quarta-feira, 16 de setembro de 2026

18 anos de Rodolfinho



 





 


Meu querido Rodolfinho,


 


Hoje você completa 18 anos de vida


E eu não poderia estar mais feliz


Por ter visto você crescer e se tornar


Um jovem forte, corajoso e capaz


 


Lembro-me dos seus primeiros passos


E das suas primeiras palavras


E agora vejo você pronto para voar


E conquistar o mundo com suas asas


 


Você é um filho amado e especial


E eu tenho muito orgulho de você


Por tudo o que já fez e ainda fará


E por ser um exemplo de amor e fé


 


Que a vida lhe traga muitas alegrias


E que você siga sempre em frente


Com determinação, sabedoria e bondade


E que Deus lhe abençoe eternamente


 


Parabéns, meu filho querido


Que este dia seja repleto de amor


E que você saiba que sempre estarei aqui


Para apoiá-lo em cada novo caminho e sabor.


 


Salvador, 03 de junho de 2023.


terça-feira, 15 de setembro de 2026

Versos Íntimos

  


(Augusto dos Anjos)


Vês?! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão – esta pantera –

Foi tua companheira inseparável!


Acostuma-te à lama que te espera!

O Homem que, nesta terra miserável,

Mora entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera


Toma um fósforo, acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro.

A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se alguém causa ainda pena a tua chaga

Apedreja essa mão vil que te afaga.

Escarra nessa boca que te beija!

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Amor de Irmão




Rodolfo Pamplona Filho


Amigo


Eu não tenho dinheiro para dar


nem tenho como as coisas mudar,


mas sei que, quando a coisa apertar,


vou pegar a tua mão


 


Amigo


Não consigo resolver teus problemas


Nem sei como desvendar teus esquemas


mas sei que, em todos os dilemas,


serei sempre teu Irmão


 


Na saúde ou na doença


No vazio ou na crença


No mar ou na terra


Na paz ou na guerra


“Só posso dizer que te amo


e que estou ao teu lado”,


Irmão


 


Salvador, 06 de agosto de 2023.


domingo, 13 de setembro de 2026

Timidez




 (Cecília Meireles)


Basta-me um pequeno gesto,

feito de longe e de leve,

para que venhas comigo

e eu para sempre te leve…– mas só esse eu não farei.Uma palavra caída

das montanhas dos instantes

desmancha todos os mares

e une as terras mais distantes…– palavra que não direi.Para que tu me adivinhes,

entre os ventos taciturnos,

apago meus pensamentos,

ponho vestidos noturnos,– que amargamente inventei.E, enquanto não me descobres,

os mundos vão navegando

nos ares certos do tempo,

até não se sabe quando…– e um dia me acabarei.

sábado, 12 de setembro de 2026

Boteco

 



Rodolfo Pamplona Filho 


O que tem em um boteco?

Encontros e Música

Amigos e Barulho

Risada e Conversa

Sorrisos e Delícias


Garçom, traz à mesa

Comidinhas e Gentileza

Bebidas e Beleza

e um Sorvete de sobremesa

Na calçada ou varandão


 


Salvador, 20 de julho de 2023.


sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Amor

 



(Álvares de Azevedo)


Amemos! Quero de amor

Viver no teu coração!

Sofrer e amar essa dor

Que desmaia de paixão!Na tu’alma, em teus encantos

E na tua palidez

E nos teus ardentes prantos

Suspirar de languidez!


Quero em teus lábios beber

Os teus amores do céu,

Quero em teu seio morrer

No enlevo do seio teu!Quero viver d’esperança,

Quero tremer e sentir!

Na tua cheirosa trança

Quero sonhar e dormir!


Vem, anjo, minha donzela,

Minha’alma, meu coração!

Que noite, que noite bela!

Como é doce a viração!E entre os suspiros do vento

Da noite ao mole frescor,

Quero viver um momento,

Morrer contigo de amor!

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Comunhão



Rodolfo Pamplona Filho


Com quem há prazer

em convidar para a mesa?

