CORA CORALINA - "Bondade também se aprende"
"Eu não tenho medo
dos anos e não penso em velhice. E digo prá você: não pense. Nunca diga estou
envelhecendo ou estou ficando velha.
Eu não digo.
Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu
digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar
atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da
vida.
O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O
bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga prá você que está
ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que
estou cansada.
Nada de palavra
negativa.
Quanto mais você diz estar ficando
cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e
convence os outros. Então silêncio! Sei que tenho muitos
anos.
Sei que venho do século passado, e que trago
comigo todas as idades, mas não sei se sou velha
não.
Você acha que eu sou? Tenho consciência de ser
autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade,
despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra
vibrante que levanta os fracos e determina os
fortes.
O importante é semear, produzir milhões
de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro
semear otimismo e plantar sementes de paz e
justiça.
Digo o que penso, com esperança. Penso no
que faço com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende."
CORA CORALINA
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
sexta-feira, 17 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Alegria
Alegria
Rodolfo Pamplona Filho
Alegria
é ver a luz do dia
iluminar os seus cabelos
enquanto passo os meus dedos...
Alegria
é olhar a cama vazia,
mas chorar de felicidade
apenas por saudade...
Alegria
é desprezar a alma fria,
pois um mundo de agonia
não me incomodaria...
Alegria
é ter sua companhia,
pois sua presença ilumina
qualquer momento de minha vida.
é ver a luz do dia
iluminar os seus cabelos
enquanto passo os meus dedos...
Alegria
é olhar a cama vazia,
mas chorar de felicidade
apenas por saudade...
Alegria
é desprezar a alma fria,
pois um mundo de agonia
não me incomodaria...
Alegria
é ter sua companhia,
pois sua presença ilumina
qualquer momento de minha vida.
Salvador, 12 de maio
de 2012.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
O estagiário Aurélio
O
estagiário Aurélio
(11.05.12)
Por Rafael Berthold,
advogado (OAB-RS nº 62.120)
O estagiário Aurélio - no primeiro dia de estágio na grande banca de Advocacia - é bem recebido pelos novos colegas e pelo principal advogado da casa. O garoto não se intimida, vai logo dizendo que não tem a pretensão de fazer as vezes de burro de carga e que deseja trabalhar fazendo petições.
O advogado, impressionado com ambição ostentada pelo neófito, o interpela:
– Gosto do seu espírito, meu jovem, mas você já elaborou alguma petição?
Silêncio... Aurélio não sabe o que responder. Apenas agora se dá conta de que não fazia a mais vaga ideia do que se tratava uma petição! Percebendo este fato, o chefe decide auxiliá-lo:
– Pegue o dicionário e leia em voz alta o que significa a palavra ´petição´!
Aurélio acusa o golpe em sua soberba. Cabisbaixo, vai lentamente à estante. Pega o dicionário, e, encontrando o verbete, proclama, com uma voz cheia de insegurança:
– ´Petição: 1.Bras. S. Petiço corpulento´. (1)
O advogado levanta-se da cadeira e toma o dicionário das mãos do estagiário.
– O quê?! Deixe-me ver isso aqui - em seguida abre-se em uma desrespeitosa gargalhada. E atalha em tom de ordem:
- Era pra você ter lido este outro resultado aqui, olha: ´Petição: 1.Ato de pedir. 2.V. rogo. 3.Requerimento´. (2)
Vendo o abatimento do estagiário, o advogado decide oferecer a ele um desafio. O diálogo se acentua:
– Não desanime! Ninguém nasce sabendo. Vou dar a você uma petição pra fazer. Começaremos em grande estilo: ´peça ovo´!
– Peça o quê?! – indaga o estagiário sem nada entender.
– Peça ovo!
– Ok, doutor, mas pra quem eu peço?
– Não, meu jovem. Não é pra você pedir ovo! É pra você elaborar uma peça processual, uma peça ovo, ou seja, uma petição inicial, uma peça inaugural, a famosa peça vestibular! – exclama impaciente.
– Me desculpe, doutor, mas estou farto de vestibulares, passar em um deles não foi fácil – coloca ingenuamente o estudante.
O advogado, agora furioso, contem-se em sua cadeira, aponta em direção a uma enorme pilha de processos.
– Aurélio, pegue esses processos e leve-os já pro foro.
– Mas... e se me perguntarem se eu trabalho com petição, o que eu digo?
– Diga que ´petição´ é justamente o que você é. Se duvidarem, mostre a eles no dicionário!
(11.05.12)
| Charge de Gerson Kauer |
![]() |
Por Rafael Berthold,
advogado (OAB-RS nº 62.120)
O estagiário Aurélio - no primeiro dia de estágio na grande banca de Advocacia - é bem recebido pelos novos colegas e pelo principal advogado da casa. O garoto não se intimida, vai logo dizendo que não tem a pretensão de fazer as vezes de burro de carga e que deseja trabalhar fazendo petições.
