Repórter perguntou à Cora Coralina o que é viver bem.
Ela lhe disse:
"Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha.
Eu não digo.
Eu não digo estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a venceras dificuldades da vida.
O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo nunca que estou cansada.
Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos.
Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades,
mas não sei se sou velha não.
Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser.
Filha dessa abençoada terra de Goiás.Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho emorto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé.
Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.".
(_Cora Coralina_)
Blog para ler e pensar... Um texto por dia... é a promessa... Ficarei muito feliz em ler e saber o que cada palavra despertou... Se você quiser compartilhar um texto, não hesite em mandar para rpf@rodolfopamplonafilho.com.br. Aqui, não compartilho apenas os meus textos, mas de poetas que eu já admiro e de todas as pessoas que queiram viajar comigo na poesia... Se quiser conhecer somente a minha poesia, acesse o blog rpf-poesia.blogspot.com.br. Espero que goste... Ficarei feliz com isso...
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
(_Cora Coralina_)
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Primeira Vez
Primeira Vez
Rodolfo Pamplona Filho
É um prazer...
Mais: um privilégio!
Tudo aprender
sem sacrilégio...
presenciar
a estréia,
o debutar,
ser mais que platéia...
Celebrar
a primogenitura.
Alcançar
uma nova altura.
Testemunhar
o nascimento.
Nunca mais deixar
de aproveitar o momento.
Ver o rito de passagem
para uma outra etapa.
Fazer uma viagem
sem olhar o mapa.
A perda da inocência
ou da virgindade
é superar a violência
de viver por necessidade.
A certeza da mudança
é o nascer de uma esperança,
pois tudo só toma a mesma tez,
quando se vive a primeira vez.
Mais: um privilégio!
Tudo aprender
sem sacrilégio...
presenciar
a estréia,
o debutar,
ser mais que platéia...
Celebrar
a primogenitura.
Alcançar
uma nova altura.
Testemunhar
o nascimento.
Nunca mais deixar
de aproveitar o momento.
Ver o rito de passagem
para uma outra etapa.
Fazer uma viagem
sem olhar o mapa.
A perda da inocência
ou da virgindade
é superar a violência
de viver por necessidade.
A certeza da mudança
é o nascer de uma esperança,
pois tudo só toma a mesma tez,
quando se vive a primeira vez.
Salvador, 15 de janeiro de 2012.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Ouvido Absoluto: As Canções a Seu Tempo
Ouvido Absoluto: As Canções a Seu Tempo
Patrícia Plumbo
No final do ano assistimos na tv Ivete Sangalo ladeada por dois dos maiores ícones vivos da música popular, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Grande parte do repertório da autoria deles com destaque para a belíssima Atrás da Porta, de Chico Buarque, como um dos pontos altos do programa. Ivete saiu-se bem. Cantou bonito, na intenção certa e emocionou platéia e colegas mesmo correndo o risco iminente da comparação com Elis Regina.
O desfile de clássicos acabou suscitando um debate acalorado entre meus amigos e eu sobre a natureza genial dos compositores ali presentes e a novissima geração que estamos vendo surgir. É lugar comum dizer que não se fazem mais canções como aquelas, que a poesia contida na produção contemporânea é rasa se comparada ao lirismo de Drão, Super Homem, Amor Até o Fim, Tá Combinado, Tigresa, pra citar algumas que fizeram parte do especial e indo mais longe o que dizer dos versos de Vinicius de Moraes, de Lupicínio, Cartola e outros mestres.
Bom, meu argumento a favor da canção comtemporânea é simples, toda canção reflete seu tempo, tem contexto histórico e é a partir daí que é possivel fazer juizo de valor. Como comparar a dor de cotovelo de um Antonio Maria que viveu nos anos 50 quando desfazer um casamento era um crime com punição social máxima com a leveza de um jovem como Thiago Pethit que vive num tempo com toda a liberdade de amar quer quiser? Vamos as versos: “ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor…”. – Antonio Maria; ou Valsa de Eurídice, de Tom Jobim e Vinicius: “oh, meu amado não parta, não parta de mim, ah, uma ternura que não tem fim…. ”.
Agora, Mapa Mundi, de Thiago Pethit: “me escreva uma carta sem remetente, só o necessario e se está contente, tente lembrar quais eram os planos, se nada mudou com o passar dos anos…e me pergunte o que será do nosso amor…”. Pra ser menos radical na diferença vamos pra Jards Macalé e Wally Salomão com Vapor Barato nos anos 70 quando a liberdade era uma bandeira: “vou descendo por todas as ruas e vou tomar aquele velho navio, eu não preciso de muito dinheiro, graças a deus, e não me importa, honey…”. Voltando algumas décadas vamos lembrar de outro tipo de romance retratado na belissima Último Desejo de Noel Rosa – “Nosso amor que não esqueço e que teve o seu começo numa festa de São João, morre hoje sem foguete, sem retrato, sem bilhete, sem luar, sem violão…” Pra nossa tristeza, quem é que começa nesses anos 2000 e tanto uma história de amor com retrato e bilhete
No meio da discussão apareceu uma outra questão bastante comum, onde estão os genios dessa geração? Se temos Chico, Gil, Caetano, Jobim, Noel, o que vem agora? O que virá depois? Continuo com meu determinismo histórico, não precisamos de gênios. Temos excelentes compositores, e até em maior número do que nas geracões anteriores. Com a disseminação da música pela internet, com a facilidade de acesso aos meios de produção, não há 3 ou 4 grandes nomes para a década, mas muitos.
Listo aqui alguns artistas com ótimas letras: o já citado Thiago Pethit, Rodrigo Campos, Tulipa Ruiz, Marcelo Camelo, Lirinha, Ava Rocha, Junio Barreto. Numa época em que casar e descasar é sazonal, o amor é Só Sei Dançar Com Você: “você sacou a minha esquizofrenia e maneirou na condução, toda vez que eu errava você dizia pra eu me soltar porque você me conduzia …” como canta Tulipa.
Os anos 50 foram difíceis pro amor, os 60 e 70 pra liberdade, os 80 uma espécie de compasso de espera, nos anos 90 se consolida a diversidade e agora colhemos os frutos de tudo isso. Tem poesia com profundidade e erudição nos versos de Lirinha mas também uma jovem que dança pra espantar a dor. Tem o fim da solidão de Marcelo Camelo e o amanhecer espantado com os preços da cidade de Ava Rocha. Só que é espalhado, diluido, solto por aí. Não está na televisão.
Mais que nunca é com ouvido esperto e curioso que se ouve e se descobre a boa música. Como disse uma vez Arnaldo Antunes, não tem porque termos saudades dos movimentos. O melhor é sempre o que nos emociona e de maneira geral o que mais emociona é o que nos traduz. Cada canção a seu tempo
O desfile de clássicos acabou suscitando um debate acalorado entre meus amigos e eu sobre a natureza genial dos compositores ali presentes e a novissima geração que estamos vendo surgir. É lugar comum dizer que não se fazem mais canções como aquelas, que a poesia contida na produção contemporânea é rasa se comparada ao lirismo de Drão, Super Homem, Amor Até o Fim, Tá Combinado, Tigresa, pra citar algumas que fizeram parte do especial e indo mais longe o que dizer dos versos de Vinicius de Moraes, de Lupicínio, Cartola e outros mestres.