Na fartura

ou na carência,

só se compartilha,

com certeza,

com quem se tem comunhão,

com quem se divide o pão,

com quem mora em seu coração.



Salvador, 10 de junho de 2022.


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

José




(Carlos Drummond de Andrade)


E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?E agora, José?

sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio, – e agora?Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?


Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse,

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse...

Mas você não morre,

você é duro, José!


Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, para onde?

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Eu não gosto de paredes brancas

 




Rodolfo Pamplona Filho

 


Eu não gosto de paredes brancas

Elas me trazem uma sensação de limpeza

parecendo um ambiente de hospital

incompatível com a vida real

impossível no mundo normal


 Eu não gosto de paredes brancas


Elas parecem uma tela em branco

em que não se pode escrever,

como um manto imaculado a esconder

uma vida proibida de viver


Eu não gosto de paredes brancas


Elas soam como a água ideal:

Inodora, incolor e insípida!

Eu só gosto de paredes brancas

como um convite para novas criações!



Salvador, 10 de junho de 2022.


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Canção do Exílio

 







(Gonçalves Dias)


Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar — sozinho, à noite —

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

domingo, 6 de setembro de 2026

Frustração



 


Como lidar

com a frustração

quando mal se dá conta

de si próprio?


O desejo é ilimitado

e os recursos

da realidade

são finitos…


Assim, se percebe

a inevitabilidade

do sentimento;

a força

do constrangimento;

a imperatividade

do sofrimento.



Salvador, 02 de junho de 2023.


sábado, 5 de setembro de 2026

Ora direis ouvir estrelas




(Olavo Bilac)


Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto…E conversamos toda a noite, enquanto

A Via Láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?”E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Minha matilha é a cara da diversidade - 2



 

 Rodolfo Pamplona Filho


8 indivíduos


Tamanhos diferentes


Idades diferentes


Cada um com sua cor, em paleta de cores


Paridade (4 machos e 4 fêmeas)


4 duplas


2 de porte pequeno, 4 de porte médio e 2 de porte grande


2 mais velhos (Camille e Tchutchucão)


2 irmãos de sangue (Hans e Hannah) em uma família socioafetiva


2 grandões estabanados (Carlos e Joana)


2 baixinhos invocados (Buck e Simone)


1 feminista (Camille)


1 gordo (Tchuchucão)


1 troglodita convertido (Hans)


1 homo (Hannah)


1 hiperativo (Carlos)


1 periguete (Joana)


1 mauricinho (Buck)


1 com deficiência (Simone)


 


Mas todos amados sem qualquer restrição.


 


Salvador, 01 de agosto de 2023.


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Soneto de Fidelidade




 (Vinicius de Moraes)


De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.Quero vivê-lo em cada vão momento

E em louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem amaEu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Rompendo




Rodolfo Pamplona Filho




E, de repente, o silêncio!!!

E o que era unidade

virou dois corpos abraçados

(mas não era a mesma coisa!)

E o silêncio persiste!!!

Palavras são emitidas,

mas parece não haver som

Confesso: estou com medo

(ela também!)

Medo de quê???

Medo de perdê-la

e nunca mais tê-la...

... de volta ... em meus braços

O rádio está ligado,

mas o silêncio continua... (insuportável!!!)

Fala-se sobre qualquer coisa,

mas o silêncio continua...

Será o fim?

Ou será apenas a explosão de outra neurose?

Enquanto escrevo,

meu corpo sua e treme!

Será febre?

Será medo?

Será que vou conseguir encontrar

alguém que eu goste de abraçar

alguém com quem eu possa conversar

alguém que eu possa amar,

sem ser você, amiga?

Acho difícil,

Acho impossível,

acho insuportável!

Mas, então, por que, meu Deus, por que?

Por que meu coração está confuso desse jeito?


Se eu a amo,

por que hesito?

Se não a amo,

por que existo?

Vejo seus olhos marejados

Sinto que ela vai chorar.

Se tenho vontade, por que não grito logo que a quero?

que a amo?

que a desejo?

