Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
sábado, 31 de agosto de 2019
Timidez
Cecília Meireles
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando…
e um dia me acabarei.
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Era só um eu te amo
Rodolfo Pamplona Filho
Era só um eu te amo
Um eu te amo nunca é só
Um eu te amo nunca é pouco
O meu eu te amo para você é o cotidiano das nossas vidas
Ele é o sangue que corre em Nossas veias
Ele é o ar que inflama nossos pulmões
É a vontade de viver
É a sede de ser feliz
É a certeza de que Amor existe
É a certeza de que Amor existe
Salvador, 15 de janeiro de 2019.
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
O pássaro azul
Charles Bukowski
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei
que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí, quer acabar
comigo?
quer foder com minha
escrita?
quer arruinar a venda dos meus livros na
Europa?
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo, sei que você está aí,
então não fique
triste.
depois o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
com nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, e
você?
(Tradução: Paulo Gonzaga)
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
Voando (com o Baêa)
Rodolfo Pamplona Filho
Nem sempre se ganha
Nem sempre se perde
Nem sempre se sabe
o que os vôos nos reservam.
A vida dá voltas
na velocidade de Artur
e nem sempre se sabe
para que lado está o sul.
O mundo é exigente
como a raça de Nino
e nem sempre faz sentido
o que pretende o destino.
O jogo traz chances
a aproveitar como faz Gilberto,
pois nunca se sabe se a sorte
está longe ou está perto.
Mas quando a oportunidade
sorri finalmente para você,
é hora de gritar:
Bora, Bahia, BBMP!!!
Belo Horizonte, embarcando no vôo da Azul para Salvador, 24 de agosto de 2019.
terça-feira, 27 de agosto de 2019
Pensando em matar a saudade
Negra Luz
Como posso matar a saudade,
Que habita dentro de mim.
Sem perder dela a vantagem:
Recordar o que bem vivi?
Seria finito o passado.
Retrato puído.
Tempo desgastado.
Sentimentos finitos: o fim.
Seria página encoberta.
Sem o sopro que a poeira alerta,
Permite o diálogo mesmo as pressas
Entre passado, presente e o que está por vir.
À beira dessa fatalidade,
Eu, que pretendia matar a saudade,
Chamei-a para minha realidade.
Usei da sua serenidade.
Segui com ela aqui: no meu peito.
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Intolerância
Rodolfo Pamplona Filho
Nenhuma intolerância é tolerável
Nenhuma discriminação é aceitável
É preciso dar espaço de fala
para quem se discorda,
para que nossa própria voz
não seja calada.
Como respeitar a palavra de ódio
de quem não te respeita?
Sendo maior que ele
e torcendo para que
a fé no respeito
seja maior do que
o desrespeito da fé.
Salvador, 30 de outubro de 2018.
domingo, 25 de agosto de 2019
Tudo bem
Drica Serra
moça,
tudo bem ser indecisa
quanto ao sabor do sorvete,
a camiseta, a pizza, a faculdade.
mas jamais aceite viver com a dúvida
sobre o amor de alguém por você. não dá pra
amar escondido, o amor salta, se mostra,
derrama pra todos os lados. se você não
o vê, acredito, ele não existe.
sábado, 24 de agosto de 2019
Desilusão
Rodolfo Pamplona Filho
Eu já devia estar acostumado
com as pancadas da vida...
mas ainda doi.
Eu já devia estar preparado
para nunca ser satisfeito...
mas ainda sinto falta.
Eu já devia estar calejado
pela frustração de não ser feliz...
mas ainda cultivo a esperança.
A desilusão me derruba
principalmente quando acho
que tudo poderia mudar.
Salvador, 28 de fevereiro de 2018.
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
O mundo é dos poetas
Stéfane Pyaar
todo mundo
pede ajuda
o tempo todo.
alguns gritam,
outros choram baixinho.
e eu, bem, eu escrevo.
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
Nossa Sina
Rodolfo Pamplona Filho
Nossa sina
em um mundo
que nos estranha
é somente sofrer
com a nossa carência
e a insensibilidade alheia:
assim, temos que viver
e aprender a lidar
com nossas catástrofes
e paraísos diários.
Brasília, 09 de outubro de 2018.
