terça-feira, 7 de abril de 2026

Não ir


 


Rodolfo Pamplona Filho



Não ir

não é

necessariamente

perder

Não ir

pode ser

esperar

para ganhar,

refletir

para entender,

aguardar

para vencer

 


Salvador, 23 de setembro de 2020.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

O crivo do não saber da falsa esperança





Vitor Henrique


A vida  criva o agrado da falsa esperança em um fardo pesado, que nem  alça de uma calça que não laça. 

A impostora, a  mentirosa,  a farsante ou hipócrita falsa esperança.  

A ânsia do ancorar no Lar que leva a um destoar. 

Um aborrecimento, uma mentira ou tirania. Eis o crivo do livro vivo que construímos em uma falsa esperança do não saber.



Que guiado e liderado  pelo o sonhar que nos criva. 

Da incógnita cotidiana  do sonhar ou não sonhar? 

Acreditar ou não acreditar, para o  medo de nós arranhar e nos ferir no ir. 



Não vamos ancorar se não sonharmos. 

Não vamos acompanhar o marchar da maré. 

Não vamos nem ao menos ter lido o livro do não saber

Mas se for um houver do muro sem lucro. 

Das  as alegrias… 

das  alegorias das falácias que não devem ser cogitadas, digitadas, lidas e escritas. 

Das idas às ideias inobsoletas das Borboletas das letras da falsa esperança.

 


Mas, se não sonhar não teremos vivido o livro.  

Do amada do nada. 

Do rechear do cheirar do lar 

Do avistar até aterrar em uma terra do além mar

Para que o amarrar do amar, se torne lar. Eis, o livro do não saber do escrito, digitado ou cogitado.



O que fizeram, o que eu fiz e para onde fui. 

É foda, a cabeça lota em quotas de devaneio. 

Sujeira que me jogaram, amarraram e me deixaram em uma mar uivante de Abrantes.  

Não se iluda com a forma lúdica da localidade airosa, porque não existe rosas sem espinhos, nem que se for no pinho do seu ninho. 

Não importa a forma, a sonata está perdida em uma ida sem partida, mas com chegada aonada mais me consola.  



As solas nem estão gastas em lascas. Mas já sei que não há nada mais. 

Porque não há? 

Porque eu já disse, me sujaram, amarraram e me jogaram no meio do nada e eu não sei nadar, nem ao menos andar no desconhecido. 

Não sei que lugar é esse, 

Não sei se tenhas o nobre e o pobre, e se eles se importam em ouvir os meus pensamentos confusos tontos pela… a maré.   

A porta parece  torta,  cheias de discursos  de nenhures. Porque, donde eu veio pelos devaneios, não conheci achar meios a abrir. 



A cabeça tida madura, já sabe que a vida  é assim, dura igual uma pedra, que  que  esmurra em uma algazarra de sentimentos. 

Uma verdadeira surra de  momentos e tormentos em só lamentos. 

Não se engane ou encane, dizem que é apenas uma pane no sistema. 

Urge então a necessidade de saber, para não beber na fonte da ignorância, porque a ânsia em uma direção de uma ação, que nasce naquela  idade.

Naquela idade, em que você não vê as coisas do jeito que antes via. 

Você de per si, sabe que  a vida é assim, no sim ou no não, sempre serei o anão da pirâmide. 



Ahhh, se eu pudesse ja ter descobre está chave mestra para concertar ou atar os nós do que já se foi. 

Aos  amigos que você tem que não ligam, 

o  sinal de pane aparece e você não amanhece 

É, no verso da canção, no abrir da chave, que a ave ligeira já sabe antes  que você, que é só ela e mais nada. 

Não existe amor no clamor da dor de um sociedade doente. 

Quem fala que sim mente, pela  simples mediocridade que transforma a terra em letra de funeral. 

Não existe compaixão, nem paixão. 

Não existe nada além dessa vida, porque na ida, você sabe que  somos meros passageiros prestes a partir. 

Desligue os castelos do tetris, que moldam quem está certo ou errado na peça de encaixe, desligue a máquina, desligue a cina.  

Porque nada importa, nem a forma, nem o como e o porque.



O Turbilhão em um bilhão de reações. 

