quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Dezoito ou Cinco Meses

Dezoito ou Cinco Meses

Rodolfo Pamplona Filho
Quando dezoito vezes
são cinco meses
Quando quatorze
pode ser uma seqüência
ou uma única oportunidade
pode tomar todo o tempo...
Quando a lógica
perde o foco
ou o tato
é melhor in loco.
Tudo pode ser (ou não)
um pouco surreal
ou colorido tropical
ou Chico-Caetano-legal...
Quando mesmo a gramática
supera a matemática
é a certeza de que a razão
foi vencida pela paixão.


Salvador, 12 de janeiro de 2012.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Teu Perfume

Teu Perfume - Tayane de Aguiar

por Tayane de Aguiar, quarta, 4 de maio de 2011 às 21:06
Acordei... A primeira sensação que me recordo é a do teu perfume.
Talvez não tenha como explicar de que maneira senti o seu cheiro, já que estava tão distante, mas... o senti! E ele era maravilhoso.
A verdade é que, naquele momento, os meus sentidos deveriam transmitir o que o meu pensamento lutava, a todo o momento, para conter: pensara em ti! Aliás, como tem ocorrido sempre ao despertar.
As coisas poderiam ser exatamente como esperamos não é?? Como se tivéssemos arbítrio sobre a funcionabilidade da vida... Tudo seria tão fácil...
Mas, qual a graça das coisas fáceis? Digo: não quero facilidade! Não quero ter de viver em completo outono. Quero viver loucuras, cometer erros, me entregar sem pensar no que acontecerá depois... Escolherei arriscar, ainda que pelo caminho da dor, a me curvar diante do medo, a me privar diante do amor. Como tudo que é simples na vida, há de ser definitivo, pois em algum momento perecerá.
Talvez Drummond, ao escrever sobre as coisas findas da vida, não conhecesse o teu perfume que, ainda agora, insiste em não me deixar...
Enfim, volto a dormir... com a certeza que, ao acordar, buscar-lhe-ei, não mais em olfato, mas sim em olhar.


Esse texto foi escrito há alguns anos por uma mulher que viria a adoecer.
No começo, os sinais de sua diença eram esporádicos e ninguém ousou se importar. A autora, que sempre fora muito saudável, em um dado momento passou a sentir palpitações e tremores nas mãos. Sua boca, que estava sempre úmida, passou a secar constantemente e embranquecer. Até então,  contudo, não havia nada com que se preocupar. Não havia de ser nada.
O problema é que não parou por aí. Os sintomas se tornaram mais constantes e a doença tomou conta do seu coração. O pequeno órgão passou a bater em um ritmo próprio, fora do normal, contrariando todas as possibilidades cardíacas e determinando todas as condutas da sua portadora. E enquanto todos ao redor começavam a se preocupar, ela... Bom, ela tinha inúmeros motivos para ignorar os sinais. Ou acreditava que tinha.
Quando finalmente se deu conta da gravidade do seu problema, já era tarde demais. A doença já tinha se espalhado pelo seu corpo e ela já não conseguia suportar. As dores que sofria eram quase sempre sufocantes e as cicatrizes deixadas em seu corpo teimavam em incomodar. As noites de choro e soluços se tornaram uma rotina e ninguém conseguia ajudá-la.
Com o tempo, resistir se tornou uma tarefa por demais penosa e a única solução era se entregar. Talvez desistir de lutar contra aquilo que sequer era capaz de dimensionar fosse a única forma de ter paz. Foi então que, desejando sossego, desistiu. E, por desistir, ela deixou de existir.

Aquela mulher era eu e ela morreu de amor.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Não estou mais guardando lembranças dentro de mim

Não estou mais guardando lembranças dentro de mim
Não de um tempo ferido
Eu preciso de mim mesma distante do inferno

Anna Kelly 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Soneto do Problema Sério

Soneto do Problema Sério
(inspirado em Wilson Simonal)

Rodolfo Pamplona Filho
Há um problema sério
quando há presunção de culpa
e todo e qualquer mistério
vira motivo ou desculpa

para colocar para fora
todos os complexos e traumas,
realizando, nos outros, a desforra
clamada por suas almas...

