terça-feira, 9 de abril de 2013

O emprego do pronome indefinido...

O emprego do pronome indefinido...
 
 Era uma vez quatro indivíduos que se chamavam
  todos
alguém,  cada um  ninguém.   
 
Existia um importante trabalho a ser feito,
 
e pediram a  todos  para fazê-lo.
 
Todos tinham certeza de que alguém  o faria.
 
Cada um  poderia tê-lo feito, mas na realidade ninguém  o fez.
 
Alguém  se zangou, pois era trabalho de todos!
 
Todos  pensaram que cada um  poderia tê-lo feito
  e
ninguém duvidava de que alguém  o faria.
   No fim das contas,
todos  fizeram críticas a cada um
   porque
ninguém  tinha feito o que alguém poderia ter feito.

                          
*** Moral da história ***

  
Sem querer recriminar a  todos,
   seria bom que
cada um
   fizesse aquilo que deve fazer,
   sem alimentar esperança de que
  
alguém  vá fazê-lo em seu lugar...
   A experiência mostra que lá,
   onde se espera
alguém,
   geralmente não se encontra
ninguém.

   Estou repassando a
  todos  a fim de que
  
cada um  possa repassá-lo a alguém
   sem esquecer de
ninguém 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Coisas Novas

Coisas Novas

Rodolfo Pamplona Filho


Novos projetos,
Novos planos,
Novas metas,
Novos focos

Tudo que preciso
para parar de pensar
em tudo que não posso fazer
no momento ou na vida!

Tudo que preciso
para não me desesperar
é renovar e me surpreender
com o fim do lamento e da rotina.

Coisas Novas
são mais do que coisas:
são oportunidades
de chorar pelo que passou,
vibrar com o que se passa a viver
e sonhar com o que pode acontecer...


Salvador, 13 de abril de 2011.

domingo, 7 de abril de 2013

Receita de FAMÍLIA


Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes.  Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, reunir uma família exige coragem, devoção e paciência, equilíbrio mental.  Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível.  Às vezes, dá até vontade de desistir.

 O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita.  Bobagem. Tudo ilusão!

Não existe Família a Oswaldo Aranha; Família a Rossini, Família a Belle Meuniere; Família a Povençal ou Família a Milaneza. Família ao Molho Pardo, em que o "sangue" é fundamental para o preparo da iguaria.

 Família é afinidade, é a Moda da Casa.  E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces que dá até gosto de conviver, tão grande é a educação e a gentileza, o afeto, o carinho, abraços, dengos, beijos.  Outras, meio amargas, porque não dizer: azedas, um querendo engolir o outro.  Outras apimentadíssimas, mal chegam e a briga começa...por qualquer coisa. um stress.

 Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha.

Há também a família do faz de conta, quer ser o que não é, não tem um tostão no bolso, mas o rei tá na barriga, gastam o que não tem para impressionar os outros e ai passam o ano todo devendo.

 Tem a família feliz, que tem o necessário para viver e são felizes assim mesmo, porque o que importa é estarem juntos, não importam-se com coisas materiais, mas sim com afeto entre eles. difícil mas existe!

Tem sempre aquele tio chato que bebe e acha que não está perturbando ninguém, que fica inconveniente, chama o juuucaaaa, fééde a bebida e conta a mesma piada dez vezes e fala coisas que depois não se lembra, mas que ferem aos outros.

 E a família preguiçosa, que vem, come, suja e vai embora e não ajuda em nada, nem nas despesas, se tá rindo né? já passou por isso!!! ou fez isso!!! rsrsrsrsrsrs

 Há famílias fofoqueiras, daquelas que temos vontade de sair correndo e deixá-los falando sozinhos.  Tem a família de loucos, doidos e divertidos, que topam de tudo e qualquer coisa é motivo para trazer felicidade às pessoas presentes, que maravilha!!!

 Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo.  Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança.
 
O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer.  Se puder saborear, saboreie, se não puder, não se torture.
 
Não ligue para etiquetas:  Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Pode lamber a panela da sobremesa ou passar o dedo e por na boca! Hummm
 
Pegar o frango com a mão e se deliciar.  Roube a azeitona ou a cereja da mesa....e coma escondidinho!  Volte a ser criança e deixem as crianças brincarem a vontade, desde que os pais arrumem a bagunça depois, só não as deixem ser malcriadas, eduque-as!!!

