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sábado, 18 de abril de 2026

Que amor é esse?







Lea Oliveira


Que amor é esse?

Que enche o peito

Que falta o ar

Que vira música no seu olhar


Que vira noite

Que vira dia

Que passam as horas

E é alegria


Que amor é esse que hipnotiza?

Que faz de mim poeta

É você, minha princesa, Luísa

Que é mais que brincar de boneca


E não bastasse esse sonho, meu Deus,

Você transbordou os meus dias e me deu meu pequeno Mateus!

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Cadáver Vivo

 





Rodolfo Pamplona Filho



Acordar, comer

Banhar-se, vestir

Trabalhar, beber

Deslocar-se, dormir

Não saber o que mais fazer?

Quem sabe, talvez, viver?

Ver que um dia passa

sem, de nada, achar graça

é finalmente perguntar:

será que morri e

me esqueceram de enterrar?



Salvador, 13 de junho de 2013, após uma sessão de analise junguiana.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

On Every Street

 






Rodolfo Pamplona Filho




On Every Street


I can sleep


On Every Street


I can live


On Every Street


I can be myself




I don’t need a house


to have a shelter


I don’t need a job


to have a matter


I don’t need an office


to write a letter


I’d be a louse


if I can live better






I can take a shower with the rain


I can be everywhere without pain


I can survive without a home


but I don’t like to be alone


I don’t need money to be happy


I prefer to be poor than be a sadist


Homeless, Yes!


But Never Loveless...




San Francisco, 25 de setembro de 2010, dedicado a novas amizades (Carol e Chung) e a Victor Frost...

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Lidando com Idiotas



 


Rodolfo Pamplona Filho




Não é fácil lidar com idiotas:

conviver com quem já se sabe

o que vai falar

ou como vai se comportar...

Aquele tipo de gente

que incomoda pela presença,

pelo tom ou pelo assunto,

mas que insiste em estar junto,

apresentando sua opinião

como se fosse uma dúvida legítima

ou um exercício de um ponto de vista,

e não uma mera reprodução

de um chavão ou bordão,

repetido à exaustão,

no grupo de WhatsApp da ocasião.

Para eles, o ódio

está sempre à mostra,

a concordância a si

é sempre imposta

e, para sobreviver,

somente há uma proposta:

para idiotas, o silêncio

é sempre a melhor resposta.


 


Praia do Forte, 29 de dezembro de 2020.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

A quem mais amo


 




Negra Luz



Para ficar,


Me dê motivos...


Está bem mais fácil eu me perder.


Para apostar,


Me dê razões...


A aposta é alta. E se eu perder?


A quem cobrar?


Não há garantias...


A conta é alta, para não te perder.


Você está Rei,


Eu nasci Rainha...


O meu reinado vai além de você.


Amar...


Eu amo.


Afirmo isso.


A quem mais amo?


Meu próprio ser.







sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Ignorantes e Sábios





Rodolfo Pamplona Filho



O ignorante não duvida,

pois ignora que desconhece,

uma vez que seu universo inteiro

cabe nos limites de seu olhar.


Já o Sábio sempre duvida,

pois conhece o que discute,

uma vez que aprendeu a aprender

que não há limite para o pensar.


E os dois convivem diariamente,

muitas vezes em um paradoxo

do ignorante achar o sábio limitado

e este considerar o outro fascinante.


Porém, nesta estranha situação,

não se achará qualquer contradição,

pois cada um mede o outro

pelas réguas que a vida lhe deu...


Independente de toda a glória,

com quem se identifica você?

O ignorante governa a memória

e o sábio tende a obedecer,


já que a tal da meritocracia

é um mero discurso de retórica,

tal qual a sonhada democracia

e toda conquista histórica


que elege tanto grandes mentes,

quanto profundos imbecis,

só nos restando torcer pacientes

por escolhas menos vis...




São Paulo, 08 de abril de 2012.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Um poema pra Luciana Brasileiro

 



Wlademir Lira


A poesia é larga, no lamento, na dor e na felicidade,

A poesia é tudo, é pouco, é tristeza, é alegria,


O poema cala, fala, vive e morre todo dia,


Porque o poema é a ilusão do presente e da saudade.




O poema é fruto de todas as ilusões,


É a conquista dos quem querem conquistar,


Poesia é ser feliz no bom e eterno amar,


É triste no reviver de todas nossas frustrações.




O poema fala, canta e lhe entrega esperança,


O poema é tudo que se quer, e é desilusão,


O poema não é sempre a melhor lembrança,


A poesia é forte, quando fraqueja a dor do coração.




