Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
quarta-feira, 10 de julho de 2019
O que me faz voar
Negra Luz
Sorrisos... de crianças em especial
A onda do mar quebrando no litoral
Respingos surpreendem sobre mim
Não há outro caminho: sorrir.
Aplausos... de um só, antes da hora
Quando todos esperavam o sinal
E agora? O eco ouvido quase "infernal"
Expulsava em mim riso com astral
Olhares... Revelando por mim desejos
Mas a Lua não é de queijo
E eu viajando no meu mental
Correspondo com riso normal: Monalisa pareço igual
Abraços... Que não prendem, nem são correntes
Revelam paixão por mim: "caliente",
Não me queimam,
Mas sei: estão ali
E se junto todos esses atos
É que não sou de ignorar os fatos
E planando um sorriso na versão exposta
Reverencio tudo que de ti senti
Negra Luz
No meu tempo
Ensina-me, Tempo
Porque "Tempo é tempo"
Há tempo de plantar e de colher
E pode parar?
Não. "Não para não, não para."
Pois "Quem não deixa passar, não passa!"
Ficar nessa passagem parada?
No tempo da minha avó?
O passado já é Pretérito
Tempo Presente é o viver junto ou só
Modernos são os novos tempos
Bicudos para mim e você
O tempo é menos que fumaça:
Líquido: Bauman filosifou
Não perder-se no tempo ou o tempo
É gramática ou sintática
Que só no devido tempo
Em mim equacionou.
terça-feira, 9 de julho de 2019
Desejo morrer
Desejo morrer
por não poder
fazer mais do que
fiz para você,
na ilusão de que controlaria
onde o Sol um dia se poria.
Desejo morrer
por não conseguir
fazer você afinal sorrir
depois de uma vida
de luta, dor e lamento
como se sua sina fosse o sofrimento.
Desejo morrer
por não consumar o
tudo que sonhei realizar,
sentindo-me preso
a uma vida sem sabor
onde nunca terei o fogo do amor.
Salvador, 16 de junho de 2018.
segunda-feira, 8 de julho de 2019
JOHN LOCKE
Jorge da Rosa
Direito de legalidade
Liberdade de expressão
Direito de propriedade
E sua regulação
Com limitação
O pacto social
É uma forma de regulação
Da sociedade em geral
A sociedade e sua organização
Das leis depende
É forma de manifestação
Locke assim entende
Por nossos representantes
As leis são criadas
No legislativo atuantes
Deputados e deputadas.
domingo, 7 de julho de 2019
Amor é (quase) tudo
Rodolfo Pamplona Filho
Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser impactante?
Talvez um pouco de cuidado
Talvez um carinho inesperado
Talvez uma torcida explícita
Talvez uma entrega sem retorno
Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser incessante?
Talvez uma dose de mistério
Talvez um suspiro no espelho
Talvez um choro em desabafo
Talvez um frio na barriga no encontro
Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser acachapante?
Talvez um bilhete inesperado
Talvez uma surpresa no acordar
Talvez dormir agarrado
Talvez nunca parar de sonhar
Salvador, 27 de outubro de 2018.
sábado, 6 de julho de 2019
Imparcial
Jorge da Rosa
Amor verdadeiro
verdade jurídica
doar-se por inteiro
não importando-se com a crítica
Verdade dói
às vezes custa
também constrói
decisão mais justa
Justiça feita
linda verdade
o juiz que interpreta
julga com imparcialidade
A mais bela sentença
é acompanhada pela verdade
para o réu a esperança
é viver em liberdade
A verdade deve acompanhar
nós seres humanos
não podemos é acabar
com uma vida cheia de planos.
sexta-feira, 5 de julho de 2019
Concurso
Rodolfo Pamplona Filho
Chance, oportunidade,
um sonho concreto...
Mistura de vontade,
luta diária e projeto.
Submeter-se a uma prova
é fazer uma aposta de vida:
esperança que se renova,
na busca de nova guarida...
Depósito do futuro
e das apreensões,
expectativas geradas
em novas canções...
A incerteza do sucesso
gera, em verdade, um novo curso
da construção do seu próprio universo:
tudo por causa de um concurso...
Salvador, 21 de maio de 2011.
quinta-feira, 4 de julho de 2019
O Cão Sem Plumas
João Cabral de Melo Neto
A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.
quarta-feira, 3 de julho de 2019
Viagem no Tempo
Rodolfo Pamplona Filho
O sol já foi embora,
mas ainda dá para ver...
Olhamos para o horizonte,
vendo o passado,
em um instante levado
além dos seus limites
Viajar no tempo
não é ir ao futuro
ou voltar ao passado,
mas, sim, ter mais tempo
para estar no presente
e apreciar a beleza
que fatalmente desaparecerá.
Salvador, 14 de outubro de 2018.
terça-feira, 2 de julho de 2019
A Flor e a Náusea
Carlos Drummond de Andrade
Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
segunda-feira, 1 de julho de 2019
Poliamorismo
Rodolfo Pamplona Filho
Por que não se pode
amar mais de uma pessoa
ao mesmo tempo?
Por que o ato de amar
exige uma exclusividade artificial,
como se o coração pudesse
ser controlado como
um bicho de estimação?
