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domingo, 19 de julho de 2026

Receita de poema




Antonio Carlos Secchin.




Um poema que desaparecesse

à medida que fosse nascendo,

e que dele nada então restasse

senão o silêncio de estar não sendo.


Que nele apenas ecoasse

o som do vazio mais pleno.

E depois que tudo matasse

morresse do próprio veneno.


terça-feira, 7 de julho de 2026

O fim e a glória





Rogério Medeiros



Fim de mandato.

Não foi fácil

Presidir um tribunal eleitoral.



Muitas aflições.

Pandemia do coronavírus,

A pior delas.



Problemas internos,

Pressões externas.

O poder é sempre solitário.



Decidir, eis o desafio.

Coragem e integridade,

Sempre.



Já dizia Einstein:

Uma hora namorando,

Parece um minuto;

Um minuto,

Sentado sobre um formigueiro,

Parece uma hora...



Fiquei durante um ano

Sentado sobre um formigueiro.

Pareceu-me uma eternidade.



Fiz o que pude e

Creio que fiz bem.

Não fui perfeito, ninguém é.



Agora, recordo Tom Jobim e

Vou viver a derradeira glória do ser humano:

Andar nas ruas,

Como um ilustre desconhecido.





quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Com os quatro elementos






Negra Luz



Eu preciso mergulhar nos meus abissais

Deixar-me confrontar com os recifes

Ir à crista

Me quebrar

E me render



Eu preciso alcançar a rocha oculta

Fragmentar, em seixos, a culpa

Reagir

Confiar

E transcender



Eu preciso do furacão de vida

A redesenhar meus sentimentos

Entender o meu momento

Tornar-me brisa

E amanhecer



Eu preciso da larva quente do desejo

Que se acende com um beijo

Se é chama, que queime o meu peito

Gerar fumaça e fogo

E, só assim, dizer amar você.




terça-feira, 5 de agosto de 2025

Not a dreamer anymore





(Negra Luz)


Não mais uma sonhadora.

Só uma sobrevivente,seguindo adiante.

Como Moisés, vou atravessando meus mares.

Haveria uma outra terra prometida?

Receberia o maná da Igualdade?

Um mundo cujos sobreviventes sejam para além dos humanos?


A humanidade, que aí está, falhou.

Se sangra, sangra e ver sangrar.

Tudo com o mesmo sentir.

Ligamos o módulo: Não tem jeito! Melhor nem ver! Que posso fazer? Eu sei o que é isso!

Tudo igual! 

Um mesma frequência!

Uma mesma sintonia! 

Agonia.

Dor.

Tudo conforme!


Inconformo, não depositando moedas nas fontes dos desejos.

Sigo apenas

Silente,

Tento não sintonizar as rádios que mitigam um Mundo de dor.


Minha frequência está aí 

Nas feridas da Mulher,

Na dor dos Pretos,

Na fome,

Nos hospitais ,

Nos esquecimentos.

Ondas longas, em curtas memórias,

Encapsularam os sonhos dessa vida aqui.



sexta-feira, 1 de agosto de 2025

AMARGO PRESENTE-PASSADO

 






A caravela ancorova em outras terras

O bramido da revolta ecoava pelo verde intocado

Os sonidos das correntes esmorecia o belicoso  

Os irados resvalavam sobre os traidores

Os olhares fixos teciam uma despedida

Suas almas saudosistas, mortas sobre o azul pairavam

O mar se quebrava em dois

Gritam os porões para a imensidão

Bramidos de guerra que se enfraqueciam 

- Vermelho de dor, toma de  trevas este azul atlântico!

"Mãe gentil", verde de resquícios amarelos

Tu que recepciona os acorrentados

Por que traístes aqueles que por ti foram adotados?

Sangue escorre pelos que lutam

Fazem fronte os revoltados

"Liberdade, liberdade!" Onde ficas para que ti alcancem?