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
terça-feira, 20 de agosto de 2019
Nascer é difícil!
Rodolfo Pamplona Filho
A gente sai
de um lugar protegido
para algo novo.
Faz com que
a pessoa que mais nos ama
sinta dor.
Mas quando um bebê nasce,
é uma grande festa,
uma alegria para todos.
É uma mudança de vida
que mexe com todo mundo,
mas viver vale a pena!
Viva, meu amor!
Não tenha medo de viver!
Salvador, 22 de março de 2018.
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Uma certa arte
Elizabeth Bishop
(tradução de Nelson Ascher)
A arte da perda é fácil de estudar:
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.
Perde algo a cada dia. Deixa estar:
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.
Perde-se mais e melhor. Nome ou lugar,
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.
Perdi o relógio de mamãe. E um lar
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.
Duas cidades lindas. Mais: um par
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.
Mesmo perder-te (a voz jocosa, um ar
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.
Do livro ASCHER, Nelson. Poesia alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998.
domingo, 18 de agosto de 2019
Amor sem promessas
Rodolfo Pamplona Filho
Quando se ama,
fazem-se promessas,
como se houvesse necessidade
de verbalizar
que se pode fazer tudo
por amor
Mas prometer gera expectativas
que, quando não realizadas,
causam uma frustração,
como se o amor perdesse força
por uma promessa não cumprida.
É olhar uma parte pelo todo,
o acessório pelo principal,
o detalhe pelo conjunto,
o universo por um lugar
a vida por um dia
Amar não exige promessas
Amar exige amar
Amar sem promessas
Amar, simplesmente amar.
Salvador, 06 de julho de 2018.
sábado, 17 de agosto de 2019
Leveza
Cecília Meireles
Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.
E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
A Alma Doente
Rodolfo Pamplona Filho
O corpo dói
e pede ajuda
a quem sequer sentiu
a força da dor na alma.
A cabeça lateja
e reclama
de quem não viveu
a intensidade da alma.
O espírito fraqueja
e rasteja
por não conhecer
a cura da doença da alma.
Praia do Forte, 24 de junho de 2018.
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
Primeiro Motivo da Rosa
Cecília Meireles
Vejo-te em seda e nácar,
e tão de orvalho trêmula, que penso ver, efêmera,
toda a Beleza em lágrimas
por ser bela e ser frágil.
Meus olhos te ofereço:
espelho para face
que terás, no meu verso,
quando, depois que passes,
jamais ninguém te esqueça.
Então, de seda e nácar,
toda de orvalho trêmula, serás eterna. E efêmero
o rosto meu, nas lágrimas
do teu orvalho… E frágil.
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
Diferenças
Rodolfo Pamplona Filho
Há uma diferença
entre ser discreto
e esconder segredo
Há uma diferença
entre ser sincero
e agredir verbalmente
Há uma diferença
entre ser verdadeiro
e expressar ódio
Há uma diferença
entre ser livre
e abusar do poder.
Orlando, 03 de janeiro de 2019.
terça-feira, 13 de agosto de 2019
Quem pisou o mesmo chão
César Faria
Quem pisou o mesmo chão,
Quem bebeu a mesma água,
Quem respirou os mesmos ares,
Quem abriu os olhos e também chorou como um bebê,
Quem ao fechar de outros olhos também não conteve o choro da saudade,
Quem enxergou os mesmos campos e as mesmas praias,
Quem se banhou nos mesmos rios e nos mesmos mares,
Não importa se tem o mesmo sangue,
É da mesma família!
É da mesma cidade!
Fiz agora no correr da pena,
Em um minuto,
Este poema,
Dedicado aos amigos de Entre Rios!
16/06/2019.
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
Ela com A, Ela do B
Rodolfo Pamplona Filho
Ela com A
Ela com Afeto,
Amor e Admiração
Ela do B
Ela do Barraco,
Briga e Batida de frente
Ela com A
Ela com Amizade,
Abraço e Ação
Ela do B
Ela com Birra,
Bolacha e Batalhas
Ela com A
A mulher que sonhei
para mim
Ela com B
O pesadelo que
sempre temi
Ela com A
Ela do B
Duas pessoas
em um mesmo ser.
Salvador, 18 de outubro de 2018.
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