Porque...

... sou imaturo

... sou um idiota

... sou influenciado por palavras que não vem da minha boca

nem da minha alma

nem do meu coração.

Mas, mesmo assim,

e por isso mesmo,

eu hesito quando

quando tudo seria bem mais fácil

e bem mais simples

se eu (mente, alma e coração)

apenas dissesse:


Meu amor, quero ficar contigo o resto de minha vida!


(11.10.92)

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Amar, nunca me coube




(Mario Quintana)


Mas sempre transbordou

O rio de lembranças

Que um dia me afogou



E nesta correnteza

Fiquei a navegar

Embora, com certeza,

Não possa me salvar



Amar nunca me trouxe

Completo esquecimento

Mas antes me somou

Ao antigo tormento



E assim, cada vez mais,

Me prendo neste nó

E cada grito meu

Parece ser maior




segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Sorrisos



Rodolfo Pamplona Filho


Todo sorriso é um enigma

mais difícil que o da esfinge

pois não há saída: ele nos devora,

seja alegre ou seja triste!


Cada dente exposto,

cada expressão no rosto

contém uma mensagem

Cada olhar brilhante,

cada riso vibrante

transmite uma imagem


Ela sorri para mim?

Ou ela sorri de mim?

Compreender é tão difícil

quanto se espera um “sim”!

Não se sabe se um sorriso

é um beijo ou uma ironia!

Não se sabe se um sorriso

emana sarcasmo ou poesia!


Por isso mesmo,

repito sempre o lugar comum:

“Sorria sempre, mesmo

que seja um sorriso triste!

Pois antes um sorriso triste

do que a tristeza

de não saber sorrir!”


(1991)


Musicado por Iuri Lemos Vieira em 2006


domingo, 30 de agosto de 2026

Coisa Amar



Manuel Alegre




Contar-te longamente as perigosas

coisas do mar. Contar-te o amor ardente

e as ilhas que só há no verbo amar.

Contar-te longamente longamente.



Amor ardente. Amor ardente. E mar.

Contar-te longamente as misteriosas

maravilhas do verbo navegar.

E mar. Amar: as coisas perigosas.



Contar-te longamente que já foi

num tempo doce coisa amar. E mar.

Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.



Contar-te o mar ardente e o verbo amar.

E longamente as coisas perigosas.

sábado, 29 de agosto de 2026

Esperança




Rodolfo Pamplona Filho


O futuro há de ser melhor do que o presente

e infinitamente superior ao passado recente,

pois guarda em sim um querer

que se renova a cada alvorecer


Não é o amor que difere o homem dos outros animais...

Não é a falta de guerra que garante a paz...

Não é a pesquisa lógica que impulsiona à solução...

Não é o remédio que traz calma ao coração...


É a força que move o doente à cura...

É o que faz a alma se manter pura...

É o que se sente no sorriso da criança...

É a mais clara forma de fé: a esperança!


Viver é o exercício da persistência

em um mundo que mina sua resistência

com armadilhas dolorosas nos pontos mais sensíveis,

criando obstáculos cada dia mais terríveis...


Mas nada disso realmente importa

quando a sensação que bate à nossa porta

é uma confiança inexplicável no amanhã

com um renascer da vontade a cada manhã...


Salvador, 23 de maio de 2010


Para Micael...


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Me marcou





(Negra Luz)


Com o melhor cheiro que já senti,

Com a comida mais gostosa que comi,

Com o banho mais bem tomado que tomei ,

Com o sermão mais pujante que ouvi


Também, com o melhor conselho,

Com a palavra mais sábia,

Com o provérbio mais significativo,

Com a frase que ficou


E, assim era, com o mais inebriante sorriso,

Com o olhar mais profundo,

Com o abraço que mais me aqueceu,

Com o beijo de mais abnegado amor


Minha mãe me marcou com tudo, 

Que traduzia seu amor.

Eu sigo e, nas marcas em mim,




Reencontro tudo de bom que Mainha deixou!