sábado, 4 de maio de 2013

Ignorantes e Sábios

Ignorantes e Sábios

Rodolfo Pamplona Filho
O ignorante não duvida,
pois ignora que desconhece,
uma vez que seu universo inteiro
cabe nos limites de seu olhar.

Já o Sábio sempre duvida,
pois conhece o que discute,
uma vez que aprendeu a aprender
que não há limite para o pensar.

E os dois convivem diariamente,
muitas vezes em um paradoxo
do ignorante achar o sábio limitado
e este considerar o outro fascinante.

Porém, nesta estranha situação,
não se achará qualquer contradição,
pois cada um mede o outro
pelas réguas que a vida lhe deu...

Independente de toda a glória,
com quem se identifica você?
O ignorante governa a memória
e o sábio tende a obedecer,

já que a tal da meritocracia
é um mero discurso de retórica,
tal qual a sonhada democracia
e toda conquista histórica

que elege tanto grandes mentes,
quanto profundos imbecis,
só nos restando torcer pacientes
por escolhas menos vis...

São Paulo, 08 de abril de 2012.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O estranho

 O estranho

Desconheço o autor...
Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade.
Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador personagem, e em seguida o convidou a viver com nossa família.


O estranho aceitou e desde então tem estado conosco.
Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.

Meus pais eram instrutores complementares:

Minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer.

Mas o estranho era nosso narrador.

Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.


Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.

Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!

Levou minha família ao primeiro jogo de futebol.

Fazia-me rir, e me fazia chorar.


O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.
Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez, para que o estranho fosse embora).

Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las.
As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa…
Nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse.
Entretanto, nosso visitante de longo prazo, usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar.

Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente.
Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos.
Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.

Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pelo estranho.

Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar.

Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era ao principio.
Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda o encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia...

Seu nome?

Nós o chamamos Televisor...

Nota:

Pede-se que este artigo seja lido em cada lar.

Agora tem uma esposa que se chama Computador

e um filho que se chama Celular!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Auto-Estima Elevada

Auto-Estima Elevada

Rodolfo Pamplona Filho
Há gente que, se não fosse triste,
soaria muito engraçada...
É uma turma com o dedo em riste
e a Auto-Estima Elevada

Definitivamente não importa
o quão ridículo ou estranho
ou quanto sua mente seja torta,
para eles, o mundo é de seu tamanho

Têm necessidade de aparecer
e de imaginar que sua opinião
é a mais importante direção
que o mundo pode obter...

E não adianta discordar,
nem sequer ponderar,
pois a sua convicção
é de que terá sempre a solução!

Para sobreviver à convivência
de quem tem o ego inflado,
só exercitando muito a paciência
e a caridade ao quadrado,

já que eles não sabem calar
e não conseguem sequer desconfiar
que, em vez de interesse aceso,
apenas conquistam nosso desprezo.

São Paulo, 08 de abril de 2012.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Uma verdade inconveniente: o trabalho nasceu da tortura

Uma verdade inconveniente: o trabalho nasceu da tortura

Terminadas as férias do colunista, parece apropriado retomar essa conversa metalinguística – em que palavras são empregadas para falar de… palavras – a partir da significativa história do termo trabalho.
Durante muito tempo, os etimologistas tiveram alguma dificuldade para admitir o óbvio, refugiando-se em hipóteses obscuras que envolviam outras matrizes latinas e até vocábulos do gaélico (!) e do címbrico (!!). A verdade pouco palatável é que, como o francês travail, o espanholtrabajo e o italiano travaglio (este, o que mais conserva o tom sombrio do termo original, deixando para lavoro os significados mais amenos), trabalho é um descendente direto da palavra latinatripalium.
E o que era o tripalium? Um instrumento composto, como o nome indica, de três paus, mais precisamente três estacas que, fincadas no chão para desenhar os vértices de um triângulo, se encontravam no alto. A essa estrutura se prendiam pessoas para serem martirizadas.
Isso mesmo: por mais que tal ideia revolte uma sensibilidade moderna, o antepassado daquele que “enobrece e dignifica o homem” era um instrumento de tortura. A punição e o suplício estão intimamente ligados ao trabalho.
Quando o verbo trabalhar desembarcou primeiro numa língua românica – no francês do século 12 – as ideias que expressava eram duas: submeter a padecimentos físicos ou morais e sofrer terrivelmente (vem daí a expressão “trabalho de parto”).
Já estavam lá, portanto, as duas linhas de força, a ativa e a passiva, que teriam papéis complementares na evolução semântica da palavra. Trabalhar era padecer, extenuar-se, acabar-se na labuta, como faziam escravos e condenados. Era também exercer uma ação – modificadora e, por metáfora, torturante – sobre a terra, os alimentos, os animais.
Para que fossem surgindo gradualmente as acepções modernas, positivas e relativamente indolores ligadas ao exercício de uma profissão, porém, seria preciso esperar alguns séculos. Data de 1600, segundo o Trésor de la Langue Française, o primeiro registro de travail como “atividade profissional cotidiana necessária à subsistência”.
Não por acaso, a evolução semântica do trabalho caminhou paralelamente à ascensão da visão de mundo burguesa, que o valoriza, e ao declínio dos modelos econômicos baseados na escravidão e na servidão.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Viajando em Você

