quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Terrenos



Há terrenos em que mudas não florescem
mas, por quê?
não sei!
não sabe?
só sei que é quase o mesmo que ocorre com as palavras
há palavras excessivas
há palavras frutíferas
há palavras afogadas
há poucas palavras
e por aí vamos escrevendo
de grão em grão
e perguntando as palavras, se a raiz morfológica do amor é externa?
silenciou!


Ludmila Costa

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Planejamento Sucessório

 




Quando, um dia, terminar
a minha jornada terrena,
quero apenas encontrar
a paz em minha pequena

estrada de férteis encontros,
alguns triunfos e acertos,
mas também de desencontros,
reencontros, derrotas e apertos...

Não quero que os que deixo
disputem os poucos bens
que, com muita luta, conquistei,

mas, sim, que encontrem o eixo
da concórdia e harmonia,
não chorando de barriga vazia,

nem tendo a amarga sensação
de desamparo e solidão,
sabendo que eu tive o cuidado
de deixar tudo organizado,

na consciência de minha finitude,
fazendo tudo que eu pude
para, seguindo minha verdade,
distribuir segundo a necessidade

e justiça de uma partilha em vida
de um patrimônio que perece e rui
pois o que é realmente importante

é herdar o orgulho e a saudade doída
somente de quem, em essência, fui,
não do que eu tive na estante.


Salvador, 08 de dezembro de 2013, tendo dobrar um soneto...

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

A listinha de presentes




Esse ano, a minha lista
Eu resolvi diminuir.
Ela será bem curtinha.
Em pouco espaço,
Será início, meio e fim

Papai, mamãe, vovó, o titia
Facilitei a vida para ti
O presentinho desejado
Nesse Mundo desanimado:
Tudo que me faça sorrir!

Ao sorrir posso contagiar
E ser contagiado
Recebendo o presente solicitado
No Mundo espalharemos o sorrir!


 Negra Luz

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Nossa sina




Nossa sina
em um mundo
que nos estranha
é somente sofrer
com a nossa carência
e a insensibilidade alheia:
assim, temos que viver
e aprender a lidar
com nossas catástrofes
e paraísos diários.

Brasília, 09 de outubro de 2018.

domingo, 6 de dezembro de 2020

Depois, O Arco-íris




Tempestades que me cercam
Ecoam maiores do que são.
Ouço como tambores rufando,
Apenas cânticos de libertação.

Visões de ondas gigantes,
Devastando o meu coração,
Só gotas de orvalho ao pé do ouvido,
Tilintar da minha emoção.

O farol girando sem rumo,
Sem apontar para onde devo ir.
Nada demais, só sinais.
Cada passo indica para onde se deve ir.

Há lama na estrada,
Fios em curto a atravessar.
Quando no meio do caminho há pedras,
Pare, pense e se encontrará.

Os raios que balançam,
Embalam a sua razão,
Aguçam os seus medos retidos,
Mas iluminam a sua ação.

Depois da tempestade
Alastrada dentro de ti,
Sentirá o arco-íris,
Espectro de vida, nascentes brotando em ti.

Negra Luz

sábado, 5 de dezembro de 2020

A Raiva como Companhia



 

A raiva

de ter alguém

que não me vê

e deveria ver

 

A revolta

de assistir

o fim de uma vida

sob seus protestos

 

A fúria

de se sentir

injustiçado

por quem se ama

 

A ira

que toma o corpo

e a mente de quem

teve a esperança de ser feliz.

 

A raiva

A revolta

A fúria

A ira

são a companhia

de quem não se conforma

com o que lhe restou...

 

 

Salvador, 05 de agosto de 2020. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Fui Eu




 Fui eu esse menino que me espia

– melancólico olhar, sereno rosto,
postura fixa e o todo bem composto –
no retrato que o tempo desafia.

Fui eu na minha infância fugidia
de prazeres ingênuos, e o desgosto
de sentir tão efêmera a alegria
bem depressa mudada em seu oposto.

Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa
e tudo altera nem sequer deixou
um grão de infância feito esmola escassa.

Fui eu; e da figura só ficou
o olhar desenganado na fumaça
em que a criança inteira se mudou.

abril 1998

(De Sentimento da Morte – 2003)

Poema de Fernando Py (1935-2020)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Rede de Tapasteiro

 



 

A vida é um ciclo pesqueiro,

como uma rede de tapasteiro:

o que parece um refúgio corriqueiro

também pode ser um puçá traiçoeiro...

 

Em vez de nadar à vontade

na espera do sorriso ou da nuance,

quer-se a pura comodidade

do conforto ao seu alcance

 

sem perceber que o leito

pode ser armadilha fatal,

cujo único certeiro efeito

 

e ser a cilada mortal

que mostra haver dia de pescador

e dia de morrer de pavor...

 

Salinas de Margarida, 02 de novembro de 2020.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Como é a nossa escrita

 




Como é a nossa escrita

vista por outros leitores?

