segunda-feira, 5 de agosto de 2013

COMO O AMOR CHEGA A NÓS?



                                                                       COMO O AMOR CHEGA A NÓS?

            Engraçado! Sem querer me pus a pensar como o amor chega de maneiras diferentes em nossa vida!
Há o amor que foi escolha nossa. Ao menos parece que foi! Aquele do namoro desejado e vivido, da amizade construída, do sim no Altar, do filho gerado. Sim, este amor parece que foi querido, fruto da construção do nosso agir.
Já o outro amor foi ousado! Não tinha convite para entra na festa de nossa vida, mas mesmo assim veio, penetra e sedutor. Não é que não o quiséssemos, mas não o enxergávamos, ou conscientemente não fomos dele protagonistas. É aquele que chega de mansinho e, quando percebemos, já faz do nosso mundo. Achega-se a nós como aquele outro tão forte e intenso, mas este é sutil e cadenciado, como homeopatia.
Fato é que não importa como o amor bate a nossa porta. Importa é que ele chegue. Ou porque nosso olhar primeiro o enxergou, ou porque foi ele quem nos achou! Não importa! Importa é que venha.
Pena que há pessoas que têm medo do amor que não foram seus olhos que encontrou. Que não foi sua alma que desejou. Amor que não foi seu coração que achou primeiro. Pessoas que têm medo do amor que é surpresa, que chega de mansinho e, sem pedir licença, querem ficar.
Pergunto-me quantos amores “construídos” tenho em minha vida, e graças a Deus são muitos. Mas quantos foram os que me “assaltaram” querendo morar em meu coração? Tão verdadeiros quanto aquele outro? Enxerguei alguns. Desejei muito mais.
QUE VENHA O AMOR EM MINHA VIDA, COM O JEITINHO QUE ELE QUEIRA VIR: DESEJADO POR MIM, OU ME DESEJANDO. QUE VENHA O AMOR... QUE VENHA... O AMOR!

Andréia

domingo, 4 de agosto de 2013

Saudades do meu amor...


Saudades do meu amor...

Rodolfo Pamplona Filho
Eu sinto sua falta...
Eu amo seus pelos, 
seu gosto, seu rosto, 
tudo que nao me deixa em paz... 
Eu amo sua necessidade de amor
e sua vontade de estar ao meu lado,
como se viver dependesse disso...
"Eu te darei o céu, meu bem,
e o meu amor também..."

Santiago/Chile, 27 de junho de 2012.

sábado, 3 de agosto de 2013

Paisagem citadina


Paisagem citadina (Luís Miguel Nava)

A pele por fulgurantes
instantes muitas vezes abre-se até onde
seria impensável que exercesse
com tão grande rigor o seu domínio.

Não temos então dela senão rápidas
visões, onde os reclames
do coração se cruzam, solitários
e agrestes, reflectidos

por trás nos ossos empedrados.
Em certas posições vêem-se as cordas
do nosso espírito esticadas num terraço.

A roupa dói-nos porque, embora
nos cubra a pele, é dentro
do espírito que estão os tecidos amarrados.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Conflito Existencial


Conflito Existencial

Rodolfo Pamplona Filho
Conflito existencial.
Crise de identidade.
Saber que o final
não vem com a idade.

Em nada mais acreditar,
nem mesmo no que acha saber...
Deprimir por constatar
ser dissidente do próprio querer...

Declarar algo publicamente
que sabe que é ilusão...
Sentir o desalento ardente

de, um dia, ter afirmado como verdade
o que, hoje, apenas é uma versão,
perdida no choque da realidade.

Éfeso, 25 de setembro de 2012

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Sem outro intuito


Sem outro intuito (Luís Miguel Nava)

Atirávamos pedras
à água para o silêncio vir à tona.
O mundo, que os sentidos tonificam,
surgia-nos então todo enterrado
na nossa própria carne, envolto
por vezes em ferozes transparências
que as pedras acirravam
sem outro intuito além do de extraírem
às águas o silêncio que as unia.


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Soneto do Experimentar


Soneto do Experimentar

Rodolfo Pamplona Filho
Um lugar paradisíaco
Um ingrediente afrodisíaco
Uma mais ousada posição
Uma nova e gostosa sensação

Como saber se vai gostar,
sem ao menos experimentar?
Se sabe que mal não faz,
por que o medo de olhar para trás?

Uma aventura exótica
Uma viagem erótica
Uma bebida inebriante

Sabe-se é que a rotina maltrata
e que relações mata
aquele que só quer o constante.

