segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Loki

Rodolfo Pamplona Filho






Há quem veja
só desdém
quando se
oferece bondade...
Por que a tocha
detesta o sol,
se não apenas
por brilhar mais?
O trapaceiro
O de muitas formas
O destruidor
Quem é este
que é todos
e é único
simultaneamente?
Aquele que provocará
o Ragnarok
e o cavalgar
das Valquirias,
com seus garanhões de nuvens,
a conduzir Deuses mortos
para Valhalla...

domingo, 30 de agosto de 2015

Descobrimento

Mário de Andrade





Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.

Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.

Esse homem é brasileiro que nem eu.

sábado, 29 de agosto de 2015

Oportunidade

Rodolfo Pamplona Filho







Oportunidade
não é questão de tempo,
mas de prioridade
e de investimento.

 Salvador, 04/03/2014




sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A Prudência





A inconsequência irracional,

Atordoa.

A guerra impensada,

É luta à toa.

A prudência sensata,

É paz duradoura.

O que se ouve e vê

Nem tudo é flor.

É preciso prever...



Hermes de Lima /29/08/2015.






quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Pafúncio Salustiano Nepomuceno

Pafúncio Salustiano Nepomuceno

Rodolfo Pamplona Filho
Pafúncio Salustiano,
com este nome,
eu não me engano!
Seria um novo
Professor?
Talvez um redivivo
Confessor?
Astrolábio ou Astromar
Astrogildo ou Ermenegildo
Pouco importa
sequer o conteúdo,
pois o verdadeiro absurdo
é se chamar pelo nome pequeno
Pafúncio Salustiano Nepomuceno.


Guayaquil, 05 de octobre de 2013.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Soneto da Convivência (ou sobrevivência) com o Despeito

Rodolfo Pamplona Filho



Quem não merece seu respeito
não é digno de seu apreço!
Conviver com o despeito
é ter de pagar um alto preço:

O tempo, as agruras da vida
ou a maturidade dolorida
acabam ensinando a dura lição
de chamar canalha de excelência,




quando é inevitável a convivência,
imposta pela força do meio social
ou mesmo do ambiente profissional,

que trazem o carcará para perto...
Lembre: às vezes, estar em paz
é melhor do que estar certo...

Salvador, 14/02/2014, pensando em que não merece sequer ser destinatário do
meu pensamento...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Teu sexo

Viajo ao redor do teu sexo,
Peregrino no altiplano dos teus bruços,
Andarilho sem rumo, nas corolas dos teus seios.
Cada acre do teu corpo me fascina,
Cada coxilha do teu torso me detém,
E em mim retém a vocação que me destino.



Teu sexo recende a mirra
--- Termo intocado em minha rota de migrante.

Teu sexo tem som de concha
Na ressonância das marés dos meus naufrágios.

Eros Grau

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Desprezo Inevitável

Rodolfo Pamplona Filho


Há pessoas cuja amizade
em nada acrescenta...
Ao contrário, só diminui...
afeta o humor, desperta o rancor,
retira a alegria, tira a paz



Quando a demagogia,
prepotência, arrogância,
encontram guarida
na Boçalidade encarnada,
não há mais nada
a fazer,
senão aceitar
que, muitas vezes,
o desprezo é inevitável...


Salvador, 16/02/2014

domingo, 23 de agosto de 2015

Definição de filhos por José Saramago




Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como
amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos
para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto
mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter,
porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de
estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder?
Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo.

sábado, 22 de agosto de 2015

Rompendo o Silêncio

Rodolfo Pamplona Filho




E dou-lhe uma!
É preciso resistir!
E saber que,
por mais que as nuvens
cubram o horizonte,
as estrelas continuam lá!





E dou-lhe duas!
É preciso repetir!
E mostrar que
um raio pode acertar
o mesmo alvo
seguidamente!

E dou-lhe três!
É preciso insistir!
E romper qualquer barreira
que os amantes do atraso
tenham tentado impor
como uma maldição.

E dou-lhe uma...
duas... três...
E que o triunfo inspire
para que o vencedor respire
e retome o caminho de glória,
em que se construiu a sua história.

