Ferreira Gullar
pouso o rosto
na mesa
que
alívio
ser apenas
tato
só o
macio
contato
o corpo
corpo
defeso
dos esplendores
da vida
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
Ferreira Gullar
pouso o rosto
na mesa
que
alívio
ser apenas
tato
só o
macio
contato
o corpo
corpo
defeso
dos esplendores
da vida
Rodolfo Pamplona Filho
Há pessoas que
realmente não aprendem:
por mais que se ensine,
por mais esforço que se faça,
não adianta dar dicas,
não servem os exemplos,
não prestam os métodos,
é inútil a pedagogia...
toda vez que o indivíduo
pode falhar,
nisto não decepcionará,
pois a inteligência tem limite,
mas a ignorância é infinita...
Salvador, 05 de janeiro de 2021.
(Negra Luz)
A poesia não me permite conter me em segredos.
Ela sussurra, através dos meus versos, o que não escrevi:
Traduz em onomatopeias meus sentimentos,
Cochicha pelas entrelinhas, expõe me nos acentos,
Quando findo uma estrofe, ela ainda fala por mim.
Um delatora camuflada por metáforas e rimas,
Revela a métrica do que escrevo e, quando menos espero,
Me vejo desnuda diante de ti:
Meu leitor, minha leitora.
Rodolfo Pamplona Filho
Sabe ...
por vezes, esperei
uma reposta sua,
mas não entendi
que já respondera
da forma mais pura...
Sabe...
Talvez não tenha
tido ouvidos para
ouvir o silêncio...
sei que ele é música,
por vezes ensurdecedora
por vezes detentora
de todos os sentidos...
Sabe...
Você me respondeu
tantas vezes
e eu não escutei...
O vazio é uma reposta
que também nos é imposta...
Será a pandemia?
Será o dia a dia?
Será falta de razão?
Ou foi o grande coração?
Não sei,
só sei
é só você
sabe...
que você respondeu
e eu não ouvia.
Salvador, 5 de fevereiro de 2021.
Cecília Meireles
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Rodolfo Pamplona Filho
Peguete é prazer
sem ter chateação;
é aproveitar o corpo,
o beijo
e a companhia
sem dar satisfação;
é saber desfrutar
o que a vida proporcionar,
sem se preocupar
com a conta a pagar
ou ter de explicar
o rumo a tomar
ou a intenção a falar...
é simplesmente viver o hoje
sem pensar no amanhã...
Salvador, 15 de janeiro de 2021.
Márcio Berto Alexandrino de Oliveira
O Amor é assim,
quando menos se espera floresce, passa por percalços,
mas quando é verdadeiro nunca se acaba.
Apesar do tempo, da distância, das adversidades, das diferenças,
O Amor continua resplandecendo como o brilho da lua cheia, porque o amor verdadeiro não perece, não se vangloria, não guarda rancor,
O Amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
O Amor não se cobra, não se acha nas vitrines, não tem valor pecuniário, é algo maior do que isso, é magnífico, é sublime.
É a mais pura manifestação de sentimento.
É obra de Deus.
É para sempre!
Rodolfo Pamplona Filho
A maior distância
entre duas pessoas
é o mal-entendido
O maior abismo
entre dois seres
é não ser compreendido
Meias palavras
Frases não ditas
Falta de diálogo
Ausência de interação
Gap de cognição
Problemas de comunicação
Salvador, 25 de janeiro de 2021.
Rodolfo Pamplona Filho
É difícil sorrir
com receio de consequências
É difícil fluir
com medo das intermitências
É difícil respirar
com receio das armadilhas
É difícil se entregar
com certeza da desconfiança
É difícil amar
tendo perdido a esperança
É difícil sobreviver
com dificuldades burocráticas
É difícil viver
a alegria em doses homeopáticas
Praia do Forte, 31 de dezembro de 2022.
Jaci Bezerra
Toda a lua e claridade
assim te quero, assim te vejo
e se te vejo o amor invade
meu corpo inteiro e o deixa aceso
e se te vejo o amor em mim
é um cheiro morno de jardim
A tua dor doendo em mim
é um rio latejando aceso
sou um cantareiro no jardim
do sonho em que te quero e vejo
primaveras de claridade
na primavera que me invade
Toda nua és um rio aceso
de primavera e claridade
mas quero mais do que o que vejo
sentindo a angústia que me invade
esse amor que doendo em mim
arde em silêncio no jardim
Extinta a angústia que me invade
te sinto perto e junto a mim
mais do que amar a claridade
amo teu cheiro de jardim
por isso à noite durmo aceso
no dia em que te sinto e vejo.
Teu coração é um jardim
tremulando na claridade
mesmo quando doendo em mim
também é a angústia que me invade
porque no dia em que te vejo
teu corpo dorme em mim aceso
No fundo dos teus olhos vejo
longe da angústia que me invade
como o amor doendo aceso
é uma trança de claridade
o coração dentro de mim
dorme abrasado em teu jardim.
Rodolfo Pamplona Filho
Vou te emprestar
meus olhos
para veres
a coisa linda que vejo
quando sorris.
Vou deixar contigo
a minha pele
para sentires
a doçura
do teu toque.
Vou esquecer em tuas mãos
o meu coração
para teres a certeza
de que ele pulsa
por ti.
Salvador, 22 de janeiro de 2023.
Janete Fonseca
Cai a primeira folha,
A segunda também.