Causa dor?

Causa amor?

Causa raiva?

Causa tristeza?

Causa inspiração?

Que causemos um pouco de tudo

menos a solidão de não ser lido!

Justa causa amar a poesia!



Ludmila Costa

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Chatices



Que chatice a minha!


Ficar revolvendo o passado

Que chatice do mar?

Revolver- se no oceano?


Que chatice o outro!

Envolvendo- se em minha vida

Que chatice do sol!

A Aquecer toda a vida?


Que chatice de nós!

Perdendo tempo com partidas

Que chatice do tempo!

A nos curar as feridas?


Que chatice!

Faltam repostas a tornar forte a rima

Que chatice! Desisto!

De ser livre? Imagina?



Negra Luz

Muzuá, Puçá e Caçuá

 



 

Muzuá é a armadilha,

que espera sua vítima

ou decora uma casa;

Puçá é a rede

que impede o siri

de se desvencilhar;

Caçuá é o cesto

que transporta a cangalha

no lombo de um jegue:

Muzuá, Puçá e Caçuá,

três formas de entrelaçar

o que o destino proporcionar.

 

Salvador, 02  de novembro de 2020

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Pequenos na Imensidão



 

A imensidão dos pequenos

Pequenos na imensidão

O homem e o universo

Na sua real dimensão 

 

O homem é um ponto insignificante

Na imensidão do universo 

Ao longe desaparece

Nas profundezas de um olhar

 

O universo é gigante

Nossos olhos não conseguem findar

Só na mente do homem 

Que quer sempre dominar

 

Dominar a natureza 

Dominar o universo 

Dominar o próprio homem

Para então um Deus se tornar

 

Quem será o gigante

Que conseguirá se superar

Desnudando os próprios monstros 

Para então se libertar

 

Imenso é universo 

Assim como a mente humana

Que busca o inverso  

Com suas atitudes desumanas

 

Humildade tem que haver

Pois somos um pontinho no universo 

A arrogância deve desaparecer

Extinguindo os homens perversos

 

O universo é exemplo

De grandeza e humildade

E é assim que devemos ser

Com a própria humanidade 

 

Maria Aparecida Francisco 

domingo, 29 de novembro de 2020

Momentos Felizes


 


 

Quando estamos tristes,

lembranças felizes

nos fazem seguir,

mesmo que não saibamos

para onde vamos.

 

Quando estamos para baixo,

memórias felizes

nos fazem sorrir,

mesmo sem muito tempo

para respirar

 

Quando estamos depressivos,

momentos felizes

despertam a sensação

de que, em algum lugar do passado,

já houve esperança de um futuro melhor.

 

Terça-feira, 10 de novembro de 2020

sábado, 28 de novembro de 2020

O Turbilhão em um bilhão de reações






 

A falta de quem  não tem alta, por um amor verdadeiro, sincero, companheiro na jornada da vida, nem que se for para uma ida sem partida.

Incógnita que Incomoda, quase coca, roça a aguça por resposta. 

O meu eu tosta, queima, chamusca a sina da mina  da ocitocina com a dopamina. 

Não hesita, nessa usina de toxina a saber. 

Mas, quem me  dera saber a resposta para essa incógnita que me habita que não hesita. 

Quem me dera  as respostas, se nem sei quais são as perguntas, que me perfazem. 

É nessa usina, que ser zem não me fazem ir além do óbvio. 

Mas que me dera saber o que meu corpo quer beber? Se é nessa usina de ocitocina com dopamina que eu vivo até ir ao além, nem se for sem ou com a resposta. 

A incógnita nitra o que sei lá eu sou, só sei que zem eu não sou, nem com serotonina eu sou. 

Sou eu, um bilhão de reações sem lições de moralidade e eticidade.  

Sou eu quem caminha nessa mina de toxina e paixão em uma mansão sem uma lição a te dar.

Nem mandar a onde andar, porem a quem lhe vem apenas excitar o meu eu até onde for, nem que se for sem alem a algo que nem existe.

Sou eu turbilhão em um bilhão de reações com ações, sem lições, mas com desejos e medos.



Vitor Henrique

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Minha Justificativa

 


 

Álibi

Disfarce

Desculpa

Enganação

Tudo armado

só para dizer não!

O que se inventa

para não assumir

o que realmente

faz ou fez,

dos ovos, o frigir

para todos, fingir

para o mundo, fugir

na vida, não se permitir.

 

Salvador, 15  de novembro de 2020.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

O que fizeram, o que eu fiz e para onde fui



É foda, a cabeça lota em quotas de devaneio. 

Sujeira que me jogaram, amarraram e me deixaram em uma mar uivante de Abrantes.  

Não se iluda com a forma lúdica da localidade airosa, porque não existe rosas sem espinhos, nem que se for no pinho do seu ninho. 

Não importa a forma, a sonata está perdida em uma ida sem partida, mas com chegada aonada mais me consola.  


