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domingo, 30 de agosto de 2026

Coisa Amar



Manuel Alegre




Contar-te longamente as perigosas

coisas do mar. Contar-te o amor ardente

e as ilhas que só há no verbo amar.

Contar-te longamente longamente.



Amor ardente. Amor ardente. E mar.

Contar-te longamente as misteriosas

maravilhas do verbo navegar.

E mar. Amar: as coisas perigosas.



Contar-te longamente que já foi

num tempo doce coisa amar. E mar.

Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.



Contar-te o mar ardente e o verbo amar.

E longamente as coisas perigosas.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A Banalização da Morte

 



Rodolfo Pamplona Filho




A TV divulga, a rádio anuncia,

o jornal comunica

o saldo das mortes do final de semana...

o trânsito, o acidente doméstico

ou a costumeira e pontual queima de arquivo...



Normal...



Ouvimos impassíveis,

tomando o café nosso de cada dia,

no meio das notícias políticas

ou da alegria ou tristeza com

o resultado do jogo do nosso time...



Normal...



Não há espaço para indignação,

nem mesmo há tempo para isso...

A informação passa por

nossos olhos e ouvidos

como uma brisa imperceptível...



Normal...



O sangue escorre das imagens,

do som e dos papéis...

mas não se sente nada...

Anestesia coletiva, difusa e impessoal...

A apatia e a indiferença

não fazem acepção de pessoas...



Normal...


Normal?




Salvador, 16 de agosto de 2010, uma segunda-feira sangrenta...


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Coisa Amar

 





Manuel Alegre



Contar-te longamente as perigosas

coisas do mar. Contar-te o amor ardente

e as ilhas que só há no verbo amar.

Contar-te longamente longamente.



Amor ardente. Amor ardente. E mar.

Contar-te longamente as misteriosas

maravilhas do verbo navegar.

E mar. Amar: as coisas perigosas.



Contar-te longamente que já foi

num tempo doce coisa amar. E mar.

Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.



Contar-te o mar ardente e o verbo amar.

E longamente as coisas perigosas.


terça-feira, 28 de julho de 2026

A Banalização da Morte




Rodolfo Pamplona Filho


A TV divulga, a rádio anuncia,

o jornal comunica

o saldo das mortes do final de semana...

o trânsito, o acidente doméstico

ou a costumeira e pontual queima de arquivo...


Normal...


Ouvimos impassíveis,

tomando o café nosso de cada dia,

no meio das notícias políticas

ou da alegria ou tristeza com

o resultado do jogo do nosso time...


Normal...


Não há espaço para indignação,

nem mesmo há tempo para isso...

A informação passa por

nossos olhos e ouvidos

como uma brisa imperceptível...


Normal...


O sangue escorre das imagens,

do som e dos papéis...

mas não se sente nada...

Anestesia coletiva, difusa e impessoal...

A apatia e a indiferença

não fazem acepção de pessoas...


Normal...


Normal?



Salvador, 16 de agosto de 2010, uma segunda-feira sangrenta...

domingo, 5 de abril de 2026

Fake News na Pandemia





Rodolfo Pamplona Filho


A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.


 


Salvador, 25 de julho de 2020

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Relacionamento



 



Rodolfo Pamplona Filho



Vou embora! 

Não fico mais aqui! 

Estou arrumando as minhas coisas! 

Vou sair! 

Tchau 

(...) 


“Você não vai correr atrás de mim?” 

terça-feira, 24 de março de 2026

Comunicação

 




Rodolfo Pamplona Filho


A maior distância  

entre duas pessoas 

é o mal-entendido 


O maior abismo  

entre dois seres  

é não ser compreendido  


Meias palavras 

Frases não ditas 

Falta de diálogo  



Ausência de interação  

Gap de cognição  

Problemas de comunicação  


 


Salvador, 25 de janeiro de 2021. 

sábado, 7 de março de 2026

O fim do diálogo




Rodolfo Pamplona Filho


 “Não quero falar!

Minha cabeça está cheia demais!

Cuido de todo mundo, 

mas a prioridade agora sou eu!”

Este é o momento 

em que todo diálogo morreu.


Salvador, 28 de dezembro de 2019.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Adolescente





E aí?


Mano


Top


De boa


Se ligue


Man


Véi 


Baratino


Barril


Sipá 


Sepa


Pala


Paia 


Partiu


Morro de São Paulo, 02 de janeiro de 2020.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Fake News na Pandemia



 


Rodolfo Pamplona Filho



A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.



Salvador, 25 de julho de 2020

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Como é a nossa escrita








Ludmila Costa




Como é a nossa escrita


vista por outros leitores?


Causa dor?


