Aldrava
Aljava
A porta
ou a trava
A saída
ou a arma
A paz
ou o Karma
Salvador, 24 de janeiro de 2021
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
Aldrava
Aljava
A porta
ou a trava
A saída
ou a arma
A paz
ou o Karma
Salvador, 24 de janeiro de 2021

Em um momento,
o bebê cresce
e vira um jovem,
a criança se torna adulto
e novos instantes
podem ser mágicos
O que dizer da primeira vez
que se faz barba juntos,
aprendendo a cortar
o excesso desprezável,
pois tudo que excede
normalmente não interessa,
pois a medida certa
é aquela que nos é agradável.
Ser pai e filho
não é só uma ascendência,
é uma experiência
de construção conjunta
de uma relação contínua
de cumplicidade, confiança,
autonomia e segurança.
Colocar espuma no rosto,
sentir o deslizar do pincel,
passar uma navalha afiada
ou um simples barbeador,
temer o frio na espinha,
a aspereza da lâmina
e o primeiro corte...
secar o rosto,
queimar com loção,
olhar no espelho
e admirar o resultado:
passos de um ritual
da passagem
do menino
para o homem.
Há lembranças eternas,
coisas que só o pai ensina,
sensações inesquecíveis
que se guardam para o resto da vida.
Talvez seja o caso
da memória afetiva
do simples ato
de fazer a barba
pela primeira vez...
Salvador, 21 de janeiro de 2021.
Por que tem que ser assim?
Ferréz me chamou à lembrança,
Nestes tempos de pandemia,
Música do Consciência Humana.
No Roda Viva o Emicida,
Lembrou-me do Aristocrata,
Encontro da Negrada,
Ilustres da velha guarda.
Clube da Zona Sul.
Onde assistir ao Show
Do Arlindinho Cruz.
Várias gerações,
Presente, Passado
E Futuro, lado a lado.
(Paulo Basílio – 27/07/2020)
Uma gim sem efeito
Uma dor no peito
Uma vontade de sumir
Uma chuva na praia
Uma fuga da raia
Uma lágrima ao sorrir
Uma viagem frustrada
Um bloqueio na entrada
Uma briga ao acordar
Nada há que abrande
Não há mal tão grande
que não possa piorar...
Salvador, 18 de janeiro de 2021.
De sua alegria contagiante;
De tudo que se fez pelo próximo;
A vida pode ser regida
como uma bela sinfonia,
em que a precisa sintonia
de cada protagonista
seja sempre vista
como um laço de amor,
que une dois como se fossem um,
que não se abandona de jeito algum,
que é a própria essência do querer,
que é a única forma de existência do ser.
Salvador, 15 de janeiro de 2021.
Veio tomar água no rio
Uma formiga sedenta.
Subiu numa folha e disse:
“Será que ela me aguenta?”
Porém, a verde folhinha
Era frágil, com certeza.
A formiga escorregou
E caiu na correnteza.
Uma pomba ali pousada
Num galho de uma ingazeira,
Vendo a formiga em perigo,
Acudiu a companheira.
Uma folha bem maior
A pombinha arrancou
E ali perto da formiga
Com seu bico a lançou.
A formiguinha subiu
Naquela folha comprida.
Agradeceu à pombinha
Por ter lhe salvado a vida.
E conseguiu alcançar
A margem do outro lado.
E matou a sua sede
Naquele rio gelado.
Um caçador bem malvado
Ela avistou, de repente.
Apontava uma espingarda
Para a pombinha inocente.
A formiga aproximou-se
Do homem, bem devagar.
Deu-lhe uma ferroada
No seu grande calcanhar.
O caçador deu um grito,
E deixou a arma cair.
A pombinha, mais esperta,
Conseguiu escapulir.
E voou ali pertinho
Da corajosa formiga.
E, agradecida, arrulhou:
“Obrigada, minha amiga!”
Geraldo de Castro Pereira
(Historinha infantil, que eu versifiquei)
Você é
o que sempre sonhei
Meu número
Meu par
Minha perfeição em tudo
Meu alvo
Minha meta
Meu objetivo de vida
Minha metade
Minha parceria e companhia
A luz que ilumina o dia
O amor que preencheu
minha alma que andava vazia
Salvador, 14 de janeiro de 2021.
Ao olhar te nos olhos,
Fui aos teus labirintos.
Mesmo indo fundo,
Não o encontrei.
Ao beijar te a boca,
Não o sinto.
Hálito indistinto.
Um dia amei.
Ao ouvir te os sonhos,
Vi projetos.
Vi recursos e metas,
Não nos vi.
Ao tocar te a pele,
Fui era o Ártico.
Eu na Antártida,
E o Nós longe dali.
Ao ver-te dizer:
Pensas o futuro,
Ao Adeus, no presente,
Eu me permiti.
Ao que fiz vale a máxima:
“Já era de se esperar”
Os sinais se mostram!
Eu os entendi.
(Negra Luz)
Leseira
Modorrência
Preguiça
Prega
Banzo
Moleza
O modo fuleirinho
que só a lombra causa...
Salvador, 13 de janeiro de 2021.
(Negra Luz)
A poesia não me permite conter me em segredos.
Ela sussurra, através dos meus versos, o que não escrevi:
Traduz em onomatopeias meus sentimentos,
Cochicha pelas entrelinhas, expõe me nos acentos,
Quando findo uma estrofe, ela ainda fala por mim.
Um delatora camuflada por metáforas e rimas,
Revela a métrica do que escrevo e, quando menos espero,
Me vejo desnuda diante de ti:
Meu leitor, minha leitora.
Hoje, eu acordei mais feliz...
Redescobri uma alegria
que há muito não sentia.
Hoje, eu acordei mais feliz...
A esperança de não perecer
renasceu com o amanhecer
Hoje, eu acordei mais feliz...
Voltei a acreditar
que vale a pena esperar
Hoje, eu acordei mais feliz...
Não preciso de nada externo
para mudar o que é interno
Hoje, eu acordei mais feliz
E tenho a certeza que aquece o coração
de que não estou condenado à solidão
Hoje, eu acordei mais feliz!
Salvador, 15 de janeiro de 2021.
Sinto sua falta
desde o momento
em que respiro
até quando
não mais perceber isso.
Meu amor por você
faz parte do meu ser
como se seu olhar
compusesse meu DNA
Você é a parte de mim
que ganhou asas
e voará alto e bonito,
mas minha esperança
no infinito
é que você saiba
que, em meus braços,
terá sempre um porto seguro...
Salvador, 15 de janeiro de 2021.
Estavam empoeirados.
Décadas de armários,
Sob cortinas,
Suportados por livros.
Num sopro induzido,
A poeira subiu!
Uma por uma, as notas foram ouvidas.
O Tempo voltou.
A matrix, escrita outrora,
Era ouvida no agora:
Violões adolescentes
Exalavam o desejo de vida.
Indignações depressivas,
Crença no “Amanhecer”.
Haveria um “Equilíbrio Distante”?
“O bêbado e o equilibrista” passaram por lá
E, ainda hoje, bambeiam!
Talvez, o desalinho seja até mais forte.
Há infinita razão.
Um vento à revelia do sopro!
As cordas, agora mais limpas,
Ecoam o mofo sobre aquelas notas...
“Vamos fazer um filme”?
Dúvida passiva.
A vida já é samba tocado em cada esquina
Com ou sem máscaras.
“Como será o amanhã?”
Quem vai responder?
Esteja lá!
Haverá mais pó nas entranhas do violão:
Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si grisalhas:
Desejo.
Quando o ar em movimento passar,
E o sopro de vida espargir,
Que a partitura ouvida seja:
“A Paz” reinando no meu coração,
E no seu,
E no nosso!
E no Mundo!
(Negra Luz)
O amor é tijolo,
cimento e concreto
O amor é madeira,
pregada com afeto
O amor é obra
que nunca termina
O amor é benção
que contamina
Amor é medida
que nunca se excede
O que se constrói
com amor não se perde...
Salvador, 14 de janeiro de 2021.
Veio tomar água no rio
Uma formiga sedenta.
Subiu numa folha e disse:
“Será que ela me aguenta?”
Porém, a verde folhinha
Era frágil, com certeza.
A formiga escorregou
E caiu na correnteza.
Uma pomba ali pousada
Num galho de uma ingazeira,
Vendo a formiga em perigo,
Acudiu a companheira.
Uma folha bem maior
A pombinha arrancou
E ali perto da formiga
Com seu bico a lançou.
A formiguinha subiu
Naquela folha comprida.
Agradeceu à pombinha
Por ter lhe salvado a vida.
E conseguiu alcançar
A margem do outro lado.
E matou a sua sede
Naquele rio gelado.
Um caçador bem malvado
Ela avistou, de repente.
Apontava uma espingarda
Para a pombinha inocente.
A formiga aproximou-se
Do homem, bem devagar.
Deu-lhe uma ferroada
No seu grande calcanhar.
O caçador deu um grito,
E deixou a arma cair.
A pombinha, mais esperta,
Conseguiu escapulir.
E voou ali pertinho
Da corajosa formiga.
E, agradecida, arrulhou:
“Obrigada, minha amiga!”
Geraldo de Castro Pereira
(Historinha infantil, que eu versifiquei)
O que fazer quando
não se sabe o que fazer?
O que dizer quando
não se consegue se mover.
Pensar e lembrar:
não temos controle do futuro,
mas apenas do presente.
Só depende de nós
Temos livre árbitro.
Dizer que o presente
não depende
só da gente
é uma bela desculpa
para a covardia...
Culpar o outro
por sua inércia
é querer tirar
a sua própria responsabilidade
na construção do seu momento.
Assim, cada um leva a vida
como bem quiser
ou bem puder,
pois sempre há
tempo a perder...
Salvador, 10 de janeiro de 2021.