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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Sim, tudo




(Negra Luz)






Tudo estalo.


Tudo audiência.


Tudo click.


Tudo emoji.


Tudo Bauman.


Tudo calefação.


Tudo João!


Tudo George!


Tudo Miguel!


Tudo triste.


Tudo “migué”.


Tudo RACISMO.








sábado, 4 de abril de 2026

Fui eu esse menino que me espia



  


Poema de Fernando Py (1935-2020)


– melancólico olhar, sereno rosto,


postura fixa e o todo bem composto –

no retrato que o tempo desafia.


Fui eu na minha infância fugidia

de prazeres ingênuos, e o desgosto

de sentir tão efêmera a alegria

bem depressa mudada em seu oposto.


Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa

e tudo altera nem sequer deixou

um grão de infância feito esmola escassa.


Fui eu; e da figura só ficou

o olhar desenganado na fumaça

em que a criança inteira se mudou.


abril 1998


(De Sentimento da Morte – 2003)

sábado, 15 de novembro de 2025

Sim, tudo








(Negra Luz)



Tudo estalo.

Tudo audiência.

Tudo click.

Tudo emoji.

Tudo Bauman.

Tudo calefação.

Tudo João!

Tudo George!

Tudo Miguel!

Tudo triste.

Tudo “migué”.

Tudo RACISMO.





domingo, 31 de agosto de 2025

Agonia (Soneto pelo avesso)


 







Rodolfo Pamplona Filho






Agonia


Angústia


Tensão




Stress


Impotência


Confusão




Vontade de sumir


e nunca mais aparecer...


Desejo sincero


de nunca mais acontecer...




Pensar se há alternativa


para o que não se soluciona


com toda a fé na medicina


em questão que não se equaciona




Salvador, 26 de fevereiro de 2012.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Como?



 




Rodolfo Pamplona Filho

 


Como conviver


com alguém que


não sabe a diferença


entre amar e sofrer?


 


Como manter a sanidade


se tudo que te faz mal


é o que mundo


chama de normal?


 


Como tentar sobreviver


se o que deseja


é o que te mata


lentamente?


 


Salvador, madrugada de 02 de setembro de 2023.

domingo, 3 de agosto de 2025

Sim, tudo.







(Negra Luz)



Tudo estalo.

Tudo audiência.

Tudo click.

Tudo emoji.

Tudo Bauman.

Tudo calefação.

Tudo João!

Tudo George!

Tudo Miguel!

Tudo triste.

Tudo “migué”.

Tudo RACISMO.




quinta-feira, 31 de julho de 2025

“Cidadão não. Engenheiro civil, formado. Melhor do que você"




Rodolfo Pamplona Filho


“Cidadão não.”

Desde quando

a profissão

é melhor

do que a satisfação

de ser tratado

com a dignidade

de ser parte da cidade?


“Engenheiro civil, formado.”

Desde quando

alguém pode ostentar

uma qualificação

sem ter sequer

a sua graduação?


“Melhor do que você"

Desde quando

a obtenção

de uma formação

torna um ser humano

melhor do que outro?


Tempos difíceis

em que os preconceitos

saíram das mentes abjetas

para se tornar parte

de algumas metas....


Tempos complicados

em que a discriminação

soa como ostentação

de desprezar a simpatia,

ignorar a empatia,

desconhecer a alteridade

e rir da solidariedade.


Salvador, 05 de julho de 2020, uma segunda-feira de perplexidade...

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Fui Eu

 









Fui eu esse menino que me espia

– melancólico olhar, sereno rosto,

postura fixa e o todo bem composto –

no retrato que o tempo desafia.


Fui eu na minha infância fugidia

de prazeres ingênuos, e o desgosto

de sentir tão efêmera a alegria

bem depressa mudada em seu oposto.


Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa

e tudo altera nem sequer deixou

um grão de infância feito esmola escassa.


Fui eu; e da figura só ficou

o olhar desenganado na fumaça

em que a criança inteira se mudou.


abril 1998


(De Sentimento da Morte – 2003)


Poema de Fernando Py (1935-2020)

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Fato Consumado


 





 Rodolfo Pamplona Filho




Não posso

me deixar consumir

pelo fato consumado

Não posso

chorar compulsivamente

pelo leite derramado

Não posso

fazer voltar

as águas do rio

Não posso

tirar a roupa 

e reclamar do frio

 


Salvador, 18 de julho de 2024.

sábado, 7 de junho de 2025

Fui eu esse menino que me espia





Poema de Fernando Py (1935-2020)


 – melancólico olhar, sereno rosto,


postura fixa e o todo bem composto –

no retrato que o tempo desafia.


Fui eu na minha infância fugidia

de prazeres ingênuos, e o desgosto

de sentir tão efêmera a alegria

bem depressa mudada em seu oposto.


Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa

e tudo altera nem sequer deixou

um grão de infância feito esmola escassa.


Fui eu; e da figura só ficou

o olhar desenganado na fumaça

em que a criança inteira se mudou.


abril 1998


(De Sentimento da Morte – 2003)



domingo, 11 de maio de 2025

Paralaxe

 








Rodolfo Pamplona Filho                      


Enxergar tudo

sob o ponto de vista alheio.

