domingo, 9 de junho de 2024

Sim, tudo.






Negra Luz



Tudo estalo.

Tudo audiência.

Tudo click.

Tudo emoji.

Tudo Bauman.

Tudo calefação.

Tudo João!

Tudo George!

Tudo Miguel!

Tudo triste.

Tudo “migué”.

Tudo RACISMO.




sábado, 8 de junho de 2024

A Maior Prova de Amor

 

 







Rodolfo Pamplona Filho


A maior prova de amor

não se compra com dinheiro,

nem se espera como recompensa.

A maior prova de amor

não se entrega em um embrulho,

nem se acha em qualquer loja.

A maior prova de amor

não se exige de ninguém,

mas se entrega voluntariamente

como a única atitude possível

diante de um mal indizível.

A maior prova de amor

é dar de si sem pensar em si,

ou, mesmo que se pense,

entregar-se em sacrifício

sem esperar nada em troca,

somente pela esperança

de encontrar este amor na volta.


Salvador, 28 de maio de 2020.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Pétalas secas

 

 





Negra Luz




Na última prateleira,


Morada da porta dos esquecimentos.

Alí!

Um livro que me alimentou de romance.

Dentro dele...

Lembranças de uma primavera de amor.

Vencida a beleza pelo tempo,

Aderidas ao meu preferido volume, então pretérito,

Elas jaziam.

Outros que ali passassem  ignorariam o valor.

À mim não era dado esse malefício.

Aquelas pétalas desidratadas de um ramalhete ardente de rosas cor amarelo-sol

Eram, sim, um novo regalo.

Um “recuerdo ” de mim,

Guardado na estante oculta.

Viajante no espaço da minha memória.

Lembrança de verdades vividas por meu coração.

Atiçando o desejo de marcar novos livros.

Ilustra-los com estórias paralelas ao que li.

Ré memórias da essência da minha emoção,

Que julguei nem ser minha

E estava ocultada dentro de mim.



quinta-feira, 6 de junho de 2024

Nossa Sina

 




Rodolfo Pamplona Filho


Nossa sina

em um mundo

que nos estranha

é somente sofrer

com a nossa carência

e a insensibilidade alheia:

assim, temos que viver

e aprender a lidar

com nossas catástrofes

e paraísos diários.


Brasília, 09 de outubro de 2018.





quarta-feira, 5 de junho de 2024

Com os quatro elementos

 





Negra Luz





 Eu preciso mergulhar nos meus abissais


Deixar-me confrontar com os recifes

Ir à crista

Me quebrar 

E me render


Eu preciso alcançar a rocha oculta

Fragmentar, em seixos, a culpa

Reagir

Confiar 

E transcender


Eu preciso do furacão de vida

A redesenhar meus sentimentos

Entender o meu momento 

Tornar-me brisa

E amanhecer 


Eu preciso da larva quente do desejo

Que se acende com um beijo

Se é chama, que queime o meu peito

Gerar fumaça e fogo

E, só assim, dizer amar você.



terça-feira, 4 de junho de 2024

Sentir-se Menor

 



 Rodolfo Pamplona Filho



“Você me diminui

com esse discurso!

Você impossibilita

que eu siga o curso…”

Palavras não diminuem ninguém

Atitudes é que fazem bem

(ou não…)

Em vez de se vitimar,

é hora de acordar

para o velho bordão:

“Cresça e apareça!”

Assuma a postura

e seja maior

para nunca mais

se sentir menor

 

Salvador, 11 de abril de 2024.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

O utopista









Murilo Mendes




Ele acredita que o chão é duro

Que todos os homens estão presos

Que há limites para a poesia

Que não há sorrisos nas crianças

Nem amor nas mulheres

Que só de pão vive o homem

Que não há um outro mundo.



domingo, 2 de junho de 2024

Nunca Mais Outra Vez

 


Rodolfo Pamplona Filho

 

Há atos e vivências,

sensações e experiências,

em que a razão

impõe dizer não,

mas o coração

demanda repetição

 

Quando se vive de verdade,

todos compartilham a realidade

de aproveitar cada momento,

não parando a todo lamento

e finalmente sabendo

o que se quer, mesmo “não querendo”…

 

A vida vale a pena

para quem não se apequena

e não tem pressa,

pois sempre se interessa

mais em ser amoroso

do que estar certo e rigoroso

 

E é por isso que a gente

precisa tanto da vida presente!

É por isso que todo mundo precisa

de música, paz e brisa,

amizades, filhos e amores,

poesia, jardins e flores.

 

Fortaleza, 17 de maio de 2024.

sábado, 1 de junho de 2024

O Direito Brasileiro das Famílias em versos

 



 

No Brasil, o Direito das Famílias floresce,

em trilhas que o tempo reconhece:

do casamento tradicional ao diverso,

do velho desquite à busca do universo.

 

De fato, muitos temas são abordados

em um painel multifacetado,

que permite uma visão global da história

em que a luta é sempre emancipatória

 

No divórcio, uma porta se abriu

e a liberdade afetiva ressurgiu.

