terça-feira, 24 de outubro de 2017

Ele sabe que nunca serei ela


Rodolfo Pamplona Filho 
Eu o perdoo
por ter medo
Eu não perdoo
por ser covarde
Eu não resisto
a me entregar ao prazer
do seu corpo
só para me divertir
e me perco
na armadilha do amor

Se eu fosse ele,
eu nunca me deixaria ir...
Mas não sou...
Eu deveria parar
de lembrar que
nunca serei ela

Odeio amar você
Não consigo colocar
mais ninguém
acima de você...
Completamente sozinha,
As vezes você me mata lentamente...
Talvez o erro seja meu
Eu só queria ser feliz...

Salvador, 17 de abril de 2017.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

As faces do eu na temporalidade.



Antonio Lafayette.

As faces do eu na temporalidade.

A solidão nos atormenta silenciosamente

Na presença encontramos solidão

E a tormenta silenciosa se revela aos olhos dos (des)amparados

Revele-se e descubra a sua identidade

Ou esconda-se da sua timidez

Busca-se verdade(s) no desamparo dos desesperados ou na certeza dos letrados

Encontre-se com o alter no seu ego

O ego não suporta o super-ego

Encontre-se na perdição, pois a certeza te condenou a solidão

Mas solidão silencia sua tormenta e a tormenta alimenta sua ilusão.

Ilusão do que seremos, do que somos ou do que fomos, num jogo de superposição de tempo

Passado, presente, futuro se entrelaçam na minha visão, esclarecida ou obscurecida na minha ilusão

Aprendi que excesso de luz pode gerar escuridão

Assim como a verdade do-ente pode atormentar a sua mente.

Viver na racionalidade é um devaneio da loucura, pois nada menos humano que a falta de loucura.


domingo, 22 de outubro de 2017

Trabalho denso, tenso e intenso


Rodolfo Pamplona


Densidade
como algo cada dia
mais profundo,
em que se cai
sem saber se e quando
se alcança o fundo.

Tensão
como algo que não desliga,
pois, a cada momento,
tudo pode mudar
com um acidente, uma chamada
ou um novo elemento.

Intensidade
como algo que nunca cessa,
pois a opressão
castra a iniciativa,
limita a perspectiva
e cala a opinião.

É preciso aprender
a finalmente sobreviver
à benção convertida em maldição,
ao prêmio que virou castigo
do trabalho denso,
tenso e intenso

São Paulo, 21 de junho de 2016.

sábado, 21 de outubro de 2017

SANGRANDO



Antonio Lafayette.

Intensidade morta
Mortificação da sobrevivência
A voz que não nos revela
Mas que sangra o olhar
A moral que reprime (des)amparados
Lança-nos no viver ausente
Encontramo-nos na origem imaginária
O utópico real, o lugar do desejo não permitido
Pertence-se ao inexistente
Inexistência do viver, do desejo
Os olhos sangram, a voz mente
Manifestação inautêntica
Tempo e representação
 Intensidade sangrando


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Carinho



Rodolfo Pamplona Filho

Preciso demais
Preciso de mais
Preciso de monte
Preciso para ontem...
Preciso para frente...
Preciso para sempre...
Preciso loucamente
Preciso serenamente
Preciso não ser mais sozinho
Preciso imensamente de carinho.

Salvador, 31 de julho de 2012.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Um... [Indefinido]



Anna Clara Andrade de Oliveira

Um... [Indefinido]

(...) Um rio negro e profundo,

Que corre sem parar,

Sem reparar as margens,

A grandeza do mar é o seu destino.

Este rio é uma vida!

Negro, difícil de olhar por sua superfície;

Profundo, que esconde sua essência como se temesse que algo a roubasse ou entendesse.

Um rio de carne e osso;

É um livro de sangue escrito em uma língua que já não existe.

Queria poder ser capaz de achar todas as respostas,

Mas me limito.

Queria poder ler no mínimo sua sinopse,

Mas não consigo nem mesmo ler a minha!

E dentro de tudo isso o tempo passa

E acaba que quem deságua no mar sou eu.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Provar a Dor


Rodolfo Pamplona Filho 

Ver-te no provador
é provar a dor
de não ter-te,
mas entreter-te
para provar que a dor
verte a cada ver-te
sem ter-te,
na vertente
de ter uma prova
de que serei só teu.



