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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Fui Eu



 


Poema de Fernando Py (1935-2020)



Fui eu esse menino que me espia

– melancólico olhar, sereno rosto,

postura fixa e o todo bem composto –

no retrato que o tempo desafia.


Fui eu na minha infância fugidia

de prazeres ingênuos, e o desgosto

de sentir tão efêmera a alegria

bem depressa mudada em seu oposto.


Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa

e tudo altera nem sequer deixou

um grão de infância feito esmola escassa.


Fui eu; e da figura só ficou

o olhar desenganado na fumaça

em que a criança inteira se mudou.



abril 1998


(De Sentimento da Morte – 2003)





sábado, 4 de abril de 2026

Fui eu esse menino que me espia



  


Poema de Fernando Py (1935-2020)


– melancólico olhar, sereno rosto,


postura fixa e o todo bem composto –

no retrato que o tempo desafia.


Fui eu na minha infância fugidia

de prazeres ingênuos, e o desgosto

de sentir tão efêmera a alegria

bem depressa mudada em seu oposto.


Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa

e tudo altera nem sequer deixou

um grão de infância feito esmola escassa.


Fui eu; e da figura só ficou

o olhar desenganado na fumaça

em que a criança inteira se mudou.


abril 1998


(De Sentimento da Morte – 2003)

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

AMARGO PRESENTE-PASSADO

 






A caravela ancorova em outras terras

O bramido da revolta ecoava pelo verde intocado

Os sonidos das correntes esmorecia o belicoso  

Os irados resvalavam sobre os traidores

Os olhares fixos teciam uma despedida

Suas almas saudosistas, mortas sobre o azul pairavam

O mar se quebrava em dois

Gritam os porões para a imensidão

Bramidos de guerra que se enfraqueciam 

- Vermelho de dor, toma de  trevas este azul atlântico!

"Mãe gentil", verde de resquícios amarelos

Tu que recepciona os acorrentados

Por que traístes aqueles que por ti foram adotados?

Sangue escorre pelos que lutam

Fazem fronte os revoltados

"Liberdade, liberdade!" Onde ficas para que ti alcancem?

A dança e cantos guardam a saudade do passado

A força esbraveja dentro dos que tem esperança

Até que eis os enlaces estraçalhados

Livres estão os que foram escravizados

Mas contemporaneidade  que os abarca, onde estão teus direitos?

És tu uma farça moralista? 

Sociedade, por que encarcera os livres?

Por que matas os que lutam por ti?

Por que negas carinho para os que querem amor?

Respeito para os que do alto exigem

Prisão para aqueles que embaixo vivem

Por que essa regra de tamanha estranheza?

Persistentes estigmas perversos aprisionam os iguais.

Tristes desses que lançam para longe benéficos ideais. 

"Igualdade, igualdade" onde ficas para que ti alcancem?



PAULO HENRIQUE NOVAIS SANTOS

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Fui Eu

 









Fui eu esse menino que me espia

– melancólico olhar, sereno rosto,

postura fixa e o todo bem composto –

no retrato que o tempo desafia.


Fui eu na minha infância fugidia

de prazeres ingênuos, e o desgosto

de sentir tão efêmera a alegria

bem depressa mudada em seu oposto.


Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa

e tudo altera nem sequer deixou

um grão de infância feito esmola escassa.


Fui eu; e da figura só ficou

o olhar desenganado na fumaça

em que a criança inteira se mudou.


abril 1998


(De Sentimento da Morte – 2003)


Poema de Fernando Py (1935-2020)

sábado, 7 de junho de 2025

Fui eu esse menino que me espia





Poema de Fernando Py (1935-2020)


 – melancólico olhar, sereno rosto,


postura fixa e o todo bem composto –

no retrato que o tempo desafia.


Fui eu na minha infância fugidia

de prazeres ingênuos, e o desgosto

de sentir tão efêmera a alegria

bem depressa mudada em seu oposto.


Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa

e tudo altera nem sequer deixou

um grão de infância feito esmola escassa.


Fui eu; e da figura só ficou

o olhar desenganado na fumaça

em que a criança inteira se mudou.


abril 1998


(De Sentimento da Morte – 2003)



terça-feira, 18 de março de 2025

A Louca

 




Augusto dos Anjos





 A Dias Paredes




Quando ela passa: - a veste desgrenhada,


O cabelo revolto em desalinho,


No seu olhar feroz eu adivinho


O mistério da dor que a traz penada.








Moça, tão moça e já desventurada;


Da desdita ferida pelo espinho,


Vai morta em vida assim pelo caminho,


No sudário de mágoa sepultada.




Eu sei a sua história. - Em seu passado


Houve um drama d’amor misterioso


- O segredo d’um peito torturado -




E hoje, para guardar a mágoa oculta,


Canta, soluça - coração saudoso,


Chora, gargalha, a desgraçada estulta.









quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Viagem no Tempo






Rodolfo Pamplona Filho


O sol já foi embora,

mas ainda dá para ver...