Assim, a suspeita vira indício,
o indício vira fato, de início,
o fato vira processo, então,

o processo vira julgamento,
o julgamento vira condenação
e a condenação vira linchamento.

Salvador, 09 de janeiro de 2012.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Doce Certeza

Doce Certeza
Florbela Espanca

Por essa vida fora hás-de adorar
Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,
Em infinito anseio hás de beijar
Estrelas d´ouro fulgindo em muita boca!
Hás de guardar em cofre perfumado
Cabelos d´ouro e risos de mulher,
Muito beijo d´amor apaixonado;
E não te lembrarás de mim sequer…
Hás de tecer uns sonhos delicados…
Hão de por muitos olhos magoados,
Os teus olhos de luz andar imersos!…
Mas nunca encontrarás p´la vida fora,
Amor assim como este amor que chora
Neste beijo d´amor que são meus versos!…

sábado, 15 de dezembro de 2012

As Regras de Ouro do Cafajeste

As Regras de Ouro do Cafajeste

Darci HF
1) Nunca vacile: sempre se preserve;

2) Nunca se apaixone;

3) Nunca admita;

4) Nunca coloque o nome de seu confidente na discussão;

5) Nunca tome decisões definitivas de cabeça quente;

Salvador, 03 de abril de 2011.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Duas pessoas tentando por muito tempo

Duas pessoas tentando por muito tempo
Dizer o que não conseguem mais dizer
Buscam um sentimento que antes vinha fácil.

O que podia ser expressado de forma fácil
E que agora se perde e se prende num passado.

Duas pessoas sentindo medo de dizer
Não quero mais seus braços...

Duas pessoas se privando de romper
São duas pessoas deixando de viver...

Anna Kelly Bastos

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Soneto para a Princesa

Soneto para a Princesa

Rodolfo Pamplona Filho

Como explicar tal beleza,
que emana com tanta clareza,
do meu ideal de nobreza,
que é minha amada princesa?

É ela a minha mais perfeita lindeza,
a quem dedico, com certeza,
toda a minha inocente pureza
e meus sonhos de grandeza...

Se tenho um momento de tristeza,
que é minha forma de defesa,
é quando encontro a frieza

de um mundo que prestigia a riqueza,
em vez de conhecer a surpresa
de só amar você, minha alteza!

Salvador, 02 de novembro de 2011.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Qual a sua definição de poesia? Ousando complementar Leminsky, para cumprir uma promessa...

Qual a sua definição de poesia?
(ousando complementar Leminsky...)

POESIA:
“words set to music”(Dante via Pound),
“uma viagem ao desconhecido” (Maiakóvski),
“cernes e medulas” (Ezra Pound),
“a fala do infalável” (Goethe),
“linguagem voltada para a sua própria materialidade” (Jakobson),
“permanente hesitação entre som e sentido” (Paul Valery),
“fundação do ser mediante a palavra” (Heidegger),
“a religião original da humanidade” (Novalis),
“as melhores palavras na melhor ordem” (Coleridge),
“emoção relembrada na tranqüilidade” (Wordsworth),
“ciência e paixão” (Alfred de Vigny),
“se faz com palavras, não com idéias” (Mallarmé),
“música que se faz com idéias” (Ricardo Reis/Fernando Pessoa),
“um fingimento deveras” (Fernando Pessoa),
“criticismo of life” (Mathew Arnold),
“palavra-coisa” (Sartre),
“linguagem em estado de pureza selvagem” (Octavio Paz),
“poetry is to inspire” (Bob Dylan),
“design de linguagem” (Décio Pignatari),
“lo impossible hecho possible” (Garcia Lorca),
“aquilo que se perde na tradução (Robert Frost),
“a liberdade da minha linguagem” (Paulo Leminski)...
"Meu coração fora do peito" (Fernanda Carvalho Leão Barretto)
"Porque tu sabes que é de poesia minha vida secreta" (Hilda Hilst)
"minha vida predileta, como um baile (espetáculo de música [melodia] somado à dança [marcações]) das palavras, em linhas, a encenar os mais íntimos sentimentos do poeta ou dos que ele capta da sua infinita platéia!" (Amanda de Almeida Santos)
"A essência da alma em palavras" (Rodolfo Pamplona Filho)
"Verdade indo a um baile de carnaval..." (Yumi Kanzaki)
"A chave-mestra que abre caminho para o despertar dos mais diversos sentimentos e sensações... " (Leiliane Aguiar)

