(Negra Luz)
Tudo estalo.
Tudo audiência.
Tudo click.
Tudo emoji.
Tudo Bauman.
Tudo calefação.
Tudo João!
Tudo George!
Tudo Miguel!
Tudo triste.
Tudo “migué”.
Tudo RACISMO.
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
(Negra Luz)
Tudo estalo.
Tudo audiência.
Tudo click.
Tudo emoji.
Tudo Bauman.
Tudo calefação.
Tudo João!
Tudo George!
Tudo Miguel!
Tudo triste.
Tudo “migué”.
Tudo RACISMO.
Rodolfo Pamplona Filho
Nos cofres da nuvem, em byte e protocolo,
Armazena-se a vida em código e memória;
Metadados narram, em silêncio e sem dolo,
Fragmentos de afeto em cifra transitória.
Perfis persistentes, sob gestão contratual,
Entre termos de uso e cláusula restritiva,
Guardam traços do eu em domínio virtual,
Na arquitetura lógica de herança ativa.
Há chaves privadas, senhas, autenticação,
Criptografia assimétrica em cofre selado;
Sem o devido acesso ou legitimação,
O acervo digital resta inacessado.
Testamento eletrônico, diretiva antecipada,
Define a sucessão de ativos intangíveis;
Entre direito e ética, a fronteira é traçada
Por regimes jurídicos ainda sensíveis.
E assim, na interface entre morte e sistema,
Subsiste a presença em dado estruturado;
Na persistência algorítmica de um teorema,
O legado humano segue virtualizado.
Salvador, 04 de maio de 2026.
(Negra Luz)
A poesia não me permite conter me em segredos.
Ela sussurra, através dos meus versos, o que não escrevi:
Traduz em onomatopeias meus sentimentos,
Cochicha pelas entrelinhas, expõe me nos acentos,
Quando findo uma estrofe, ela ainda fala por mim.
Um delatora camuflada por metáforas e rimas,
Revela a métrica do que escrevo e, quando menos espero,
Me vejo desnuda diante de ti:
Meu leitor, minha leitora.
Rodolfo Pamplona Filho
No labor suspenso, nasce um direito essencial,
Amparo jurídico à chegada da existência,
Entre afeto e norma, vínculo inicial,
Protege-se o cuidado com digna consistência.
Não só genitora, tampouco apenas genitor,
Mas quem assume o encargo da formação,
Partilha-se o tempo, fortalece-se o amor,
Sob guarida legal da corresponsabilização.
No berço se firma o primeiro laço social,
Com presença contínua, zelo estruturante,
Desenvolvimento pleno, substrato vital,
Num convívio próximo, terno, edificante.
Licença que transcende previsão normativa,
Traduz humanidade na ordem instituída,
Pois cada instante em convivência afetiva
Consolida direitos na aurora da vida.
Salvador, 05 de maio de 2026.
Murilo Mendes
Mamãe vestida de rendas
Tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som,
Equilibrou-se no azul,
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém!
Cai no álbum de retratos.
Rodolfo Pamplona Filho
À luz da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, enfim se proclama
que a limitação não define o existir;
pois é na barreira hostil que se inflama
o peso cruel de impedir e excluir.
Não basta o diagnóstico frio e restrito,
nem laudo encerrado em linguagem severa;
há muros erguidos no espaço infinito
da mente que nega, despreza e impera.
Se a urbe não abre caminhos decentes,
se faltam acesso, respeito e guarida,
transformam-se corpos, outrora potentes,
em alvos da sombra social instituída.
Por isso, a inclusão não traduz caridade,
nem gesto piedoso de falsa emoção;
é norma fundada em justiça e igualdade,
é força de cidadania em ação.
E, assim cada voz, sem temor, se levanta,
reivindica presença, trabalho e valor;
pois toda pessoa, em essência, é santa
na livre grandeza de seu próprio labor.
Eunápolis, 11 de maio de 2026.