quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Tântalos



 Inácio Raposo



Não pode ter de certo os olhos sempre enxutos


Quem sofre qual, no Erebo, o Tântalo maldito:


Sedento — vê debalde um córrego infinito;


Faminto — vê debalde os floridos produtos!...


Ante um castigo tal, que apiedava os brutos,


Leve talvez pareça um bárbaro delito!...


Foge sempre a torrente ao mísero precito


E, se tenta comer, escapam-se-lhe os frutos!






Há Tântalos também na vida transitória:


Querem estes a lympha e os pomos do talento,


E morrem no hospital para viver na história.






Desditosos que são... no malogrado intento!...


Longe de haverem ganho os loiros da vitória,


Encontram no sepulcro o eterno esquecimento!

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