terça-feira, 7 de abril de 2026

Não ir


 


Rodolfo Pamplona Filho



Não ir

não é

necessariamente

perder

Não ir

pode ser

esperar

para ganhar,

refletir

para entender,

aguardar

para vencer

 


Salvador, 23 de setembro de 2020.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

O crivo do não saber da falsa esperança





Vitor Henrique


A vida  criva o agrado da falsa esperança em um fardo pesado, que nem  alça de uma calça que não laça. 

A impostora, a  mentirosa,  a farsante ou hipócrita falsa esperança.  

A ânsia do ancorar no Lar que leva a um destoar. 

Um aborrecimento, uma mentira ou tirania. Eis o crivo do livro vivo que construímos em uma falsa esperança do não saber.



Que guiado e liderado  pelo o sonhar que nos criva. 

Da incógnita cotidiana  do sonhar ou não sonhar? 

Acreditar ou não acreditar, para o  medo de nós arranhar e nos ferir no ir. 



Não vamos ancorar se não sonharmos. 

Não vamos acompanhar o marchar da maré. 

Não vamos nem ao menos ter lido o livro do não saber

Mas se for um houver do muro sem lucro. 

Das  as alegrias… 

das  alegorias das falácias que não devem ser cogitadas, digitadas, lidas e escritas. 

Das idas às ideias inobsoletas das Borboletas das letras da falsa esperança.

 


Mas, se não sonhar não teremos vivido o livro.  

Do amada do nada. 

Do rechear do cheirar do lar 

Do avistar até aterrar em uma terra do além mar

Para que o amarrar do amar, se torne lar. Eis, o livro do não saber do escrito, digitado ou cogitado.



O que fizeram, o que eu fiz e para onde fui. 

É foda, a cabeça lota em quotas de devaneio. 

Sujeira que me jogaram, amarraram e me deixaram em uma mar uivante de Abrantes.  

Não se iluda com a forma lúdica da localidade airosa, porque não existe rosas sem espinhos, nem que se for no pinho do seu ninho. 

Não importa a forma, a sonata está perdida em uma ida sem partida, mas com chegada aonada mais me consola.  



As solas nem estão gastas em lascas. Mas já sei que não há nada mais. 

Porque não há? 

Porque eu já disse, me sujaram, amarraram e me jogaram no meio do nada e eu não sei nadar, nem ao menos andar no desconhecido. 

Não sei que lugar é esse, 

Não sei se tenhas o nobre e o pobre, e se eles se importam em ouvir os meus pensamentos confusos tontos pela… a maré.   

A porta parece  torta,  cheias de discursos  de nenhures. Porque, donde eu veio pelos devaneios, não conheci achar meios a abrir. 



A cabeça tida madura, já sabe que a vida  é assim, dura igual uma pedra, que  que  esmurra em uma algazarra de sentimentos. 

Uma verdadeira surra de  momentos e tormentos em só lamentos. 

Não se engane ou encane, dizem que é apenas uma pane no sistema. 

Urge então a necessidade de saber, para não beber na fonte da ignorância, porque a ânsia em uma direção de uma ação, que nasce naquela  idade.

Naquela idade, em que você não vê as coisas do jeito que antes via. 

Você de per si, sabe que  a vida é assim, no sim ou no não, sempre serei o anão da pirâmide. 



Ahhh, se eu pudesse ja ter descobre está chave mestra para concertar ou atar os nós do que já se foi. 

Aos  amigos que você tem que não ligam, 

o  sinal de pane aparece e você não amanhece 

É, no verso da canção, no abrir da chave, que a ave ligeira já sabe antes  que você, que é só ela e mais nada. 

Não existe amor no clamor da dor de um sociedade doente. 

Quem fala que sim mente, pela  simples mediocridade que transforma a terra em letra de funeral. 

Não existe compaixão, nem paixão. 

Não existe nada além dessa vida, porque na ida, você sabe que  somos meros passageiros prestes a partir. 

Desligue os castelos do tetris, que moldam quem está certo ou errado na peça de encaixe, desligue a máquina, desligue a cina.  

Porque nada importa, nem a forma, nem o como e o porque.



O Turbilhão em um bilhão de reações. 

A falta de quem  não tem alta, por um amor verdadeiro, sincero, companheiro na jornada da vida, nem que se for para uma ida sem partida.

Incógnita que Incomoda, quase coca, roça a aguça por resposta. 

O meu eu tosta, queima, chamusca a sina da mina  da ocitocina com a dopamina. 

Não hesita, nessa usina de toxina a saber. 

Mas, quem me  dera saber a resposta para essa incógnita que me habita que não hesita. 



Quem me dera  as respostas, se nem sei quais são as perguntas, que me perfazem. 

É nessa usina, que ser zem não me fazem ir além do óbvio. 

Mas que me dera saber o que meu corpo quer beber? Se é nessa usina de ocitocina com dopamina que eu vivo até ir ao além, nem se for sem ou com a resposta. 

A incógnita nitra o que sei lá eu sou, só sei que zem eu não sou, nem com serotonina eu sou. 

Sou eu, um bilhão de reações sem lições de moralidade e eticidade.  