Fique à vontade para mandar a sua...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

MINHA CIDADE SÃO AS PESSOAS

MINHA CIDADE SÃO AS PESSOAS

F. Carpinejar
O que faz gostar de uma cidade são as pessoas. A amizade é o ponto turístico que resiste ao tempo.

Minha vontade de conhecer mais as praças, os bares e restaurantes depende de alguém emocionado com sua rotina.

Lugarejos ficam atraentes com o entusiasmo de seus moradores. Nem requer grandes monumentos de Antonio Caringi, façanhas arquitetônicas de Álvaro Siza, desenhos de Oscar Niemeyer, paisagens de Burle Marx, mas o cuidado com as singelezas maravilhosas de seu bairro.

O que me seduz é como o morador desenrola o mapa discreto do seu dia a dia. É quando valoriza as quadras de seu mundo, e tem interesse em mostrar onde é o minimercado em que compra suas urgências, a cafeteria que cura sua ressaca, a floricultura que devolve sua esperança no amor.

O arrebatamento surge mais pela ternura do embrulho do que pelo presente. Papel dobrado com fita reflete o dobro de confiança.

A generosidade torna qualquer local agradável, e repõe a gana de voltar. Carisma de garçons salva restaurantes. Simpatia de manicures salva salões. Paciência de atendentes salva lojas.

Não há maior educação do que a alegria.
 
Sou influenciável pelos personagens comuns que não se esgotam em acordar cedo e falar bem de seus percursos. Fogem do elogio da lamúria. Retiram milagres das repetições.

Os amigos formam minha cidade. As ruas que passo mereceriam nomes das pessoas que amo. Deveria mudar as placas dos logradouros: nada de políticos e celebridades, mas quem é famoso secretamente em meu silêncio.

Moraria na Rua Cínthya Verri, médica e terapeuta, paralela às ruas Mariana Carpinejar e Vicente Carpinejar, que eu não sei ainda o que eles serão, mas já são tudo como filhos. Os pais, Maria Carpi e Carlos Nejar, teriam direito a duas avenidas do tamanho da Assis Brasil e Ipiranga.

Batizaria o viaduto que me leva ao centro de Mário e Diana Corso, casal de confidentes. Seria Diana para quem chega e Mário para quem parte ao interior do Estado.

O mercado público ganharia a graça de Luiz Ruffato, irmão de prosa que cataloga frases de efeito. Chamaria o teatro de Cíntia Moscovich, a casa noturna de Renato Godá, o shopping de Eduardo Nasi, a Biblioteca Pública de Rosemary Alves, a orquestra de Francesca Romani, a Agência de Correios de Fernanda Seelig. Honraria o Jardim Botânico com um professor fundamental, Luís Augusto Fischer, que me alcançou uma lição preciosa: somos mais inteligentes criando novas dúvidas do que repetindo certezas. Convocaria um colorado, Paulo Scott, para assumir a posteridade do estádio.

Desejaria indicar o crítico Daniel Piza para ser minha rodoviária, espaço em que ocorrem as mais pungentes despedidas. Mas ele morreu na última sexta, aos 41 anos, de AVC. Não dá mais.