A falta de quem  não tem alta, por um amor verdadeiro, sincero, companheiro na jornada da vida, nem que se for para uma ida sem partida.

Incógnita que Incomoda, quase coca, roça a aguça por resposta. 

O meu eu tosta, queima, chamusca a sina da mina  da ocitocina com a dopamina. 

Não hesita, nessa usina de toxina a saber. 

Mas, quem me  dera saber a resposta para essa incógnita que me habita que não hesita. 



Quem me dera  as respostas, se nem sei quais são as perguntas, que me perfazem. 

É nessa usina, que ser zem não me fazem ir além do óbvio. 

Mas que me dera saber o que meu corpo quer beber? Se é nessa usina de ocitocina com dopamina que eu vivo até ir ao além, nem se for sem ou com a resposta. 

A incógnita nitra o que sei lá eu sou, só sei que zem eu não sou, nem com serotonina eu sou. 

Sou eu, um bilhão de reações sem lições de moralidade e eticidade.  

Sou eu quem caminha nessa mina de toxina e paixão em uma mansão sem uma lição a te dar.

Nem mandar a onde andar, porem a quem lhe vem apenas excitar o meu eu até onde for, nem que se for sem alem a algo que nem existe.

Sou eu turbilhão em um bilhão de reações com ações, sem lições, mas com desejos e medos.






domingo, 5 de abril de 2026

Fake News na Pandemia





Rodolfo Pamplona Filho


A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.


 


Salvador, 25 de julho de 2020

sábado, 4 de abril de 2026

Fui eu esse menino que me espia



  


Poema de Fernando Py (1935-2020)


– melancólico olhar, sereno rosto,


postura fixa e o todo bem composto –

no retrato que o tempo desafia.


Fui eu na minha infância fugidia

de prazeres ingênuos, e o desgosto

de sentir tão efêmera a alegria

bem depressa mudada em seu oposto.


Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa

e tudo altera nem sequer deixou

um grão de infância feito esmola escassa.


Fui eu; e da figura só ficou

o olhar desenganado na fumaça

em que a criança inteira se mudou.


abril 1998


(De Sentimento da Morte – 2003)

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Estourando os Limites da Paciência

 



Rodolfo Pamplona Filho


A inteligência é limitada, 

a ignorância é infinita; 

a compreensão é bem ampla, 

a burrice extremamente restrita 

a tolerância é apaziguadora 

a idiotice procura confusão  

O respeito acalma  

A afronta acende pavios  

a paciência tem limites, 

que, se estourados, não voltam mais... 


 


Salvador, 25 de janeiro de 2021. 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A água em você

 






Negra Luz




Me diga que não precisa pensar na vida.

Me diga que não precisa pensar em você.

Se a resposta certa é o que espero,

Então me diga que pensa na água,

Ela está em você.


A água está em em mim

Está em você.

Sem ela, a fonte da vida é rio que seca.

Ressecam-se a fauna e a flora

E todo viver. 


Oxum e Yemanjá tem seus filhos

E abençoam com água

Salgada ou doce,

Abençoam o nosso viver.


Se tens fé nas Águas,

Da água deve cuidar,

Pensar nas nascente, 

Nos mares 

E nas suas vidas.

Em não poluir, revitalizar,

Proteger o que temos

Rever desperdícios e perdas ajudam a resolver.


Se já bebeu água com sede,

Sabe o que é não ter...

Por um segundo e urgimos sem ela.

Imagine o pior dos mundos sem a ter!


Me diga que não precisa pensar na vida.

Me diga que não precisa pensar em você,

Se a resposta certa é o que espero,

Então me diga que pensa na água,

Ela está em você.




quarta-feira, 1 de abril de 2026

Relacionamento



 



Rodolfo Pamplona Filho



Vou embora! 

Não fico mais aqui! 

Estou arrumando as minhas coisas! 

Vou sair! 

Tchau 

(...) 


“Você não vai correr atrás de mim?” 

terça-feira, 31 de março de 2026

segunda-feira, 30 de março de 2026

Sobre Limites da Inteligência

 



Rodolfo Pamplona Filho


Há pessoas que 

realmente não aprendem: 

por mais que se ensine, 

por mais esforço que se faça, 

não adianta dar dicas, 

não servem os exemplos, 

não prestam os métodos, 

é inútil a pedagogia... 

toda vez que o indivíduo 

pode falhar, 

nisto não decepcionará, 

pois a inteligência tem limite, 

mas a ignorância é infinita... 


