sexta-feira, 29 de maio de 2020

O mais bonito canto






Patrícia Ferreira dos Santos


Resultado de imagem para canto do passarinho

Qual será o mais bonito canto?
Do passarinho ou das cordas do violão a tocar?

Qual será o mais bonito canto?
Do beija-flor ou do eterno pássaro a chegar?

Qual será  o mais bonito canto?
Da inteligência ou do conhecimento?

Qual será o mais bonito canto?
Do sorriso ou do amor a cada momento?

Qual será a alegria de todos os poetas?
A sabedoria ou apenas o entendimento?


quinta-feira, 28 de maio de 2020

Refazendo a História









Rodolfo Pamplona Filho



Zuckember​
é Gutemberg ​
A internet​
é a imprensa​
O fundamentalismo​
é o nazismo​
O feminismo ​
é o comunismo
Michael Jackson​
é Elvis Presley​
Câncer ​
é a tuberculose ​
Alzheimer​
é a lepra ​
Ser branco​
é ser judeu
Steve Jobs​
é Karl Marx​
Honestidade ​
é virtude​
Deus​
é o dinheiro​
O anticristo ​
é o próximo.

Sábado, 20 de agosto de 2016,  literalmente no voo para São Paulo.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

A listinha de presentes


Resultado de imagem para presente



Negra Luz

Esse ano, a minha lista
Eu resolvi diminuir.
Ela será bem curtinha.
Em pouco espaço,
Será início, meio e fim

Papai, mamãe, vovó, o titia
Facilitei a vida para ti
O presentinho desejado
Nesse Mundo desanimado:
Tudo que me faça sorrir!

Ao sorrir posso contagiar
E ser contagiado
Recebendo o presente solicitado
No Mundo espalharemos o sorrir!

terça-feira, 26 de maio de 2020

Vida





Rodolfo Pamplona Filho

O passado é verdade concretizada.
O presente se acompanha.
O futuro se constrói...

Salvador, 23 de março de 2014

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Se o meu pai fosse meu filho...






Adriano Deiró


Quando vejo tudo nos trilhos, me pergunto como teria sido, se o meu pai fosse meu filho...

Como partido, ele haveria tido um avô amoroso e bem estabelecido...

Uma avó cheia de alegria, que dá cambalhota e faz estripulia...

Uma mamãe 'molinha', que sorri, acaricia e conta historinha...

Isso tudo me faz pensar, amar e entendê-lo, sem condicionar...

Como teria sido a sua história? Guardo em memoria, gratidão à sua improvável vitória.

Não teria apanhado...e talvez tivesse jogado em muitos outros gramados...

Teria sido criança, teria feito lambança, sem ter tido de si roubada a infância...

Não teria passado fome, andado desconfiado, ou tido algum dia, seu samba discriminado...

Tido seu próprio sapato, não seria jamais emprestado, sobretudo calçado apertado.

Questioná-lo, ficou no passado!

Por este calo, todo o meu apreço, recompensa que nunca me esqueço...
A que me permite ser pai de um guri, tal qual o meu nunca teve pra si.

domingo, 24 de maio de 2020

sábado, 23 de maio de 2020

Retrato








Cecília Meireles

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Quod Sum Eris




"Eu sou o que você será!"
Não é uma convocação,
nem muito menos uma maldição...
Não é um grito de guerra,
nem uma ordem para uma fera...
Não é manifestação de vaidade
ou um clamor de piedade...
Apenas é o réquiem escrito
na pedra de uma lápide,
como um registro infinito
do que virá mais tarde:
é a derradeira risada
de um cadáver putrefato...
é a última frase lançada
por quem foi abandonado...