Santiago-Chile, 28 de junho de 2012.

terça-feira, 30 de julho de 2013

O céu


O céu (Luís Miguel Nava)

Assoam-se-me à alma, quem
como eu traz desfraldado o coração sabe o que querem
dizer estas palavras.
A pele serve de céu ao coração.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Malogro


Malogro

Rodolfo Pamplona Filho
Ir na exposição sem ter aberto
Chegar atrasado no teatro perto
Ser enganado pelo taxista do dia
Experimentar o que lhe dá alergia
Brincar com algo que nao agüenta
Sofrer pela conexão lenta
Entrar na festa antes do aniversariante
Brindar réveillon com refrigerante
Um programa que nem quem sugeriu gosta
Um malogro é sempre uma péssima aposta...

Santiago-Chile, 29 de junho de 2012.

domingo, 28 de julho de 2013

Traço comum


Traço comum (Vasco Gato)

descalço-me de sombras para chegar a ti
as linhas do meu rosto são claríssimas
nelas não vês o velho, a criança, o adulto
vês apenas o traço comum
que é onde eu procuro a tua mão
na transparência da minha palavra inteira

sábado, 27 de julho de 2013

Cérebro e Mente




Cérebro e Mente

Rodolfo Pamplona Filho
O cérebro é material
e corpóreo, como a carne.
Dele, cuidam
médicos e biólogos.
A mente é imaterial
e etérea, como o pensamento.
Dele, cuidam
filósofos e psicólogos.
Mas como separar
o corpo da alma,
sem fracionar
o que, de forma calma,
se constrói conjuntamente
na cabeça de toda gente?
Talvez só no dia
em que a verdade vazia
for mais transparente
do que a vida inclemente...
Talvez no momento
em que todo tormento
se dissipe em um zoom
e todos se sintam apenas um.

Museo Interactivo Mirador, Santiago-Chile, 29 de junho de 2012.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Um dizer ainda puro


Um dizer ainda puro (Vasco Gato)

imagino que sobre nós virá um céu
de espuma e que, de sol em sol,
uma nova língua nos fará dizer
o que a poeira da nossa boca adiada
soterrou já para lá da mão possível
onde cinzentos abandonamos a flor.

dizes: põe nos meus os teus dedos
e passemos os séculos sem rosto,
apaguemos de nossas casas o barulho
do tempo que ardeu sem luz.
sim, cria comigo esse silêncio
que nos faz nus e em nós acende
o lume das árvores de fruto.

diz-me que há ainda versos por escrever,
que sobra no mundo um dizer ainda puro.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A Poesia é Meu Refúgio


A Poesia é Meu Refúgio

Rodolfo Pamplona Filho
Quando a tristeza me assalta
e fico imerso na melancolia;
Quando a solidão me oprime
e a depressão me consome;
Quando a rotina me irrita
e a monotonia me maltrata;
Quando o stress me atormenta
e o cansaço me anestesia;
Quando não sou compreendido
ou me sinto abandonado ou perdido;
A Poesia é Meu Refúgio...

No voo de Santiago para Puerto Montt-Chile, 29 de junho de 2012.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Douro


Douro  (Filipa Leal)

Não sei se prefiro o rio
ou o seu reflexo nas janelas espelhadas.

De um lado
os barcos ancorados,
do outro lado:
barcos - na imediata memória das âncoras.
Deste lado, o porto, ou o cais,
contracenando com a sua própria inexistência
daquele lado.

Existirá aquele rio nos espelhos?
Poderá este subsistir sem as janelas?

Sou dourada como os peixes que te
desabitaram. E, do outro lado, sou
desabitada.

terça-feira, 23 de julho de 2013

27 anos


27 anos

Rodolfo Pamplona Filho
Robert Johnson
Brian Jones
Jimmy Hendrix
Janis Joplin
Jim Morrison
Kurt Cobain
Amy Winehouse
e muita gente mais..
Talentos imensos
para vidas curtas demais...
27 anos não é tarde
para começar uma vida,
mas é muito cedo
para ir embora...

Salvador, 23 de julho de 2012.