Bom, meu argumento a favor da canção comtemporânea é simples, toda canção reflete seu tempo, tem contexto histórico e é a partir daí que é possivel fazer juizo de valor. Como comparar a dor de cotovelo de um Antonio Maria que viveu nos anos 50 quando desfazer um casamento era um crime com punição social máxima com a leveza de um jovem como Thiago Pethit que vive num tempo com toda a liberdade de amar quer quiser? Vamos as versos: “ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor…”. – Antonio Maria; ou Valsa de Eurídice, de Tom Jobim e Vinicius: “oh, meu amado não parta, não parta de mim, ah, uma ternura que não tem fim…. ”.
Agora, Mapa Mundi, de Thiago Pethit: “me escreva uma carta sem remetente, só o necessario e se está contente, tente lembrar quais eram os planos, se nada mudou com o passar dos anos…e me pergunte o que será do nosso amor…”. Pra ser menos radical na diferença vamos pra Jards Macalé e Wally Salomão com Vapor Barato nos anos 70 quando a liberdade era uma bandeira: “vou descendo por todas as ruas e vou tomar aquele velho navio, eu não preciso de muito dinheiro, graças a deus, e não me importa, honey…”. Voltando algumas décadas vamos lembrar de outro tipo de romance retratado na belissima Último Desejo de Noel Rosa – “Nosso amor que não esqueço e que teve o seu começo numa festa de São João, morre hoje sem foguete, sem retrato, sem bilhete, sem luar, sem violão…” Pra nossa tristeza, quem é que começa nesses anos 2000 e tanto uma história de amor com retrato e bilhete
No meio da discussão apareceu uma outra questão bastante comum, onde estão os genios dessa geração? Se temos Chico, Gil, Caetano, Jobim, Noel, o que vem agora? O que virá depois? Continuo com meu determinismo histórico, não precisamos de gênios. Temos excelentes compositores, e até em maior número do que nas geracões anteriores. Com a disseminação da música pela internet, com a facilidade de acesso aos meios de produção, não há 3 ou 4 grandes nomes para a década, mas muitos.
Listo aqui alguns artistas com ótimas letras: o já citado Thiago Pethit, Rodrigo Campos, Tulipa Ruiz, Marcelo Camelo, Lirinha, Ava Rocha, Junio Barreto. Numa época em que casar e descasar é sazonal, o amor é Só Sei Dançar Com Você: “você sacou a minha esquizofrenia e maneirou na condução, toda vez que eu errava você dizia pra eu me soltar porque você me conduzia …” como canta Tulipa.
Os anos 50 foram difíceis pro amor, os 60 e 70 pra liberdade, os 80 uma espécie de compasso de espera, nos anos 90 se consolida a diversidade e agora colhemos os frutos de tudo isso. Tem poesia com profundidade e erudição nos versos de Lirinha mas também uma jovem que dança pra espantar a dor. Tem o fim da solidão de Marcelo Camelo e o amanhecer espantado com os preços da cidade de Ava Rocha. Só que é espalhado, diluido, solto por aí. Não está na televisão.
Mais que nunca é com ouvido esperto e curioso que se ouve e se descobre a boa música. Como disse uma vez Arnaldo Antunes, não tem porque termos saudades dos movimentos. O melhor é sempre o que nos emociona e de maneira geral o que mais emociona é o que nos traduz. Cada canção a seu tempo
domingo, 6 de janeiro de 2013
Poema do Desejo Feminino
Poema do Desejo Feminino
Toda Mulher quer um Homem protetor
Que a trate com todo amor
E não como uma mercadoria que vai e que vem
Suportando várias de um harém
Mulher que é Mulher não quer ser Prostituta
Muito menos encarnar a Lady fajuta.
Quer ser tocada; sentida
Admirada e ouvida
Só com Ele delirar de prazer
Rir, sonhar, dar, fazer...
O orgasmo lhe é bem anterior
De na cama se entregar sem pudor
Família é assaz importante
Abdicar da esmeralda, daquele diamante...
Ser forte
Amando a vida, não esquecendo da morte...
O coração de uma Mulher
é um mundo Feito à mão
Patrimônio que leva o corpo
e não vai a leilão
A verdade é universal e grita insistente
Acreditar ou não, só do Homem depende
Não há Mulher neste mundo
Que não queira um feliz para sempre!
Toda Mulher quer um Homem protetor
Que a trate com todo amor
E não como uma mercadoria que vai e que vem
Suportando várias de um harém
Mulher que é Mulher não quer ser Prostituta
Muito menos encarnar a Lady fajuta.
Quer ser tocada; sentida
Admirada e ouvida
Só com Ele delirar de prazer
Rir, sonhar, dar, fazer...
O orgasmo lhe é bem anterior
De na cama se entregar sem pudor
Família é assaz importante
Abdicar da esmeralda, daquele diamante...
Ser forte
Amando a vida, não esquecendo da morte...
O coração de uma Mulher
é um mundo Feito à mão
Patrimônio que leva o corpo
e não vai a leilão
A verdade é universal e grita insistente
Acreditar ou não, só do Homem depende
Não há Mulher neste mundo
Que não queira um feliz para sempre!
Juliana Juliana
sábado, 5 de janeiro de 2013
Clarice Lispector
Clarice Lispector
Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre
Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Mercado de ações - Parábola Árabe
Mercado de ações - Parábola Árabe
Uma vez, num vilarejo do interior, apareceu um homem anunciando aos
aldeões que compraria burros por R$10,00 cada. Os aldeões sabendo que
havia muitos burros na região, iniciaram a caça aos burros. O homem
comprou centenas de burros a R$10,00 e então os aldeões diminuíram seu
esforço na caça. Aí, o homem anunciou que agora pagaria R$20,00 por
cada burro e os aldeões renovaram seus esforços e foram novamente à
caça.
Logo, os burros foram escasseando cada vez mais e os aldeões foram
desistindo da busca. A oferta aumentou para R$25,00 e a quantidade de
burros ficou tão pequena que já não havia mais interesse na caça.
O homem então anunciou que agora compraria cada burro por R$50,00!
Entretanto, como iria à cidade grande, deixaria seu assistente
cuidando da compra dos burros.
Na ausência do homem, seu assistente disse aos aldeões: 'Estão a ver
todos estes burros que o homem vos comprou? Eu posso vendê-los por
R$35,00 a vocês e quando o homem voltar da cidade, vocês podem
vender-lhos por R$50,00 cada.'
Os aldeões, espertos, pegaram em todas as suas economias e compraram
todos os burros ao assistente.
Eles nunca mais viram o homem ou seu assistente, somente burros por
todos os lados.'
Agora você entendeu como funciona o mercado de ações...
Uma vez, num vilarejo do interior, apareceu um homem anunciando aos
aldeões que compraria burros por R$10,00 cada. Os aldeões sabendo que
havia muitos burros na região, iniciaram a caça aos burros. O homem
comprou centenas de burros a R$10,00 e então os aldeões diminuíram seu
esforço na caça. Aí, o homem anunciou que agora pagaria R$20,00 por
cada burro e os aldeões renovaram seus esforços e foram novamente à
caça.