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Homenagem em Cordel


O Professor


Matheus Boa Sorte

Doutor do direito lhe digo
Sem nem muito pestanejar
Vosmicê que é magistrado
Posso bem lhe afirmar
Que para além da profissão
És um amante do sertão
E veja que vou lhe provar
Começando pela merenda
Cuscuz, café e ovo frito
Num banquete que encanta
Por ser tão gostoso e bonito
Mas se der uma improvisada
Tem ravioli de polenta e rabada
Valei meu Santo Expedito

Teixeira de Freitas e Eunápolis
Ilhéus marcou seu coração
Cidades onde a excelência
Já exerceu sua profissão
O filho de Salvador
Pela Bahia inteira andou
Caminhando com os pés no chão

Filho de Seu Rodolfo
E da tão amada Maria
Escritor da rima fácil
E também torcedor do Bahia
Professor e palestrante
Com seu sorriso cativante
Vive a vida com poesia

Sem falar no pai presente
De um menino e uma menina
Apaixonado e orgulhoso
Por Rodolfo e pela Marina
Não há como não saber
Que por ser quem é você
O amor jamais termina

E o doutor ainda luta
Seja no boxe ou na vida
Cada ringue que encara
Sempre agrega uma torcida
Golpeando a impunidade
Sempre ao lado da verdade
Pois só essa é a saída

Mas não dá pra esquecer
Que ancê ainda é cantor
Apaixonado pela música
Bom ouvinte e rimador
Palestrante diferente
Homem justo e coerente
Um grande comunicador

Me despeço do meu verso
Sem deixar de mencionar
Que agora tu é youtuber
É importante eu falar
Que nas ondas digitais
Quem quiser um pouco mais
Fica fácil lhe achar

Rodolfo Pamplona Filho
Nome bonito de dizer
É amigo e generoso
Cabra bom de conviver
Antenado e respeitado
Homem multifacetado
Meu abraço pra você

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Foco, Consolo e Esperança







Rodolfo Pamplona Filho

Direcionar esforços
para realizar
o que não se tem
e que outros acreditam
que não se terá.
Esse é o Foco

Saber que o pior arrependimento
é de quem nem tenta
e que conhecimento,
adquirido com esforço,
nunca se perde.
Esse é o Consolo.

Ter a consciência de que nada muda,
se permanecer a letargia,
e que toda estrada é construída
com cada passo que se dá,
ainda que na direção do desconhecido.
Essa é a Esperança!

Essa é a tríade
que renova a sede de viver,
o gozo de cada novo dia,
o gosto de continuar respirando:
esse é o foco, o consolo e a esperança!

Salvador, 14 de fevereiro de 2017.

terça-feira, 19 de maio de 2020

O tema é poeta







Negra Luz

Hoje vou me poetizar.
Sou poeta:
Uma aprendiz do rimar.
Minha metáfora
Termina em AR

É verbo forte:
Amar a sintonia que há
Entre o poema e o que estou a desejar.
Versos estou a tramar.

Rimar o côncavo e o convexo.
Tentar escrever amor,
Mas só querendo pensar em sexo.
Ferir e deixar tudo pretérito.

Aplaudir a Deus, perpetuar mistérios,
Sem sair das linhas do meu hemisfério.
E depois voltar-me ao papel
Sem sair do sério

O tempo que passou, passou.
Seguir é destino certo.
A poesia me libertou
E eu, alada, viajo pelos meus versos.

Aqui não há temor
Rimou. Somou. Eu verso
Se sílabas formou?
Não sei contar, confesso.

Poesia vem no peito
Eu no papel expresso
Há tempo para amor
E para o que desprezo

Sincronizada, a antena
Revela o que de mim quero
Singrar pela poesia
Vibrar em ondas pelos versos.

Quem sabe!
Talvez!
Um dia!
Lembrança no Universo!


segunda-feira, 18 de maio de 2020

Medo de Viver








Rodolfo Pamplona Filho

A vida pode estar te esperando
em algum beco no caminho
e o sofrimento sempre fará parte
em qualquer trilha que decida seguir:
ou você se junta a ele e se acomoda
ou luta para sobreviver,
pois, maior do que qualquer dor,
é o medo paralisante de viver!
Lembre-se:
A vida pode estar te esperando

Salvador, 29 de julho de 2018.

domingo, 17 de maio de 2020

Sentimento de Belo Horizonte






Bruno Terra Dias


Belo Horizonte não é só cidade,
é verso que falseia o tempo
de que não esqueço.

A distância se mede por ventos de saudade
que flagelam sua lembrança de mim
e me tornam cada vez mais dolorido.