Medo


Medo

Rodolfo Pamplona Filho
O medo é como um canibal
que se alimenta de si mesmo.
Vive em cada sombra...
Espreita em cada esquina...
Esconde-se na penumbra,
mas sempre perto de você,
a ponto de sentir o seu hálito,
mesmo sem vê-lo ou tocá-lo...
Pode estar em dois
ou muito mais lugares
ao mesmo tempo:
mais à frente,
do seu lado,
em seu caminho
e, simultaneamente,
vindo atrás de você!
O medo se esconde
dentro de cada decisão,
questionando cada movimento seu.
E a culpa é sempre sua!
Você é quem dá vida a ele!
Você gera seus próprios medos...
Todos os instintos dizem
que não se pode fazer nada
diante do que aterroriza...
Mas é só isso que
o medo é... instinto.
Fugir é decorrência
da própria natureza,
afirmando ser melhor
correr e viver
para lutar outro dia...
Mas, fugindo,
o canibal se alimenta
e se torna mais forte...
O melhor é correr, sim,
mas em direção ao medo,
encará-lo, olhar em seus olhos,
fazê-lo piscar primeiro,
vê-lo diminuir...
Morrer de medo é
como cometer suicídio,
antecipando um resultado
possível de ocorrer,
mas não necessário agora,
fechando-se para o mundo lá fora,
até definhar
pela falta do ar
que decidir enfrentar
poderia proporcionar...

Puerto Varas-Chile, 30 de junho de 2012.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Verdade ou consequência


Verdade ou consequência (Rui Pires Cabral)

Houve dias cheios de sol e jogos ágeis
em redor dos lagos, uma jornada na montanha
para ouvir o eco e a sombra da nuvem
ganhando alento nas vertentes como um barco
prodigioso.

Perseguíamos nas raízes do dia uma ausência
que alastrava para o norte, para essas planícies inventadas
onde pássaros ávidos tomariam por sementes
as palavras que dizíamos.

Éramos demasiado jovens
e aos nossos olhos
o mundo tinha a idade que mais nos convinha.

domingo, 21 de julho de 2013

Fale com a Mãozinha...


Fale com a Mãozinha...

Rodolfo Pamplona Filho
Quando estiver para explodir
ou tiver vontade de gritar,
não adianta resistir
ou querer se matar,
o melhor a fazer
é tentar descobrir
como novamente ter
o prazer de sorrir.
Por isso, em vez de estourar
ou sair totalmente da linha,
melhor levantar os olhos, respirar
e falar com a mãozinha...

Fale com a Mãozinha...

Puerto Varas-Chile, 30 de junho de 2012.

sábado, 20 de julho de 2013

VIDA MALVADA


VIDA MALVADA

Eu rumino mesmo.
Qual bicho mais lindo
que a vaca?
Cresci montada em cavalo
entrando em açude
pescando piaba com goma
comendo siriguela verde
com sal da boiada.
Eu rumino mesmo.
Falo mal da vida
Não gosto dela
"Refugo e berro
essa vida malvada"
Por que me tiraram
da minha terra?
Eu rumino
Queria ser bicho
Ser currada
que nem égua
Me fizeram gente
Pior, mulher!
Aí eu rumino
de raiva
Pois eu queria mesmo
era ser uma vaca!

Jácy Laranjeira

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O Amanhã


O Amanhã

Rodolfo Pamplona Filho
O Amanhã está a
um sonho de distância...
Eu não quero
simplesmente deitar
e esperar...
... que o amanhã chegue
como o dia que sucede o hoje.
Eu quero mais...
Quero construir o futuro,
sem chorar o presente
ou esquecer o passado...
Ao se perguntar
o que pode vir a ser
- ou o que, de fato, será -
faz-se a pergunta certa,
pois, ao ter esperança,
planejar e edificar,
molda-se o sonho,
e não se é moldado
pela realidade...
O Amanhã está a
um sonho de distância...

Puerto Varas-Chile, 30 de junho de 2012.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Gnossienne nº 1


Gnossienne nº 1 (Rui Pires Cabral)

Eu acreditei que podia amar
o teu corpo, o teu modo de insinuar o coração
nas palavras. Mas era apenas a forma como a noite
sublinhava as superfícies, eu nunca pude atravessar
essa espessura. Estavas ali para te dispores aos meus sentidos
mas crescias fora de alcance no teu próprio
pensamento. Uma distância que só serviria
aos lobos, um mau caminho arrancado às fragas.

Já só conhecia os dias onde tu os frequentavas, o sítio
em que me mantinhas era mais urgente
que o sangue. Sem dúvida que vinhas pelo meu desejo
mas eu perdia sempre alguma coisa
quando te ganhava. Às vezes era só
a minha vontade, outras vezes era toda a frase
do meu nome.