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domingo, 5 de abril de 2026

Fake News na Pandemia





Rodolfo Pamplona Filho


A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.


 


Salvador, 25 de julho de 2020

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Bênçãos e Maldições

 


 




 Rodolfo Pamplona Filho




Nem tudo permanece...

Na verdade, tudo muda

nem sempre para melhor!

Assim, o que é criado para libertar 

pode ser usado para escravizar.

Quando se esquece 

o sentido de cada ato,

todo importante ritual

apenas massifica 

o que devia ser individual...

Quando não se particulariza,

todos se tornam 

rostos sem nome 

e sem história,

invisibilizando 

em vez de simplesmente ver,

compactua-se

com a coadjuvância,

em vez de tornar protagonista...

Com isso, impessoaliza-se,

reiifica-se, coisifica-se,

mas nunca se envolve.

Sem saber, 

ver ou tocar,

o toque

não há como

não se degenerar...

pois até Bençãos 

podem se transformar

em Maldições




Salvador, 13 de maio de 2018.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Fake News na Pandemia



 


Rodolfo Pamplona Filho



A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.



Salvador, 25 de julho de 2020

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Vazio de amor




 (Negra Luz)



A gaveta após a transferência

A catedral em geladeira

A lixeira depois das 10

A primeira faxina na casa

Vazios


As férias escolares

O cinema desativado

O picadeiro sem palhaços

O tablado antes do primeiro ato

Tudo vazios


A vida que não vingou

O corpo que se violentou

O coração depois de uma grande dor

As ruas quando o Mundo se isolou

O Tempo em que não se amou

Profundos vazios


Acomodar-se com o que está desenhado

As estrofes descrevem os espaços

Lacunas que tenho negado

E mesmo ouvindo almas ao meu lado

O silêncio me chama ao vazio:

Um imenso vazio de amor.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Sobre Sensações de Frustração

 



Rodolfo Pamplona Filho



 É preciso valorizar

a tentativa,

pois o resultado

nem sempre depende de nós.



É preciso valorizar

a iniciativa,

pois nem todos conseguem

superar a letargia.



É preciso valorizar

o esforço,

pois o suor derramado

nunca voltará ao corpo.


É preciso valorizar

a boa vontade,

pois nem que tudo que se consegue

foi feito de coração.



É preciso valorizar

o cuidado,

pois simplesmente realizar uma tarefa

não é sinônimo de dedicação.



É preciso valorizar

o desprendimento,

pois ninguém é obrigado

a dar um pedaço de si.



Boston, 01 de julho de 2016.


quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Má Vontade

 

 




Rodolfo Pamplona Filho



 


Má vontade é tudo de ruim!

É muito difícil lidar

com quem se acha com razão

e não dá espaço

para fazer outra programação


Má vontade é uma droga!

Não há como conversar

com quem não admite repensar

a atitude tempestuosa

que somente tem o dom de perturbar


Má vontade é uma praga!

Só dá mesmo para lamentar

a empáfia de quem tem certeza

de que todo erro é alheio

e todo mau resultado não é sua culpa.

 


Má vontade é uma merda, viu?


 


Salvador, 05  de novembro de 2020



sexta-feira, 12 de abril de 2024

Desabafo

 





Rodolfo Pamplona Filho 


Eu me irrito profundamente

com quem

nunca deu uma aula

e quer mostrar como ensinar;

nunca teve um filho

e se arvora a dizer como educar;

nunca escreveu um verso

e quer analisar poesia;

nunca fez um texto

e quer criticar um livro;

nunca compôs uma canção

e quer dar pitaco na música;

nunca trabalhou na vida

e opina sobre o resultado alheio;

nunca organizou nada

E quer dizer como se faz;

nunca acertou uma dentro

e acredita saber o que é certo.


Cusco, 11 de abril de 2017.

segunda-feira, 25 de março de 2024

Maltratado

 





Rodolfo Pamplona Filho


Apanhar quando se espera carinho

Ser acusado quando se queria um beijo

Explicar o que já foi entendido

Desculpar-se pelo que não fez

Um choro calado

pela surpresa da reação

Uma tristeza profunda

pela incompreensão

Uma saudade incontida

de um simples abraço

Uma lembrança bendita

de que ainda existe esperança.


Cusco, 15 de abril de 2017.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Sono (de A Mesma Noite)

 



Heitor Ferraz Mello


Tudo vai revertendo

em sono forte.

Impulso de fuga

para o país vário

da insolência do sol,

da tempestade

temperada em sonho.

O sono vai correndo

ardiloso

todas as formas,

dentes,

olhos por fora.

E o coração pára

diluído no copo d'água

ao lado.

 


sábado, 2 de dezembro de 2023

Modinha do empregado de banco



Murilo Mendes



Eu sou triste como um prático de farmácia,

sou quase tão triste como um homem que usa costeletas.

Passo o dia inteiro pensando nuns carinhos de mulher

mas só ouço o tectec das máquinas de escrever.


Lá fora chove e a estátua de Floriano fica linda.

Quantas meninas pela vida afora!

E eu alinhando no papel as fortunas dos outros.

Se eu tivesse estes contos punha a andar

a roda da imaginação nos caminhos do mundo.

E os fregueses do Banco

que não fazem nada com estes contos!