Sou eu quem caminha nessa mina de toxina e paixão em uma mansão sem uma lição a te dar.

Nem mandar a onde andar, porem a quem lhe vem apenas excitar o meu eu até onde for, nem que se for sem alem a algo que nem existe.

Sou eu turbilhão em um bilhão de reações com ações, sem lições, mas com desejos e medos.






domingo, 5 de abril de 2026

Fake News na Pandemia





Rodolfo Pamplona Filho


A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.


 


Salvador, 25 de julho de 2020

sábado, 4 de abril de 2026

Fui eu esse menino que me espia



  


Poema de Fernando Py (1935-2020)


– melancólico olhar, sereno rosto,


postura fixa e o todo bem composto –

no retrato que o tempo desafia.


Fui eu na minha infância fugidia

de prazeres ingênuos, e o desgosto

de sentir tão efêmera a alegria

bem depressa mudada em seu oposto.


Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa

e tudo altera nem sequer deixou

um grão de infância feito esmola escassa.


Fui eu; e da figura só ficou

o olhar desenganado na fumaça

em que a criança inteira se mudou.


abril 1998


(De Sentimento da Morte – 2003)

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Estourando os Limites da Paciência

 



Rodolfo Pamplona Filho


A inteligência é limitada, 

a ignorância é infinita; 

a compreensão é bem ampla, 

a burrice extremamente restrita 

a tolerância é apaziguadora 

a idiotice procura confusão  

O respeito acalma  

A afronta acende pavios  

a paciência tem limites, 

que, se estourados, não voltam mais... 


 


Salvador, 25 de janeiro de 2021. 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A água em você

 






Negra Luz




Me diga que não precisa pensar na vida.

Me diga que não precisa pensar em você.

Se a resposta certa é o que espero,

Então me diga que pensa na água,

Ela está em você.


A água está em em mim

Está em você.

Sem ela, a fonte da vida é rio que seca.

Ressecam-se a fauna e a flora

E todo viver. 


Oxum e Yemanjá tem seus filhos

E abençoam com água

Salgada ou doce,

Abençoam o nosso viver.


Se tens fé nas Águas,

Da água deve cuidar,

Pensar nas nascente, 

Nos mares 

E nas suas vidas.

Em não poluir, revitalizar,

Proteger o que temos

Rever desperdícios e perdas ajudam a resolver.


Se já bebeu água com sede,

Sabe o que é não ter...

Por um segundo e urgimos sem ela.

Imagine o pior dos mundos sem a ter!


Me diga que não precisa pensar na vida.

Me diga que não precisa pensar em você,

Se a resposta certa é o que espero,

Então me diga que pensa na água,

Ela está em você.




quarta-feira, 1 de abril de 2026

Relacionamento



 



Rodolfo Pamplona Filho



Vou embora! 

Não fico mais aqui! 

Estou arrumando as minhas coisas! 

Vou sair! 

Tchau 

(...) 


“Você não vai correr atrás de mim?” 

terça-feira, 31 de março de 2026

segunda-feira, 30 de março de 2026

Sobre Limites da Inteligência

 



Rodolfo Pamplona Filho


Há pessoas que 

realmente não aprendem: 

por mais que se ensine, 

por mais esforço que se faça, 

não adianta dar dicas, 

não servem os exemplos, 

não prestam os métodos, 

é inútil a pedagogia... 

toda vez que o indivíduo 

pode falhar, 

nisto não decepcionará, 

pois a inteligência tem limite, 

mas a ignorância é infinita... 


 


Salvador, 05 de janeiro de 2021. 

domingo, 29 de março de 2026

Desnuda

 





(Negra Luz)



A poesia não me permite conter me em segredos.

Ela sussurra, através dos meus versos, o que não escrevi:

Traduz em onomatopeias meus sentimentos,

Cochicha pelas entrelinhas, expõe me nos acentos,

Quando findo uma estrofe, ela ainda fala por mim.

Um delatora camuflada por metáforas e rimas,

Revela a métrica do que escrevo e, quando menos espero,

Me vejo desnuda diante de ti:

Meu leitor, minha leitora.

sábado, 28 de março de 2026

Sabe...

 



Rodolfo Pamplona Filho



Sabe ...  

por vezes, esperei  

uma reposta sua,  

mas não entendi  

que já respondera 

da forma mais pura... 



Sabe... 

Talvez não tenha  

tido ouvidos para  

ouvir o silêncio... 

sei que ele é música, 

por vezes ensurdecedora 

por vezes detentora 

de todos os sentidos... 

 


Sabe... 

Você me respondeu  

tantas vezes  

e eu não escutei... 

O vazio é uma reposta  

que também nos é imposta... 


Será a pandemia? 

Será o dia a dia? 

Será falta de razão? 

Ou foi o grande coração? 

Não sei,  

só sei  

é só você  

sabe... 

que você respondeu  

e eu não ouvia.  


