Rodolfo Pamplona Filho
Vou morrer...
De saudade...
De desejo...
De vontade...
De desespero...
Dor que só um remédio cura:
o amor mais puro
e lindo do universo
Salvador, 16 de setembro de 2013.
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
Rodolfo Pamplona Filho
Vou morrer...
De saudade...
De desejo...
De vontade...
De desespero...
Dor que só um remédio cura:
o amor mais puro
e lindo do universo
Salvador, 16 de setembro de 2013.
Lorena Miranda Santos Barreiros
“Álvaro Cruz, você está certo do que irá fazer? Espero que não esteja se precipitando,
meu filho!”
As palavras de Maria Helena, sua mãe, ressoavam firmemente na cabeça de Álvaro
na manhã daquela segunda-feira, 28 de novembro de 2016. Ainda tomava o seu café quando
a campainha de sua casa tocou. Além da porta da entrada, fitava-o o rosto entediado de um
oficial de justiça, que, após sussurrar um “bom dia”, procedeu à leitura do mandado de
citação que trazia consigo, entregando a Álvaro a contrafé e colhendo dele o recibo na via
do documento que permaneceu em poder do oficial. Mecanicamente, Álvaro a tudo
assentiu, muito embora quase nada houvesse realmente ouvido, de fato.
Não havia necessidade. Desde o momento em que autorizara a subida do oficial de
justiça cuja presença na portaria fora anunciada no interfone do seu apartamento, Álvaro já
estava convicto do que lhe reservava aquela visita. “Tereza”, pensou. E estava certo.
Embora sequer houvesse a necessidade daquele contato com o oficial de justiça, já
que o mandado de citação poderia ter sido validamente entregue ao funcionário da
portaria do seu condomínio edilício responsável pelo recebimento da correspondência,
Álvaro desejava receber o mandado diretamente. Talvez fosse um modo de encarar o
problema de uma vez.
Portava agora em suas mãos um mandado de citação, penhora e avaliação referente a
um procedimento executivo fundado em título extrajudicial contra ele proposto por Tereza
Lacerda. Sem emoção, Álvaro percorreu com os olhos todo o conteúdo daquele documento,
detendo-se no campo indicativo do valor devido:
- Duzentos e vinte e um mil reais???
Álvaro empalideceu. A indiferença inicial converteu-se em um misto de
incredulidade, surpresa, raiva e medo. Onde encontraria, afinal, uma soma tão vultosa de
dinheiro para pagar aquela dívida que lhe era imputada?
Tereza Lacerda não era uma credora qualquer. Era sua ex-noiva, com quem poderia
ter se casado há apenas dois dias, se o tórrido romance por ambos vivido ao longo de um ano
e meio não tivesse se acabado de modo constrangedor há pouco mais de um mês. “Ironia do
destino” – pensou Álvaro. “Estivesse eu casado com Tereza, não estaria sendo executado
judicialmente. Aliás, sequer poderia ser citado em processo cível algum nos três dias
seguintes ao meu casamento, salvo para evitar perecimento do direito!”.
Seu pensamento o fez rir. Bacharel em Direito por formação, Álvaro abdicara de sua
natural vocação para dedicar-se aos negócios da família. Com o falecimento de Armando,
seu pai, ocorrido logo após a sua formatura, assumiu a administração da fábrica de velas que
aquele possuía desde antes de se casar com Maria Helena e que ambos – Maria Helena e
Álvaro – herdaram. Além desse bem, Álvaro apenas possuía seu imóvel residencial, que com
muito esforço e trabalho conquistara há cerca de dois anos e no qual morava com sua mãe.
Sempre que podia, Álvaro permitia-se contato com a área jurídica. Estudar o Direito
tornara-se um de seus passatempos prediletos. Conhecera Tereza em maio/2015, durante
uma viagem ao Rio de Janeiro, para participar de um congresso jurídico realizado naquela
cidade. Ao término do evento, Álvaro e Tereza já estavam namorando e nem a distância que
os separava (ela morava no Rio de Janeiro e ele, em Belo Horizonte) impediu que dessem
prosseguimento ao romance.