Mais outra... e outras mais,
Centenas delas caem
Das árvores centenárias
Apenas sopra o vento,
No alaranjado crepúsculo
E à tarde primaveril,
Quando o olhar se embaça
Ao sol da memória,
Voltam todas,
Molhando os caminhos
Em longas cabeleiras
Em galhos silentes,
Pingando cores
Também do coração,
Onde brotam as ilusões,
Uma por uma vai tombando,
Descendo ladeiras
Em fortes enxurradas
Por esse mundo fora
Como tombam as folhas das árvores centenárias
No mar azul da infância,
Olhar suspiroso e
Imaginação solta
Voam...Mas às copas as folhas voltam,
E elas ao coração não voltam jamais,
Levadas pelas águas de março
(PARÁFRASE DO POEMA DE RAIMUNDO CORREA "AS POMBAS")
Rodolfo Pamplona Filho
O que diz um olhar?
Mais do que palavras
O que ensina um olhar?
Mais do que muitas lições
O que mostra um olhar?
Mais do que mil exposições
O que prende um olhar?
Mais do que prisões
O que mata um olhar?
A dor fatal das repressões
Buzios, 13 de janeiro de 2023.
Clivia Filgueiras
Do contrato sou um tipo
Me assento na confiança plena
Referente a custódia ou guarda de coisa alheia
Pode ser ela grande ou pequena.
Duas pessoas de mim fazem parte
Uma entrega e a outra guarda o montante
Há uma relação de confiança
Entre o depositário e o depositante.
Quando entrego a coisa
Espero deveras a restituição – sigo confiante...
Se na ocasião ajustada dela não me fizer novamente dono
Uma Ação de Depósito proponho
Afinal, sou o depositante!
Eu recebo a coisa
Restituí-la-ei conforme o ajustado
Não sou o seu dono
Apenas depositário!
Como depositário tenho algumas obrigações:
Guardo a coisa alheia recebida mas dela não posso me servir...
Respondo por dolo ou culpa se a coisa perecer...
Ao depositante sou obrigado a restituir.
Se da coisa me apossar sem autorização
Receberei a devida sanção
O juiz decretará uma pena
Irei parar na prisão.
Como depositante as minhas obrigações vão além
Remunero quando sou oneroso
Mas posso ser gratuito também!
Posso também ter obrigações de fato real:
Reembolsar as despesas de meu interesse
Indenizar os prejuízos de vício real.
Contrato Irregular também posso ser
Posso usar e dispor da coisa depositada...
Restituir coisa de igual valor e quantidade...
Devolver não exatamente a que me foi confiada.
Posso ser Necessário, Legal, Hospedeiro ou Miserável
Os três primeiros com fundamento ou exigência legal
O último quando em guerra...terremoto e coisa e tal.
Para concluir:
Antes da coisa entregar
É preciso no depositário confiar
Pois sou baseado numa relação de boa-fé
De Depósito devem me chamar.
Rodolfo Pamplona Filho
Sonhar não custa nada,
mas alcançar o que se deseja
não é fácil
e, muitas vezes,
só se pode
se confirmar com o que se tem,
suspirar pelo que não vem,
lamentar o irrealizável
e aceitar o que é possível.
Salvador, 16 de dezembro de 2022.
Cecília Meireles
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Rodolfo Pamplona Filho
Meus cachorros têm marcas
decorrentes das pauladas
e das porradas
que a vida proporcionou
Meus cachorros têm traumas
potencialmente insuperáveis,
frutos amargos da árvore
de mal-tratos que sofreram
Meus cachorros têm Cicatrizes
no corpo e na alma,
marcas do que passaram
nas mãos cruéis do destino
Meus cachorros têm um Amor
simplesmente inexplicável,
potencialmente infindável
e naturalmente adorável
Meus cachorros me representam
Eles são meu espelho,
meu esteio e meu sentido
Eles são eu e
Eu sou eles
Salvador, 10 de dezembro de 2022
Jansen Filho
Um divino clarão vem do nascente
E sobre o meu jardim calmo resvala!
Na graça deste quadro reluzente,
A aragem fria os meus rosais embala!
Tudo desperta misteriosamente!
E a luz cresce e se expande em doce escala,
Avivando o lençol resplandecente
Da brancura dos lírios cor de opala!
E o sol, doirando as franjas do horizonte,
Celebra a missa do romper da aurora
Na doce Eucaristia do levante!
Da passarada escuta-se o clarim !
E a madrugada estende-se sonora,
Na aleluia de luz do meu jardim !
Rodolfo Pamplona Filho
Não preciso de estudo
Não preciso de história
Não preciso de lógica
Não preciso de ciência
Não preciso de fontes
Não preciso de provas
Só preciso da minha convicção
e das vozes da minha cabeça.
Oceano Atlântico, 12 de janeiro de 2023.
Barros Alves
Viver o amor é cometer loucuras,
É apaixonar-se desabridamente.
É morrer de prazer e, de repente,
Esquecer pundonores e posturas.
Muito amar é perder a compostura
Ante as normas que essa pobre gente
Quer-nos impingir hipocritamente,
Mas, o amante a rechaça com bravura.
Pois se amar loucamente é vil pecado,
Que nos deixa do céu ao desabrigo,
Pobre de mim! Sou louco apaixonado.
Desde o ventre materno condenado
Da vida levarei para o jazigo
O jugo desse amor desesperado.