No aeroporto de Guarulhos, 14 de setembro de 2014, para K9 e Maxi.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Dialética da Vida








Certa vez li a seguinte frase:


“um homem não toma banho no mesmo rio duas vezes” por que nem o homem nem o rio serão os mesmos. (Heráclito)




 
Desta forma comecei a compreender que os seres humanos estão em constante processo evolutivo, regido por uma lei chamada Lei natural (ou lei de Deus).

Somos bombardeados a todo instante por séries de acontecimentos, cada um deles recheados de novos conhecimentos, esta situação chamo de vivência.

Esta, queira ou não teremos que vivenciá-la, e é imprescindível de nossa parte interagirmos com elas, pois através destas, crescemos, amadurecemos. Passamos a ampliar nossa visão em relação a nós, ao outro, ao mundo...

Perceba você que, a realidade sempre esta assumindo novas formas.

Somos uma nova pessoa a cada instante em que incorporamos um novo aprendizado ao nosso cabedal de conhecimentos.

Nenhuma coisa esta acabada, encontrando-se sempre em vias de se transformar, desenvolver-se; o fim de um processo é sempre o começo de outro.

E vamos caminhado e imprescindível se faz que compreendamos essa necessidade da busca, objetivo ou meta como queiramos denominá-la. Pois, aí esta o sentido da vida.  Percebamos que saber dialogar, saber refutar é uma arte, da qual precisamos aprimorar a todo o momento, esta arte, consiste fundamental e primordialmente, em saber ouvir.

Pessoal!, saber ouvir muitas vezes é mais importante do que falar. Você abre portas, transmite confiança, cresce como pessoa, a partir do momento que você aprende essa lição, pois nesse instante, você dispersa um pouco do orgulho e do egoísmo latente que existe em todo ser humano.

Que possamos desta forma dialogar sempre!  E compreendermos que a construção de nosso “EU” depende do outro ao nosso lado, pois somos eternos alunos e professores uns dos outros.

                                                                                                              Marcio Lordão
                                                                                                               11/06/2011

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A Voz

Rodolfo Pamplona Filho









Um som que ecoa,
balança e ressoa

Melodia que entoa,
ressoa e abençoa

Possante, avante,
verdadeiramente tonitroante...

Mais que um trovão...
Mais que um instrumento musical...
A humanidade da canção...
O começo, meio e final...

Só ela...

A Voz...

09/02/2014...

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

TRISTESSE




Porta-retratos brega,
no canto da sala,
somente lembranças de uma felicidade distante.

Doze anos no copo cheio,
o olhar perdido contemplava a luz da Lua,
que prateava os carros engarrafados na avenida.

Restava o vazio do tamanho de sua vontade de partir.
Na sala, Morrissey suspirava: "there is another world, there is a better world, there must be".




Alexandre Roque

www.alexandreroque.com
twitter.com/roquealexandre

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Sleeping at the city

Rodolfo Pamplona Filho




Everybody sleeps
at the Land of Lord...
Everybody lays
at Morpheo's arms...
Everybody tries
to be awake early...
Everybody tries
to be wakeful for more time...
Everybody tries
to be alive...
But there's nothing to do
when the Sandman comes...

13/02

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Sem Título
















Dos seus quatro homens,
o primeiro a ir foi seu companheiro de vida.

Coração fraco,
parou de bater aos quarenta e quatro.

Depois, o do meio dos três filhos.
Para o Japão,
em busca de dinheiro e de uma paixão.

O mais velho era o mais parecido com o pai,
e o imitou até na morte.

Por fim, o mais novo,
que embarcou no sonho do irmão do meio.

No almoço daquele domingo,
o primeiro só, vendo o frango na mesa,
o mais triste foi pensar que não sabia qual a sua parte favorita...

Paulo Nunes

domingo, 16 de agosto de 2015

Deus Ex Machina

Rodolfo Pamplona Filho




Deus surgido da máquina
Um Deus que surge,
ao final de tudo,
para, literalmente,
consertar tudo
que havia de errado
ou terminar
o que estava inconcluso...