O advogado, impressionado com ambição ostentada pelo neófito, o interpela:
– Gosto do seu espírito, meu jovem, mas você já elaborou alguma petição?
Silêncio... Aurélio não sabe o que responder. Apenas agora se dá conta de que não fazia a mais vaga ideia do que se tratava uma petição! Percebendo este fato, o chefe decide auxiliá-lo:
– Pegue o dicionário e leia em voz alta o que significa a palavra ´petição´!
Aurélio acusa o golpe em sua soberba. Cabisbaixo, vai lentamente à estante. Pega o dicionário, e, encontrando o verbete, proclama, com uma voz cheia de insegurança:
– ´Petição: 1.Bras. S. Petiço corpulento´. (1)
O advogado levanta-se da cadeira e toma o dicionário das mãos do estagiário.
– O quê?! Deixe-me ver isso aqui - em seguida abre-se em uma desrespeitosa gargalhada. E atalha em tom de ordem:
- Era pra você ter lido este outro resultado aqui, olha: ´Petição: 1.Ato de pedir. 2.V. rogo. 3.Requerimento´. (2)
Vendo o abatimento do estagiário, o advogado decide oferecer a ele um desafio. O diálogo se acentua:
– Não desanime! Ninguém nasce sabendo. Vou dar a você uma petição pra fazer. Começaremos em grande estilo: ´peça ovo´!
– Peça o quê?! – indaga o estagiário sem nada entender.
– Peça ovo!
– Ok, doutor, mas pra quem eu peço?
– Não, meu jovem. Não é pra você pedir ovo! É pra você elaborar uma peça processual, uma peça ovo, ou seja, uma petição inicial, uma peça inaugural, a famosa peça vestibular! – exclama impaciente.
– Me desculpe, doutor, mas estou farto de vestibulares, passar em um deles não foi fácil – coloca ingenuamente o estudante.
O advogado, agora furioso, contem-se em sua cadeira, aponta em direção a uma enorme pilha de processos.
– Aurélio, pegue esses processos e leve-os já pro foro.
– Mas... e se me perguntarem se eu trabalho com petição, o que eu digo?
– Diga que ´petição´ é justamente o que você é. Se duvidarem, mostre a eles no dicionário!
.............
(1) Novo Dicionário Aurélio 3ª Ed.
(2) Idem.
(1) Novo Dicionário Aurélio 3ª Ed.
(2) Idem.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Gestão de Pessoas
Gestão
de Pessoas
Rodolfo Pamplona Filho
Nós não estamos
onde está o nosso corpo,
mas, sim, onde está a nossa alma...
Não controlamos almas,
mas, sim, lideramos almas...
Liderar é juntar o corpo e a alma!
Crise não é problema!
Crise é oportunidade
de rever conceitos
e de buscar novas formas
de fazer aquilo
que realmente se quer fazer.
Gestão de pessoas
não é dar ordens
ou cobrar resultados...
É inspirar comportamentos,
não pela palavra que ensina,
mas pelo exemplo que arrasta...
onde está o nosso corpo,
mas, sim, onde está a nossa alma...
Não controlamos almas,
mas, sim, lideramos almas...
Liderar é juntar o corpo e a alma!
Crise não é problema!
Crise é oportunidade
de rever conceitos
e de buscar novas formas
de fazer aquilo
que realmente se quer fazer.
Gestão de pessoas
não é dar ordens
ou cobrar resultados...
É inspirar comportamentos,
não pela palavra que ensina,
mas pelo exemplo que arrasta...
Salvador, 12 de maio
de 2012.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Dez chamamentos ao amigo
Dez chamamentos ao amigo
Hilda Hist
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
Hilda Hist
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
domingo, 12 de maio de 2013
TPM
TPM
Rodolfo Pamplona Filho
Tensão Pré-Menstrual
Tô Puta Mesmo!
Tendência Predestinada à Matar...
Tira as Patas, Maldito!
Temporada Proibida para Machos
Todos os Problemas Misturados
Tesa e Preparada para Morder...
Tendências a Pontapés e Murros
Tentativa no Próximo Mês
Toda Paixão Machuca
Tocou, Perguntou, Morreu
Totalmente Pirada ou Maluca
Tenho de Parar e Meditar
Tentação de Pensamentos Mortais
Tempo de Pensar em Mudar...
TPM: Tente Perdoar Mais...
Tô Puta Mesmo!
Tendência Predestinada à Matar...
Tira as Patas, Maldito!
Temporada Proibida para Machos
Todos os Problemas Misturados
Tesa e Preparada para Morder...
