segunda-feira, 11 de junho de 2012

A IGREJA DO DIABO

A IGREJA DO DIABO

Machado de Assis

CAPÍTULO I

DE UMA IDÉIA MIRÍFICA

Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a idéia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez.
- Vá, pois, uma igreja, concluiu ele. Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abraão. E depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero. Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo.
Dizendo isto, o Diabo sacudiu a cabeça e estendeu os braços, com um gesto magnífico e varonil. Em seguida, lembrou-se de ir ter com Deus para comunicar-lhe a idéia, e desafiá-lo; levantou os olhos, acesos de ódio, ásperos de vingança, e disse consigo: - Vamos, é tempo. E rápido, batendo as asas, com tal estrondo que abalou todas as províncias do abismo, arrancou da sombra para o infinito azul.

II
ENTRE DEUS E O DIABO

Deus recolhia um ancião, quando o Diabo chegou ao céu. Os serafins que engrinaldavam o recém-chegado, detiveram-no logo, e o Diabo deixou-se estar à entrada com os olhos no Senhor.
- Que me queres tu? perguntou este.
- Não venho pelo vosso servo Fausto, respondeu o Diabo rindo, mas por todos os Faustos do século e dos séculos.
- Explica-te.
- Senhor, a explicação é fácil; mas permiti que vos diga: recolhei primeiro esse bom velho; dai-lhe o melhor lugar, mandai que as mais afinadas cítaras e alaúdes o recebam com os mais divinos coros...
- Sabes o que ele fez? perguntou o Senhor, com os olhos cheios de doçura.
- Não, mas provavelmente é dos últimos que virão ter convosco. Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja. Estou cansado da minha desorganização, do meu reinado casual e adventício. É tempo de obter a vitória final e completa. E então vim dizer-vos isto, com lealdade, para que me não acuseis de dissimulação... Boa idéia, não vos parece?
- Vieste dizê-la, não legitimá-la, advertiu o Senhor,
- Tendes razão, acudiu o Diabo; mas o amor-próprio gosta de ouvir o aplauso dos mestres. Verdade é que neste caso seria o aplauso de um mestre vencido, e uma tal exigência... Senhor, desço à terra; vou lançar a minha pedra fundamental.
- Vai
- Quereis que venha anunciar-vos o remate da obra?
- Não é preciso; basta que me digas desde já por que motivo, cansado há tanto da tua desorganização, só agora pensaste em fundar uma igreja?
O Diabo sorriu com certo ar de escárnio e triunfo. Tinha alguma idéia cruel no espírito, algum reparo picante no alforje da memória, qualquer coisa que, nesse breve instante da eternidade, o fazia crer superior ao próprio Deus. Mas recolheu o riso, e disse:
- Só agora concluí uma observação, começada desde alguns séculos, e é que as virtudes, filhas do céu, são em grande número comparáveis a rainhas, cujo manto de veludo rematasse em franjas de algodão. Ora, eu proponho-me a puxá-las por essa franja, e trazê- las todas para minha igreja; atrás delas virão as de seda pura...
- Velho retórico! murmurou o Senhor.
- Olhai bem. Muitos corpos que ajoelham aos vossos pés, nos templos do mundo, trazem as anquinhas da sala e da rua, os rostos tingem-se do mesmo pó, os lenços cheiram aos mesmos cheiros, as pupilas centelham de curiosidade e devoção entre o livro santo e o bigode do pecado. Vede o ardor, - a indiferença, ao menos, - com que esse cavalheiro põe em letras públicas os benefícios que liberalmente espalha, - ou sejam roupas ou botas, ou moedas, ou quaisquer dessas matérias necessárias à vida... Mas não quero parecer que me detenho em coisas miúdas; não falo, por exemplo, da placidez com que este juiz de irmandade, nas procissões, carrega piedosamente ao peito o vosso amor e uma comenda... Vou a negócios mais altos...
Nisto os serafins agitaram as asas pesadas de fastio e sono. Miguel e Gabriel fitaram no Senhor um olhar de súplica, Deus interrompeu o Diabo.
- Tu és vulgar, que é o pior que pode acontecer a um espírito da tua espécie, replicou-lhe o Senhor. Tudo o que dizes ou digas está dito e redito pelos moralistas do mundo. É assunto gasto; e se não tens força, nem originalidade para renovar um assunto gasto, melhor é que te cales e te retires. Olha; todas as minhas legiões mostram no rosto os sinais vivos do tédio que lhes dás. Esse mesmo ancião parece enjoado; e sabes tu o que ele fez?
- Já vos disse que não.
- Depois de uma vida honesta, teve uma morte sublime. Colhido em um naufrágio, ia salvar-se numa tábua; mas viu um casal de noivos, na flor da vida, que se debatiam já com a morte; deu-lhes a tábua de salvação e mergulhou na eternidade. Nenhum público: a água e o céu por cima. Onde achas aí a franja de algodão?
- Senhor, eu sou, como sabeis, o espírito que nega.
- Negas esta morte?
- Nego tudo. A misantropia pode tomar aspecto de caridade; deixar a vida aos outros, para um misantropo, é realmente aborrecê-los...
- Retórico e sutil! exclamou o Senhor. Vai; vai, funda a tua igreja; chama todas as virtudes, recolhe todas as franjas, convoca todos os homens... Mas, vai! vai!
Debalde o Diabo tentou proferir alguma coisa mais. Deus impusera-lhe silêncio; os serafins, a um sinal divino, encheram o céu com as harmonias de seus cânticos. O Diabo sentiu, de repente, que se achava no ar; dobrou as asas, e, como um raio, caiu na terra.