Salvador, 01/03/2014

sábado, 15 de agosto de 2015

Cinco anos de Blog

Estimados

Hoje, não postarei texto poético novo!
Na verdade, esta mensagem é apenas para agradecer todos aqueles que têm acessado o blog, que, hoje, completa cinco anos consecutivos no ar, quase sempre com pelo menos um texto novo por dia!
E confesso que nunca imaginei que fazê-lo seria tão prazeroso assim.
Foram muito mais do que postar 365 textos neste ano!
Fiz amizades com pessoas que nunca vi ainda pessoalmente, mas que têm compartilhado suas almas e letras comigo. O blog deixou de ser um espaço para publicação exclusiva de textos meus, para se converter em um portal de poesia de todos aqueles que se interessam por este lado bonito da vida...
Quanta gente maravilhosa tivemos a oportunidade de conhecer aqui? Tantas  criaturas preciosas que nos enviaram textos e que publicamos com todo prazer!
Por isso, em vez de postar um texto novo, gostaria de convidar você, que já segue o blog ou que está lendo-o pela primeira vez, a futucá-lo um pouco!
Verifique quantos acessos já ocorreram!
Veja quantos seguidores temos! Se você ainda não está lá, nao se acanhe em apertar a opção de "seguir o blog"!
Leia ou releia os textos mais acessados do blog (a relação está do lado direito desta página)!
Descubra os temas mais recorrentes nos marcadores dos temas!
Ajude-nos a melhorar o blog, tanto do ponto de vista da formatação, quanto da escolha dos textos a ser programados para publicação!
Comente aqueles textos que tenham chamado mais a sua atenção!
Além disso, tenho recebido contribuições de diversas pessoas que, quando não mandam poemas seus ou de terceiros, mandam imagens lindas que decoram o nosso espaço. Agradeço, em especial, à amada ex-aluna Amanda de Almeida Santos, que é a responsável pela maior parte das imagens expostas aqui no blog.
Ela, juntamente com outras pessoas lindas, têm me mandado diversas ilustrações que têm renovado o meu ânimo de manter o blog no ar...
E, depois de um tempo com menos postagens, voltamos com força total, graças ao apoio de Juliana e Lisi, da Maia Comunicação, que passaram a fazer a minha assessoria de comunicação e gerenciamento de publicações e redes sociais desde 23/07/2015!
Se você, leitor, encontrar alguma imagem legal que possa adornar algum texto já postado, não hesite em nos encaminhar também!
Ter tanta gente maravilhosa perto de mim é bom demais...
E isto me deixou muito feliz...
Feliz aniversário a todos nós!
Abraços a todos,

Rodolfo Pamplona Filho

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O Pequeno Guerreiro

 Jairo Vianna Ramos


As patas dos cavalos pareciam arrancar fumaça do chão. Um gigantesco guerreiro cavalgava com destreza seguido por outros cavaleiros fortemente armados. Os pastores corriam com as ovelhas a procura de abrigo.

Aonde iriam os soldados com tanta pressa e raiva? A quem atacariam? Era evidente o eclodir da guerra. Os pastores não eram os inimigos, pois  já se punham salvos.

Eu olhava com insistência a grande campina, mas não via traço do possível adversário do exército do colosso. Mais ao norte, havia um castelo abandonado, ou ao menos assim parecia. Suas torres estavam derretidas, em parte. Era estranho o descuido em que se encontrava a  edificação tão importante. Em volta havia um bosque cujas árvores não tinham folhas e por algum tempo pensei que ali estariam os antagonistas, mas logo desisti da ideia, haja vista a ausência de sombras necessárias ao esconderijo. Os pobres troncos sozinhos eram incapazes de esconder um homem sequer.
O imenso guerreiro levava a horda ao noroeste. O ruído dos tropéis ensurdecedores quase dilacerava os meus tímpanos.

O gigante guerreiro trazia na cabeça um insólito capacete encimado com uma ponta de espada. Imaginei se cabeceasse algum desafeto. Pensei se a lâmina atravessasse o meu corpo e me contraí. Suei e senti a dor na suposição da violenta batalha por vir.

