Negra Luz
Tudo estalo.
Tudo audiência.
Tudo click.
Tudo emoji.
Tudo Bauman.
Tudo calefação.
Tudo João!
Tudo George!
Tudo Miguel!
Tudo triste.
Tudo “migué”.
Tudo RACISMO.
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
Negra Luz
Tudo estalo.
Tudo audiência.
Tudo click.
Tudo emoji.
Tudo Bauman.
Tudo calefação.
Tudo João!
Tudo George!
Tudo Miguel!
Tudo triste.
Tudo “migué”.
Tudo RACISMO.
Rodolfo Pamplona Filho
A maior prova de amor
não se compra com dinheiro,
nem se espera como recompensa.
A maior prova de amor
não se entrega em um embrulho,
nem se acha em qualquer loja.
A maior prova de amor
não se exige de ninguém,
mas se entrega voluntariamente
como a única atitude possível
diante de um mal indizível.
A maior prova de amor
é dar de si sem pensar em si,
ou, mesmo que se pense,
entregar-se em sacrifício
sem esperar nada em troca,
somente pela esperança
de encontrar este amor na volta.
Salvador, 28 de maio de 2020.
Negra Luz
Na última prateleira,
Morada da porta dos esquecimentos.
Alí!
Um livro que me alimentou de romance.
Dentro dele...
Lembranças de uma primavera de amor.
Vencida a beleza pelo tempo,
Aderidas ao meu preferido volume, então pretérito,
Elas jaziam.
Outros que ali passassem ignorariam o valor.
À mim não era dado esse malefício.
Aquelas pétalas desidratadas de um ramalhete ardente de rosas cor amarelo-sol
Eram, sim, um novo regalo.
Um “recuerdo ” de mim,
Guardado na estante oculta.
Viajante no espaço da minha memória.
Lembrança de verdades vividas por meu coração.
Atiçando o desejo de marcar novos livros.
Ilustra-los com estórias paralelas ao que li.
Ré memórias da essência da minha emoção,
Que julguei nem ser minha
E estava ocultada dentro de mim.
Rodolfo Pamplona Filho
Nossa sina
em um mundo
que nos estranha
é somente sofrer
com a nossa carência
e a insensibilidade alheia:
assim, temos que viver
e aprender a lidar
com nossas catástrofes
e paraísos diários.
Brasília, 09 de outubro de 2018.
Negra Luz
Eu preciso mergulhar nos meus abissais
Deixar-me confrontar com os recifes
Ir à crista
Me quebrar
E me render
Eu preciso alcançar a rocha oculta
Fragmentar, em seixos, a culpa
Reagir
Confiar
E transcender
Eu preciso do furacão de vida
A redesenhar meus sentimentos
Entender o meu momento
Tornar-me brisa
E amanhecer
Eu preciso da larva quente do desejo
Que se acende com um beijo
Se é chama, que queime o meu peito
Gerar fumaça e fogo
E, só assim, dizer amar você.
“Você me diminui
com esse discurso!
Você impossibilita
que eu siga o curso…”
Palavras não diminuem ninguém
Atitudes é que fazem bem
(ou não…)
Em vez de se vitimar,
é hora de acordar
para o velho bordão:
“Cresça e apareça!”
Assuma a postura
e seja maior
para nunca mais
se sentir menor
Salvador, 11 de abril de 2024.
Murilo Mendes
Ele acredita que o chão é duro
Que todos os homens estão presos
Que há limites para a poesia
Que não há sorrisos nas crianças
Nem amor nas mulheres
Que só de pão vive o homem
Que não há um outro mundo.
Rodolfo Pamplona Filho
Há atos e vivências,
sensações e experiências,
em que a razão
impõe dizer não,
mas o coração
demanda repetição
Quando se vive de verdade,
todos compartilham a realidade
de aproveitar cada momento,
não parando a todo lamento
e finalmente sabendo
o que se quer, mesmo “não querendo”…
A vida vale a pena
para quem não se apequena
e não tem pressa,
pois sempre se interessa
mais em ser amoroso
do que estar certo e rigoroso
E é por isso que a gente
precisa tanto da vida presente!