Logo, os burros foram escasseando cada vez mais e os aldeões foram
desistindo da busca. A oferta aumentou para R$25,00 e a quantidade de
burros ficou tão pequena que já não havia mais interesse na caça.
O homem então anunciou que agora compraria cada burro por R$50,00!
Entretanto, como iria à cidade grande, deixaria seu assistente
cuidando da compra dos burros.
Na ausência do homem, seu assistente disse aos aldeões: 'Estão a ver
todos estes burros que o homem vos comprou? Eu posso vendê-los por
R$35,00 a vocês e quando o homem voltar da cidade, vocês podem
vender-lhos por R$50,00 cada.'
Os aldeões, espertos, pegaram em todas as suas economias e compraram
todos os burros ao assistente.
Eles nunca mais viram o homem ou seu assistente, somente burros por
todos os lados.'
Agora você entendeu como funciona o mercado de ações...
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Pedindo um tempo
Pedindo um tempo
Eu preciso de um tempo
para me acostumar
com a idéia singular
de ter certeza
e a nobreza
de que estou fazendo
a coisa certa.
Fico apavorado em
não acompanhar
e traumatizar
cada um dos
meus filhos,
sonhos e projetos.
Tenho medo, sim,
de um pouco de tudo
e também de um novo mundo,
com novas dores,
perspectivas e desafios.
Quero ter uma vida nova,
mas não quero abrir mão
das coisas boas
que encontrei
na minha vida antiga.
Receio também
que a vida nova
tenha outros tantos
ou talvez os mesmos defeitos
da vida de outrora,
mas nao dá mais para não arriscar...
Eu vou arriscar, sim!
Apenas clamo por amor e apoio,
mas, principalmente,
muita paciência
pois as coisas não serão rápidas...
E penso que tudo se ajeita
com o destino...
ou com o tempo...
tentar assim pensar
ajuda a não ficar mal.
Contar, sim, sempre
que o tempo vai ajeitar tudo,
calmamente, com menos dor,
é a postura que quero, por favor
pois, se mais pressionado for,
por certo, surtarei...
E, na busca, ficarei
pela tranqüilidade...
pois todos têm
os mesmos temores...
eu tenho certeza disso...
Transmitir sempre
esta serenidade...
Se há os mesmos pavores,
isso só reforça o elo,
já que eles são terríveis
e tiram qualquer paz...
Confiemos no tempo e no destino...
É ele que pedimos e esperamos...
para me acostumar
com a idéia singular
de ter certeza
e a nobreza
de que estou fazendo
a coisa certa.
Fico apavorado em
não acompanhar
e traumatizar
cada um dos
meus filhos,
sonhos e projetos.
Tenho medo, sim,
de um pouco de tudo
e também de um novo mundo,
com novas dores,
perspectivas e desafios.
Quero ter uma vida nova,
mas não quero abrir mão
das coisas boas
que encontrei
na minha vida antiga.
Receio também
que a vida nova
tenha outros tantos
ou talvez os mesmos defeitos
da vida de outrora,
mas nao dá mais para não arriscar...
Eu vou arriscar, sim!
Apenas clamo por amor e apoio,
mas, principalmente,
muita paciência
pois as coisas não serão rápidas...
E penso que tudo se ajeita
com o destino...
ou com o tempo...
tentar assim pensar
ajuda a não ficar mal.
Contar, sim, sempre
que o tempo vai ajeitar tudo,
calmamente, com menos dor,
é a postura que quero, por favor
pois, se mais pressionado for,
por certo, surtarei...
E, na busca, ficarei
pela tranqüilidade...
pois todos têm
os mesmos temores...
eu tenho certeza disso...
Transmitir sempre
esta serenidade...
Se há os mesmos pavores,
isso só reforça o elo,
já que eles são terríveis
e tiram qualquer paz...
Confiemos no tempo e no destino...
É ele que pedimos e esperamos...
Darci HF
Março de 2011.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
O fio de Ariadne
O fio de Ariadneby mauriciorequiao |
O
caminho para o baile de máscaras era um labirinto. E não se está aqui a utilizar
de metáforas. Havia os que se perdiam e nunca chegavam. Simplesmente vagavam,
vagavam e vagavam pelos corredores infinitos.
A
despeito disso, ou talvez por isso, não hesitou sequer uma vez quando recebeu o
convite. Agora, estava perdido. Não sabia há quanto tempo. Somente tinha tal
consciência, embora não soubesse nem mesmo quando ela havia surgido. Temia virar
um fantasma e vagar pelos eternos corredores.
Fantasmas,
é o que diziam que se tornavam aqueles que se perdiam. Vagando, vagando e
vagando. Sem senso, sem sentido, esquecendo gradativamente o que era estar vivo.
Esquecendo-se do que realmente importava, até que nada mais importasse e só
restasse vagar.
Começava
a duvidar se já não havia ele próprio se transformado num. Será que saberia?
Tudo que fazia era vagar, com a máscara cada vez mais presa ao seu rosto.
Sentiria quando não mais sentisse? A ideia, em si, era uma contradição.
Num
dos intermináveis cruzamentos, soube que não era ainda um dos para sempre
perdidos. Deu de cara com outro ser mascarado e se assustou. Não sabia de início
se era alguém ou um fantasma. Mas também o alter se assustou e fantasmas,
por definição, não se assustam.
Não,
definitivamente não era um fantasma. Era uma mulher. Por baixo da máscara,
sorriu e imaginou que ela também sorrisse. Era um alívio profundo encontrar
alguém e saber-se ainda vivo.
Lentamente,
aproximaram-se. Observaram-se. Tocaram-se. E, por fim, tão ritualisticamente
quanto o momento pedia, retiraram a máscara um do outro e jogaram-nas fora.
Aninhados um ao outro, de mãos dadas, começaram a caminhar, quem sabe até o
infinito. Daquele jeito, não havia mais como se perderem. O resto, pouco
importava.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Feliz 2013
E o tempo? Esse canalha, continua incessante. Porque tudo na vida tem um começo, um meio e um fim... Salvo o tempo... Que continua do mesmo jeito ontem, hoje e amanhã. Ao menos enquanto nós ainda não tivermos o dom de "dobrar" o tempo... De voltar no tempo passado, como já andaram sonhando por aí... Essa premissa continuará inarredável.
O tempo sempre sepultará as coisas boas e ruins da vida. Sempre fará sentir saudades daquele cheiro, daquele gosto, daquela pessoa, daquele lugar, enfim. Mas também nos traz essa louca ansiedade, como se com uma "googlada" pudéssemos desvelar o futuro. O tempo sempre nos diz que há uma nova oportunidade, descortinando um verdadeiro mosaico de possibilidades, mas diz também que aquela oportunidade passada, já passou e não volta mais. Para aquela... Nada mais do que os efeitos do próprio tempo.