Imortal poente
de numinosas palavras
é Belo Horizonte.

sábado, 16 de maio de 2020

Nem tudo tem preço







Rodolfo Pamplona Filho

Nem tudo tem preço
Dignidade não tem
Amor não tem
Felicidade de verdade
também não

Nem tudo tem preço
e o que você me pede
não tem como ser aceito
sem tirar um pedaço de mim.

Nem tudo tem preço
e, se você fizer
o que me violenta
vai finalmente aprender:
Nem tudo tem preço,
mas tudo tem troco

Salvador, 08 de dezembro de 2018.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

A MULHER





Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!
Quantas morrem saudosa duma imagem.
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca rir alegremente!
Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!
Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

Florbela Espanca

quinta-feira, 14 de maio de 2020

O Ocaso







Rodolfo Pamplona Filho

Dos dias
Do calor
Das vidas
Do amor
De nada
De tudo
Do nada
Do mundo




Bogotá, 05 de outubro de 2013, em conexão para o Brasil, olhando o entardecer...

quarta-feira, 13 de maio de 2020

IMPARCIAL







Jorge da Rosa

Amor verdadeiro
verdade jurídica
doar-se por inteiro
não importando-se com a crítica

Verdade dói
às vezes custa
também constrói
decisão mais justa

Justiça feita
linda verdade
o juiz que interpreta
julga com imparcialidade

A mais bela sentença
é acompanhada pela verdade
para o réu a esperança
é viver em liberdade

A verdade deve acompanhar
nós seres humanos
não podemos é acabar
com uma vida cheia de planos.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Todo Mundo é um Leitor.






Rodolfo Pamplona Filho

Todo mundo é um leitor:
apenas alguns ainda
não encontraram
seu livro predileto.

Todo mundo é um leitor:
apenas não sabem
se sua vida é
um romance ou uma tragédia.

Todo mundo é um leitor:
apenas não viajaram
profundamente em sua alma
para saber a diferença
entre ficção e realidade.




Miami, 30 de dezembro de 2017

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Ser Dor Mar








SOUSA, Diego Mendes

Cosmonave de um coração costeiro
que navega na preamar da dor
na maré do amor
no mar do ser
meu alterego
a dor-mar
a domar
os sargaços
de um sal salgado
de um sol solstício
de uma lua lunática
que passa na alma
de enseada

Meu coração aberto
nas praias do sonho
litoral de aberturas
ao mundo




Fotografia de Chico Rasta, praia do Coqueiro, litoral do Piauí.

domingo, 10 de maio de 2020

Diálogo em Baianês







Rodolfo Pamplona Filho

Ó o auê aí ó!
Digaí!
Você está por cima da carne seca, véi!
Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...
Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...
Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...
Valeu, véi! Vou chegando...

Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.

sábado, 9 de maio de 2020

Quarentena






Quarentena:

Pedaço esquecido de nós 

Exposto à nós 

Como um véu que se retira

Estamos despidos com a alma nua

Vendo em nós o retrato do abandono 

A descrição do quanto fomos o que não somos 

Do nosso personagem que insiste em aparecer sem ser

É conviver, É sentir o dissabor de conviver

Sem disfarces habituais 

Sem nada igual

É sentir o peso do julgamento 

Que fizemos do outro

E que somos obrigados a fazer de nós mesmos

De nossos fracassos

De nossas dores

Das cores de nossa áurea 

Que lutamos para esconder 

É se expor, é ser

Quarentena é um internamento forçado do corpo 

Para curar a alma 

É um desespero angústiante 

Que contraditoriamente acalma

É se enxergar despido 

Vencido, na própria limitação 

É suportar o peso das internas emoções 

É cura, É liberdade, É também descoberta e felicidade

É ser, É se conhecer é reconhecer que somos apenas humanos.