Para alguém ser completo,
é possível que haja mais de uma peça
para formar um todo,
que não é um quebra-cabeça,
mas, sim, um complexo prisma,
cujas faces são complementares,
não havendo verdade ou mentira,
pois tudo dependerá do ângulo que se mira...
Eu quero amar você eternamente,
mas não quero deixar de amar ninguém...
Eu quero ficar com você o resto da vida,
mas isso não significa viver só a dois...
Meu amor não é uma cabine simples,
com apenas dois lugares:
é um mar com vários ecossistemas,
uma galáxia com diversas estrelas...
Eu não quero a clandestinidade
de viver um amor marginal...
Quero uma relação de maturidade
em que haja entrega total,
sem a ilusão da única cara metade,
vivendo o múltiplo afeto da vida real.
San Francisco, 28 de setembro de 2010.
domingo, 30 de junho de 2019
O teu riso
Pablo Neruda
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
sábado, 29 de junho de 2019
Sobre o Medo da Morte
Rodolfo Pamplona Filho
O único jeito de aceitar a realidade
é parando de lutar.
Em vez de espantar o medo,
a solução é convidá-lo a andar ao lado... como parceiro, não inimigo.
A flor de lótus não cresce longe da lama
e não se vive sem dor.
Por isso, o jeito é aceitar o todo,
com seus lados bons e ruins,
amor e compaixão.
Não é possível se livrar do medo da morte, mas se pode aprender a conviver com ele.
Salvador, 29 de julho de 2018.
sexta-feira, 28 de junho de 2019
Chama e Fumo
Manuel Bandeira
Amor – chama, e, depois, fumaça…
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa…
Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor – chama, e, depois, fumaça…
Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimando o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa…
Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor – chama, e, depois, fumaça…
A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa…
Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linha a arder!
Amor – chama, e, depois, fumaça…
Porquanto, mal se satisfaça
(Como te poderei dizer?…),
O fumo vem, a chama passa…
A chama queima. O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas… tem de ser…
Amor?… – chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa…
Teresópolis, 1911
quinta-feira, 27 de junho de 2019
Será possível um final feliz?
Rodolfo Pamplona Filho
Um dia descobri que
homens perfeitos existem!
Eu, que já havia desistido de procurar,
fui surpreendida pela vida...
Ele sempre esteve tão perto,
mas era tão distante...
No dia que desisti,
ele apareceu como nunca
havia se mostrado antes...
Percebi que tudo
que eu tinha como verdade
apenas eram experiências
que não deram certo...
Ele era tudo o que eu sempre quis:
Me apaixonei;
Aprendi a amar;
Mas por ser tão perfeito,
alguém o havia descoberto antes...
Como isso acaba?
Ainda não sei...
Salvador, 23 de janeiro de 2018.
quarta-feira, 26 de junho de 2019
Amor bastante
Paulo Leminski
quando eu vi você
tive uma ideia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
terça-feira, 25 de junho de 2019
O que quero agora
Rodolfo Pamplona Filho
Saber onde você está
trazer para o meu lado
Não ter medo de buscar
o que não tive no passado
Voltar a sorrir em paz
Cantar e dançar como criança
Superar o que ficou por trás
Recuperar a esperança
O que quero agora
é encontrar quem me adora
e cumpre o que diz
Prova o meu gosto,
beija o meu rosto,
faz-me finalmente feliz
Salvador, 23 de julho de 2018.
segunda-feira, 24 de junho de 2019
domingo, 23 de junho de 2019
Living on the edge
Rodolfo Pamplona Filho
Por vezes,
ando triste,
com mágoas e
sem esperanças.
Sofrendo por um amor,
quando amor
não deveria
causar sofrimento.
Uma simples reflexão
pode gerar nova conclusão:
Não é o amor
que faz sofrer!
É a sensação de impotência,
a angústia da imobilidade,
a covardia da letargia
e a tentação da acomodação.
Não viva no limite:
permita-se ultrapassá-lo,
pois o cabresto da falta de tentativa
é a prisão da alma de quem ousa sonhar.
São Paulo, 28 de setembro de 2017, no show do Aerosmith.
sábado, 22 de junho de 2019
SALVAÇÃO NACIONAL?
Jorge da Rosa
Corte na educação
Reforma da Previdência
Afronta a Constituição
País na decadência
Chamados de imbecis
Pelo Presidente atual
Tem gente que diz
Ser a salvação nacional
Não quer dialogar
Apenas impor
E maltratar
O povo trabalhador
Imbecis estudantes
Assim são tratados
Os manifestantes
Com direitos violados.
sexta-feira, 21 de junho de 2019
Ela com A, Ela do B
Rodolfo Pamplona Filho
Ela com A
Ela com Afeto,
Amor e Admiração
Ela do B
Ela do Barraco,
Briga e Batida de frente
Ela com A
Ela com Amizade,
Abraço e Ação
Ela do B
Ela com Birra,
Bolacha e Batalhas
Ela com A
A mulher que sonhei
para mim
Ela com B
O pesadelo que
sempre temi
Ela com A
Ela do B
Duas pessoas
em um mesmo ser.
Salvador, 18 de outubro de 2018.
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