É por isso que todo mundo precisa
de música, paz e brisa,
amizades, filhos e amores,
poesia, jardins e flores.
Fortaleza, 17 de maio de 2024.
No Brasil, o Direito das Famílias floresce,
em trilhas que o tempo reconhece:
do casamento tradicional ao diverso,
do velho desquite à busca do universo.
De fato, muitos temas são abordados
em um painel multifacetado,
que permite uma visão global da história
em que a luta é sempre emancipatória
No divórcio, uma porta se abriu
e a liberdade afetiva ressurgiu.
No movimento feminista, a dignidade se conquista,
para que a igualdade de gênero realmente exista.
Crianças e idosos, proteção merecida
em uma vida resguardada e querida.
Na homoafetividade, o amor é o leme
e o Direito é a justiça que se preme.
Poliamor, um novo olhar se lança,
pois, na diversidade, o amor se alcança.
Preconceito combatido, barreira a transpor,
na busca por um mundo mais acolhedor.
Nas tramas da vida, um enredo se tece,
união estável, laços que o coração aquece.
Paternidade socioafetiva, amor que transcende,
em empatia, a verdade se estende.
Alienação parental, sombra a repelir,
Violência doméstica, um mal a impedir
Abusos sexuais, traumas terríveis
Assédios morais, feridas sensíveis
Adoção, gesto de amor sem fronteiras,
Laços do coração que quebram barreiras.
Família monoparental, força que ergue,
Amor incondicional daquele que segue.
Direitos do ou da amante, voz que clama,
na sociedade, por uma nova chama.
Guarda de filho, decisão a ponderar,
o bem-estar da criança é o interesse a guiar.
Filiação, vínculo que o tempo desvela,
Laços que o destino eternamente sela.
Parentesco, fio invisível que nos une,
Alimentos, sustento que a vida resume.
Tutela e curatela, cuidado e proteção,
Na tomada de decisão, apoio e direção.
No palco das Famílias, o afeto é o pano de fundo,
E a assistência é a guardiã desse laço profundo.
Em um mundo onde o amor deve ser a lei suprema,
em que a liberdade sexual é uma premissa extrema,
também o direito ao planejamento familiar é uma meta
realizada
e a identidade de gênero é valorizada e celebrada.
Pessoas com deficiência, membros de valor inestimável,
ensinam lições de coragem, tornando o mundo mais amável.
Nas trilhas da vida, famílias migrantes seguem caminhando,
cruzando fronteiras, com culturas se entrelaçando…
No legado digital, uma herança se perpetua,
com memórias virtuais, onde a história flutua.
E, no arremate, até o respeito à última vontade
é prova inequívoca da convivência com alteridade.
Esse é o grande desafio, nesse poema de inclusão,
no respeito a todos e todas, sem qualquer discriminação…
porque, no mosaico da humanidade, cada peça é vital,
pois só na diversidade encontramos a verdadeira felicidade,
afinal.
Salvador, 26 de abril de 2024.
Murilo Mendes
Não ponha o nome de Gilda
na sua filha, coitada,
Se tem filha pra nascer
Ou filha pra batisar.
Minha mãe se chama Gilda,
Não se casou com meu pai.
Sempre lhe sobra desgraça,
Não tem tempo de escolher.
Também eu me chamo Gilda,
E, pra dizer a verdade
Sou pouco mais infeliz.
Sou menos do que mulher,
Sou uma mulher qualquer.
Ando à-toa pelo mundo.
Sem força pra me matar.
Minha filha é também Gilda,
Pro costume não perder
É casada com o espelho
E amigada com o José.
Qualquer dia Gilda foge
Ou se mata em Paquetá
Com José ou sem José.
Já comprei lenço de renda
Pra chorar com mais apuro
E aos jornais telefonei.
Se Gilda enfim não morrer,
Se Gilda tiver uma filha
Não põe o nome de Gilda,
Na menina, que não deixo.