 


Salvador, 05 de janeiro de 2021. 

domingo, 29 de março de 2026

Desnuda

 





(Negra Luz)



A poesia não me permite conter me em segredos.

Ela sussurra, através dos meus versos, o que não escrevi:

Traduz em onomatopeias meus sentimentos,

Cochicha pelas entrelinhas, expõe me nos acentos,

Quando findo uma estrofe, ela ainda fala por mim.

Um delatora camuflada por metáforas e rimas,

Revela a métrica do que escrevo e, quando menos espero,

Me vejo desnuda diante de ti:

Meu leitor, minha leitora.

sábado, 28 de março de 2026

Sabe...

 



Rodolfo Pamplona Filho



Sabe ...  

por vezes, esperei  

uma reposta sua,  

mas não entendi  

que já respondera 

da forma mais pura... 



Sabe... 

Talvez não tenha  

tido ouvidos para  

ouvir o silêncio... 

sei que ele é música, 

por vezes ensurdecedora 

por vezes detentora 

de todos os sentidos... 

 


Sabe... 

Você me respondeu  

tantas vezes  

e eu não escutei... 

O vazio é uma reposta  

que também nos é imposta... 


Será a pandemia? 

Será o dia a dia? 

Será falta de razão? 

Ou foi o grande coração? 

Não sei,  

só sei  

é só você  

sabe... 

que você respondeu  

e eu não ouvia.  


 


Salvador, 5 de fevereiro de 2021.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Retrato

 



Cecília Meireles


Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida

a minha face?





quinta-feira, 26 de março de 2026

Peguete

 



Rodolfo Pamplona Filho



Peguete é prazer  

sem ter chateação; 

é aproveitar o corpo, 

o beijo 

e a companhia  

sem dar satisfação; 

é saber desfrutar  

o que a vida proporcionar, 

sem se preocupar  

com a conta a pagar  

ou ter de explicar 

o rumo a tomar  

ou a intenção a falar... 

é simplesmente viver o hoje 

sem pensar no amanhã... 



Salvador, 15 de janeiro de 2021. 

quarta-feira, 25 de março de 2026

O Amor é assim

  





Márcio Berto Alexandrino de Oliveira


O Amor é assim,

quando menos se espera floresce, passa por percalços,

mas quando é verdadeiro nunca se acaba.

Apesar do tempo, da distância, das adversidades, das diferenças,

O Amor continua resplandecendo como o brilho da lua cheia, porque o amor verdadeiro não perece, não se vangloria, não guarda rancor,

O Amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

O Amor não se cobra, não se acha nas vitrines, não tem valor pecuniário, é algo maior do que isso, é magnífico, é sublime.

É a mais pura manifestação de sentimento.

É obra de Deus.

É para sempre!





terça-feira, 24 de março de 2026

Comunicação

 




Rodolfo Pamplona Filho


A maior distância  

entre duas pessoas 

é o mal-entendido 


O maior abismo  

entre dois seres  

é não ser compreendido  


Meias palavras 

Frases não ditas 

Falta de diálogo  



Ausência de interação  

Gap de cognição  

Problemas de comunicação  


 


Salvador, 25 de janeiro de 2021. 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Alegria em Doses Homeopáticas

 






Rodolfo Pamplona Filho




É difícil sorrir

com receio de consequências

É difícil fluir

com medo das intermitências

É difícil respirar

com receio das armadilhas

É difícil se entregar

com certeza da desconfiança

É difícil amar

tendo perdido a esperança

É difícil sobreviver

com dificuldades burocráticas

É difícil viver

a alegria em doses homeopáticas



Praia do Forte, 31 de dezembro de 2022.

domingo, 22 de março de 2026

E não pode esperar o coração

 



Jaci Bezerra 



Toda a lua e claridade

assim te quero, assim te vejo

e se te vejo o amor invade

meu corpo inteiro e o deixa aceso

e se te vejo o amor em mim

é um cheiro morno de jardim

A tua dor doendo em mim

é um rio latejando aceso

sou um cantareiro no jardim

do sonho em que te quero e vejo

primaveras de claridade

na primavera que me invade


Toda nua és um rio aceso

de primavera e claridade

mas quero mais do que o que vejo

sentindo a angústia que me invade

esse amor que doendo em mim

arde em silêncio no jardim


Extinta a angústia que me invade

te sinto perto e junto a mim

mais do que amar a claridade

amo teu cheiro de jardim

por isso à noite durmo aceso

no dia em que te sinto e vejo.