Rosiane Alves

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Sagapo









Rodolfo Pamplona Filho

Kalimera,
agapi mou!
Giassou,
minha Athenea!
Deixe-me ser seu Colosso,
parakalo,
procurar suas curvas
e cavernas de Santorini...
Fugirei para Patmos,
pregarei em Éfeso
e sonharei em Mikonos.
Quero ser sua Acrópole,
matando o minotauro em Creta
seemera et avrio.
Seja a minha forma clássica:
dórica, jônica ou korinthia...
Sagapo, meu Parthenon!
Se me fascinam
as mulheres de Atenas,
da vida, eu quero
somente você apenas.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Pétalas secas





Na última prateleira, 
Morada da porta dos esquecimentos.
Alí!
Um livro que me alimentou de romance.
Dentro dele...
Lembranças de uma primavera de amor.
Vencida a beleza pelo tempo,
Aderidas ao meu preferido volume, então pretérito,
Elas jaziam.
Outros que ali passassem  ignorariam o valor.
À mim não era dado esse malefício.
Aquelas pétalas desidratadas de um ramalhete ardente de rosas cor amarelo-sol 
Eram, sim, um novo regalo.
Um “recuerdo ” de mim,
Guardado na estante oculta.
Viajante no espaço da minha memória.
Lembrança de verdades vividas por meu coração.
Atiçando o desejo de marcar novos livros.
Ilustra-los com estórias paralelas ao que li.
Ré memórias da essência da minha emoção,
Que julguei nem ser minha
E estava ocultada dentro de mim.

Negra Luz

quarta-feira, 6 de maio de 2020

O Cachorro da Minha Infância







O cachorro da minha infância
me ensinou muito mais do que eu poderia ensiná-lo.
Aprendi, com ele, que lealdade e amor não têm preço;
que é possível estar só no meio de um mundo de gente;
e que nunca se é só se há um amigo do lado...

Aprendi que não é loucura conversar sozinho,
pois haverá quem sempre entenda com um olhar
o sentimento de quem não consegue expressar
em palavras o que se carrega dentro do peito
como um segredo que se tem medo de compartilhar...

Aprendi que não é preciso morar junto
para ter a sensação que o outro faz parte da sua vida;
que conviver é a arte do respeito à diferença
e que a alegria do reencontro é a retomada
de uma estrada que nunca foi interrompida...

Aprendi que uma boa caminhada ajuda
a colocar muitas idéias no seu devido lugar...
que hora de carinho é hora somente de carinho,
sem me preocupar com quem está em volta...
e hora de brigar é hora de rosnar e colocar os dentes para fora...

Aprendi que companheirismo significou muito mais
do que comer o mesmo pão junto...
Foi brincar de dois amigos contra o mundo,
dois heróis contra o universo,
dois corações irmanados sem filtros da razão.

Tudo isso eu poderia aprender sozinho
ou com qualquer outro ser humano,
lendo, amando ou simplesmente vivendo...
mas, na verdade, foi mesmo convivendo
com quem, para mim, era muito mais do que gente:
O cachorro da minha infância...

Para Linho (1980-983) e Trois (1985-1990), os cachorros da minha infância
Campina Grande, 08 de maio de 2010

terça-feira, 5 de maio de 2020

Quem vai dizer tchau?






Nando Reis

Quando aconteceu? Não sei
Quando foi que eu deixei de te amar?
Quando a luz do poste não acendeu
Quando a sorte não mais soube ganhar
Não foi ontem que eu disse não
Mas quem vai dizer tchau?

Onde aconteceu? Não sei
Onde foi que eu deixei de te amar?
Dentro do quarto só estava eu
Dormindo antes de você chegar
Mas não foi ontem que eu disse não
Mas quem vai dizer tchau?

A gente não percebe o amor
Que se perde aos poucos sem virar carinho
Guardar lá dentro amor não impede
Que ele empedre mesmo crendo-se infinito
Tornar o amor real é expulsá-lo de você
Pra que ele possa ser de alguém

Somos se pudermos ser ainda
Fomos donos do que hoje não há mais
Houve o que houve é o que escondem em vão
Os pensamentos que preferem calar
Se não, irá nos ferir um não
Mas que não quer dizer tchau

A gente não percebe o amor
Que se perde aos poucos sem virar carinho
Guardar lá dentro amor não impede
Que ele empedre mesmo crendo-se infinito
Tornar o amor real é expulsá-lo de você
Pra que ele possa ser de alguém

Possa ser de alguém
Possa ser de alguém
Ser de alguém!
Oh! Não!

segunda-feira, 4 de maio de 2020







Rodolfo Pamplona Filho

Quero uma palavra
Quero um carinho
Quero um estímulo
Quero um beijinho
Quero um conselho
Quero uma advertência
Quero paciência
Quero sapiência
Quero um afago
Quero uma esperança
Quero nunca mais ficar sozinho...