 Família é experimentar o cafezinho fresquinho com todos em volta da mesa e por os assuntos em dia. Tirar muitas fotos, para relembrar depois.  Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.
 
Aproveite sua família enquanto os avós e pais estão vivos, se vc for pai dê atenção aos filhos, uma hora eles crescem e vão-se embora! E se seus pais já não estão, os filhos já foram embora, "ora!!! seja feliz"!!!
 
Nós nascemos sozinhos e morremos sozinhos, se curta, se ame.  Aproveite com os amigos, só vive sozinho quem, realmente quer!!!  Porque quem tem um pouco de amor para dar, nunca ficará sozinho.
 
Nunca se entristeça por alguém que já partiu, faça sua oração.  A tristeza só traz doenças, pense coisas positivas, seja alegre!  "mas""não se esqueça de cuidar de vc, seja feliz e aproveite o tempo que Deus está lhe concedendo aqui, agradeça por sua vida, seja grato ao pai do céu e as bençãos virão com certeza!!!
 
Aproveite a sua família ao máximo!!!!!  Se não tiver família aproveite-se, seja feliz, se faça feliz.

sábado, 6 de abril de 2013

Soneto do Despertador

Soneto do Despertador
Rodolfo Pamplona Filho
Cuco, cuco, cuco
Hora de acordar
E o despertador maluco
não para de chamar

pois o momento de levantar,
sem dúvida, já chegou,
para desafios enfrentar
no novo dia que já raiou.

Mas o sono persiste,
como a deixar triste
aquele que só quer ajudar

a quem merece todo o carinho
e a quem nunca deixará sozinho
para, do seu lado, sempre despertar.

Salvador, 19 de março de 2012.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Poema Enjoadinho

Poema Enjoadinho
Vinícius de Moraes

Filhos...  Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos?  Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

O texto acima foi extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 195.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

As Canções (Soneto)

As Canções (Soneto)

Rodolfo Pamplona Filho
Há canções que fazem sonhar
em viver o que não mais há...
Sons que trazem recordações
Notas que renascem emoções

A primeira ida ao cinema...
O beijo roubado no portão...
A letra de música que vira poema...
A ferida aberta na separação...

A saudade do antigo namorado...
não ficam esquecidos no passado
e surgem sempre ao ouvir

a melodia que traz a lembrança
e que renova a esperança
de a sensação repetir...

Salvador, no aeroporto para Santa Catarina, 14 de março de 2012.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

PALAVRAS DO DONO DO WALMART

PALAVRAS DO DONO DO WAL MART

Discurso de Sam Walton (fundador do WAL MART) fazendo a abertura de um programa de treinamento para seus funcionários:


" Eu sou o homem que vai a um restaurante, senta-se à mesa e pacientemente espera, enquanto o garçom faz tudo, menos o meu pedido.


Eu sou o homem que vai a uma loja e espera calado, enquanto os vendedores terminam suas conversas particulares.


Eu sou o homem que entra num posto de gasolina e nunca toca a buzina, mas espera pacientemente que o empregado termine a leitura do seu jornal.


Eu sou o homem que, quando entra num estabelecimento comercial, parece estar pedindo um favor, ansiando por um sorriso ou esperando apenas ser notado.


Eu sou o homem que entra num banco e aguarda tranqüilamente que as recepcionistas e os caixas terminem de conversar com seus amigos, e espera.


Eu sou o homem que explica sua desesperada e imediata necessidade de uma peça, mas não reclama; pacientemente espero enquanto os funcionários trocam idéias entre si ou, simplesmente abaixam a cabeça e fingem não me ver.


Você deve estar pensando que sou uma pessoa quieta, paciente, do tipo que nunca cria problemas.


Engana-se.


Sabe quem eu sou???


EU SOU O CLIENTE QUE NUNCA MAIS VOLTA!!!

Divirto-me vendo milhões sendo gastos todos os anos em anúncios de toda ordem, para levar-me de novo à sua empresa!
Quando fui lá, pela primeira vez, tudo o que deviam ter feito era apenas a pequena gentileza, tão barata, de me enviar um pouco mais de CORTESIA".