Tendências a Pontapés e Murros
Tentativa no Próximo Mês
Toda Paixão Machuca
Tocou, Perguntou, Morreu
Totalmente Pirada ou Maluca
Tenho de Parar e Meditar
Tentação de Pensamentos Mortais
Tempo de Pensar em Mudar...
TPM: Tente Perdoar Mais...
João Pessoa, 04 de maio
de 2012.
sábado, 11 de maio de 2013
MUDE
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=KlP9XpjVsas
http://veja.abril.com.br/090703/p_103.html
MUDE
Edson Marques
Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda!
Repita por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!!!!
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda!
Repita por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!!!!
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Eu não quero me despedir!
Eu não quero me despedir!
Rodolfo Pamplona Filho
Eu não quero me despedir!
Isso, eu tenho certeza!
Todo o resto é mera possibilidade,
pois a sua ausência
é a prova inequívoca
de que o hoje ficou triste...
Eu não quero me despedir!
Sem você,
meu mundo perde a poesia,
minha vida é menos canção
e a felicidade vai embora
quando você sai...
Eu não quero me despedir!
O sono, a fome e o cansaço
jamais irão impedir
que eu viva para te sentir,
pois tudo que eu quero
é ter você aqui.
Isso, eu tenho certeza!
Todo o resto é mera possibilidade,
pois a sua ausência
é a prova inequívoca
de que o hoje ficou triste...
Eu não quero me despedir!
Sem você,
meu mundo perde a poesia,
minha vida é menos canção
e a felicidade vai embora
quando você sai...
Eu não quero me despedir!
O sono, a fome e o cansaço
jamais irão impedir
que eu viva para te sentir,
pois tudo que eu quero
é ter você aqui.
João Pessoa, 02 de maio de 2012.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Deixe a Raiva Secar...
Deixe a Raiva Secar...

Mariana ficou
toda feliz porque ganhou de presente um joguinho de chá todo
colorido.

No
dia seguinte, Júlia sua amiguinha veio bem cedo convidá-la para
brincar.

Mariana não
podia, pois iria sair com sua mãe naquela manhã. Júlia então,
pediu a coleguinha que emprestasse o seu conjuntinho de chá para que ela pudesse
brincar sozinha na garagem do prédio.

Mariana não
queria emprestar, mas, com a insistência da amiga resolveu ceder, fazendo
questão de demonstrar todo o seu ciúme por aquele brinquedo tão especial. Ao
regressar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu conjuntinho de chá
jogado no chão.

Faltavam
algumas xícaras e a bandejinha estava toda quebrada. Chorando e muito nervosa,
Mariana desabafou: "Está vendo,
mamãe, o que a Júlia fez comigo? Emprestei o meu brinquedo e ela estragou tudo e
ainda deixou jogado no chão. Totalmente
descontrolada, Mariana queria ir ao apartamento de Júlia para pedir
explicações.

Mas a mãe,
com muito carinho ponderou: "Filha,
lembra daquele dia quando você saiu com seu vestido novo branco e um carro
passando jogou lama em você? Ao chegar em casa você queria lavar imediatamente
aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Lembra o que
a vovó falou? Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro que depois
ficava mais fácil limpar.

Pois é, minha filha com a raiva é a mesma coisa. Deixa a raiva secar
primeiro.Depois fica
bem mais fácil resolver tudo. Mariana não entendeu muito bem, mas seguiu o
conselho da mãe e foi para a sala ver televisão. Logo depois alguém tocou a
campainha. Era Júlia,
toda sem graça com um embrulho na mão.. Sem que houvesse tempo para qualquer
pergunta, ela foi falando: "Mariana,
sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio
querendo brincar comigo e eu não deixei.

Aí ele ficou
bravo e estragou o brinquedo que você tinha me emprestado. Quando eu contei para
a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo
comprar outro brinquedo igualzinho para você. Espero que
você não fique com raiva de mim. Não foi minha culpa". "Não tem
problema, disse Mariana, minha raiva já secou".

E
dando um forte abraço em sua amiga, tomou-a pela mão e levou-a para o quarto
para contar a história do vestido novo que havia sujado de barro. Nunca tome
qualquer atitude com raiva. A raiva nos cega e impede que vejamos as coisas como
elas realmente são. Assim você evitará cometer injustiças e ganhará o respeito
dos demais pela sua posição ponderada e correta diante de uma situação
difícil.
Lembre-se
sempre: Deixe a raiva secar!!!
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Consciência
Consciência
Rodolfo Pamplona Filho
O casamento por amor
do sentimento
com o pensamento
gera um lindo rebento
chamado consciência...
do sentimento
com o pensamento
gera um lindo rebento
chamado consciência...