Salvador, 06 de abril de 2017.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Reforma Trabalhista


Cyntia Possídio

Deram-me vinte minutos para falar do meu tema,
Mas a verdade é que nele enxergo outro problema
De amplitude maior do que ousei supor,
E a partir destes versos tentarei lhes expor.
Se nos dedicamos a analisar pormenorizadamente a questão,
Veremos que a disputa dá-se entre os poderes da Nação.
Judiciário e Legislativo, como se isso fosse possível,
Travam uma batalha em torno do Direito, invocando seus super poderes para prevalecer o que pensam de qualquer jeito.
Aos que têm jurisdição opõem-se aqueloutros com a legislação,
Trocando em miúdos o que querem dizer talvez façam os homens de toga a lei obedecer.
À provocação que lhes é feita, de modo reativo,
Respondem os homens de preto com ativismo,
E nesse cabo de guerra flagrantemente instituído,
Destina-se à sociedade o maior prejuízo.
Haveríamos, em pleno século XXI, de estarmos discutindo o feixe de poderes que lhes é atribuído?
Ou deveríamos estar aprimorando os direitos que já foram concebidos?
No assunto em questão não há novidade: a matéria foi posta sem discussão dar margem.
O papel dos sindicatos foi constitucionalmente reconhecido e Convenções da OIT isso reverberaram no mesmo sentido.
Mas no vazio normativo ou inação dos atores sociais investidos da função,
Não foram poucas as vezes que a jurisdição deu lugar à inovação.
A proliferação de normas apartadas do processo legislativo
Resultou num sistema de segurança jurídica desprovido,
Deixando sem rumo, no caso do Direito do Trabalho, sindicato, empregador e empregado.
E para corrigir essa distorção que se revela mais ampla, é preciso dizer o que já está dito,
Chegando ao extremo de se criar até princípio,
Como forma de criar uma barreira de contenção, limitando o Judiciário em sua atuação.
E nessa incessante peleja, há quem na reforma nada de bom veja!
Blocos antagônicos se formam, dos que não gostam e dos que com ela concordam,
Turvando, asim, a nossa visão, tirando-nos o foco do que está em questão:
Não é a prevalência do negociado sobre o legislado em matéria trabalhista,
Mas aonde chegaremos com essa postura beligerante e maniqueísta!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Ele sabe que nunca serei ela


Rodolfo Pamplona Filho 
Eu o perdoo
por ter medo
Eu não perdoo
por ser covarde
Eu não resisto
a me entregar ao prazer
do seu corpo
só para me divertir
e me perco
na armadilha do amor

Se eu fosse ele,
eu nunca me deixaria ir...
Mas não sou...
Eu deveria parar
de lembrar que
nunca serei ela

Odeio amar você
Não consigo colocar
mais ninguém
acima de você...
Completamente sozinha,
As vezes você me mata lentamente...
Talvez o erro seja meu
Eu só queria ser feliz...

Salvador, 17 de abril de 2017.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A Minha Felicidade



Friedrich Nietzsche

Depois de estar cansado de procurar
Aprendi a encontrar.
Depois de um vento me ter feito frente
Navego com todos os ventos.

domingo, 1 de outubro de 2017

sábado, 30 de setembro de 2017

Minha vida



Mario Quintana

Minha vida não foi um romance.
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa,
De encanto,
De medo...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Bom dia, flores do dia! (Soneto)


Rodolfo Pamplona Filho

Como é bom celebrar
a chegada de um novo dia,
sem esconder a alegria
de os amigos reencontrar!

É maravilhoso ter o prazer
de, a cada manhã, saudar
aqueles que saem para trabalhar,
estudar ou simplesmente viver

Se houve tristeza no dia anterior,
pense apenas que já passou,
pois todo mal se esvazia

quando um sorriso ilumina a face
e a frase mais linda nasce:
"Bom dia, flores do dia!"