Ill
A BOA NOVA AOS HOMENS

Uma vez na terra, o Diabo não perdeu um minuto. Deu-se pressa em enfiar a cogula beneditina, como hábito de boa fama, e entrou a espalhar uma doutrina nova e extraordinária, com uma voz que reboava nas entranhas do século. Ele prometia aos seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleites mais íntimos. Confessava que era o Diabo; mas confessava-o para retificar a noção que os homens tinham dele e desmentir as histórias que a seu respeito contavam as velhas beatas.
- Sim, sou o Diabo, repetia ele; não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens. Vede-me gentil a airoso. Sou o vosso verdadeiro pai. Vamos lá: tomai daquele nome, inventado para meu desdouro, fazei dele um troféu e um lábaro, e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...
Era assim que falava, a princípio, para excitar o entusiasmo, espertar os indiferentes, congregar, em suma, as multidões ao pé de si. E elas vieram; e logo que vieram, o Diabo passou a definir a doutrina. A doutrina era a que podia ser na boca de um espírito de negação. Isso quanto à substância, porque, acerca da forma, era umas vezes sutil, outras cínica e deslavada.
Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas, e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com a diferença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada. A ira tinha a melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a Ilíada: "Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu"... O mesmo disse da gula, que produziu as melhores páginas de Rabelais, e muitos bons versos do Hissope; virtude tão superior, que ninguém se lembra das batalhas de Luculo, mas das suas ceias; foi a gula que realmente o fez imortal. Mas, ainda pondo de lado essas razões de ordem literária ou histórica, para só mostrar o valor intrínseco daquela virtude, quem negaria que era muito melhor sentir na boca e no ventre os bons manjares, em grande cópia, do que os maus bocados, ou a saliva do jejum? Pela sua parte o Diabo prometia substituir a vinha do Senhor, expressão metafórica, pela vinha do Diabo, locução direta e verdadeira, pois não faltaria nunca aos seus com o fruto das mais belas cepas do mundo. Quanto à inveja, pregou friamente que era a virtude principal, origem de prosperidades infinitas; virtude preciosa, que chegava a suprir todas as outras, e ao próprio talento.
As turbas corriam atrás dele entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloqüência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo amar as perversas e detestar as sãs.
Nada mais curioso, por exemplo, do que a definição que ele dava da fraude. Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o braço direito era a força; e concluía: muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, ele não exigia que todos fossem canhotos; não era exclusivista. Que uns fossem canhotos, outros destros; aceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porém, mais rigorosa e profunda, foi a da venalidade. Um casuísta do tempo chegou a confessar que era um monumento de lógica. A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no obscuro e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrando assim o princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente. E descia, e subia, examinava tudo, retificava tudo. Está claro que combateu o perdão das injúrias e outras máximas de brandura e cordialidade. Não proibiu formalmente a calúnia gratuita, mas induziu a exercê-la mediante retribuição, ou pecuniária, ou de outra espécie; nos casos, porém, em que ela fosse uma expansão imperiosa da força imaginativa, e nada mais, proibia receber nenhum salário, pois equivalia a fazer pagar a transpiração. Todas as formas de respeito foram condenadas por ele, como elementos possíveis de um certo decoro social e pessoal; salva, todavia, a única exceção do interesse. Mas essa mesma exceção foi logo eliminada, pela consideração de que o interesse, convertendo o respeito em simples adulação, era este o sentimento aplicado e não aquele.
Para rematar a obra, entendeu o Diabo que lhe cumpria cortar por toda a solidariedade humana. Com efeito, o amor do próximo era um obstáculo grave à nova instituição. Ele mostrou que essa regra era uma simples invenção de parasitas e negociantes insolváveis; não se devia dar ao próximo senão indiferença; em alguns casos, ódio ou desprezo. Chegou mesmo à demonstração de que a noção de próximo era errada, e citava esta frase de um padre de Nápoles, aquele fino e letrado Galiani, que escrevia a uma das marquesas do antigo regímen: "Leve a breca o próximo! Não há próximo!" A única hipótese em que ele permitia amar ao próximo era quando se tratasse de amar as damas alheias, porque essa espécie de amor tinha a particularidade de não ser outra coisa mais do que o amor do indivíduo a si mesmo. E como alguns discípulos achassem que uma tal explicação, por metafísica, escapava à compreensão das turbas, o Diabo recorreu a um apólogo: - Cem pessoas tomam ações de um banco, para as operações comuns; mas cada acionista não cuida realmente senão nos seus dividendos: é o que acontece aos adúlteros. Este apólogo foi incluído no livro da sabedoria.


