Mostrando postagens com marcador Sobre o Tempo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sobre o Tempo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de abril de 2026

4º. Motivo da rosa

 










Cecília Meireles








Não te aflijas com a pétala que voa:


também é ser, deixar de ser assim.




Rosas verá, só de cinzas franzida,


mortas, intactas pelo teu jardim.




Eu deixo aroma até nos meus espinhos


ao longe, o vento vai falando de mim.




E por perder-me é que vão me lembrando,


por desfolhar-me é que não tenho fim.

domingo, 19 de abril de 2026

Porto Seguro

 





Rodolfo Pamplona Filho


Naveguei por tantos mares,

conheci muitos lugares,

mas, em seu colo, achei

o local para aportar.


Andei por muitas terras,

vivi diversas eras,

mas, em seus olhos, vi

o farol para me guiar.


A vida inteira, eu procurei

e, agora que encontrei,

poderei sempre esperar

cada vez que se afastar

e não estarei mais triste

porque sei que existe

e tenho o meu porto seguro.


No voo para Salvador, 18 de junho de 2017.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Estourando os Limites da Paciência

 



Rodolfo Pamplona Filho


A inteligência é limitada, 

a ignorância é infinita; 

a compreensão é bem ampla, 

a burrice extremamente restrita 

a tolerância é apaziguadora 

a idiotice procura confusão  

O respeito acalma  

A afronta acende pavios  

a paciência tem limites, 

que, se estourados, não voltam mais... 


 


Salvador, 25 de janeiro de 2021. 

sábado, 28 de março de 2026

Sabe...

 



Rodolfo Pamplona Filho



Sabe ...  

por vezes, esperei  

uma reposta sua,  

mas não entendi  

que já respondera 

da forma mais pura... 



Sabe... 

Talvez não tenha  

tido ouvidos para  

ouvir o silêncio... 

sei que ele é música, 

por vezes ensurdecedora 

por vezes detentora 

de todos os sentidos... 

 


Sabe... 

Você me respondeu  

tantas vezes  

e eu não escutei... 

O vazio é uma reposta  

que também nos é imposta... 


Será a pandemia? 

Será o dia a dia? 

Será falta de razão? 

Ou foi o grande coração? 

Não sei,  

só sei  

é só você  

sabe... 

que você respondeu  

e eu não ouvia.  


 


Salvador, 5 de fevereiro de 2021.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Depois de enriquecer

 



Não vou querer o mesmo passo

Só vou querer andar descalço

Serei dono de milhões depositados

Na memória

 

Vou entender que é fácil

Cantar e sorrir

Vou aprender a correr sem carro

Só vou depender do meu acaso

Para compreender que sou um

Mais um

Completo nenhum

 

Depois de enriquecer não quero entender

O que entende o cansaço

De um trabalho escarvo

Para ter o tudo

Pisar no rastro

Andando em ciclo

Ouvindo dizer

Dizendo no embalo

 

Depois de enriquecer de vida

Não quero viver para enriquecer

Serei pássaro

Que voa raso em meio ao caos

Serei obrigado

A ser obrigado

Em ter como razão, a oração

                                                                                                              Tenylle Mota

                              

 

 

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Sinais de Velhice Soteropolitana

 



Rodolfo Pamplona Filho



Tangolomango


Bustiê


Collant




Saco de Paes Mendonça


Fábrica da Coca Cola


Shopping Iguatemi



Datilografia


Maria Fumaça


Aeroporto 2 de Julho




Óticas Ernesto


Farmácia Sant’ana


Tio Corrêa




Fazer ginástica


Tirar retrato


Comer queimado




Lembrar do passado


e não esquecer


de ser feliz




Salvador, 01 de outubro de 2022

domingo, 30 de novembro de 2025

Retrato






Cecília Meireles


Eu não tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro,

nem estes olhos tão vazios,

nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

— Em que espelho ficou perdida

a minha face?


sábado, 22 de novembro de 2025

4º. Motivo da rosa





Cecília Meireles




Não te aflijas com a pétala que voa:

também é ser, deixar de ser assim.


Rosas verá, só de cinzas franzida,

mortas, intactas pelo teu jardim.


Eu deixo aroma até nos meus espinhos

ao longe, o vento vai falando de mim.


E por perder-me é que vão me lembrando,

por desfolhar-me é que não tenho fim.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Amor em Você







Rodolfo Pamplona Filho



Eu descobri amor em você

e isso transformou a minha tristeza

em profunda esperança



Eu descobri amor em você

e isso converteu a minha descrença

em um retorno para a fé



Eu descobri amor em você

e isso me mostrou

que há sempre outro caminho



Eu descobri amor em você

e isso renovou o desejo

de, um dia, ser feliz


 


Salvador, 08 de janeiro de 2021.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Lições sobre a mesa

 










(Negra Luz)




Meu caqueiro hoje parecia algo dizer.


Olhei de cima para baixo,


Girei o, para melhor percebê-lo,


Havia algo a aprender.


