sábado, 20 de março de 2021

Aldrava

  


 

Aldrava 

Aljava 

A porta  

ou a trava 

A saída  

ou a arma  

A paz  

ou o Karma  

 

Salvador, 24 de janeiro de 2021

sexta-feira, 19 de março de 2021

Soneto

                                       


Há muito tempo, muito tempo mesmo,
sentisse uma tristeza ou uma alegria,
brotavam-me da pena, às tontas, a esmo,
rastros de poema, cacos de poesia...
É claro que nem tudo que me vinha
com maior ou menor facilidade,
ao fim e ao cabo, na verdade tinha
a mesma altura, a mesma qualidade.
Mas escrevia. Hoje, bem mais distante
ficou aquilo que era minha meta.
Somente a inspiração rara e inconstante
é que me diz que ainda sou poeta.
Já nem sei bem o que daria agora
para escrever poemas como outrora.

Soneto de Sânzio de Azevedo



quinta-feira, 18 de março de 2021

Ensinando a fazer Barba

 



 

Em um momento,

o bebê cresce

e vira um jovem,

a criança se torna adulto

e novos instantes

podem ser mágicos

 

O que dizer da primeira vez

que se faz barba juntos,

aprendendo a cortar

o excesso desprezável,

pois tudo que excede

normalmente não interessa,

pois a medida certa

é aquela que nos é agradável.

 

Ser pai e filho

não é só uma ascendência,

é uma experiência

de construção conjunta

de uma relação contínua

de cumplicidade, confiança,

autonomia e segurança.

 

Colocar espuma no rosto,

sentir o deslizar do pincel,

passar uma navalha afiada

ou um simples barbeador,

temer o frio na espinha,

a aspereza da lâmina

e o primeiro corte...

secar o rosto,

queimar com loção,

olhar no espelho

e admirar o resultado:

passos de um ritual

da passagem

do menino

para o homem.

 

Há lembranças eternas,

coisas que só o pai ensina,

sensações inesquecíveis

que se guardam para o resto da vida.

Talvez seja o caso

da memória afetiva

do simples ato

de fazer a barba

pela primeira vez...

 

Salvador, 21 de janeiro de 2021.

quarta-feira, 17 de março de 2021

Lembranças Atemporais

 



Por que tem que ser assim? 

Ferréz me chamou à lembrança, 

Nestes tempos de pandemia, 

Música do Consciência Humana. 


No Roda Viva o Emicida, 

Lembrou-me do Aristocrata, 

Encontro da Negrada,

Ilustres da velha guarda. 


Clube da Zona Sul. 

Onde assistir ao Show 

Do Arlindinho Cruz. 


Várias gerações, 

Presente, Passado 

E Futuro, lado a lado. 


(Paulo Basílio – 27/07/2020) 

terça-feira, 16 de março de 2021

Decepção




Uma gim sem efeito 

Uma dor no peito 

Uma vontade de sumir 

 

Uma chuva na praia 

Uma fuga da raia 

Uma lágrima ao sorrir  

 

Uma viagem frustrada  

Um bloqueio na entrada  

Uma briga ao acordar  

 

Nada há que abrande 

Não há mal tão grande 

que não possa piorar... 

 

Salvador, 18 de janeiro de 2021. 

segunda-feira, 15 de março de 2021

Saudades de uma pessoa que já se foi

 




De sua alegria contagiante;

De tudo que se fez pelo próximo;

De sua simplicidade, porque a vida deve ser baseada em pequenos gestos;

De seu comprometimento para o bem de todos;

Saudades do seu abraço, da sua voz, saudades desta pessoa;

Saudades... simples palavra com significado profundo;

Se há algo que devemos deixar como legado com certeza é a saudade;

Saudade... deve florescer sobre o legado em patrimônio, pois este cairá no esquecimento;

A saudade não... será sempre eterna;

Só há saudades de algo inesquecível;

Por isto se têm saudades de pessoas inesquecíveis;

Ainda há tempo de fazermos algo para que os vindouros sintam saudades;

Que nosso legado seja saudades...



Márcio Berto Alexandrino de Oliveira

domingo, 14 de março de 2021

Sintonia na Sinfonia



 

A vida pode ser regida 

como uma bela sinfonia, 

em que a precisa sintonia  

de cada protagonista  

seja sempre vista 

como um laço de amor, 

que une dois como se fossem um, 

que não se abandona de jeito algum, 

que é a própria essência do querer, 

que é a única forma de existência do ser. 

 

Salvador, 15 de janeiro de 2021. 

sábado, 13 de março de 2021

Gratidão

 



Veio tomar água no rio

Uma formiga sedenta.

Subiu numa folha e disse:

“Será que ela me aguenta?”


Porém, a verde folhinha 

Era frágil, com certeza.

A formiga escorregou

E caiu na correnteza.


