Brena O’Dwyer
é no equilíbrio frágil
de certos silêncios
que a gente vive
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
Rodolfo Pamplona Filho
Quando estiver triste
e se sentindo só,
lembre que eu existo
só por você
Saber que você existe
é poder ter esperança
de viver um amor
e nunca mais ser triste.
Salvador, 20 de março de 2018.
Stéfane Pyaar
todo mundo
pede ajuda
o tempo todo.
alguns gritam,
outros choram baixinho.
e eu, bem, eu escrevo.
Rodolfo Pamplona Filho
Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser impactante?
Talvez um pouco de cuidado
Talvez um carinho inesperado
Talvez uma torcida explícita
Talvez uma entrega sem retorno
Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser incessante?
Talvez uma dose de mistério
Talvez um suspiro no espelho
Talvez um choro em desabafo
Talvez um frio na barriga no encontro
Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser acachapante?
Talvez um bilhete inesperado
Talvez uma surpresa no acordar
Talvez dormir agarrado
Talvez nunca parar de sonhar
Salvador, 27 de outubro de 2018.
Ary Barroso
Brasil
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Ô Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingá
Ô Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Prá mim… prá mim…
Ô, abre a cortina do passado
Tira a Mãe Preta do serrado
Bota o Rei Congo no congado
Brasil! Brasil!
Deixa cantar de novo o trovador
À merencória luz da lua
Toda canção do meu amor
Quero ver a “Sá Dona” caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Brasil!
Prá mim… prá mim…
Brasil
terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiscreto
Ô Brasil, verde que dá
Para o mundo se admirá
Ô Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Prá mim… prá mim…
Ô, esse coqueiro que dá côco
Oi, onde amarro a minha rêde
Nas noites claras de luar
Brasil! Brasil!
Ah, ouve essas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincá
Ah, este Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Brasil!
Prá mim… prá mim…
Rodolfo Pamplona Filho
Quando se ama,
fazem-se promessas,
como se houvesse necessidade
de verbalizar
que se pode fazer tudo
por amor
Mas prometer gera expectativas
que, quando não realizadas,
causam uma frustração,
como se o amor perdesse força
por uma promessa não cumprida.
É olhar uma parte pelo todo,
o acessório pelo principal,
o detalhe pelo conjunto,
o universo por um lugar
a vida por um dia
Amar não exige promessas
Amar exige amar
Amar sem promessas
Amar, simplesmente amar.
Salvador, 06 de julho de 2018.
Adélia Prado
Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.
Rodolfo Pamplona Filho
Sou um cachorro vira-lata,
solto nas ruas,
em busca de comida
e de carinho...
Procurando um refúgio,
onde possa ser amado
e não ter mais subterfúgio
para me sentir abandonado...
Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.
Helio Gustavo Alves
Por anos cedo acordei para trabalhar
sempre fiz hora extra para o patrão ajudar
mas um dia ao emprego chegar
tinha outro em meu lugar.
Perdi o trabalho,
fiquei por anos o emprego a buscar,
me achavam velho para o labor,
foi então que percebi
que era um homem sem valor!
O jeito foi fazer bico,
não fiquei um mês sem labutar,
para a vida inteira lutar
a fim do carne do INSS pagar
e um dia me aposentar.
Trabalhei no pesado,
de criança até cansar,
quando na hora da aposentadoria buscar
o Governo resolver a lei mudar.
Ao invés de aos 49 anos me aposentar,
mesmo sem emprego encontrar
sou obrigado continuar a trabalhar
para aos 65 anos tentar
a minha aposentadoria pegar.
Como no Governo não posso confiar
vou rezar para até lá
a norma não mais alterar.
Por Helio Gustavo Alves
Em 10/12/2016
Poema escrito por um Jurista após viver o maior Golpe da história do Brasil em que o Governo deu nos trabalhadores, roubando-lhes o Direito da Aposentadoria, bem como, inúmeros Direitos Sociais previstos no capítulo Dos Direitos e Garantias Fundamentais da Constituição Federal.
