos



Rodolfo Pamplona Filho


Todo sorriso é um enigma

mais difícil que o da esfinge

pois não há saída: ele nos devora,

seja alegre ou seja triste!


Cada dente exposto,

cada expressão no rosto

contém uma mensagem

Cada olhar brilhante,

cada riso vibrante

transmite uma imagem


Ela sorri para mim?

Ou ela sorri de mim?

Compreender é tão difícil

quanto se espera um “sim”!

Não se sabe se um sorriso

é um beijo ou uma ironia!

Não se sabe se um sorriso

emana sarcasmo ou poesia!


Por isso mesmo,

repito sempre o lugar comum:

“Sorria sempre, mesmo

que seja um sorriso triste!

Pois antes um sorriso triste

do que a tristeza

de não saber sorrir!”


(1991)


Musicado por Iuri Lemos Vieira em 2006


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Tempo Rei





Gilberto Gil


Não me iludo

Tudo permanecerá

Do jeito que tem sido

Transcorrendo

Transformando

Tempo e espaço navegando

Todos os sentidos...


Pães de Açúcar

Corcovados

Fustigados pela chuva

E pelo eterno vento...


Água mole

Pedra dura

Tanto bate

Que não restará

Nem pensamento...


Tempo Rei!

Oh Tempo Rei!

Oh Tempo Rei!

Transformai

As velhas formas do viver

Ensinai-me

Oh Pai!

O que eu, ainda não sei

Mãe Senhora do Perpétuo

Socorrei!...


Pensamento!

Mesmo o fundamento

Singular do ser humano

De um momento, para o outro

Poderá não mais fundar

Nem gregos, nem baianos...


Mães zelosas

Pais corujas

Vejam como as águas

De repente ficam sujas...


Não se iludam

Não me iludo

Tudo agora mesmo

Pode estar por um segundo...


Tempo Rei!

Oh Tempo Rei!

Oh Tempo Rei!

Transformai

As velhas formas do viver

Ensinai-me

Oh Pai!

O que eu, ainda não sei

Mãe Senhora do Perpétuo

Socorrei!...



terça-feira, 25 de agosto de 2026

Morrer é Doce!



Rodolfo Pamplona Filho



Quando em meu peito, romper-se a corrente

Que a alma me prende à dor de viver

Não quero por mim, nem uma lágrima,

Nem um suspiro, nem um sofrer...

Não quero que uma nota de alegria

Se cale por meu passamento.

Não quero que um sorriso

Se apague pelo fim do meu triste tormento!


Viver foi peregrinar no deserto,

Procurando achar o que não estava escondido,

viver foi submergir no tédio,

Tentando encontrar o que já estava perdido

Quando se esgotar o meu suspiro,

Não desfolhe por mim sequer uma flor!

Não tornai outro ente matéria inútil.

Sozinho, da morte, deixai-me o torpor!


No meu epitáfio, escrevas:

Foi homem e, pela vida, passou

Como nas horas de um pesadelo

Que só, com a bela senhora, acordou


Descansem meu leito solitário

À sombra de um triste cipreste,

Numa floresta há muito esquecida

Onde não usurpem o que ainda me reste.

Este parece ser meu desejo final

Neste esperado momento de verdade nua.

Eis-me pronto para beijar a bela senhora

E ver como a morte é doce e crua!

(1989)

sábado, 1 de agosto de 2026

Sorrisos





Rodolfo Pamplona Filho




Todo sorriso é um enigma

mais difícil que o da esfinge

pois não há saída: ele nos devora,

seja alegre ou seja triste!


Cada dente exposto,

cada expressão no rosto

contém uma mensagem

Cada olhar brilhante,

cada riso vibrante

transmite uma imagem


Ela sorri para mim?

Ou ela sorri de mim?

Compreender é tão difícil

quanto se espera um “sim”!

Não se sabe se um sorriso

é um beijo ou uma ironia!

Não se sabe se um sorriso

emana sarcasmo ou poesia!


Por isso mesmo,

repito sempre o lugar comum:

“Sorria sempre, mesmo

que seja um sorriso triste!

Pois antes um sorriso triste

do que a tristeza

de não saber sorrir!”


(1991)


Musicado por Iuri Lemos Vieira em 2006


segunda-feira, 27 de julho de 2026

Tempo Rei






Gilberto Gil



Não me iludo

Tudo permanecerá

Do jeito que tem sido

Transcorrendo

Transformando

Tempo e espaço navegando

Todos os sentidos...