Aos seis meses de namoro, decidiram ficar noivos e marcaram a data do casamento
para dali a um ano, precisamente para o dia 26 de novembro de 2016. No início de dezembro
de 2015, passando por graves dificuldades financeiras, Álvaro foi convencido por Tereza a
aceitar dela um empréstimo no valor de cento e setenta mil reais, montante suficiente ao
pagamento de suas dívidas.
Embora noivos estivessem, a prudência recomendava – e assim foi feito – que
assinassem um contrato de mútuo, estabelecendo-se como prazo de pagamento o dia 20 de
outubro de 2016. Orgulhoso, Álvaro não pretendia iniciar a vida conjugal na condição de
devedor de sua futura esposa. Mas não poderia recusar a ajuda que lhe garantiria a
reestruturação de suas finanças.
O relacionamento, no entanto, não durou até a data de vencimento da dívida. No
caminho estaria o fatídico sábado, 15 de outubro de 2016, quando Álvaro, ao decidir
presentear-se com uma despedida de solteiro, fora flagrado por Tereza, que, sentindo-se
traída, pôs fim sumariamente ao romance, sem respeito ao princípio do contraditório.
A passagem dos minutos daquela manhã interminável de segunda-feira, 28 de
novembro de 2016, conduzia Álvaro a uma situação de progressiva consciência da situação
em que se envolvera. Mal rompera-se o vínculo entre o casal, Tereza apenas aguardou o
vencimento da dívida para cobrá-la. A execução fora proposta no dia 21 de outubro de 2016,
sexta-feira. “Ainda sob o efeito da raiva”, pensou Álvaro.
Novamente a advertência de sua mãe lhe veio à cabeça. Fora precipitado aceitar o
empréstimo de alguém que conhecera há pouco mais de seis meses. Fora precipitado pensar
em casamento. Mas, agora, só lhe restaria enfrentar o processo de execução.
Não havia dúvidas de que o contrato de mútuo celebrado com Tereza era um título
executivo extrajudicial. Tratava-se de documento particular assinado por ele, devedor, e
por duas testemunhas – por sinal, seus quase padrinhos de casamento – e consignava
obrigação certa, líquida e exigível. Ao se lembrar de que todos os seus bens presentes e
futuros responderiam pelo cumprimento da obrigação, Álvaro estremeceu. “Pelo menos,
meu apartamento está resguardado, bendita regra de impenhorabilidade do bem de
família!”. No momento, dentre os bens seus não sujeitos à penhora, aquele era o que mais
importava.
O montante de duzentos e vinte e um mil reais abrangia, além do valor devido
atualizado e acrescido de juros, os honorários advocatícios de dez por cento fixados de
plano pelo juiz ao despachar a petição inicial da execução. O mandado noticiava a Álvaro –
como se notícia boa fosse, verdadeira sanção premial – que o pagamento integral da dívida,
no prazo de 03 (três) dias, conduziria à redução do valor dos honorários pela metade. “Ora,
como se fosse fácil obter duzentos e vinte e um mil reais em três dias!”
O impulso jurídico de vasculhar uma saída para o problema o conduziu a examinar a
petição inicial da execução. Bem elaborada, fora devidamente instruída com o título
executivo extrajudicial e o demonstrativo do débito atualizado até a data da propositura da
demanda e indicava, em seu teor, tratar-se de execução por quantia certa contra devedor
solvente (será?), fazendo menção aos nomes completos da exequente e do executado e seus
números de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas. O demonstrativo do débito era
detalhado e indicava o índice de correção monetária adotado, a taxa de juros aplicada e os
termos inicial e final de incidência da correção e dos juros.
Ao final, uma singela indicação de bem suscetível de penhora...
- NÃO!
Álvaro não conseguiu conter o desespero. A exequente – por instantes esquecera-se
de que um dia fora ela sua noiva – indicara à penhora as quotas que Álvaro possuía na
fábrica de velas que herdara de seu pai! Sentiu uma dor verdadeiramente física, como se um
golpe houvesse sido desferido em seu rosto. E, à revelação, veio a raiva.
A petição inicial era subscrita por Gastão Antunes, um antigo namorado de Tereza
que Álvaro tivera o desprazer de conhecer. Embora Tereza jamais houvesse manifestado
interesse remanescente pelo ex–affair, era nítido que ele não a havia esquecido. O processo
seria ainda mais difícil do que Álvaro imaginava.