A dança e cantos guardam a saudade do passado

A força esbraveja dentro dos que tem esperança

Até que eis os enlaces estraçalhados

Livres estão os que foram escravizados

Mas contemporaneidade  que os abarca, onde estão teus direitos?

És tu uma farça moralista? 

Sociedade, por que encarcera os livres?

Por que matas os que lutam por ti?

Por que negas carinho para os que querem amor?

Respeito para os que do alto exigem

Prisão para aqueles que embaixo vivem

Por que essa regra de tamanha estranheza?

Persistentes estigmas perversos aprisionam os iguais.

Tristes desses que lançam para longe benéficos ideais. 

"Igualdade, igualdade" onde ficas para que ti alcancem?



PAULO HENRIQUE NOVAIS SANTOS

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Depois, O Arco-íris

 




Negra Luz




Tempestades que me cercam

Ecoam maiores do que são.

Ouço como tambores rufando,

Apenas cânticos de libertação.


Visões de ondas gigantes,

Devastando o meu coração,

Só gotas de orvalho ao pé do ouvido,

Tilintar da minha emoção.


O farol girando sem rumo,

Sem apontar para onde devo ir.

Nada demais, só sinais.

Cada passo indica para onde se deve ir.


Há lama na estrada,

Fios em curto a atravessar.

Quando no meio do caminho há pedras,

Pare, pense e se encontrará.


Os raios que balançam,

Embalam a sua razão,

Aguçam os seus medos retidos,

Mas iluminam a sua ação.


Depois da tempestade

Alastrada dentro de ti,

Sentirá o arco-íris,

Espectro de vida, nascentes brotando em ti.



quarta-feira, 23 de julho de 2025

Arraia no ar não tem dono





Rodolfo Pamplona Filho


Arraia no ar

não tem dono:

é de quem primeiro pegar

e sair soltando!

Como uma oportunidade que surge,

como um amor que nasce,

como uma ideia a desenvolver,

como um poema a recitar...


Arraia no ar

não tem dono:

é de quem primeiro pegar

e sair soltando!


Salvador, 02 de fevereiro de 2020.

domingo, 20 de julho de 2025

O fim e a glória





Rogério Medeiros




Fim de mandato.

Não foi fácil

Presidir um tribunal eleitoral.


Muitas aflições.

Pandemia do coronavírus,

A pior delas.


Problemas internos,

Pressões externas.

O poder é sempre solitário.


Decidir, eis o desafio.

Coragem e integridade,

Sempre.


Já dizia Einstein:

Uma hora namorando,

Parece um minuto;

Um minuto,

Sentado sobre um formigueiro,

Parece uma hora...


Fiquei durante um ano

Sentado sobre um formigueiro.

Pareceu-me uma eternidade.


Fiz o que pude e

Creio que fiz bem.

Não fui perfeito, ninguém é.


Agora, recordo Tom Jobim e

Vou viver a derradeira glória do ser humano:

Andar nas ruas,

Como um ilustre desconhecido.



terça-feira, 8 de julho de 2025

Receita de poema

 



Antonio Carlos Secchin.


Um poema que desaparecesse

à medida que fosse nascendo,

e que dele nada então restasse

senão o silêncio de estar não sendo.


Que nele apenas ecoasse

o som do vazio mais pleno.

E depois que tudo matasse

morresse do próprio veneno.



domingo, 19 de janeiro de 2025

Na preparação

 






Juliana Guanaes




você pode decidir não bater

e pode também decidir não apanhar.

Você de repente percebe

que para vencer, vencer de verdade,

todos precisam ganhar.

Fazer o que é melhor para si,

Adam estava incompleto.

Fazer o que é melhor para si e para o grupo

E quando todos estiverem satisfeitos

Encontraremos um equilíbrio perfeito.

Nash já sabia.

Isso também é jogo, é luta diária

Quem disse que seria fácil?

Bater até cansar...

Apanhar até morrer...

Mas, e coletivizar para viver?

Agora é hora de praticar.