Teu coração é um jardim

tremulando na claridade

mesmo quando doendo em mim

também é a angústia que me invade

porque no dia em que te vejo

teu corpo dorme em mim aceso


No fundo dos teus olhos vejo

longe da angústia que me invade

como o amor doendo aceso

é uma trança de claridade

o coração dentro de mim

dorme abrasado em teu jardim.

sábado, 21 de março de 2026

Empréstimo

 




 


Rodolfo Pamplona Filho



Vou te emprestar

meus olhos

para veres

a coisa linda que vejo

quando sorris.


Vou deixar contigo

a minha pele

para sentires

a doçura

do teu toque.


Vou esquecer em tuas mãos

o meu coração

para teres a certeza

de que ele pulsa

por ti.



Salvador, 22 de janeiro de 2023.

sexta-feira, 20 de março de 2026

As folhas do crepúsculo





Janete Fonseca


Cai a primeira folha, 

A segunda também. 

Mais outra... e outras mais, 

Centenas delas caem 

Das árvores centenárias 

Apenas sopra o vento, 

No alaranjado crepúsculo 



E à tarde primaveril, 

Quando o olhar se embaça 

Ao sol da memória, 

Voltam todas, 

Molhando os caminhos 

Em longas cabeleiras 

Em galhos silentes, 

Pingando cores 



Também do coração, 

Onde brotam as ilusões, 

Uma por uma vai tombando, 

Descendo ladeiras 

Em fortes enxurradas 

Por esse mundo fora 

Como tombam as folhas das árvores centenárias 



No mar azul da infância, 

Olhar suspiroso e 

Imaginação solta 

Voam...Mas às copas as folhas voltam, 

E elas ao coração não voltam jamais, 

Levadas pelas águas de março 




(PARÁFRASE DO POEMA DE RAIMUNDO CORREA  "AS POMBAS")

quinta-feira, 19 de março de 2026

Olhares



 


Rodolfo Pamplona Filho



O que diz um olhar?

Mais do que palavras

O que ensina um olhar?

Mais do que muitas lições

O que mostra um olhar?

Mais do que mil exposições

O que prende um olhar?

Mais do que prisões

O que mata um olhar?

A dor fatal das repressões

 




Buzios, 13 de janeiro de 2023.

quarta-feira, 18 de março de 2026

O Depósito

 






Clivia Filgueiras




Do contrato sou um tipo

Me assento na confiança plena

Referente a custódia ou guarda de coisa alheia

Pode ser ela grande ou pequena.


Duas pessoas de mim fazem parte

Uma entrega e a outra guarda o montante

Há uma relação de confiança

Entre o depositário e o depositante.


Quando entrego a coisa

Espero deveras a restituição – sigo confiante...

Se na ocasião ajustada dela não me fizer novamente dono

Uma Ação de Depósito proponho


Afinal, sou o depositante!


Eu recebo a coisa

Restituí-la-ei conforme o ajustado

Não sou o seu dono

Apenas depositário!


Como depositário tenho algumas obrigações:

Guardo a coisa alheia recebida mas dela não posso me servir...

Respondo por dolo ou culpa se a coisa perecer...

Ao depositante sou obrigado a restituir.


Se da coisa me apossar sem autorização

Receberei a devida sanção

O juiz decretará uma pena

Irei parar na prisão.


Como depositante as minhas obrigações vão além

Remunero quando sou oneroso

Mas posso ser gratuito também!


Posso também ter obrigações de fato real:

Reembolsar as despesas de meu interesse

Indenizar os prejuízos de vício real.


Contrato Irregular também posso ser

Posso usar e dispor da coisa depositada...

