sábado, 11 de outubro de 2014

Língua portuguesa

Língua portuguesa


Última flor do Lácio, inculta e bela, 
És, a um tempo, esplendor e sepultura: 
Ouro nativo, que na ganga impura 
A bruta mina entre os cascalhos vela... 

Amo-te assim, desconhecida e obscura. 
Tuba de alto clangor, lira singela, 
Que tens o trom e o silvo da procela, 
E o arrolo da saudade e da ternura! 

Amo o teu viço agreste e o teu aroma 
De virgens selvas e de oceano largo! 
Amo-te, ó rude e doloroso idioma, 

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!", 
E em que Camões chorou, no exílio amargo, 
O gênio sem ventura e o amor sem brilho! 

Olavo Bilac 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Botões e Flores

Botões e Flores

Rodolfo Pamplona Filho
Há botões que não viram flores,
brotos que não viram ramos
gotas que não fazem chuva
andorinhas que não fazem Verão!
Não chore pelo que não veio,
nem por aquilo que podia ser,
pois só se sente o que se viveu
e somente se sabe o que se sentiu...


Salvador, 14 de agosto de 2013.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O AÇÚCAR

O Açúcar


Açúcar (Foto: Reprodução)
 O AÇÚCAR
Ferreira Gullar
(Dentro da Noite Veloz & Poema Sujo;  São Paulo; Ed. Círculo do livro)
O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.
Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.

Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O segredo

O segredo

Rodolfo Pamplona Filho
O segredo da felicidade é
não esperar nada da vida.


Salvador, 10 de outubro de 2013, entristecido com a própria vida...

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Joelho no Chão

Joelho no Chão

Joelhos dobrados,
A prece no coraçao
sem saber ao certo
Quem ouvirá minha oraçao

O invisível me faz duvidar
Estaria alguem a me ouvir?
Suficiente e forte
Para todas as minhas dores remir?

E sem outra saída
Curvo-me inseguro e cansado,
com lagrimas nos olhos,
Relatando o desamparo

A quem recorrer?
Sei que és a unica saída
Em meio a multidao
Sinto-me sem vida

E pacientemente,
inclina-se para ouvir
Aquele que duvidoso,insiste em pedir

Despindo-se de sua Gloria, Ignora minhas transgressões,
humildemente responde,
O clamor das minhas oraçoes

Com braço forte e poder singular,
Estende a sua mão,
E põe tudo que estava perdido,
No seu devido lugar

Em 16/08/2013 Jacqueline Monteiro

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Tipo Assim

Tipo Assim

Rodolfo Pamplona Filho
Beleza?
Ah, tá!
E ai!
De boa!
Tipo assim:
Sei lá!
Valeu!
Então, tá!


Salvador, 07 de outubro, avaliando um seminário de Responsabilidade Civil...