quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Violões adolescentes



Estavam empoeirados.

Décadas de armários, 

Sob cortinas,

Suportados por livros.

Num sopro induzido,

A poeira subiu!

Uma por uma, as notas foram ouvidas.

O Tempo voltou.

A matrix, escrita outrora,

Era ouvida no agora:

Violões adolescentes 

Exalavam o desejo de vida.

Indignações depressivas,

Crença no “Amanhecer”.

Haveria um “Equilíbrio Distante”?

“O bêbado e o equilibrista” passaram por lá

E, ainda hoje, bambeiam!

Talvez, o desalinho seja até mais forte.

Há infinita razão.

Um vento à revelia do sopro!

As cordas, agora mais limpas,

Ecoam o mofo sobre aquelas notas...

“Vamos fazer um filme”?

Dúvida passiva.

A vida já é samba tocado em cada esquina

Com ou sem máscaras.

“Como será o amanhã?”

Quem vai responder?

Esteja lá!

Haverá mais pó nas entranhas do violão:

Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si grisalhas:

Desejo.

Quando o ar em movimento passar,

E o sopro de vida espargir,

Que a partitura ouvida seja:

“A Paz” reinando no meu coração,

E no seu,

E no nosso!

E no Mundo!


(Negra Luz)


quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Força Maior e Pandemia

 


Inevitável

Imprevisível

O impossível

aconteceu

E a profecia

apocalíptica

tornou-se

realidade...

Não foi uma guerra,

nem um desastre natural,

mas, sim, um vírus

que a tudo atingiu,

fulminando negócios,

extinguindo relações,

destruindo economias,

despedaçando corações...

E a força maior

tornou-se a resposta

e a desculpa

para todos e todas,

na certeza

que a normalidade

nunca mais retornará

à nossa realidade...

 

Salvador, 30 de junho de 2020.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Velas náufragas



Retenho a alma da minha cidade encantada

e o coração

de seus viventes na armadura

de um farol que busca amplidões 


no choque entre as pedras

mansas e bravas


que se desprendem do azul oceânico

de um céu vazio


As águas refeitas são nuvens

de presságios que se iluminam

na sede de um ser doído,

cansado de guerra

contra si mesmo


E toda palavra reside

em seu globo de luz


assim como todo homem que nasce

no litoral vive do seu

sopro de mar, da sua raiz

de fundos longínquos

parada no etéreo


Lumar! Lumar! 



Diego Mendes Sousa

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Fake News na Pandemia


 

A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.

 

Salvador, 25 de julho de 2020

domingo, 16 de agosto de 2020

Ser Dor Mar


Cosmonave de um coração costeiro

que navega na preamar da dor

na maré do amor

no mar do ser

meu alterego

a dor-mar

a domar

os sargaços

de um sal salgado

de um sol solstício

de uma lua lunática

que passa na alma

de enseada


Meu coração aberto

nas praias do sonho

litoral de aberturas

ao mundo


SOUSA, Diego Mendes. "Ser dor mar". In:__. "Opus II: Coração Costeiro". In:__. Velas náufragas. Guaratinguetá, SP.: Penalux, 2019.

sábado, 15 de agosto de 2020

Esperança na Pandemia

 


 

Ficar bom

Ficar saudável

Na tristeza e na Dor,

busca-se um Salvador

Um sonho

Uma vacina

Uma segurança

Uma lembrança

De quando ainda

acreditava no futuro...

E, mesmo no escuro,

não há como abrir mão:

Só há um único direito

verdadeiramente inalienável

e é o de ter esperança...

 

Salvador, 28 de junho de 2020.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Parnaíba


Você chega a Parnaíba e a cidade inteira abre-se num sorriso para abraçá-lo. Seus olhos, a princípio, não acreditam que, numa região árida como o Nordeste, possa haver jardins profusos, árvores frondosas e cheiro bom de água no esguicho das mangueiras. Mas ali existe tudo isso.