Guayaquil, 01 de outubro de 2013.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O Que Você Faria


Lenine
 
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Meu amor
O que você faria
Se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Meu amor
O que você faria
Se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Corria pr'um shooping center
Ou para uma academia?
Prá se esquecer que não dá tempo
O tempo que já se perdia

Meu amor
O que você faria
Se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?
Abria a porta do hospício?
Trancava da delegacia?
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria?

terça-feira, 26 de setembro de 2017

CÂNTICO



VINICIUS DE MORAES

Não, tu não és um sonho, és a existência
Tens carne, tens fadiga e tens pudor
No calmo peito teu. Tu és a estrela
Sem nome, és a morada, és a cantiga
Do amor, és luz, és lírio, namorada!
Tu és todo o esplendor, o último claustro
Da elegia sem fim, anjo! mendiga
Do triste verso meu. Ah, fosses nunca
Minha, fosses a idéia, o sentimento
Em mim, fosses a aurora, o céu da aurora
Ausente, amiga, eu não te perderia!
Amada! onde te deixas, onde vagas
Entre as vagas flores? e por que dormes
Entre os vagos rumores do mar? Tu
Primeira, última, trágica, esquecida
De mim! És linda, és alta! és sorridente
És como o verde do trigal maduro
Teus olhos têm a cor do firmamento
Céu castanho da tarde - são teus olhos!
Teu passo arrasta a doce poesia
Do amor! prende o poema em forma e cor
No espaço; para o astro do poente
És o levante, és o Sol! eu sou o gira
O gira, o girassol. És a soberba
Também, a jovem rosa purpurina
És rápida também, como a andorinha!
Doçura! lisa e murmurante... a água
Que corre no chão morno da montanha
És tu; tens muitas emoções; o pássaro
Do trópico inventou teu meigo nome
Duas vezes, de súbito encantado!
Dona do meu amor! sede constante
Do meu corpo de homem! melodia
Da minha poesia extraordinária!
Por que me arrastas? Por que me fascinas?
Por que me ensinas a morrer? teu sonho
Me leva o verso à sombra e à claridade.
Sou teu irmão, és minha irmã; padeço
De ti, sou teu cantor humilde e terno
Teu silêncio, teu trêmulo sossego
Triste, onde se arrastam nostalgias
Melancólicas, ah, tão melancólicas...
Amiga, entra de súbito, pergunta
Por mim, se eu continuo a amar-te; ri
Esse riso que é tosse de ternura
Carrega-me em teu seio, louca! sinto
A infância em teu amor! cresçamos juntos
Como se fora agora, e sempre; demos
Nomes graves às coisas impossíveis
Recriemos a mágica do sonho
Lânguida! ah, que o destino nada pode
Contra esse teu langor; és o penúltimo
Lirismo! encosta a tua face fresca
Sobre o meu peito nu, ouves? é cedo
Quanto mais tarde for, mais cedo! a calma
É o último suspiro da poesia
O mar é nosso, a rosa tem seu nome
E recende mais pura ao seu chamado.
Julieta! Carlota! Beatriz!
Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto
Que se não brinco, choro, e desse pranto
Desse pranto sem dor, que é o único amigo
Das horas más em que não estás comigo.

Rio de Janeiro , 1946

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

domingo, 24 de setembro de 2017

Das utopias.



Mário Quintana


Se os sonhos são inatingíveis,

Não é motivo para não quere-los

Tristes dos caminhos se não fora

A presença distante das estrelas...

sábado, 23 de setembro de 2017

Musicando a Tristeza


Rodolfo Pamplona Filho

Musiquemos a sensação...
A tristeza é inspiração...
O que machuca também ensina
e o sofrimento não precisa
ser uma eterna sina...
Somos movidos  a amor
e - porque não dizer? - a dor...
Somos o Som e a Dor...

Brasília, 14 de março de 2013

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Se Todos Fossem Iguais A Você



Tom Jobim

Vai tua vida

Teu caminho é de paz e amor

A tua vida

É uma linda canção de amor

Abre os teus braços e canta

A última esperança

A esperança divina

De amar em paz


Se todos fossem

Iguais a você

Que maravilha viver

Uma canção pelo ar

Uma mulher a cantar

Uma cidade a cantar, a sorrir, a cantar, a pedir

A beleza de amar

Como o sol, como a flor, como a luz

Amar sem mentir, nem sofrer


Existiria a verdade

Verdade que ninguém vê

Se todos fossem no mundo iguais a você

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Diálogo em Baianês


Rodolfo Pamplona Filho

Ó o auê aí ó!
Digaí!
Você está por cima da carne seca, véi!
Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...
Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...
Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...
Valeu, véi! Vou chegando...

Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.