Rodolfo Pamplona Filho
Não ir
não é
necessariamente
perder
Não ir
pode ser
esperar
para ganhar,
refletir
para entender,
aguardar
para vencer
Salvador, 23 de setembro de 2020.
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
Rodolfo Pamplona Filho
Não ir
não é
necessariamente
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Não ir
pode ser
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para entender,
aguardar
para vencer
Salvador, 23 de setembro de 2020.
Vitor Henrique
A vida criva o agrado da falsa esperança em um fardo pesado, que nem alça de uma calça que não laça.
A impostora, a mentirosa, a farsante ou hipócrita falsa esperança.
A ânsia do ancorar no Lar que leva a um destoar.
Um aborrecimento, uma mentira ou tirania. Eis o crivo do livro vivo que construímos em uma falsa esperança do não saber.
Que guiado e liderado pelo o sonhar que nos criva.
Da incógnita cotidiana do sonhar ou não sonhar?
Acreditar ou não acreditar, para o medo de nós arranhar e nos ferir no ir.
Não vamos ancorar se não sonharmos.
Não vamos acompanhar o marchar da maré.
Não vamos nem ao menos ter lido o livro do não saber
Mas se for um houver do muro sem lucro.
Das as alegrias…
das alegorias das falácias que não devem ser cogitadas, digitadas, lidas e escritas.
Das idas às ideias inobsoletas das Borboletas das letras da falsa esperança.
Mas, se não sonhar não teremos vivido o livro.
Do amada do nada.
Do rechear do cheirar do lar
Do avistar até aterrar em uma terra do além mar
Para que o amarrar do amar, se torne lar. Eis, o livro do não saber do escrito, digitado ou cogitado.
O que fizeram, o que eu fiz e para onde fui.
É foda, a cabeça lota em quotas de devaneio.
Sujeira que me jogaram, amarraram e me deixaram em uma mar uivante de Abrantes.
Não se iluda com a forma lúdica da localidade airosa, porque não existe rosas sem espinhos, nem que se for no pinho do seu ninho.
Não importa a forma, a sonata está perdida em uma ida sem partida, mas com chegada aonada mais me consola.
As solas nem estão gastas em lascas. Mas já sei que não há nada mais.
Porque não há?
Porque eu já disse, me sujaram, amarraram e me jogaram no meio do nada e eu não sei nadar, nem ao menos andar no desconhecido.
Não sei que lugar é esse,
Não sei se tenhas o nobre e o pobre, e se eles se importam em ouvir os meus pensamentos confusos tontos pela… a maré.
A porta parece torta, cheias de discursos de nenhures. Porque, donde eu veio pelos devaneios, não conheci achar meios a abrir.
A cabeça tida madura, já sabe que a vida é assim, dura igual uma pedra, que que esmurra em uma algazarra de sentimentos.
Uma verdadeira surra de momentos e tormentos em só lamentos.
Não se engane ou encane, dizem que é apenas uma pane no sistema.
Urge então a necessidade de saber, para não beber na fonte da ignorância, porque a ânsia em uma direção de uma ação, que nasce naquela idade.
Naquela idade, em que você não vê as coisas do jeito que antes via.
Você de per si, sabe que a vida é assim, no sim ou no não, sempre serei o anão da pirâmide.
Ahhh, se eu pudesse ja ter descobre está chave mestra para concertar ou atar os nós do que já se foi.
Aos amigos que você tem que não ligam,
o sinal de pane aparece e você não amanhece
É, no verso da canção, no abrir da chave, que a ave ligeira já sabe antes que você, que é só ela e mais nada.
Não existe amor no clamor da dor de um sociedade doente.
Quem fala que sim mente, pela simples mediocridade que transforma a terra em letra de funeral.
Não existe compaixão, nem paixão.
Não existe nada além dessa vida, porque na ida, você sabe que somos meros passageiros prestes a partir.
Desligue os castelos do tetris, que moldam quem está certo ou errado na peça de encaixe, desligue a máquina, desligue a cina.
Porque nada importa, nem a forma, nem o como e o porque.
O Turbilhão em um bilhão de reações.
A falta de quem não tem alta, por um amor verdadeiro, sincero, companheiro na jornada da vida, nem que se for para uma ida sem partida.