Buscando restabelecer seu equilíbrio emocional, Álvaro centrou suas atenções nos
três dias que possuiria para efetuar o pagamento do débito. “Impossível”, pensou. Nos
últimos meses, havia contraído diversas outras dívidas em decorrência do casamento que se
aproximava e sua intenção, em verdade, era adimplir a sua dívida dando à Tereza, em
pagamento, parte de seu imóvel, bem do qual se tornariam coproprietários. Mas, agora, com
o término da relação, essa solução afigurava-se impossível. E não havia como pagar a dívida.
Álvaro sabia que a penhora seria inevitável. Em três dias, não conseguiria reunir o
valor devido e, fatalmente, o oficial de justiça retornaria, de posse daquela via do mandado
de citação, penhora e avaliação na qual ele firmara seu recibo, procedendo-se à penhora de
suas quotas sociais. Restaria a Álvaro, obviamente, a indicação de outros bens passíveis de
penhora, com a comprovação de que a sua opção ser-lhe-ia menos onerosa e não traria
prejuízo a Tereza. Mas a verdade é que não possuía outros bens que pudesse indicar à
penhora, especialmente em razão do valor executado.
Nos três dias que se seguiram, Álvaro mal se comunicou com sua mãe, Maria Helena,
em casa. Não tinha coragem de lhe contar o que estaria prestes a ocorrer. A fábrica de velas
de seu pai sairia das mãos da família Cruz, onde permanecia desde sua criação. Passo a
passo, Álvaro tentou buscar uma das saídas que o ordenamento jurídico estabelecia,
justamente com a preocupação de preservação da sociedade, constituída que fora intuitu
personae.
Álvaro sabia que, uma vez penhoradas as suas quotas sociais, o juiz assinaria à
sociedade prazo de até três meses para que fosse apresentado balanço especial, intervalo
no qual essas quotas seriam oferecidas aos demais sócios (no caso, sua mãe, que ele sabia
não teria dinheiro para adquiri-las) ou poderiam ser adquiridas pela própria sociedade,
para manutenção em sua tesouraria, desde que não fosse reduzido seu capital social e
fossem utilizadas reservas da sociedade. Esta opção também estaria descartada.
Nem mesmo a liquidação de quotas sociais seria possível, uma vez que o pagamento
delas pela sociedade ser-lhe-ia excessivamente oneroso. Restaria, apenas, o leilão judicial
das quotas. A fábrica de velas Cruz deixaria de ser apenas dos Cruz.
***
O silêncio de Álvaro era eloquente para Maria Helena. Acontecera o que ela temia
desde que se consumou o término do romance de seu filho com Tereza: ela cumprira a
promessa de transformar a vida dele em um inferno e já atentara contra a sua parte mais
sensível. Não, não se tratava do bolso. Cuidava-se do bem mais precioso que Álvaro possuía,
o elo que o fazia sentir a presença firme de seu pai em sua vida.
Ao contrário de Álvaro, Maria Helena não possuía conhecimentos jurídicos. Mas, ao
ver o comportamento estranho de seu filho, deduziu que algo inquietante acontecera e, no
interior da gaveta da mesa de trabalho de Álvaro, obteve a resposta. A mensagem contida
naquele documento dispensava tradução: pague ou perca seu bem mais precioso. “Como
você perdeu o seu, Tereza”, pensou Maria Helena.
Maria Helena respeitou o silêncio de Álvaro e fingiu não perceber a sua súbita
mudança de comportamento. Mas, precavida, fez contato com Claudio Silva, advogado
amigo de infância de Álvaro e que fora seu colega de faculdade, pedindo-lhe que entrasse
em contato com seu filho e buscasse ajudá-lo, no que foi prontamente atendida.
***
Os três dias mais longos da vida de Álvaro transcorreram sem que a dívida fosse
paga. Conjuntamente com Claudio Silva – que, por coincidência, entrara em contato consigo
justamente na noite daquela fatídica segunda-feira, 28 de novembro de 2016 –, Álvaro
decidiu não opor embargos à execução. Simplesmente não encontrara matéria passível de
alegação em sede de embargos. Nem queria brigar com Tereza, havia decidido.