"NÓS CLIENTES TEMOS O PODER DE DEMITIR TODOS OS FUNCONÁRIOS DE UMA EMPRESA, DO ALTO EXECUTIVO PARA BAIXO, SIMPLESMENTE GASTANDO O NOSSO DINHEIRO EM ALGUM OUTRO LUGAR."

terça-feira, 2 de abril de 2013

Sobre Traumas


Sobre Traumas

Rodolfo Pamplona Filho
Com sinceridade e amor,
digo, sem pudor:
nao se apaga o que se viveu.
Se o trauma ocorreu,
é preciso enfrentá-lo,
sem menosprezá-lo,
com coragem e candura,
assumindo nova postura,
sem temer a luta
ou a força bruta,
para aproveitar o presente,
sem medo ou receio,
e enfrentar o amanhã iminente,
independente do meio
ou do instrumento
que se use, de verdade,
para cessar todo lamento
e vencer a vulnerabilidade.
Para superar um trauma,
é preciso renovar a alma,
sabendo que a tristeza
é normal em qualquer mesa,
mas que o mais importante
é saber caminhar adiante,
pois uma alegria está defronte
a você, em um novo horizonte,
que somente vai achar
quem resolver a vida encarar...

Praia do Forte-Iberostar, 11 de março de 2012.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Fenômeno, direito de ação e rimas





Fenômeno, direito de ação e rimas
Por Manoana Bastos

A ação é direito
Da qual petição é instrumento
Mas existe fenômeno dela
Chamado aditamento

O aditamento é no início
Antes da citação
É a ampliação do objeto
Na demanda, na ação

A emenda é presente
Serve para correção
Mas para vício sanável
Como manda a legislação

O sujeito e objeto
Também alvo de modificação
Decorrente do fenômeno
Denominado alteração

O sujeito é mudado
Apenas antes da citação
Assim o réu não interfere
No início da relação

A mudança do objeto
Para o réu não interferir
É antes da citação
Para o processo fluir

Feita a citação
O réu é chamado
Só com sua permissão
Para o objeto ser mudado

Após o saneamento
Não há modificação
Nem sujeito e objeto
Poderá sair da ação

 





Imagem extraída de: http://saiddib.blogspot.com.br/2010/10/novo-codigo-de-processo-civil-tem.html

domingo, 31 de março de 2013

Renascendo das Cinzas (soneto)

Renascendo das Cinzas (soneto)

Rodolfo Pamplona Filho
Como é bom experimentar
a paz e o imenso prazer
de, depois de muito chorar,
no meio das cinzas, renascer...

Se é certo que, após a tempestade,
o sol resplandece mais claro
e que, chegada a maturidade,
o tempo se torna mais caro,

não há melhor sensação
do que se descobrir vivo,
forte, disposto e ativo,

para cantar nova canção
e, tal qual Fênix pulsante,
gozar, da vida, cada instante.

Praia do Forte-Iberostar, 10 de março de 2012.