Incógnita que Incomoda, quase coca, roça a aguça por resposta.
O meu eu tosta, queima, chamusca a sina da mina da ocitocina com a dopamina.
Não hesita, nessa usina de toxina a saber.
Mas, quem me dera saber a resposta para essa incógnita que me habita que não hesita.
Quem me dera as respostas, se nem sei quais são as perguntas, que me perfazem.
É nessa usina, que ser zem não me fazem ir além do óbvio.
Mas que me dera saber o que meu corpo quer beber? Se é nessa usina de ocitocina com dopamina que eu vivo até ir ao além, nem se for sem ou com a resposta.
A incógnita nitra o que sei lá eu sou, só sei que zem eu não sou, nem com serotonina eu sou.
Sou eu, um bilhão de reações sem lições de moralidade e eticidade.
Sou eu quem caminha nessa mina de toxina e paixão em uma mansão sem uma lição a te dar.
Nem mandar a onde andar, porem a quem lhe vem apenas excitar o meu eu até onde for, nem que se for sem alem a algo que nem existe.
Sou eu turbilhão em um bilhão de reações com ações, sem lições, mas com desejos e medos.
Rodolfo Pamplona Filho
A Internet
deu voz
a quem não tem
o que dizer
e que acaba
dizendo
o que não consegue esconder:
a sua própria raiva,
ódio e ignorância,
misturados com a insegurança
de simplesmente
antipatizar
quem virou alvo
do seu difamar,
como se seu mal querer
pudesse justificar
ou verdade tornar
o fel que escorre
no íntimo do seu ser.
Salvador, 25 de julho de 2020
Poema de Fernando Py (1935-2020)
– melancólico olhar, sereno rosto,
postura fixa e o todo bem composto –
no retrato que o tempo desafia.
Fui eu na minha infância fugidia
de prazeres ingênuos, e o desgosto
de sentir tão efêmera a alegria
bem depressa mudada em seu oposto.
Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa
e tudo altera nem sequer deixou
um grão de infância feito esmola escassa.
Fui eu; e da figura só ficou
o olhar desenganado na fumaça
em que a criança inteira se mudou.
abril 1998
(De Sentimento da Morte – 2003)
Rodolfo Pamplona Filho
A inteligência é limitada,
a ignorância é infinita;
a compreensão é bem ampla,
a burrice extremamente restrita
a tolerância é apaziguadora
a idiotice procura confusão
O respeito acalma
A afronta acende pavios
a paciência tem limites,
que, se estourados, não voltam mais...
Salvador, 25 de janeiro de 2021.
Negra Luz
Me diga que não precisa pensar na vida.
Me diga que não precisa pensar em você.
Se a resposta certa é o que espero,
Então me diga que pensa na água,
Ela está em você.
A água está em em mim
Está em você.
Sem ela, a fonte da vida é rio que seca.
Ressecam-se a fauna e a flora
E todo viver.
Oxum e Yemanjá tem seus filhos
E abençoam com água
Salgada ou doce,
Abençoam o nosso viver.
Se tens fé nas Águas,
Da água deve cuidar,
Pensar nas nascente,
Nos mares
E nas suas vidas.
Em não poluir, revitalizar,
Proteger o que temos
Rever desperdícios e perdas ajudam a resolver.
Se já bebeu água com sede,
Sabe o que é não ter...
Por um segundo e urgimos sem ela.
Imagine o pior dos mundos sem a ter!
Me diga que não precisa pensar na vida.
Me diga que não precisa pensar em você,
Se a resposta certa é o que espero,
Então me diga que pensa na água,
Ela está em você.
Rodolfo Pamplona Filho
Vou embora!
Não fico mais aqui!
Estou arrumando as minhas coisas!
Vou sair!
Tchau
(...)
“Você não vai correr atrás de mim?”
Ferreira Gullar
pouso o rosto
na mesa
que
alívio
ser apenas
tato
só o
macio
contato
o corpo
corpo
defeso
dos esplendores
da vida
Rodolfo Pamplona Filho
Há pessoas que
realmente não aprendem:
por mais que se ensine,
por mais esforço que se faça,
não adianta dar dicas,
não servem os exemplos,
não prestam os métodos,
é inútil a pedagogia...
toda vez que o indivíduo
pode falhar,
nisto não decepcionará,
pois a inteligência tem limite,
mas a ignorância é infinita...