Vem, vamos nos preparar.




domingo, 23 de junho de 2024

Entre quatro paredes







Negra Luz


Vale tudo, logo cedo aprendi

Enquadrada nas minhas escolhas

Tudo vale ali


Em Lençóis listrados

Margens dos dois lados

30 linhas: início e fim


Liberto-me de todos os pecados

Permito-me em todo invadir

Me desnudo não só para mim


Passiva ou ativa

Direta ou indireta

Auxiliar como o haver no existir


Cubro as vergonhas com metáforas

Flor beijando o colibri

Cálice do orvalho de ti


E conectando os sentidos

Coerente com o sentido

Deixo me inteira fluir


A seguir, abro as portas

A realidade estampada

A mulher ocultada revelou-se bem alí



quarta-feira, 5 de junho de 2024

Com os quatro elementos

 





Negra Luz





 Eu preciso mergulhar nos meus abissais


Deixar-me confrontar com os recifes

Ir à crista

Me quebrar 

E me render


Eu preciso alcançar a rocha oculta

Fragmentar, em seixos, a culpa

Reagir

Confiar 

E transcender


Eu preciso do furacão de vida

A redesenhar meus sentimentos

Entender o meu momento 

Tornar-me brisa

E amanhecer 


Eu preciso da larva quente do desejo

Que se acende com um beijo

Se é chama, que queime o meu peito

Gerar fumaça e fogo

E, só assim, dizer amar você.



sexta-feira, 5 de maio de 2023

Na preparação

 





você pode decidir não bater

e pode também decidir não apanhar.

Você de repente percebe

que para vencer, vencer de verdade,

todos precisam ganhar.

Fazer o que é melhor para si,

Adam estava incompleto.

Fazer o que é melhor para si e para o grupo

E quando todos estiverem satisfeitos

Encontraremos um equilíbrio perfeito.

Nash já sabia.

Isso também é jogo, é luta diária

Quem disse que seria fácil?

Bater até cansar...

Apanhar até morrer...

Mas, e coletivizar para viver?

Agora é hora de praticar.

Vem, vamos nos preparar.



Juliana Guanaes

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Poucas luzes

 




São poucas as luzes nessa madrugada,

trazendo para minha vida iluminação!

 Depois que fui arrebatada da sua presença...


De estar com você ao alcance das mãos,

É muita penumbra, sombras de ilusão.

Não há, no horizonte, estrela d’alva a guiar-me rumo a sua direção.

 

Não sei o caminho.

Há pregadas em labirintos no nosso destino

E isto aumenta a espera saudosa em meu coração.


São poucas as luzes nessa madrugada, trazendo para minha vida iluminação!

O Mundo dá voltas

E eu avalio:

Quem sabe um dia as nossas coordenadas

Se cruzem certeiras ao alvedrio?

E nos permitam videntes amantes de um lindo caminho

Em que o sol seja luz de nova trajetória

Agora, escrevendo-se história sem desalinhos,

Apagando-se a memória da profunda tristeza

Que foi na vida estar sozinha.


(Negra Luz)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Depois, O Arco-íris







Tempestades que me cercam
Ecoam maiores do que são.
Ouço como tambores rufando,
Apenas cânticos de libertação.

Visões de ondas gigantes,
Devastando o meu coração,
Só gotas de orvalho ao pé do ouvido,
Tilintar da minha emoção.

O farol girando sem rumo,
Sem apontar para onde devo ir.
Nada demais, só sinais.
Cada passo indica para onde se deve ir.

Há lama na estrada,
Fios em curto a atravessar.
Quando no meio do caminho há pedras,
Pare, pense e se encontrará.

Os raios que balançam,
Embalam a sua razão,
Aguçam os seus medos retidos,
Mas iluminam a sua ação.