Mas só recebo uma resposta:
Tá!

Salvador, 01 de abril de 2018.

domingo, 3 de maio de 2020

Meu destino





Cora Coralina

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida…
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida…

sábado, 2 de maio de 2020

Sobre Amar




Rodolfo Pamplona Filho

Brilhante não é a vida.
Brilhante é o amor que brilha em nós
Novidade não é o que acontece:
é o que fazemos acontecer.
Cada dia pode reservar
uma nova chance de viver
ou de amar...
E o amor pode ser
uma cadeira cativa de um estádio,
uma poltrona confortável de um teatro
ou um banco duro de um ônibus.
Tanto faz...
De qualquer forma, vale a pena vivê-lo.

Salvador, 08 de fevereiro de 2018.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Outro poeta se foi






Outro poeta se foi
Outro poema se fez


Para Moraes Moreira.

Hoje numa manhã chuvosa
De segunda feira
Recebi a notícia
Que não desejo que ninguém queira
Da passagem do grande
Músico e cantante
Chamado Moraes Moreira

Sua vida foi a música
Da forma mais verdadeira
Fez tudo o que quis
E tudo a sua maneira
Foi nos nNovos Baianos
Que Conhecemos há  muitos anos
O Grande Moraes Moreira

Do trio o primeiro cantor
Sempre asteou esse bandeira
Como letrista foi mestre
No violão não era brincadeira
Agora toca com os Anjos 
Fazendo no céu novos arranjos.
O querido Moraes Moreira 

Ficou aqui seu legado
Quebrando toda barreira 
Clássico e popular
Sua genialidade beira
A dos grande compositores.
Dos mais altos valores
O inesquecível Moraes Moreira 

Deixou filhos na música
Fãs pela Terra inteira
Quem ouviu confirmou
Suas músicas são de primeira
E sobe ao céu tocando
Seu violão e cantando
O único Moraes Moreira

E agora sem Moraes
Eita tristeza traiçoeira
Ficamos sem cara e sem coração
Sem chão, sem eira nem beira
Quero um alto falante ligeiro
Pra visitar o bazar brasileiro
Onde eternizado está Moraes Moreira

No trio De Armandinho Dodô e Osmar foi uma voz
Que ecoou pela Bahia inteira
Todo Brasil escutou
E consentiu de forma certeira
Mas o Pombo correio Levou
Para os Braços do criador 
O eterno Moraes Moreira.


Mas a tristeza não pode durar
Mais que uma música inteira
Porque a razão da vida é amar
E a força do amor é inteira
Nos despedimos do homem
A saudade É que nos consome
Mas siga em paz Moraes Moreira



Gabriel Macedo

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Suyolak






Rodolfo Pamplona Filho

Lenda cigana
Mestre Imortal
das Artes Médicas
Esperança
da cura
de todo mal.
Sonho eterno
de uma vida imortal.

Praia do Forte, 03 de junho de 2018.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

O apanhador de desperdícios








Manoel de Barros


Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Momentos Felizes








Rodolfo Pamplona Filho

Não dá para ser
feliz o tempo todo,
nem acreditar que
é para sempre
a felicidade que contagia
aquele que está curtindo...
O importante é
saber viver
os momentos felizes
ou, ainda mais,
saber extrair,
tal qual Poliana,
a alegria de cada instante,
como a água de um cactos
ou um suco de uma fruta
que já passou o tempo
de ser comida...
É preciso aproveitar
os momentos felizes...

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Perdi a calcinha








Desesperada estava a procurar a calcinha
Prova irrefutável do que queria ocultar
Orvalhada e com lascivo odor da minha alma
Diria por mim em metáforas aquilo que ele viera me questionar.

Olhei para o teto…
Nada alí!
Em algum momento lembrei:
Ao longe, sem rumo, lancei!