No movimento feminista, a dignidade se conquista,

para que a igualdade de gênero realmente exista.

 

Crianças e idosos, proteção merecida

em uma vida resguardada e querida.

Na homoafetividade, o amor é o leme

e o Direito é a justiça que se preme.

 

Poliamor, um novo olhar se lança,

pois, na diversidade, o amor se alcança.

Preconceito combatido, barreira a transpor,

na busca por um mundo mais acolhedor.

 

Nas tramas da vida, um enredo se tece,

união estável, laços que o coração aquece.

Paternidade socioafetiva, amor que transcende,

em empatia, a verdade se estende.

 

Alienação parental, sombra a repelir,

Violência doméstica, um mal a impedir

Abusos sexuais, traumas terríveis

Assédios morais, feridas sensíveis

 

Adoção, gesto de amor sem fronteiras,

Laços do coração que quebram barreiras.

Família monoparental, força que ergue,

Amor incondicional daquele que segue.

 

Direitos do ou da amante, voz que clama,

na sociedade, por uma nova chama.

Guarda de filho, decisão a ponderar,

o bem-estar da criança é o interesse a guiar.

 

Filiação, vínculo que o tempo desvela,

Laços que o destino eternamente sela.

Parentesco, fio invisível que nos une,

Alimentos, sustento que a vida resume.

 

Tutela e curatela, cuidado e proteção,

Na tomada de decisão, apoio e direção.

No palco das Famílias, o afeto é o pano de fundo,

E a assistência é a guardiã desse laço profundo.

 

Em um mundo onde o amor deve ser a lei suprema,

em que a liberdade sexual é uma premissa extrema,

também o direito ao planejamento familiar é uma meta realizada

e a identidade de gênero é valorizada e celebrada.

 

Pessoas com deficiência, membros de valor inestimável,

ensinam lições de coragem, tornando o mundo mais amável.

Nas trilhas da vida, famílias migrantes seguem caminhando,

cruzando fronteiras, com culturas se entrelaçando…

 

No legado digital, uma herança se perpetua,

com memórias virtuais, onde a história flutua.

E, no arremate, até o respeito à última vontade

é prova inequívoca da convivência com alteridade.

 

Esse é o grande desafio, nesse poema de inclusão,

no respeito a todos e todas, sem qualquer discriminação…

porque, no mosaico da humanidade, cada peça é vital,

pois só na diversidade encontramos a verdadeira felicidade, afinal.

 

Salvador, 26 de abril de 2024.

Gilda

 








Murilo Mendes




Não ponha o nome de Gilda

na sua filha, coitada,

Se tem filha pra nascer

Ou filha pra batisar.

Minha mãe se chama Gilda,

Não se casou com meu pai.

Sempre lhe sobra desgraça,

Não tem tempo de escolher.

Também eu me chamo Gilda,

E, pra dizer a verdade

Sou pouco mais infeliz.

Sou menos do que mulher,

Sou uma mulher qualquer.

Ando à-toa pelo mundo.

Sem força pra me matar.

Minha filha é também Gilda,

Pro costume não perder

É casada com o espelho

E amigada com o José.

Qualquer dia Gilda foge

Ou se mata em Paquetá

Com José ou sem José.

Já comprei lenço de renda

Pra chorar com mais apuro

E aos jornais telefonei.

Se Gilda enfim não morrer,

Se Gilda tiver uma filha

Não põe o nome de Gilda,

Na menina, que não deixo.

Quem ganha o nome de Gilda

Vira Gilda sem querer.

Não ponha o nome de Gilda

No corpo de uma mulher.


 


sexta-feira, 31 de maio de 2024

Atalhos Místicos

 


Rodolfo Pamplona Filho

 

Usar o atalho místico

Para poupar de usar

e poupar

Do esforço

Do caminho pessoal

 

Entre as tentativas

e a tentação,

essa é particularmente

Atrativa

 

A ditadura

é mais eficiente

Pelo menos

Para os imaturas

 

Buscar o controle

ou ser controlado

É mais conveniente

Do que aprender

A ser diferente

 

Salvador, 02 de maio de 2024.

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Reflexão n°.1


 


Murilo Mendes



Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho

Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio

Nem ama duas vezes a mesma mulher.

Deus de onde tudo deriva

E a circulação e o movimento infinito.


Ainda não estamos habituados com o mundo

Nascer é muito comprido.


 


quarta-feira, 29 de maio de 2024

Ela com A, Ela do B



Rodolfo Pamplona Filho



Ela com A

Ela com Afeto,

Amor e Admiração 


Ela do B

Ela do Barraco,

Briga e Batida de frente 


Ela com A

Ela com Amizade,

Abraço e Ação 


Ela do B

Ela com Birra,

Bolacha e Batalhas 


Ela com A

A mulher que sonhei

para mim


Ela com B

O pesadelo que

sempre temi


Ela com A

Ela do B

Duas pessoas

em um mesmo ser.


