Chico Settineri
Deboche delírio fêmea...
Piratas especialistas
de naus
do Descobrimento.
Diâmicos, cruéis, polivalentes
cruzamos juntos, tontos e doentes
os passos (tentem!)
da paixão.
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
Chico Settineri
Deboche delírio fêmea...
Piratas especialistas
de naus
do Descobrimento.
Diâmicos, cruéis, polivalentes
cruzamos juntos, tontos e doentes
os passos (tentem!)
da paixão.
Rodolfo Pamplona Filho
Há quem prefira
vender uma amizade
por um cachê artístico;
desprezar um amor puro
por ouvir a opinião de uma prima;
desprestigiar o trabalho alheio
para tentar se auto-afirmar;
esquecer uma fraternidade solidária
para soar de vítima da situação;
humilhar com ar de superioridade
a efetivamente investigar o ocorrido;
tripudiar a imagem de colegas
para posar de voz da maioria;
blefar descaradamente e sem pudor
do que aceitar ajuda desinteressada;
ignorar a presença e o cumprimento
em vez de tentar um diálogo honesto;
fazer troça da desgraça alheia
para se sentir aceito no grupo;
perseguir incansavelmente
por não tolerar o diferente;
jogar fora a chance de fazer o Bem,
para se deleitar com seu veneno...
Isso só gera mágoa,
que vira raiva,
até se converter,
se houver o remédio
do esquecimento,
em profunda indiferença,
mesmo sendo cicatriz,
que não se apaga,
para ensinar
em quem vale confiar...
Pamplona, 03 de outubro de 2012, pensando sobre o passado...
Renato Russo
Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo
Todos os dias antes de dormir
Lembro e esqueço como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder
Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem
Selvagem
Selvagem
Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos
Castanhos
Então me abraça forte
Me diz mais uma vez que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens
Tão jovens
Tão jovens
Rodolfo Pamplona Filho
Até o que achamos impossível
pode um dia acontecer...
Salvador, 31 de janeiro de 2018.
Rodolfo Pamplona Filho
Quando estiver triste
e se sentindo só,
lembre que eu existo
só por você
Saber que você existe
é poder ter esperança
de viver um amor
e nunca mais ser triste.
Salvador, 20 de março de 2018.
Stéfane Pyaar
todo mundo
pede ajuda
o tempo todo.
alguns gritam,
outros choram baixinho.
e eu, bem, eu escrevo.
Rodolfo Pamplona Filho
Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser impactante?
Talvez um pouco de cuidado
Talvez um carinho inesperado
Talvez uma torcida explícita
Talvez uma entrega sem retorno
Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser incessante?
Talvez uma dose de mistério
Talvez um suspiro no espelho
Talvez um choro em desabafo
Talvez um frio na barriga no encontro
Amor é quase tudo,
mas o quase não é irrelevante
O que falta ao amor
para ser acachapante?
Talvez um bilhete inesperado
Talvez uma surpresa no acordar
Talvez dormir agarrado
Talvez nunca parar de sonhar
Salvador, 27 de outubro de 2018.
Ary Barroso
Brasil
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Ô Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingá
Ô Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Prá mim… prá mim…
Ô, abre a cortina do passado
Tira a Mãe Preta do serrado
Bota o Rei Congo no congado
Brasil! Brasil!
Deixa cantar de novo o trovador
À merencória luz da lua
Toda canção do meu amor
Quero ver a “Sá Dona” caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Brasil!
Prá mim… prá mim…
Brasil
terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiscreto
Ô Brasil, verde que dá
Para o mundo se admirá
Ô Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Prá mim… prá mim…
Ô, esse coqueiro que dá côco
Oi, onde amarro a minha rêde
Nas noites claras de luar
Brasil! Brasil!
Ah, ouve essas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincá
Ah, este Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Brasil!
Prá mim… prá mim…
Rodolfo Pamplona Filho
Quando se ama,
fazem-se promessas,
como se houvesse necessidade
de verbalizar
que se pode fazer tudo
por amor
Mas prometer gera expectativas
que, quando não realizadas,
causam uma frustração,
como se o amor perdesse força
por uma promessa não cumprida.