Parnaíba (sem melindrar as demais cidades nordestinas) é exemplo admirável em matéria de limpeza e administração. Rigorosamente asseada, com uma crescente dotação de residências modernas e casas comerciais de grande porte, a cidade que incha de progresso às margens do rio que canta “cantigas de águas claras soluçando”, é, sem qualquer contestação, a mais limpa de todo o Nordeste do Brasil. Limpa em todos os sentidos.

No centro, ruas e praças amplas, arborizadas, sem chagas de congestionamento social e com a presença de vários edifícios funcionais moldados ao gosto da arquitetura moderna; na faixa intermediária, estabelecimentos de ensino e residências de estilo antigo, porém sempre conservando harmoniosa e simpática visão de conjunto.

Lá fora, nas areias que se estendem num branco e uniforme lençol de planura, os casebres de palha, bem-feitinhos, pitorescos e higienizados. Mesmo na sua categoria de habitações humildes, não fornecem ingresso ao lixo ou à podridão. As crianças que ali habitam não tem placas de grude no rosto nem feridas nos pés.

Predomina em Parnaíba um elevado princípio de solidariedade humana. A sua população é uma família só. Os que têm mãos estendem-nas àqueles que não as têm e estes sabem dar o beijo de reconhecimento a quantos os ajudam. É a cidade de menor custo de vida em todo o Nordeste, com vários Bancos, um excelente hotel, magníficos educandários, sociedade requintada e amante da cultura. Seu comércio é sólido e espera, há muitos anos, pela construção do Posto  de Amarração, que será o maior presente que o Governo Federal poderá oferecer não só àquela cidade, mas a todo o Estado do Piauí. 

Nesta crônica sincera, quero soltar 60 milhões de foguetes à administração do Prefeito de Parnaíba, Engenheiro Alberto Silva, que sabe, sobretudo, conservar sempre limpa e florida a formosa e progressiva cidade que dirige.


Fonte: Gazeta de Notícias (CE), 09 de janeiro de 1957, página 3.


Rogaciano Leite (1920-1969)

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Desigualdade na Pandemia

 


 

Enquanto uns estão em isolamento,

outros continuam no movimento

da contínua servidão,

herança da escravidão,

de estar na mesma tempestade,

e não no mesmo barco, de verdade,

em que a única coisa gritante

é perceber, em um instante,

o que é desigualdade.

 

Salvador, 28 de junho de 2020.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Quando Vier a Primavera



Quando vier a Primavera,

Se eu já estiver morto,

As flores florirão da mesma maneira

E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme

Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria

E a Primavera era depois de amanhã,

Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.

Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;

E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.

Por isso, se morrer agora, morro contente,

Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.

Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.

Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é.

(Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos).

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Norma Hipotética Fundamental




Você é meu Direito Adquirido,
meu ato jurídico perfeito,
minha coisa julgada

Você é minha segurança jurídica,
minha estabilidade reconhecida,
meu princípio fundante

Você é meu direito fundamental,
minha cláusula pétrea,
minha constituição federal

Você é a fonte de tudo,
o ápice da pirâmide,
minha norma hipotética fundamental

Salvador, 24 de março de 2019.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

O Amor é assim





O Amor é assim,

quando menos se espera floresce, passa por percalços,

mas quando é verdadeiro nunca se acaba.

Apesar do tempo, da distância, das adversidades, das diferenças,

O Amor continua resplandecendo como o brilho da lua cheia, porque o amor verdadeiro não perece, não se vangloria, não guarda rancor,

O Amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

O Amor não se cobra, não se acha nas vitrines, não tem valor pecuniário, é algo maior do que isso, é magnífico, é sublime.

É a mais pura manifestação de sentimento.

É obra de Deus.

É para sempre!



Márcio Berto Alexandrino de Oliveira

domingo, 9 de agosto de 2020

Amor de Pai





Quando eu soube que você viria,
sensação diferente foi a minha:
alegria de receber alguém que não conhecia,
mas conheceria como ninguém poderia...