Restituir coisa de igual valor e quantidade...

Devolver não exatamente a que me foi confiada.


Posso ser Necessário, Legal, Hospedeiro ou Miserável

Os três primeiros com fundamento ou exigência legal

O último quando em guerra...terremoto e coisa e tal.


Para concluir:

Antes da coisa entregar

É preciso no depositário confiar

Pois sou baseado numa relação de boa-fé

De Depósito devem me chamar. 

terça-feira, 17 de março de 2026

Aceitando o que é possível

 




 



Rodolfo Pamplona Filho




Sonhar não custa nada,

mas alcançar o que se deseja

não é fácil

e, muitas vezes,

só se pode

se confirmar com o que se tem,

suspirar pelo que não vem,

lamentar o irrealizável

e aceitar o que é possível.


Salvador, 16 de dezembro de 2022.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Canção

 




 

 


Cecília Meireles



Pus o meu sonho num navio

e o navio em cima do mar;

- depois, abri o mar com as mãos,

para o meu sonho naufragar



Minhas mãos ainda estão molhadas

do azul das ondas entreabertas,

e a cor que escorre de meus dedos

colore as areias desertas.



O vento vem vindo de longe,

a noite se curva de frio;

debaixo da água vai morrendo

meu sonho, dentro de um navio...



Chorarei quanto for preciso,

para fazer com que o mar cresça,

e o meu navio chegue ao fundo

e o meu sonho desapareça.



Depois, tudo estará perfeito;

praia lisa, águas ordenadas,

meus olhos secos como pedras

e as minhas duas mãos quebradas.

domingo, 15 de março de 2026

Meus Cachorros

 






Rodolfo Pamplona Filho




Meus cachorros têm marcas

decorrentes das pauladas

e das porradas

que a vida proporcionou



Meus cachorros têm traumas

potencialmente insuperáveis,

frutos amargos da árvore

de mal-tratos que sofreram



Meus cachorros têm Cicatrizes

no corpo e na alma,

marcas do que passaram

nas mãos cruéis do destino



Meus cachorros têm um Amor

simplesmente inexplicável,

potencialmente infindável

e naturalmente adorável



Meus cachorros me representam

Eles são meu espelho,

meu esteio e meu sentido

Eles são eu e

Eu sou eles



Salvador, 10 de dezembro de 2022

sábado, 14 de março de 2026

Madrugada em Meu Jardim

 






Jansen Filho




Um divino clarão vem do nascente

E sobre o meu jardim calmo resvala!

Na graça deste quadro reluzente,

A aragem fria os meus rosais embala! 



Tudo desperta misteriosamente!

E a luz cresce e se expande em doce escala,

Avivando o lençol resplandecente

Da brancura dos lírios cor de opala! 



E o sol, doirando as franjas do horizonte,

Celebra a missa do romper da aurora

Na doce Eucaristia do levante! 



Da passarada escuta-se o clarim !

E a madrugada estende-se sonora,

Na aleluia de luz do meu jardim ! 

sexta-feira, 13 de março de 2026

As Vozes da Minha Cabeça

 


 



Rodolfo Pamplona Filho




Não preciso de estudo

Não preciso de história

Não preciso de lógica

Não preciso de ciência

Não preciso de fontes

Não preciso de provas

Só preciso da minha convicção

e das vozes da minha cabeça.



Oceano Atlântico, 12 de janeiro de 2023.

quinta-feira, 12 de março de 2026

ETERNO APAIXONADO

 



 Barros Alves


Viver o amor é cometer loucuras,

É apaixonar-se desabridamente.

É morrer de prazer e, de repente,

Esquecer pundonores e posturas.


Muito amar é perder a compostura

Ante as normas que essa pobre gente

Quer-nos impingir hipocritamente,

Mas, o amante a rechaça com bravura.


Pois se amar loucamente é vil pecado,

Que nos deixa do céu ao desabrigo,

Pobre de mim! Sou louco apaixonado.