sábado, 30 de março de 2013

mamae@mamae.com

Queridos Marido e Filhos,
Em primeiro lugar, Mamãe gostaria de agradecer a presença de todos nesta Primeira Convenção Familiar. Mamãe sabe como foi difícil abrir um espaço nas agendas de cada um de vocês: Papai tinha uma lavagem de carro praticamente inadiável, Júnior já tinha marcado de se trancar no quarto, Carol estava para receber pelo menos três telefonemas importantíssimos de uma hora e meia cada um.
Mamãe está comovida. Muito obrigada.
Bem, conforme Mamãe já tinha mais ou menos antecipado, esta convenção é para comunicar ao público interno - Papai, Júnior e Carol - todas as modificações nos produtos e serviços da linha Mamãe.
Como vocês sabem, a última vez que Mamãe passou por reformulações foi há 14 anos, com o nascimento do Júnior. De lá para cá, os hábitos e costumes, o panorama cultural, a economia e o mercado passaram por transformações radicais.
Mamãe precisa acompanhar a evolução dos tempos, sob pena de ver sua marca desvalorizada.
Para começar, Mamãe vai mudar a embalagem. Mamãe sabe que esta é uma decisão polêmica, mas, acreditem, é o que deve ser feito.
Mamãe sai desta convenção direto para um spa, e de lá para uma clínica de cirurgia plástica.
Nada assim tão radical. Haverá pouquíssimas alterações de rótulo,vocês vão ver.
Mamãe vai continuar com praticamente o mesmo formato, só que com linhas mais retas em alguns lugares e linhas mais curvas em outros.
Calma, Papai! Mamãe já captou recursos no mercado.
Mamãe vai ser patrocinada por uma nova marca de comida congelada. Lei Rouanet, porque Mamãe também é cultura. Junto com o lançamento da nova embalagem de Mamãe, no entanto, acontecerá o movimento mais arriscado deste plano de reposicionamento.
Sinto informar, mas Mamãe vai tirar do mercado o produto Supermãe...
Não, não, não adianta reclamar. Supermãe já deu o que tinha de dar.Trata-se de um produto anacrônico e superado, antieconômico e difícil de fabricar.
Mamãe sabe que o fim da Supermãe vai aumentar a demanda pela linha Vovó, que disputa o mesmo segmento. Paciência. Você não pode atender todos os públicos o tempo todo.
No lugar da Supermãe, Mamãe vai lançar (queriam que eu dissesse 'vai estar lançando', mas eu me recuso) novas linhas de produtos mais adequados à realidade de mercado.
Vocês vão poder consumir Mamãe nas versões Active (executiva e profissional), Light (com baixos teores de pegação de pé), Classic (rígida e orientadora), Italian (superprotetora) e Do-It Yourself (virem-se, fui passear no shopping).
Mas uma de cada vez, sem misturar.
Ah, sim, Mamãe detesta esses nomes em inglês, mas me disseram que, se não for assim, não vende. Mamãe gostaria de aproveitar a oportunidade para lançar seus novos canais de comunicação.
De hoje em diante, em vez de sair gritando pela casa, vocês vão poder ligar para o SAC-Mamãe, um 0300 que dá direto no meu celular (apenas 27 centavos por minuto, mais impostos).
Mamãe também aceita sugestões e críticas no endereço http://br.mc1114.mail.yahoo.com/mc/compose?to=mamae%40mamae.net
Mais uma vez Mamãe agradece a presença e a atenção de todos.
(Autoria Desconhecida - mas, um GÊNIO!)

sexta-feira, 29 de março de 2013

O Amor que renova a Vida

O Amor que renova a Vida

Rodolfo Pamplona Filho
Coisa linda
da minha lida,
desejar-te desde sempre,
ter-te agora e eternamente,
é uma alegria,
que refaz o dia!
Amar-te é uma arte,
que o destino trouxe-me a sorte
de tua vida fazer parte,
até que nos separe a morte...
Tu és a minha única musa,
que dá sentido a uma alma confusa...
Tu és a minha moça,
que renova a força
de olhar para o horizonte,
de não temer o que está defronte,
seja escrever um livro
ou saber que ainda estou vivo...

Salvador, 07 de março de 2012.

quinta-feira, 28 de março de 2013

No tempo de meu pai

06 de março de 2012 | N° 17000

PAULO SANT’ANA

No tempo de meu pai

Assisti domingo a uma impressionante entrevista com o ator Lima Duarte no Fantástico.

Impressionante. Ele é dono de um talento e uma simpatia estupendos.

Foi longa a entrevista e eu estava deitado na cama, assistindo a ela.

Senti em meio à entrevista a vontade de ir no banheiro e me segurei, continuei ouvindo o extraordinário relato da vida de Lima Duarte.

*

Tocou-me particularmente uma coisa que ele disse: quando referiu que tinha 14 ou 15 anos de idade e seu pai, muito pobre, chamou-o e disse que não podia mais sustentá-lo. Ele iria ter de lutar pela vida sozinho.

Eles moravam, ao que me parece, numa cidade interiorana de Minas Gerais. O pai colocou-o dentro de um caminhão e exportou-o para São Paulo.

E ele veio, como milhões de migrantes já vieram, fazer a vida em São Paulo.

*

O que me chamou a atenção foi que Lima Duarte em nenhum momento classificou como crueldade o fato de seu pai ter-se livrado dele e o exportado para São Paulo.

Pelo contrário, dedicou palavras de ternura a seu pai e entendeu como normal o seu gesto de ter-se livrado dele e mandado que ele fosse, completamente sozinho, tentar a vida na cidade grande.

Isso me impressionou porque aconteceu exatamente o mesmo comigo. Quando tinha a mesma idade, 14 ou 15 anos, meu pai me botou para fora de casa, me dando a entender que tinha muitos filhos, meus irmãos, que eu tinha de fazer por mim e tratar sozinho do meu sustento.

É muito triste isso. Sinto que sofro uma punhalada quando recordo esse fato.

