terça-feira, 29 de setembro de 2026

Cinzas

 




Heitor Lima






A última brasa ardeu na cinza adusta:


Tudo passou, tudo se fez em poeira...


E na minha alma, que o abandono assusta,


Morre a luz da esperança derradeira.




O amor mais casto, a aspiração mais justa


Têm a desilusão para fronteira...


Um momento de sonho às vezes custa


O sacrifício da existência inteira!






Chama efêmera, o amor! Baldado surto,


A glória! Ah! coração mesquinho e raso...


Ah! pensamento presumido e curto...






E o amor, que arrasta, e a glória, que fascina,


— Tudo se perderá no mesmo ocaso


E se confundirá na mesma ruína.


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