 


Salvador, 5 de fevereiro de 2021.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Retrato

 



Cecília Meireles


Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida

a minha face?





quinta-feira, 26 de março de 2026

Peguete

 



Rodolfo Pamplona Filho



Peguete é prazer  

sem ter chateação; 

é aproveitar o corpo, 

o beijo 

e a companhia  

sem dar satisfação; 

é saber desfrutar  

o que a vida proporcionar, 

sem se preocupar  

com a conta a pagar  

ou ter de explicar 

o rumo a tomar  

ou a intenção a falar... 

é simplesmente viver o hoje 

sem pensar no amanhã... 



Salvador, 15 de janeiro de 2021. 

quarta-feira, 25 de março de 2026

O Amor é assim

  





Márcio Berto Alexandrino de Oliveira


O Amor é assim,

quando menos se espera floresce, passa por percalços,

mas quando é verdadeiro nunca se acaba.

Apesar do tempo, da distância, das adversidades, das diferenças,

O Amor continua resplandecendo como o brilho da lua cheia, porque o amor verdadeiro não perece, não se vangloria, não guarda rancor,

O Amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

O Amor não se cobra, não se acha nas vitrines, não tem valor pecuniário, é algo maior do que isso, é magnífico, é sublime.

É a mais pura manifestação de sentimento.

É obra de Deus.

É para sempre!





terça-feira, 24 de março de 2026

Comunicação

 




Rodolfo Pamplona Filho


A maior distância  

entre duas pessoas 

é o mal-entendido 


O maior abismo  

entre dois seres  

é não ser compreendido  


Meias palavras 

Frases não ditas 

Falta de diálogo  



Ausência de interação  

Gap de cognição  

Problemas de comunicação  


 


Salvador, 25 de janeiro de 2021. 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Alegria em Doses Homeopáticas

 






Rodolfo Pamplona Filho




É difícil sorrir

com receio de consequências

É difícil fluir

com medo das intermitências

É difícil respirar

com receio das armadilhas

É difícil se entregar

com certeza da desconfiança

É difícil amar

tendo perdido a esperança

É difícil sobreviver

com dificuldades burocráticas

É difícil viver

a alegria em doses homeopáticas



Praia do Forte, 31 de dezembro de 2022.

domingo, 22 de março de 2026

E não pode esperar o coração

 



Jaci Bezerra 



Toda a lua e claridade

assim te quero, assim te vejo

e se te vejo o amor invade

meu corpo inteiro e o deixa aceso

e se te vejo o amor em mim

é um cheiro morno de jardim

A tua dor doendo em mim

é um rio latejando aceso

sou um cantareiro no jardim

do sonho em que te quero e vejo

primaveras de claridade

na primavera que me invade


Toda nua és um rio aceso

de primavera e claridade

mas quero mais do que o que vejo

sentindo a angústia que me invade

esse amor que doendo em mim

arde em silêncio no jardim


Extinta a angústia que me invade

te sinto perto e junto a mim

mais do que amar a claridade

amo teu cheiro de jardim

por isso à noite durmo aceso

no dia em que te sinto e vejo.


Teu coração é um jardim

tremulando na claridade

mesmo quando doendo em mim

também é a angústia que me invade

porque no dia em que te vejo

teu corpo dorme em mim aceso


No fundo dos teus olhos vejo

longe da angústia que me invade

como o amor doendo aceso

é uma trança de claridade

o coração dentro de mim

dorme abrasado em teu jardim.

sábado, 21 de março de 2026

Empréstimo

 




 


Rodolfo Pamplona Filho



Vou te emprestar

meus olhos

para veres

a coisa linda que vejo

quando sorris.


Vou deixar contigo

a minha pele

para sentires

a doçura

do teu toque.


Vou esquecer em tuas mãos

o meu coração

para teres a certeza

de que ele pulsa

por ti.



Salvador, 22 de janeiro de 2023.

sexta-feira, 20 de março de 2026

As folhas do crepúsculo





Janete Fonseca


Cai a primeira folha, 

A segunda também. 

Mais outra... e outras mais, 

Centenas delas caem 

Das árvores centenárias 

Apenas sopra o vento, 

No alaranjado crepúsculo 



E à tarde primaveril, 

Quando o olhar se embaça 

Ao sol da memória, 

Voltam todas, 

Molhando os caminhos 

Em longas cabeleiras 

Em galhos silentes, 

Pingando cores 



Também do coração, 

Onde brotam as ilusões, 

Uma por uma vai tombando, 

Descendo ladeiras 

Em fortes enxurradas 

Por esse mundo fora 

Como tombam as folhas das árvores centenárias 



No mar azul da infância, 

Olhar suspiroso e 

Imaginação solta 

Voam...Mas às copas as folhas voltam, 

E elas ao coração não voltam jamais, 

Levadas pelas águas de março 




(PARÁFRASE DO POEMA DE RAIMUNDO CORREA  "AS POMBAS")

quinta-feira, 19 de março de 2026

Olhares



 


Rodolfo Pamplona Filho



O que diz um olhar?

Mais do que palavras

O que ensina um olhar?

Mais do que muitas lições

O que mostra um olhar?

Mais do que mil exposições

O que prende um olhar?

Mais do que prisões

O que mata um olhar?

A dor fatal das repressões

 




Buzios, 13 de janeiro de 2023.