quarta-feira, 1 de junho de 2022

Soletrando no escuro a tua voz


 


 

O amor, por vezes, causa dano

enquanto a noite acesa passa

deixando atrás o desengano

brisa que dorme e que se esgarça

ainda assim, dentro do inverno,

sempre abrasado amor eterno.

Na noite longa, quando passas,

é luminoso todo o inverno

e o coração que não se esgarça

mais do que luminoso, é terno.


Ramo de luz, meu desengano

foi te causar um dia dano.


 É meu o luminoso inverno

e o passageiro desengano.


O teu rosto, dourado e terno,

acima paira desse dano,

pois tua mão serena esgarça

minha ternura quando passas.


 Ao escutar meu desengano

deixas à margem, quando passas,

o lodo e o limo desse dano

que o vendaval do tempo esgarça

e traz, lavado pelo inverno,

um rastro de ternura eterno.


A tua voz doída esgarça

palavras no abrasado inverno,

doendo, inteira, quando passas

escondendo os teus olhos ternos.


Dói, meu amor, o desengano

que mágoa te causou, e dano.


Sinto que é longo e que é eterno

meu sofrimento quando passas

na correnteza desse inverno

que o vendaval do tempo esgarça,

por isso dói meu desengano

quando te causo mágoa e dano.

 

- Jaci Bezerra 

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