Salvador, 05 de janeiro de 2021.
(Negra Luz)
A poesia não me permite conter me em segredos.
Ela sussurra, através dos meus versos, o que não escrevi:
Traduz em onomatopeias meus sentimentos,
Cochicha pelas entrelinhas, expõe me nos acentos,
Quando findo uma estrofe, ela ainda fala por mim.
Um delatora camuflada por metáforas e rimas,
Revela a métrica do que escrevo e, quando menos espero,
Me vejo desnuda diante de ti:
Meu leitor, minha leitora.
Rodolfo Pamplona Filho
Sabe ...
por vezes, esperei
uma reposta sua,
mas não entendi
que já respondera
da forma mais pura...
Sabe...
Talvez não tenha
tido ouvidos para
ouvir o silêncio...
sei que ele é música,
por vezes ensurdecedora
por vezes detentora
de todos os sentidos...
Sabe...
Você me respondeu
tantas vezes
e eu não escutei...
O vazio é uma reposta
que também nos é imposta...
Será a pandemia?
Será o dia a dia?
Será falta de razão?
Ou foi o grande coração?
Não sei,
só sei
é só você
sabe...
que você respondeu
e eu não ouvia.
Salvador, 5 de fevereiro de 2021.
Cecília Meireles
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Rodolfo Pamplona Filho
Peguete é prazer
sem ter chateação;
é aproveitar o corpo,
o beijo
e a companhia
sem dar satisfação;
é saber desfrutar
o que a vida proporcionar,
sem se preocupar
com a conta a pagar
ou ter de explicar
o rumo a tomar
ou a intenção a falar...
é simplesmente viver o hoje
sem pensar no amanhã...
Salvador, 15 de janeiro de 2021.
Márcio Berto Alexandrino de Oliveira
O Amor é assim,
quando menos se espera floresce, passa por percalços,
mas quando é verdadeiro nunca se acaba.
Apesar do tempo, da distância, das adversidades, das diferenças,
O Amor continua resplandecendo como o brilho da lua cheia, porque o amor verdadeiro não perece, não se vangloria, não guarda rancor,
O Amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
O Amor não se cobra, não se acha nas vitrines, não tem valor pecuniário, é algo maior do que isso, é magnífico, é sublime.
É a mais pura manifestação de sentimento.
É obra de Deus.
É para sempre!
Rodolfo Pamplona Filho
A maior distância
entre duas pessoas
é o mal-entendido
O maior abismo
entre dois seres
é não ser compreendido
Meias palavras
Frases não ditas
Falta de diálogo
Ausência de interação
Gap de cognição
Problemas de comunicação
Salvador, 25 de janeiro de 2021.
Rodolfo Pamplona Filho
É difícil sorrir
com receio de consequências
É difícil fluir
com medo das intermitências
É difícil respirar
com receio das armadilhas
É difícil se entregar
com certeza da desconfiança
É difícil amar
tendo perdido a esperança
É difícil sobreviver
com dificuldades burocráticas
É difícil viver
a alegria em doses homeopáticas
Praia do Forte, 31 de dezembro de 2022.
Jaci Bezerra
Toda a lua e claridade
assim te quero, assim te vejo
e se te vejo o amor invade
meu corpo inteiro e o deixa aceso
e se te vejo o amor em mim
é um cheiro morno de jardim
A tua dor doendo em mim
é um rio latejando aceso
sou um cantareiro no jardim
do sonho em que te quero e vejo
primaveras de claridade
na primavera que me invade
Toda nua és um rio aceso
de primavera e claridade
mas quero mais do que o que vejo
sentindo a angústia que me invade
esse amor que doendo em mim
arde em silêncio no jardim
Extinta a angústia que me invade
te sinto perto e junto a mim
mais do que amar a claridade
amo teu cheiro de jardim
por isso à noite durmo aceso
no dia em que te sinto e vejo.
Teu coração é um jardim
tremulando na claridade
mesmo quando doendo em mim
também é a angústia que me invade
porque no dia em que te vejo
teu corpo dorme em mim aceso
No fundo dos teus olhos vejo
longe da angústia que me invade
como o amor doendo aceso
é uma trança de claridade
o coração dentro de mim
dorme abrasado em teu jardim.
