sexta-feira, 25 de setembro de 2026

RETROSPECTO




Humberto de Campos


Vinte e seis anos, trinta amores: trinta


vezes a alma de sonhos fatigada.


e, ao fim de tudo, como ao fim de cada


amor, a alma de amor sempre faminta!


 


Ó mocidade que foges! brada


aos  meus ouvidos teu futuro, e pinta


aos meus olhos mortais, com toda a tinta,


os remorsos da vida dissipada!


 


Derramo os olhos por mim mesmo... 


E, nesta muda consulta ao coração cansado,


que é que vejo? que sinto?  que me resta?


 


Nada: ao fim do caminho percorrido,


o ódio de trinta vezes ter jurado


e o horror de trinta vezes ter mentido!


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