Desde o ventre materno condenado

Da vida levarei para o jazigo

O jugo desse amor desesperado.


quarta-feira, 11 de março de 2026

Dinheiro

 

 



Rodolfo Pamplona Filho

 

Dinheiro não é um problema;

Sua falta é que pode ser…

Já desperdicei

Já perdi,

Esbanjei e Torrei

Já gastei a mais

Já fui até enganado

Mas nunca lamento

Por ter gasto

Com algo

Que me trouxe um sorriso,

Uma lembrança,

Uma sensação de bem estar!

Dinheiro não é

Um fim em si mesmo,

Mas um apoio para viver

Os momentos alegres

Que trazem felicidade e paz.


Cartagena, madrugada de 14 de janeiro de 2024.

terça-feira, 10 de março de 2026

A UM MENDIGO


 


Barros Alves


Hoje eu senti a dor que abrasa os entes

Exposta em face exangue e mui sofrida;

Eu vi a dor que dilacera a vida,

Olhar de angústia, magras mãos trementes.


Vi de perto a miséria dos viventes

Sem pão, sem teto; alma combalida

A transportar a vida mal vivida

Dos desgraçados. Miseráveis gentes!


Acercou-se de mim. Pobre mendigo!

Mão estendida, triste olhar pedinte

Como se nem mais Deus lhe fosse ouvinte.


Desventura voz! Eu não consigo

Esquecê-la jamais. Voz que consome:

- Uma esmola, senhor, pois tenho fome...


segunda-feira, 9 de março de 2026

Pacto de um Ano

 


 


 Rodolfo Pamplona Filho



Pacto de um ano

Pacto de humanos

Compromisso firmado

Pacto selado

Assunção da missão

de busca da comunhão

de corpos e de almas

para, em salva de palmas,

consumar no papel

o que já foi acertado no céu.


San Andres, 18 de janeiro de 2024.

domingo, 8 de março de 2026

Apagar-me


 


Paulo Leminski



Apagar-me

diluir-me

desmanchar-me

até que depois

de mim

de nós

de tudo

não reste mais

que o charme.

sábado, 7 de março de 2026

O fim do diálogo




Rodolfo Pamplona Filho


 “Não quero falar!

Minha cabeça está cheia demais!

Cuido de todo mundo, 

mas a prioridade agora sou eu!”

Este é o momento 

em que todo diálogo morreu.


Salvador, 28 de dezembro de 2019.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Bem no Fundo





Paulo Leminski


No fundo, no fundo,

bem lá no fundo,

a gente gostaria

de ver nossos problemas

resolvidos por decreto


a partir desta data,

aquela mágoa sem remédio

é considerada nula

e sobre ela — silêncio perpétuo


extinto por lei todo o remorso,

maldito seja que olhas pra trás,

lá pra trás não há nada,

e nada mais


mas problemas não se resolvem,

problemas têm família grande,

e aos domingos saem todos a passear

o problema, sua senhora

e outros pequenos probleminhas.


quinta-feira, 5 de março de 2026

Felicidade




Rodolfo Pamplona Filho


Felicidade não é meta: 

é a forma como se vive; 

não é objeto, é o caminho; 

não é aquilo que te falta e sim saber aproveitar aquilo que já se tem!




Orlando, 10 de janeiro de 2020.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Eu

 


 Paulo Leminski


eu

quando olho nos olhos

sei quando uma pessoa

está por dentro

ou está por fora


quem está por fora

não segura

um olhar que demora


de dentro de meu centro

este poema me olha

terça-feira, 3 de março de 2026

Códex

 

 





Rodolfo Pamplona Filho


Palavras proibidas

Assuntos censuradas 

Nomes defesos

Ideias que não podem ser discutidas 

A impossibilidade absoluta

de qualquer diálogo.


Morro de São Paulo, 02 de janeiro de 2020.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Incenso Fosse Música


 




Paulo Leminski


isso de querer

ser exatamente aquilo

que a gente é

ainda vai

nos levar além



(in "Distraído Venceremos" Ed. Brasiliense, 1987)

domingo, 1 de março de 2026

Amor e Desejo

 

 



Rodolfo Pamplona Filho



amor e desejo

amor é centrífugo 

desejo é centrípeto 

amor quer se entregar 

ao destinatário 

do amar

desejo

quer absorver

o objeto 

a incorporar

Amar e desejar

fazem parte do viver,

mas amar se auto-renova,

enquanto desejar depende do querer.