O tempo sempre faz perceber que tudo, desde um simples átomo, até a mais complexa obra de engenharia conhecida, o ser humano, é transitório. De que por mais que teimemos em não nos sujeitar aos seus efeitos, aproveitando-se dessa condição inafastável, ele, o tempo, sempre leva a melhor.
Talvez por isso o tempo seja sempre tão fascinante... Aliás existem algumas ciências, umas públicas, outras ocultas, que querem entender ou mesmo depreender como será o tempo. Ledo engano. O tempo continua tão incontrolável como sempre foi. Como uma carroça desgovernada ladeira abaixo, não há quem preveja por onde esteve, para aonde vai, o quê se dará.
Daí a riqueza da própria existência humana. Dada a sua sujeição suprema aos efeitos do tempo, alguns dizem que o ser humano dividiu esse ser indecifrável em minutos, horas, dias ou anos apenas para que não tivéssemos a impressão de que nada acaba... De que tudo é para sempre, ou mesmo de que tivéssemos as esperanças e expectativas renovadas.
Pelo contrário, acho que esse fracionamento foi arte de próprio tempo. É que se o ser humano percebesse como o tempo pode ser bom, ao invés de olhar pra traz ou pra frente procurando ver como foi ou como vai ser o tempo, a espécie humana conseguiria ver que o tempo de hoje é, SEMPRE, o melhor tempo...
Viva um 2013 pensando que esse é o melhor tempo e seja muito feliz. Talvez daí possamos concluir que a alegria humana reside justamente em viver essas frações do tempo. Essas frações que nos permitem reafirmar a nossa condição humana... A de que estamos sujeitos ao tempo... esse canalha!
Tercio Roberto Peixoto Souza
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Em breve encerra-se mais um ano em sua vida...
Em breve encerra-se mais um ano em sua vida...
Quando este ano começou, ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos...
Podia fazer dele o que quisesse...
Era como um Livro em Branco, e nele você podia ter
um poema, um pesadelo uma blasfêmia, uma oração.
Podia...
Hoje não pode mais, já não é seu.
É um livro já escrito...
Concluído...
Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe
será lido, com todos os detalhes, e não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance.
Portanto...
Antes que termine este ano, reflita, tome seu velho livro
e folheie com cuidado...
Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela
consciência;
Faça o exercício de ler a você mesmo.
Leia tudo...
Aprecie aquelas páginas de sua vida em que usou
seu melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter
escrito.
Não...
Não tentes arrancá-las.
Seria inútil...
Já estão escritas.
Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que
será entregue.
Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e
evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente
com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para
preencher, toda a imensa superfície do seu mundo.
Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije.
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir,
coloque-o nas mãos do Criador.
Não importa como esteja...
Ainda que tenha páginas escuras, entregue e diga
apenas duas palavras: Obrigado e Perdão!!!
E, quando o novo ano chegar, lhe será entregue outro
livro, novo, limpo, branco, todo seu, no qual irá escrever
o que desejar...
FELIZ LIVRO NOVO!!!
Que o ano que se aproxima lhe traga muita saúde, paz e prosperidade.
Quando este ano começou, ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos...
Podia fazer dele o que quisesse...
Era como um Livro em Branco, e nele você podia ter
um poema, um pesadelo uma blasfêmia, uma oração.
Podia...
Hoje não pode mais, já não é seu.
É um livro já escrito...
Concluído...
Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe
será lido, com todos os detalhes, e não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance.
Portanto...
Antes que termine este ano, reflita, tome seu velho livro
e folheie com cuidado...
Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela
consciência;
Faça o exercício de ler a você mesmo.
Leia tudo...
Aprecie aquelas páginas de sua vida em que usou
seu melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter
escrito.
Não...
Não tentes arrancá-las.
Seria inútil...
Já estão escritas.
Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que
será entregue.
Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e
evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente
com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para
preencher, toda a imensa superfície do seu mundo.
Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije.
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir,
coloque-o nas mãos do Criador.
Não importa como esteja...
Ainda que tenha páginas escuras, entregue e diga
apenas duas palavras: Obrigado e Perdão!!!
E, quando o novo ano chegar, lhe será entregue outro
livro, novo, limpo, branco, todo seu, no qual irá escrever
o que desejar...
FELIZ LIVRO NOVO!!!
Que o ano que se aproxima lhe traga muita saúde, paz e prosperidade.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Feliz Ano Novo!
Mineiro nao é
bobo, só finge....
O ônibus que seguia em direção ao Rio de Janeiro, para numa cidade do interior de Minas.
O capiau sobe com três leitõezinhos no colo.
Ao perceber a cena, um carioca ( como de costume ), quis logo tirar um sarro com a cara do mineirinho.
- E aí mineiro, levando os porquinhos para passear?
- Pois é sô, os bichins nunca viram o mar, uai!..... Pois carece di vê.
- Estes bichinhos tem nome?
- Teeeem sô!
Este aqui si chama, 'Suatia'. O daquele ali é, 'Suavó ' ...
- Puto da vida, o carioca interrompe o mineiro:
- Deixa que eu advinho o nome deste último. É 'Suamãe' ?!. (rsrs)
Não sô, esse aqui é 'Seupai'.
'Suamãe',
eu cumi onti.
sábado, 29 de dezembro de 2012
Queria ter um sótão pra ficar agora, sozinha
Queria ter um sótão pra ficar agora, sozinha
Me sinto viciada
Preciso escrever... e queria escreve-lo num sótão
Me sinto viciada mas é um vicio bom
Queria ter de volta meu melhor brinquedo, meu urso "Peposo"
Era tão difícil eu me aborrecer
Mas quando ficava "chata" eu segurava meu ursinho e logo passava...
Hoje eu sei o que é sentir algo de forma errada
Tanta coisa mudou e isso faz diferença agora
Eu preciso de um sótão
Preciso de um vinil
e de um amor...
Quero dizer, não é o que parece
Eu continuo vivendo de sonhos
E simplesmente vou vivendo de sonhos...
Preciso de um sótão, de papel e caneta
Tenho que escrever e enviar imediatamente
Estou meio fora de controle
Mas lá no fundo em meu silêncio eu sei que você está me ouvindo
São palavras que eu não preciso dizer
Meu amor não pode fluir... não sem você
E eu só queria estar num sótão
Com você...
Anna Kelly
Me sinto viciada
Preciso escrever... e queria escreve-lo num sótão
Me sinto viciada mas é um vicio bom
Queria ter de volta meu melhor brinquedo, meu urso "Peposo"
Era tão difícil eu me aborrecer
Mas quando ficava "chata" eu segurava meu ursinho e logo passava...
Hoje eu sei o que é sentir algo de forma errada
Tanta coisa mudou e isso faz diferença agora
Eu preciso de um sótão
Preciso de um vinil
e de um amor...
Quero dizer, não é o que parece
Eu continuo vivendo de sonhos
E simplesmente vou vivendo de sonhos...
Preciso de um sótão, de papel e caneta
Tenho que escrever e enviar imediatamente
Estou meio fora de controle
Mas lá no fundo em meu silêncio eu sei que você está me ouvindo
São palavras que eu não preciso dizer
Meu amor não pode fluir... não sem você
E eu só queria estar num sótão
Com você...