Quem ganha o nome de Gilda
Vira Gilda sem querer.
Não ponha o nome de Gilda
No corpo de uma mulher.
Rodolfo Pamplona Filho
Usar o atalho místico
Para poupar de usar
e poupar
Do esforço
Do caminho pessoal
Entre as tentativas
e a tentação,
essa é particularmente
Atrativa
A ditadura
é mais eficiente
Pelo menos
Para os imaturas
Buscar o controle
ou ser controlado
É mais conveniente
Do que aprender
A ser diferente
Salvador, 02 de maio de 2024.
Murilo Mendes
Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
E a circulação e o movimento infinito.
Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.
Rodolfo Pamplona Filho
Ela com A
Ela com Afeto,
Amor e Admiração
Ela do B
Ela do Barraco,
Briga e Batida de frente
Ela com A
Ela com Amizade,
Abraço e Ação
Ela do B
Ela com Birra,
Bolacha e Batalhas
Ela com A
A mulher que sonhei
para mim
Ela com B
O pesadelo que
sempre temi
Ela com A
Ela do B
Duas pessoas
em um mesmo ser.
Salvador, 18 de outubro de 2018.
Olavo Bilac
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
-
Rodolfo Pamplona Filho
Enxergar tudo
sob o ponto de vista alheio.
Cada um vê algo
que os demais sequer percebem...
Usar os olhos não dói.
Sentir a dor do outro, sim.
Praia do Forte, 26 de março de 2013.
Natália Oliveira
João quis ser ator, mas numa casa tão pequena, não havia espaço para a arte. Conheceu Maria, com quem casou e teve três filhos. Tem uma vida normal, de casa para o trabalho e no clube aos fins de semana. Nunca assiste TV, nem vai mais ao teatro.
Pedro sonhava ser médico. Deu continuidade aos negócios do pai, que prosperaram e hoje sustentam até os filhos de seus oito irmãos. Foi noivo de Alice. O compromisso se desfez quando ela cismou que só entraria na igreja vestida de branco. Pedro não suportou a ofensa.
Edgar queria curtir a vida. Abandonou o curso de Direito no quinto semestre. Conheceu pessoas novas, embriagou-se com todas elas e dormiu com algumas, até o dia em que suas “economias” acabaram. Alcoólatra, atualmente mendiga dois dedos de cachaça ao primeiro que cruza a esquina e ensaia suas teses de defesa na porta do bar.
Em comum, o desejo frustrado, por vontade própria ou alheia. Incomum, deixaram-se conduzir pela vida; foram montados pelo próprio cavalo. Quiseram alguma coisa, quiseram muito, quiseram até deixar de querer. Todo homem quer, mas nem todos se permitem lutar por.
[Às vezes, o querer é querer evitar, querer não sofrer, querer permanecer inerte.
E quem há de contrariar um desaproveito assim? É nosso querer. Fim.]
Eu fico feliz
quando sinto que
você está aqui
e quando ouço que
você só quer o meu bem!
Eu quero o seu também
e sempre vou estar presente,
apoiando e estimulando,
consolando nos erros e derrotas,
comemorando os acertos e vitorias.
Apoiar é estar ao lado,
mesmo quando não é possível,
pois nada está fechado
e a força do pensamento
supera qualquer advento...
Salvador, 04 de fevereiro de 2012.
Vinicius de Moraes
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...
Rodolfo Pamplona Filho
Eu não quero ir para a escola.
Eu não quero aprender
Eu não quero aprender nada
Eu não quero aprender nada novo
Eu não quero aprender nada de novo
Já sei tudo
Já sei tudo que quero
Já sei tudo que quero saber
Já sei até mais que quero saber
Eu gostava mais das coisas quando não sabia nada sobre elas...
Logo, concluo que
estou sendo lesado;
estou sendo violentado;
estou sendo educado;
estou sendo educado contra minha vontade...
Então, ser ignorante é um direito?
Não sei!
Mas também não quero descobrir...
Praia do Forte, 03 de agosto de 2013, lendo Calvin...
Chico Buarque
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus