(Negra Luz)
Tudo estalo.
Tudo audiência.
Tudo click.
Tudo emoji.
Tudo Bauman.
Tudo calefação.
Tudo João!
Tudo George!
Tudo Miguel!
Tudo triste.
Tudo “migué”.
Tudo RACISMO.
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
(Negra Luz)
Tudo estalo.
Tudo audiência.
Tudo click.
Tudo emoji.
Tudo Bauman.
Tudo calefação.
Tudo João!
Tudo George!
Tudo Miguel!
Tudo triste.
Tudo “migué”.
Tudo RACISMO.
Poema de Fernando Py (1935-2020)
– melancólico olhar, sereno rosto,
postura fixa e o todo bem composto –
no retrato que o tempo desafia.
Fui eu na minha infância fugidia
de prazeres ingênuos, e o desgosto
de sentir tão efêmera a alegria
bem depressa mudada em seu oposto.
Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa
e tudo altera nem sequer deixou
um grão de infância feito esmola escassa.
Fui eu; e da figura só ficou
o olhar desenganado na fumaça
em que a criança inteira se mudou.
abril 1998
(De Sentimento da Morte – 2003)
(Negra Luz)
Tudo estalo.
Tudo audiência.
Tudo click.
Tudo emoji.
Tudo Bauman.
Tudo calefação.
Tudo João!
Tudo George!
Tudo Miguel!
Tudo triste.
Tudo “migué”.
Tudo RACISMO.
Rodolfo Pamplona Filho
Agonia
Angústia
Tensão
Stress
Impotência
Confusão
Vontade de sumir
e nunca mais aparecer...
Desejo sincero
de nunca mais acontecer...
Pensar se há alternativa
para o que não se soluciona
com toda a fé na medicina
em questão que não se equaciona
Salvador, 26 de fevereiro de 2012.
Rodolfo Pamplona Filho
Como conviver
com alguém que
não sabe a diferença
entre amar e sofrer?
Como manter a sanidade
se tudo que te faz mal
é o que mundo
chama de normal?
Como tentar sobreviver
se o que deseja
é o que te mata
lentamente?
Salvador, madrugada de 02 de setembro de 2023.
(Negra Luz)
Tudo estalo.
Tudo audiência.
Tudo click.
Tudo emoji.
Tudo Bauman.
Tudo calefação.
Tudo João!
Tudo George!
Tudo Miguel!
Tudo triste.
Tudo “migué”.
Tudo RACISMO.
Rodolfo Pamplona Filho
“Cidadão não.”
Desde quando
a profissão
é melhor
do que a satisfação
de ser tratado
com a dignidade
de ser parte da cidade?
“Engenheiro civil, formado.”
Desde quando
alguém pode ostentar
uma qualificação
sem ter sequer
a sua graduação?
“Melhor do que você"
Desde quando
a obtenção
de uma formação
torna um ser humano
melhor do que outro?
Tempos difíceis
em que os preconceitos
saíram das mentes abjetas
para se tornar parte
de algumas metas....
Tempos complicados
em que a discriminação
soa como ostentação
de desprezar a simpatia,
ignorar a empatia,
desconhecer a alteridade
e rir da solidariedade.
Salvador, 05 de julho de 2020, uma segunda-feira de perplexidade...
Fui eu esse menino que me espia
– melancólico olhar, sereno rosto,
postura fixa e o todo bem composto –
no retrato que o tempo desafia.
Fui eu na minha infância fugidia
de prazeres ingênuos, e o desgosto
de sentir tão efêmera a alegria
bem depressa mudada em seu oposto.
Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa
e tudo altera nem sequer deixou
um grão de infância feito esmola escassa.
Fui eu; e da figura só ficou
o olhar desenganado na fumaça
em que a criança inteira se mudou.
abril 1998
(De Sentimento da Morte – 2003)
Poema de Fernando Py (1935-2020)
Rodolfo Pamplona Filho
Não posso
me deixar consumir
pelo fato consumado
Não posso
chorar compulsivamente
pelo leite derramado
Não posso
fazer voltar
as águas do rio
Não posso
tirar a roupa
e reclamar do frio
Salvador, 18 de julho de 2024.
Poema de Fernando Py (1935-2020)
– melancólico olhar, sereno rosto,
postura fixa e o todo bem composto –
no retrato que o tempo desafia.
Fui eu na minha infância fugidia
de prazeres ingênuos, e o desgosto
de sentir tão efêmera a alegria
bem depressa mudada em seu oposto.
Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa
e tudo altera nem sequer deixou
um grão de infância feito esmola escassa.