João Pessoa, 02 de maio
de 2012.
terça-feira, 7 de maio de 2013
7 artistas com fãs mais chatos do que os do Restart
5 Votos
Por Fábio Gerônimo
Desde que a pobre Georgia chorou desesperada pelo cancelamento do show de seu amado Restart que a banda dos meninos coloridos tem sido alvo de zoação constante. Mas eles não são os únicos a terem uma trupe de fãs insuportáveis. Na verdade, perto dos fãs de certos artistas, a pobre Georgia e seus amiguinhos tão longe de ser uma “puta falta de sacanagem”. E isso independe se o artista é bom ou ruim. Aliás, por vezes, esse fã é tão, mas tão chato, que o artista acaba ficando mais chato do que realmente é. Por isso, o Puxa Cachorra! listou os 7 artistas com fãs mais chatos que os fãs de Restart. E preparem-se: essa listagem não pretende ser agradável.
Ah, antes que você pergunte: 1. Não há nenhum fã de sertanejos universitários porque é impossível ser fã de algo cujo sucesso dura no máximo um ou dois meses; 2. Teatro Mágico não é banda, o que eles fazem não é música, logo não consideramos os fãs deles.
#7 Heavy metal
O artista: Difícil encaixar apenas uma banda na lista, porque dentro da miríade de estilos e subgêneros do heavy metal, sempre vai haver aquela trupe de gente chata a idolatrar seus deuses do metal. Então ao invés de selecionar um, vamos falar de todo o gênero.
O fã: O codinome mais usado para ele é headbanger, mas nós utilizaremos especificamente o termo técnico Tr00.
Porque os fãs são chatos: Existem dois tipos de fãs: aqueles que compram tudo do artista, que colecionam itens relacionados a ele, que vão em todos os shows, mas tem noção de que os seus ídolos são seres humanos como ele; e aqueles que encaram seu ídolo como uma divindade encarnada, que deve ser adorada, defendida e divulgada como se a paz na terra dependesse disso. Os tr00s de heavy metal são do último tipo.
Além de serem fanáticos, os tr00s não aceitam gostar – nem que ninguém goste – de outros estilos. Muitas vezes, esses fãs nem aceitam a existência de outros artistas senão os que eles admiram. Aliás, eles em geral se acham superiores aos outros seres humanos por serem fãs de metal, um estilo musical mais importante pro mundo que qualquer coisa feita por Mozart ou Beethoven. Tr00s acham que mais importante que o sucesso é seu ídolo ser capaz de tocar 378 notas por segundo na guitarra e cantar horas sem parar em notas mais agudas que o choro de um pinscher. Mas, o mais importante: sem perder a chapinha (metaleiro em chapinha não é metaleiro de verdade, né?). Isso vindo de pessoas que gostam de se vestir como um panda sadomasoquista ou como uma fada nórdica com anemia. Acho que não precisa dizer mais, né?
#6 Cantoras de MPB
O artista: Todos nós sabemos quem são: uma série de moças de cabelos curtos e voz grave que querem ser a nova Clara Nunes, Elis Regina ou Cássia Eller.
O fã: Pode variar muito, mas geralmente se situa entre o hipster, o universitário cult (ser que vai se repetir muito nessa lista) e o Zeca Camargo.
Porque os fãs são chatos: Essas cantoras genéricas de MPB não são melhores que qualquer amiga sua um pouquinho afinada que canta em churrascaria acompanhada de um tio e seu teclado Casio. Mas, para a massa que as venera, elas são o supra-sumo da mpb indie cult shimbalaiê alternativa (obrigado, Desciclopédia). E como membros dessa trupe, mesmo cantando em novelas, no programa da Xuxa, no Raul Gil e etc. elas ainda são consideradas melhores que, sei lá, o Michel Teló! Por algum motivo ainda não explicável, os fãs dessas cantoras vêem a Mallu Magalhães como algo muito diferente da Paula Fernandes, apenas porque a primeira não tem sex appeal (exceto pra barbudos pedófilos, claro). Esses fãs não aceitam críticas, acham as tais cantoras as salvadoras da música brasileira e são incapazes de enxergar que todas possuem a mesma habilidade na composição de músicas que seu avô com Alzheimer tem com jogo de botão. Por algum motivo (talvez a calça saruel), essas pessoas preferem as onomatopéias compostas pela Maria Gadú às compostas pela Kelly Key, como se houvesse alguma diferença. Conseguem admirar uma música chamada Tchubaruba e execrar o Tchubirabiron! O que nos leva a uma triste conclusão: se há três pessoas que nunca deveriam ter morrido, são Clara Nunes, Elis Regina e Cássia Eller.
#5 Bandinhas indie
O artista: Tem mais do que nós gostaríamos, mas praticamente todos são idênticos aos Strokes.
O fã: Há dois tipos básicos de fãs indie: aqueles hipsters cujo vestuário (cabelo despenteado, cachecol, óculos de aro grosso e all-star) é a melhor maneira de identificá-los… e o Zeca Camargo.