Olhamos para o horizonte,

vendo o passado,

em um instante levado

além dos seus limites


Viajar no tempo

não é ir ao futuro

ou voltar ao passado,

mas, sim, ter mais tempo

para estar no presente

e apreciar a beleza

que fatalmente desaparecerá.


Salvador, 14 de outubro de 2018.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Precedente

 

 





O que ocorreu


pode iluminar


a desconhecida estrada


de um novo caminhar


 


como a saber


a rota tomar,


se antes alguém


não veio desbravar


 


a floresta da incerteza,


o que se por à mesa


e a dúvida inata


à qualquer indecisão?


 


Saiba: “o dia precedente


é o mestre do dia seguinte”


e o porvir, do presente,


é a mais bela lição.


 


Salvador, 24 de outubro de 2021.

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Lembranças Atemporais

 





Paulo Basílio 




Por que tem que ser assim? 


Ferréz me chamou à lembrança, 


Nestes tempos de pandemia, 


Música do Consciência Humana. 




No Roda Viva o Emicida, 


Lembrou-me do Aristocrata, 


Encontro da Negrada,


Ilustres da velha guarda. 




Clube da Zona Sul. 


Onde assistir ao Show 


Do Arlindinho Cruz. 




Várias gerações, 


Presente, Passado 


E Futuro, lado a lado. 




( 27/07/2020) 

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Violões adolescentes




Negra Luz





Estavam empoeirados.


Décadas de armários, 


Sob cortinas,


Suportados por livros.


Num sopro induzido,


A poeira subiu!


Uma por uma, as notas foram ouvidas.


O Tempo voltou.


A matrix, escrita outrora,


Era ouvida no agora:


Violões adolescentes 


Exalavam o desejo de vida.


Indignações depressivas,


Crença no “Amanhecer”.


Haveria um “Equilíbrio Distante”?


“O bêbado e o equilibrista” passaram por lá


E, ainda hoje, bambeiam!


Talvez, o desalinho seja até mais forte.


Há infinita razão.


Um vento à revelia do sopro!


As cordas, agora mais limpas,


Ecoam o mofo sobre aquelas notas...


“Vamos fazer um filme”?


Dúvida passiva.


A vida já é samba tocado em cada esquina


Com ou sem máscaras.


“Como será o amanhã?”


Quem vai responder?


Esteja lá!


Haverá mais pó nas entranhas do violão:


Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si grisalhas:


Desejo.


Quando o ar em movimento passar,


E o sopro de vida espargir,


Que a partitura ouvida seja:


“A Paz” reinando no meu coração,


E no seu,


E no nosso!


E no Mundo!






quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Dedicatória da Saudade






Rodolfo Pamplona Filho


A você, dedico todas

as canções do universo...

E penso que todas as poesias

são feitas para você,

das mais felizes às mais tristes..

A você, quero dedicar

somente as poesias felizes,

pois, nas tristes,

quero só compartilhar

 o choro, o abraço e o ombro...

Prometo fazer

um poema para você

mas apenas recitar

no dia em que puder

ver seu rosto novamente..


Salvador, 09 de junho de 2012.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Pétalas secas

 

 





Negra Luz




Na última prateleira,


Morada da porta dos esquecimentos.

Alí!

Um livro que me alimentou de romance.

Dentro dele...

Lembranças de uma primavera de amor.

Vencida a beleza pelo tempo,

Aderidas ao meu preferido volume, então pretérito,

Elas jaziam.

Outros que ali passassem  ignorariam o valor.

À mim não era dado esse malefício.

Aquelas pétalas desidratadas de um ramalhete ardente de rosas cor amarelo-sol

Eram, sim, um novo regalo.

Um “recuerdo ” de mim,

Guardado na estante oculta.

Viajante no espaço da minha memória.

Lembrança de verdades vividas por meu coração.

Atiçando o desejo de marcar novos livros.

Ilustra-los com estórias paralelas ao que li.

Ré memórias da essência da minha emoção,

Que julguei nem ser minha

E estava ocultada dentro de mim.



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Incidentes e Oportunidades

 



Rodolfo Pamplona Filho


O imprevisto normalmente aborrece…

Mas ele pode ser um ótimo momento  

para resolver um problema,

resgatar uma memória 

ou quitar uma divida.


É preciso aprender 

a identificar as chances 

que o destino proporciona 

para uma retomada de rumo

ou a busca de aprumo.


Fazer, do limão, uma limonada 

é mais do que uma frase bem-humorada:

é descobrir a sabedoria 

de aproveitar cada instante da realidade,

transformando incidente em oportunidade.


Bogotá, 11 de janeiro de 2024.




domingo, 7 de janeiro de 2024

A Velha casa




Heitor Ferraz Mello


Havia sempre no passado

o momento de grande gargalhada.

Corríamos pela casa

como duas crianças

e sacudíamos os lençóis

com nossos corpos.

Tínhamos em comum

a admiração da lua

e um certo jeito de olhar o mundo.

E mesmo hoje no passado

em que já nos encontramos distantes

ainda corremos pela casa

desabitada.