Viajando em Você

Rodolfo Pamplona Filho
Eu quero o prazer
de ter a distração infinita
de, em você,
fazer uma viagem bonita...
Estarmos juntos
é a mais completa
traducao do prazer:
o encontro espiritual
que se materializa
no encaixe da carne...
O amor faz a gente viajar
e encontrar a alegria
no destinatário do desejo...
E você é
a melhor viagem
que eu ja fiz:
a perfeita paisagem,
o itinerário preferido,
a imagem mais linda
que eu já vi passar...
E, por mim,
quanto mais eu viajar,
mais eu vou, sim,
finalmente me encontrar...

Ilhéus, 31 de março de 2012.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O Custo para se Criar um Filho

O Custo para se Criar um Filho

Recebi a mensagem abaixo, a qual quero dividir com vocês
“Eu vejo repetidamente pesquisas dos custos para criar se um filho, mas é a primeira vez que eu vejo as recompensas listadas dessa maneira.
É muito bacana! Uma ONG calculou recentemente o custo para se criar um filho, do seu nascimento aos 18 anos, e chegou a R$ 160.140,00 para uma família de classe média.
O valor é chocante! E esse valor não cobre a formação escolar. Mas R$ 160.140,00 não é tão ruim assim, se você parcelar.

Ele se traduz em:

* R$ 8.896,66 por ano,
* R$ 741,38 por mês, ou
* R$ 171,08 por semana.
* E meros R$ 24,24 por dia.

* Cerca de um real por hora.

O que você ganha gastando R$ 160.140,00?
* Direito de dar nomes.
* Olhares de Deus todos os dias.
* Risadinhas debaixo das cobertas todas as noites.
* Mais amor do que seu coração pode suportar.
* Beijos jogados no ar e abraços carinhosos.
* Infinitas admirações por pedras, formigas, nuvens, biscoitos, cachorros, gatos, etc...
* Uma mão para segurar, normalmente suja de geléia ou chocolates.
* Um parceiro para fazer bolhas de sabão, soltar pipas.
* Alguém para fazer você rir como bobo, não importa o que seu chefe tenha dito ou como as bolsas de valores se comportaram nesse dia.
 Por R$ 160.140,00 você não precisará crescer nunca. . Você deve:
* Ter os dedos sujos de tinta,
* modelar objetos,
* brincar de esconde-esconde,
* ouvir músicas da Xuxa, e
* nunca deixar de acreditar em Papai Noel.
Você terá uma desculpa para...
* Continuar a ler as Aventuras do Ursinho Puff,
* assistir desenhos animados ao sábado pela manhã.
* assistir filmes da Disney, e
* fazer pedidos a estrelas.
* Você recebe molduras de arco-íris, de corações ou flores sob imãs de geladeira, conjunto de mãos impressas em argila para o Dia das Mães, e cartões com letras viradas ao contrário no Dia dos Pais.
Por R$ 160.140,00 não há outro jeito mais fácil de ficar famoso. Você é um herói apenas por ...
* recuperar uma pipa do telhado da garagem,
* retirar as rodinhas da bicicleta,
* remover uma farpa do pé,
* encher uma piscina de plástico,
* fazer bola de chiclete sem estourar,
* ir a parques de diversões e voltar exausto...
Você tem lugar na primeira fila da “história” como testemunha ...
* dos primeiros passos,
* das primeiras palavras,
* Do primeiro sutiã,
* Do primeiro namoro, e
* Da primeira vez atrás do volante de um carro.
Você fica imortal.
Você tem um novo braço na sua árvore genealógica e, se tiver sorte, uma longa lista de membros no seu obituário, chamados netos e bisnetos.

Você recebe formação em psicologia, enfermagem, justiça criminal, comunicação e sexualidade humana que nenhuma faculdade pode lhe dar.

Aos olhos de uma criança, você localiza-se logo abaixo de Deus.

Por R$ 160.140,00
Você tem poder para curar um choro, espantar os monstros que estão debaixo da cama, remendar um coração partido, policiar uma festa sonolenta, cultivá-los sempre e amá-los sem limites.

E assim algum dia, eles como você, amarão sem medir os custos. É um excelente negócio por esse preço!

Ame & curta seus filhos & netos & bisnetos !!!

É o melhor investimento que você fará na sua vida.

Por R$ 160.140,00
• Você poderia comprar um carro de luxo.
• Você poderia comprar uma linda casa.
• Você poderia comprar um belo iate...
Mas nada se equivale ao preço de um filho.”
 
 

domingo, 28 de abril de 2013

Sentido e Interesse

Sentido e Interesse

Rodolfo Pamplona Filho
Por que?
Para que?
O que?
Viver...

Ilhéus, 31 de março de 2012.