*

Foi por isso, por ter sido mandado para fora de casa ainda garoto, que adorei uma canção do Benito di Paula, que até hoje tenho decorada e ainda canto: “Ah, eu chorei/ quando saí lá de casa/ enfrentei o mundo/ eu chorei/ ah, só eu sei, que pra chegar onde estou/ eu confesso lutei/ eu lutei!”.

Foi dura a vida para mim, como deve ter sido para o Lima Duarte, quando nossos pais nos enxotaram de casa.

*

Só tem uma diferença, a pior para mim, entre as duas histórias: eu nunca perdoei meu pai por ter-se desfeito de mim e não ter permitido que eu continuasse em casa, a enfrentar as dificuldades da vida junto dele, apegado à família. Nunca perdoei.

E Lima Duarte, ao contrário, entendeu seu pai e dedicou na entrevista palavras doces para seu amado pai.

Eu fico pensando que esta deve ser apenas uma das muitas injustiças que fiz à memória de meu pai.

Como em tudo na vida, cometemos injustiças quando não nos colocamos no lugar das pessoas que condenamos.

E, cotejando essas duas histórias, confesso que tenho ainda dúvida se eu não fui ou fui severo demais no julgamento de meu pai, ou se Lima Duarte usou de excesso de benevolência ao julgar seu pai no episódio.

E, terrivelmente, a esse respeito, sempre chega a hora para alguns pais pobres em que eles são obrigados a se desfazer e se afastar dos filhos, em nome da sobrevivência.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Soneto do Soneto

Soneto do Soneto

Rodolfo Pamplona Filho
Qual será o real segredo
de se fazer um bom soneto?
Trabalhar dois quartetos
e juntar com dois tercetos?

A fórmula parece rasa,
em que a palavra apenas casa
com outra na mesma rima,
marcando a métrica como sina.

O desafio é muito maior,
pois não é falar de cor
uma seqüência pronta, para valer,

mas é exercitar, da síntese, o poder
de dizer tudo em quatorze linhas,
sem se perder nas entrelinhas...

Salvador, 20 de dezembro de 2011.

terça-feira, 26 de março de 2013

“Perfeição”

“Perfeição”


Que mistérios o envolve?
Que forças o detém ?
Se a minha energia se dissolve
No magnetismo que ele tem?

Se a todo e qualquer momento
Seu fascínio me convém?
Se o meu pensamento
Com a sua imagem se entretém?

Quais os ventos que o conduz
Brisa suave ou rude tormenta?
Sombras, negrumes ou raios de luz
Que poderes o movimenta?

Brilhante é o seu olhar, profundo!
Miríade de beleza que seduz...
Nenhum outro ser no mundo
Com a mesma grandeza reluz!



Seus pés são dois alicerces
Firmados na base do vigor.
Os olhos, alcandoradas preces
Que poeta algum pode compor!

Suas pernas são colunas vitais
Sustentando um corpo robusto
Seu peito, sede de arsenais
Que abriga um homem augusto!

Suas mãos são ágeis, criativas
Arquitetas de mágicas carícias.
Seus lábios são nascentes vivas
De um melífluo mar de delícias!

Seu pensar paralisa o universo,
Seu sorriso ameniza minhas dores,
Seu falar revela-me o verso,
Seu caminhar fertiliza as flores!

O cântico da sua boca é sagrado,
Os gestos do seu corpo são ciência.
Seu meditar é barco ancorado,
No grande porto da inteligência!



Seu espírito é essência divina,
(Formosos são os detalhes seus)
Dele, monarca, é que se origina
Os fervorosos anseios meus.

Na esperança, meu ser se anima:
A Fé é escudo até para os ateus!
Eu e Ele unidos, esta é a sina
Um tálamo eterno nos dará Deus!

Carmen Cardin

segunda-feira, 25 de março de 2013

Mimetismo de Amor

Mimetismo de Amor

Rodolfo Pamplona Filho
É normal
diria mais: habitual
que a convivência
gere a consequência
da identificação
virar unificação
e que casais,
que se amam demais,
passem a se vestir
e a sorrir
da mesma forma
na mesma norma...
É o mimetismo do amor,
em que o calor
é compartilhado,
como um efeito dobrado,
de quem se quer ao lado...

