Rodolfo Pamplona Filho
Saudades...
Sinto saudades...
Saudades
de teu carinho,
de teu beijo,
de teu corpo,
de teu sexo,
de tudo que te faz só ti,
de tudo que te faz só minha,
de tudo que me faz só teu...
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
Rodolfo Pamplona Filho
Saudades...
Sinto saudades...
Saudades
de teu carinho,
de teu beijo,
de teu corpo,
de teu sexo,
de tudo que te faz só ti,
de tudo que te faz só minha,
de tudo que me faz só teu...
Heitor Lima
A última brasa ardeu na cinza adusta:
Tudo passou, tudo se fez em poeira...
E na minha alma, que o abandono assusta,
Morre a luz da esperança derradeira.
O amor mais casto, a aspiração mais justa
Têm a desilusão para fronteira...
Um momento de sonho às vezes custa
O sacrifício da existência inteira!
Chama efêmera, o amor! Baldado surto,
A glória! Ah! coração mesquinho e raso...
Ah! pensamento presumido e curto...
E o amor, que arrasta, e a glória, que fascina,
— Tudo se perderá no mesmo ocaso
E se confundirá na mesma ruína.
Cláudia Barral
Te amo como a moça que arde em febre e não dorme
Por longos corredores desertos
Antes mesmo de te amar
Como a um filho
Como a um irmão
Como alguém partindo em breve
Como é o consentir
Como o momento em que acaba a missão de esperar
Como o sol nos pátios dos sanatórios, dos presídios e
[entre rostos de vidro dos santos das catedrais
Como se sua voz fosse a luz
Como alguém que acabou de dar-se conta que é feito
[somente de lembranças
(Álvares de Azevedo)
Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!Na tu’alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábios beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!Quero viver d’esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha’alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!
(Vinicius de Moraes)
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem amaEu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Luís de Camões
Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.
Rodolfo Pamplona Filho
Eu não sinto falta de você,
mas do amor que eu sentia
Eu não sinto vontade de voltar,
mas saudade da companhia
Eu não suportaria reviver as brigas,
mas me agradaria lembrar as risadas
Eu não aguentaria reviver o que vivi,
mas não posso dizer que me arrependi
Eu tomei consciência do que sofri
e, por isto, nunca mais seguirei este caminho.
Em 16 de setembro de 2023, no voo de Campinas para Salvador.
Eu te amo
no coração e no sovaco,
até mesmo quando
você não tiver saco
de aguentar minha sensibilidade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
até mesmo quando
o tempo estiver opaco
e buscar o sol seja uma necessidade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
morando em castelo
ou vivendo em barraco,
pois riqueza não vence a lealdade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
e, definitivamente, não deixarei
que fiquem dando pitaco
em nossa cumplicidade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
e, com você, tudo enfrentarei,
sem medo de cair em buraco
para matar nossa saudade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
e, para sempre, serei
o seu animado macaco,
mesmo tendo chegado a maturidade
Eu te amo
no coração e no sovaco!
Com você, conquistei a liberdade
de vestir o meu casaco
e amar alguém de verdade
São Paulo, 19 de agosto de 2023.
Luís de Camões
Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.
Rodolfo Pamplona Filho
Quer-se viver
uma convivência Dez
mas o que mais se tem
é um relacionamento Des:
Desanimado,
Desequilibrado,
Desconfiado…
E é assim:
Descontrolado
Desesperado
Desesperado
que se vai sobrevivendo…
Falta a base
para a construção
de uma real intimidade,
a vivência no giro do ciclo da vida
O valor dessa intimidade
tende a prevalecer
na medida em que o tempo passa
Pois tudo pesa
A confiança pesa
O sexo pesa
O social pesa
E não há o que fazer…
O que é somente de uma parte
não pode ser tratado por terceiros
Por mais que seja fiel
Por mais que seja amoroso
Por mais que seja receptivo
Por mais que seja animado,
equilibrado e confiável,
não se pode mudar
o que não depende
verdadeiramente de si.
Macapá, 21 de maio de 2026.
Barros Alves
Viver o amor é cometer loucuras,
É apaixonar-se desabridamente.
É morrer de prazer e, de repente,
Esquecer pundonores e posturas.
Muito amar é perder a compostura
Ante as normas que essa pobre gente
Quer-nos impingir hipocritamente,
Mas, o amante a rechaça com bravura.
Pois se amar loucamente é vil pecado,
Que nos deixa do céu ao desabrigo,
Pobre de mim! Sou louco apaixonado.
Desde o ventre materno condenado
Da vida levarei para o jazigo
O jugo desse amor desesperado.
Elisandro Carvalho
Amor é quase tudo,
dizes com acerto,
Mas o quase, em seu vulto,
é segredo encoberto.
O que falta ao amor,
perguntas, em lamento,
Para ser mais profundo,
um etéreo sentimento?
Talvez seja o cuidado
nas horas fugidias,
A carícia espontânea
que alivia os dias,
O apoio incondicional
que ampara sem demora,
A entrega sem retorno
que em nós se ancora.
Amor é quase tudo,
um mistério constante,
Mas o quase, decerto,
não é menos relevante.
O que falta ao amor
para ser sem cessar,
Um fio interminável,
um eterno despertar?
Talvez seja o mistério
nos olhares cruzados,
O suspiro no espelho,
em sonhos revelados,
O desabafo em lágrimas
que purifica a alma,
O frio na barriga
que o coração acalma.