Amigo vivo é rua, amigo morto é estrela.

Daniel Piza vai piscar conselhos para mim toda noite.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Soneto do Saco Cheio

Soneto do Saco Cheio

Rodolfo Pamplona Filho
Há dias em que
tudo o que se vê
é o mundo a ferver
e um pescoço a torcer...

Uma vontade de desaparecer,
aliada a uma sensação de vazio,
que dá desejo de morrer
só, com fome e com frio.

Estar de saco cheio
é o mais evidente meio
de revelar o sentimento interno

do desejo de mandar
todos para pastar
e o mundo para o inferno

Salvador, 22 de dezembro de 2011.

domingo, 9 de dezembro de 2012

O espaço entre as mentiras perversas que contamos a nós mesmos

O espaço entre as mentiras perversas que contamos a nós mesmos
para que nos mantenhamos salvos da dor (que falsa dor) por medo de viver o que realmente queremos viver... 
Esse espaço me leva até você
Nesse jogo somos aliados com os corações em guerra!
Tocamos no fundo eu e você, com os dedos molhados
Eu não quero que você vá, mas você deve
Seria tão bom se pudesse ser...
Seria tão bom, quanto bom pode ser!
Acordar nú e beber do meu café
Fazendo planos para mudar o mundo, o nosso mundo...
Enquanto o mundo está mudando para nós.
Seria tão bom se bom pudesse ser
Rir com você debaixo das cobertas
Então o que fazer com o resto do meu dia?
É estranho, como mudamos, como as coisas vivem mudando
O que você quis ontem e o que eu quero hoje, não eram esses nossos sonhos... nossos planos, mudamos!
Eu hoje quero dançar com você, sem mentiras perversas contadas a nós mesmos para não magoarmos aos outros 
Eu quero ser você e eu
Mas que dia é hoje? Além de ser o dia em que nos veremos?
Então o que fazer com o resto da tarde deste dia?

Anna Kelly Bastos

sábado, 8 de dezembro de 2012

Resistência

Resistência

Rodolfo Pamplona Filho
Existe um limite
para alguém seguir
sem o seu veneno.
Existe um teto
do qual ninguém
se arrisca a ultrapassar.
É a negação do prazer
que leva ao câncer.
É a repressão do desejo
que leva ao crime.
É a opressão do ser
que leva à morte.
É preciso resistência
para ter a paciência
de realmente aproveitar
o que cada momento pode dar.
Nem sempre o arranjo agrada,
nem sempre a estrutura suporta,
por isso, não chore por nada,
nem rasgue sua aorta,
pois sobreviver não é
escapar da luta,
já que, ao final,
"A riqueza não é
de quem tem,
mas de quem desfruta"
(Benjamim Franklin)

Salvador, 20 de dezembro de 2011.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

*O Homem; As Viagens** ( **Carlos Drumond de Andrade)*

*O Homem; As Viagens** ( **Carlos Drumond de Andrade)*

O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto - é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Minha Companhia Preferida

Minha Companhia Preferida

Abro os braços, deixo vir sobre o peito,
se for uma brisa de liberdade, eu me derreto,
mas se for de desamor, eu me fecho.
Não serei refém dos meus, dos teus, dos seus, "dos nossos" medos.
Quero ser gerida somente pelas minhas crenças e minha obstinação...
Quero estar sempre nua em pêlo: coração molhado, sorriso largo,
manter o meu ser inteiro, refrigerado - em formato de cruz.
Sobre mim está a sua luz...
Ela ilumina o sotão da minha alma, de onde ecoam as minhas mais silenciosas orações!
Lá vem..., sobre mim, Jesus!


Amanda Santos. 02.03.12

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Irá florescer em mim

Irá florescer em mim
Só não sei quando
Minhas emoções estão confusas ainda
Em mim ainda é inverno...

