Elisandro Carvalho
Amor é quase tudo,
dizes com acerto,
Mas o quase, em seu vulto,
é segredo encoberto.
O que falta ao amor,
perguntas, em lamento,
Para ser mais profundo,
um etéreo sentimento?
Talvez seja o cuidado
nas horas fugidias,
A carícia espontânea
que alivia os dias,
O apoio incondicional
que ampara sem demora,
A entrega sem retorno
que em nós se ancora.
Amor é quase tudo,
um mistério constante,
Mas o quase, decerto,
não é menos relevante.
O que falta ao amor
para ser sem cessar,
Um fio interminável,
um eterno despertar?
Talvez seja o mistério
nos olhares cruzados,
O suspiro no espelho,
em sonhos revelados,
O desabafo em lágrimas
que purifica a alma,
O frio na barriga
que o coração acalma.
Amor é quase tudo,
um tudo que nos parte,
Mas o quase, na verdade,
é a chave desta arte.
O que falta ao amor
para ser esmagador,
Um peso delicado,
um infinito calor?
Talvez o bilhete
de palavras sussurradas,
A surpresa matutina
nas manhãs desejadas,
Dormir em braços firmes,
sonhar sem se afastar,
Pois amor é quase tudo,
e o quase é completar.

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