Efetuada a penhora de suas quotas, arrastou-se o prazo de dois meses que o juiz
estabeleceu para que a fábrica de velas apresentasse seu balanço especial. “Poderiam ter sido
três meses”, pensou Álvaro, lembrando-se do prazo máximo disposto na legislação
processual. Mas afastou a ideia de sua mente. Era estranho, mas, apesar de tudo, aquele
processo era o que o mantinha ligado a Tereza. E a cada dia essa ideia se tornava mais
persistente em sua cabeça.
O valor apurado das quotas, de cento e oitenta mil reais, não era suficiente para o
integral pagamento da dívida. Diante dessa circunstância, ao ser avisado por Claudio Silva
da existência de uma petição protocolizada por Tereza nos autos da execução, Álvaro logo
deduziu tratar-se de um pedido de ampliação da penhora. Só não entendeu a insistência do
amigo em que o encontrasse pessoalmente para conversarem.
- Tereza requereu a adjudicação das quotas para ela, Álvaro. – Claudio Silva foi direto
ao ponto assim que sentaram ambos no bar situado quase em frente à casa de Álvaro – E o
mais estranho: embora o Código de Processo Civil assegure à exequente a possibilidade de
adjudicação por preço não inferior ao da avaliação e apesar de Tereza saber que Maria
Helena não exerceria o direito de preferência dela, Tereza ofereceu pelo bem valor que
corresponde ao da dívida atualizada e acrescida das custas e de honorários advocatícios de
vinte por cento, o que parece ter sido feito em razão da possibilidade de majoração do
percentual, mesmo sem que você tenha embargado à execução, levando-se em conta o
trabalho realizado por Gastão Antunes, advogado dela.
- Não vou me opor – limitou-se a responder Álvaro.
- Está louco, amigo? – perguntou, incrédulo, Claudio Silva. Esta mulher permanecerá
em sua vida para sempre desse jeito! Será sócia de sua mãe na fábrica que era de seu pai!
- Que assim seja, Claudio – Álvaro parecia irresolúvel – Nunca quis dever a Tereza.
Teria dado minha casa a ela em pagamento, se tudo houvesse acontecido como havíamos
pensado. Não o faço hoje porque minha mãe e eu não teríamos onde morar.
- Mas Álvaro...
- O maior valor que meu pai me ensinou foi a honestidade, Claudio. Meu erro foi ter
aceitado aquela proposta de despedida de solteiro às vésperas do meu casamento. Disso é
que mais me arrependo na vida: de ter perdido a Tereza.
De súbito, a conversa foi interrompida por uma familiar voz feminina...
- Era esse meu maior pagamento, Álvaro. Ouvir de você uma confissão sincera de
arrependimento. Não há prova de amor maior do que esta que acabo de receber.
Álvaro levantou-se de um salto: ali estava, diante de si, Tereza, olhos marejados com
a confissão que acabara de escutar. Em choque, Álvaro mal conseguia falar. Nem sequer
percebeu a presença de Maria Helena, um pouco mais distanciada, que a tudo assistia,
avisada que tinha sido por Claudio de que o filho receberia uma notícia difícil de suportar.
Álvaro e Tereza reconciliaram-se ali mesmo. Nem Claudio nem Maria Helena falaram nada.
Não era o momento para qualquer intervenção de terceiro.
***
Não houve adjudicação do bem penhorado; tampouco foi necessária a sua venda em
leilão judicial. Álvaro pagou sua dívida do modo como sempre desejou: transferindo a
Tereza parte de seu imóvel residencial. E ambos transferiram, um ao outro, parte de suas
vidas. Casaram-se, como havia de ser.
Os honorários advocatícios de Gastão Antunes foram pagos pela própria Tereza. O
pagamento que ele efetivamente desejava, jamais recebeu: o amor de Tereza sempre fora,
desde que conhecera Álvaro, bem fora do comércio.
Maria Helena decidiu morar sozinha e aceitou vender a participação na sociedade
para adquirir um imóvel próprio. A adquirente dessas quotas foi uma distinta senhora, de
nome Tereza Lacerda Cruz. Desnecessário dizer que os instrumentos jurídicos conducentes à
concretização desses negócios foram elaborados por Claudio Silva, agora advogado
contratado da Fábrica, que está em plena expansão.