IV
FRANJAS E FRANJAS

A previsão do Diabo verificou-se. Todas as virtudes cuja capa de veludo acabava em franja de algodão, uma vez puxadas pela franja, deitavam a capa às urtigas e vinham alistar-se na igreja nova. Atrás foram chegando as outras, e o tempo abençoou a instituição. A igreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo.
Um dia, porém, longos anos depois, notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes. Não as praticavam todas, nem integralmente, mas algumas, por partes, e, como digo, às ocultas. Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano, justamente em dias de preceito católico; muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros.
A descoberta assombrou o Diabo. Meteu-se a conhecer mais diretamente o mal, e viu que lavrava muito. Alguns casos eram até incompreensíveis, como o de um droguista do Levante, que envenenara longamente uma geração inteira, e, com o produto das drogas socorria os filhos das vítimas. No Cairo achou um perfeito ladrão de camelos, que tapava a cara para ir às mesquitas. O Diabo deu com ele à entrada de uma, lançou-lhe em rosto o procedimento; ele negou, dizendo que ia ali roubar o camelo de um drogomano; roubou-o, com efeito, à vista do Diabo e foi dá-lo de presente a um muezim, que rezou por ele a Alá. O manuscrito beneditino cita muitas outra descobertas extraordinárias, entre elas esta, que desorientou completamente o Diabo. Um dos seus melhores apóstolos era um calabrês, varão de cinqüenta anos, insigne falsificador de documentos, que possuía uma bela casa na campanha romana, telas, estátuas, biblioteca, etc. Era a fraude em pessoa; chegava a meter-se na cama para não confessar que estava são. Pois esse homem, não só não furtava ao jogo, como ainda dava gratificações aos criados. Tendo angariado a amizade de um cônego, ia todas as semanas confessar-se com ele, numa capela solitária; e, conquanto não lhe desvendasse nenhuma das suas ações secretas, benzia-se duas vezes, ao ajoelhar-se, e ao levantar-se. O Diabo mal pôde crer tamanha aleivosia. Mas não havia duvidar; o caso era verdadeiro.
Não se deteve um instante. O pasmo não lhe deu tempo de refletir, comparar e concluir do espetáculo presente alguma coisa análoga ao passado. Voou de novo ao céu, trêmulo de raiva, ansioso de conhecer a causa secreta de tão singular fenômeno. Deus ouviu-o com infinita complacência; não o interrompeu, não o repreendeu, não triunfou, sequer, daquela agonia satânica. Pôs os olhos nele, e disse:
- Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana.