Pães de Açúcar

Corcovados

Fustigados pela chuva

E pelo eterno vento...



Água mole

Pedra dura

Tanto bate

Que não restará

Nem pensamento...



Tempo Rei!

Oh Tempo Rei!

Oh Tempo Rei!

Transformai

As velhas formas do viver

Ensinai-me

Oh Pai!

O que eu, ainda não sei

Mãe Senhora do Perpétuo

Socorrei!...



Pensamento!

Mesmo o fundamento

Singular do ser humano

De um momento, para o outro

Poderá não mais fundar

Nem gregos, nem baianos...



Mães zelosas

Pais corujas

Vejam como as águas

De repente ficam sujas...



Não se iludam

Não me iludo

Tudo agora mesmo

Pode estar por um segundo...



Tempo Rei!

Oh Tempo Rei!

Oh Tempo Rei!

Transformai

As velhas formas do viver

Ensinai-me

Oh Pai!

O que eu, ainda não sei

Mãe Senhora do Perpétuo

Socorrei!...


domingo, 26 de julho de 2026

Morrer é Doce!





Rodolfo Pamplona Filho



Quando em meu peito, romper-se a corrente

Que a alma me prende à dor de viver

Não quero por mim, nem uma lágrima,

Nem um suspiro, nem um sofrer...

Não quero que uma nota de alegria

Se cale por meu passamento.

Não quero que um sorriso

Se apague pelo fim do meu triste tormento!


Viver foi peregrinar no deserto,

Procurando achar o que não estava escondido,

viver foi submergir no tédio,

Tentando encontrar o que já estava perdido

Quando se esgotar o meu suspiro,

Não desfolhe por mim sequer uma flor!

Não tornai outro ente matéria inútil.

Sozinho, da morte, deixai-me o torpor!


No meu epitáfio, escrevas:

Foi homem e, pela vida, passou

Como nas horas de um pesadelo

Que só, com a bela senhora, acordou


Descansem meu leito solitário

À sombra de um triste cipreste,

Numa floresta há muito esquecida

Onde não usurpem o que ainda me reste.

Este parece ser meu desejo final

Neste esperado momento de verdade nua.

Eis-me pronto para beijar a bela senhora

E ver como a morte é doce e crua!


(1989)


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Poesias no Lençol







Letra e Música: Ricardo Guerra

Arranjo: Ricardo Guerra, Adelmo Schindler, Fabio Rocha e Cassio Brasil


Quero ser feliz

perto do meu bem querer!

É segredo, sim,

nosso jeito de viver!

Quero ser seu giz,

meio triste, meio sol,

e escrever em par

poesias no lençol!


Quero vê-la assim

numa nuvem de algodão:

engenheira, atriz,

dona do meu coração!

Quero ser seu giz,

meio triste, meio sol,

e escrever em par

poesias no lençol!


Eu quero ser o vento

que leva o tempo

que é arquiteto

a conduzir nosso balão:

Vamos pro norte,

pra marte,

vamos pra china,

vamos além dessa esquina,

que é feita de papelão!


sábado, 7 de fevereiro de 2026

On Every Street

 






Rodolfo Pamplona Filho




On Every Street


I can sleep


On Every Street


I can live


On Every Street


I can be myself




I don’t need a house


to have a shelter


I don’t need a job


to have a matter


I don’t need an office


to write a letter


I’d be a louse


if I can live better






I can take a shower with the rain


I can be everywhere without pain


I can survive without a home


but I don’t like to be alone


I don’t need money to be happy


I prefer to be poor than be a sadist


Homeless, Yes!


But Never Loveless...




San Francisco, 25 de setembro de 2010, dedicado a novas amizades (Carol e Chung) e a Victor Frost...

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Menino Deus









Caetano Veloso


Menino Deus

Um corpo azul dourado

Um porto alegre é bem mais que um seguro

na rota das nossas viagens no escuro

Menino Deus

Quando tua luz se acenda

a minha voz comporá tua lenda

e por um momento

haverá mais futuro do que jamais houve

Mas ouve a nossa harmonia

A eletricidade ligada no dia

em que brilharias por sobre a cidade

Menino Deus

Quando a flor do teu sexo abrir as pétalas para o universo

então por um lapso se encontrará nexo

ligando breus

dando sentido aos mundos

e aos corações sentimentos profundos

de terna alegria

no dia do Menino Deus.

sábado, 15 de março de 2025

Um Índio

 





Caetano Veloso

 