Vivemos a mais nova modalidade de Ditadura, que é aquela disfarçada em Democracia Governamental, onde a vontade do Governo vale mais do que todos os Pactos Sociais em vigor, sejam Nacionais ou Internacionais.
Rodolfo Pamplona Filho
Vôos e Cascatas
Alegrias e decepções
Pássaros ariscos
Raízes de ilusões
Homem e natureza
Insofismável relação
Paralelas que se encontram
No infinito da razão
Crepúsculo, céu em chamas
São doces sonhos, fantasias
As mudanças de lágrimas para risos
Têm a complexidade de da noite para o dia
... da noite para o dia
Vida, margens duma porção,
Um todo preenchendo metade,
O ciclo da dualidade!
Natural e urbano
Distinguem-se na feição,
Mas são frágeis correntes entrelaçadas
numa mesma...
... canção!
Letra: Rodolfo Pamplona Filho
Música: Jorge Pigeard
(1989)
Aíla Sampaio
enquanto te debulhas em marcar
o meu próximo passo,
um pássaro me oferta suas asas
e o sol arrefece seus raios
para me ver alçar vôo.
E quando penso que enfim driblei
a tua fúria, tu, agasalhado na
imponderável sina, não respeitas
o meu desejo de rasgar as distâncias.
Ris da minha pretensão de querer
arrebentar as amarras
e astuciosamente planejas a minha queda.
E tão bruscamente me fazes enxergar
que era de crepom o pássaro e inconsistentes
as asas, que esqueço de te condenar
e me censuro por sonhar tão alto.
Rodolfo Pamplona Filho
Se eu pudesse
Voltar atrás
E tentasse alterar
O meu passado,
Meu espírito teria paz
E meu destino seria mudado?
Se eu tivesse abortado meu filho,
Minha agonia teria fim?
Que seria do meu próprio íntimo,
Se eu matasse um pedaço de mim?
Gerei em meu útero
Um anjo louco
E nas minhas veias,
Eu me dei para ele,
Mas todo o sangue foi pouco
Para matar sua sede!
O meu corpo era árvore da vida,
Mas meu fruto semente da dor!
Como dói essa minha ferida
De não ter ensinado o amor!
Quantos inocentes
Sofreram por sua mão?
Quantas crianças
Por sua causa, morreram em vão?
Quantas crianças,
Pelo seu ódio, morreram em vão?
Amor materno
Com repúdio!
Sanidade mesclada
Com distúrbio!
Será que eu devia
Ter dito Não?
Será que eu devia
Ter dito Não?
Não!
Não!
Pois até os carrascos têm uma mãe!
... até os carrascos têm uma mãe!
(1991)
Letra: Rodolfo Pamplona Filho
Música: Jorge Pigeard
Patricia Tenório
A grande verdade descortina em azul
E a cor dos teus olhos esvaece
No horizonte perdido dos meus dias
Sozinhos.
Na áurea da juventude esquecida
Nos poucos rubros que escondo
No rosto exposto que vejo
Na flor que murcha e se esquece.
E tudo o que fui me aparece
A tela pintada se agita
Vendo a distância construída
Na efêmera fumaça perdida.
Rodolfo Pamplona Filho
Deixa eu ser seu professor
e ensinar tudo de valor
que a vida pode proporcionar
para quem não teme tentar...
Deixa eu ser seu companheiro
e construir uma história por inteiro,
vivendo de Janeiro a Janeiro,
sem medo de fugir do cativeiro.
Deixa eu ser seu parceiro
e buscar seu sucesso primeiro,
na certeza do seu imenso talento
que alcançará qualquer intento!
Deixa eu ser seu homem
e ver que os medos somem,
quando se descobre alguém
que vai cuidar de você também...
Deixa eu ser seu amor
para viver eternamente seu calor
e nunca mais chorar sozinho
ou perder o meu caminho...
Praia do Forte, 18 de agosto de 2011.
Murilo Mendes
Com seus elementos de Europa e África,
Seu corte, inscrição e esmalte,
A tesoura de Toledo
Alude às duas Espanhas.
Duas folhas que se encaixam,
Se abrem, se desajustam,
Medem as garras afiadas:
Finura e rudeza de Espanha,
Rigor atento ao real,
Silêncio espreitante, feroz,
Silêncio de metal agindo,
Aguda obstinação
Em situar o concreto,
Em abrir e fechar o espaço,
Talhando simultaneamente
Europa e África,
Vida e morte.
Rodolfo Pamplona Filho
Datilografia na época do PC
Lado B na época do CD
Limpar cabeçote em DVD
Comprar na Mesbla ou Sandiz
Ouvir compacto ou LP
Trocar o tubo da TV
Trocar agulha de radiola
Rodar a fita cassete
Gravar o arquivo em disquete
Andar de Fusca ou Fiat 147
Limpar carburador
Usar estilete como apontador
Ergométrica em vez de spinning
Telex para quem tem fax
Bip em vez de Torpedo
Passar creme rinse
Usar relógio-calculadora,
Jogar Odyssey ou Atari
Viajar de Vasp ou Transbrasil
Embalar saco de “Paes Mendonça”
Cair a ficha do orelhão...
Ver Zico jogando no Maraca
Regra de nove, taboada
DNA – data de nascimento avançada
Salvador, 04 de fevereiro de 2010
Adélia Prado
Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior,
mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.
Mais triste do que a morte,
mais desesperançado
do que a onda batendo no rochedo,
mais tenaz que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.
Don’t wait ‘till tomorrow what you can do today!!!
Don’t wait ‘till tomorrow what you can do today!!!
Have you ever thought
That your life is short
and death...
... it’s in your eyes!
You said you were the best,
Forgeting all your past,
You believed you’ll live forever...
...this is your sin!
Your home is the place
Of your own disgrace
You cant’t run out now,
SO GOOD BYE!!!
I’m your nightmare;
Your worst dream come true;
I’m the killer that’s waiting behind you!!!
Don’t wait ‘till tomorrow what you can do today!!!
Don’t wait ‘till tomorrow what you can do today!!!
Tears don’t touch me...
Dead, you won’t be free
I will chase your soul...
... ‘till end of times
It’s the point of no return
Don’t scream, you’re alone
Pray to your Lord, ‘cause...
...this is your fate
time is like sand
In a little boy’s hand
And your cycle is complete
You’ll DIE!!!
I’m your nightmare;
Your worst dream come true;
I’m the killer that’s waiting behind you!!!
Don’t wait ‘till tomorrow what you can do today!!!
Don’t wait ‘till tomorrow what you can do today!!!
I’m your nightmare;
Your worst dream come true;
I’m the killer that’s waiting behind you!!!
Close your eyes
And shut up your mouth
This song is over
‘cause you are dead!!!
(1992)
Letra: Rodolfo Pamplona Filho
Música: Rodolfo Ramirez e Cedric Romano
Cecília Meireles
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Rodolfo Pamplona Filho
They were born with no shelter,
Lived day by day!!!
They are the ones who know better
The real meaning of pain...
And when comes the night
And it’s dark the sky
They get ready to fight,
They get ready to die...
There’s no laughter in the city
When you find a child’s body
There’s no joke ‘n’ no pity
In the killer’s hours of glory
So, do you know what it means
To sleep out in the cold?
There’s no trouble that seems
Like your mind losing control.
There’s no smile in their faces
There’s no hope in their lifes
‘cause there’s no more places
Where they can live without lies...
As the sands of time grow old
And surviving turns to be a last chance
You’ll find: history has been already told
By the tears of children of the streets
(1991)
Letra: Rodolfo Pamplona Filho
Música: Flávio Maranhão