Rodolfo Pamplona Filho
Vou te emprestar
meus olhos
para veres
a coisa linda que vejo
quando sorris.
Vou deixar contigo
a minha pele
para sentires
a doçura
do teu toque.
Vou esquecer em tuas mãos
o meu coração
para teres a certeza
de que ele pulsa
por ti.
Salvador, 22 de janeiro de 2023.
Janete Fonseca
Cai a primeira folha,
A segunda também.
Mais outra... e outras mais,
Centenas delas caem
Das árvores centenárias
Apenas sopra o vento,
No alaranjado crepúsculo
E à tarde primaveril,
Quando o olhar se embaça
Ao sol da memória,
Voltam todas,
Molhando os caminhos
Em longas cabeleiras
Em galhos silentes,
Pingando cores
Também do coração,
Onde brotam as ilusões,
Uma por uma vai tombando,
Descendo ladeiras
Em fortes enxurradas
Por esse mundo fora
Como tombam as folhas das árvores centenárias
No mar azul da infância,
Olhar suspiroso e
Imaginação solta
Voam...Mas às copas as folhas voltam,
E elas ao coração não voltam jamais,
Levadas pelas águas de março
(PARÁFRASE DO POEMA DE RAIMUNDO CORREA "AS POMBAS")
Rodolfo Pamplona Filho
O que diz um olhar?
Mais do que palavras
O que ensina um olhar?
Mais do que muitas lições
O que mostra um olhar?
Mais do que mil exposições
O que prende um olhar?
Mais do que prisões
O que mata um olhar?
A dor fatal das repressões
Buzios, 13 de janeiro de 2023.
Clivia Filgueiras
Do contrato sou um tipo
Me assento na confiança plena
Referente a custódia ou guarda de coisa alheia
Pode ser ela grande ou pequena.
Duas pessoas de mim fazem parte
Uma entrega e a outra guarda o montante
Há uma relação de confiança
Entre o depositário e o depositante.
Quando entrego a coisa
Espero deveras a restituição – sigo confiante...
Se na ocasião ajustada dela não me fizer novamente dono
Uma Ação de Depósito proponho
Afinal, sou o depositante!
Eu recebo a coisa
Restituí-la-ei conforme o ajustado
Não sou o seu dono
Apenas depositário!
Como depositário tenho algumas obrigações:
Guardo a coisa alheia recebida mas dela não posso me servir...
Respondo por dolo ou culpa se a coisa perecer...
Ao depositante sou obrigado a restituir.
Se da coisa me apossar sem autorização
Receberei a devida sanção
O juiz decretará uma pena
Irei parar na prisão.
Como depositante as minhas obrigações vão além
Remunero quando sou oneroso
Mas posso ser gratuito também!
Posso também ter obrigações de fato real:
Reembolsar as despesas de meu interesse
Indenizar os prejuízos de vício real.
Contrato Irregular também posso ser
Posso usar e dispor da coisa depositada...
Restituir coisa de igual valor e quantidade...
Devolver não exatamente a que me foi confiada.
Posso ser Necessário, Legal, Hospedeiro ou Miserável
Os três primeiros com fundamento ou exigência legal
O último quando em guerra...terremoto e coisa e tal.
Para concluir:
Antes da coisa entregar
É preciso no depositário confiar
Pois sou baseado numa relação de boa-fé
De Depósito devem me chamar.
Rodolfo Pamplona Filho
Sonhar não custa nada,
mas alcançar o que se deseja
não é fácil
e, muitas vezes,
só se pode
se confirmar com o que se tem,
suspirar pelo que não vem,
lamentar o irrealizável
e aceitar o que é possível.
Salvador, 16 de dezembro de 2022.