O poeta é largado no mundo da poesia,


O poeta não constrói, nem é dono do poema,


O poeta é descobridor da poesia antes calada.




Declamada a poesia, deixa de ser do poeta 


É tudo que a poesia é, não o que que quer ser,


Éo fruto do poema, das palavras da poesia.




O poema é o melhor que se pode ter do poeta,


É fruto, não é flor, não o que inicia,


Não a dádiva que se espera do poema.




O poeta vez por outra com a realidade flerta,


Mas traduz em poemas a vida de cada dia,


Cada amor, cada angústia, cada ilusão, cada cena.






 


sábado, 16 de agosto de 2025

Azulejos Quebrados (Soneto Desconectado)

 



Rodolfo Pamplona Filho


Do lixo à arte

Restos de parte

do que já serviu

e que servirá novamente


para adornar lindamente

o que outrora era feio

e, hoje, tornou-se belo,

como jamais se pensou ser...


na lógica do reciclar

azulejos quebrados

em novos formatos


de rostos, bichos e ditados,

surgindo de todos os lados,

sempre a nos encantar.



Guayaquil, 01 de outubro de 2013.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Pequenas Verdades Acadêmicas (em 3 linhas)

 


Rodolfo Pamplona Filho


Desconfie de quem

não consegue tratar

um garçom com educação.


O que é combinado

verdadeiramente

não é caro ou barato.


Títulos só podem

ser menosprezados

por quem os detém.


Destacar-se em certas atividades

não significa ter cultura para

discutir outros assuntos.


Sisudez não é sinônimo de seriedade,

mas respeito e educação ajudam

a demonstrar compromisso.


Formalidade não garante resultado,

mas permite a sensação de que

foi feito o que se podia fazer.


Displicência com a liturgia

transparece mais indolência

do que domínio da matéria.


Conteúdo e forma são dialéticos:

um decorre e necessita do outro

para alcançar a verdadeira síntese.



Salvador, 06 de outubro de 2013.

sábado, 26 de julho de 2025

Santa Sabedoria

 




Rogério Medeiros


Santo Antônio, ou

Santo Antoninho,

Como lhe chamam

Os portugueses

Em Lisboa,

Terra natal.


Santo Antônio,

Discípulo de São Francisco,

O santo da fraternidade

E da natureza.


Santo Antônio,

O milagreiro

E pregador.

A mostrar que

Também a sabedoria,

É uma forma de santidade.


Santo Antônio lisboeta,

Lembrai de nós brasileiros,

Dos tantos Antônios que temos,

Por aqui e além-mar.



E traga sua sabedoria,

Para aplacar a discórdia,

Que ameaça nos liquidar.

Amém.



Feliz 13 de junho.


sexta-feira, 25 de julho de 2025

Anne

 





Rodolfo Pamplona Filho


Um perfeito cemitério

de esperanças enterradas,

perdidas como

Grandes palavras

(que) são necessárias

para expressar grandes ideias

Você jura ser minha amiga

para todo o sempre?

Dormir numa árvore

à luz da lua

é a compensação pela

ansiedade dolorida

da esperança em vão.


Salvador, 19 de junho de 2020.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Mãe

 




Poema de Adriano Espínola,

in: Praia provisória, 2006




De terra a tua voz,

de terra os teus gestos,

de terra a tua bênção,

de terra a tua mágoa,

de terra os teus restos

agora enraizados:

árvore crescendo

às avessas - lá onde

tudo começa e finda:

no silêncio do sangue

que me dói ainda.



sexta-feira, 4 de julho de 2025

Desculpa Furada (Viva a Cultura de Vitimização!)







 Rodolfo Pamplona Filho




Nada do que eu faço é culpa minha!


Toda as minhas influências


e paradigmas comportamentais


ensejaram a internalização


de um gestalt disfuncional!


Sem o devido planejamento,


não há como desenvolver!


Meu comportamento viciado


é fruto de um processo doentio


de codependência forçada!


Preciso urgentemente de


um tratamento holístico integral,


sem internamentos compulsórios,


mas, sim, como resultado


de um diálogo habermasiano


de construção comunicativa


de um consenso democrático


que me permita exercitar,


sem condicionamentos,


a autonomia da vontade...


Sem isso, não há


como responder


por qualquer ato,


pois todo resultado


foi contaminado


pelo desrespeito


da minha individualidade...




Viva a Cultura de Vitimização!








Praia do Forte, 03 de agosto de 2013, lendo Calvin...

terça-feira, 24 de junho de 2025

Adoção Afetiva

 




Rodolfo Pamplona Filho




A vida me contemplou

com filhos maravilhosos,

tanto no sangue,

quanto no coração!