Estiquei a colcha amassada
 E nela nada não há rastro da danada
Restava a gaveta vizinha…
Estaria lá, embolada, entre papéis e versos de amor?

Nenhuma pista me levava
Uma dúvida se aguçara....
Uma calcinha usei?
No meio daquele furor?

E nesse momento tremi,
Quando nos olhos dele
"Meninos eu vi!'
A renda que esqueci

Ao não ter por onde sair
Não mais adiei,
Gritei! Rospondi:
Quero mais!

Negra Luz

domingo, 26 de abril de 2020

Exemplo









Exemplo é ensinar com gestos,
conduta e comprometimento,
não somente com palavras
que se perdem com o vento...

O que adianta reclamar de ética
quando se frauda o ponto,
mete-se um atestado,
finge-se que não é consigo?

Como se exigir o cumprimento,
se faz tudo incompleto,
não capricha nas próprias tarefas,
orgulha-se das suas pendências?

Moral se compreende teoricamente,
mas não se aprende sem se viver,
não se internaliza sem sofrer
ou se testemunha sem saber.

A lição se aprende finalmente
quando o verbo se faz carne,
o ideal sai do armário
e a promessa vira ação.


São Paulo, 07 de junho de 2013, mas pensando em um péssimo exemplo
visto em Praia do Forte em 30 de maio de 2013.

Rodolfo Pamplona Filho

sábado, 25 de abril de 2020

O mar em súplica






Minha mãe, me protege!
Tô perdendo nessa briga, não sei filtrar.
O óleo entrou em minhas ondas,
Só a você, mãe, posso reclamar.

Eu que fiz parte de belas fotografias,
Nas festas estava que fizeram pra ti saudar,
Dei alimento, fui tema de filme, novela e poesia,
30 dias eu sangro esse betume e ninguém a me cuidar

Eu que pensava ser das leis um protegido,
Sou um desvalido, contagiado, a contaminar.
Restando apenas rogar a ti a beira desse abismo:
- Vem das profundezas, minha rainha, me abraçar!

Tenho certeza de que sua força contagia.
E com você, essa ferida vai passar.
Interceda! Muda as correntes! Seja meu guia! Onda marinha serei fiel no meu caminhar!

Negra Luz

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Álbum de Figurinhas








Rodolfo Pamplona Filho

Como se diz a alguém
que ela não é mais o seu bem?
Como se faz para falar
que é o momento de separar?

A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
A cola une
para ser eterno,
mas, com força,
dá para retirar...
mas sempre fica um pouco
do álbum na figurinha
e da figurinha no álbum...

Como se comunica
não se querer mais dividir a vida?
Como se rompe
o que era para sempre?

A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
O tempo esmaece
o que era vivo e viçoso
e o que já foi muito gostoso
pode continuar assim
ou mudar o tom
para um quadro sem cor
ou um filme sem som...

A vida a dois
é um álbum de figurinhas...


Praia do Forte, 8 de setembro de 2017.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

As rosas de outubro







É preciso tocar nas duas rosas.
Tu as tem diante de ti.
Permitir- se adentrar nos meandros.
Profundamente, tocar- se e sentir.

Estas rosas tocadas por ti
Ganham brilho e te tranquilizarão.
Tocar-se garante o benefício
Que de câncer não morrerão.

Não ocultes de ti as tuas rosas.
São só duas!
E tuas são!
Dê lhes amor.

Toque e retoque nas flores segura.
Se algo estranho, procure o doutor.
Suas flores não serão mais só tuas,
A Medicina e todos os istas delas, certo, cuidarão com amor.

Negra Luz

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Resolução de Vida Nova







Rodolfo Pamplona Filho

Cansei!
Resolvi lutar!
Daqui em diante,
tudo vai mudar!

Quero me relacionar
com quem me olhe nos olhos
e me identifique pelo nome,
não por um número de RG, CPF,
Cartão de Crédito, CTPS,
Passaporte ou PIS/PASEP.

Eu não quero viver
com quem me pergunta como vou
e não presta atenção na resposta;
com quem arrota uma grandeza
que não é e que não tem
(como se ter algo engrandecesse alguém...)