Cecília Meireles
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Rodolfo Pamplona Filho
Meus cachorros têm marcas
decorrentes das pauladas
e das porradas
que a vida proporcionou
Meus cachorros têm traumas
potencialmente insuperáveis,
frutos amargos da árvore
de mal-tratos que sofreram
Meus cachorros têm Cicatrizes
no corpo e na alma,
marcas do que passaram
nas mãos cruéis do destino
Meus cachorros têm um Amor
simplesmente inexplicável,
potencialmente infindável
e naturalmente adorável
Meus cachorros me representam
Eles são meu espelho,
meu esteio e meu sentido
Eles são eu e
Eu sou eles
Salvador, 10 de dezembro de 2022
Jansen Filho
Um divino clarão vem do nascente
E sobre o meu jardim calmo resvala!
Na graça deste quadro reluzente,
A aragem fria os meus rosais embala!
Tudo desperta misteriosamente!
E a luz cresce e se expande em doce escala,
Avivando o lençol resplandecente
Da brancura dos lírios cor de opala!
E o sol, doirando as franjas do horizonte,
Celebra a missa do romper da aurora
Na doce Eucaristia do levante!
Da passarada escuta-se o clarim !
E a madrugada estende-se sonora,
Na aleluia de luz do meu jardim !
Rodolfo Pamplona Filho
Não preciso de estudo
Não preciso de história
Não preciso de lógica
Não preciso de ciência
Não preciso de fontes
Não preciso de provas
Só preciso da minha convicção
e das vozes da minha cabeça.
Oceano Atlântico, 12 de janeiro de 2023.
Barros Alves
Viver o amor é cometer loucuras,
É apaixonar-se desabridamente.
É morrer de prazer e, de repente,
Esquecer pundonores e posturas.
Muito amar é perder a compostura
Ante as normas que essa pobre gente
Quer-nos impingir hipocritamente,
Mas, o amante a rechaça com bravura.
Pois se amar loucamente é vil pecado,
Que nos deixa do céu ao desabrigo,
Pobre de mim! Sou louco apaixonado.
Desde o ventre materno condenado
Da vida levarei para o jazigo
O jugo desse amor desesperado.
Rodolfo Pamplona Filho
Dinheiro não é um problema;
Sua falta é que pode ser…
Já desperdicei
Já perdi,
Esbanjei e Torrei
Já gastei a mais
Já fui até enganado
Mas nunca lamento
Por ter gasto
Com algo
Que me trouxe um sorriso,
Uma lembrança,
Uma sensação de bem estar!
Dinheiro não é
Um fim em si mesmo,
Mas um apoio para viver
Os momentos alegres
Que trazem felicidade e paz.
Cartagena, madrugada de 14 de janeiro de 2024.
Barros Alves
Hoje eu senti a dor que abrasa os entes
Exposta em face exangue e mui sofrida;
Eu vi a dor que dilacera a vida,
Olhar de angústia, magras mãos trementes.
Vi de perto a miséria dos viventes
Sem pão, sem teto; alma combalida
A transportar a vida mal vivida
Dos desgraçados. Miseráveis gentes!
Acercou-se de mim. Pobre mendigo!
Mão estendida, triste olhar pedinte
Como se nem mais Deus lhe fosse ouvinte.
Desventura voz! Eu não consigo
Esquecê-la jamais. Voz que consome:
- Uma esmola, senhor, pois tenho fome...
Rodolfo Pamplona Filho
Pacto de um ano
Pacto de humanos
Compromisso firmado
Pacto selado
Assunção da missão
de busca da comunhão
de corpos e de almas
para, em salva de palmas,
consumar no papel
o que já foi acertado no céu.
San Andres, 18 de janeiro de 2024.
Paulo Leminski
Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.
Rodolfo Pamplona Filho
“Não quero falar!
Minha cabeça está cheia demais!
Cuido de todo mundo,
mas a prioridade agora sou eu!”
Este é o momento
em que todo diálogo morreu.
Salvador, 28 de dezembro de 2019.
Paulo Leminski
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Rodolfo Pamplona Filho
Felicidade não é meta:
é a forma como se vive;
não é objeto, é o caminho;
não é aquilo que te falta e sim saber aproveitar aquilo que já se tem!
Orlando, 10 de janeiro de 2020.
Paulo Leminski
eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora
quem está por fora
não segura
um olhar que demora
de dentro de meu centro
este poema me olha
Rodolfo Pamplona Filho
Palavras proibidas
Assuntos censuradas
Nomes defesos
Ideias que não podem ser discutidas
A impossibilidade absoluta
de qualquer diálogo.