Salvador, 09 de janeiro de 2020.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Distâncias Mínimas


 



Paulo Leminski


um texto morcego

se guia por ecos

um texto texto cego

um eco anti anti anti antigo

um grito na parede rede rede

volta verde verde verde

com mim com com consigo

ouvir é ver se se se se se

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Paixão




Rodolfo Pamplona Filho



A paixão é um delírio,

uma alucinação,

em que se vê o outro 

como se quer que ele seja,

e não como ele é.


Salvador, 3 de novembro de 2023. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

À MULHER ADVOGADA

 



Nos cobriram de prerrogativas e excederam nas limitações

Não precisa ter conhecimento de lei pra entender que a nossa balança é desleal

Andamos sobre saltos em calçadas, escadas, pedras, cascalhos, discriminações e injustiças

Seguimos sem cair sobre a corda bamba da retidão

Pedem para sermos direitas no direito e na vida

Esquecem que somos escolhas, lado, área, carreira e vontade

Que seja de Direita a nossa direção

Esquerda a nossa oportunidade

Somos constituição de sonhos e amor

Levamos na contestação o choro do filho

a conta pra pagar

os problemas políticos

o machismo, a fome de conhecimento, o desafio

O medo de perder e o poder do medo

Embora gigantes, sensíveis

Embora acusação, emoção

Embora justiça, razão

Não há contradição em nossa defesa

A mulher advogada é garra

É mãe e profissional

Esposa e defensora

Estudante e consultora

Mulher e procuradora

Não existe uma sem a outra

Somos mistura homogênea

A advogada é balança que equilibra

É sentença incontestável

É Justiça natural.

(Tenylle Mota)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Adolescente





E aí?


Mano


Top


De boa


Se ligue


Man


Véi 


Baratino


Barril


Sipá 


Sepa


Pala


Paia 


Partiu


Morro de São Paulo, 02 de janeiro de 2020.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Amigo

 



Elisandro Carvalho

 

Amigo é a alma que se encontra na escuridão,
Aquele farol que guia na solidão,
É o verso secreto no poema não escrito,
É o fado partilhado, o destino bendito.

Não é só o pão que divide a fome,
É o silêncio cúmplice, é o gesto que consome,
O sonho tecido nas noites insones,
É a lágrima que desce, sem nome.

É a mão estendida na estrada incerta,
A verdade nua, de voz sempre aberta,
Mesmo que doa, mesmo que fira,
A amizade é espelho que não se mira.

O amigo não se cala ante a mentira,
Sabe dizer não com a doçura de quem inspira,
E na alegria, sua face resplandece,
Na dor, é âncora que nunca se esquece.

É a presença que persiste no vazio,
A pergunta que espera, sem desvio,
O riso partilhado, o consolo mudo,
O sentido da amizade é tudo.

Esse é o amigo, o porto seguro,
A chama que aquece no inverno duro,
A melodia sutil que nos abraça,
Amizade é eternidade que não passa.

 

Crato/CE, 22/05/2024.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A Precisão da Adolescência



 

Rodolfo Pamplona Filho



Pode ser


Não sei


Tanto faz


Legal, mas não é minha praia


É isso aí!




Morro de São Paulo, 01 de janeiro de 2020.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Amor

 


 


Elisandro Carvalho

 

Amor é quase tudo,

dizes com acerto,

Mas o quase, em seu vulto,

é segredo encoberto.

O que falta ao amor,

perguntas, em lamento,

Para ser mais profundo,

um etéreo sentimento?

 

Talvez seja o cuidado

nas horas fugidias,

A carícia espontânea

que alivia os dias,

O apoio incondicional

que ampara sem demora,

A entrega sem retorno

que em nós se ancora.

 

Amor é quase tudo,

um mistério constante,

Mas o quase, decerto,

não é menos relevante.

O que falta ao amor

para ser sem cessar,

Um fio interminável,

um eterno despertar?

 

Talvez seja o mistério

nos olhares cruzados,

O suspiro no espelho,

em sonhos revelados,

O desabafo em lágrimas

que purifica a alma,

O frio na barriga

que o coração acalma.

 

Amor é quase tudo,

um tudo que nos parte,

Mas o quase, na verdade,

é a chave desta arte.