Forcei a vista ao noroeste. A campina continuava vazia pelos lados de lá. Nada de inimigos. Apenas o grande guerreiro e seus seguidores galopavam em linha reta naquele rumo.
O casal de pássaros chegou ao ninho para alimentar os filhotes. Ainda bem — pensei. Sempre ficava preocupado que acontecesse algo com os pais. Quem tomaria conta dos pequenos? Eu os alimentaria, talvez.  Mas um dia, eles precisariam aprender a voar. Não saberia ensinar-lhes isso. Mas agora me afligia o fato de o ninho ficar tão próximo à campina onde, eu sabia, travar-se-ia a brutal contenda. Era meu dever cuidar dos pássaros. Tornei-me guardião voluntário dos filhotes e não podia deixá-los em momento tão grave.

Os adultos piavam sem cessar, arrepiavam as penas do alto das cabeças e em volta dos pescoços. Talvez previssem o perigo.

Um repentino calor insuportável promovia uma lufada de ar quente que trazia o incrível cheiro de sangue ainda não derramado, como se antecipasse o futuro. Abri os braços na insana pretensão de assustar os bravios guerreiros.

 Olhei novamente a noroeste e, agora sim, vi o outro exército que despontava no horizonte. E enquanto o esquadrão do gigante vestia armaduras e malhas cinzentas, o outro trajava roupas coloridas e alegres, algo estranho para soldados cuja missão, ao menos na teoria, seria assombrar, enfrentar e destruir os oponentes.

Lamento dizer que me esqueci dos pássaros e descumpri, assim, por um momento, o que era obrigado. Porém, como desviar a vista daquela inusitada legião de cores? Ela não vinha embalada pelos militares tambores. Tocavam-se, não sei quem, onde e como, belas e alegres valsas. Embora ainda distantes, dava para se ver que os cavalos mais pareciam belas criaturas dos carrosséis enfeitados dos parques. E a variedade harmoniosa dos matizes pintava na pradaria um jardim em movimento. Canteiro líquido que escorria pela terra. Presente do sol da tarde enviado do fim do mundo. Aurora boreal.

À frente do belo exército estava o pequeno guerreiro. Mas naquela distância não lhe distingui as feições. De viés olhei o ninho. Os pássaros adultos estavam imóveis. Os filhotes nem ousavam erguer as cabeças à procura do repasto. Enfurnaram-se, por ordem do instinto. A natureza repudiava a fereza.

Olhei de novo a planície, não mirei os lados do gigante porque meus olhos preferiam o exército da cor e da alegria e, para meu espanto, percebi, agora nitidamente: o pequeno guerreiro era eu! E mais perplexo pude ver que se vestia como eu, embora em combate medieval. Calças nos joelhos e uma camiseta azul com escritos em vermelho, em língua estrangeira, cujo significado eu não sabia, como ele também, talvez.

O vento bateu mais forte nos meus cabelos e já eram perceptíveis os hálitos dos inimigos. Os seus fedores invadiram-me. Vi as rugas de raiva nos seus rostos. Estavam muito próximos. O choque era iminente e inevitável. Levantei a espada uma vez. A música cessou. Fez-se o silêncio. Repeti o gesto e gritei, com a voz seca de arranhar garganta:

— Atacar!

Escureceu à minha volta. Um turbilhão de corpos e armas. O sangue espirrou como chuva às avessas. Gritos cortaram o ar e o som de aço no aço era incessante. O cavalo resfolegou sob o meu corpo e rodopiou para encontrar piso entre os corpos dilacerados. Na escuridão da batalha, eu vi o capacete incomum do gigante.  Tentei me aproximar dele e ele, mais ainda, ansiava o combate e veio em minha direção abrindo alas pela pugna. Onde passava deixava o rastro de arrasamento. Embora ciente da desproporção, não havia outra forma de terminar a contenda senão a queda do líder. Cabia-me enfrentá-lo. Franzi a testa para ajudar a visão ofuscada pelo sol. Fez-se um claro na planície, como se parasse a batalha e no meio do espaço criado, sem qualquer ordem ou combinação, estávamos: eu e o enorme oponente.