Salvador, 18 de outubro de 2018.


terça-feira, 28 de maio de 2024

Língua portuguesa

 


 

Olavo Bilac 





Última flor do Lácio, inculta e bela,


És, a um tempo, esplendor e sepultura:


Ouro nativo, que na ganga impura


A bruta mina entre os cascalhos vela...


Amo-te assim, desconhecida e obscura.


Tuba de alto clangor, lira singela,


Que tens o trom e o silvo da procela,


E o arrolo da saudade e da ternura!


Amo o teu viço agreste e o teu aroma


De virgens selvas e de oceano largo!


Amo-te, ó rude e doloroso idioma,


Em que da voz materna ouvi: "meu filho!",


E em que Camões chorou, no exílio amargo,


O gênio sem ventura e o amor sem brilho!








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segunda-feira, 27 de maio de 2024

Paralaxe




Rodolfo Pamplona Filho                      


Enxergar tudo

sob o ponto de vista alheio.

Cada um vê algo

que os demais sequer percebem...

Usar os olhos não dói.

Sentir a dor do outro, sim.


Praia do Forte, 26 de março de 2013.


domingo, 26 de maio de 2024

Nosso querer




Natália Oliveira


João quis ser ator, mas numa casa tão pequena, não havia espaço para a arte. Conheceu Maria, com quem casou e teve três filhos. Tem uma vida normal, de casa para o trabalho e no clube aos fins de semana. Nunca assiste TV, nem vai mais ao teatro.


Pedro sonhava ser médico. Deu continuidade aos negócios do pai, que prosperaram e hoje sustentam até os filhos de seus oito irmãos. Foi noivo de Alice. O compromisso se desfez quando ela cismou que só entraria na igreja vestida de branco. Pedro não suportou a ofensa.


Edgar queria curtir a vida. Abandonou o curso de Direito no quinto semestre. Conheceu pessoas novas, embriagou-se com todas elas e dormiu com algumas, até o dia em que suas “economias” acabaram. Alcoólatra, atualmente mendiga dois dedos de cachaça ao primeiro que cruza a esquina e ensaia suas teses de defesa na porta do bar.


Em comum, o desejo frustrado, por vontade própria ou alheia. Incomum, deixaram-se conduzir pela vida; foram montados pelo próprio cavalo. Quiseram alguma coisa, quiseram muito, quiseram até deixar de querer. Todo homem quer, mas nem todos se permitem lutar por.




                 [Às vezes, o querer é querer evitar, querer não sofrer, querer permanecer inerte. 


E quem há de  contrariar um desaproveito assim? É nosso querer. Fim.]







sábado, 25 de maio de 2024

Apoio

 








Eu fico feliz

quando sinto que

você está aqui

e quando ouço que

você só quer o meu bem!


Eu quero o seu também

e sempre vou estar presente,

apoiando e estimulando,

consolando nos erros e derrotas,

comemorando os acertos e vitorias.


Apoiar é estar ao lado,

mesmo quando não é possível,

pois nada está fechado

e a força do pensamento

supera qualquer advento...


Salvador, 04 de fevereiro de 2012.


quinta-feira, 23 de maio de 2024

Dialética

 


 




Vinicius de Moraes




É claro que a vida é boa


E a alegria, a única indizível emoção


É claro que te acho linda


Em ti bendigo o amor das coisas simples


É claro que te amo


E tenho tudo para ser feliz


Mas acontece que eu sou triste...



quarta-feira, 22 de maio de 2024

A Ignorância é um direito?




Rodolfo Pamplona Filho                                               




Eu não quero ir para a escola.

Eu não quero aprender

Eu não quero aprender nada

Eu não quero aprender nada novo

Eu não quero aprender nada de novo


Já sei tudo

Já sei tudo que quero

Já sei tudo que quero saber

Já sei até mais que quero saber

Eu gostava mais das coisas quando não sabia nada sobre elas...


Logo, concluo que

estou sendo lesado;

estou sendo violentado;

estou sendo educado;

estou sendo educado contra minha vontade...


Então, ser ignorante é um direito?

Não sei!

Mas também não quero descobrir...



Praia do Forte, 03 de agosto de 2013, lendo Calvin...

terça-feira, 21 de maio de 2024

Pedaço de Mim

 

 





 


Chico Buarque






Oh, pedaço de mim




Oh, metade afastada de mim




Leva o teu olhar




Que a saudade é o pior tormento




É pior do que o esquecimento




É pior do que se entrevar








Oh, pedaço de mim




Oh, metade exilada de mim




Leva os teus sinais




Que a saudade dói como um barco




Que aos poucos descreve um arco




E evita atracar no cais








Oh, pedaço de mim




Oh, metade arrancada de mim




Leva o vulto teu




Que a saudade é o revés de um parto




A saudade é arrumar o quarto




Do filho que já morreu








Oh, pedaço de mim




Oh, metade amputada de mim




Leva o que há de ti




Que a saudade dói latejada




É assim como uma fisgada




No membro que já perdi








Oh, pedaço de mim




Oh, metade adorada de mim




Leva os olhos meus




Que a saudade é o pior castigo




E eu não quero levar comigo




A mortalha do amor




Adeus