domingo, 10 de junho de 2012

Consoada


Consoada

Quando a indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
Manuel Bandeira

sábado, 9 de junho de 2012

REALIDADE FEROZ


http://youtu.be/h13J2ODD-MA

REALIDADE FEROZ
Seria imperdoável não virar a página,
não tirar as pedras do caminho,
não abrir as portas
para ver o sol...
Ela não estará mais
quando eu souber a verdade
não toda... a minha!
Agora eu vejo o sol,
com medo, mas eu vejo!
...Eu vejo ainda borrado,
manchado... o tempo.
Pessoas passam
e eu me assusto
com a voracidade das bocas,
das mãos e mentes,
mas eu vejo,
ainda borrado e feio,
manchado...
eu me assusto
com a ferocidade de gente.
E eu acho
que na realidade
o cego não sou eu!
Então
construção de uma música
após o dark silencioso da solidão...

Malu Calado

sexta-feira, 8 de junho de 2012

10 coisas para NÃO fazer em Nova York - segundo o Concierge.com




10 coisas para NÃO fazer em Nova York - segundo o Concierge.com

10 coisas para NÃO fazer em Nova York, segundo o Concierge.com:

1. Comer no Tavern on the Green, no meio do Central Park, sem vista nenhuma (prefira torrar sua grana no River Café, no Brooklyn)

2. Pegar um velotáxi, o riquixá de branco (em vez disso, vá de metrô, é muito mais nova-iorquino) Concordo plenamente!!

3. Comer hot-dog de carrinho (guarde seu paladar para um cachorro-quente de delicatessen, como o da Katz’s) Não comi na rua! Achei tudo com cara de meio sujo. Depois que vi um cara colocando a mão sobre um pãozinho, como se estivesse amassando, desisti!

4. Subir no Empire State; a vista é linda, mas quando chegar lá em cima você já vai ter passado por tantas filas que não vai estar no clima (em vez disso, vá tomar um drink no Rainbow Room ou, se não quiser beber, suba alguns andares até o Top of the Rock) - Eu nao conheci o Top of the Rock - não deu tempo - porém aconselho a ir sim no Empire State, obviamente ha filas, mas onde não tem filas, ainda mais em New York?

5. Comer uma cupcake na Magnolia da Bleecker Street, que ficou insuportavelmente cheia depois de “Sex and the City” (ande mais um pouquinho e experimente o cannoli da Rocco’s Pastry Shop, na mesma rua)

6. Andar de charrete ao pôr-do-sol no Central Park (é mais gostoso acordar cedo e atravessar o Central Park de manhã antes de todos chegarem)

7. Comer num restaurante em Times Square; são todos insossos (caminhe até a Nona Avenida, em Hell’s Kitchen; na rua 49 e na Nona há restaurantes bons, autênticos e em conta)

8. Assistir a um número de comédia stand-up no Times Square Comedy Show (se você gosta de stand-up, vá direto ao Upright Citizens Brigade, em Chelsea)

9. Fazer compras na Macy’s; a Herald Square é um circo! (dirija-se à Lord & Taylor, na 5a. Avenida com rua 38) - olha, fui lá e não me arrependo. Talvez não seja a melhor loja de departamentos de New York, mas é boa.

10. Não faça sua noitada no Meatpacking District; vá de dia, pelas lojas (à noite saia no Lower East Side, que está bombando)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Meu menino, meu viver!

Meu menino, meu viver!
Beatriz A.M
Meu menino, meu viver,
e não é que a razão mora com você?
É que a gente se acostuma à vida padrão
e esquece que não existe lei para o coração.
Tomara mesmo que a gente nunca brigue,
que a gente sempre se entenda, perdoe, avalize,
porque seu amor me inaugurou nova era:
me faz ser mais fina, elegante e sincera...
Mas se houver uma briga, aqui ou ali,
que a gente nunca pense em desistir,
porque não se pode abdicar sem razão
do que expande a alma, o corpo e a emoção.
Quero a gente junto a cada manhã,
se dando coragem, poesia e elã.
Que o nosso "para sempre" seja o que sempre principia
e o nosso eterno, a eternidade e um dia.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Soneto de Infidelidade

Soneto de Infidelidade
(Releitura do Soneto de Fidelidade-
Vinicius de Moraes)

Roseane Freitas

De tudo ao meu amor serei relapso.
Desta vez com tal desprezo e sempre e muito.
Que mesmo em face do maior desencanto,
Ele se desencante mais do meu destrato.

Quero revê-lo em cada triste momento.
E em louvor a seu pesar hei de espalhar meu canto,
E rir meu riso e não mais derramar meu pranto.
À sua dor ou seu descontentamento.

E assim quando vier a mim
Quem sabe a morte, único escape de quem sofre,
Quem sabe a desilusão, fim de quem ama.

Eu possa dizer do infeliz (que tive),
Que sejas triste, posto que me traíste.
E que essa dor te dilacere enquanto dure.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Pra você (de Danilo Gaspar para Gabriela Curi)

Pra você (Danilo Gaspar)

Te empresto meus olhos
para que assim possa ver
Te empresto meus ouvidos
para que possa assim escutar
Te empresto meu corpo
para que possa se aquecer
Te empresto minhas lagrimas
para que possa chorar

Te empresto meus sonhos
para que possa sonhar
Te empresto meu medo
para que possa parar
Te empresto meu otimismo
para que possa sonhar
Te empresto meu ceticismo
para que possa enfrentar

Te empresto meus dedos
para que possa apontar
Te empresto meu suor
para que possa labutar
Te empresto minha mente
para que possa viajar
Te empresto meu orgulho
para que possa se orgulhar

Te empresto meu carinho
para que possa acordar
Te empresto me sorriso
para que possa levantar
Te empresto minha Fe
para que possa caminhar
Te empresto minha seguranca
para que possa voltar

Te empresto tudo que posso
para que possa transformar
Te empresto tudo que tenho
para que possa se alegrar
Te empresto tudo que sou
sem nada em troca esperar
Só nao empresto o meu amor
porque esse eu escolhi te dar!


Vôo Brasília-Salvador, 16 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Adélia Prado

Adélia Prado


Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.  Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou

http://www.releituras.com/aprado_bio.asp

domingo, 3 de junho de 2012

Aprendendo a Andar de Bicicleta


Aprendendo a Andar de Bicicleta

Rodolfo Pamplona Filho

Eu quero estar do seu lado,
mesmo quando, para isso,
tenha de ficar escondido,
com você apenas ouvindo
a segurança de minha voz.

Eu sei que você tem medo,
mas isso é normal...
Eu quero que você seja
mais forte que o mal
e não o deixe tomar seu corpo...

Eu quero superar
o receio de cair e machucar
(e, nessa fase de concreto,
o chão é a coisa
mais dura do universo)

Eu quero, por um fio,
ver o seu sorriso,
ao constatar que conseguiu
vencer o desafio
que lhe dava, na barriga, frio...

Tudo isso só ocorre
uma única vez em cada viver,
em que o coração se inquieta,
enfrentando a missão de aprender
a finalmente andar de bicicleta...