As primeiras noites mal-dormidas...
Cólicas, febre e recusa à comida,
fraldas, chupetas e mamadeiras...
Cuidar disso não foi brincadeira...

Confesso que senti ciúme do seio
Pois queria estar naquele meio
Trocar sentimentos sem sequer falar...
Tocar o coração sem mais nada precisar...

Ler histórias para dormir no maior breu...
Colocar nos ombros para ver como cresceu...
Ver um sorriso que ilumina o ambiente
e uma risada que alegra toda a gente

Assistir o mesmo filme cinquenta vezes...
Explicar a mesma coisa por meses...
Cantar a mesma canção para acalmar...
Replay’s de cenas no aprendizado de amar...

Ver aquele pingo de gente crescer
Descobrir novo ser, sem do antigo esquecer...
Encontrar alguém que o conhece desde que nasceu...
E que não aceita mais todo conselho seu...

REFRÃO (2X)
- não faço isso por mal, mas para poupar
sofrer da mesma forma que eu, ao sonhar...
Esqueço filhos também têm direito de tentar
cometer novos erros ou os mesmos, para meu frustrar...

Mas, mesmo assim, quando a saudade aperta,
Ainda que a volta ao lar seja incerta
Quero dizer que os pais nunca ficam sós,
Se for possível ouvir, de longe, a sua voz...

A minha torcida pela sua vitória
A construção conjunta de uma história...
A alegria pela sua felicidade
Amor de pai...
Amor de pai...
Amor de pai não tem idade...

sábado, 8 de agosto de 2020

Minas Gerais





Minas Gerais,

Terra de notáveis,

de Joaquim José da Silva Xavier,

de Aleijadinho,

de Chico Xavier,

de Drummond de Andrade,

de Juscelino Kubitschek,

de Guimarães Rosa,

de tantos outros ilustres mineiros.

Já não está como outrora.

Com tantas catástrofes pela ambição humana,

Com tantas vítimas inocentes,

Com tantas famílias destruídas,

Minas ....,

Terra do queijo, das alterosas, do trem, das cachoeiras, de um povo destemido.

Minas Gerais,

Quem sabe um dia retornaremos aos trilhos.



Márcio Berto Alexandrino de Oliveira

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Desespero na Pandemia








Medo
Pânico
Tristeza
Desespero
“Se tudo vale a pena
quando a alma não é pequena”,
a pandemia faz surgir
o que pode nos destruir...

Salvador, 28 de junho de 2020.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Saudades de uma pessoa que já se foi








De sua alegria contagiante;

De tudo que se fez pelo próximo;

De sua simplicidade, porque a vida deve ser baseada em pequenos gestos;

De seu comprometimento para o bem de todos;

Saudades do seu abraço, da sua voz, saudades desta pessoa;

Saudades... simples palavra com significado profundo;

Se há algo que devemos deixar como legado com certeza é a saudade;

Saudade... deve florescer sobre o legado em patrimônio, pois este cairá no esquecimento;

A saudade não... será sempre eterna;

Só há saudades de algo inesquecível;

Por isto se têm saudades de pessoas inesquecíveis;

Ainda há tempo de fazermos algo para que os vindouros sintam saudades;

Que nosso legado seja saudades...



Márcio Berto Alexandrino de Oliveira

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

DA REMISSÃO (ARTS. 126, 127 E 128 DO ECA)





Antes de iniciado o procedimento judicial

De ato infracional e sua apuração

O representante do Ministério Público

Poderá conceder a remissão



Iniciado o procedimento

A concessão da remissão

Pela autoridade judiciária importará

Na suspensão ou extinção do processo em questão



Dando continuidade

A remissão não implica necessariamente

O reconhecimento ou comprovação da responsabilidade

Nem prevalece para efeito de antecedentes



Exceto a colocação

Em regime de semiliberdade

E a internação

É bem verdade



A medida aplicada por força da remissão

Poderá ser revista judicialmente,

A qualquer tempo,

Mediante pedido expresso do adolescente



Ou do seu representante legal,

Ou do Ministério Público

Chegando no final

De mais um poema jurídico.