Um índio descerá de uma estrela colorida brilhante


de uma estrela que virá numa velocidade estonteante


e pousará no coração do hemisfério sul


na américa num claro  instante


depois de exterminada a última nação indígena


e o espírito dos pássaros das fontes de água límpida


mais avançado que a mais avançada


das mais avançadas das tecnologias


virá impávido que nem Muhamed Ali


virá que eu vi


apaixonadamente como Peri


virá que eu vi


tranqüilo e infalível como Bruce Lee


virá que eu vi


o axé do afoxé,  Filhos de Gandhi


virá 


um índio preservado em pleno corpo físico


em todo sólido , todo gás e todo líquido


em átomos, palavras, alma, cor,


em gesto, em cheiro, em sombra,


em luz, em som magnífico


num ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico


do objeto sim resplandecente descerá  o índio


e as coisa que ele dirá , fará não dizer 


assim de de um modo explícito


virá impávido que nem Muhamed Ali


virá que eu vi


apaixonadamente como Peri


virá que eu vi


tranqüilo  e infalível como Bruce Lee


virá que eu vi


o axé do afoxé,  Filhos de Gandhi 


virá 


 




e aquilo que nesse momento se  revelará aos povos


surpreenderá  a todos não por ser exótico


mas pelo fato de poder estar sempre


estado oculto quando terá sido o óbvio







quinta-feira, 13 de março de 2025

Carolina

 

 




Chico Buarque de Holanda





Carolina


Nos seus olhos fundos


Guarda tanta dor


A dor de todo esse mundo


Eu já lhe expliquei que não vai dar


Seu pranto não vai nada mudar


Eu já convidei para dançar


É hora, já sei, de aproveitar


Lá fora, amor


Uma rosa nasceu


Todo mundo sambou


Uma estrela caiu


Eu bem que mostrei sorrindo


Pela janela, ói que lindo


Mas Carolina não viu


Carolina


Nos seus olhos tristes


Guarda tanto amor


O amor que já não existe


Eu bem que avisei, vai acabar


De tudo lhe dei para aceitar


Mil versos cantei pra lhe agradar


Agora não sei como explicar


Lá fora, amor


Uma rosa morreu


Uma festa acabou


Nosso barco partiu


Eu bem que mostrei a ela


O tempo passou na janela


Só Carolina não viu








segunda-feira, 3 de março de 2025

Pedaço de Mim






 Chico Buarque




Notas


Oh, pedaço de mim


Oh, metade afastada de mim


Leva o teu olhar


Que a saudade é o pior tormento


É pior do que o esquecimento


É pior do que se entrevar




Oh, pedaço de mim


Oh, metade exilada de mim


Leva os teus sinais


Que a saudade dói como um barco


Que aos poucos descreve um arco


E evita atracar no cais




Oh, pedaço de mim


Oh, metade arrancada de mim


Leva o vulto teu


Que a saudade é o revés de um parto


A saudade é arrumar o quarto


Do filho que já morreu




Oh, pedaço de mim


Oh, metade amputada de mim


Leva o que há de ti


Que a saudade dói latejada


É assim como uma fisgada


No membro que já perdi




Oh, pedaço de mim


Oh, metade adorada de mim


Leva os olhos meus


Que a saudade é o pior castigo


E eu não quero levar comigo


A mortalha do amor


Adeus








terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Mais Bonito Não Há

 





Milton Nascimento e Tiago Iorc


Nada mais belo que olhar de criança no sol da manhã

Chuva de carinho é o que posso pedir nessa imagem tão sã

Lindo no horizonte o amanhã que eu nunca esqueci

Doce lembrança do sonho que eu vejo daqui


Ser amor pra quem anseia

Solidão de casa cheia

Dar a voz que incendeia

Ter um bom motivo para acreditar


Mais bonito não há

Pode acreditar

Mais bonito não há


Nada mais belo que abraço sereno e sabor de perdão

Ver a beleza e em gesto pequeno ter a imensidão

Como espalhar por aí qualquer coisa que faça sorrir

Aquietar o silêncio das dores daqui


Ser amor pra quem anseia

Solidão de casa cheia

Dar a voz que incendeia

Ter um bom motivo para acreditar


Mais bonito não há

Pode acreditar

Mais bonito não há

Pode acreditar


Ser amor pra quem anseia

Solidão de casa cheia

Dar a voz que incendeia

Ter um bom motivo para acreditar


Mais bonito não há

Pode acreditar

Mais bonito não há

Pode acreditar

Mais bonito não há

Pode acreditar

Mais bonito não há

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Todo Homem

 