Anna Kelly
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Soneto de Natal
Soneto de Natal
A Luís Carta
Perdi-me dos pastores e sozinho
procuro o rastro do caminho certo.
Há luz no escuro mas não há caminho.
Fica tão longe o que parece perto!
Busco o Menino mas não adivinho
como encontrá-lo no meu passo incerto.
O desespero pesa como vinho.
É a dor apenas que me traz desperto.
Minhas mãos adormecem na quebrada
da noite, pelo frio da chapada.
A neblina se deita no horizonte.
Mas de repente esbarro na lembrança
das risadas de quando era criança,
e Deus nasce do chão como uma fonte.
Odylo Costa, filho
A Luís Carta
Perdi-me dos pastores e sozinho
procuro o rastro do caminho certo.
Há luz no escuro mas não há caminho.
Fica tão longe o que parece perto!
Busco o Menino mas não adivinho
como encontrá-lo no meu passo incerto.
O desespero pesa como vinho.
É a dor apenas que me traz desperto.
Minhas mãos adormecem na quebrada
da noite, pelo frio da chapada.
A neblina se deita no horizonte.
Mas de repente esbarro na lembrança
das risadas de quando era criança,
e Deus nasce do chão como uma fonte.
Odylo Costa, filho
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Carta a Noel
Carta a Noel
(16.12.11)
Por Rafael Berthold,
advogado (OAB-RS nº 62.120)
O advogado, após passar um lindo natal em família, inspirado pelas cartinhas que seus filhos endereçaram a Papai Noel, decide - ele próprio - redigir uma missiva ao bom velhinho. É claro que alguns traços da vocação processual se fazem sentir, no petitório, que assim começa:
"ILUSTRÍSSIMO SENHOR PAPAI NOEL"
E após deixar o tradicional espaço para o despacho, o advogado prossegue:
Por meio da presente, o signatário vem à vossa elevada presença declinar Pedido de Presentes de Natal, o que faz, nos termos das linhas que seguem:
1) “Que a justiça seja célere"...
Mas após alguns minutos de reflexão, o advogado arrepende-se e reescreve o pedido: "Que a justiça seja célere, quando eu representar o credor, e morosa, quando eu representar o devedor".
2) "Que os juízes deixem de arbitrar honorários aviltantes"... Mas em alguns instantes vem a ressalva:"A não ser que meus clientes sagrem-se sucumbentes".
3) "Que as indenizações deixem de ser fixadas em valores irrisórios... salvo quando eu estiver representando o condenado".
4) "Que os advogados sejam cada vez mais unidos e que se tratem sempre com respeito e urbanidade".(Nenhuma ressalva é feita, quanto a este tópico).
5) "Que os juízes não sejam formalistas e apegados a meras irregularidades irrelevantes"... (E após engolir em seco). "A não ser que estas tenham sido suscitadas por mim".
Cinco pedidos já eram o suficiente. Além disso, já iniciava-se a madrugada do dia 26 de dezembro. Então, o advogado apressou-se em dar fecho à petição:
"Ante o exposto, requer-se que Vossa Senhoria digne-se atender Pedido de Presentes de Natal, nos moldes especificados supra, por ser a expressão dos desejos natalinos do subscritor, que apresentou comportamento exemplar no ano que passou, fazendo jus, portanto, à graça pretendida.
Nestes Termos, pede deferimento".
Após concluir, deixa a carta em uma das meias que enfeitavam a lareira, onde, na noite anterior, os seus filhos deixaram os seus próprios petitórios. Na manhã seguinte, ao cruzar a sala, o advogado olha para sua carta e percebe que havia algo escrito, no espaço deixado para despacho.
Empolgado, ele retira a carta de dentro da meia e depara-se com a seguinte decisão:
"R.H. Não conheço do pedido, por intempestivo. Em 26/12/2011. (ass.) Papai Noel".
(16.12.11)
| Charge de Gerson Kauer |
Por Rafael Berthold,
advogado (OAB-RS nº 62.120)
O advogado, após passar um lindo natal em família, inspirado pelas cartinhas que seus filhos endereçaram a Papai Noel, decide - ele próprio - redigir uma missiva ao bom velhinho. É claro que alguns traços da vocação processual se fazem sentir, no petitório, que assim começa:
"ILUSTRÍSSIMO SENHOR PAPAI NOEL"
E após deixar o tradicional espaço para o despacho, o advogado prossegue:
Por meio da presente, o signatário vem à vossa elevada presença declinar Pedido de Presentes de Natal, o que faz, nos termos das linhas que seguem:
1) “Que a justiça seja célere"...
Mas após alguns minutos de reflexão, o advogado arrepende-se e reescreve o pedido: "Que a justiça seja célere, quando eu representar o credor, e morosa, quando eu representar o devedor".
2) "Que os juízes deixem de arbitrar honorários aviltantes"... Mas em alguns instantes vem a ressalva:"A não ser que meus clientes sagrem-se sucumbentes".
3) "Que as indenizações deixem de ser fixadas em valores irrisórios... salvo quando eu estiver representando o condenado".
4) "Que os advogados sejam cada vez mais unidos e que se tratem sempre com respeito e urbanidade".(Nenhuma ressalva é feita, quanto a este tópico).
5) "Que os juízes não sejam formalistas e apegados a meras irregularidades irrelevantes"... (E após engolir em seco). "A não ser que estas tenham sido suscitadas por mim".
Cinco pedidos já eram o suficiente. Além disso, já iniciava-se a madrugada do dia 26 de dezembro. Então, o advogado apressou-se em dar fecho à petição:
"Ante o exposto, requer-se que Vossa Senhoria digne-se atender Pedido de Presentes de Natal, nos moldes especificados supra, por ser a expressão dos desejos natalinos do subscritor, que apresentou comportamento exemplar no ano que passou, fazendo jus, portanto, à graça pretendida.
Nestes Termos, pede deferimento".
Após concluir, deixa a carta em uma das meias que enfeitavam a lareira, onde, na noite anterior, os seus filhos deixaram os seus próprios petitórios. Na manhã seguinte, ao cruzar a sala, o advogado olha para sua carta e percebe que havia algo escrito, no espaço deixado para despacho.
Empolgado, ele retira a carta de dentro da meia e depara-se com a seguinte decisão:
"R.H. Não conheço do pedido, por intempestivo. Em 26/12/2011. (ass.) Papai Noel".
FONTE: www.espaçovital.com.br
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O negócio de Jesus!
-Maria, vem aqui pra fora. Tá fazendo o que aí dentro?
- Tô montando o negócio de Jesus.
Curiosa que só, fui lá ver o que danado era o negócio de Jesus e achei Maria (5 anos) que, apesar de usar palavras como constrangedor e literalmente, não decora, nem a pau, a palavra presépio.
Ok, era o presépio que ela estava montando. Quando me viu, pegou os bonecos (leia-se, figuras bíblicas) e perguntou:
- Qual desses é Jesus, mesmo?
- O bebê.
- Oxe, o bebê? Nunca vi um bebê ser tão importante.