É olhar uma parte pelo todo,
o acessório pelo principal,
o detalhe pelo conjunto,
o universo por um lugar
a vida por um dia
Amar não exige promessas
Amar exige amar
Amar sem promessas
Amar, simplesmente amar.
Salvador, 06 de julho de 2018.
Adélia Prado
Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.
Rodolfo Pamplona Filho
Nada do que eu faço é culpa minha!
Toda as minhas influências
e paradigmas comportamentais
ensejaram a internalização
de um gestalt disfuncional!
Sem o devido planejamento,
não há como desenvolver!
Meu comportamento viciado
é fruto de um processo doentio
de codependência forçada!
Preciso urgentemente de
um tratamento holístico integral,
sem internamentos compulsórios,
mas, sim, como resultado
de um diálogo habermasiano
de construção comunicativa
de um consenso democrático
que me permita exercitar,
sem condicionamentos,
a autonomia da vontade...
Sem isso, não há
como responder
por qualquer ato,
pois todo resultado
foi contaminado
pelo desrespeito
da minha individualidade...
Viva a Cultura de Vitimização!
Praia do Forte, 03 de agosto de 2013, lendo Calvin...
(Negra Luz)
Me diga que não precisa pensar na vida.
Me diga que não precisa pensar em você.
Se a resposta certa é o que espero,
Então me diga que pensa na água,
Ela está em você.
A água está em em mim
Está em você.
Sem ela, a fonte da vida é rio que seca.
Ressecam-se a fauna e a flora
E todo viver.
Oxum e Yemanjá tem seus filhos
E abençoam com água
Salgada ou doce,
Abençoam o nosso viver.
Se tens fé nas Águas,
Da água deve cuidar,
Pensar nas nascente,
Nos mares
E nas suas vidas.
Em não poluir, revitalizar,
Proteger o que temos
Rever desperdícios e perdas ajudam a resolver.
Se já bebeu água com sede,
Sabe o que é não ter...
Por um segundo e urgimos sem ela.
Imagine o pior dos mundos sem a ter!
Me diga que não precisa pensar na vida.
Me diga que não precisa pensar em você,
Se a resposta certa é o que espero,
Então me diga que pensa na água,
Ela está em você.
Rodolfo Pamplona Filho
Terceira idade
Melhor idade
Qualquer idade
Descobrir-se em um mundo
diferente daquele
que presenciou na infância.
Conhecer aparelhos
que seus descendentes
dominam desde criança.
Frequentar mais funerais que batizados
e ir a casamentos de pessoas,
que poderiam ter sido
seus pajens ou damas de honra...
Falar de remédios e dores
e não ser conversa desagradável...
Ou descrever certos horrores
não ser assunto impublicável...
Chamá-lo de tio, avô ou senhor
e não se incomodar com isso...
Ficar feliz ou envaidecido
quando é chamado de moço
ou quando se lembram
de feitos seus,
realizados há mais de uma década...
Viver o decurso do tempo...
que leva cabelos e traz peso,
mas propicia a sabedoria
e quilometragem da experiência...
Ser idoso não é bom ou ruim,
mas, sim, um estado de fato...
Tornar-se idoso é melhor, enfim,
do que perecer jovem no passado.
Salvador, 05 de maio de 2011.
Poema de Carlos Nejar (1939-)
com tal ternura um cavalo
e um cavalo navegar
nos seus olhos, desviá-lo
para dentro, onde é mar
e o mar, apenas cavalo.
Nunca vi ninguém olhar
nicanor naqueles olhos
que pareciam findar
onde os espaços se foram.
Nicanor sabia olhar
sem o menor intervalo
como lhe fosse apanhar
a toda brida, os andares.
E se podiam falar
num trote pequeno ou largo,
com rédea de muito amparo,
o corpo estando a montar
a eternidade cavalo.