Salvador, 26 de fevereiro de 2012.

domingo, 24 de março de 2013

Perdoe seus pais

06 de março de 2012 | N° 17000

FABRÍCIO CARPINEJAR

Perdoe seus pais

Gostamos mais de punir do que amar e perdoar. Para reclamar e cobrar, não pensamos duas vezes. Para desculpar, ainda estamos pensando.

Todo marido ou esposa sofre com a separação. É resistir ao transbordamento do ressentimento, acompanhar com pesar a transformação de uma personalidade atenta e interessada em tudo o que você diz para um ente completamente estranho, indiferente e amargo, que mal olha em seus olhos.

Se a antipatia declarada do divórcio já atormenta, não conheço algo mais cruel do que a distância de uma mãe de seu filho. Quando o filho rompe com os pais velhos e demora a fazer as pazes, confiando num futuro infinito para a reconciliação.

Na praia do Cassino, a amiga Berenice, 73 anos, comprou duas casas geminadas, uma para si e outra para seu filho, Juvenal, 39.

O que ela não previa era o estremecimento das relações entre os dois. O boicote filial vem durando quatro veraneios.

Juvenal prepara churrasco, recebe amigos e familiares, brinca com os vizinhos, e jamais convida sua mãe a participar de qualquer festa. Ela fica na varanda, triste e sonolenta, observando a algazarra, mexendo sua cadeira de balanço para trás e para frente.

Juvenal passa de manhã pela residência materna, que é caminho da padaria, e não a cumprimenta nem na ida, muito menos na volta. Atravessa reto, como se ela não existisse, como se fosse um túmulo desconhecido.

Seu desprezo extrapolou a conta. Mesmo que tenha razão em brigar, não há sentido em prolongar a dor de alguém que envelheceu.

Ela experimentou 60 dias na praia com a expectativa de uma retomada dos laços com sua criança grande. E os dias são décadas para a terceira idade. E as décadas são séculos para os cabelos grisalhos.

Não tomava banho de mar para não correr risco de perder o reencontro. Mantinha-se tricotando na entrada, despistando o choro da voz. Uma Penélope do próprio ventre. Uma viúva de suas vísceras.

É um erro forçar que nossos pais mudem de comportamento, é uma tolice educá-los com reprimendas e devolver castigos da infância, é inútil propor que eles concordem com nossas opiniões. Forçar uma retratação não tem sentido. O ódio é apenas um segundo nome da dependência.

O filho sempre será o lado mais fraco, acostume-se, o lado que deve ceder. Não é justo brigar com quem tem o dobro de nossa idade. Podemos guerrear com irmão, virar as costas a um amigo, onde ocorre uma equivalência etária, onde haverá tempo para acertar as arestas.

Mas nunca destrate pai e mãe enrugados. Finja que concorda. Mude de assunto. Não seja o centro da discórdia. Não prolongue o mal-estar. Estar certo não nos acrescenta em importância.

Esqueça o rancor. Antes que a morte seja a última lembrança. E o arrependimento cubra a lápide com a voracidade dos inços.


__._,_.___

sábado, 23 de março de 2013

Desejos Reais

Desejos Reais

Rodolfo Pamplona Filho
Nao podemos ser
tudo o que quisermos!
Podemos aspirar a tudo,
mas nao conseguimos
só porque queremos.
Há quem prefira ficar
perto de pássaros
do que apenas sonhar
em ter asas e nunca voar...
Preferir passar a vida,
conhecendo o possível,
em vez de desperdiçá-la,
cogitando o inviável...
Mas quem garante
que o tido como palpável
é a única possibilidade
de algo realizável?

Salvador, 04 de março de 2012.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Subversiva

Subversiva
Ferreira Gullar

A poesia
Quando chega
Não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos
Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha
Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.
E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.
E promete incendiar o país

quinta-feira, 21 de março de 2013

Sentir-se Usada (soneto)

Sentir-se Usada (soneto)

Rodolfo Pamplona Filho
Eu não quero a sensação
de ser um pano de chão:
descartada, depois de usada,
como se minha alma fosse nada.

Eu não quero ser um corpo
abandonado e tido como morto,
reduzido à condição de bicho
ou desprezado como lixo

Eu quero ser mais para você:
uma fonte, sim, do verdadeiro prazer,
que vai além do que um contato sexual,

pois é a mais perfeita comunhão
entre mente, alma e coração,
superando o bem e o mal.

Salvador, 07 de fevereiro de 2012.