Mas, sem querer ouvir a explicação da importância do recém-nascido em questão, continuou montando o presépio (vou ter que ficar repetindo a palavra presépio porque não achei nenhum sinônimo para esse grupinho de pessoas, anjos e magos reunidos em volta de um bebê super importante, cercado de bois e vaquinhas simpáticas).
- Porque os Reis Magos são, na verdade, gordos?
Maria pergunta muito, mas, para minha sorte, não tem paciência para ouvir as respostas.
Digo sorte porque, tem um monte de coisa nesse “negócio de Jesus” que eu sinceramente não entendo.
Vamos começar pela morte/ressurreição do moço.
Reza a lenda (bíblia) que ele morreu na sexta da paixão e ressuscitou no terceiro dia, que, pelas contas dos cristãos é no domingo de páscoa. Ok, sou jornalista e minha expertise em matemática é bem fraca mas, se o pessoal da Galileia tivesse uma calculadora na época, iria perceber que, se fosse mesmo no terceiro dia, a ressurreição teria acontecido na segunda-feira. Não?
Mas, o domingo deve ser um dia mais comercial, principalmente considerando a intromissão capitalista do coelho, que mesmo sendo mamífero, choca os ovos da páscoa.
E, eu me pergunto, se Jesus era super legal, transformava água em vinho (que, na minha opinião, faz dele, automaticamente, uma pessoa super legal), curava os cegos e ainda andava sobre as águas, por que danado o povo mandou soltar Barrabás e crucificar o rapaz?
Será que o pessoal preferia uísque?
Outra parte da bíblia que me deixa assim, bastante confusa, é o pedido de Deus para Abraão. Porra, pedir para sacrificar o filho único?
Se fosse comigo e Deus mandasse sacrificar Victor eu iria dizer, com todo respeito:
- Vai se fuder Deus.
Assim, é muito difícil esclarecer esse negócio todo de Deus, Jesus e a Virgem que ficou grávida.
Se eu explicar do jeito que me ensinaram é capaz de Maria perguntar:
- Tia, você fumou maconha?
Eu acredito na coisa toda. Mas, sei lá, se rolassem umas provas científicas com estudos da Universidade de Oxford ou explicações mais lógicas, ia ser bem mais fácil responder as perguntas da menina.
Por enquanto, deixa ela montando o negócio de Jesus mesmo.
No mais, vou rezar para que, quando ela começar a fazer as pergunta difíceis, eu não esteja por perto.
*Maria é minha sobrinha e acha muito constrangedor Jesus nascer num berço de palha. Assim, literalmente falando.
Porque agora em toda frase, ela arruma um jeito de usar constrangedor e literalmente
- Tô montando o negócio de Jesus.
Curiosa que só, fui lá ver o que danado era o negócio de Jesus e achei Maria (5 anos) que, apesar de usar palavras como constrangedor e literalmente, não decora, nem a pau, a palavra presépio.
Ok, era o presépio que ela estava montando. Quando me viu, pegou os bonecos (leia-se, figuras bíblicas) e perguntou:
- Qual desses é Jesus, mesmo?
- O bebê.
- Oxe, o bebê? Nunca vi um bebê ser tão importante.
Mas, sem querer ouvir a explicação da importância do recém-nascido em questão, continuou montando o presépio (vou ter que ficar repetindo a palavra presépio porque não achei nenhum sinônimo para esse grupinho de pessoas, anjos e magos reunidos em volta de um bebê super importante, cercado de bois e vaquinhas simpáticas).
- Porque os Reis Magos são, na verdade, gordos?
Maria pergunta muito, mas, para minha sorte, não tem paciência para ouvir as respostas.
Digo sorte porque, tem um monte de coisa nesse “negócio de Jesus” que eu sinceramente não entendo.
Vamos começar pela morte/ressurreição do moço.
Reza a lenda (bíblia) que ele morreu na sexta da paixão e ressuscitou no terceiro dia, que, pelas contas dos cristãos é no domingo de páscoa. Ok, sou jornalista e minha expertise em matemática é bem fraca mas, se o pessoal da Galileia tivesse uma calculadora na época, iria perceber que, se fosse mesmo no terceiro dia, a ressurreição teria acontecido na segunda-feira. Não?
Mas, o domingo deve ser um dia mais comercial, principalmente considerando a intromissão capitalista do coelho, que mesmo sendo mamífero, choca os ovos da páscoa.
E, eu me pergunto, se Jesus era super legal, transformava água em vinho (que, na minha opinião, faz dele, automaticamente, uma pessoa super legal), curava os cegos e ainda andava sobre as águas, por que danado o povo mandou soltar Barrabás e crucificar o rapaz?
Será que o pessoal preferia uísque?
Outra parte da bíblia que me deixa assim, bastante confusa, é o pedido de Deus para Abraão. Porra, pedir para sacrificar o filho único?
Se fosse comigo e Deus mandasse sacrificar Victor eu iria dizer, com todo respeito:
- Vai se fuder Deus.
Assim, é muito difícil esclarecer esse negócio todo de Deus, Jesus e a Virgem que ficou grávida.
Se eu explicar do jeito que me ensinaram é capaz de Maria perguntar:
- Tia, você fumou maconha?
Eu acredito na coisa toda. Mas, sei lá, se rolassem umas provas científicas com estudos da Universidade de Oxford ou explicações mais lógicas, ia ser bem mais fácil responder as perguntas da menina.
Por enquanto, deixa ela montando o negócio de Jesus mesmo.
No mais, vou rezar para que, quando ela começar a fazer as pergunta difíceis, eu não esteja por perto.
*Maria é minha sobrinha e acha muito constrangedor Jesus nascer num berço de palha. Assim, literalmente falando.
Porque agora em toda frase, ela arruma um jeito de usar constrangedor e literalmente
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
AO ABSOLUTO
AO ABSOLUTO
Alberto Bresciani
I
Aprender
com a linha reta
e silenciosa
que atravessa
o cair da tarde
Sim
ali onde os pássaros
devolvem voo à noite
e folhas são gratas
até pelo ocaso da seiva
Este
o santuário
a branca essência:
vem a voz do vento
e revela segredo nenhum
a plenitude das ervas
a crença plana
delicadezas banais
II
Assim ungidos
e com domínio do tempo
teremos um deus
deitado nos olhos
no peito, no ventre
Estaremos prontos
afinal
para voltar.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
GRITAREI AO MUNDO
GRITAREI AO MUNDO
Amém, meu amigo, assim seja para todos nós!!! Abração, Andréia.
Quando a lágrima rasgou a minha alma
Quando minha pequenez se fez clara
E meu coração revelou minha pobreza
Olhei tua face na cruz e vi
Vi que tudo era nada
Vi tua grandeza na dor
Tuas chagas de amor
E só os Teus olhos olharam nos meus
Então percebi
Que na busca de mim
Eu só me perdi
Por caminhos doídos
E desertos de Ti
Resolvi voltar
E esquecer de mim
E então vi
Minha alma desnuda
Repleta de Ti
Gritarei ao mundo
Ah sim
Gritarei ao mundo
Já não sou eu quem vive
É Cristo vivendo em mim.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Festa de Natal em uma empresa contemporânea...
Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 01 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
Tenho o prazer de informar que a festa de Natal da empresa será no dia 23 de dezembro, com início ao meio-dia, no salão de festas privativo da Churrascaria Grill House. O bar estará aberto com várias opções de bebidas. Teremos uma pequena banda tocando canções tradicionais de natal...sinta- se à vontade para se juntar ao grupo e cantar! A árvore de Natal terá suas luzes acesas às 13:00. A troca de presentes de amigo secreto pode ser feita a qualquer momento, entretanto, nenhum presente deverá exceder R$20,00, a fim de facilitar as escolhas e adequar os gastos a todos os bolsos.
Boas festas para vocês e suas famílias,
Cordialmente; Patrícia
____________ _________ _________ _________ _________ _________ ___
Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 02 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
De maneira alguma nosso memorando de 01 de dezembro pretendeu excluir nossos funcionários judeus! Reconhecemos que o Chanukah é um feriado
importante e que costumam coincidir com o Natal, mas isso não aconteceu este ano. De qualquer forma, passaremos a chamá-la de 'Festa de Final de Ano'. A mesma política se aplica a todos os outros funcionários que não sejam cristãos e àqueles que ainda celebram o Dia da Reconciliação.
Não haverá árvore de Natal. Nada de canções de natal nem coral.
Teremos outros tipos de música para seu entretenimento.
Felizes agora?
Boas festas para vocês e suas famílias,
Atenciosamente; Patrícia
____________ _________ _________ _________ _________ _________ ___
Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 03 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
Com relação ao bilhete que recebi de um membro do Alcoólicos Anônimos solicitando uma mesa para pessoas que não bebem álcool... você não
assinou seu nome! Fico feliz em atender o pedido, mas se eu puser uma placa na mesa'Exclusivo para AA', vocês não serão mais anônimos...
Como faço então?
Nenhuma troca de presentes será permitida, uma vez que os membros do sindicato acham que R$20,00 é muito dinheiro e os executivos acham que
$20,00 é muito pouco para um presente.
NENHUMA TROCA DE PRESENTES SERÁ PERMITIDA, certo?
Cordialmente; Patrícia
____________ _________ _________ _________ _________ _________ ___
Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 07 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
Eu não sabia que no dia 20 de dezembro começa o mês sagrado do Ramadã para os muçulmanos, que proíbe comer e beber durante as horas do dia.
Talvez a Churrascaria Grill House possa segurar o serviço de bufê até o fim do dia ou então, embalar tudo para que vocês levem para casa nas
marmitas. O que vocês acham disso?
Novidades: neste meio tempo, consegui que os membros do Vigilantes do Peso sentem o mais longe possível do bufê de sobremesas; as mulheres
grávidas sentem-se o mais perto possível dos banheiros; teremos assentos mais altos para pessoas baixas e comida com baixa-caloria estará disponível para os que estão de dieta.
Nós não podemos controlar a quantidade de sal utilizada na comida.
Desta forma, sugerimos para estas pessoas com pressão alta provar o gosto primeiro. Haverá frutas frescas de sobremesa para os diabéticos.
O restaurante não dispõe de sobremesas sem açúcar.
Nossas profundas desculpas.
Esqueci de alguma coisa?
Atenciosamente; Patrícia
____________ _________ _________ _________ _________ _________ ___
Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS FILHOS DA PUTA QUE TRABALHAM NESTA EMPRESA.
Data: 08 de dezembro
Assunto: Festa de Natal DO CARALHO
Vegetarianos! ?!?!??! Sim, vocês também tinham que dar sua opinião de merda ou reclamar de alguma coisa!!! Nós manteremos o local da festa
na Churrascaria Grill House; quem não gostar, foda-se! Então, como alternativa, seus putos, vocês podem sentar-se quietinhos na mesa mais
distante possível da tal 'churrasqueira da morte' - como vocês se referiram de forma bastante depreciativa ao utensílio. E vocês terão
também sua mesa de saladas de merda, incluindo tomates hidropônicos da casa do caralho & arrozinho grudento pra comer de pauzinho. Aqueles
que, naturalmente, ainda não gostaram, podem enfiar tudo no cu.
Ah, espero que vocês todos tenham uma bosta de festa de final de ano!
E que dirijam muito, muito bêbados e morram todos, todinhos esturricados por aí.
Escutaram?
Embucetadamente; A Vaca, diretamente da puta que os pariu.
____________ _________ _________ _________ _________ _________ ___
Dr. Pacheco - Diretor de Recursos Humanos INTERINO
COMUNICADO PARA TODOS OS funcionários
Data: 10 de dezembro
Assunto: Patrícia Gomes e Festa de Final de Ano
Tenho certeza que falo por todos desejando para a Patrícia um rápido restabelecimento para sua crise de stress.
Por conta deste fato, a diretoria decidiu cancelar a Festa de Final de Ano e dar folga remunerada para todos na tarde do dia 23 de dezembro.
Cordialmente; A direção.
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 01 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
Tenho o prazer de informar que a festa de Natal da empresa será no dia 23 de dezembro, com início ao meio-dia, no salão de festas privativo da Churrascaria Grill House. O bar estará aberto com várias opções de bebidas. Teremos uma pequena banda tocando canções tradicionais de natal...sinta- se à vontade para se juntar ao grupo e cantar! A árvore de Natal terá suas luzes acesas às 13:00. A troca de presentes de amigo secreto pode ser feita a qualquer momento, entretanto, nenhum presente deverá exceder R$20,00, a fim de facilitar as escolhas e adequar os gastos a todos os bolsos.
Boas festas para vocês e suas famílias,
Cordialmente; Patrícia
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Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 02 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
De maneira alguma nosso memorando de 01 de dezembro pretendeu excluir nossos funcionários judeus! Reconhecemos que o Chanukah é um feriado
importante e que costumam coincidir com o Natal, mas isso não aconteceu este ano. De qualquer forma, passaremos a chamá-la de 'Festa de Final de Ano'. A mesma política se aplica a todos os outros funcionários que não sejam cristãos e àqueles que ainda celebram o Dia da Reconciliação.
Não haverá árvore de Natal. Nada de canções de natal nem coral.
Teremos outros tipos de música para seu entretenimento.
Felizes agora?
Boas festas para vocês e suas famílias,
Atenciosamente; Patrícia
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Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 03 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
Com relação ao bilhete que recebi de um membro do Alcoólicos Anônimos solicitando uma mesa para pessoas que não bebem álcool... você não
assinou seu nome! Fico feliz em atender o pedido, mas se eu puser uma placa na mesa'Exclusivo para AA', vocês não serão mais anônimos...
Como faço então?
Nenhuma troca de presentes será permitida, uma vez que os membros do sindicato acham que R$20,00 é muito dinheiro e os executivos acham que
$20,00 é muito pouco para um presente.
NENHUMA TROCA DE PRESENTES SERÁ PERMITIDA, certo?
Cordialmente; Patrícia
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Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 07 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
Eu não sabia que no dia 20 de dezembro começa o mês sagrado do Ramadã para os muçulmanos, que proíbe comer e beber durante as horas do dia.