Como Tereza chegou no bar, justamente a tempo de ouvir a confissão de Álvaro? Este
é um daqueles mistérios que só a vida faz acontecer.
E a Fábrica de Velas Cruz continua sendo dos Cruz.
*
10 de janeiro de 2017
Rodolfo Pamplona Filho
Será o fim?
Triste fim...
Na verdade, tudo muda...
Só não muda a mudança...
Tudo muda...
As mudas voltarão a florescer...
e os mudos e os mundos também...
Por aí...
Os exemplos vão ficar
e os trilhos voltarão a se encaixar...
depois...
Salvador, 24 de agosto de 2013, batendo papo com Bernardo Lima no What's up..
Helena Maria De Oliveira Siqueira
Não te vejo ...
mas te escuto ...
te escuto na calada da noite ...
te escuto na aurora ...
no correr do dia ...
te escuto quando chove ...
quando desperta os pássaros e me desperta também ...
Te escuto quando você eleva sua voz aos céus e me presenteia com a Ave Maria ...
Te escuto até mesmo quando alongas minhas noites e diminuis os meus dias ...
quando aceleras ou retardas os meus passos ...
Te escuto quando és o mensageiro de boas e de más notícias ...
Não te vejo ...
mas o nosso diálogo é harmonioso ...
você fala ...
eu te escuto ...
e nossa relação é de vida eterna ...
Te escuto quando só você me vê ...
Te escuto ainda quando não me vês porque estas meu coração ...
Rodolfo Pamplona Filho
Acordar, comer
Banhar-se, vestir
Trabalhar, beber
Deslocar-se, dormir
Não saber o que mais fazer?
Quem sabe, talvez, viver?
Ver que um dia passa
sem, de nada, achar graça
é finalmente perguntar:
será que morri e
me esqueceram de enterrar?
Salvador, 13 de junho de 2013, após uma sessão de analise junguiana.
Vinicius de Moraes
Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.
Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:
O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor.
Rodolfo Pamplona Filho
Não ir
não é
necessariamente
perder
Não ir
pode ser
esperar
para ganhar,
refletir
para entender,
aguardar
para vencer
Salvador, 23 de setembro de 2020.
Vitor Henrique
A vida criva o agrado da falsa esperança em um fardo pesado, que nem alça de uma calça que não laça.
A impostora, a mentirosa, a farsante ou hipócrita falsa esperança.
A ânsia do ancorar no Lar que leva a um destoar.
Um aborrecimento, uma mentira ou tirania. Eis o crivo do livro vivo que construímos em uma falsa esperança do não saber.
Que guiado e liderado pelo o sonhar que nos criva.
Da incógnita cotidiana do sonhar ou não sonhar?
Acreditar ou não acreditar, para o medo de nós arranhar e nos ferir no ir.
Não vamos ancorar se não sonharmos.
Não vamos acompanhar o marchar da maré.
Não vamos nem ao menos ter lido o livro do não saber
Mas se for um houver do muro sem lucro.
Das as alegrias…
das alegorias das falácias que não devem ser cogitadas, digitadas, lidas e escritas.
Das idas às ideias inobsoletas das Borboletas das letras da falsa esperança.
Mas, se não sonhar não teremos vivido o livro.
Do amada do nada.
Do rechear do cheirar do lar
Do avistar até aterrar em uma terra do além mar
Para que o amarrar do amar, se torne lar. Eis, o livro do não saber do escrito, digitado ou cogitado.
O que fizeram, o que eu fiz e para onde fui.
É foda, a cabeça lota em quotas de devaneio.
Sujeira que me jogaram, amarraram e me deixaram em uma mar uivante de Abrantes.
Não se iluda com a forma lúdica da localidade airosa, porque não existe rosas sem espinhos, nem que se for no pinho do seu ninho.
Não importa a forma, a sonata está perdida em uma ida sem partida, mas com chegada aonada mais me consola.
As solas nem estão gastas em lascas. Mas já sei que não há nada mais.
Porque não há?
Porque eu já disse, me sujaram, amarraram e me jogaram no meio do nada e eu não sei nadar, nem ao menos andar no desconhecido.
Não sei que lugar é esse,
Não sei se tenhas o nobre e o pobre, e se eles se importam em ouvir os meus pensamentos confusos tontos pela… a maré.