As solas nem estão gastas em lascas. Mas já sei que não há nada mais. 

Porque não há? 

Porque eu já disse, me sujaram, amarraram e me jogaram no meio do nada e eu não sei nadar, nem ao menos andar no desconhecido. 

Não sei que lugar é esse, 

Não sei se tenhas o nobre e o pobre, e se eles se importam em ouvir os meus pensamentos confusos tontos pela… a maré.   

A porta parece  torta,  cheias de discursos  de nenhures. Porque, donde eu veio pelos devaneios, não conheci achar meios a abrir. 


A cabeça tida madura, já sabe que a vida  é assim, dura igual uma pedra, que  que  esmurra em uma algazarra de sentimentos. 

Uma verdadeira surra de  momentos e tormentos em só lamentos. 

Não se engane ou encane, dizem que é apenas uma pane no sistema. 

Urge então a necessidade de saber, para não beber na fonte da ignorância, porque a ânsia em uma direção de uma ação, que nasce naquela  idade.

Naquela idade, em que você não vê as coisas do jeito que antes via. 

Você de per si, sabe que  a vida é assim, no sim ou no não, sempre serei o anão da pirâmide. 


Ahhh, se eu pudesse ja ter descobre está chave mestra para concertar ou atar os nós do que já se foi. 

Aos  amigos que você tem que não ligam, 

o  sinal de pane aparece e você não amanhece 

É, no verso da canção, no abrir da chave, que a ave ligeira já sabe antes  que você, que é só ela e mais nada. 

Não existe amor no clamor da dor de um sociedade doente. 

Quem fala que sim mente, pela  simples mediocridade que transforma a terra em letra de funeral. 

Não existe compaixão, nem paixão. 

Não existe nada além dessa vida, porque na ida, você sabe que  somos meros passageiros prestes a partir. 

Desligue os castelos do tetris, que moldam quem está certo ou errado na peça de encaixe, desligue a máquina, desligue a cina.  

Porque nada importa, nem a forma, nem o como e o porque.


Vitor Henrique


quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Má Vontade

 



 

Má vontade é tudo de ruim!

É muito difícil lidar

com quem se acha com razão

e não dá espaço

para fazer outra programação

 

Má vontade é uma droga!

Não há como conversar

com quem não admite repensar

a atitude tempestuosa

que somente tem o dom de perturbar

 

Má vontade é uma praga!

Só dá mesmo para lamentar

a empáfia de quem tem certeza

de que todo erro é alheio

e todo mau resultado não é sua culpa.

 

Má vontade é uma merda, viu?

 

Salvador, 05  de novembro de 2020

terça-feira, 24 de novembro de 2020

O crivo do não saber da falsa esperança



A vida  criva o agrado da falsa esperança em um fardo pesado, que nem  alça de uma calça que não laça. 

A impostora, a  mentirosa,  a farsante ou hipócrita falsa esperança.  

A ânsia do ancorar no Lar que leva a um destoar. 

Um aborrecimento, uma mentira ou tirania. Eis o crivo do livro vivo que construímos em uma falsa esperança do não saber.


Que guiado e liderado  pelo o sonhar que nos criva. 

Da incógnita cotidiana  do sonhar ou não sonhar? 

Acreditar ou não acreditar, para o  medo de nós arranhar e nos ferir no ir. 

Não vamos ancorar se não sonharmos. 

Não vamos acompanhar o marchar da maré. 

Não vamos nem ao menos ter lido o livro do não saber

Mas se for um houver do muro sem lucro. 


Das  as alegrias… 

das  alegorias das falácias que não devem ser cogitadas, digitadas, lidas e escritas. 

Das idas às ideias inobsoletas das Borboletas das letras da falsa esperança.


Mas, se não sonhar não teremos vivido o livro.  

Do amada do nada. 

Do rechear do cheirar do lar 

Do avistar até aterrar em uma terra do além mar

Para que o amarrar do amar, se torne lar. Eis, o livro do não saber do escrito, digitado ou cogitado.


Vitor Henrique

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Cansaço

 



O cansaço é um passaporte

O cansaço é um desinvestimento

O cansaço é a saída

de quem já passou do limite

O cansaço anestesia

qualquer reação possível

de quem se esgotou...

 

Salvador, 04  de novembro de 2020

domingo, 22 de novembro de 2020

Direito e Poesia



 

De onde nasce o direito? 

E a poesia, de onde nascerá ?

Penso em mil respostas

Mas qual delas será? 


No direito há palavras

Que buscam te ajudar

Na poesia as palavras

Expressam o seu olhar


Direito e Poesia

Ambos nascem

Do sentimento humano

Que busca se consolar


Sentimento de amor

De dor

De horror

Sentimento libertador


Assim nasce o direito

E assim a poesia nascerá 

Sempre do sentimento 

Que o homem externar



Maria Aparecida Francisco