Uma pomba ali pousada

Num galho de uma ingazeira,

Vendo a formiga em perigo,

Acudiu a companheira.


Uma folha bem maior

A pombinha arrancou

E ali perto da formiga

Com seu bico a lançou.


A formiguinha subiu

Naquela folha comprida.

Agradeceu à pombinha

Por ter lhe salvado a vida.


E conseguiu alcançar

A margem do outro lado.

E matou a sua sede

Naquele rio gelado.


Um caçador bem malvado

Ela avistou, de repente.

Apontava uma espingarda

Para a pombinha inocente.


A formiga aproximou-se

Do homem, bem devagar.

Deu-lhe uma ferroada

No seu grande calcanhar.


O caçador deu um grito,

E deixou a arma cair.

A pombinha, mais esperta,

Conseguiu escapulir.


E voou ali pertinho

Da corajosa formiga.

E, agradecida, arrulhou:

“Obrigada, minha amiga!”


Geraldo de Castro Pereira

(Historinha infantil, que eu versifiquei)

sexta-feira, 12 de março de 2021

Meu Tudo



Você é  

o que sempre sonhei 

Meu número 

Meu par 

Minha perfeição em tudo 

Meu alvo  

Minha meta 

Meu objetivo de vida  

Minha metade 

Minha parceria e companhia 

A luz que ilumina o dia  

O amor que preencheu 

minha alma que andava vazia  

 

Salvador, 14 de janeiro de 2021. 

quinta-feira, 11 de março de 2021

Já era de se esperar

 




Ao olhar te nos olhos,

Fui aos teus labirintos.

Mesmo indo fundo,

Não o encontrei.


Ao beijar te a boca,

Não o sinto.

Hálito indistinto.

Um dia amei.


Ao ouvir te os sonhos,

Vi projetos.

Vi recursos e metas,

Não nos vi.


Ao tocar te a pele,

Fui era o Ártico.

Eu na Antártida, 

E o Nós longe dali.


Ao ver-te dizer:

Pensas o futuro,

Ao Adeus, no presente,

Eu me permiti.


Ao que fiz vale a máxima:

“Já era de se esperar”

Os sinais se mostram!

Eu os entendi.


(Negra Luz)

quarta-feira, 10 de março de 2021

Lombra





Leseira 

Modorrência 

Preguiça  

Prega 

Banzo 

Moleza 

O modo fuleirinho 

que só a lombra causa... 

 

Salvador, 13 de janeiro de 2021. 

terça-feira, 9 de março de 2021

Desnuda

 





(Negra Luz)


A poesia não me permite conter me em segredos.

Ela sussurra, através dos meus versos, o que não escrevi:

Traduz em onomatopeias meus sentimentos,

Cochicha pelas entrelinhas, expõe me nos acentos,

Quando findo uma estrofe, ela ainda fala por mim.

Um delatora camuflada por metáforas e rimas,

Revela a métrica do que escrevo e, quando menos espero,

Me vejo desnuda diante de ti:

Meu leitor, minha leitora.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Homens Feministas?




Seu medo é diferente do meu.
Seu sexo pode serinstrumento de terror.
Não me venha com
suas boas intenções,
pois, com elas,
pavimenta-se
a estrada para o inferno.
Sua posição soa mais
como indevida apropriação
do que compartilhamento.
Sua gentileza vira violência
Seu abraço não conforta,
mas, sim, agride.
O seu beijo machuca
e seu carinho quer me subjugar.
Não preciso de um defensor,
mas, sim, de um aliado,
quando chamado,
pois mesmo aliados
podem ser encarados
como inimigos infiltrados,
se não for delimitado
qual seja seu lugar de fala.
Suas brincadeiras não têm graça.
Sua cortesia me ofende.
Suas palavras,
em vez de inspirar,
apenas despertam minha ira.
Melhor permanecer calado...
E simplesmente ficar ao lado,
esperando a manifestação
de quem se ofendeu,
aguardando a reação,
em vez de tomar,
para si, a sua defesa,
pois, até para lutar,
é preciso legitimidade,
para não desvalorizar o movimento...



Salvador, 16 de agosto de 2016, compreendendo-se como parte do opressor na busca por não oprimir...

domingo, 7 de março de 2021

Hoje, acordei mais feliz

 



 

Hoje, eu acordei mais feliz...

Redescobri uma alegria

que há muito não sentia.

 

Hoje, eu acordei mais feliz...

A esperança de não perecer

renasceu com o amanhecer

 

Hoje, eu acordei mais feliz...

Voltei a acreditar

que vale a pena esperar

 

Hoje, eu acordei mais feliz...

Não preciso de nada externo

para mudar o que é interno

 

Hoje, eu acordei mais feliz

E tenho a certeza que aquece o coração

de que não estou condenado à solidão

 

Hoje, eu acordei mais feliz!