Salvador, 25 de julho de 2011.

sábado, 2 de junho de 2012

Copa do Mundo


Copa do Mundo





Quatro anos de espera mundial

Classificações e diversos amistosos

Torcedores munem-se de aparatos

Se sentem quase vitoriosos



Enfim chega a época esperada

Apelam-se para os santos Antonio, João e Pedro

Os jogos competem com os juninos festejos

Preparam-se petiscos e bebidas variadas

Inúmeros são os desejos



O Brasil entra em campo

E os pensamentos chegam onde acontece o mundial

Enfeitam as ruas de verde e amarelo

Ensaiam até os passos da canção oficial



De repente um único grito se ouve

Um gooooooolllll quase ensurdecedor

É a seleção canarinho goleando

Atendendo ao brasileiro clamor



Esse é o povo brasileiro

Que nessa época torce apesar das adversidades

Gasta o que não tem nos preparativos

Numa cômica e quase trágica ingenuidade



Mas a vida segue apesar desse grande evento

Foi assim também nos mundiais passados

Que o diga a revisão da nossa Constituição e diversos projetos de leis

Nesse período é que são sancionados



E mesmo com toda a sujeira

Todo mundo quer ser campeão

Só pensam em Copa do Mundo.

Mas esquece de ser cidadão.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Olho de lince

Olho de lince

(Jards Macalé e Waly Salomão)

Quem fala que sou esquisita hermética
É porque não dou sopa estou sempre elétrica
Nada que se aproxima nada me é estranho
Fulano sicrano e beltrano
Seja pedra seja planta seja bicho seja humano
Quando quero saber o que ocorre a minha volta
Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
Experimento tudo nunca me iludo
Quero crer no que vem por ai beco escuro
Me iludo passando presente futuro
Revir na palma da mão o dado
Presente futuro passado
Tudo sentir de todas as maneiras
É a chave de ouro do meu jogo
De minha mais alta razão
Na seqüência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

guerra e paz.

Ele me tirou a paz. E me trouxe uma guerra mais intensa que as atômicas, as mundiais, a dos seis dias, a dos cem anos.
Mas o saldo não são corpos mutilados, orfãos, ditaduras ou revolução.
Dessa guerra, vejam vocês, nasce um coração tão grande que é de caber o mundo..

Beatriz A.M.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

(UL) TRAPAÇA (DA)

(UL) TRAPAÇA (DA)
Marta Torres

Sinto-me uma inútil
Uma completa idiota
Tola, impotente, débil
Uma estéril

Onde está o meu charme de fêmea?
A sedução e a confiança nordestinas?
A minha caliência latina?
O meu poder de sedução brasileiro?

A postura correta, o andar macio
Trato educado, delicado, sensível
Cultura de artes, música eclética
Esportes, viagens, filosofia
Assunto para anos de conversas
Feminilidade até nas palavras e idéias

O olhar realçado pela maquiagem
A roupa certa, nem tanto nem tão pouco
O salto fino acompanhando os passos seguros
O aroma perfeito,
suave, doce, afrodisíaco
Até o cabelo irretocável
Simplicidade da alma
mas sofisticação para se ver

A atração existia, é inconteste
Os olhares não escondiam

Mas para quê tanta produção?
Fantasia, programação, sonho
Imaginação fértil e avançada no tempo

Sinto-me uma inútil
Uma Sharon Stone sem o descruzar das pernas
Uma Sheila Carvalho sem o rebolado
Gisele Bunchein sem as passarelas
Uma cinderela completamente descalça

A timidez me venceu
Sem arma, sem tanques
Sem ordens de nenhum superior
Criança num corpo de mulher
A pura e simples timidez
Trapaceira.