As vezes eu quero saber onde estive
Quem eu sou, se eu me encaixo
Simulando que é dificil ficar sózinha
Em minha própria saída

Anna Kelly Bastos

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Soneto do Sono

Soneto do Sono

Rodolfo Pamplona Filho
Há dias em que o olho pesa,
o cansaço se manifesta,
a boca insiste no bocejo
e todo o meu sincero desejo

é que o mundo pare totalmente
para que descansem corpo e mente,
renovando o ânimo e a vontade
de viver tudo de verdade...

Pois, de fato, persiste
e da forma mais triste
um único e doloroso sentir,

consistente no lamento,
resumido em um só pensamento:
"por favor, me deixem dormir!"

Salvador, 19 de dezembro de 2011.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

LOUCOS DE MERCADO


LOUCOS DE MERCADO

Todo mercado

de toda pequena cidade,

de vilas e arraiais,

tem homens vadios,

Tem homens vazios

que matam o tempo

na rodada de causos

e mais causos

Que coscuvilham

A vida do vizinho

e dão combate na vida alheia...

Há loucos para ir

e loucos para ficar

Há loucos de paixão

pelas putas do lugar...

Há um louco no mercado,

há um louco revoltado

há um louco aloparado

escondido nos seus andrajos...

O freguês pede o troco:

todo mercado tem um louco

O feirante não tem trocado:

só tem louco no mercado...

Todo mercado tem um louco,

barbudo, sujo e sério

Pródigo em mistérios

que inspiram profecia:

todo louco tem sua mania...

O tempo se esvai

feito fumaça

de fedorentos

cigarros de palha

Suas línguas

são uma navalha,

ferina e boa de corte,

Pois coscuvilham

a roupa do homem lorde

que passa,

Bisbilhotam as compras dos fregueses,

cobiçam o lucro dos feirantes

Para eles, está tudo como antes

no quartel de Vila de Abrantes...

Todo louco é um santo,

todo santo é um louco,

de costas vergadas,

coberto num manto

de farrapos,

que arqueja, que peleja,

pelos corredores do mercado...

Todo mercado

tem um figura folclórica,

legendária e pitoresca,

coberta de farrapos,

vestida em seus andrajos...

Os loucos de mercados

são seres sagrados,

Pois foi um insano

que pressagiou

a morte de Deus:

- “Deus está morto;

Vocês o assassinaram!..."

Há um louco ariano,

há um louco azeviche,

qual o louco de Nietcshe

a pressagiar a morte de Deus...

Salvador,
20.11.1997

MARIVALDO PEREIRA DA SILVA

domingo, 2 de dezembro de 2012

Soneto do Sacerdócio

Soneto do Sacerdócio

Rodolfo Pamplona Filho
Missão é real vocação,
não é fruto ou herança.
Aprender, de verdade, a lição
é realizar a esperança

não de fazer o que planejaram,
mas, sim, de realizar
o que suas aptidões mostraram
como única forma de enfrentar

não comodismo, diletantismo
ou entretenimento
no cumprir seu real intento,

mas, sim, compromisso, sacrifício
e dedicação extrema ao labor
para ser quem é, sem medo da dor.

Salvador, 18 de dezembro de 2011.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Você vai lembrar de mim...

Você vai lembrar de mim quando o vento tocar seu rosto
Entre os campos de girassóis
Fale com o sol
Não deixe ele levar seu amor
Me observe um pouco
Me deixe cair em seus braços enquanto meus cabelos caem
Fique comigo, seja o meu amor entre os campos de girassóis
Eu não te farei promessas levianas, mas lutarei para sobreviver
Apenas me deixe cair em seus braços enquanto meus cabelos caem
Mas me segure, eu não posso cair em outro lugar, senão em seus braços
Mas juro que nos dias que nos restam nós caminharemos em campos de girassóis
Vendo as crianças correrem enquanto o sol se põe
Você lembrará de mim quando o vento se mover e tocar seu rosto
Apenas me deixe cair em seus braços ...


Anna Kelly Bastos