sábado, 13 de setembro de 2014

Preciso de você...

Preciso de você...

Rodolfo Pamplona Filho
Eu...
Preciso de você...
Estou sentindo
meu corpo fraquejar
de tanta saudade,
desejo e vontade...


Salvador, 05 de novembro de 2013.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Clube dos 99

Era uma vez um rei muito rico.
Tinha tudo. Dinheiro, poder, conforto, centenas de súditos.
Ainda assim não era feliz.
Um dia, cruzou com um de seus criados, que assobiava alegremente enquanto esfregava o chão com uma vassoura. Ficou intrigado. Como ele, um soberano supremo do reino, poderia andar tão cabisbaixo enquanto um humilde servente parecia desfrutar de tanto prazer?
- “Por que você está tão feliz?”, perguntou o rei.
- “Majestade, sou apenas um serviçal. Não necessito muito. Tenho um teto para abrigar minha família e uma comida quente para aquecer nossas barrigas”.
O rei não conseguia entender. Chamou então o conselheiro do reino, a pessoa em que mais confiava.
- “Majestade, creio que o servente não faça parte do Clube 99″
- “Clube 99? O que é isso?”
- “Majestade, para compreender o que é o Clube 99, ordene que seja deixado um saco com 99 moedas de ouro na porta da casa do servente”.
E assim foi feito.
Quando o pobre criado encontrou o saco de moedas na sua porta, ficou radiante. Não podia acreditar em tamanha sorte. Nem em sonhos tinha visto tanto dinheiro.
Esparramou as moedas na mesa e começou a contá-las.
-”…96, 97, 98… 99.”
Achou estranho ter 99. Achou que poderia ter derrubado uma, talvez. Provavelmente eram 100. Mas não encontrou nada. Eram 99 mesmo.
Por algum motivo, aquela moeda que faltava ganhou uma súbita importância.
Com apenas mais uma moeda de ouro, uma só, ele completaria 100.
Um número de 3 dígitos! Uma fortuna de verdade.
Ficou obcecado por completar seu recente patrimônio com a moeda que faltava.
Decidiu que faria o que fosse preciso para conseguir mais uma moeda de ouro. Trabalharia dia e noite. Afinal, estava muito muito muito perto de ter uma fortuna de 100 moedas de ouro. Seria um homem rico, com 100 moedas de ouro.
Daquele dia em diante, a vida do servente mudou.
Passava o tempo todo pensando em como ganhar uma moeda de ouro. Estava sempre cansado e resmungando pelos cantos. Tinha pouca paciência com a família que não entendia o que era preciso para conseguir a centésima moeda de ouro. Parou de assobiar enquanto varria chão.
O rei percebeu essa mudança súbita de comportamento e chamou seu conselheiro.
- “Majestade, agora o servente faz, oficialmente, parte do Clube 99″.
E continuou:
- “O Clube 99 é formado por pessoas que têm o suficiente para serem felizes, mas mesmo assim não estão satisfeitas. Estão constantemente correndo atrás desse 1 que lhes falta. Vivem repetindo que se tiverem apenas essa última e pequena coisa que lhes falta, aí sim poderão ser felizes de verdade. Majestade, na realidade é preciso muito pouco para ser feliz. Porém, no momento em que ganhamos algo maior ou melhor, imediatamente surge a sensação que poderíamos ter mais. Com um pouco mais, acreditamos que haveria de fato, uma grande mudança. Só um pouco mais. Perdemos o sono, nossa alegria, nossa paz e machucamos as pessoas que estão a nossa volta. E o pouco mais, sempre vira… um pouco mais. O pouco mais é o preço do nosso desejo.”
E concluiu:
--- “Isso, majestade… é o Clube dos 99"
"O destino escolhe quem vamos encontrar na vida. As atitudes definem quem fica."


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Violões

Violões

Rodolfo Pamplona Filho
Ninguém nunca me ensinou
a afinar um violão...
Foi a vida que me mostrou
como trabalhar a tensão...
E, muitas vezes, vi romper
cordas novas e imaculadas
que pareciam, a meu ver,
prontas para suas baladas...

Ninguém nunca me ensinou
a tocar um violão...
Foi a vida que me levou
a criar minha canção...
Misturando acordes frágeis
de uma peculiar harmonia
com o soar de notas ágeis
a construir a melodia...