Eu não vou fazer mais
o que não me dá prazer,
o que não me cause risos ou lágrimas,
o que não me dê vontade de repetir,
o que não me dê frio na barriga,
o que não me faça me sentir vivo...

Eu não vou mais dinheiro guardar,
como se não fosse feito para gastar...
Eu não vou me poupar
de um sabor experimentar,
de ver um filme ou curtir um show,
ou de viajar e conhecer um lugar...

Eu não vou mais tolerar
gente mal-amada e mal-comida,
que desconta seus complexos
em que está à sua volta
como se culpados fossem
da sua esperança nascer morta...

Eu não vou mais ouvir
gente que precisa, dos outros, falar mal,
que destila seu veneno ou afia suas garras
em resenhas que não constroem nada amado:
não andarei segundo seus conselhos,
não me deterei em seu caminho, nem me assentarei ao seu lado...

Jamais esquecerei
que a história é um livro aberto,
cujas páginas, porém, não se pode voltar,
mesmo quando se quer reescrevê-las,
pois palavras proferidas são flechas desferidas,
que não voltam, mesmo quando miram estrelas...

Não deixarei anestesiar
minha capacidade de me indignar...
Não descansarei...
...até você também se empolgar...
Vou viver como sempre quis...
...minha resolução de vida nova é ser feliz!

João Pessoa, 19 de julho de 2010.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Entre quatro paredes






Vale tudo, logo cedo aprendi
Enquadrada nas minhas escolhas
Tudo vale ali

Em Lençóis listrados
Margens dos dois lados
30 linhas: início e fim

Liberto-me de todos os pecados
Permito-me em todo invadir
Me desnudo não só para mim

Passiva ou ativa
Direta ou indireta
Auxiliar como o haver no existir

Cubro as vergonhas com metáforas
Flor beijando o colibri
Cálice do orvalho de ti

E conectando os sentidos
Coerente com o sentido
Deixo me inteira fluir

A seguir, abro as portas
A realidade estampada
A mulher ocultada revelou-se bem alí

Negra Luz

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Escravas Sagradas de Korinthio








Rodolfo Pamplona Filho


No encontro entre o Egeu e o Jônico
e de dois portos importantes,
encontra-se a cidade
que não conhecia o amor

No culto à Afrodite,
entregam-se mais do que primícias,
pois é o próprio corpo o objeto
do contato, do negócio e do prazer,

proporcionando conforto e alento
a quem vem de muito longe
e não sente há muito mais

o contato com a pele aveludada
em que o sentimento é nada,
mas a entrega e satisfação totais.

Na estrada de Korinthio para Atenas, 29 de setembro de 2012.

domingo, 19 de abril de 2020

Que amor é esse?




Lea Oliveira

Que amor é esse?
Que enche o peito
Que falta o ar
Que vira música no seu olhar

Que vira noite
Que vira dia
Que passam as horas
E é alegria

Que amor é esse que hipnotiza?
Que faz de mim poeta
É você, minha princesa, Luísa
Que é mais que brincar de boneca

E não bastasse esse sonho, meu Deus,
Você transbordou os meus dias e me deu meu pequeno Mateus!

sábado, 18 de abril de 2020

O Ocaso





Rodolfo Pamplona Filho

Dos dias
Do calor
Das vidas
Do amor
De nada
De tudo
Do nada
Do mundo




Bogotá, 05 de outubro de 2013, em conexão para o Brasil, olhando o entardecer...

sexta-feira, 17 de abril de 2020

O Velho E A Flor







Vinicius de Moraes

Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor.


quinta-feira, 16 de abril de 2020

Cadáver Vivo








Rodolfo Pamplona Filho

Acordar, comer
Banhar-se, vestir
Trabalhar, beber
Deslocar-se, dormir
Não saber o que mais fazer?
Quem sabe, talvez, viver?
Ver que um dia passa
sem, de nada, achar graça
é finalmente perguntar:
será que morri e
me esqueceram de enterrar?


Salvador, 13 de junho de 2013, após uma sessão de analise junguiana.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Olha lá






Paula Yurie Abiko


Olha lá

Aquele indivíduo apontando dedo

Como se soubesse todo o enredo

Do que está por vir nesse mundo

Acha que o conhecimento do mundo

Cabe na sua cabeça apenas

Como a sua única verdade deveras

De acreditar ser o dono da verdade

Que vaidade!