Morro de São Paulo, 02 de janeiro de 2020.
Paulo Leminski
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
(in "Distraído Venceremos" Ed. Brasiliense, 1987)
Rodolfo Pamplona Filho
amor e desejo
amor é centrífugo
desejo é centrípeto
amor quer se entregar
ao destinatário
do amar
desejo
quer absorver
o objeto
a incorporar
Amar e desejar
fazem parte do viver,
mas amar se auto-renova,
enquanto desejar depende do querer.
Salvador, 09 de janeiro de 2020.
Paulo Leminski
um texto morcego
se guia por ecos
um texto texto cego
um eco anti anti anti antigo
um grito na parede rede rede
volta verde verde verde
com mim com com consigo
ouvir é ver se se se se se
Rodolfo Pamplona Filho
A paixão é um delírio,
uma alucinação,
em que se vê o outro
como se quer que ele seja,
e não como ele é.
Salvador, 3 de novembro de 2023.
Nos cobriram de prerrogativas e excederam nas limitações
Não precisa ter conhecimento de lei pra entender que a nossa
balança é desleal
Andamos sobre saltos em calçadas, escadas, pedras,
cascalhos, discriminações e injustiças
Seguimos sem cair sobre a corda bamba da retidão
Pedem para sermos direitas no direito e na vida
Esquecem que somos escolhas, lado, área, carreira
e vontade
Que seja de Direita a nossa direção
Esquerda a nossa oportunidade
Somos constituição de sonhos e amor
Levamos na contestação o choro do filho
a conta pra pagar
os problemas políticos
o machismo, a fome de conhecimento, o desafio
O medo de perder e o poder do medo
Embora gigantes, sensíveis
Embora acusação, emoção
Embora justiça, razão
Não há contradição em nossa defesa
A mulher advogada é garra
É mãe e profissional
Esposa e defensora
Estudante e consultora
Mulher e procuradora
Não existe uma sem a outra
Somos mistura homogênea
A advogada é balança que equilibra
É sentença incontestável
É Justiça natural.
(Tenylle Mota)
E aí?
Mano
Top
De boa
Se ligue
Man
Véi
Baratino
Barril
Sipá
Sepa
Pala
Paia
Partiu
Morro de São Paulo, 02 de janeiro de 2020.
Elisandro Carvalho
Amigo é a alma que se encontra na escuridão,
Aquele farol que guia na solidão,
É o verso secreto no poema não escrito,
É o fado partilhado, o destino bendito.
Não é só o pão que divide a fome,
É o silêncio cúmplice, é o gesto que consome,
O sonho tecido nas noites insones,
É a lágrima que desce, sem nome.
É a mão estendida na estrada incerta,
A verdade nua, de voz sempre aberta,
Mesmo que doa, mesmo que fira,
A amizade é espelho que não se mira.
O amigo não se cala ante a mentira,
Sabe dizer não com a doçura de quem inspira,
E na alegria, sua face resplandece,
Na dor, é âncora que nunca se esquece.
É a presença que persiste no vazio,
A pergunta que espera, sem desvio,
O riso partilhado, o consolo mudo,
O sentido da amizade é tudo.
Esse é o amigo, o porto seguro,
A chama que aquece no inverno duro,
A melodia sutil que nos abraça,
Amizade é eternidade que não passa.
Crato/CE, 22/05/2024.
Rodolfo Pamplona Filho
Pode ser
Não sei
Tanto faz
Legal, mas não é minha praia
É isso aí!
Morro de São Paulo, 01 de janeiro de 2020.
Elisandro Carvalho
Amor é quase tudo,
dizes com acerto,
Mas o quase, em seu vulto,
é segredo encoberto.
O que falta ao amor,
perguntas, em lamento,
Para ser mais profundo,
um etéreo sentimento?
Talvez seja o cuidado
nas horas fugidias,
A carícia espontânea
que alivia os dias,
O apoio incondicional
que ampara sem demora,
A entrega sem retorno
que em nós se ancora.
Amor é quase tudo,
um mistério constante,
Mas o quase, decerto,
não é menos relevante.
O que falta ao amor
para ser sem cessar,
Um fio interminável,
um eterno despertar?
Talvez seja o mistério
nos olhares cruzados,
O suspiro no espelho,
em sonhos revelados,
O desabafo em lágrimas
que purifica a alma,
O frio na barriga
que o coração acalma.
Amor é quase tudo,
um tudo que nos parte,
Mas o quase, na verdade,
é a chave desta arte.
O que falta ao amor
para ser esmagador,
Um peso delicado,
um infinito calor?
Talvez o bilhete
de palavras sussurradas,
A surpresa matutina
nas manhãs desejadas,
Dormir em braços firmes,
sonhar sem se afastar,
Pois amor é quase tudo,
e o quase é completar.
Sua mente é um aparelho
em constante busca
de soluções
para qualquer tipo
de problema:
na ausência
de um desafio,
ela se introverte
e entra em modo avião.
Seu cérebro é um processador
mais rápido do que
qualquer computador,
em que todo questionamento
automaticamente
é respondido,
antes que o interlocutor
termine o raciocínio.
Suas atitudes são reflexos
de anos de condicionamento,
em que a lógica
não excluiu a emoção,
mas a separou
em caixas diferentes
para não haver confusão.
Seu coração é um dínamo
que se alimenta de carinho
e deseja retribuir,
como o óleo e o combustível
que renovam e fazem funcionar
todo o sistema.
Ele parece uma máquina
e há quem ache que seja mesmo,
mas, no final das contas,
ele é apenas
o que Nietzsche vaticinou:
humano, demasiadamente humano,
a ponto de ser tão diferente
que a humanidade não lhe reconhece...
São Paulo, 16 de novembro de 2019.
Rodolfo Pamplona Filho
Por vezes, tenho vontade de chorar...
Sei o motivo, mas não consigo controlar
Há um vácuo que preenche o que era completo
Uma carência de beijo, dengo e afeto
Não sei o que é pior: a distância ou a despedida;
O romper do contato no momento da partida
Um olhar para trás, um abraço apertado,
um aceno tristonho, um olhar desolado...
Como uma dor machuca tanto sem ferir?
Como dominar o que posso apenas sentir?
A paz é arrancada desde a raiz
Uma marca viva que não vira cicatriz...
Pense duas vezes antes de reclamar
Dos problemas da vida, da rotina do lar...
Há tristeza que ninguém sabe como se mede
Só se valoriza o que se tem quando se perde
A lágrima vem solta e quente
Quem negar isso apenas mente
mas faz bem, porque, como um rio
leva o fel para um outro lado vazio....
A cada alvorecer, há uma nova esperança...
que surge inocente, como sorriso de criança,
mudando planos e rumos, batendo asa,
tudo por causa da saudade de casa...
Ciudad Real, 09 de setembro de 2008
Por iniciativa da parte
O processo começará
Por impulso oficial
Ele se desenvolverá
Salvo as exceções
Previstas em lei
São estas as disposições
Que no CPC encontrei.
Jorge da Rosa
Rodolfo Pamplona Filho
Quando as cores da aquarela
Se tornarem uma só
Quando a vida, então bela,
Virar fogo, virar pó
Quando o verde virar cinza
E o céu não for anil
Vida não era mais vida,
Homem-bicho será vil
Quando o sangue derramado
Escorrer por minha mão
Lembrarei que, algum dia,
Já vivi em comunhão
E era belo, e era lindo
E era tudo o meu viver:
Homem-planta, homem-flor,
Homem-homem, Homem-ser
Não sabia que havia
Vida pura e sem dor
Bicho e homem, seres iguais,
Já viveram com amor
(1990)
Não vou querer o mesmo passo
Só vou querer andar descalço
Serei dono de milhões depositados
Na memória
Vou entender que é fácil
Cantar e sorrir
Vou aprender a correr sem carro
Só vou depender do meu acaso
Para compreender que sou um
Mais um
Completo nenhum
Depois de enriquecer não quero entender
O que entende o cansaço
De um trabalho escarvo
Para ter o tudo
Pisar no rastro
Andando em ciclo
Ouvindo dizer
Dizendo no embalo
Depois de enriquecer de vida
Não quero viver para enriquecer
Serei pássaro
Que voa raso em meio ao caos
Serei obrigado
A ser obrigado
Em ter como razão, a oração
Tenylle
Mota