Ninguém nunca me ensinou
a cuidar de um violão...
Foi a vida que me forçou
a guardá-lo com atenção,
para que, da tristeza, o espanto
não faça que eu pereça
e, da música, o encanto
jamais desapareça...



Praia do Forte, madrugada de 30 de novembro de 2013, pensando em papear com Fachin...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Excluída

Excluída

A Ana me ligou no final da tarde de sexta: “E aí, você vem?”
Eu não fazia ideia sobre o que ela estava falando. Foi então que a Ana se deu conta de que eu não estava no Facebook, portanto, não sabia da festa que a turma havia armado. Como eu não havia me pronunciado, ela resolveu ligar para saber se eu estava viva.

O cerco está apertando. Antes eu trocava e-mails com os amigos com uma certa frequência, agora todos debandaram, só um ou outro lembra que eu não estou nas redes sociais e faz a caridade de me manter informada sobre o que acontece no universo.

Não tenho vontade de ter perfil em lugar algum (e mesmo assim tenho, criados e postados por pessoas que não sei quem são). Instagram, twitter, whatsapp, nada disso me seduz, não conseguiria tempo para esse contato eletrizante. Ainda me custa compreender pessoas que deixam o iPhone sobre a mesa do restaurante, que precisam fotografar cada minuto vivido, que desmaiam quando esquecem o celular em casa. Eu deveria ter me alistado na expedição de colonização de Marte, onde certamente eu me sentiria menos deslocada do que aqui na Terra.

Mas não me alistei, então terei que me ajustar à nova ordem social do meu planeta.

Óbvio que a tecnologia não é a vilã da história, e sim o uso obsessivo que se faz dela. Para quem tem autocontrole, esses gadgets são fascinantes por seu dinamismo, modernidade, capacidade de agregação, de agilização de tarefas, e ainda resolvem a questão do anonimato, com o qual ninguém mais quer lidar. As redes transformaram palco e plateia numa coisa só: todos são espectadores de todos, ao mesmo tempo que possuem um holofote sobre si. Já que existir virou sinônimo de “quantos me curtem”, a população mundial conseguiu um jeito de ficar quite com o próprio ego.

É muito provável que eu estivesse nas redes caso não escrevesse colunas em jornais. Como tenho esse canal de expressão semanalmente, não me faz falta outros. Ou não fazia. Estou nesse impasse agora: devo mergulhar com mais profundidade no mundo virtual? Reconheço três vantagens: acompanhar o que meus amigos andam tramando nas minhas costas, me atualizar com mais rapidez e oferecer aos meus leitores um perfil oficial. Além de me sentir menos mumificada.

Será isso que chamam de “se reinventar”?

Ando cada vez mais próxima da filosofia budista, exalto a desaceleração, prezo uma boa conversa, adoro ter tempo para meus livros, meu silêncio, minhas caminhadas. Não sinto falta de saber mais, de ter mais acesso à informação, de conhecer mais gente. Por outro lado, não quero me isolar dos amigos nem ficar sem assunto com eles – e com o mundo.

Que dúvida. Pela primeira vez, reflito sobre algo que, numa era em que se debate tudo, pouco se fala: o nosso direito de ser indiferente.


Martha Medeiros (revista O GLOBO de 20/10/2013) 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Água no Chopp

Água no Chopp

Rodolfo Pamplona Filho
Respeito é bom!
E todo mundo gosta!
Por isto, o som
da devida resposta
a quem não acreditava
na força da garra
e dos brios da raça
de quem entrega a taça
a quem, por mérito, foi campeão...
mas que jamais terá a vibração
da maior torcida do mundo,
que não tem medo de ir fundo
na esperança de lutar sempre
e nunca desistir de ir em frente!
Assim, sem desejar mal,
na disputa da verdadeira final,
não há sangue ou suor,
nem nada que nos poupe
da missão de ser melhor
e colocar água no chopp!


Salvador, 01 de dezembro de 2013, pensando no Mineirão...

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

ARTIGO 438 DA CLT

ARTIGO 438 DA CLT

São competentes para impor as penalidades, enfim...
Previstas neste capítulo os Delegados Regionais do Trabalho
Ou os funcionários, é claro
Por eles designados para tal fim

O processo na verificação das infrações minha amada e meu amado
Bem como na aplicação
E cobrança das multas de então
Será o previsto no título abaixo citado

“Do Processo de Multas Administrativas”
É óbvio meu caro amigo
Observados as disposições deste artigo
De acordo com a decisão legislativa.