O gigante nem cumprimentou. Com um só gesto atirou a lança contra meu peito. Dor aguda. O sangue corou a grama da campina, misturou-lhe a púrpura, como se houvesse ainda onde se colorir.
Não entendia como eu, deitado ao chão e de braços abertos, no ofício de proteger a árvore onde estava o ninho, pudesse cair moribundo lá na campina, pois a dor predefinia o fim.

Mas o eu de lá não era o mesmo de cá.

O gigante, ciente da vitória, volveu para o lado da árvore e balançou a enorme cabeça, incrédulo. Viu outro pequeno guerreiro igual àquele que jazia à sua frente.

A determinação destruidora foi mais forte que a dúvida e o enorme homem veio em minha direção. Senti a boca secar e pensei nos pobres passarinhos no ninho.

Os segundos cresceram como horas. Eu gritei coisas que não me lembro. Vi o guerreiro e seu cavalo em franco galope se aproximava. Ele abaixou a cabeça e deixou em evidência a espada do capacete.  Fechei os olhos, pensei nos meus pais, na minha casa, nos passarinhos e chorei.

Senti um toque no ombro e ouvi, ao longe, a voz de homem.

— O que é isso, menino? Está sentindo alguma coisa? Você está bem?

Não respondi logo. Apontei para o alto e balbuciei:

— O gigante está perto. Matou muita gente e agora quer me pegar! Deixou um rastro de sangue!

O homem olhou o céu e sorriu.

— Calma! São apenas nuvens, elas às vezes tomam formas estranhas e assustadoras, depende da imaginação. E está vermelho porque o sol se põe. Vá para casa, descanse e esqueça.

Olhei a árvore e saí dali satisfeito, vivo e livre, como os passarinhos. Antes de dormir, resolveria sobre continuar ou não na missão de guardião dos pássaros da pracinha. Talvez fosse ainda muito novo para isso.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Migalhas de Carinho

Rodolfo Pamplona Filho




Eu mendigo
migalhas de seu carinho
como um cachorrinho
junto de sua mesa,
na esperança de, um dia,
encher minha barriga vazia
e meu coração sedento...

Salvador, 16 de janeiro de 2014

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Anjo Satã

Há uma mulher, de quem falam

por casas e praças,

que tem fama e fervor.

Decide se acompanha ou opõe.



Dizem de suas orações e do que manda fazer,

dos homens que a ela não se comparam.

Galardões e seminários, em arrastos e confissões,

por honra da senhora dos feitiços e bênçãos.



 Entre terras e escravos, minas e fundições,

a fortuna que tantos sondaram,

os beijos de bajulações e outros empregos.

Soube abraçar e esquivar, manter e disputar.



O padre e o banqueiro, o contratador e o governador,

quem pode os seus pedidos ignorar?

Roga a Deus em visões.

Alguma vez sorriu, se disse feliz?



Dizem os bons: é um anjo encarnado!

Seus desejos espargem amor e docilidade.

Quando jovem, encantou, com suavidade de rosa,

gentes do campo e da cidade.



Afirmam os profanos: é satã afeminado!

Sua boca reparte fel e inimizade.

Sua flor se abriu em propositada cilada

ao capitão que embarcou na conhecida emboscada.



Por conselho quebrou dificuldades e jornadas

tolamente propagadas.

Propriedade não é estima.

Respeito e admiração: busca de conquista.



Não tem qualidade o corpo reles que jaz

sem alma ativa e corada,

como não tem mérito o sentimento do filho

que por vã afronta recebe castigo.



As encomendas que se fazem

são parcas e desmerecem

a memória de tempos bruscos e mal acolhidos.

Descanso é refúgio não reservado.



O trabalho será eternizado na dor

de quem compra indulgência sem sacrifício.

A herança está consumada em fogo,

purificada de mãos sem engenho e desvalorosas.



Ditosa mulher ambígua,

que aos meus sentimentos não satisfaz,

sua morte encerrou muitas vidas

e a minha já não se compraz.





Bruno Terra Dias