Palmas secas sobre o descanso da terra,


Palmas maiores, mais antigas, talvez,


Arqueando suas astes,


Com beleza,


Em um sucumbir às ações de Tempo.


Do tempo passado,


Do tempo presente, 


Do tempo futuro,


Do tempo impensado.


Do tempo que não queremos ver.


Ao lado dessas astes mais amadurecidas,


Outras.


No apogeu da vida desfilavam,


Guiadas pela luz do sol.


Beleza!


Era o ballet da vida, permitindo as estações.


Em destaque, com quase todas as folhas fechadas,


Ainda em desalinho,


Num verde de quem começa a viver as primeiras primaveras,


Uma palma tirou-me palmas do olhar!


A beleza da juventude,


Uma luz a mais naquele caco de plantas sobre a mesa.


Nele, lições:


A integração entre os tempos da vida,


A harmonia entre o ontem, o agora e o depois,


A alternância entre o novo, o maduro e o antigo,


O equilíbrio entre o nascer, crescer, amadurecer...


E, um dia, descansar...


Todos...


Um dia.


domingo, 6 de julho de 2025

Ser Idoso

 

 





 




Rodolfo Pamplona Filho




Terceira idade

Melhor idade

Qualquer idade


Descobrir-se em um mundo

diferente daquele

que presenciou na infância.


Conhecer aparelhos

que seus descendentes

dominam desde criança.


Frequentar mais funerais que batizados

e ir a casamentos de pessoas,

que poderiam ter sido

seus pajens ou damas de honra...


Falar de remédios e dores

e não ser conversa desagradável...

Ou descrever certos horrores

não ser assunto impublicável...


Chamá-lo de tio, avô ou senhor

e não se incomodar com isso...

Ficar feliz ou envaidecido

quando é chamado de moço

ou quando se lembram

de feitos seus,

realizados há mais de uma década...


Viver o decurso do tempo...

que leva cabelos e traz peso,

mas propicia a sabedoria

e quilometragem da experiência...



Ser idoso não é bom ou ruim,

mas, sim, um estado de fato...

Tornar-se idoso é melhor, enfim,

do que perecer jovem no passado.



Salvador, 05 de maio de 2011.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Um brilho tênue





Cristiane França



Um brilho tênue...

Sem desesperos...

Sem atropelos...

Somente se põe em mim.

Ressurge forte ao amanhecer

Porque ternamente se pôs

Permitindo o anoitecer.

Temores das sombras não

calam tão fortemente no

Espírito... Pois,

os olhos já conheceram o sol!


sexta-feira, 6 de junho de 2025

De Supetão




Rodolfo Pamplona Filho


De supetão,

joga-se tudo para cima,

muda-se a programação,

arrisca-se fazer o inédito


De supetão,

muda-se o clima,

o humor

e a disposição


De supetão,

sai-se de casa,

abandona-se um lar,

busca-se uma saída


De supetão,

toma-de coragem

para fazer o que

nunca se fez na vida.


 


Salvador, 09 de janeiro de 2021.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Viagem no Tempo






Rodolfo Pamplona Filho


O sol já foi embora,

mas ainda dá para ver...

Olhamos para o horizonte,

vendo o passado,

em um instante levado

além dos seus limites


Viajar no tempo

não é ir ao futuro

ou voltar ao passado,

mas, sim, ter mais tempo

para estar no presente

e apreciar a beleza

que fatalmente desaparecerá.


Salvador, 14 de outubro de 2018.

sábado, 25 de janeiro de 2025

Lições sobre a mesa

 

 



(Negra Luz)




Meu caqueiro hoje parecia algo dizer.


Olhei de cima para baixo,


Girei o, para melhor percebê-lo,


Havia algo a aprender.


Palmas secas sobre o descanso da terra,


Palmas maiores, mais antigas, talvez,


Arqueando suas astes,


Com beleza,


Em um sucumbir às ações de Tempo.


Do tempo passado,


Do tempo presente, 


Do tempo futuro,


Do tempo impensado.


Do tempo que não queremos ver.


Ao lado dessas astes mais amadurecidas,


Outras.


No apogeu da vida desfilavam,


Guiadas pela luz do sol.


Beleza!


Era o ballet da vida, permitindo as estações.


Em destaque, com quase todas as folhas fechadas,


Ainda em desalinho,


Num verde de quem começa a viver as primeiras primaveras,


Uma palma tirou-me palmas do olhar!


A beleza da juventude,


Uma luz a mais naquele caco de plantas sobre a mesa.


Nele, lições:


A integração entre os tempos da vida,


A harmonia entre o ontem, o agora e o depois,


A alternância entre o novo, o maduro e o antigo,


O equilíbrio entre o nascer, crescer, amadurecer...


E, um dia, descansar...


Todos...


Um dia.


terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Não mude

 

 






Rodolfo Pamplona Filho



Não mude


Não mude para agradar


Não mude para agradar ninguém.


 


Seja você quem for,


seja lá o que você queira fazer,


não mude pra agradar.


 


Se você mudar,


você vai ser cobrado


por atitudes e ações


que não são suas.