Depois da tempestade
Alastrada dentro de ti,
Sentirá o arco-íris,
Espectro de vida, nascentes brotando em ti.
Negra Luz

sábado, 25 de dezembro de 2021

Na preparação








você pode decidir não bater
e pode também decidir não apanhar.
Você de repente percebe
que para vencer, vencer de verdade,
todos precisam ganhar.
Fazer o que é melhor para si,
Adam estava incompleto.
Fazer o que é melhor para si e para o grupo
E quando todos estiverem satisfeitos
Encontraremos um equilíbrio perfeito.
Nash já sabia.
Isso também é jogo, é luta diária
Quem disse que seria fácil?
Bater até cansar...
Apanhar até morrer...
Mas, e coletivizar para viver?
Agora é hora de praticar.
Vem, vamos nos preparar.


Juliana Guanaes

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

AMARGO PRESENTE-PASSADO



                                      
       

A caravela ancorava em outras terras

O bramido da revolta ecoava pelo verde intocado
Os sonidos das correntes esmorecia o belicoso
Os irados resvalavam sobre os traidores
Os olhares fixos teciam uma despedida
Suas almas saudosistas, mortas sobre o azul pairavam
O mar se quebrava em dois
Gritam os porões para a imensidão
Bramidos de guerra que se enfraqueciam
- Vermelho de dor, toma de trevas este azul atlântico!
"Mãe gentil", verde de resquícios amarelos
Tu que recepciona os acorrentados
Por que traístes aqueles que por ti foram adotados?
Sangue escorre pelos que lutam
Fazem fronte os revoltados
"Liberdade, liberdade!" Onde ficas para que ti alcancem?
A dança e cantos guardam a saudade do passado
A força esbraveja dentro dos que tem esperança
Até que eis os enlaces estraçalhados
Livres estão os que foram escravizados
Mas contemporaneidade que os abarca, onde estão teus direitos?
És tu uma farça moralista?
Sociedade, por que encarcera os livres?
Por que matas os que lutam por ti?
Por que negas carinho para os que querem amor?
Respeito para os que do alto exigem
Prisão para aqueles que embaixo vivem
Por que essa regra de tamanha estranheza?
Persistentes estigmas perversos aprisionam os iguais.
Tristes desses que lançam para longe benéficos ideais.
"Igualdade, igualdade" onde ficas para que ti alcancem?



PAULO HENRIQUE NOVAIS SANTOS

domingo, 3 de outubro de 2021

Com os quatro elementos





Eu preciso mergulhar nos meus abissais
Deixar-me confrontar com os recifes
Ir à crista
Me quebrar
E me render


Eu preciso alcançar a rocha oculta
Fragmentar, em seixos, a culpa
Reagir
Confiar
E transcender


Eu preciso do furacão de vida
A redesenhar meus sentimentos
Entender o meu momento
Tornar-me brisa
E amanhecer


Eu preciso da larva quente do desejo
Que se acende com um beijo
Se é chama, que queime o meu peito
Gerar fumaça e fogo
E, só assim, dizer amar você.


Negra Luz

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Na preparação







você pode decidir não bater
e pode também decidir não apanhar.
Você de repente percebe
que para vencer, vencer de verdade,
todos precisam ganhar.
Fazer o que é melhor para si,
Adam estava incompleto.
Fazer o que é melhor para si e para o grupo
E quando todos estiverem satisfeitos
Encontraremos um equilíbrio perfeito.
Nash já sabia.
Isso também é jogo, é luta diária
Quem disse que seria fácil?
Bater até cansar...
Apanhar até morrer...
Mas, e coletivizar para viver?
Agora é hora de praticar.
Vem, vamos nos preparar.


Juliana Guanaes

sábado, 7 de agosto de 2021

Com os quatro elementos






Eu preciso mergulhar nos meus abissais
Deixar-me confrontar com os recifes
Ir à crista
Me quebrar
E me render


Eu preciso alcançar a rocha oculta
Fragmentar, em seixos, a culpa
Reagir
Confiar
E transcender


Eu preciso do furacão de vida
A redesenhar meus sentimentos
Entender o meu momento
Tornar-me brisa
E amanhecer


Eu preciso da larva quente do desejo
Que se acende com um beijo
Se é chama, que queime o meu peito
Gerar fumaça e fogo
E, só assim, dizer amar você.


Negra Luz