A porta parece torta, cheias de discursos de nenhures. Porque, donde eu veio pelos devaneios, não conheci achar meios a abrir.
A cabeça tida madura, já sabe que a vida é assim, dura igual uma pedra, que que esmurra em uma algazarra de sentimentos.
Uma verdadeira surra de momentos e tormentos em só lamentos.
Não se engane ou encane, dizem que é apenas uma pane no sistema.
Urge então a necessidade de saber, para não beber na fonte da ignorância, porque a ânsia em uma direção de uma ação, que nasce naquela idade.
Naquela idade, em que você não vê as coisas do jeito que antes via.
Você de per si, sabe que a vida é assim, no sim ou no não, sempre serei o anão da pirâmide.
Ahhh, se eu pudesse ja ter descobre está chave mestra para concertar ou atar os nós do que já se foi.
Aos amigos que você tem que não ligam,
o sinal de pane aparece e você não amanhece
É, no verso da canção, no abrir da chave, que a ave ligeira já sabe antes que você, que é só ela e mais nada.
Não existe amor no clamor da dor de um sociedade doente.
Quem fala que sim mente, pela simples mediocridade que transforma a terra em letra de funeral.
Não existe compaixão, nem paixão.
Não existe nada além dessa vida, porque na ida, você sabe que somos meros passageiros prestes a partir.
Desligue os castelos do tetris, que moldam quem está certo ou errado na peça de encaixe, desligue a máquina, desligue a cina.
Porque nada importa, nem a forma, nem o como e o porque.
O Turbilhão em um bilhão de reações.
A falta de quem não tem alta, por um amor verdadeiro, sincero, companheiro na jornada da vida, nem que se for para uma ida sem partida.
Incógnita que Incomoda, quase coca, roça a aguça por resposta.
O meu eu tosta, queima, chamusca a sina da mina da ocitocina com a dopamina.
Não hesita, nessa usina de toxina a saber.
Mas, quem me dera saber a resposta para essa incógnita que me habita que não hesita.
Quem me dera as respostas, se nem sei quais são as perguntas, que me perfazem.
É nessa usina, que ser zem não me fazem ir além do óbvio.
Mas que me dera saber o que meu corpo quer beber? Se é nessa usina de ocitocina com dopamina que eu vivo até ir ao além, nem se for sem ou com a resposta.
A incógnita nitra o que sei lá eu sou, só sei que zem eu não sou, nem com serotonina eu sou.
Sou eu, um bilhão de reações sem lições de moralidade e eticidade.
Sou eu quem caminha nessa mina de toxina e paixão em uma mansão sem uma lição a te dar.
Nem mandar a onde andar, porem a quem lhe vem apenas excitar o meu eu até onde for, nem que se for sem alem a algo que nem existe.
Sou eu turbilhão em um bilhão de reações com ações, sem lições, mas com desejos e medos.
Rodolfo Pamplona Filho
A Internet
deu voz
a quem não tem
o que dizer
e que acaba
dizendo
o que não consegue esconder:
a sua própria raiva,
ódio e ignorância,
misturados com a insegurança
de simplesmente
antipatizar
quem virou alvo
do seu difamar,
como se seu mal querer
pudesse justificar
ou verdade tornar
o fel que escorre
no íntimo do seu ser.
Salvador, 25 de julho de 2020
Poema de Fernando Py (1935-2020)
– melancólico olhar, sereno rosto,
postura fixa e o todo bem composto –
no retrato que o tempo desafia.
Fui eu na minha infância fugidia
de prazeres ingênuos, e o desgosto
de sentir tão efêmera a alegria
bem depressa mudada em seu oposto.
Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa
e tudo altera nem sequer deixou
um grão de infância feito esmola escassa.
Fui eu; e da figura só ficou
o olhar desenganado na fumaça
em que a criança inteira se mudou.
abril 1998
(De Sentimento da Morte – 2003)
Rodolfo Pamplona Filho
A inteligência é limitada,
a ignorância é infinita;
a compreensão é bem ampla,
a burrice extremamente restrita
a tolerância é apaziguadora
a idiotice procura confusão
O respeito acalma
A afronta acende pavios
a paciência tem limites,
que, se estourados, não voltam mais...
