sábado, 25 de novembro de 2017

Retalhos de mim,


Rosana Bouleh

Retalhos de mim,
pedaços de seda, viscose, lã e algodão.
Tem também pecados de chita e poliéster pra completar o meu eterno Patchwork em formação.
Retalhos de mim,
não são pedaços de mim, são partes de um pedaço que há em mim, onde não mora a razão.
Onde as ideias se encontram, as paixões adentram, a loucura é ardente e me faz sentir emoção.
Retalhos de mim,
não são fatias do que sobrou, mas o lado saboroso da bolacha que restou, a parte mais engraçada da piada contada, o doce gostoso quando a vida insiste em amargar,
o arrepio sem frio de uma noite de amor.
Retalhos de mim,
guarda as verdades de um amor que ficou, do cheiro do perfume que impregnou, do toque que enfeitiçou, da alma que nunca mais se encontrou... no mosaico de paixão que dentro de mim você desenhou.
Rosana Bouleh... rabiscos...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Arquitetura de Impacto


Rodolfo Pamplona filho

Paralelas
Iluminações
Passarelas
Calçadões
Subterrâneas
Construções
Contemporâneas
Inovações

Toda mudança choca,
pois o apego à segurança
 do que se passou
(e não voltará jamais)
termina por travar
o avanço ou evolução
do que veio para ficar
e não apenas ser saudade.

Seja a pirâmide
para o Louvre
ou Chagall para o teto
da ópera de Paris,
o que é novo
gera repulsa
de quem vive a nostalgia
e não vê a realidade.

Seja no Porto
ou em Salvador,
novas tecnologias
sempre terão um opositor,
pois a essência
da resposta natural
a qualquer mudança
é a negativa total.

Mais difícil
do que transformar
é conseguir superar
a resistência,
pois nem todos percebem
que simplesmente mudar
pode ser a única forma
de sobrevivência.


Salvador, 20 de agosto de 2017.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Do pretérito



João Victor Braga

O que é o passado?
Aquilo que se passou?
O momento que se concretizou?
O período nostálgico?
O instante de embate?
O minuto mal vivido?
Ou segundo exaurido?
Qual é a finalidade do passado?
É esquecer?
É lembrar e estremecer?
É se queixar daquilo que não foi acabado?
É se arrepende por não ter esforçado?
É se alegrar por ter amado?
Ou se entristecer por ter odiado?
No que consiste o passado?
É esconder aquilo que foi vivenciado?
É expressar as virtudes que foram alcançadas?
É se confessar por ter errado?
É recorda daquilo não se fez?
Ou se alegrar por ter enfrentado?
Na verdade, a definição do passado
Se materializa de acordo a vontade
Em cultivar o presente
Almejando o futuramente
Valorizando cada instante
Como se fosse o ultimo pertencente tempo em se conquistar!

09/11/2017, Teixeira de Freitas

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Declaração de Paternidade


Rodolfo Pamplona  Filho

Reconhecer
a paternidade
é mostrar ao mundo
a verdade
de que todo homem
pode se projetar
além do fim
da sua própria vida.

Aceitar
a paternidade
não é capitular
de uma luta,
mas sim vivenciar
o doce sentimento
que faz superar
qualquer sofrimento.

Assumir
a paternidade
é mais que garantir
o papel passado:
é viver
o papel presente
e saber
seu papel no futuro.

Salvador, 19 de setembro de 2017.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Poeminha do Contra



Mario Quintana

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Eu só quero que você me ame...



Rodolfo Pamplona filho

Eu só quero que você me ame...
E que não fique me batendo...
E não fique desconfiando de mim...
E não interprete cada ato meu
como se fosse algo contra você...

Eu só quero que você me ame...
Eu só quero amor somente...
E que não desconte em mim
por coisas que eu não fiz
ou nem sei o que é...

Eu só quero que você me ame...
E que não me maltrate...
E nao ache que todo comentário meu
seja uma crítica ou acusação
que exija defesa ou ser rebatida...

Eu só quero que você me ame...
Amor para sempre...
Amor pungente...
Amor fervente...
Amor decente...

Eu só quero que você me ame...
Amor urgente
Amor bem quente...
Amor somente...
Somente amor.

São Paulo, 23 de setembro de 2017.

domingo, 19 de novembro de 2017

Lua adversa



Cecília Meireles

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…