Porque os fãs são chatos: Um dia, inventaram que o rock precisava ser salvo. O mais estranho, é que o Bruce Springsteen e o Bob Dylan continuam vivos, que eu saiba, o Paul McCartney continua lançando álbuns e, mesmo morto, o Elvis vende mais que nunca. Mas, alguém decidiu que o rock precisava ser salvo – sei lá, da Britney Spears, talvez – e elegeram como salvadores uma bandinha inglesa que só lançou um álbum bom. Quem dera os Strokes tivessem parado nesse álbum, ou que ninguém decidisse que aquela era a única maneira de salvar o rock e decidissem copiar infinitamente o Is this it.
As bandinhas indies então surgem e morrem mais rápido que axé de sucesso do carnaval baiano (Na verdade, contabilizando, a Claudia Leitte já tem muito mais tempo de sucesso que o Cachorro Grande – se é que eles tiveram algum). E de Artic Monkeys a Vanguart, o que vc ouve são só várias maneiras diferentes de copiar os Strokes: uma pior que a outra.
Mas, o que mais irrita, é que esse é um dos únicos tipos de fã que não quer o sucesso do seu artista! Ele quer continuar frequentando o circuito Sesc e só dá atenção aquelas bandinhas que a “grande mídia” ignora. Por algum motivo, a sua banda ser boa não é mais importante que ela ser restrita àquela meia dúzia de estudantes da FAAP que você chama de amigos.
E desculpe, mas por mais que aquele bando de hipsters que você chama de banda pareçam ser a banda mais bonita da cidade, sem dúvida, ela não é mais bonita que o Axé Blond… nem melhor.
#4 Legião Urbana
O artista: Nome fundamental da cena rock dos anos 80 (talvez uma das únicas bandas que realmente tinha talento dentre as que fizeram sucesso), ficou marcada pela morte precoce de seu vocalista, mentor, compositor e único músico competente, Renato Russo. A bem da verdade, o Legião Urbana era a plataforma musical para a inegável habilidade do Renato na composição de letras. E, no fim, o Legião Urbana se resume a isso, ao Renato Russo (ou você já viu alguém com uma camiseta só do Dado Villa Lobos por aí?).
O fã: No início, era o adolescente playboy que viveu os anos 80 intensamente e se identificava com as letras de Renato. Depois, qualquer adolescente que soubesse de cor Eduardo e Mônica.
Porque os fãs são chatos: De qualquer forma, como vários artistas, o Legião cresceu absurdamente em popularidade depois da morte de seu líder, que foi alçado ao posto de líder de uma geração, ainda mais que a banda acabou depois de sua morte (viu como se faz, Frejat?). E, dessa forma, as pessoas que eram adolescentes ou crianças na época do sucesso da banda se tornaram apenas fãs órfãos. Já as gerações seguintes viraram fanáticas, a ponto de Legião Urbana tocar ainda mais em rádio depois que o Renato morreu que antes. E tocou até encher o saco!
Eu tenho certeza que, como bem disse a companheira Silvana Schnauzer, o povo que usava camisetas da banda e bandana na cabeça hoje se envergonha e entende o quão importante o Legião foi na sua ADOLESCÊNCIA. Porque, sinceramente, achar que Pais e Filhos foi composta pra você quando você já tem mais de 20 anos é atestado de síndrome de Peter Pan, né? A única geração que o Legião realmente retrata são os adolescentes, especificamente os adolescentes dos anos 80 que eram playboys e moravam na cidade grande.
Agora, vai falar mal do Legião Urbana pra você ver o que acontece! Até um moleque que nasceu depois da morte do Renato e usa sandália croc e boné de crochê vai dizer que você é incapaz de entender a poesia do Renato. Sério mesmo? Se até moleques de 13 anos entendem, o que há pra se entender ali além de “sou um playboy desajustado e emo”?
Por favor adolescentes e adultos com síndrome de Peter Pan: deixem o Renato descansar em paz.
#3 Engenheiros do Hawaii
O artista: Humberto Gessinger e uns três a quatro surfistas que souberem tocar três acordes.
O fã: Uma série de pessoas enganadas pela retórica do Betinho, que fez gerações acreditarem que um surfista genérico pode ser um poeta só porque compõe letras sem sentido algum.
Porque os fãs são chatos: A antropologia, a psicologia, a física quântica… todos os pesquisadores deveriam se juntar e tentar compreender o que leva pessoas inteligentes a acreditarem que o Betinho é um poeta. Não estou falando de gente que não sabe a diferença entre NXZero e Ramones, mas de pessoas com nível universitário, com mais de 30 anos e leitoras, sei lá, de Baudelaire e Fernando Pessoa. Não dá pra saber se é pela ausência de bons poetas na nossa contemporaneidade (por que você acha que os estudos de poesia no colegial param no Drummond?) ou se as pessoas realmente não sabem a diferença entre um bom poeta e um bom criador de jograis.