Isso se dá, com fé,

pois, definitivamente,

a paternidade não é

uma biologia permanente.


É muito mais do que isso:

é uma eleição de paradigma

de quem assume o compromisso

de não ser um enigma.


Apadrinha-se, torna-se companheiro,

confidente, ombro amigo e parceiro.

Comemora-se junto, chora-se também,

da verdade biológica, vai-se além...


A paternidade por adoção afetiva

honrou-me com um carinho

que nem todos têm na vida...

que não se compreende sozinho...


mas que é a prova mais dura

de que pessoas podem se amar

e se entregar de forma pura,

sem qualquer outro interessar,


como deveria ser, aliás,

em qualquer verdadeira relação

de um afeto que não volta atrás...

de uma escolha consciente de devoção.

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Exílio e Miopia (para Julia)

 



Claudia Moraes Rego




       "Olha o balão!"

       Não via.

       Não falava nada.



       "Olha o gavião!"

       Não via.

       Calava.



       "Olha o Cristo Redentor!"

       Puxa, não via!

       Mas fingia


       "O bondinho!"

       Nada.

       Era assim.


       Certamente,

       sem dúvida nenhuma,

       fazia parte

       (tinha caído do lado)

       da tribo dos exilados

       do prazer.


sexta-feira, 20 de junho de 2025

Medicina

 

 




Rodolfo Pamplona Filho



É no Santuário de Sculapio,

em que Hipócrates separou

o Logos da Cega Crença,

que se depositam as esperanças

de quem ainda crê em salvação,

não da alma perdida ou maltratada,

mas, sim, do corpo massacrado,

entregue às intempéries da saudade,

no sofrimento da enfermidade.

Não se sabe quem cura:

se Deus ou a mão do homem...

Isto pouco importa para quem busca

a retomada do vigor,

o reencontro do calor

e a superação do torpor

do sofrimento e da dor.




Atenas/Grécia, 29 de setembro de 2012, pensando no Templo de Sculapio.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Necessidade de Reclamar

 

 




Rodolfo Pamplona Filho



Há indivíduos que

mal comem feijão com arroz

e querem questionar

a qualidade do champagne...

Pessoas que não sabem distinguir

um idioma de um dialeto,

um prato de um lanche

ou uma casa de um lar

e querem posar para a sociedade

como sacerdotes do culto,

vestais do templo

ou oráculos da verdade...

Pobres diabos,

eles não sabem

o que fazem, pois

sua vontade de viver

se confunde com

sua necessidade de reclamar...




Pamplona/Espanha, 03 de outubro de 2012.


sábado, 14 de junho de 2025

Soneto da Sintonia Infalível









Rodolfo Pamplona Filho




Ainda que divididos pelo Atlântico


e por fusos horários incompatíveis,


o que um sente de um lado,


o outro automaticamente responde.




Se um levanta assustado,


encontrará o outro conectado,


como se a energia gerada


fosse automaticamente repassada.




É realmente impressionante,


como tudo surge em um instante,


permitindo a imediata compreensão




pois o que, para muitos, é acaso,


para mim, é o mais evidente traço


de uma sintonia infalível de paixão.




Pamplona/Espanha, 03 de outubro de 2012.

terça-feira, 3 de junho de 2025

A quem mais amo

 



Negra Luz



Para ficar,

Me dê motivos...

Está bem mais fácil eu me perder.

Para apostar,

Me dê razões...

A aposta é alta. E se eu perder?

A quem cobrar?

Não há garantias...

A conta é alta, para não te perder.

Você está Rei,

Eu nasci Rainha...

O meu reinado vai além de você.

Amar...

Eu amo.

Afirmo isso.

A quem mais amo?

Meu próprio ser.







sábado, 17 de maio de 2025

Filosofia dos Salmões

 



Rodolfo Pamplona Filho



Não existem obstáculos

que impeçam a jornada...

O altruísmo está presente

e é longa a temporada...

Exuberante e idílico,

o caminho é a própria vida..

Nadar contra a correnteza

para completar o ciclo

a todo e qualquer custo.

Enfrentar

Sofrimento

Intempéries

Predadores

Para acasalar

onde nasceu

e depois fenecer

sem um medo sequer...

Surgir em um afluente

Rumar ao oceano

e, depois, voltar

e cumprir seus ciclos

Somos círculos

Plotino

Hipátia

Ser salmão ou tartaruga

Não ligar se a luta é dura

e simplesmente só ser...


São Paulo, 28 de março de 2013.