Mal sabia que não conhecia

Metade do que dizia

Ou achava que conhecia

Contudo julgava os outros

Apontando-lhe os dedos frouxos

Como se todos estivessem sempre

Com seus ouvidos moucos

É absurdo

Querer sempre estar certo

Num mundo cada vez mais incompleto

Cheio de fissuras e agruras

E estes não percebiam

Que assim cada vez mais permaneciam

Fechados para explorar o entorno de mundo

Com tudo o que é mais visado

Que sarro

Até parece que quando sair desse mundo

Levará estampado em sua lápide

Todo o conhecimento e toda sua vaidade

O que vale mesmo está sendo jogado

Ao lado de tudo que nos é pautado

Para sermos na vida e almejar

De que vale suas certezas se irá agonizar

Na busca incessante do ego acreditar

Que era o único certo e sem pestanejar

O dono do mundo irá perceber

Que nessa vida só vale mesmo o que fizemos


Por merecer…


terça-feira, 14 de abril de 2020

O Prego no Caixão



Rodolfo Pamplona Filho

A última nota na canção.
O arremate da costura
O ponto final na redação
O encerramento da semeadura
O beijo de despedida
O suspiro final
A lágrima vertida
O pecado original
O Adeus na partida
O final da festa
A palavra definitiva
O que mais nos resta

Praia do Forte, 03 de junho de 2018.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

A MULHER





Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!
Quantas morrem saudosa duma imagem.
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca rir alegremente!
Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!
Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

Florbela Espanca

domingo, 12 de abril de 2020

Verdades





Rodolfo Pamplona Filho

Quando estiver triste
e se sentindo só,
lembre que eu existo
só por você

Saber que você existe
é poder ter esperança
de viver um amor
e nunca mais ser triste.

Salvador, 20 de março de 2018.

sábado, 11 de abril de 2020

ANGÚSTIA






Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!
E não se quer pensar! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ...
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –
O brilho duma estrela, com o vento! ...
E não se apaga, não ... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga ...
Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...”
Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!

Florbela Espanca, em "Livro de Mágoas"

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Minha Homenagem às Mulheres







Rodolfo Pamplona Filho

Se existe algo mais perfeito
do que a beleza da mulher
ganhará não só o meu respeito,
mas também minha adoração e fé,

pois somente uma obra divina,
que deve ser reverenciada,
pode ter mais perfeita sina
do que o encanto da mulher amada.

O fascínio feminino importa
muito mais que um físico atrativo:
é o conjunto completo de uma obra,
que deixa qualquer um cativo!

A inteligência, a perspicácia,
a sutileza, o instinto,
a elegância, a espontaneidade,
o sorriso, o carinho.

Todas as mulheres são lindas!
Embora algumas não expressem
toda a delicadeza
de sua infinita grandeza.

Todas as mulheres são lindas!
Falta a muitos homens
a efetiva sensibilidade
para perceber sua complexidade.

Dizem que, atrás de um grande homem,
há sempre uma grande mulher...
Isto é um engano monumental,
pois ela nunca estará no final,

mas, sim, o caminho inspirando
ou espiritualmente comandando
o passo a ser dado ou verbo a ser dito,
a ação cantada ou verso a ser escrito...

pois nada do que o homem tentar
será feito para seu próprio prazer:
haverá sempre uma musa a encantar
as etapas de seu íntimo querer.

Praia do Forte, 08 de março de 2011.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Decifrando as asas







Negra Luz

As asas não são passageiras
Nem querem respostas ligeiras
Voar e ficar na beira
Abismo, limite, trincheira.

As asas querem caminho
Encontro, seguir, expansão
Sentir-se chama: ave condoreira
Mar, Universo, sem barreira.

As aves são mestras, oleiras
Tijolos, seguir, ganhar chão
Ser do vento: liberdade sem fronteira
Da foz para Oceanos, onda em arrebentação

A ave em mim, companheira
Alma, sentir, opção
Amar me: sem eira nem beira
Dar asas ao coração.