 

Salvador, 15 de janeiro de 2021.

sábado, 6 de março de 2021

Nunca vi ninguém olhar







com tal ternura um cavalo
e um cavalo navegar
nos seus olhos, desviá-lo
para dentro, onde é mar
e o mar, apenas cavalo.
Nunca vi ninguém olhar
nicanor naqueles olhos
que pareciam findar
onde os espaços se foram.
Nicanor sabia olhar
sem o menor intervalo
como lhe fosse apanhar
a toda brida, os andares.
E se podiam falar
num trote pequeno ou largo,
com rédea de muito amparo,
o corpo estando a montar
a eternidade cavalo.

Poema de Carlos Nejar (1939-)

sexta-feira, 5 de março de 2021

Filho

 



 

Sinto sua falta

desde o momento

em que respiro

até quando

não mais perceber isso.

Meu amor por você

faz parte do meu ser

como se seu olhar

compusesse meu DNA

Você é a parte de mim

que ganhou asas

e voará alto e bonito,

mas minha esperança

no infinito

é que você saiba

que, em meus braços,

terá sempre um porto seguro...

 

Salvador, 15 de janeiro de 2021.

quinta-feira, 4 de março de 2021

Violões adolescentes




Estavam empoeirados.

Décadas de armários, 

Sob cortinas,

Suportados por livros.

Num sopro induzido,

A poeira subiu!

Uma por uma, as notas foram ouvidas.

O Tempo voltou.

A matrix, escrita outrora,

Era ouvida no agora:

Violões adolescentes 

Exalavam o desejo de vida.

Indignações depressivas,

Crença no “Amanhecer”.

Haveria um “Equilíbrio Distante”?

“O bêbado e o equilibrista” passaram por lá

E, ainda hoje, bambeiam!

Talvez, o desalinho seja até mais forte.

Há infinita razão.

Um vento à revelia do sopro!

As cordas, agora mais limpas,

Ecoam o mofo sobre aquelas notas...

“Vamos fazer um filme”?

Dúvida passiva.

A vida já é samba tocado em cada esquina

Com ou sem máscaras.

“Como será o amanhã?”

Quem vai responder?

Esteja lá!

Haverá mais pó nas entranhas do violão:

Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si grisalhas:

Desejo.

Quando o ar em movimento passar,

E o sopro de vida espargir,

Que a partitura ouvida seja:

“A Paz” reinando no meu coração,

E no seu,

E no nosso!

E no Mundo!


(Negra Luz)

quarta-feira, 3 de março de 2021

Construções do Amor



O amor é tijolo,

cimento e concreto

O amor é madeira,

pregada com afeto

O amor é obra

que nunca termina

O amor é benção

que contamina

Amor é medida

que nunca se excede

O que se constrói

com amor não se perde...

 

Salvador, 14 de janeiro de 2021. 

terça-feira, 2 de março de 2021

Gratidão



Veio tomar água no rio

Uma formiga sedenta.

Subiu numa folha e disse:

“Será que ela me aguenta?”


Porém, a verde folhinha 

Era frágil, com certeza.

A formiga escorregou

E caiu na correnteza.


Uma pomba ali pousada

Num galho de uma ingazeira,

Vendo a formiga em perigo,

Acudiu a companheira.


Uma folha bem maior

A pombinha arrancou

E ali perto da formiga

Com seu bico a lançou.


A formiguinha subiu

Naquela folha comprida.

Agradeceu à pombinha

Por ter lhe salvado a vida.


E conseguiu alcançar

A margem do outro lado.

E matou a sua sede

Naquele rio gelado.


Um caçador bem malvado

Ela avistou, de repente.

Apontava uma espingarda

Para a pombinha inocente.


A formiga aproximou-se

Do homem, bem devagar.

Deu-lhe uma ferroada

No seu grande calcanhar.


O caçador deu um grito,

E deixou a arma cair.

A pombinha, mais esperta,

Conseguiu escapulir.


E voou ali pertinho

Da corajosa formiga.

E, agradecida, arrulhou:

“Obrigada, minha amiga!”


Geraldo de Castro Pereira

(Historinha infantil, que eu versifiquei)

segunda-feira, 1 de março de 2021

Sobre Livre Arbítrio

 




O que fazer quando

não se sabe o que fazer?

O que dizer quando

não se consegue se mover.

Pensar e lembrar:

não temos controle do futuro,

mas apenas do presente.

Só depende de nós

Temos livre árbitro.

Dizer que o presente

não depende

só da gente

é uma bela desculpa

para a covardia...

Culpar o outro

por sua inércia

é querer tirar

a sua própria responsabilidade

na construção do seu momento.

Assim, cada um leva a vida

como bem quiser

ou bem puder,

pois sempre há

tempo a perder...

 

Salvador, 10 de janeiro de 2021.