Talvez a Churrascaria Grill House possa segurar o serviço de bufê até o fim do dia ou então, embalar tudo para que vocês levem para casa nas
marmitas. O que vocês acham disso?
Novidades: neste meio tempo, consegui que os membros do Vigilantes do Peso sentem o mais longe possível do bufê de sobremesas; as mulheres
grávidas sentem-se o mais perto possível dos banheiros; teremos assentos mais altos para pessoas baixas e comida com baixa-caloria estará disponível para os que estão de dieta.
Nós não podemos controlar a quantidade de sal utilizada na comida.
Desta forma, sugerimos para estas pessoas com pressão alta provar o gosto primeiro. Haverá frutas frescas de sobremesa para os diabéticos.
O restaurante não dispõe de sobremesas sem açúcar.
Nossas profundas desculpas.
Esqueci de alguma coisa?
Atenciosamente; Patrícia
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Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS FILHOS DA PUTA QUE TRABALHAM NESTA EMPRESA.
Data: 08 de dezembro
Assunto: Festa de Natal DO CARALHO
Vegetarianos! ?!?!??! Sim, vocês também tinham que dar sua opinião de merda ou reclamar de alguma coisa!!! Nós manteremos o local da festa
na Churrascaria Grill House; quem não gostar, foda-se! Então, como alternativa, seus putos, vocês podem sentar-se quietinhos na mesa mais
distante possível da tal 'churrasqueira da morte' - como vocês se referiram de forma bastante depreciativa ao utensílio. E vocês terão
também sua mesa de saladas de merda, incluindo tomates hidropônicos da casa do caralho & arrozinho grudento pra comer de pauzinho. Aqueles
que, naturalmente, ainda não gostaram, podem enfiar tudo no cu.
Ah, espero que vocês todos tenham uma bosta de festa de final de ano!
E que dirijam muito, muito bêbados e morram todos, todinhos esturricados por aí.
Escutaram?
Embucetadamente; A Vaca, diretamente da puta que os pariu.
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Dr. Pacheco - Diretor de Recursos Humanos INTERINO
COMUNICADO PARA TODOS OS funcionários
Data: 10 de dezembro
Assunto: Patrícia Gomes e Festa de Final de Ano
Tenho certeza que falo por todos desejando para a Patrícia um rápido restabelecimento para sua crise de stress.
Por conta deste fato, a diretoria decidiu cancelar a Festa de Final de Ano e dar folga remunerada para todos na tarde do dia 23 de dezembro.
Cordialmente; A direção.
sábado, 22 de dezembro de 2012
EM ARANJUEZ COM MI AMOR
EM ARANJUEZ COM MI AMOR
por J.L. Rocha do Nascimento
Ao som dos primeiros movimentos, lembro-me da fatídica viagem, de como e de quando lá chegamos. Um pequeno povoado. Deserto, poeirento e debaixo de um sol de cozinhar. Entramos. A taberna era rústica e suja. Mariachis dedilhavam suas guitarras ao fundo. Ao longe, um lamento forjado ao sopro de um trompete. Violinos orquestrados compunham, por fim, o cenário. O taberneiro suarento, sempre esfregando as mãos numa toalha encardida, nos serviu, em tigelas de barro, algo muito travoso para ser vinho. Ela não gostou. Nada que lembrasse as sessões homéricas de vinho tinto, uvas Itália e morangos silvestres. Ao lado, uma linha, uma velha estação, o vaivém barulhento de uma porta. A civilização já passou por aqui. É. Brincando, ela fez um longo enquadramento com as mãos. Tarantino ou Sérgio Leone? O original, eu disse.
Enquanto o trompete agoniza, entrecortado pelo dedilhar suave sobre a harpa, lembro também de como, aproveitando uma pequena trégua, tentei penetrar aqueles olhos, mas os cabelos, desalinhados pelo vento, debatiam-se por sobre o rosto, tirando-me a visão das amêndoas negras. Se os visse, se os penetrasse fundo, imaginei, talvez a demovesse da idéia, como naquele final de tarde em que, ao fim, embeberam-se uns nos outros, brilharam-se uns pros outros e juraram-se uns aos outros.
Queria uma última chance. Julgava que tinha me esforçado. Tanto que, no prelúdio, os dedos ainda se tocaram, embora sem a harmonia de antes. Mas logo percebi que seria impossível reproduzir o monólogo das mãos.
E nada foi mais doloroso do que o movimento final, anunciado pelas notas graves e marcadas do violoncelo. Quando, de repente, se ergueu e selou-me o rosto com um beijo. Meus olhos cerraram-se, repeliram qualquer movimento na tentativa de reabri-los. O receio era o de perceber o óbvio. E sumiu lentamente na poeira arrastada pelo vento - que também abria e fechava portas -, nas ondas tremulantes de calor. Ficou a sensação de uma miragem, nada além.
Nunca mais a vi. A não ser quando ouço concierto de aranjuez, como agora, na voz de Nana Mouskouri. Milles Davis que me perdoe com o seu adágio.
É noite de natal. Mais alguns instantes e os ponteiros estarão sobrepostos. O vizinho do lado ouve Noite Feliz. Que vinho ele bebe, não sei. A mulher corre pra cozinha. As crianças, em torno da árvore, aguardam com ansiedade a chegada do bom velhinho.
Pobres coitados. Pobre de mim.
Não sei qual dos mundos merece mais compaixão.
Enquanto o trompete agoniza, entrecortado pelo dedilhar suave sobre a harpa, lembro também de como, aproveitando uma pequena trégua, tentei penetrar aqueles olhos, mas os cabelos, desalinhados pelo vento, debatiam-se por sobre o rosto, tirando-me a visão das amêndoas negras. Se os visse, se os penetrasse fundo, imaginei, talvez a demovesse da idéia, como naquele final de tarde em que, ao fim, embeberam-se uns nos outros, brilharam-se uns pros outros e juraram-se uns aos outros.
Queria uma última chance. Julgava que tinha me esforçado. Tanto que, no prelúdio, os dedos ainda se tocaram, embora sem a harmonia de antes. Mas logo percebi que seria impossível reproduzir o monólogo das mãos.
E nada foi mais doloroso do que o movimento final, anunciado pelas notas graves e marcadas do violoncelo. Quando, de repente, se ergueu e selou-me o rosto com um beijo. Meus olhos cerraram-se, repeliram qualquer movimento na tentativa de reabri-los. O receio era o de perceber o óbvio. E sumiu lentamente na poeira arrastada pelo vento - que também abria e fechava portas -, nas ondas tremulantes de calor. Ficou a sensação de uma miragem, nada além.
Nunca mais a vi. A não ser quando ouço concierto de aranjuez, como agora, na voz de Nana Mouskouri. Milles Davis que me perdoe com o seu adágio.
É noite de natal. Mais alguns instantes e os ponteiros estarão sobrepostos. O vizinho do lado ouve Noite Feliz. Que vinho ele bebe, não sei. A mulher corre pra cozinha. As crianças, em torno da árvore, aguardam com ansiedade a chegada do bom velhinho.
Pobres coitados. Pobre de mim.
Não sei qual dos mundos merece mais compaixão.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
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