Amor é quase tudo,
um tudo que nos parte,
Mas o quase, na verdade,
é a chave desta arte.
O que falta ao amor
para ser esmagador,
Um peso delicado,
um infinito calor?
Talvez o bilhete
de palavras sussurradas,
A surpresa matutina
nas manhãs desejadas,
Dormir em braços firmes,
sonhar sem se afastar,
Pois amor é quase tudo,
e o quase é completar.
Rodolfo Pamplona Filho
Eu não sinto falta de você,
mas do amor que eu sentia
Eu não sinto vontade de voltar,
mas saudade da companhia
Eu não suportaria reviver as brigas,
mas me agradaria lembrar as risadas
Eu não aguentaria reviver o que vivi,
mas não posso dizer que me arrependi
Eu tomei consciência do que sofri
e, por isto, nunca mais seguirei este caminho.
Em 16 de setembro de 2023, no voo de Campinas para Salvador.
Rodolfo Pamplona Filho
Eu te amo
no coração e no sovaco,
até mesmo quando
você não tiver saco
de aguentar minha sensibilidade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
até mesmo quando
o tempo estiver opaco
e buscar o sol seja uma necessidade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
morando em castelo
ou vivendo em barraco,
pois riqueza não vence a lealdade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
e, definitivamente, não deixarei
que fiquem dando pitaco
em nossa cumplicidade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
e, com você, tudo enfrentarei,
sem medo de cair em buraco
para matar nossa saudade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
e, para sempre, serei
o seu animado macaco,
mesmo tendo chegado a maturidade
Eu te amo
no coração e no sovaco!
Com você, conquistei a liberdade
de vestir o meu casaco
e amar alguém de verdade
São Paulo, 19 de agosto de 2023.
Rodolfo Pamplona Filho
Eu te amo
no coração e no sovaco,
até mesmo quando
você não tiver saco
de aguentar minha sensibilidade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
até mesmo quando
o tempo estiver opaco
e buscar o sol seja uma necessidade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
morando em castelo
ou vivendo em barraco,
pois riqueza não vence a lealdade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
e, definitivamente, não deixarei
que fiquem dando pitaco
em nossa cumplicidade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
e, com você, tudo enfrentarei,
sem medo de cair em buraco
para matar nossa saudade
Eu te amo
no coração e no sovaco,
e, para sempre, serei
o seu animado macaco,
mesmo tendo chegado a maturidade
Eu te amo
no coração e no sovaco!
Com você, conquistei a liberdade
de vestir o meu casaco
e amar alguém de verdade
São Paulo, 19 de agosto de 2023.
Taumaturgo Vaz
Aqui na terra, desiludido
Tonto, perdido,
Saio das cinzas deste vulcão,
Para ouvir missa na capelinha,
Lá, onde mora Minha Madrinha,
Nossa Senhora da Conceição!
Ao pé do nicho branco e enflorado,
Ajoelhado,
De olhos abertos fitos no altar
Rezo baixinho... Santa alegria!
Minha Madrinha! Ave Maria!
Cheia de Graça! Graça sem par!
Mãe de Jesus! Flor do Carinho!
Secai os cardos do meu caminho!
Livrai-me do ódio de Humanidade!
Da inveja torpe, da iniqüidade
E da traição,
Que ora andam soltos e voejando,
Como de Corvos um negro bando,
Sob a amplidão!
Tende Piedade, doce Rainha!
Minha Madrinha! Minha Madrinha!
Nossa Senhora da Conceição!
Olhai, oh Virgem, quantos tormentos
Sofrem os justos! Quantos lamentos
Soltos aos ventos!
Quanta miséria! Quanto pesar!
Cessai, oh Virgem, esta Agonia,
Minha Madrinha! Ave Maria!
Cheia de Graça, Graça sem par!
Lá nos Palácios o oiro e o incenso,
Risos e danças, um mundo imenso
De luz e pompas, sedas e aromas,
Lembrando os velhos tempos de Roma
A era negra da perdição!
E fora, o pranto, o frio, a fome...
Tudo que é triste, fere e consome
os pobres velhos e as criancinhas!
Vinde por eles, Minha Madrinha!
Nossa Senhora da Conceição!
De olhos abertos fico rezando
Fora do mundo, junto do altar,
Vendo chegar o doce bando
Das esperanças,
— Anjos formosos, meigas crianças
Rubras centelhas
Dos céus descidos para o Perdão!
E, como a Virgem tudo adivinha,
Ri-se bondosa. Salve Rainha!
Cheia de Graça! Minha Madrinha!
Nossa Senhora da Conceição!
Chico Buarque
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
Janete Fonseca
Molhadas areias brancas
Teu rastro de silêncio apagam,
Levando-te para o fundo do mar,
Vestido de vento e sal
Entre folhagens de algas
de emaranhadas cabeleiras,
Guerreiro do mar repousa,
Nessa floresta marinha
Canto para o meu amado,
Entre os habitantes marinhos
por trilhas de corais
e caracóis dançarinos
Conquistador de mares,
Dorme teu sono eterno,
Pois da sedutora sereia
a voz não mais ouvirás
Brinca com os habitantes d'água
E quando o pranto da saudade
Tu'alma dormida buscar,
Foge em cavalos marinhos
E nas estrelas do mar,
Olvida teus sonhos
De amor,
em paz
Uma voz amiga me diz
que não te verei jamais,
mas meu amor te recorda sempre,
vestido de vento e sal.
Chico Buarque
Notas
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
Paulo Leminski
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto