Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
O apanhador de desperdícios
Manoel de Barros
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
domingo, 29 de setembro de 2019
Soneto da Sintonia Infalível
Rodolfo Pamplona Filho
Ainda que divididos pelo Atlântico
e por fusos horários incompatíveis,
o que um sente de um lado,
o outro automaticamente responde.
Se um levanta assustado,
encontrará o outro conectado,
como se a energia gerada
fosse automaticamente repassada.
É realmente impressionante,
como tudo surge em um instante,
permitindo a imediata compreensão
pois o que, para muitos, é acaso,
para mim, é o mais evidente traço
de uma sintonia infalível de paixão.
Pamplona/Espanha, 03 de outubro de 2012.
sábado, 28 de setembro de 2019
Sigo
Gratuidades
Eu vivo de gratuidades
Sim, gratuidades.
Elas estão para você e pra mim
Amanheço.
E logo o sol a iluminar meu dia
Logo mais, de graça, entardeceria.
Respiro.
Profundo. E me pergunto:
Pelo ar a quem pagaria para ver?
Sigo.
Há saúde no meu caminhar!
Alguma anistia? Franquia a cobrar?
Adianto.
No café recebo sorrisos e beijos
Amealhando- os todos os dias, enriqueço.
Penso.
A liberdade interna me fortalecia
Valor haveria pela minha evolução?
Saio.
Vários caminhos se alinham
A escolha: só minha, e se paga é por opção.
No Mundo,
Ainda me arrepio
Vejo a linha do horizonte: fronteira entre céu e mar
As dores
Se vem ou se percebo
Permitem entender que viver também é superar.
Justiça.
Gratidão haverei de espalhar.
É "free", "all inclusive", "de grátis" o essencial para viver e sonhar.
O preço.
Nada a quitar.
E se cobrassem, seguro, iria pagar.
Gratuidades
Que só valoraremos a falta
Se alguma delas passarem a limitar.
Negra Luz
"A gratidão é a moeda mais generosa, para retribuirmos o dom da vida." Negra Luz
Eu vivo de gratuidades
Sim, gratuidades.
Elas estão para você e pra mim
Amanheço.
E logo o sol a iluminar meu dia
Logo mais, de graça, entardeceria.
Respiro.
Profundo. E me pergunto:
Pelo ar a quem pagaria para ver?
Sigo.
Há saúde no meu caminhar!
Alguma anistia? Franquia a cobrar?
Adianto.
No café recebo sorrisos e beijos
Amealhando- os todos os dias, enriqueço.
Penso.
A liberdade interna me fortalecia
Valor haveria pela minha evolução?
Saio.
Vários caminhos se alinham
A escolha: só minha, e se paga é por opção.
No Mundo,
Ainda me arrepio
Vejo a linha do horizonte: fronteira entre céu e mar
As dores
Se vem ou se percebo
Permitem entender que viver também é superar.
Justiça.
Gratidão haverei de espalhar.
É "free", "all inclusive", "de grátis" o essencial para viver e sonhar.
O preço.
Nada a quitar.
E se cobrassem, seguro, iria pagar.
Gratuidades
Que só valoraremos a falta
Se alguma delas passarem a limitar.
Negra Luz
"A gratidão é a moeda mais generosa, para retribuirmos o dom da vida." Negra Luz
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
Todo mundo é vítima
Rodolfo Pamplona Filho
Todo mundo é vítima
e ninguém assume a culpa
Todo mundo é vítima
e se pode fugir da luta
Todo mundo é vítima
e se empurra a responsabilidade
Todo mundo é vítima
e não se muda nada de verdade
Todo mundo é vítima
e há argumento para tudo
Todo mundo é vítima
e punir é um absurdo
Todo mundo é vítima
No Trem de Madrid para Pamplona, 02 de outubro de 2012.
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
Miliciana da poesia

Sem receio anuncio:
Uma miliciana me tornei!
O crime para mim permitido
É extorquir do meu Português
Amplificadores da minha alma
Para as emoções dar voz e vez
Associada a outras
Que muito antes de mim
Se aperfeiçoaram no iter
Sobre rimas de festim
Festejo a minha escolha
Quando a este delito aderi
Mais fácil seria o Mundo
Se todos pudessem desferir
As rimas certeiras e cortantes
Que passei a redigir
Encriminando minh'alma
Certeza, nada errado cometi.
Se há dor, a palavra consola
Quando, raiva, na estrofe deságua
O temor a poesia apreende
E, no outro dia,
O máximo que o jornal anuncia
A notícia arrepia: Ela sorri!'
Pacificada no meu sentir
Tributos ti imponho, quando leres a mim
Sentir-se leve... Quiçá! Feliz.
Guardando provas: indícios do que cometi
Crimes que compensam
Assim eu os assumi.
Negra Luz
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Mágoas
Rodolfo Pamplona Filho
Há quem prefira
vender uma amizade
por um cachê artístico;
desprezar um amor puro
por ouvir a opinião de uma prima;
desprestigiar o trabalho alheio
para tentar se auto-afirmar;
esquecer uma fraternidade solidária
para soar de vítima da situação;
humilhar com ar de superioridade
a efetivamente investigar o ocorrido;
tripudiar a imagem de colegas
para posar de voz da maioria;
blefar descaradamente e sem pudor
do que aceitar ajuda desinteressada;
ignorar a presença e o cumprimento
em vez de tentar um diálogo honesto;
fazer troça da desgraça alheia
para se sentir aceito no grupo;
perseguir incansavelmente
por não tolerar o diferente;
jogar fora a chance de fazer o Bem,
para se deleitar com seu veneno...