Chocam outros contos para não fazerem nada com eles.


Também se o diretor tivesse a minha imaginação

o Banco já não existiria mais

e eu estaria noutro lugar.


quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Bênçãos e Maldições

 


 Rodolfo Pamplona Filho


Nem tudo permanece...

Na verdade, tudo muda

nem sempre para melhor!

Assim, o que é criado para libertar 

pode ser usado para escravizar.

Quando se esquece 

o sentido de cada ato,

todo importante ritual

apenas massifica 

o que devia ser individual...

Quando não se particulariza,

todos se tornam 

rostos sem nome 

e sem história,

invisibilizando 

em vez de simplesmente ver,

compactua-se

com a coadjuvância,

em vez de tornar protagonista...

Com isso, impessoaliza-se,

reiifica-se, coisifica-se,

mas nunca se envolve.

Sem saber, 

ver ou tocar,

o toque

não há como

não se degenerar...

pois até Bençãos 

podem se transformar

em Maldições


Salvador, 13 de maio de 2018.

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Sobre Sensações de Frustração

 


 

Rodolfo Pamplona Filho


É preciso valorizar

a tentativa,

pois o resultado

nem sempre depende de nós.


É preciso valorizar

a iniciativa,

pois nem todos conseguem

superar a letargia.


É preciso valorizar

o esforço,

pois o suor derramado

nunca voltará ao corpo.


É preciso valorizar

a boa vontade,

pois nem que tudo que se consegue

foi feito de coração.


É preciso valorizar

o cuidado,

pois simplesmente realizar uma tarefa

não é sinônimo de dedicação.


É preciso valorizar

o desprendimento,

pois ninguém é obrigado

a dar um pedaço de si.


Boston, 01 de julho de 2016.

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Consolo

 


Rodolfo Pamplona Filho


Não dá

para salvar

todo mundo...

Não dá

para vencer

todas as batalhas...

É importante entender

a existência de limites

para fazer a escolha real:

Esperança

ou desespero?

Desistir

ou resistir?

Responder isso

nos faz por

os pés no chão

e lembrar que

um amigo serve

para apoiar o outro,

acreditar que as coisas

podem melhorar

e que se pode lutar

por um futuro melhor!


Aeroporto de Recife, 07 de novembro de 2019.

“A perseverança é mais eficaz que a violência: muitas adversidades reunidas são insuperáveis, mas cedem quando confrontadas pouco a pouco” (Plutarco)

sábado, 8 de julho de 2023

Ruptura Biográfica

 


Rodolfo Pamplona Filho

Muitas vezes,

nossa vida,

nosso mundo

sofre um corte

bem profundo,

em um ruptura

biográfica,

em que o passado

não volta,

o futuro é incerto

e aprender a viver

o presente

é o que importa.


Salvador, 18 de outubro de 2019.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Serviço Mal Feito

 



Rodolfo Pamplona Filho


Cabo desencaixado

Trabalho sujo

Peças faltando

Garantias vazias

Parafusos soltos

Pregos frouxos

Informação incompleta

Serviço Mal Feito


Orlando, 27 de janeiro de 2017  

quinta-feira, 21 de julho de 2022

"Nosso querer"



João quis ser ator, mas numa casa tão pequena, não havia espaço para a arte. Conheceu Maria, com quem casou e teve três filhos. Tem uma vida normal, de casa para o trabalho e no clube aos fins de semana. Nunca assiste TV, nem vai mais ao teatro.

Pedro sonhava ser médico. Deu continuidade aos negócios do pai, que prosperaram e hoje sustentam até os filhos de seus oito irmãos. Foi noivo de Alice. O compromisso se desfez quando ela cismou que só entraria na igreja vestida de branco. Pedro não suportou a ofensa.

Edgar queria curtir a vida. Abandonou o curso de Direito no quinto semestre. Conheceu pessoas novas, embriagou-se com todas elas e dormiu com algumas, até o dia em que suas “economias” acabaram. Alcoólatra, atualmente mendiga dois dedos de cachaça ao primeiro que cruza a esquina e ensaia suas teses de defesa na porta do bar.

Em comum, o desejo frustrado, por vontade própria ou alheia. Incomum, deixaram-se conduzir pela vida; foram montados pelo próprio cavalo. Quiseram alguma coisa, quiseram muito, quiseram até deixar de querer. Todo homem quer, mas nem todos se permitem lutar por.


                 [Às vezes, o querer é querer evitar, querer não sofrer, querer permanecer inerte. 

E quem há de  contrariar um desaproveito assim? É nosso querer. Fim.]



-Natália Oliveira

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Fake News na Pandemia

 




A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.

 

Salvador, 25 de julho de 2020

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Normalidade na Pandemia

 




O que é normal?

Era o que se vivia

até então?

Era somente

a nossa percepção?

Era algo que

não existe

ou, se existiu,

nunca mais existirá...

Se o normal não voltará,

talvez nunca terá mesmo existido,

pois o normal será construído

no caminho que será vivido...

 

Salvador, 28 de junho de 2020.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Fake News na Pandemia

 




A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.

 

Salvador, 25 de julho de 2020

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Fake News na Pandemia

 




A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.

 

Salvador, 25 de julho de 2020