De qualquer forma, institui-se que para se entender o Betinho, você tem que ser inteligente, e quem não gosta de Engenheiros, logo, é uma porta que não entende poesia. E como uma porta que não entende poesia, pra você a letra de Infinita Highway é um enigma tão grande quanto o inglês do Ozzy para um nativo. E por isso você, ignóbil, não merece respeito. O fã de Engenheiros não apenas te despreza porque você é burro, mas ele acha que o Betinho é o melhor poeta que o mundo já produziu. Mesmo ele não sendo ninguém mais habilidoso que um cara que faz a piada do pavê. Aliás, nem sei como ele nunca usou a piada do pavê numa música.
E lembrem-se sempre: em qualquer situação, qualquer pessoa que aceita dividir o palco por vontade própria com o Paulo Ricardo é alguém de quem se deve suspeitar.
#2 Los Hermanos
O artista: Uma boa banda de universitários barbudos cariocas que fizeram um sucesso estrondoso com uma música chamada Anna Júlia e, desde então, fogem dessa canção como o diabo foge da cruz. Por fim, como qualquer espertalhão da MPB, passaram a copiar Caetano e Chico Buarque.
O fã: É universitário, usa barba e cabelos compridos e despenteados, gosta de circo, sombra de árvore, usa chinelo em balada, veste-se sempre com roupas feitas de saco ou remendos de pano velho, e, apesar disso tudo, tem mais dinheiro que os playboys que compram abadá por R$200,00. E é chato, muito chato.
Porque os fãs são chatos: O Los Hermanos não é uma banda, assim, muito ruim. Na verdade, eles entrariam no item 5 dessa lista, principalmente depois que desistiram de fazer sucesso, mas são bem melhores que quase qualquer integrante do seleto grupo indie. E, além disso, nunca nenhuma banda indie fez tanto sucesso quanto eles fizeram com Anna Júlia. E, no fim das contas, quando a brincadeira já tinha enchido o saco, eles tiveram uma atitude nobre e acabaram com a banda. Até aí, não haveria motivo para eles estarem nessa lista.
Mas eles tem fãs. E não são quaisquer fãs: são fãs tão chatos, mas tão chatos, que conseguiram cometer um dos crimes mais hediondos da história recente da humanidade: trouxeram o Los Hermanos de volta! E nisso eles superam todos os anteriores da lista, porque nem com reza braba os fãs de Legião vão ressuscitar o Renato (e se conseguissem, seria na verdade uma bênção). Os fãs de Los Hermanos são os únicos que, com o declínio do sucesso da banda e sua iminente crise se tornaram mais fãs, a ponto de querer que uma banda morta e enterrada volte à vida. E quando se pensa que essa galera em geral faz parte de universidades de renome, entende-se porque nossa educação tá indo pro buraco.
Aprendam pessoas: se tudo que tem relação com o ambiente ‘universitário’ é bom, Fernando e Sorocaba também são. Sem mais.
#1 Chico Buarque
O artista: Baluarte da MPB é pouco pra falar do Chico Buarque: um cara bonito, que sabe falar o que as mulheres querem ouvir e há uns 40 anos vende qualquer coisa que tiver seu nome junto. Ou seja, tudo que nenhum de nós vai conseguir ser na vida.
O fã: Segundo a Constituição, qualquer ser humano nascido no Brasil é obrigatoriamente fã de Chico Buarque.
Porque os fãs são chatos: Você está numa excursão com a galera da faculdade pra praia e não vê a hora do luau e consequente suruba na praia. De repente, no ônibus, a rádio perde o sinal por causa do trecho de serra anterior à praia e alguém decide por uma música pra animar a galera. Daí aquela linda moça que você está louco pra pegar desde a viagem anterior, quando você teve diarreia e não pode participar do luau/suruba, decide por algo pra “animar” a galera. Ela põe Chico Buarque e começa a tocar Atrás da porta. Todos se deprimem. Ela olha pra você e, para fazê-lo perder de vez o encanto, diz a frase clássica: o Chico é mesmo um gênio, né?
Virou consenso que o Chico Buarque é o cara mais foda do universo e que todo mundo que nasce no Brasil é obrigado a gostar dele. Aliás, não apenas gostar da música, mas do teatro, dos romances, dos filmes baseados nos romances… e saber cantar de cor Construção, Luiza, Ópera do Malandro. E, aliás, saber como o poeta (ele não é apenas músico, ele é POETA) compôs cada uma de suas músicas… e não se contesta: Chico Buarque é um gênio.
