quinta-feira, 25 de junho de 2026

Pretos e pretas também sabem




(Negra Luz)



Pretos e pretas também sabem…


Sabem de sentimento, de dengo.


Sabem de chamego,


Alforriar-se dos próprios medos,


Entregar-se


E viver o amor.




Pretos e pretas também sabem…


Sabem de alegria e de festa.


Sabem de beijo na testa,


Namorar com delicadezas,


Acarinhar-se


E trazer rosas na mão.




As cicatrizes, ainda espessas, sangram


E, para muitos e muitas, é ferida recente!


Fruto de prática perversa...


Retintam o preto e a preta,


Nutrem a idéia de que preto e preta tem couraça,


De que vida de preto e de preta é ciclo sem fim de dor.




Das tintas impostas retiramos tudo,


Pretos e pretas são pretos e pretas 


E nossa pele não é couro.


O que foi chicoteado e sangrado foi o nosso escudo.


Ele é ancestral… Segue.


Os que não sobreviveram se integraram a ele,


Os sobreviventes foram mais fortalecidos,


 E, assim,


Pretos e pretas seguem….


E sabem


Amar!


Amar suas mulheres 


Seus maridos,


Seus filhos e filhas,


Suas famílias,


Seus amigos e amigas...




Talvez seja este o nosso maior ato de resistência:


Pretos e pretas saberem amar.


Saberem sorrir,


Saberem viver com alegria.


Saberem viver o amor.


E sabe por quê?


Na essência,


A nossa alma é alforriada!


Subjugaram, historicamente, os nossos corpos,


Mas, ainda que tenham investido na total desumanização de pretos e pretas,


Não alcançaram integralmente a liberdade


Do nosso coração,


Do nosso pensar,


Do nosso sentir.


E, assim,


Resistimos!


E, assim, a nossa resistência:


Pretos e pretas sabem


AMAR.


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