(20 de março de 2006)

terça-feira, 29 de maio de 2012

Na Trilha do Corpo

Na Trilha do Corpo
Beatriz A. M
As curiosas mãos do poeta
são como tinta em minha geografia:
vão percorrendo sendas, descobrindo lagos
explorando o que nem eu mesma conhecia...
Escalam montes, descem platôs,
trafegam por planicies as mais macias,
abrem caminhos, encontram atalhos,
querem chegar aonde eu também as queria...
E são gentis, as mãos do poeta,
são amáveis, tem filosofia...
não andam com pressa, deslizam tranquilas
buscam o toque que me arrepia
E na estrada sinuosa do meu corpo de musa,
as mãos do poeta tecem uma elegia,
que fala de tempo, que me veste de amor,
que me inaugura o prazer e se torna epifania.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Caio Fernando Abreu


"... então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para liberar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque é assim que és e unicamente assim é que me queres e me utilizas todos os dias, e nos usamos honestamente assim..."

Caio Fernando Abreu


domingo, 27 de maio de 2012

O FRASCO DE MAIONESE E O CAFÉ


O FRASCO DE MAIONESE E  O CAFÉ

Quando as coisas na vida parecem demasiadas, quando 24 horas por dia não são suficientes...
Lembre-se do frasco de maionese e do café.
Um professor, durante a sua aula de filosofia, sem dizer uma palavra, pega um frasco de maionese vazio e enche com bolas de ping pong.
A seguir, perguntou aos alunos se o frasco estava cheio. Os estudantes responderam, sim.
Então, o professor pega uma porção de pedrinhas e mete-as no frasco de maionese. As pedrinhas encheram os espaços vazios entre as bolas de ping pong.
O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a dizer que sim.
Então...o professor pegou uma porção de areia e colocou dentro do frasco de maionese. Claro que a areia encheu todos os espaços vazios e, uma vez mais, o professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio. Nesta ocasião os estudantes responderam em unanimidade,  "Sim !".
Em seguida, o professor acrescentou 2 xícaras de café ao frasco e claro que o café preencheu todos os espaços vazios entre os grãos de areia. Os estudantes, nesta ocasião começaram a rir,mas repararam que o professor estava sério e disse-lhes:

'QUERO QUE SE DÊEM CONTA QUE ESTE FRASCO REPRESENTA A VIDA'.
As bolas de ping pong são as coisas Importantes:
como a FAMÍLIA, a SAÚDE, os AMIGOS, tudo o que você AMA DE VERDADE.
São coisas, que mesmo se perdessemos todo o resto, nossas vidas continuariam cheias.
As pedrinhas são as outras coisas
que importam como: o trabalho, a casa, o carro, etc.
A areia é tudo o demais, as pequenas coisas.
'Se puséssemos  a areia no frasco primeiro, não haveria espaço para as pedrinhas nem para as bolas de ping pong. O mesmo acontece com a vida'.
Se gastássemos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teríamos lugar para as coisas realmente importantes.
Preste atenção às coisas que são cruciais para a sua Felicidade.
Brinque ensinando  os seus filhos,
Arranje tempo para ir ao medico,
Namore e vá com a sua/seu namorado(a)/marido/mulher jantar fora,
Dedique algumas horas para uma boa conversa e diversão com seus amigos
Pratique o seu esporte ou hobbie favorito.
Haverá sempre tempo para trabalhar, limpar a casa, arrumar o carro...
Ocupe-se sempre das bolas de ping pong, em  1º lugar, porque representam as coisas que realmente importam na sua vida.
Estabeleça suas prioridades, o resto é só areia...
Porém, um dos estudantes levantou a mão e perguntou o que representaria, então, o café.
O professor sorriu e disse:
"...o café é só para demonstrar, que não importa o quanto a nossa vida esteja ocupada, sempre haverá espaço para um cafezinho com um amigo. "

sábado, 26 de maio de 2012

Problemas de Formatação

Problemas de Formatação

Rodolfo Pamplona Filho

Algumas vezes, não consigo
expressar o que eu sinto ou sigo,
não por dificuldade de expressão,
mas por uma falha de comunicação,
em que não posso colocar para fora
tudo que faz parte da minha história.

Tenho de ter cuidado com o texto,
pois qualquer visão fora do contexto
vira um irrecusável pretexto
para jogar bola ao cesto
com cada um dos meus planos
ou com os frutos dos meus anos.