Letra: Rodolfo Pamplona Filho
Música: Rodolfo Pamplona Filho, Cedric Romano e Jorge Pigeard
Eu digo não a quem faz corrupção
Eu digo não a quem aumenta o feijão
Eu digo não a quem faz parte do Centrão
Eu digo não a político ladrão
Eu digo não a quem faz nada no Senado
Eu digo não a seu nobre Deputado
Eu digo não ao governador do Estado
Eu digo não a quem põe povo de lado
Eu digo não à União Ruralista
Eu digo não ao Partido Comunista
Eu digo não ao homem do decreto-lei
Eu digo não ao presidente José Sarney
Eu digo não à perda da inocência
Eu digo não a viver em violência
Eu digo não ao rombo da previdência
Eu digo não a esta falta de decência
Eu digo não a quem só sabe mandar
Eu digo não a quem vive a torturar
Eu digo não a quem mata para calar
Eu digo não à ditadura militar
(1987)
Negra Luz
Vale tudo, logo cedo aprendi
Enquadrada nas minhas escolhas
Tudo vale ali
Em Lençóis listrados
Margens dos dois lados
30 linhas: início e fim
Liberto-me de todos os pecados
Permito-me em todo invadir
Me desnudo não só para mim
Passiva ou ativa
Direta ou indireta
Auxiliar como o haver no existir
Cubro as vergonhas com metáforas
Flor beijando o colibri
Cálice do orvalho de ti
E conectando os sentidos
Coerente com o sentido
Deixo me inteira fluir
A seguir, abro as portas
A realidade estampada
A mulher ocultada revelou-se bem alí
Rodolfo Pamplona Filho
Cansei!
Resolvi lutar!
Daqui em diante,
tudo vai mudar!
Quero me relacionar
com quem me olhe nos olhos
e me identifique pelo nome,
não por um número de RG, CPF,
Cartão de Crédito, CTPS,
Passaporte ou PIS/PASEP.
Eu não quero viver
com quem me pergunta como vou
e não presta atenção na resposta;
com quem arrota uma grandeza
que não é e que não tem
(como se ter algo engrandecesse alguém...)
Eu não vou fazer mais
o que não me dá prazer,
o que não me cause risos ou lágrimas,
o que não me dê vontade de repetir,
o que não me dê frio na barriga,
o que não me faça me sentir vivo...
Eu não vou mais dinheiro guardar,
como se não fosse feito para gastar...
Eu não vou me poupar
de um sabor experimentar,
de ver um filme ou curtir um show,
ou de viajar e conhecer um lugar...
Eu não vou mais tolerar
gente mal-amada e mal-comida,
que desconta seus complexos
em que está à sua volta
como se culpados fossem
da sua esperança nascer morta...
Eu não vou mais ouvir
gente que precisa, dos outros, falar mal,
que destila seu veneno ou afia suas garras
em resenhas que não constroem nada amado:
não andarei segundo seus conselhos,
não me deterei em seu caminho, nem me assentarei ao seu lado...
Jamais esquecerei
que a história é um livro aberto,
cujas páginas, porém, não se pode voltar,
mesmo quando se quer reescrevê-las,
pois palavras proferidas são flechas desferidas,
que não voltam, mesmo quando miram estrelas...
Não deixarei anestesiar
minha capacidade de me indignar...
Não descansarei...
...até você também se empolgar...
Vou viver como sempre quis...
...minha resolução de vida nova é ser feliz!
João Pessoa, 19 de julho de 2010.
Negra Luz
É preciso tocar nas duas rosas.
Tu as tem diante de ti.
Permitir- se adentrar nos meandros.
Profundamente, tocar- se e sentir.
Estas rosas tocadas por ti
Ganham brilho e te tranquilizarão.
Tocar-se garante o benefício
Que de câncer não morrerão.
Não ocultes de ti as tuas rosas.
São só duas!
E tuas são!
Dê lhes amor.
Toque e retoque nas flores segura.
Se algo estranho, procure o doutor.
Suas flores não serão mais só tuas,
A Medicina e todos os istas delas, certo, cuidarão com amor.
Rodolfo Pamplona Filho
Como se diz a alguém
que ela não é mais o seu bem?
Como se faz para falar
que é o momento de separar?
A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
A cola une
para ser eterno,
mas, com força,
dá para retirar...
mas sempre fica um pouco
do álbum na figurinha
e da figurinha no álbum...
Como se comunica
não se querer mais dividir a vida?
Como se rompe
o que era para sempre?
A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
O tempo esmaece
o que era vivo e viçoso
e o que já foi muito gostoso
pode continuar assim
ou mudar o tom
para um quadro sem cor
ou um filme sem som...
A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
Praia do Forte, 8 de setembro de 2017.