O que falta ao amor

para ser esmagador,

Um peso delicado,

um infinito calor?

 

Talvez o bilhete

de palavras sussurradas,

A surpresa matutina

nas manhãs desejadas,

Dormir em braços firmes,

sonhar sem se afastar,

Pois amor é quase tudo,

e o quase é completar.

 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Funcionamento

 


 


 






Sua mente é um aparelho


em constante busca


de soluções


para qualquer tipo


de problema:


na ausência


de um desafio,


ela se introverte


e entra em modo avião.




Seu cérebro é um processador


mais rápido do que


qualquer computador,


em que todo questionamento


automaticamente


é respondido,


antes que o interlocutor


termine o raciocínio.




Suas atitudes são reflexos


de anos de condicionamento,


em que a lógica


não excluiu a emoção,


mas a separou


em caixas diferentes


para não haver confusão.




Seu coração é um dínamo


que se alimenta de carinho


e deseja retribuir,


como o óleo e o combustível


que renovam e fazem funcionar


todo o sistema.




Ele parece uma máquina


e há quem ache que seja mesmo,


mas, no final das contas,


ele é apenas


o que Nietzsche vaticinou:


humano, demasiadamente humano,


a ponto de ser tão diferente


que a humanidade não lhe reconhece...




São Paulo, 16 de novembro de 2019.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Saudade de casa

 


Rodolfo Pamplona Filho


Por vezes, tenho vontade de chorar...


Sei o motivo, mas não consigo controlar


Há um vácuo que preenche o que era completo


Uma carência de beijo, dengo e afeto




Não sei o que é pior: a distância ou a despedida;


O romper do contato no momento da partida


Um olhar para trás, um abraço apertado,


um aceno tristonho, um olhar desolado...




Como uma dor machuca tanto sem ferir?


Como dominar o que posso apenas sentir?


A paz é arrancada desde a raiz


Uma marca viva que não vira cicatriz...




Pense duas vezes antes de reclamar


Dos problemas da vida, da rotina do lar...


Há tristeza que ninguém sabe como se mede


Só se valoriza o que se tem quando se perde




A lágrima vem solta e quente


Quem negar isso apenas mente


mas faz bem, porque, como um rio


leva o fel para um outro lado vazio....




A cada alvorecer, há uma nova esperança...


que surge inocente, como sorriso de criança,


mudando planos e rumos, batendo asa,


tudo por causa da saudade de casa...




Ciudad Real, 09 de setembro de 2008

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

ARTIGO 2º DO CPC/2015

 



 

Por iniciativa da parte 

O processo começará 

Por impulso oficial 

Ele se desenvolverá 

 

Salvo as exceções 

Previstas em lei 

São estas as disposições 

Que no CPC encontrei. 

 

Jorge da Rosa

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Natureza



Rodolfo Pamplona Filho



Quando as cores da aquarela


Se tornarem uma só


Quando a vida, então bela,


Virar fogo, virar pó




Quando o verde virar cinza


E o céu não for anil


Vida não era mais vida,


Homem-bicho será vil




Quando o sangue derramado


Escorrer por minha mão


Lembrarei que, algum dia,


Já vivi em comunhão




E era belo, e era lindo


E era tudo o meu viver:


Homem-planta, homem-flor,


Homem-homem, Homem-ser




Não sabia que havia


Vida pura e sem dor


Bicho e homem, seres iguais,


Já viveram com amor




(1990)


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Depois de enriquecer

 



Não vou querer o mesmo passo

Só vou querer andar descalço

Serei dono de milhões depositados

Na memória

 

Vou entender que é fácil

Cantar e sorrir

Vou aprender a correr sem carro

Só vou depender do meu acaso

Para compreender que sou um

Mais um

Completo nenhum

 

Depois de enriquecer não quero entender

O que entende o cansaço

De um trabalho escarvo

Para ter o tudo

Pisar no rastro

Andando em ciclo

Ouvindo dizer

Dizendo no embalo

 

Depois de enriquecer de vida

Não quero viver para enriquecer

Serei pássaro

Que voa raso em meio ao caos

Serei obrigado

A ser obrigado

Em ter como razão, a oração

                                                                                                              Tenylle Mota