Eu tenho certeza que há dois motivos pelo qual o Chico Buarque não lança discos todo ano: um é que ele não é o Caetano Veloso, ele só o tolera. O segundo é que ele sabe o que acontece quando se lançam discos dele: vão atrapalhar seu futebolzinho na praia, pedindo autógrafos; vão fazer reportagens sobre sua carreira todos os dias; todos os artistas mais dispensáveis do Brasil vão estar na primeira fila do show; todos os “ícones” da MPB vão querer tocar com ele (como aquele amigo chato que você não suporta, que faz questão de te abraçar bêbado e dizer que te ama só pra você pagar a conta)… enfim: o Chico Buarque deve ser o cara que mais sofre com seus próprios fãs!
Eu tenho certeza que o Chico Buarque não gosta de ser acordado às 8 da manhã pelo pessoal do sindicato tocando Roda Viva ou Deus lhe pague no carro de som. Tenho certeza que ele não se importa em saber que o nível de umidade relativa do ar aumenta quando ele aparece num ambiente lotado de mulheres. Na verdade, se não fossem seus fãs, o Chico ia ser só um cara legal que joga um futebolzinho na praia de vez em quando, vai pra casa, toma uma breja enquanto vê o Fluminense jogar.
A conclusão: fã é sempre chato, mas o fã do Chico nem o Chico aguenta.
Fábio Gerônimo curte games, grego e música (e odeia abelhas), não necessariamente nessa ordem. É Ateu cético, fanático por fórmula 1 e São-Paulino. Nasceu na capital São Paulo, mas se considera um Itapetiningano de coração. É dono do blog Muralhas de Tróia.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Caos Colorido
Caos Colorido
Rodolfo Pamplona Filho
Eu não quero mais
vestir somente um traje a rigor
Eu não suporto mais
o preto e branco da formalidade.
Já superei há muito a ilusão
de querer encarar tudo com pudor
Já descobri que sensibilidade
não exige mudança de idade...
Não nego a importância
de ter ordem em meu dia-a-dia,
mas viver também o caos
é fundamental para não ser vazia...
E eu quero um caos colorido,
que abale, de forma sorridente,
muito ou tudo que eu achava
que era sólido ou indiferente,
e que mostre que a emoção
é tão importante quanto a razão
e que rir na confusão
também é uma forma de convicção.
vestir somente um traje a rigor
Eu não suporto mais
o preto e branco da formalidade.
Já superei há muito a ilusão
de querer encarar tudo com pudor
Já descobri que sensibilidade
não exige mudança de idade...
Não nego a importância
de ter ordem em meu dia-a-dia,
mas viver também o caos
é fundamental para não ser vazia...
E eu quero um caos colorido,
que abale, de forma sorridente,
muito ou tudo que eu achava
que era sólido ou indiferente,
e que mostre que a emoção
é tão importante quanto a razão
e que rir na confusão
também é uma forma de convicção.
João Pessoa, 01 de maio de 2012.
domingo, 5 de maio de 2013
POR QUE OS HOMENS RARAMENTE ESTÃO DEPRIMIDOS...
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sábado, 4 de maio de 2013
Ignorantes e Sábios
Ignorantes e Sábios
Rodolfo Pamplona Filho
O ignorante não duvida,
pois ignora que desconhece,
uma vez que seu universo inteiro
cabe nos limites de seu olhar.
Já o Sábio sempre duvida,
pois conhece o que discute,
uma vez que aprendeu a aprender
que não há limite para o pensar.
E os dois convivem diariamente,
muitas vezes em um paradoxo
do ignorante achar o sábio limitado
e este considerar o outro fascinante.
Porém, nesta estranha situação,
não se achará qualquer contradição,
pois cada um mede o outro
pelas réguas que a vida lhe deu...
Independente de toda a glória,
com quem se identifica você?
O ignorante governa a memória
e o sábio tende a obedecer,
já que a tal da meritocracia
é um mero discurso de retórica,
tal qual a sonhada democracia
e toda conquista histórica
que elege tanto grandes mentes,
quanto profundos imbecis,
só nos restando torcer pacientes
por escolhas menos vis...
pois ignora que desconhece,
uma vez que seu universo inteiro
cabe nos limites de seu olhar.
Já o Sábio sempre duvida,
pois conhece o que discute,
uma vez que aprendeu a aprender
que não há limite para o pensar.
E os dois convivem diariamente,
muitas vezes em um paradoxo
do ignorante achar o sábio limitado
e este considerar o outro fascinante.
Porém, nesta estranha situação,
não se achará qualquer contradição,
pois cada um mede o outro
pelas réguas que a vida lhe deu...
Independente de toda a glória,
com quem se identifica você?
O ignorante governa a memória
e o sábio tende a obedecer,
já que a tal da meritocracia
é um mero discurso de retórica,
tal qual a sonhada democracia
e toda conquista histórica
que elege tanto grandes mentes,
quanto profundos imbecis,
só nos restando torcer pacientes
por escolhas menos vis...
São Paulo, 08 de abril de 2012.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
O estranho
O estranho
Desconheço o autor...
Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade.
Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador personagem, e em seguida o convidou a viver com nossa família.
O estranho aceitou e desde então tem estado conosco.
Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.
Meus pais eram instrutores complementares:
Minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer.
Mas o estranho era nosso narrador.
Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.
Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.
Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!
Levou minha família ao primeiro jogo de futebol.
Fazia-me rir, e me fazia chorar.
O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.
Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez, para que o estranho fosse embora).
Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las.
As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa…
Nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse.
Entretanto, nosso visitante de longo prazo, usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar.
Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente.
Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos.
Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.
Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pelo estranho.
Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar.
Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era ao principio.
Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda o encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia...
Seu nome?
Nós o chamamos Televisor...
Nota:
Pede-se que este artigo seja lido em cada lar.
Agora tem uma esposa que se chama Computador
e um filho que se chama Celular!
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Auto-Estima Elevada
Auto-Estima Elevada
Rodolfo Pamplona Filho
Há gente que, se não fosse triste,
soaria muito engraçada...
É uma turma com o dedo em riste
e a Auto-Estima Elevada
Definitivamente não importa
o quão ridículo ou estranho
ou quanto sua mente seja torta,
para eles, o mundo é de seu tamanho
Têm necessidade de aparecer
e de imaginar que sua opinião
é a mais importante direção
que o mundo pode obter...
E não adianta discordar,
nem sequer ponderar,
pois a sua convicção
é de que terá sempre a solução!
Para sobreviver à convivência
de quem tem o ego inflado,
só exercitando muito a paciência
e a caridade ao quadrado,
já que eles não sabem calar
e não conseguem sequer desconfiar
que, em vez de interesse aceso,
apenas conquistam nosso desprezo.
soaria muito engraçada...
É uma turma com o dedo em riste
e a Auto-Estima Elevada
Definitivamente não importa
o quão ridículo ou estranho
ou quanto sua mente seja torta,
para eles, o mundo é de seu tamanho
Têm necessidade de aparecer
e de imaginar que sua opinião
é a mais importante direção
que o mundo pode obter...
E não adianta discordar,
nem sequer ponderar,
pois a sua convicção
é de que terá sempre a solução!
Para sobreviver à convivência
de quem tem o ego inflado,
só exercitando muito a paciência
e a caridade ao quadrado,
já que eles não sabem calar
e não conseguem sequer desconfiar
que, em vez de interesse aceso,
apenas conquistam nosso desprezo.
São Paulo, 08 de abril de 2012.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Uma verdade inconveniente: o trabalho nasceu da tortura
Uma verdade inconveniente: o trabalho nasceu da tortura
Terminadas as férias do colunista, parece apropriado retomar essa conversa metalinguística – em que palavras são empregadas para falar de… palavras – a partir da significativa história do termo trabalho.
Durante muito tempo, os etimologistas tiveram alguma dificuldade para admitir o óbvio, refugiando-se em hipóteses obscuras que envolviam outras matrizes latinas e até vocábulos do gaélico (!) e do címbrico (!!). A verdade pouco palatável é que, como o francês travail, o espanholtrabajo e o italiano travaglio (este, o que mais conserva o tom sombrio do termo original, deixando para lavoro os significados mais amenos), trabalho é um descendente direto da palavra latinatripalium.
E o que era o tripalium? Um instrumento composto, como o nome indica, de três paus, mais precisamente três estacas que, fincadas no chão para desenhar os vértices de um triângulo, se encontravam no alto. A essa estrutura se prendiam pessoas para serem martirizadas.
Isso mesmo: por mais que tal ideia revolte uma sensibilidade moderna, o antepassado daquele que “enobrece e dignifica o homem” era um instrumento de tortura. A punição e o suplício estão intimamente ligados ao trabalho.
Quando o verbo trabalhar desembarcou primeiro numa língua românica – no francês do século 12 – as ideias que expressava eram duas: submeter a padecimentos físicos ou morais e sofrer terrivelmente (vem daí a expressão “trabalho de parto”).
Já estavam lá, portanto, as duas linhas de força, a ativa e a passiva, que teriam papéis complementares na evolução semântica da palavra. Trabalhar era padecer, extenuar-se, acabar-se na labuta, como faziam escravos e condenados. Era também exercer uma ação – modificadora e, por metáfora, torturante – sobre a terra, os alimentos, os animais.
Para que fossem surgindo gradualmente as acepções modernas, positivas e relativamente indolores ligadas ao exercício de uma profissão, porém, seria preciso esperar alguns séculos. Data de 1600, segundo o Trésor de la Langue Française, o primeiro registro de travail como “atividade profissional cotidiana necessária à subsistência”.
Não por acaso, a evolução semântica do trabalho caminhou paralelamente à ascensão da visão de mundo burguesa, que o valoriza, e ao declínio dos modelos econômicos baseados na escravidão e na servidão.
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