Cada um vê algo

que os demais sequer percebem...

Usar os olhos não dói.

Sentir a dor do outro, sim.


Praia do Forte, 26 de março de 2013.

domingo, 10 de novembro de 2024

Ansiedade

 


 

Rodolfo Pamplona Filho 


Ansiedade causa desconforto

Insegurança

Nervosismo


Ansiedade causa revolta

Instabilidade

Histerismo


Ansiedade causa dor

Transtorno

Depressão


Ansiedade causa marcas

que abalam

o coração


Mas pare para pensar

ansiedade por outro olhar:

ansiedade é também

porque não controlamos o tempo

para fazer andar mais rápido

e chegar no momento

pelo qual ansiamos


Ansiedade é apenas a prova

de que queremos muito

o que está por porvir

é que tem tudo

para ser inesquecível...


Controlemos a ansiedade

e aguardemos o porvir!


 


Salvador, 16 de novembro de 2020.

sábado, 12 de outubro de 2024

Rosa Rilke Raimundo Correia

 




Paulo Leminski



Uma pálpebra,

Mais uma, mais outras,

Enfim, dezenas

De pálpebras sobre pálpebras

Tentando fazer

Das minhas trevas

Alguma coisa a mais

Que lágrimas

domingo, 8 de setembro de 2024

CONTO DE FADAS

 





Florbela Espanca, em "Charneca em Flor"


Eu trago-te nas mãos o esquecimento

Das horas más que tens vivido, Amor!

E para as tuas chagas o unguento

Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...

Trago no nome as letras de uma flor...

Foi dos meus olhos garços que um pintor

Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,

O manto dos crepúsculos da tarde,

O sol que é d'oiro, a onda que palpita.

Dou-te comigo o mundo que Deus fez!

- Eu sou Aquela de quem tens saudade,

A Princesa do conto: “Era uma vez...”



quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Sigo




Negra Luz


Gratuidades


Eu vivo de gratuidades

Sim, gratuidades.

Elas estão para você e pra mim


Amanheço.

E logo o sol a iluminar meu dia

Logo mais, de graça, entardeceria.


Respiro.

Profundo. E me pergunto:

Pelo ar a quem pagaria para ver?


Sigo.

Há saúde no meu caminhar!

Alguma anistia? Franquia a cobrar?


Adianto.

No café recebo sorrisos e beijos

Amealhando- os todos os dias, enriqueço.


Penso.

A liberdade interna me fortalecia

Valor haveria pela minha evolução?


Saio.

Vários caminhos se alinham

A escolha: só minha, e se paga é por opção.


No Mundo,

Ainda me arrepio

Vejo a linha do horizonte: fronteira entre céu e mar


As dores

Se vem ou se percebo

Permitem entender que viver também é superar.


Justiça.

Gratidão haverei de espalhar.

É "free", "all inclusive", "de grátis" o essencial para viver e sonhar.


O preço.

Nada a quitar.

E se cobrassem, seguro, iria pagar.


Gratuidades

Que só valoraremos a falta

Se alguma delas passarem a limitar.





terça-feira, 30 de julho de 2024

Fato Consumado

 



 Rodolfo Pamplona Filho


Não posso

me deixar consumir

pelo fato consumado

Não posso

chorar compulsivamente

pelo leite derramado

Não posso

fazer voltar

as águas do rio

Não posso

tirar a roupa 

e reclamar do frio

 

Salvador, 18 de julho de 2024.

domingo, 9 de junho de 2024

Sim, tudo.






Negra Luz



Tudo estalo.

Tudo audiência.

Tudo click.

Tudo emoji.

Tudo Bauman.

Tudo calefação.

Tudo João!

Tudo George!

Tudo Miguel!

Tudo triste.

Tudo “migué”.

Tudo RACISMO.




segunda-feira, 27 de maio de 2024

Paralaxe




Rodolfo Pamplona Filho                      


Enxergar tudo

sob o ponto de vista alheio.

Cada um vê algo

que os demais sequer percebem...

Usar os olhos não dói.

Sentir a dor do outro, sim.


Praia do Forte, 26 de março de 2013.


sexta-feira, 19 de abril de 2024

Olhares Amados

 






Marco Aurélio Bezerra de Melo


Em meio a tantos

Olhares armados,

Sinto do mundo o fardo

De existir.

Só que quando chegas,

Te postas ao meu lado, 

Deixo de lado o enfado,

Todo meu corpo sorri.

Ao largo do tempo, 

Variadas vivências.

E daí, os dizeres:

Certo não vai dar.

Rejeitar com coragem, 

Deixar essa ideia prá lá

É tarefa de quem tem poucos haveres a resgatar.

É daquele que guarda no peito 

A paixão do primeiro beijo.

Que quer ser feliz

E sabe se perdoar

E perdoar.

Ama sem buscar 

Levantar a cortina 

Do desconhecido 

Na esperança viva

Desse amor

Não se acabar.


segunda-feira, 15 de abril de 2024

Rosa Rilke Raimundo Correia




Paulo Leminski



Uma pálpebra,

Mais uma, mais outras,

Enfim, dezenas

De pálpebras sobre pálpebras

Tentando fazer

Das minhas trevas

Alguma coisa a mais

Que lágrimas