Jorge da Rosa

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Descobertas na Pandemia






Novos planos
Nova vida
Novas conquistas
Novos horizontes
Novo tempo
Velhas Esperanças
Descobertas
na Pandemia.

Salvador, 28 de junho de 2020.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

#OBOIPARTIU / #OBOISUMIU.





#OBOIPARTIU

Desde que me emocei,
Quando o pote quebrei,
Ele me visitou .
Em um mês, ele vinha pra mim.
No outro, chegava também.
Um boi bagunceiro,
Me agitava.
Às vezes, me descontrolava
Ou deixava-me férvida para o amor.
Um Boi Garantido era ele.
Intenso no pouco tempo que vinha.
E, logo, tornava a seguir: ia embora...
Deixando lembranças de si.
O boi, atestava: não era criança,
Que poderia deitar e rolar,
Que meu corpo poderia parir,
Mas limitava-se só a me visitar,
Meus passos só caberiam a mim.
Poderia tornar-me Caprichosa,
Mas o boi, garantia, estaria ali.
Até que um dia chegasse a hora
Da última tinta daquele tinteiro
Escrever outro momento da história.
Os ciclos da lua continuariam.
Mas o boi?
Viva!! Foi!!!
Oh!! Ele foi!!!

#OBOISUMIU.
Acabou a estória?
Ele partiu.
E eu, sem receio,
Olhei me no espelho.
Senti o pulso vermelho.
Vívido o meu coração.
Era a hora de uma grande pausa,
Não o fim do meu ente mulher.
Não o cessar da minha emoção.
E eu, em um rompante,
Em um capricho ao nada,
Abri minha janela,
E gritei para o alto:
Às favas, o boi!


Negra Luz

domingo, 2 de agosto de 2020

Comemoração na Pandemia






Festas nunca mais?
Quem disse
que abandonamos
nossos rituais?
Talvez não possamos mais
viver outros carnavais,
mas ainda podemos
buscar paz
na certeza
de que uma boa mesa
pode ser virtual
e ainda ser sensacional
para não deixar passar
o que se deve comemorar
com a alma e o coração.

Salvador, 28 de junho de 2020.

sábado, 1 de agosto de 2020

AMARGO PRESENTE-PASSADO







A caravela ancorova em outras terras

O bramido da revolta ecoava pelo verde intocado

Os sonidos das correntes esmorecia o belicoso 

Os irados resvalavam sobre os traidores

Os olhares fixos teciam uma despedida

Suas almas saudosistas, mortas sobre o azul pairavam

O mar se quebrava em dois

Gritam os porões para a imensidão

Bramidos de guerra que se enfraqueciam

- Vermelho de dor, toma de  trevas este azul atlântico!

"Mãe gentil", verde de resquícios amarelos

Tu que recepciona os acorrentados

Por que traístes aqueles que por ti foram adotados?

Sangue escorre pelos que lutam

Fazem fronte os revoltados

"Liberdade, liberdade!" Onde ficas para que ti alcancem?

A dança e cantos guardam a saudade do passado

A força esbraveja dentro dos que tem esperança

Até que eis os enlaces estraçalhados

Livres estão os que foram escravizados

Mas contemporaneidade  que os abarca, onde estão teus direitos?

És tu uma farça moralista?

Sociedade, por que encarcera os livres?

Por que matas os que lutam por ti?

Por que negas carinho para os que querem amor?

 Respeito para os que do alto exigem

Prisão para aqueles que embaixo vivem

Por que essa regra de tamanha estranheza?

Persistentes estigmas perversos aprisionam os iguais.

Tristes desses que lançam para longe benéficos ideais.

"Igualdade, igualdade" onde ficas para que ti alcancem?

PAULO HENRIQUE NOVAIS SANTOS