Causa amor?


Causa raiva?


Causa tristeza?


Causa inspiração?


Que causemos um pouco de tudo


menos a solidão de não ser lido!


Justa causa amar a poesia!








sábado, 16 de agosto de 2025

Azulejos Quebrados (Soneto Desconectado)

 



Rodolfo Pamplona Filho


Do lixo à arte

Restos de parte

do que já serviu

e que servirá novamente


para adornar lindamente

o que outrora era feio

e, hoje, tornou-se belo,

como jamais se pensou ser...


na lógica do reciclar

azulejos quebrados

em novos formatos


de rostos, bichos e ditados,

surgindo de todos os lados,

sempre a nos encantar.



Guayaquil, 01 de outubro de 2013.

domingo, 13 de julho de 2025

(Re)Encontros Virtuais na Pandemia

 




Rodolfo Pamplona Filho


Há tanto tempo

que eu não te via

que parecia

uma lembrança

de um mundo distante...

Mas, neste instante,

parece que foi ontem

que me despedi de nosso papo,

que disse até amanhã,

que marcamos uma saída,

que vivemos a nossa vida...

Um brinde ao reencontro,

ainda que virtual,

pois, em tantos desencontros

da quarentena presencial,

há a plena certeza

de uma única fortaleza:

sempre volta a alegria,

até mesmo na pandemia,

pois o isolamento é efetivo,

mas nunca precisará ser afetivo...


Salvador, 28 de junho de 2020.

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Arte na Pandemia

 





Rodolfo Pamplona Filho



Aprendemos a viver

sem bares e restaurantes,

sem coisas que fazíamos antes,

mas não conseguimos

abrir mão da poesia,

do sentimento de alegria,

da música que contagia,

da arte que nos inebria...

Se há algo que se aprendeu

no isolamento da pandemia

foi que a arte sempre vive

e sempre será vida

no nosso dia-a-dia.


Salvador, 28 de junho de 2020.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Cabelo na Pandemia

 




Rodolfo Pamplona Filho


Na pandemia,

muitas coisas

crescem

sem parar

É o medo,

o receio

ou mesmo o terror.

Mas, abstraindo

o horror,

melhor falar

de uma coisa

com menos

(ou tanto)

terror!

É o cabelo que,

pelo lockdown,

não para de

me deixar mal!

Cresce, cresce,

Sem parar

Brancos

Assumidos

Grandes

Sem pentear

Sem pintar

Sem cortar

Sem controle

Sem ficar

no seu lugar...

Mas, aí dele,

pois, um dia,

voltarei

a cortar!

E, nesse dia,

hei de me vangloriar:

meu cabelo,

no espelho,

poderei olhar!


Salvador, 28 de junho de 2020.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Um brilho tênue





Cristiane França



Um brilho tênue...

Sem desesperos...

Sem atropelos...

Somente se põe em mim.

Ressurge forte ao amanhecer

Porque ternamente se pôs

Permitindo o anoitecer.

Temores das sombras não

calam tão fortemente no

Espírito... Pois,

os olhos já conheceram o sol!


sexta-feira, 13 de junho de 2025

Dia

 


 

Adélia Prado


As galinhas com susto abrem o bico

e param daquele jeito imóvel

- ia dizer imoral -

as barbelas e as cristas envermelhadas,

só as artérias palpitando no pescoço.

Uma mulher espantada com sexo:

mas gostando muito.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Adolescente

 






 


E aí?


Mano


Top


De boa


Se ligue


Man


Véi 


Baratino


Barril


Sipá 


Sepa


Pala


Paia 


Partiu




Morro de São Paulo, 02 de janeiro de 2020.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Excelência “De Boas”

 






Rodolfo Pamplona Filho 

Edson Saldanha




“Tá de boas, excelência!”

Excelente é sua postura;

sem grilos e sem problema

ajustou-se sem frescura!

Formalismos tem limites 

(com respeito, porque não?)

Faz o seu e eu faço o meu 

com presteza e educação

Neste mundo virtual, 

de permanente exposição

Excelência, use a toga,

mas mantenha o coração!

Todos juntos pelo justo, 

fazer justiça é prioritário!

Não precisa ser sisudo 

ou mais formal que o necessário:

basta ter sempre em mente

que estar “de boa”

é estar presente e contente 

com sua condição de pessoa!




Salvador, 06 de novembro de 2020

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Relacionamento

 



Rodolfo Pamplona Filho



Vou embora! 


Não fico mais aqui! 


Estou arrumando as minhas coisas! 


Vou sair! 


Tchau 


(...) 


“Você não vai correr atrás de mim?” 


 


Salvador, 24 de janeiro de 2021.