Fui eu; e da figura só ficou
o olhar desenganado na fumaça
em que a criança inteira se mudou.
abril 1998
(De Sentimento da Morte – 2003)
Rodolfo Pamplona Filho
Enxergar tudo
sob o ponto de vista alheio.
Cada um vê algo
que os demais sequer percebem...
Usar os olhos não dói.
Sentir a dor do outro, sim.
Praia do Forte, 26 de março de 2013.
Rodolfo Pamplona Filho
Ansiedade causa desconforto
Insegurança
Nervosismo
Ansiedade causa revolta
Instabilidade
Histerismo
Ansiedade causa dor
Transtorno
Depressão
Ansiedade causa marcas
que abalam
o coração
Mas pare para pensar
ansiedade por outro olhar:
ansiedade é também
porque não controlamos o tempo
para fazer andar mais rápido
e chegar no momento
pelo qual ansiamos
Ansiedade é apenas a prova
de que queremos muito
o que está por porvir
é que tem tudo
para ser inesquecível...
Controlemos a ansiedade
e aguardemos o porvir!
Salvador, 16 de novembro de 2020.
Paulo Leminski
Uma pálpebra,
Mais uma, mais outras,
Enfim, dezenas
De pálpebras sobre pálpebras
Tentando fazer
Das minhas trevas
Alguma coisa a mais
Que lágrimas
Florbela Espanca, em "Charneca em Flor"
Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.
Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras de uma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...
Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é d'oiro, a onda que palpita.
Dou-te comigo o mundo que Deus fez!
- Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A Princesa do conto: “Era uma vez...”
Negra Luz
Gratuidades
Eu vivo de gratuidades
Sim, gratuidades.
Elas estão para você e pra mim
Amanheço.
E logo o sol a iluminar meu dia
Logo mais, de graça, entardeceria.
Respiro.
Profundo. E me pergunto:
Pelo ar a quem pagaria para ver?
Sigo.
Há saúde no meu caminhar!
Alguma anistia? Franquia a cobrar?
Adianto.
No café recebo sorrisos e beijos
Amealhando- os todos os dias, enriqueço.
Penso.
A liberdade interna me fortalecia
Valor haveria pela minha evolução?
Saio.
Vários caminhos se alinham
A escolha: só minha, e se paga é por opção.
No Mundo,
Ainda me arrepio
Vejo a linha do horizonte: fronteira entre céu e mar
As dores
Se vem ou se percebo
Permitem entender que viver também é superar.
Justiça.
Gratidão haverei de espalhar.
É "free", "all inclusive", "de grátis" o essencial para viver e sonhar.
O preço.
Nada a quitar.
E se cobrassem, seguro, iria pagar.
Gratuidades
Que só valoraremos a falta
Se alguma delas passarem a limitar.
Não posso
me deixar consumir
pelo fato consumado
Não posso
chorar compulsivamente
pelo leite derramado
Não posso
fazer voltar
as águas do rio
Não posso
tirar a roupa
e reclamar do frio
Salvador, 18 de julho de 2024.
Negra Luz
Tudo estalo.
Tudo audiência.
Tudo click.
Tudo emoji.
Tudo Bauman.
Tudo calefação.
Tudo João!
Tudo George!
Tudo Miguel!
Tudo triste.
Tudo “migué”.
Tudo RACISMO.
Rodolfo Pamplona Filho
Enxergar tudo
sob o ponto de vista alheio.
Cada um vê algo
que os demais sequer percebem...
Usar os olhos não dói.
Sentir a dor do outro, sim.
Praia do Forte, 26 de março de 2013.
Marco Aurélio Bezerra de Melo
Em meio a tantos
Olhares armados,
Sinto do mundo o fardo
De existir.
Só que quando chegas,
Te postas ao meu lado,
Deixo de lado o enfado,
Todo meu corpo sorri.
Ao largo do tempo,
Variadas vivências.
E daí, os dizeres:
Certo não vai dar.
Rejeitar com coragem,
Deixar essa ideia prá lá
É tarefa de quem tem poucos haveres a resgatar.
É daquele que guarda no peito
A paixão do primeiro beijo.
Que quer ser feliz
E sabe se perdoar
E perdoar.
Ama sem buscar
Levantar a cortina
Do desconhecido
Na esperança viva
Desse amor
Não se acabar.
Paulo Leminski
Uma pálpebra,
Mais uma, mais outras,
Enfim, dezenas
De pálpebras sobre pálpebras
Tentando fazer
Das minhas trevas
Alguma coisa a mais
Que lágrimas