Nestas horas, preciso disfarçar
ou aprender a improvisar
para conseguir transmitir
tudo que vivo a sentir
verdadeiramente no coração,
apesar de problemas de formatação

Salvador, 28 de agosto de 2011.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Amor tarja preta



Amor tarja preta

Sou por menos Rivotril e mais carinho. Com cinco reais se compra um abraço químico
15.08.2011 | Texto por Antonia Pellegrino Ilustração Adriana Alves
O mais simpático dos tarja preta, de preço acessível e sabor doce, o Rivotril é, segundo dados da IMS Health, o segundo remédio mais vendido do país. Há anos, nós, brasileiros, estamos na pole position de seu consumo mundial. O medicamento não trata apenas distúrbios de ansiedade, mas também epilepsia e esquizofrenia. Posto que não somos uma nação de epiléticos ou esquizofrênicos, me pergunto se somos a pátria dos aflitos, fóbicos e angustiados.
Mas o existencialismo não nasceu nos trópicos. Aqui, o xarope da paz só perde em números para a pílula anticoncepcional. O que soa como uma contradição em termos. Ou não. O sexo que relaxa o corpo não necessariamente tranquiliza o coração. Como as pesquisas apontam que o brasileiro tem um dos regimes sexuais mais vigorosos do mundo, de fazer franceses babarem de inveja e britânicos bocejarem de tédio, fico com a sensação de que o excesso de Rivotril fala de escassez de amor.
Mais amor, por favorDe sexo com amor – a forma que humilha todos os outros tipo de sexo. De amor dos médicos para com seus pacientes, ao abrir sua escuta sem pressa aos problemas do outro, e medicá-los, se for o caso. Sou por menos Rivotril e mais carinho. Fornecer uma receita fácil e com cinco reais se compra um abraço químico, não. Sou por encarar com madureza as angústias, os ritos de passagem, as dores do crescer. Isso é um gesto de amor para com a própria humanidade. Retira de sobre a realidade o manto de poder ilusório que nos protege do desconcertante contado (contato) com a fragilidade. Vulnerável também pode ser bonito. Cicatrizes enfeitam a pele. Sem medo da dor, ama ao próximo como a si mesmo. E ouça a canção “Tempo de Amor”, com letra de Vinicius de Moraes,  reembalada, recentemente, na voz de Seu Jorge: “Ah! Não existe coisa mais triste que ter paz e se arrepender e se conformar e se proteger de um amor a mais. O tempo de amor é tempo de dor. O tempo de paz não faz nem desfaz. Ah! Que não seja meu, o mundo onde o amor morreu”.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Alceu Valença, Tomara


 
Tomara meu Deus, tomara
Que tudo que nos separa
Não frutifique, não valha
Tomara, meu Deus
Tomara meu Deus, tomara
Que tudo que nos amarra
Só seja amor, malha rara
Tomara, meu Deus
Tomara meu Deus, tomara
E o nosso amor se declara
Muito maior, e não pára em nós
Se as águas da Guanabara
Escorrem na minha cara
Uma nação solidária não pára em nós
Tomara meu Deus, tomara
Uma nação solidária
Sem preconceitos, tomara
Uma nação como nós
(Alceu Valença, Tomara)
 
 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Para a Arrogância da Juventude...

 
Essa é uma homenagem à turma de cabelos brancos e àqueles arrogantezinhos que imaginam saber tudo . 
Um jovem muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele, porque era impossível a alguém da velha geração entender esta geração.
"Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo!", o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo.
"Nós, os jovens de hoje, crescemos com Internet , celular , televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a  hidrogênio, computadores com grande capacidade de  processamento e ....," - fez uma pausa para tomar outro gole de cerveja.
O senhor se aproveitou do intervalo do gole para  interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse: 
- Você está certo, filho. Nós não tivemos essas coisas quando éramos jovens porque estávamos ocupados em inventá-las. E você, um bom exemplo dos arrogante dos dias de hoje, o que está fazendo para a  próxima geração?