Caetano Veloso (Part. Zeca Veloso e Moreno Veloso)


O sol, manhã de flor e sal

E areia no batom


Farol, saudades no varal

Vermelho, azul, marrom


Eu sou cordão umbilical

Pra mim nunca tá bom


E o sol queimando o meu jornal

Minha voz, minha luz, meu som


Todo homem precisa de uma mãe

Todo homem precisa de uma mãe


O céu, espuma de maçã

Barriga, dois irmãos


O meu cabelo negra lã

Nariz, e rosto, e mãos


O mel, a prata, o ouro e a rã

Cabeça e coração


E o céu se abre de manhã

Me abrigo em colo, em chão


Todo homem precisa de uma mãe

Todo homem precisa de uma mãe

Todo homem precisa de uma mãe

Todo homem precisa de uma mãe

sábado, 28 de dezembro de 2024

Oração ao Tempo

 





Caetano Veloso


És um senhor tão bonito

Quanto a cara do meu filho

Tempo, tempo, tempo, tempo

Vou te fazer um pedido

Tempo, tempo, tempo, tempo


Compositor de destinos

Tambor de todos os ritmos

Tempo, tempo, tempo, tempo

Entro num acordo contigo

Tempo, tempo, tempo, tempo


Por seres tão inventivo

E pareceres contínuo

Tempo, tempo, tempo, tempo

És um dos deuses mais lindos

Tempo, tempo, tempo, tempo


Que sejas ainda mais vivo

No som do meu estribilho

Tempo, tempo, tempo, tempo

Ouve bem o que te digo

Tempo, tempo, tempo, tempo


Peço-te o prazer legítimo

E o movimento preciso

Tempo, tempo, tempo, tempo

Quando o tempo for propício

Tempo, tempo, tempo, tempo


De modo que o meu espírito

Ganhe um brilho definido

Tempo, tempo, tempo, tempo

E eu espalhe benefícios

Tempo, tempo, tempo, tempo


O que usaremos pra isso

Fica guardado em sigilo

Tempo, tempo, tempo, tempo

Apenas contigo e comigo

Tempo, tempo, tempo, tempo


E quando eu tiver saído

Para fora do teu círculo

Tempo, tempo, tempo, tempo

Não serei nem terás sido

Tempo, tempo, tempo, tempo


Ainda assim acredito

Ser possível reunirmo-nos

Tempo, tempo, tempo, tempo

Num outro nível de vínculo

Tempo, tempo, tempo, tempo


Portanto, peço-te aquilo

E te ofereço elogios

Tempo, tempo, tempo, tempo

Nas rimas do meu estilo

Tempo, tempo, tempo, tempo

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

O Leãozinho

 





Caetano Veloso


Gosto muito de te ver, leãozinho

Caminhando sob o sol

Gosto muito de você, leãozinho


Para desentristecer, leãozinho

O meu coração tão só

Basta eu encontrar você no caminho


Um filhote de leão, raio da manhã

Arrastando o meu olhar como um ímã

O meu coração é o sol, pai de toda cor

Quando ele lhe doura a pele ao léu


Gosto de te ver ao sol, leãozinho

De te ver entrar no mar

Tua pele, tua luz, tua juba


Gosto de ficar ao sol, leãozinho

De molhar minha juba

De estar perto de você e entrar no mar


Um filhote de leão, raio da manhã

Arrastando o meu olhar como um ímã

O meu coração é o sol, pai de toda cor

Quando ele lhe doura a pele ao léu


Gosto de te ver ao sol, leãozinho

De te ver entrar no mar

Tua pele, tua luz, tua juba


Gosto de ficar ao sol, leãozinho

De molhar minha juba

De estar perto de você e entrar no mar

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Trem Bala

 





Ana Vilela 


Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si

É sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti

É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz

É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós


É saber se sentir infinito

Num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar

Então fazer valer a pena

Cada verso daquele poema sobre acreditar


Não é sobre chegar

No topo do mundo e saber que venceu

É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu

É sobre ser abrigo

E também ter morada em outros corações

E assim ter amigos contigo em todas as situações


A gente não pode ter tudo

Qual seria a graça do mundo se fosse assim?

Por isso eu prefiro sorrisos

E os presentes que a vida trouxe pra perto de mim


Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar

E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar

Também não é sobre

Correr contra o tempo pra ter sempre mais

Porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás


Segura teu filho no colo

Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui

Que a vida é trem-bala parceiro

E a gente é só passageiro prestes a partir


Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá

Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá


Segura teu filho no colo

Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui

Que a vida é trem-bala parceiro

E a gente é só passageiro prestes a partir

domingo, 22 de dezembro de 2024

Quem vai dizer tchau?