Salvador, 25 de janeiro de 2021.
Negra Luz
Me diga que não precisa pensar na vida.
Me diga que não precisa pensar em você.
Se a resposta certa é o que espero,
Então me diga que pensa na água,
Ela está em você.
A água está em em mim
Está em você.
Sem ela, a fonte da vida é rio que seca.
Ressecam-se a fauna e a flora
E todo viver.
Oxum e Yemanjá tem seus filhos
E abençoam com água
Salgada ou doce,
Abençoam o nosso viver.
Se tens fé nas Águas,
Da água deve cuidar,
Pensar nas nascente,
Nos mares
E nas suas vidas.
Em não poluir, revitalizar,
Proteger o que temos
Rever desperdícios e perdas ajudam a resolver.
Se já bebeu água com sede,
Sabe o que é não ter...
Por um segundo e urgimos sem ela.
Imagine o pior dos mundos sem a ter!
Me diga que não precisa pensar na vida.
Me diga que não precisa pensar em você,
Se a resposta certa é o que espero,
Então me diga que pensa na água,
Ela está em você.
Rodolfo Pamplona Filho
Vou embora!
Não fico mais aqui!
Estou arrumando as minhas coisas!
Vou sair!
Tchau
(...)
“Você não vai correr atrás de mim?”
Ferreira Gullar
pouso o rosto
na mesa
que
alívio
ser apenas
tato
só o
macio
contato
o corpo
corpo
defeso
dos esplendores
da vida
Rodolfo Pamplona Filho
Há pessoas que
realmente não aprendem:
por mais que se ensine,
por mais esforço que se faça,
não adianta dar dicas,
não servem os exemplos,
não prestam os métodos,
é inútil a pedagogia...
toda vez que o indivíduo
pode falhar,
nisto não decepcionará,
pois a inteligência tem limite,
mas a ignorância é infinita...
Salvador, 05 de janeiro de 2021.
(Negra Luz)
A poesia não me permite conter me em segredos.
Ela sussurra, através dos meus versos, o que não escrevi:
Traduz em onomatopeias meus sentimentos,
Cochicha pelas entrelinhas, expõe me nos acentos,
Quando findo uma estrofe, ela ainda fala por mim.
Um delatora camuflada por metáforas e rimas,
Revela a métrica do que escrevo e, quando menos espero,
Me vejo desnuda diante de ti:
Meu leitor, minha leitora.
Rodolfo Pamplona Filho
Sabe ...
por vezes, esperei
uma reposta sua,
mas não entendi
que já respondera
da forma mais pura...
Sabe...
Talvez não tenha
tido ouvidos para
ouvir o silêncio...
sei que ele é música,
por vezes ensurdecedora
por vezes detentora
de todos os sentidos...
Sabe...
Você me respondeu
tantas vezes
e eu não escutei...
O vazio é uma reposta
que também nos é imposta...
Será a pandemia?
Será o dia a dia?
Será falta de razão?
Ou foi o grande coração?
Não sei,
só sei
é só você
sabe...
que você respondeu
e eu não ouvia.
Salvador, 5 de fevereiro de 2021.
Cecília Meireles
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Rodolfo Pamplona Filho
Peguete é prazer
sem ter chateação;
é aproveitar o corpo,
o beijo
e a companhia
sem dar satisfação;
é saber desfrutar
o que a vida proporcionar,
sem se preocupar
com a conta a pagar
ou ter de explicar
o rumo a tomar
ou a intenção a falar...
é simplesmente viver o hoje
sem pensar no amanhã...
Salvador, 15 de janeiro de 2021.
Márcio Berto Alexandrino de Oliveira
O Amor é assim,
quando menos se espera floresce, passa por percalços,
mas quando é verdadeiro nunca se acaba.
Apesar do tempo, da distância, das adversidades, das diferenças,
O Amor continua resplandecendo como o brilho da lua cheia, porque o amor verdadeiro não perece, não se vangloria, não guarda rancor,
O Amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
O Amor não se cobra, não se acha nas vitrines, não tem valor pecuniário, é algo maior do que isso, é magnífico, é sublime.
É a mais pura manifestação de sentimento.
É obra de Deus.
É para sempre!