terça-feira, 30 de junho de 2026

Contraditório e Ampla Defesa


 

 






 


No texto magno, em cláusula consagrada,


ergue-se a tutela da dialeticidade,


Bilateralidade plena assegurada,


com paridade de armas na processualidade.


 


Audi alteram partem rege o iter procedimental,


vedando surpresa na formação decisória.


Impõe-se debate técnico, racional,


com influência efetiva na trajetória.


 


Ampla defesa transcende mera formalidade,


abrange meios lícitos de argumentação,


desde prova pericial à instrumentalidade,


viabilizando robusta fundamentação.


 


Se há cerceamento, rompe-se a legitimidade,


maculando o ato por vício insanável,


pois, sem contraditório, não há juridicidade,


nem provimento válido, justo e confiável.


 


Salvador, 04 de maio de 2026.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Ironia ou faceta





(Negra Luz)



Não há surpresa!


O homem agoniza o que a sua mãe vem agonizando...


Falta-se oxigênio no Pulmão do Mundo.


O povo amazonense é mais um filho deste Pulmão.

Agoniza o que já é agonia para Amazônia: 


Nas matas, o fogo, a seca, levou fauna, levou flora, secou córrego, obriga indígena a sair do seu lugar.


Há fotografias dessa triste realidade,


Que muitos querem camuflar.


Gasta-se milhões para encomendar novo satélite,


Economiza-se com a fiscalização. 


Paradoxos ou faces da mesma moeda...


Uma alimentada pela outra.


Agora é a vida humana que está a agonizar...


Exaurimento de um crime complexo,


Anunciado por cada metro quadrado de mata que foi...


Vidas seguem arfando pelo Oxigênio 


O povo caboclo importa!


Mas são parte de um ecossistema maior: Amazônia. 


E ela é Brasil! 


E ela é Mundo!


E ela é nosso Pulmão!


E nela o nosso Oxigênio!

domingo, 28 de junho de 2026

Soneto sobre Licitações



Rodolfo Pamplona Filho

 


No trato público de contratar,


impõe-se norma de isenta feição,


para que todos possam disputar,


com lisura e plena condição.


 


Editais regem o ato de ajustar,


com transparência e justa seleção;


Afasta-se o arbítrio, ao deliberar,


guardando a ética na condução.


 


Vence não só quem oferta menor,


mas quem demonstra probidade e valor,


em fiel observância à missão do Estado,


 


pois gerir bens com rigor e pudor


exige zelo, critério e primor,


para que o justo, ao final, seja alcançado.


 


Brasília, 03 de maio de 2026.

sábado, 27 de junho de 2026

Desclassificando as cores



(Negra Luz)



Quis ser primária,


E secundária também fui.


Quis estar no topo.


E fui a mais TOP.


Como fui!


O sol vibrante.


O fogo Ardente.


E um mar de amor


Mais ao poente,


Presenteei-me de ametiste


E, ao jequitibá, avistei a luz.


Eram secundárias as cores ali presentes 


E a beleza...


Tão maior!


Tão igual!


E, num instante angelical,


As cores não tinham classe.


Tinham valor igual.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Confissão e Justiça Penal








Rodolfo Pamplona Filho e Nestor Távora


 


O Estado pede que confesse, apresentando todo o alicerce.


Dizem: “é só uma medida alternativa!”


mas pode acabar com uma vida


 


Quem confessa, por medo, a todos suplica,


por temer as incertezas da Justiça e da vida.


 


Aceita qualquer acordo ou negociação,


por medo do processo e sua repercussão,


 


pois lhe negam o direito mais básico:


ser ouvido por um juiz democrático,


 


que queira saber o que, de fato, ocorreu,


e não que o que o Sistema lhe deu.


 


Entre calar-se e vir a narrar,


prevalece o direito de não se incriminar;


Nem toda fala há de se aceitar,


se nasce viciada ao declarar.


 


Confissão não se pode impor ou forjar,


sob pena grave de se invalidar;


Justiça exige livre manifestar,


sem coação que a venha macular.


 


Prova legítima é fruto da razão,


aliada firme à verificação,


distante sempre de indução indevida,


 


pois decidir com reta convicção


requer cautela na apreciação,


para que a verdade seja erigida.


 


Brasília, 03 de maio de 2026.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Pretos e pretas também sabem




(Negra Luz)



Pretos e pretas também sabem…


Sabem de sentimento, de dengo.


Sabem de chamego,


Alforriar-se dos próprios medos,


Entregar-se


E viver o amor.




Pretos e pretas também sabem…


Sabem de alegria e de festa.


Sabem de beijo na testa,


Namorar com delicadezas,


Acarinhar-se


E trazer rosas na mão.




As cicatrizes, ainda espessas, sangram


E, para muitos e muitas, é ferida recente!


Fruto de prática perversa...


Retintam o preto e a preta,


Nutrem a idéia de que preto e preta tem couraça,


De que vida de preto e de preta é ciclo sem fim de dor.




Das tintas impostas retiramos tudo,


Pretos e pretas são pretos e pretas 


E nossa pele não é couro.


O que foi chicoteado e sangrado foi o nosso escudo.


Ele é ancestral… Segue.


Os que não sobreviveram se integraram a ele,


Os sobreviventes foram mais fortalecidos,


 E, assim,


Pretos e pretas seguem….


E sabem


Amar!


Amar suas mulheres 


Seus maridos,


Seus filhos e filhas,


Suas famílias,


Seus amigos e amigas...




Talvez seja este o nosso maior ato de resistência:


Pretos e pretas saberem amar.


Saberem sorrir,


Saberem viver com alegria.


Saberem viver o amor.


E sabe por quê?


Na essência,


A nossa alma é alforriada!


Subjugaram, historicamente, os nossos corpos,


Mas, ainda que tenham investido na total desumanização de pretos e pretas,


Não alcançaram integralmente a liberdade


Do nosso coração,


Do nosso pensar,


Do nosso sentir.


E, assim,


Resistimos!


E, assim, a nossa resistência:


Pretos e pretas sabem


AMAR.