 


Se você mudar,


os conflitos


não vão parar


por causa disso


 


Se você quiser mudar,


mude,


mas não mude por ninguém!


Se for para mudar,


mude apenas por você.


 


Mude você


para ser você mesmo!


Você é a melhor pessoa


de sua própria vida!


Você é uma pessoa maravilhosa,


ímpar, com suas manias,


traumas e história


e ninguém tem


nada a ver com isso!


 


Não mude


ou mude,


se você quiser


e quem quiser


que lute


para ter o privilégio


de ter você.


 


Salvador, 27 de novembro de 2021.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Durante muito tempo

 





Rodolfo Pamplona Filho


Durante muito tempo,

troquei a felicidade

pela paz

e isso me fez capaz

de fazer muito mais

do que os outros conseguiam.


Durante muito tempo,

troquei a paixão

pelo amor maduro

e isso me tornou duro

para enfrentar os desafios

de não ter medo do desconhecido.


Durante muito tempo,

troquei a aventura

por uma vida de doçura

e isso me deixou crente

de que era diferente

e não sentiria falta de nada.


Mas o tempo passou...

e nada mais faço...

e tenho medo de tudo...

e sinto falta da vida.


Salvador, 07 de março de 2018.


sábado, 28 de dezembro de 2024

Oração ao Tempo

 





Caetano Veloso


És um senhor tão bonito

Quanto a cara do meu filho

Tempo, tempo, tempo, tempo

Vou te fazer um pedido

Tempo, tempo, tempo, tempo


Compositor de destinos

Tambor de todos os ritmos

Tempo, tempo, tempo, tempo

Entro num acordo contigo

Tempo, tempo, tempo, tempo


Por seres tão inventivo

E pareceres contínuo

Tempo, tempo, tempo, tempo

És um dos deuses mais lindos

Tempo, tempo, tempo, tempo


Que sejas ainda mais vivo

No som do meu estribilho

Tempo, tempo, tempo, tempo

Ouve bem o que te digo

Tempo, tempo, tempo, tempo


Peço-te o prazer legítimo

E o movimento preciso

Tempo, tempo, tempo, tempo

Quando o tempo for propício

Tempo, tempo, tempo, tempo


De modo que o meu espírito

Ganhe um brilho definido

Tempo, tempo, tempo, tempo

E eu espalhe benefícios

Tempo, tempo, tempo, tempo


O que usaremos pra isso

Fica guardado em sigilo

Tempo, tempo, tempo, tempo

Apenas contigo e comigo

Tempo, tempo, tempo, tempo


E quando eu tiver saído

Para fora do teu círculo

Tempo, tempo, tempo, tempo

Não serei nem terás sido

Tempo, tempo, tempo, tempo


Ainda assim acredito

Ser possível reunirmo-nos

Tempo, tempo, tempo, tempo

Num outro nível de vínculo

Tempo, tempo, tempo, tempo


Portanto, peço-te aquilo

E te ofereço elogios

Tempo, tempo, tempo, tempo

Nas rimas do meu estilo

Tempo, tempo, tempo, tempo

sábado, 14 de dezembro de 2024

Tempo Perdido

 




Renato Russo



Todos os dias quando acordo

Não tenho mais o tempo que passou

Mas tenho muito tempo

Temos todo o tempo do mundo


Todos os dias antes de dormir

Lembro e esqueço como foi o dia

Sempre em frente

Não temos tempo a perder


Nosso suor sagrado

É bem mais belo que esse sangue amargo

E tão sério


E selvagem

Selvagem

Selvagem


Veja o sol dessa manhã tão cinza

A tempestade que chega é da cor dos teus olhos

Castanhos


Então me abraça forte

Me diz mais uma vez que já estamos

Distantes de tudo


Temos nosso próprio tempo

Temos nosso próprio tempo

Temos nosso próprio tempo


Não tenho medo do escuro

Mas deixe as luzes

Acesas agora


O que foi escondido

É o que se escondeu

E o que foi prometido

Ninguém prometeu

Nem foi tempo perdido


Somos tão jovens

Tão jovens

Tão jovens

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

A aura do Mundo

 






Negra Luz



Às 4:27.

Um fragmento dela,

Por um quarto da minha janela.

Era ela mostrando-se para mim.

A cor era laranja, amarelado,

Sangue azul, preto, cinza:

Tudo misturado,

Um matiz harmonizado,

Observei de norte a sul.

A visão de esperança,

Viver é constante mudança.

O amanhecer chacoalha a bandeira,

Os pássaros cantam apitando,

Galos ecoam,

Dá-se a largada:

Já é hora de acordar!

Botemos os pratos na mesa,

Tomemos o café para a coragem.

Comamos o pão da esperança.

E, com essa aura amanhecida,

Molhada por orvalhos eufóricos,

Possamos ir mais além!

Há magia nesse instante, não mágica.

Todo prédio erguido é construção.

Os muros demolidos foram ação.

A linha do tempo é infinita para passado e futuro.

E o futuro começa assim:

Na hora certa.

Na primeira visão da aura do Mundo!