E só.


segunda-feira, 8 de maio de 2023

Precedente


 




Rodolfo Pamplona Filho



O que ocorreu

pode iluminar

a desconhecida estrada

de um novo caminhar


como a saber

a rota tomar,

se antes alguém

não veio desbravar


a floresta da incerteza,

o que se por à mesa

e a dúvida inata

à qualquer indecisão?


Saiba: “o dia precedente

é o mestre do dia seguinte”

e o porvir, do presente,

é a mais bela lição.


 


Salvador, 24 de outubro de 2021.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

A Louca





 A Dias Paredes


Quando ela passa: - a veste desgrenhada,

O cabelo revolto em desalinho,

No seu olhar feroz eu adivinho

O mistério da dor que a traz penada.




Moça, tão moça e já desventurada;

Da desdita ferida pelo espinho,

Vai morta em vida assim pelo caminho,

No sudário de mágoa sepultada.


Eu sei a sua história. - Em seu passado

Houve um drama d’amor misterioso

- O segredo d’um peito torturado -


E hoje, para guardar a mágoa oculta,

Canta, soluça - coração saudoso,

Chora, gargalha, a desgraçada estulta.




Augusto dos Anjos

sábado, 15 de janeiro de 2022

Sobreviver



Sobreviver  

ao ano, 

à pandemia, 

às brigas, 

aos aborrecimentos, 

aos golpes, 

aos roubos, 

às tristezas, 

às decepções... 

 

Sobreviver? 

Não foi fácil sofrer... 

Sobreviver? 

Foi por pouco não perecer... 

Sobreviver? 

Sabe-se lá para que... 

Sobreviver sempre, 

Sobreviver com certeza  

se a alternativa é morrer... 

 

Praia do Forte, 31 de dezembro de 2020. 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Precedente

 


O que ocorreu

pode iluminar

a desconhecida estrada

de um novo caminhar

 

como a saber

a rota tomar,

se antes alguém

não veio desbravar

 

a floresta da incerteza,

o que se por à mesa

e a dúvida inata

à qualquer indecisão?

 

Saiba: “o dia precedente

é o mestre do dia seguinte”

e o porvir, do presente,

é a mais bela lição.

 

Salvador, 24 de outubro de 2021.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

AMARGO PRESENTE-PASSADO



                                      
       

A caravela ancorava em outras terras

O bramido da revolta ecoava pelo verde intocado
Os sonidos das correntes esmorecia o belicoso
Os irados resvalavam sobre os traidores
Os olhares fixos teciam uma despedida
Suas almas saudosistas, mortas sobre o azul pairavam
O mar se quebrava em dois
Gritam os porões para a imensidão
Bramidos de guerra que se enfraqueciam
- Vermelho de dor, toma de trevas este azul atlântico!
"Mãe gentil", verde de resquícios amarelos
Tu que recepciona os acorrentados
Por que traístes aqueles que por ti foram adotados?
Sangue escorre pelos que lutam
Fazem fronte os revoltados
"Liberdade, liberdade!" Onde ficas para que ti alcancem?
A dança e cantos guardam a saudade do passado
A força esbraveja dentro dos que tem esperança
Até que eis os enlaces estraçalhados
Livres estão os que foram escravizados
Mas contemporaneidade que os abarca, onde estão teus direitos?
És tu uma farça moralista?
Sociedade, por que encarcera os livres?
Por que matas os que lutam por ti?
Por que negas carinho para os que querem amor?
Respeito para os que do alto exigem
Prisão para aqueles que embaixo vivem
Por que essa regra de tamanha estranheza?
Persistentes estigmas perversos aprisionam os iguais.
Tristes desses que lançam para longe benéficos ideais.
"Igualdade, igualdade" onde ficas para que ti alcancem?



PAULO HENRIQUE NOVAIS SANTOS

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Violões adolescentes

 



Estavam empoeirados.

Décadas de armários, 

Sob cortinas,

Suportados por livros.

Num sopro induzido,

A poeira subiu!

Uma por uma, as notas foram ouvidas.

O Tempo voltou.

A matrix, escrita outrora,

Era ouvida no agora:

Violões adolescentes 

Exalavam o desejo de vida.

Indignações depressivas,

Crença no “Amanhecer”.

Haveria um “Equilíbrio Distante”?

“O bêbado e o equilibrista” passaram por lá

E, ainda hoje, bambeiam!

Talvez, o desalinho seja até mais forte.

Há infinita razão.

Um vento à revelia do sopro!

As cordas, agora mais limpas,

Ecoam o mofo sobre aquelas notas...

“Vamos fazer um filme”?

Dúvida passiva.

A vida já é samba tocado em cada esquina

Com ou sem máscaras.

“Como será o amanhã?”

Quem vai responder?






Esteja lá!

Haverá mais pó nas entranhas do violão:

Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si grisalhas:

Desejo.

Quando o ar em movimento passar,

E o sopro de vida espargir,

Que a partitura ouvida seja:

“A Paz” reinando no meu coração,

E no seu,

E no nosso!

E no Mundo!


(Negra Luz)