JORGE DA ROSA


domingo, 7 de setembro de 2014

Chega de desculpas esfarrapadas

O ímprobo virou bobo

Para dirimir dúvida o mais correto, e no mínimo sensato, é recorrer a
quem de verdade pode ajudar, com respostas reais e dentro de um
contexto lógico. Com o escrevente não é diferente. Pintou dúvida no
momento da escrita, não titubeie e, utilizando os preceitos da
humildade, busque a didática, seja através de uma gramática ou de um
dicionário.

Partindo dessa premissa, recorri à semântica, o estudo do significado
das palavras, para saber o que tem em comum, além do som os adjetivos
‘bobo’ e ‘ímprobo’. Entre outros significados, descobri que bobo quer
dizer:

Que ou quem revela superficialidade, frivolidade (fútil), falta de
inteligência (estúpido, idiota, imbecil, pateta e tolo) e quem é muito
ingênuo (simplório e tonto).

Já o ímprobo é aquele que não tem probidade, que é moralmente mau (desonesto).

A conclusão é um tanto que estarrecedora. O bobo raramente é um
ímprobo, enquanto o ímprobo, geralmente torna-se um bobo, um inútil,
estúpido, idiota, imbecil e outras “qualidades” que só o bobo deveria
possuir. Vai entender...

As fábricas de óleo de peroba (lustra móveis) não dariam conta de
produzir a quantidade suficiente para atender o grande número de
gestores e legisladores públicos caras de pau existente no Brasil.

Conhecer o significado das palavras é importante, pois só assim o
falante ou escritor será capaz de selecionar a palavra certa para
construir a sua mensagem. Como foi exemplificado anteriormente é um
pouco quanto complicado diferenciar figuras que mesmo não fazendo
parte, necessariamente, da mesma cadeia ou grupo social, passam a se
identificar a partir dos significados que lhe são atribuídos através
dos seus atos ou do posto que ocupem.

Chega a ser repugnante ter acesso às mais ridículas e nunca
convincentes desculpas esfarrapadas de gestores públicos acusados, e
até mesmo já condenados, por quem de direito, arrotar inocência e, ou,
atribuir a culpa em “falha técnica”, por terem suas contas rejeitadas
por irregularidades ao causar prejuízo ao erário atentando contra os
princípios norteadores da administração pública.

Morosidade, lentidão, conveniência, falta de estrutura administrativa
e funcional, interpretação da legislação de formas diferentes, o que
permite recursos, recursos e mais, recursos, estrutura... o que
realmente tem acontecido nas demoras dos julgamentos e condenações dos
acusados de crimes eleitorais e malversação do erário público por
parte da Justiça?

“Quase” que generalizando, o cientista político, Wanderley Guilherme
dos Santos*, em um dos seus artigos salienta que “as autoridades
contratadas, via eleições, para administrar os recursos das
comunidades, não estão oferecendo serviços à altura do acordado e o
pior, estão se apropriando ilegalmente de parte desses recursos
públicos.

Retornando ao estudo da gramática, e sempre bom lembrar que corrupção
é o ato ou efeito de se corromper, oferecer algo para obter vantagem
em negociata onde favorece uma pessoa e prejudica outra. Tirar
vantagem do poder atribuído.

Enquanto honestidade é o ato, qualidade, ou condição de ser honesto,
aquele  que age corretamente, mesmo contrariando seus ou próximos
interesses, que age com escrúpulos, com decência, com honradez; que é
capaz de ser leal mesmo sem estar sendo vigiado ou fiscalizado.

Já a ‘humildade’ é a característica de quem tem e se manifesta em
virtudes de conhecer as suas próprias fraquezas e limitações. Sendo o
oposto à soberba, ao orgulho, a arrogância e a presunção. O humilde é
aquele que sabe exatamente o seu lugar no mundo, aquele que respeita,
aceita e sabe ouvir.



Gervásio Lima

Jornalista e historiador

* http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-08-02/wanderley-guilherme-dos-santos-corrupcao-publica-depende-de-corruptor-privado.html