Isso só gera mágoa,
que vira raiva,
até se converter,
se houver o remédio
do esquecimento,
em profunda indiferença,
mesmo sendo cicatriz,
que não se apaga,
para ensinar
em quem vale confiar...
Pamplona, 03 de outubro de 2012, pensando sobre o passado...
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terça-feira, 24 de setembro de 2019
CONTO DE FADAS
Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.
Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras de uma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...
Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é d'oiro, a onda que palpita.
Dou-te comigo o mundo que Deus fez!
- Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A Princesa do conto: “Era uma vez...”
Florbela Espanca, em "Charneca em Flor"
segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Foco
Rodolfo Pamplona Filho
É preciso ter foco!
Mas como ter
se amar me faz perder?
Se Amar tira o meu foco,
não precisa tirar o seu
e nem precisa tirar de ninguém,
pois não é o amor que tira o foco,
mas, sim, o foco que se dá
ao amor e à vida!
Onde está o seu amor?
Ali estará o seu foco...
Salvador, 09 de junho de 2012.
domingo, 22 de setembro de 2019
ANGÚSTIA
Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!
E não se quer pensar! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ...
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –
O brilho duma estrela, com o vento! ...
E não se apaga, não ... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga ...
Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...”
Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!
Florbela Espanca, em "Livro de Mágoas"
sábado, 21 de setembro de 2019
Dedicatória da Saudade
Rodolfo Pamplona Filho
A você, dedico todas
as canções do universo...
E penso que todas as poesias
são feitas para você,
das mais felizes às mais tristes..
A você, quero dedicar
somente as poesias felizes,
pois, nas tristes,
quero só compartilhar
o choro, o abraço e o ombro...
Prometo fazer
um poema para você
mas apenas recitar
no dia em que puder
ver seu rosto novamente..
Salvador, 09 de junho de 2012.
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
A MULHER
Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!
Quantas morrem saudosa duma imagem.
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca rir alegremente!
Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!
Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!
Florbela Espanca
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Apego
Rodolfo Pamplona Filho
Apego é sofrimento
Possuir vira tormento
Debater-se para manter
o que possui (ou pensa deter).
Arrasar-se por não querer
passar sem algo específico ter
Por isso, para ser feliz,
aprenda a dizer não,
das coisas, abrir mão...
e pare de se debater...
descobrindo o prazer
de finalmente
e simplesmente
viver...
Santiago/Chile, 27 de junho de 2012.
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Amar
Carlos Drummond Andrade
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e
uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
terça-feira, 17 de setembro de 2019
Certezas da Vida
Rodolfo Pamplona Filho
Na vida, há mais dúvidas
do que certezas...
Não se sabe quanto tempo se vive,
nem o que se terá às mesas...
Uma convicção, porém,
que todos certamente têm
é que impostos pagarão
e, um dia, morrerão...
Eu, porém, tenho a sorte
de mais uma certeza ter:
que nem terminará a morte
o meu amor por você...
Santiago/Chile, 27 de junho de 2012.
segunda-feira, 16 de setembro de 2019
Poema de Sete Faces
Carlos Drummond Andrade
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
domingo, 15 de setembro de 2019
Cachorro Vira-Lata
Rodolfo Pamplona Filho
Sou um cachorro vira-lata,
solto nas ruas,
em busca de comida
e de carinho...
Procurando um refúgio,
onde possa ser amado
e não ter mais subterfúgio
para me sentir abandonado...
Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.
sábado, 14 de setembro de 2019
Minha moeda
Uma riqueza eu guardava
Passei agora a distribuir
Sou artista das palavras
Que foram depositadas em mim
Creditadas desde o ventre
Por aquela que ao mundo me fez vir
Hieróglifos de amor
Compreendidos pelo sentir
De moeda em moeda
Que da conta me perdi
Sou um banco de palavras
De tão rica que me senti
A riqueza acumulada
Eu passei a dividir
Pois desta vida nada se leva
Vale aquilo que vivi
Quando no papel assento um poema
Sinto: com o Mundo reparti
A fortuna que de graça
De tantos outros recebi
E, se pensas, só foi da família
Que riquezas recebi...
Acharás na Antiga História
Traços do saldo creditado em mim
Sendo assim passa a ser tua
Minhas posses repasso a ti.
Pelos poemas, deposito versos
Transferências para banco que habita em ti.
Negra Luz
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
Soneto do Último Romance...
Rodolfo Pamplona Filho
Você é meu último romance...
Você é, na realidade,
o meu primeiro e único lance,
a quem me entrego de verdade...
Quero amar como se não houvesse
qualquer impedimento ou estrutura,
pois minha alma envelhece,
se não me entrego à doce loucura
de apenas em você pensar...
de nunca me arrepender de tentar
aproveitar cada sensação vivida,
após alguém finalmente encontrar
com quem possa compartilhar
a cama, a palavra e a vida.
Salvador, 09 de junho de 2012.
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
Arrrrhhh
Arrrrhhh
Rastro
Rasteira
Retada
Raiva
Razão
Revoltada
Rumo
Rumores
Retomada
Rir?
Rota
Rasgada?
Rezar
Reencontro
Risada
Ranhuras
Resistência
Renovada
Negra Luz
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Tempero
Rodolfo Pamplona Filho
A fome é o tempero da comida
A saudade é o tempero da paixão
Salvador, 14 de março de 2019.
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