 





Nando Reis


Quando aconteceu? Não sei

Quando foi que eu deixei de te amar?

Quando a luz do poste não acendeu

Quando a sorte não mais soube ganhar

Não foi ontem que eu disse não

Mas quem vai dizer tchau?


Onde aconteceu? Não sei

Onde foi que eu deixei de te amar?

Dentro do quarto só estava eu

Dormindo antes de você chegar

Mas não foi ontem que eu disse não

Mas quem vai dizer tchau?


A gente não percebe o amor

Que se perde aos poucos sem virar carinho

Guardar lá dentro amor não impede

Que ele empedre mesmo crendo-se infinito

Tornar o amor real é expulsá-lo de você

Pra que ele possa ser de alguém


Somos se pudermos ser ainda

Fomos donos do que hoje não há mais

Houve o que houve é o que escondem em vão

Os pensamentos que preferem calar

Se não, irá nos ferir um não

Mas que não quer dizer tchau


A gente não percebe o amor

Que se perde aos poucos sem virar carinho

Guardar lá dentro amor não impede

Que ele empedre mesmo crendo-se infinito

Tornar o amor real é expulsá-lo de você

Pra que ele possa ser de alguém


Possa ser de alguém

Possa ser de alguém

Ser de alguém!

Oh! Não!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Pra você guardei o amor

 





Nando Reis


Pra você guardei o amor

Que nunca soube dar

O amor que tive e vi sem me deixar

Sentir sem conseguir provar

Sem entregar

E repartir


Pra você guardei o amor

Que sempre quis mostrar

O amor que vive em mim vem visitar

Sorrir, vem colorir solar

Vem esquentar

E permitir


Quem acolher o que ele tem e traz

Quem entender o que ele diz

No giz do gesto o jeito pronto

Do piscar dos cílios

Que o convite do silêncio

Exibe em cada olhar


Guardei

Sem ter porquê

Nem por razão

Ou coisa outra qualquer

Além de não saber como fazer

Pra ter um jeito meu de me mostrar


Achei

Vendo em você

Explicação

Nenhuma isso requer

Se o coração bater forte e arder

No fogo o gelo vai queimar


Pra você guardei o amor

Que aprendi vendo os meus pais

O amor que tive e recebi

E hoje posso dar livre e feliz

Céu cheiro e ar na cor que o arco-íris

Risca ao levitar


Vou nascer de novo

Lápis, edifício, tevere, ponte

Desenhar no seu quadril

Meus lábios beijam signos feito sinos

Trilho a infância, terço o berço

Do seu lar


Guardei

Sem ter porquê

Nem por razão

Ou coisa outra qualquer

Além de não saber como fazer

Pra ter um jeito meu de me mostrar


Achei

Vendo em você

Explicação

Nenhuma isso requer

Se o coração bater forte e arder

No fogo o gelo vai queimar


Pra você guardei o amor

Que nunca soube dar

O amor que tive e vi sem me deixar

Sentir sem conseguir provar

Sem entregar

E repartir


Quem acolher o que ele tem e traz

Quem entender o que ele diz

No giz do gesto o jeito pronto

Do piscar dos cílios

Que o convite do silêncio

Exibe em cada olhar


Guardei

Sem ter porquê

Nem por razão

Ou coisa outra qualquer

Além de não saber como fazer

Pra ter um jeito meu de me mostrar


Achei

Vendo em você

Explicação

Nenhuma isso requer

Se o coração bater forte e arder

No fogo o gelo vai queimar

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Viagem Passageira

 




Gal Costa


O sonho é ter tudo resolvido

Com o passar do tempo pela vida

A casca da ferida se formando

A cicatriz na pele do futuro

A pele do futuro finalmente

Imune ao corte, à lâmina do tempo

O tempo finalmente estilhaçado

E a poeira sumindo no horizonte


O sonho é ter tudo dissolvido

O corpo, a mente, a fonte da lembrança

Enfim, ponto final na esperança

Somente as ondas soltas no oceano

Não mais o esperma e o óvulo da morte

Não mais a incerteza do binário

Um tempo liso sem o fuso horário


Não mais um sim, um não, um sul, um norte

O sonho dessa canção passageira

Mochila da viagem passageira

Passagem nessa vida passageira

Para uma vida ainda passageira